terça-feira, 7 de abril de 2009

Ainda Ecos da Conferência Internacional - A língua portuguesa em crise


Pacheco Pereira na Conferência Internacional da Língua Portuguesa


“O ensino do português encontra-se hoje fortemente condicionado, se é que não é ameaçado, por uma espécie de doxa anti-humanista que, persistindo como persiste, terá um efeito devastador no nosso futuro próximo, conforme já se vai percebendo pela forma como os nossos jovens escrevem, falam e lêem. Pior: poucos lêem. Ninguém (…) contesta, por certo, a bondade de uma política de investimento na investigação científica, nas tecnologias puras e duras e nas chamadas ciências exactas; errado será se esse investimento trouxer consigo a míope desqualificação de áreas do saber que directa ou indirectamente concorrem para que o ensino da língua materna recolha os ensinamentos com que se renova e aprofunda.”

Carlos Reis, Actas da Conferência Internacional da Língua Portuguesa, p.9

A língua portuguesa vive tempos de crise. Esta dura realidade toca, em primeiro lugar, as escolas - básicas, secundárias e universidades.
A sociedade contemporânea vive no encanto das tecnologias. As humanidades, de uma maneira geral, e o amor e rigor na utilização da língua materna estão a ser substituídos pelo fascínio da comunicação virtual – chats, internet, e-mails – onde velocidade e qualidade nem sempre andam de mãos dadas. As grandes descobertas e áreas de valorização são as das ciências exactas, experimentais, as tecnologias, cujo valor, todavia, não questionamos.
Aquilo que questionamos é o facto de sermos diariamente bombardeados com publicidade, rodapés de telejornais, jornais onde proliferam erros linguísticos dos mais variados subtipos. Temos como exemplo o jornal que assumidamente recorre à expressão “Oje” como título. É ainda exemplo no domínio da comunicação social o número um do jornal “Sol” com um erro sintáctico. E isto para não falar dos erros que todos nós já encontrámos em impressos, folhetos e outros papéis que tais.
Escolas e professores estão a remar contra a maré.

Ana Soares

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