quarta-feira, 31 de março de 2010

Como escolher um livro infantil?

Quando compro um livro, espero sempre que o mesmo encante aquele que o vai receber e ler. Por isso, dou especial atenção a alguns aspectos:

- aspectos paratextuais - capa, ilustrações, título;
- qualidade da escrita (leio sempre um bom pedaço do livro para aferir esta questão) - pode ser uma escrita clássica, mas confesso que prefiro a que nos cativa pela originalidade (com jogos de palavras, muita musicalidade ou um registo poético);
- respectiva história e mensagem (mas também adoro os non sense, em que o que é apaixonante é mesmo a história não ter sentido);
- adequação à faixa etária (às vezes quando me apaixono pelo livro e não resisto em comprá-lo, compro e guardo para a altura certa!).

Exemplos:

capa


















título


















ilustrações















escrita

















criatividade
















poeticidade do texto, história e / ou imagens















história e mensagem




















non sense











Ana Soares


PS - alguns destes livros poderiam estar em mais do que uma das "categorias". Escolhi aquela em que o livro mais se destacou quando o vi / li pela primeira vez.

PS1 - Nem sempre o sucesso acontece. Tal aconteceu, por exemplo, no dia em que comprei um livro para uma sobrinha, não porque gostasse muito da ilustração, história, mas sim porque a personagem principal tinha o seu nome e primos. Achei que se podia identificar. Dessa vez, não tive sorte. Ainda não chegou ao fim da leitura...

PS2 - Quando são eles a escolher, não há teoria que resista. Eles apaixonam-se pelos livros mais estapafurdios. E ainda bem. Na leitura vale tudo (ou quase tudo). Recordo o que Ana Maria Magalhães defende sobre este tema. Releia aqui. Acho que ela tem razão.

Recados que fui apanhando 1

Na escola superior de educacao de UMass, em Amherst, por cima do quadro verde de uma sala de aulas onde estudam os futuros professores, estao os seguintes recados:
1. Learn to do by doing
2. Focus in strengths through instruction
3. Feedback & support
4. Create opportunities for shared decision making
5. Recognize that growth takes time
6. Encourage discovery of personal meaning
7. Provide environments that encourage risk taking
8. Appreciate/value diversity
9. Meet individual needs.
Tamb'em dizia: No food or drinks; mas parece-me que as anteriores sao bem mais importantes para os alunos interiorizarem o que podem fazer enquanto professores.
BW
PS: Sem acentos por aqui...

terça-feira, 30 de março de 2010

Phoebe Prince: a rapidez do sistema

Aconteceu em Janeiro. Phoebe Prince, 15 anos, tornou-se um alvo a abater pelas miudas mais populares da escola, foi vitima de bullying nos corredores da escola, na biblioteca, na rua e atraves da Internet, no Facebook. Acabou por ceder 'a pressao e a irma de 12 anos encontrou-a morta, em casa. Ontem, e depois de muitas criticas aos atrasos na Justica - passaram dois meses - nove adolescentes foram acusados pelo Minist'erio P'ublico de estar envolvidos numa campanha de bullying que durou meses. Alguns podem ser julgados como adultos. Como 'e que est'a o caso de Mirandela?
BW

Infertilidade

O tema da infertilidade tem vindo a ganhar relevância na nossa sociedade. Os dados começam a falar mais alto e não deixam grandes margens para dúvida: cerca de dez por cento dos casais que desejam ter um filho / filha têm dificuldade em engravidar. Leia a notícia com os números aqui.

Jamie Oliver e a Food Revolution

Na cozinha do refeitorio de uma escola em West Virginia, na cidade considerada a populacao mais obesa dos EUA, o cozinheiro britanico Jamie Oliver pergunta o que 'e que vao servir par o pequeno-almoco. "Pizza" respondem as cozinheiras. De seguida, a camara acompanha-o at'e ao refeitorio, nos pratos dos meninos louros, brancos e de olhos azuis ha pedacos de pizza e ketchup. Ainda nao sao oito da manha. "Eles sao o futuro da America", diz Oliver, arrepiado. Em casa de uma mae obesa, Jamie Oliver vai juntando em cima da mesa da cozinha tudo o que aquela familia costuma comer ao pequeno-almoco. Pizzas, hamburgueres, panquecas, molhos, cremes para barrar... "Sabe que est'a a tirar anos de vida aos seus filhos?", pergunta. A mae olha apreensiva. H'a tres geracoes que os americanos deixaram de saber cozinhar, diz Oliver em entrevista a Larry King, na CNN.
O cozinheiro ingles espera fazer milagres com o seu programa Food Revolution. So podemos desejar-lhe muita sorte! Nao 'e nada facil comer saudavel por estas bandas... Hoje de manha pedi um pao s'o com fiambre e a empregada do cafe sentiu-se compelida a acrescentar um bocado de oleo em cima para torrar o pao... Depois, quando passou pela colega nao resistiu a murmurar entre dentes:"They're so strange..." Pudera! Nao pedi pickles, nem tomate, nem mostarda, nem cebola, so fiambre.
BW
PS: Nao tenho acentos...

segunda-feira, 29 de março de 2010

A recessao e a crise

Nos EUA o financiamento das escolas est'a descentralizado e mais dependente a n'ivel local do que a nacional. O Governo federal financia em cerca de dez por cento e o resto 'e dinheiro do estado, do distrito e local. Por isso, as empresas locais e as associacoes de pais sao tao importantes para as escolas, porque angariam fundos para completar o orcamento ou fazer outras coisas que nao estavam previstas no mesmo.
A recessao economica tambem se tem feito sentir nas escolas que estao a dispensar os professores (lay-off), a fazer turmas maiores (35 alunos ou mais, na expectativa que o absentismo as torne mais pequenas porque nunca estarao 35 miudos na sala de aula), a cortar em areas consideradas dispensaveis (artes e afins) ou mesmo a pensar em ter apenas quatro, em vez de cinco, dias semanais de aulas...
Este problema ja se faz sentir ha algum tempo mas o Governo federal tem injectado dinheiro no sistema para adiar a dispensa dos professores. Em breve serao conhecidos os estados que vao conquistar um dinheiro extra para poder manter o sistema educativo e melhora-lo, 'e essa a contrapartida de concorrer a este financiamento. Ou seja, o objectivo nao 'e s'o injectar dinheiro para que tudo continue na mesma, mas melhorar a educacao porque a administracao Obama tem consciencia que a educacao 'e fundamental para sair da crise. O programa chama-se Race to the Top.
BW
PS: Desculpem a ortografia...

