Mostrar mensagens com a etiqueta dislexia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dislexia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Iniciação à escrita e leitura - Método Fonomímico

Paula Teles acabou de publicar mais um livro do "Método Fonomímico".

O "Parque dos Fonemas" é um livro, multissensorial, de iniciação à leitura e escrita, para crianças do pré-escolar e 1º ano. Foi elaborado de acordo com os textos de Apoio para Educadores de Infância e do PNEP, editados pelo Ministério da Educação. É acompanhado de um CD com as Cantilenas do Abecedário, Autocolantes e de um Livro de Apoio com as Letras em Relevo. As letras vogais são apresentadas por cinco amigos que foram visitar o Parque dos Fonemas, as letras consoantes são apresentadas por animais. Para cada personagem foi criada uma história-cantilena e um gesto. As crianças observam as imagens de cada personagem, ouvem e cantam as suas histórias-cantilenas, mimam os gestos e repassam com o dedo pelas letras em relevo. Descobrem, com prazer e entusiasmo, a relação entre os sons da linguagem oral e as letras do alfabeto e, de degrau em degrau, vão progredindo nas competências da leitura e da escrita.
Pode ler mais sobre a autora e livro aqui.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Dislexia e génios

Tive também recentemente a oportunidade de falar com um neuropsicólogo sobre a dislexia.
Este falou sobre o assunto com uma naturalidade algo desconcertante para quem pouco sabe sobre os fenómenos neuronais subjacentes a esta "perturbação".
Falou dos grandes génios da música. Acrescentou que muitos artistas, arquitectos e informáticos são disléxicos. Comentou um caso particular de um colega de faculdade, que era o suprassumo da organização e método, que também tinha esta mesma "perturbação". Disse que 6% da população é disléxica e que tal fenómeno é genético, o que pressupõe mais casos na família. Definiu os indivíduos com esta característica como sujeitos que desenvolvem estratégias múltiplas e alternativas que os podem transformar em verdadeiros "especialistas" em estratégia.

Falei ainda com o meu colega de ensino especial a pedir sugestões sobre o assunto. Sugeriu-me que passasse pelo Portal da Dislexia . Aqui fica o link. Obrigada, Luís.

Ana Soares

terça-feira, 2 de junho de 2009

A dislexia e a escola

A dislexia é, ainda, um campo árido para os professores. Para além de pais, psicólogos e tantas outras coisas que se pedem que os professores sejam, não se nos pode pedir que sejamos terapeutas também! Bem sei que é nossa obrigação, nomeadamente dos professores do 1º ciclo e dos das línguas, estarmos atentos e irmos actualizando o nosso saber à medida que mais coisas se descobrem sobre esta "learning disability" (Associação Internacional de Dislexia, 2002). A sensibilidade do docente deve estar mais desperta e atenta, de forma a atempadamente se diagnosticarem as dificuldades e se poder intervir o mais cedo possível. Todavia, aquilo que podemos fazer não pode nunca substituir o que os técnicos, e esses sim, especilistas nesta área, podem fazer. Este é um trabalho no qual o professor é apenas um elo. Um elo importante, claro que não nego, até porque pode detectar precocemente aquilo que pode passar despercebido às famílias. No entanto, o professor deve ser assumido como mais um parceiro (dedicado, deseja-se) neste acompanhamento que deve passar pelo professor de ensino especial, médico de família ou pediatra e terapeuta.
Ana Soares

Trocar o "b" pelo "d"

Aconteceu há 29 anos, o menino tinha seis anos e confundia o b e o d, lia: "Dom bia", em vez de "Bom dia". O pai batalhou durante meses e repetia até à exaustão, às vezes, já com pouca paciência: "O b tem uma barriga e o d tem um rabo" e acompanhava a frase com gestos redondos a desenhar a anatomia humana no ar. E conseguiu! Ouvir "dado" em vez de "babo" foi uma vitória lá em casa!

Há uns tempos, falei com o professor João Lopes, especialista em integração e comportamento escolar da Universidade do Minho, que dizia que se todos os alunos tivessem que ser bons a jogar basquetebol, de certeza que haveria uma doença chamada disbasquetebolia, como há a dislexia para os que têm dificuldades em aprender a ler, que trocam as letras, que as saltam, que as confundem, enfim, para as crianças com as quais os professores desesperam e recorrem a ajuda especializada. Os professores também pedem ajuda quando: toda a turma adquiriu as competências, menos aquele aluno. Portanto, concluem, o problema não é seu, mas do aluno, parecendo desconhecer que cada ser humano tem o seu tempo e que nem todos chegam à informação ao mesmo tempo ou da mesma maneira; que é preciso ser persistente, ser paciente, estar atento, motivar em vez de condenar, enfim, ser professor.

A ajuda especializada existe e é dada sobretudo por psicólogos educacionais. Maria Dulce Gonçalves, professora e investigadora em Dificuldades de Aprendizagem da Universidade de Lisboa, propõe que antes de chegar ao diagnóstico, é importante fazer o prognóstico, antecipar se a criança terá ou não dificuldades. E sugere que esse trabalho se faça antes de qualquer menino entrar no 1.º ciclo.

BW

PS: Lembrei-me de tudo isto porque houve um pedido de ajuda num comentário a outro post e porque nos anúncios, aqui ao lado, havia um de uma clínica especializada!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

À conversa com Ana Maria Magalhães

A presença de Ana Maria Magalhães na escola não teve o sucesso que pretendíamos, pela fraca adesão dos pais e encarregados de educação. Mas os que estávamos tivemos assim a oportunidade de ter uma conversa mais intimista com a escritora.
Foi muito bom ouvi-la partilhar as estratégias que adoptou como irmã, mãe, professora e até avó para levar o outro a ler ou a ultrapassar dificuldades de leitura. Foi particularmente interessante ouvir reforçar duas ideias: a de que os miúdos que não gostam de ler devem poder escolher o que querem ler, pelo que nenhum livro, a não ser que o mesmo consista num atentado à integridade moral, é um mau livro (mesmo que os pais achem a história desinteressante) e que aos que não gostam de ler se devem oferecer livros “fininhos”.
Sugeriu que todos os dias devem terminar com livros – pois a leitura de uma página de uma história, ou mesmo um poema, ajuda a criar laços e intimidade com o objecto livro. Sugeriu ainda aos professores a leitura em aula. 10 minutos no final de cada aula.
Falou com um respeito imenso dos disléxicos e eu fiquei a pensar na imensa tristeza que aqueles que gostam de histórias podem sentir quando se consciencializam das suas dificuldades com a palavra.

Foi, sem dúvida, uma conversa que não vou esquecer. Mostrou-nos , uma vez mais, que educar para a leitura dá trabalho. É uma tarefa que exige muita criatividade e que nos obriga a olhar para cada potencial leitor como único, com gostos, exigências e expectativas sempre diferentes.

Ana Soares