Perguntas sobre sexualidade

As crianças do primeiro ciclo vivem com serenidade a sexualidade. "Recordemos que são crianças que de 6,7 ou 8 anos, que normalmente nos perguntam sobre a sexualidade como poderiam fazê-lo sobre a sua colecção de cromos; as nossas respostas serão claras, mas simples, adaptadas à sua capacidade de compreensão; não daremos maior importância do que a que eles pedem de nós; nem nos estenderemos em explicações que não podem assimilar."




María Jesús Álava Reyes, O Não também ajuda a crescer, Lisboa, Esfera dos Livros

domingo, 28 de março de 2010

Pode vir 'a escola? Gostavamos de bater no seu filho...

Em alguns condados ainda h'a escolas onde 'e permitido bater nos alunos. Para isso, os pais tem que ser chamados!
Tolerancia zero 'a violencia pode passar por accoes de sensibilizacao junto dos alunos e por medidas punitivas fortes. No Wake County, o condado onde nos encontramos, na Carolina do Norte, um aluno 'e expulso da escola se for apanhado com uma arma ou drogas, ou se bater num professor. Um ano em casa em que pode continuar a estudar, se quiser, atraves da Internet ou do home shooling (educacao domestica). "It's his mum problem", resume um responsavel administrativo do condado.
BW

sábado, 27 de março de 2010

Quer ver a 3D?

Vá ao teatro.

A programar em 3D desde 1846.

Não consegui colocar aqui a campanha que hoje, Dia Mundial do Teatro, celebra e promove o teatro de uma maneira geral e o D. Maria em particular, por isso, aqui fica o convite para ver a campanha publicitária no site do Teatro Nacional D. Maria II.
Ana Soares

sexta-feira, 26 de março de 2010

Regras para ser um bom director de escola

Os directores sao uma realidade nova para n'os, mas nao para os norte-americanos, onde o sistema educativo 'e completamente descentralizado e, por isso, o director 'e aquele que tem o poder mais directo sobre a escola. Nick Cabot 'e professor na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, foi docente do secund'ario durante anos e lembra um dos seus directores como o modelo de um bom director, o homem que lhe ensinou as cinco regras para se ser um bom director:
1. Lembrar-se das suas origens - tamb'em ele foi professor, um director deve ser sempre um professor, ressalva
2. Dar voz a quem 'e acusado - sejam professores, alunos ou outro pessoal
3. Confiar nos professores
4. Confiar naquilo que os professores ensinam
5. Estar sempre vis'ivel na escola - nao passar o tempo no gabinete, mas andar de um lado para o outro, conhecer a escola, os professores, os alunos, as necessidades que existem.
Parecem-me cinco boas regras lembrando que os directores querem duas coisas dos seus professores, que:
1. Saibam gerir uma sala de aula
2. Consigam que os seus alunos obtenham resultados
Tamb'em me parece bem!
BW
PS: Desculpem a falta de acentos

Escolas iman ou magnet school

Os autocarros amarelos com as palavras "school bus" entram, em fila, uns atras dos outros, 'a porta da East Garner Magnet Middle School os alunos do 6. ao 8. ano (o equivalente ao nosso 3. ciclo) esperam para entrar. Muitos nao vivem perto da escola e 'e assim mesmo porque o objectivo 'e reunir numa mesma escola alunos de varios estratos sociais e de diferentes bairros. O conceito nao existe em Portugal. O que estas escolas chamadas "magnet" querem provar 'e que os bons exemplos, as boas condutas, os bons comportamentos, os bons desempenhos se atraem, como os imans. Ou seja, se eu tenho maus resultados mas estou com colegas com bom comportamento e bom desempenho consigo l'a chegar. Por isso, 'a porta da escola estao rapazes e raparigas de todas as cores, sabendo que metade est'a no limiar da pobreza e, no entanto, caminhar nos corredores, observar os alunos na sala de aula (portas abertas, pouco barulho, os professores a trabalharem com um ou dois, enquanto o resto da turma est'a a desenvolver um trabalho ou a ver um filme em espanhol, como na aula de castelhano) 'e pensar que se est'a num col'egio privado, daqueles internacionais, com filhos de diplomatas, e nao numa escola publica norte-americana.
BW
PS: Desculpem a falta de acentos

quinta-feira, 25 de março de 2010

'E preciso acreditar!

Tem mais de 60 anos, 'e directora da escola superior de educacao da Universidade de Georgetown, em Washington DC. Sentada numa sala de brancos conta algumas historias:
1. Era professora numa escola de um bairro negro, na sala de aula disse aos alunos que estava ali para os ensinar e eles para aprender. Uma aluna, com ar desafiador, disse-lhe que nao era bem assim, que os outros professores ja lhes tinham dito que eles eram do guetto e que nao iam aprender nada, por isso... Ela voltou a afirmar: Eu estou aqui para vos ensinar e voces para aprender. Anos depois, voltou a encontrar essa aluna, era enfermeira e agradeceu-lhe por nao ter desistido dela, por a ter incentivado a aprender.
2. Ela fazia parte do grupo dos dez melhores alunos daquele ano. Todos receberam uma bolsa para seguir para a universidade. Todos, menos ela, negra e pobre. O argumento era simples e era esse mesmo, era negra e pobre, portanto, nao chegaria longe. Os seus professores juntaram-se e financiaram o seu curso. Hoje 'e a directora da escola superior de educacao da Universidade de Georgetown. "Eles acreditaram em mim".
Por isso, para ela, muito do segredo do sucesso dos professores est'a no acreditar que 'e poss'ivel fazer alguma coisa com os alunos que se tem 'a frente, que nao se pode continuar a atirar as culpas para todo o lado - o bairro 'e mau, a familia 'e pessima, a pobreza 'e horrivel e ciclica... - nao! Para esta mulher 'e possivel mudar. "Yes, we can!", disse com um sorriso nos labios.
BW
PS:Desculpem a falta de acentos.

Sindicatos muito `a frente!

Sao sindicalistas, defendem os direitos dos professores, discutem-nos com o poder politico e... sao a favor da avaliacao! Sao eles proprios avaliadores, criadores de sistemas de avaliacao dos seus pares, de professores por outros professores, gastam dinheiro com a avaliacao mas consideram-na fundamental. Foi dificil aplicar um sistema ou varios sistemas de avaliacao? Sim, respondem, os professores nao gostam de ser avaliados, de ter as suas aulas observadas, mas a avaliacao e fundamental para garantir um bom sistema educativo, respondem.
Os sindicalistas norte-americanos de carreira sao bem diferentes dos portugueses. Estes dao aulas, continuam nas escolas, ao lado dos seus colegas, porque 'e preciso estar no terreno, defendem. Sao professores do basico, secundario, universitarios, com os p'es na terra, sao pessoas praticas que defendem uma profissao com qualidade e por isso criaram sistemas de avaliacao.
BW
PS: nao tenho acentos neste computador, desculpem.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Aventura no Pulo do Lobo


Foi hoje o lançamento do novo livro da colecção Uma Aventura - Uma Aventura no Pulo do Lobo. Na livraria Barata da Av. de Roma, em Lisboa e, naturalmente, com a presença das autoras, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e um grande grupo de crianças às quais desvendaram alguns dos mistérios do livro, explicaram algumas opções e mostraram fotos da visita que fizeram a este local que podem ser vistas aqui.

Este tempo foi ainda oportunidade para uma pequena conversa entre as autoras e os leitores que, contrariamente às minhas expectativas, foi pouco concorrido pela comunicação social. Veja a notícia no Público que destaca também alguns pormenores curiosos. Os presentes perguntaram quais os livros preferidos das autoras. Ana Maria Magalhães referiu Uma Aventura no Natal, pelo facto da acção deste volume se passar na quinta dos seus avós. Por seu lado, Isabel Alçada escolheu Uma Aventura No Bosque dado que o espaço desta narrativa é aquele onde ela sempre passou as suas férias de Verão, ou seja, Sintra.

Alguns curiosos perguntaram ainda como é que as autoras escolheram o nome das personagens principais da colecção. As autoras, recordando o contexto onde se conheceram, a escola, disseram ter-se inspirado nos seus alunos e em nomes que fossem tipicamente portugueses. Alguns alunos questionaram as autoras sobre o tempo que demoram a escrever uma aventura. Disseram que esta tarefa lhes toma cerca de dois meses e meio.

Por último, foram sorteadas algumas das crianças presentes para lhes ser dedicada a próxima aventura.

Ana Soares

Depressa ou devagar?


Um livro infantil para os adultos e pais.
Para não nos esquecemos do mundo em que os nossos filhos e crianças vivem.

Não para nos angustiarmos, nem culpabilizarmos.

Para nos rirmos do ridículo de oscilarmos entre o "depressa, despacha-te" e o "devagar, não corras".

Para ler e rir em família.
Para os pais pensarem.




Mais uma excelente proposta da Planeta Tangerina: Depressa, devagar de Isabel Minhós e Bernardo Carvalho.
Como é hábito da Planeta Tangerina, no seu sítio, temos disponíveis guias/sugestões para "usar" os seus livros.

Dizem os autores: «As pistas e propostas de trabalho que se seguem são apenas isso mesmo: propostas e pistas, pontos de partida, sugestões, pontapés de saída... Não são “lições” nem “fichas de trabalho”, não procuram respostas “certas” ou “erradas”, não são “obrigatórias”, nem se deseja que sejam levadas “à letra”. Gostávamos apenas que ajudassem pais, educadores, bibliotecários, professores... grandes e pequenos leitores, a melhor descobrirem os livros editados pelo Planeta Tangerina

Espreite aqui o que diz respeito a este livro.
Para conhecer o blog, clique aqui.
Ana Soares

terça-feira, 23 de março de 2010

Eles também caem em tentações!

Já não se chama No Child Left Behind, o programa educativo federal que tem como objectivo que os alunos saibam ler, escrever e contar. Agora chama-se Elementary and Secondary Education Act, como já se chamava em 1965, quando os EUA começaram a ter esta preocupação, e é o novo ponto da agenda de Obama. Os objectivos são os mesmos e a discussão começa agora. Em cima da mesa estão questões tão polémicas quanto velhas como: castigar ou premiar as escolas com base nos resultados dos alunos; fechar escolas e reabri-las com outras equipas. Os sindicatos dos professores contestam e argumentam que os problemas não se resolvem com despedimentos, assim como a avaliação dos professores não deve ser feita com base na avaliação dos alunos. Quem é que ainda não ouviu estes argumentos ponha o dedo no ar!

BW

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cansem-nos!

Não li e ainda ando à procura mas ouvi dizer (!) que há escolas, não me parece que fosse em Portugal, que cansam os alunos antes deles entrarem na sala de aula, ou seja, têm animadores de recreio cuja função é obrigar os miúdos a correr de um lado para o outro, jogam, etc. Quando entram estão extenuados e por isso portam-se bem! Não têm força para mais! Não sei é quais são os resultados escolares depois disso!
Também há escolas onde em cima de uma mesa enorme espalham peças de um puzzle e os estudantes, quem quiser, quando está por ali a passar, pode ajudar a construir o puzzle, como quem aprende a construir a escola, a ter espírito de equipa e de pertença.
Entretanto, os professores podem ir fazendo formação para aprender a lidar com o bullying...
BW

Cambalhotas ao som de Chopin



Colecção Grandes Compositores: a nova colecção do jornal Expresso dedicada aos mais novos.



Seis livros, cada um destinado a um compositor. Para além da história - simples e adequada aos mais pequenos, guiada por duas simpáticas personagens, a Mi e o - cada volume inclui jogos, passatempos e a oferta de um CD com excertos das principais músicas.

Comprámos o número 1, dedicado a Chopin. Confesso que os miúdos estavam mais interessados noutras brincadeiras, mas lá se sentaram ao meu lado para ver do que se tratava... Pus o CD. Lemos a história. O rapaz lá foi lendo algumas das palavras (aquelas que têm as letras que ele já aprendeu). Depois, foi a vez de experimentar as actividades que o livro propõe. E lá desenhámos o Chopin e respectivo piano (ver imagens), demos cambalhotas, batemos com os calcanhares... No fim, fizemos o questionário. Enfim, aqui a nota não foi vinte. Entre a Polónia e Paris, resolveram dizer que Chopin nasceu na Polofrança, mas não faz mal. Acertaram nas principais: que ele tinha uns dedos compridos e que, desde pequeno, tocava piano muito bem. Mas o melhor de tudo foi mesmo vê-los aos pulos ao som do Chopin. Para a semana, com Beethoven, vamos tentar repetir.

Ana Soares

São iguais em qualquer parte do mundo

Mais de oito horas de avião deram para ver três filmes, dariam para ler um livro que não trouxe devido ao seu peso, dariam para escrever centenas de "posts" mais inspirados do que este, escrito às três da manhã de Lisboa, depois de um dia que começou às seis, mas aqui vai:
O filme com a Sandra Bullock, The Blind Side, é baseado numa história real e é bom, óptimo para ver em família num domingo à tarde! Bom para os professores ganharem outra sensibilidade para os alunos que são diferentes e a dar-lhes oportunidades.
Agora outra coisa que não tem nada a ver: duas adolescentes norte-americanas, viajaram até à Irlanda, onde passaram o St. Patricks Day, foram à procura das suas origens. Sentadas no avião, em filas diferentes, trocam SMS furiosamente. O capitão avisa: srs. passageiros, bá, blá, blá, desligar os telemóveis e outros aparelhos electrónicos. A hospedeira passa, o comissário também e pede para que desliguem o telemóvel. Fica parado, à espera de ver o dedo na tecla vermelha, obediente a jovem desliga. Assim que o comissário vira costas, o avião já a encaminhar-se na pista para descolar, o polegar volta a ganhar ritmo entre as teclas. A hospedeira passa para verificar se os cintos estão apertados e o telemóvel ligado desaparece na manga da sweat da miúda. Não estão a ver isto a acontecer numa sala de aula? Eu estou.
BW

domingo, 21 de março de 2010

A celebrar a poesia e a chegada da Primavera

um dia quando a ternura for a única regra da manhã

um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto in A criança em ruínas

Hoje à noite em Washington

O convite veio do Departamento de Estado dos EUA, o projecto chama-se International Visitor Leadership Program, existe desde 1940 e tem como objectivo dar a conhecer o país nas mais diversas vertentes. Neste caso o sistema educativo. Há programas a que nos temos de candidatar, este foi um convite para conhecer o sistema, o modo como os professores são formados e avaliados; os diversos tipos de escolas, a avaliação dos alunos, o financiamento das instituições... Enfim, como se educa em americano! Começa amanhã e espero partilhar algumas experiências aqui.
Além dos agradecimentos directos ao Governo norte-americano, tenho ainda que agradecer à Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento . Obrigada!
BW
PS: Quando na quinta-feira disse à minha filha que o presidente Obama vinha a Portugal ela ficou entusiasmadissima e perguntou: "Posso vê-lo? Posso tocar-lhe? Quer dizer, se o bilhete não custar 58 euros [como o bilhete para o Rock in Rio]..." :))))

sábado, 20 de março de 2010

A importância do pré-escolar

"Não nos cansaremos de insistir em que o último ano do ensino pré-escolar e o primeiro ano do primeiro ciclo serão cruciais para o futuro escolar da criança. Normalmente, os primeiros fracassos escolares detectam-se na etapa seguinte, a partir dos nove anos, mas têm a sua origem e a sua «melhor solução» em anos anteriores."


Excerto de María Jesús Álava Reyes, O Não também ajuda a crescer, Lisboa, Esfera dos Livros. Um livro excelente para todos os educadores, com casos práticos e reais, exemplos de como agir perante as situações.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Feliz dia para todos os pais!

Aqui está uma belissima homenagem!
Parabéns aos pais!
BW

quarta-feira, 17 de março de 2010

Estatuto da Carreira Docente

O Estatuto da Carreira Docente dá origem a nova polémica. Leia a notícia do Público. Para conhecer algumas opiniões, visite o profblog .

Conto de fórmula

E isto o que é? É o gato que agarrou a pega que agarrou o anel da Princesa de Aljustrel...

A Princesa de Aljustrel é uma reedição da OQO. Trata-se um texto cumulativo e clássico, que permite uma fácil memorização pelos mais pequenos. No caso desta edição, as imagens que acompanham o texto são muito divertidas e originais, pois decorrem da reutilização de materiais vários e inesperados para reconstruir as personagens da história: a princesa, o pau, o cão, o gato, etc. Um conto de fórmula, equivalente ao que encontramos na Literatura Tradicional de outras línguas, que conta o que aconteceu ao anel da princesa. Recomendado pelo PNL.


Ana Soares

terça-feira, 16 de março de 2010

Parabéns professor Wagner Diniz!

Que me perdoem os outros escolhidos para o Prémio Nacional dos Professores, promovido pelo Ministério da Educação, que também estão de parabéns; mas os meus parabéns pessoais vão para o professor Wagner Diniz, ex-director da Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), em Lisboa, que ganhou o prémio de Mérito Inovação este ano.

Quando soube que tinha ganho o prémio, o antigo barítono lembrou-se de uma área da ópera Carmina Burana que fala da roda da fortuna. É que, há um ano, Wagner Diniz teve um processo disciplinar posto pela equipa de Maria de Lurdes Rodrigues que se “provou ser infundado”. Um ano depois, “este prémio tem um sabor um bocadinho especial”, confessa.
Wagner Diniz foi reconhecido pela tutela por ter trazido para Portugal o projecto Orquestra Geração (OG). Em 2007, inspirado no sistema venezuelano, onde as crianças aprendem a tocar um instrumento antes de saber as notas, nasceu a primeira orquestra. O ano passado, três escolas públicas tinham uma OG, este ano são dez, todas na área metropolitana de Lisboa e Amarante é o próximo destino deste projecto, congratula-se o seu criador. “O prémio não é só meu, é atribuido a um projecto do Conservatório, que faz 175 anos e que, ao longo dos anos, sempre soube adaptar-se aos novos tempos”, defende.
Foi Mafalda Pernão, a actual directora da EMCN, que enviou a candidatura para o ministério. “O professor Wagner fez um grande investimento pessoal, incluindo avançar com dinheiro que não havia na altura, porque acreditou que esta era uma boa aposta para o ensino em Portugal”, conta.
Há uma filosofia por detrás das OG, a de levar a música a estratos sociais onde é mais difícil ela chegar. Daí, as escolas escolhidas para criar as orquestras, com o apoio da Gulbenkian e de empresas locais, serem em bairros sociais ou em locais socialmente mais frágeis.
O projecto tem a duração de três anos, no primeiro os professores trabalham com instrumentos de cordas, no segundo juntam os sopros e no terceiro a percussão. As OG também criam emprego para jovens professores e músicos, acrescenta o premiado. Actualmente há 40 professores para 400 alunos.

De recordar que este prémio foi criado há três anos. No primeiro ano o ministério recebeu 65 propostas, o ano passado apenas 27 e este ano foram 50. Entre educadores de infância e professores são mais de 150 mil...
BW

segunda-feira, 15 de março de 2010

Chumbar ou não chumbar, eis a questão!

Mostram os dados da OCDE que em países com melhores resultados académicos, como a Finlândia, não há retenções. Logo, o chumbo não ajuda ninguém, pelo contrário, desmotiva e afasta da escola os alunos com mais dificuldades. Por cá, de cada vez que se fala deste assunto há logo uma divisão entre os investigadores das Ciências da Educação (acusados de serem "os do eduquês") e os pró-rigor, pró-exames e pró-chumbos", para os quais é inconcebível uma sociedade sem estratos e que não serie.
O trabalho de Clara Viana no PÚBLICO mostra os prós e contras da retenção. A ler aqui.
BW

Felizmente Há Luar!

A obra Felizmente Há Luar! costuma entusiasmar os alunos.
O tema - a liberdade -, a simbologia utilizada e a simplicidade da linguagem são aspectos que contribuem para tal.

Aqui fica uma síntese útil para uma revisão ou para complementar a leitura e o trabalho de aula.

Para os leitores que não conheçam esta pequena peça de teatro, escrita por Sttau Monteiro, fica o convite à leitura e aos comentários.

Ana Soares


Felizmente Ha Luar BLOG

sábado, 13 de março de 2010

Chico Buarque lê Álvaro de Campos

O poema "Dobrada à Moda do Porto" de Álvaro de Campos começa assim:

"Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.!"

Oiça o resto na voz de Chico Buarque. Vale a pena.




sexta-feira, 12 de março de 2010

Professor vitima de bullying preferiu morrer

Não tinha 12 anos nem o corpo franzino de Leandro, o menino que se atirou ao Tua e que não queria morrer, só chamar a atenção. Luís tinha 51 anos, era um professor que pediu ajuda ao conselho executivo, que fez queixa e que não viu resultados.
As histórias de Leandro e de Luís têm muitos pontos em comum: eram vítimas de bullying, chamaram a atenção para o facto (a família de Leandro fez queixa; o professor também), não receberam resposta de quem de direito e tiveram o mesmo fim.
Antes de chegarem à escola, os filhos precisam de ser educados, precisam de pais que os acompanhem, que os chamem à responsabilidade, precisam de se saber sentar numa sala de aula, de saber respeitar os professores, de saber respeitar os outros adultos, precisam de ser humildes, de não acreditar que são donos do mundo ou que o mundo lhes deve tudo, precisam de aprender que vivem numa sociedade com regras.
Quanto aos professores, precisam de formação para saber lidar com estas situações, para saber impor o respeito dentro da sala de aula, precisam de mais poder dentro da escola, precisam que o estatuto do aluno mude.
Precisam também de saber trabalhar em conjunto, de estar mais atentos aos outros. Na escola do professor Luís não falhou só a direcção, falharam os colegas que sabiam que o docente preferia passar os intervalos dentro do carro, cada vez mais isolado, cada vez mais desesperado até decidir que a única solução era por fim à vida.
BW

quinta-feira, 11 de março de 2010

A educação dos Carvalho e Silva

"Os cinco magníficos" é um texto de Rosa Ruela que sai hoje na revista Visão sobre os cinco irmãos Carvalho e Silva, todos doutorados e em lugares de destaque na investigação em Portugal. Jaime Carvalho e Silva, 54 anos, é co-autor do programa de Matemática para o secundário; João Gabriel, 52, é coordenador da equipa que criou o primeiro computador português; José Manuel, 50 anos é presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose; Margarida, 47 anos, é coordenadora da plataforma Transgénicos Fora e coordenadora das Olimpíadas do Ambiente; e Jorge, 43 anos desenvolve substitutos da pele para tratamento de pacientes queimados.
Os pais são os grandes responsáveis pelo seu sucesso, dizem em uníssono. Maria Amélia, hoje com 77 anos e Jaime Carvalho e Silva, 85 anos, fizeram sacrifícios para que os filhos estudassem, mudaram de terra e sempre tiveram como prioridade a educação: "Não tinhamos dez tostões para um chocolate, mas arranjávamos dez contos para um livro".
A autoridade dos pais também contribuiu para o sucesso: "Aplicámos aos filhos uma vida de disciplina. Eles estavam no topo mas nós cá em baixo é que mandávamos. Como falávamos a uma voz, sabiam que só tinham um caminho", diz o pai. "Os nossos filhos habituaram-se a estudar logo na instrução primária. Eles não são cinco cérebros, apenas tiveram desde pequeninos a ideia de que era preciso trabalhar", continua e o recado era um só: "Meus meninos, se ambicionam coisas como as dos vosso colegas ricos, só têm um caminho, suem a camisola".
Maria Amélia termina com uma recomendação para os pais de hoje: "É preciso que os pais orientem os filhos porque se eles ficam em autogestão dá asneira. Devemos ter o coração duro para não os olhar como ursinhos de peluche que nos consolam quando chegamos a casa. Os filhos são porcos-espinhos em que temos muitas vezes de picar os dedos e gotejar sangue."

Obrigada pela partilha!
BW

PS: Também na Visão um excelente trabalho sobre bullying

As crianças e a cozinha

"De uma forma geral, a alimentação das crianças no Reino Unido é um pesadelo. Os supermercados e as cantinas escolares deviam tentar ajudar as famílias a conhecerem melhor a comida. Os menus infantis nos restaurantes são quase todos iguais: douradinhos, hambúrgueres, galinha frita e salsichas. Não estou a dizer que seja mau, mas algumas das melhores experiências da minha vida (...) vieram por ser obrigado a fazer ou experimentar alguma coisa. " (p.67)

Dias Felizes com Jamie Oliver, Civilização

Não está nas nossas mãos mudar os supermercados e as cantinas. Mas está ao nosso alcance levá-los à praça, deixá-los escolher as frutas, participar nestas compras. Está ainda ao nosso alcance envolvê-los, ainda que apenas esporadicamente, na confecção dos alimentos. Perceber que aquela cenoura, couve ou batata vai aparecer no prato em forma de sopa ou puré é uma descoberta fantástica para alguns. São verdadeiras aulas de Química e Física no melhor laboratório do mundo: a cozinha!

Ana Soares


quarta-feira, 10 de março de 2010

A criança e o jogo

"os (...) jogos electrónicos, os computadores, as consolas e os videojogos, que abarcam grande parte da atenção e do tempo das crianças, substituindo os princípios fundamentais do jogo e, em muitos casos, criando nelas autênticas dependências. Muitos destes jogos, longe de favorecerem a sociabilidade, o desenvolvimento físico, a criatividade..., utilizam a criança criando-lhes necessidades, para a introduzir num mundo excessivamente agressivo e violento (...). Evidentemente, os computadores têm muitos aspectos positivos e abrem muitas possibilidades às crianças, pelo que, quando utilizados correctamente, constituem uma grande ajuda. Mas os computadores não devem ser máquinas de jogos indiscriminados que isolam e favorecem a passividade da criança.

(...) o jogo é vital para a criança; favorece o seu desenvolvimento e a sua maturidade; aprende a pensar, a criar, a imaginar, a raciocinar, a «trabalhar em equipa», a ajudar os seus companheiros, a procurar soluções difíceis. Ensina-a a saber ganhar e a saber perder, a desfrutar e a sentir.

Um princípio que pode parecer-nos paradoxal é que, em geral, «a criança não necessita de brinquedos para brincar». Este facto explicaria por que razão há tantas crianças «aborrecidas», apesar de estarem literalmente invadidas por brinquedos. As crianças inventam jogos a partir dos objectos mais simples



Nunca as crianças tiveram tantos brinquedos e nunca se mostraram tão aborrecidas, cépticas e desinteressadas por eles."


María Jesús Álava Reyes, O Não também ajuda a crescer, Lisboa, Esfera dos Livros, p. 25


terça-feira, 9 de março de 2010

Leandro era reguila...

Sim, e depois? Era uma criança, podia ser reguila e entrar em zaragatas, o que faz parte de ser um rapaz de doze anos. É por isso que vai deixar de ser vítima de bullying? Não me parece. Quantas crianças aparentam grande normalidade em casa, com outros amigos e mesmo na escola e são vítimas de bullying?
Digno é o trabalho que o Jornal de Notícias tem feito sobre este caso. A não perder a leitura da reportagem de Helena Teixeira da Silva que revela o desespero de um menino, pela voz de outro, o primo Christian, de onze anos. E também o texto de Leonor Paiva Watson sobre o que fazer quando os nossos filhos são vítimas de bullying e fala sobre a necessidade de responsabilizar os mais novos.
Ensurdecedor e vergonhoso é o silêncio da direcção da escola e de um país onde parece normal uma criança atirar-se a um rio porque é vítima de violência.
BW

segunda-feira, 8 de março de 2010

Irmãos

Quem não conhece histórias de irmãos em que o mais novo pergunta, pergunta, pergunta, pergunta até à exaustão de todos, mas sobretudo do irmão ou irmã mais velho/a?

Quem não viu já uma cena de desespero do irmão mais crescido perante a recusa do mais novo em obedecer?

Vamos aos livros ver como, afinal, isto pode ser divertido. Uma boa terapia!


- O irmão mais velho é um rapaz.

Ela é uma gralha.

As perguntas dela são desconcertantes e divertidíssimas.

Lola e Charlie, de Lauren Child na Oficina do Livro. Para os conhecer melhor, espreite aqui.





- A mais velha é a rapariga.

Ele é persistente.

As respostas dela estão à altura das perguntas e são genuinamente divertidas e acredita profundamente no que a sua imaginação dita como respostas às perguntas bizarras do seu irmão.

Stella e Simão. Colecção publicada pela Livros Horizonte, da autoria de Marie-Louise Gay.


- A mais velha de três é uma ela.

O mais pequeno ainda não tem grande protagonismo. Vive ao colo dos pais.

O grande amigo é, portanto, o irmão e ela é a porquinha Olívia.

Editado pela Porto editora, da autoria de Ian Falconer.



Histórias quase non sense, que têm em comum a relação entre irmãos, a solidariedade, as diferenças, a alegria de viver em família.

Ana Soares

sábado, 6 de março de 2010

Eça de Queirós digital

Na Biblioteca Nacional Digital encontramos várias curiosidades e relíquias. Destas, destacamos a obra de Eça de Queirós. Hoje podemos aceder facilmente ao seu espólio , a obras várias em formato digital e até uma bibliografia . Tudo à distância de um clique.

sexta-feira, 5 de março de 2010

"Não há atalho para a vida que quero. Quero ir para a universidade."

Jenny Carey (Carey Mulligan) tem 16 anos e vive com a família no subúrbio londrino em 1961. Muito inteligente e bonita, sofre com o tédio de seus dias de adolescente e aguarda impacientemente a chegada da vida adulta. O seu pai alimenta o sonho da filha ter uma boa educação: aquela que lhe permitirá casar bem, quem sabe. Pai e mãe esperam que ela vá estudar para Oxford, mas perante uma boa proposta até repensam a hipótese. Por outro lado, David (Peter Sarsgaard) é um homem charmoso e cosmopolita, de trinta e poucos anos, que redescobre em Jenny um mundo novo. Leva-a a concertos de música clássica, a leilões de arte, e fá-la descobrir o glamour da noite, deixando-a num dilema entre a educação formal e aquela que ela achava ser a vida real.

Uma reflexão sobre a escola e o seu papel. Sobre o que transmite sobre a educação. Diz a personagem principal à directora da sua escola: "Já não basta só ensinar-nos. Tem de nos dizer por que o faz".

An Education, mais um filme nomeado para os Óscares.

Parabéns aos leitores!

Parabéns ao PÚBLICO e parabéns aos leitores que hoje têm a edição de aniversário completamente gratuita nas bancas!
São mais de 100 páginas e com um digno director por um dia: António Barreto, no leme do jornal.
Escusado será dizer que este é o melhor jornal que se faz no país (os jornalistas que saem desta casa e vão para outros orgãos reconhecem-no, mas não são só eles)!
É certo que o Correio da Manhã é o campeão das vendas, que os leitores nos lêem muito na Internet, que todos os títulos vendem cada vez menos em banca, que dizem que a imprensa escrita vai morrer, mas é bom pertencer a este projecto!
Vá até uma banca de jornais, peça o PÚBLICO, leia-o, reconheça o bom trabalho feito diariamente (eu não escrevo nem um parágrafo nesta edição!) e guarde-o para, um dia, mostrar aos netos!
BW



quinta-feira, 4 de março de 2010

Não falamos do suicídio

É raríssima uma notícia de jornal sobre um suicídio, há um pacto de silêncio em torno do tema, o medo é o da mimetização. Há roubos, agressões, violações, mortes, assassínios em massa, mas não há suicídios nas páginas dos jornais, nem nas nossas vidas. Temos medo de falar sobre o tema. Hoje é uma excepção, na verdade a notícia não é sobre o suicídio, mas sobre o bullying e para alertar para algo que existe e não é só na escola do Leandro, que desapareceu no Tua; é na escola do interior e na do litoral, na que recebe os meninos pobres e na dos meninos ricos. O bullying existe e aparece de todas as maneiras, mais violento ou mais subtil, é sempre uma perseguição que isola quem a sofre, causa sempre mossa, magoa profundamente e é raro fazer crescer quem o sente na pele. E a maior parte das vezes não há adultos atentos ou então há os que desculpabilizam, que minimizam o que se passa: "São coisas de miúdos", dizem. É preciso estarmos mais atentos, aos outros e aos nossos.
BW
PS: Lembrei-me desta entrevista, embora tenha sido feita há ano e meio, continua a ser pertinente.

Guias para pais

Fiz este trabalho mas, infelizmente, não pude usar muitas das declarações que recolhi, aqui ficam algumas:
"A perplexidade com que alguns pais olham para os comportamentos dos filhos, sendo incapazes de os descodoficar, de os valorizar, de ter uma resposta adequada e de entender a via que esses comportamentos (e a resposta dos adultos) pode ir fazendo no percurso da vida da criança, leva a que adoptem uma atitude desculpabilizadora em relação aos filhos, pensando que "mais tarde se verá" e que "coitados, não fizeram por mal".
E não o farão, mas a condição humana não é totalmente boa e, dentro de nós existe (ou existiu) um sério candidato a tirano, narcísico e omnipotente, que se não for devidamente posto no lugar, em idades tão precoces como a partir dos nove meses de vida, reforçará o ser maldoso e escravizador que existe em nós, sendo cada vez mais autocrata e pouco empático e, abafando a outra parte da pessoa: a que é solidária, altruísta, bondosa e "pobre dos outros". (...)
Acresce que o receio de que "cresça, se revolte e vá para adroga", faz com que os pais se amedrontem e não façam frente ao pequeno tirano, que ao ouvir não respinga, grita, insulta, cospe, morde, arranha e bate a seu bel-prazer"

Mário Cordeiro, pediatra

"O "não" está na moda por razões sociológicas. Alguns de nós (sobretudo na classe média) sentem com pesar o declínio acentuado de valores tradicionais como a disciplina. Esse sentimento de orfandade já vem de longe, e não por acaso caiu o Carmo e a Trindade quando Vicente Jorge Silva se atreveu a falar da "geração rasca". Prefiro colocar o ênfase não na geração, mas nos pais: Permitimos que isso acontecesse e elegemos sucessivos governos que prolongaram no sistema de ensino um laxismo que já era muito lá de casa. (...)
Os filhos têm de ser amados ferozmente e isso vai dar-lhe toda a segurança que precisam. Mas esse amor construtivo passa justamente pelo fornecimento de um quadro de valores sólido, válido, dentro e fora de casa, que só pode ser aplicado conm a persistência do "não"."

José Prata, editor da Lua de Papel

"Os pais que se dedicam só aos filhos cometem um erro tremendo. Esses pais esquecem-se que são um modelo para a criança e que por isso devem ter hobbies, fazer coisas de que gostam, ter interesse pela sua profissão. Os filhos são importantíssimos mas não são a coisa mais importante do mundo."

Paulo Oom, pediatra

Confesso que quando ouvi esta última frase, fiquei em silêncio.
BW
PS: Entretanto, leia a entrevista à psicóloga María de Jesús Álava Reyes, que diz que os miúdos hoje são menos felizes; e do pediatra Eduard Estivill e da criativa Yolanda Saenz de Tejada que defendem que o tempo que se passa com os filhos deve ser de qualidade.

Mais dragões

Os livros sobre dragões são uma quase inevitabilidade de quem tem rapazes em casa. Recentemente, incluímos um na nossa colecção que me agradou especialmente pelo registo criativo da história: Vamos falar de dragões, editado pela Livros Horizonte.


Estes dragões de que o livro fala aparecem quando menos se espera e em todo o lado, fruto da nossa imaginação. Assim, da mesma forma como aparecem, podem desaparecer. Divertido, mostrando o poder da imaginação e desmistificando os medos de algumas crianças, este é um bom livro que podia ser recomendados pelo do PNL (Plano Nacional de Leitura)
Ana Soares

quarta-feira, 3 de março de 2010

Alice

É amanhã! O grande dia! A estreia de Alice.
Uma combinação, no mínimo, intrigante: Tim Burton, Disney, Johnny Depp, música de Franz Ferdinand, R. Smith dos Cure e Avril Lavigne. Uma "espécie" de sequela das obras de Lewis Caroll - "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas" e "Alice do Outro Lado do Espelho" - sobre a qual pode ler mais aqui.

Entretanto, aqui fica o trailler.


Alargamento do ensino obrigatório

A notícia não é de hoje, mas aqui fica. O alargamento do ensino obrigatório até aos 18 anos é já uma certeza. Os alunos que actualmente frequentam o 7º ano estão já abrangidos.


Podíamos agora tentar fazer futurologia e imaginar a escolas secundárias desta nova geração. É em 2014 que vamos ter a primeira "fornada" de alunos do 12º ano abrangidos por esta lei. O que terá mudado nas escolas? Que benefícios terão colhido os alunos?
Os professores terão, certamente, mais papéis para preencher. Os números, para as estatísticas, serão melhores. Espero que as Oportunidades sejam uma realidade para os alunos que se virem forçados a estar no sistema. Que possam tirar vantagens da Escola. E que esta veja os cursos profissionalizantes como parceiros privilegiados na formação dos jovens e futuros cidadãos.

Ana Soares

terça-feira, 2 de março de 2010

Educação gratuita para todos

O que não escrevi aqui por manifesta falta de espaço foi parte da conversa com Fernando Adão da Fonseca, presidente do Fórum para a Liberdade de Educação. O professor defende um Estado forte que tenha como função a garantia da qualidade da educação e não o ensino propriamente dito. "Não percebo porque é que em Portugal há a ideia que o Estado tem que educar. Quem educa são os professores." Para Adão da Fonseca é indiferente que a escola seja pública ou privada, desde que preste um bom serviço e gratuito.
"O Estado deve pagar os custos desse serviço, seja feito numa escola pública, num sindicato, numa associação, numa instituição religiosa, quem quer que seja, desde que preste bem o serviço" e para isso o "Estado tem que ser fortissimo" para garantir que todos "satisfaçam os requisitos".
Adão da Fonseca considera que esta é uma ideia "fácil de fazer", o grande problema é o Estado "ter a ideia que tem que controlar o pensamento das pessoas. A República tem que educar os seus cidadãos e estamos a preparar mal as crianças, sem hábitos de estudo, nem de trabalho e isso está a reflectir-se na nossa economia."
"No dia em que responsabilizarem a escola, os professores e os pais, isso terá um grande impacto na educação", conclui.
BW

Onde estiveres...

... eu estou
Onde tu fores, eu vou
Se tu quiseres assim
Meu corpo é o teu mundo
E um beijo um segundo
És parte de mim.

Para onde olhares, eu corro
Se me faltares, eu morro
Quando vieres, distante
Soltam-se amarras
E tocam guitarras
Por ti, como dantes.

Pedro Abrunhosa

segunda-feira, 1 de março de 2010

Como se estuda para o exame de português?

Tenho verificado que um número considerável de acessos ao educaremportugues se devem à pesquisa a partir da expressão "como se estuda para o exame de português". Tenho até recebido alguns mails com pedidos de ajuda quanto a esta questão.

Folgo em ver que estes acessos não se estão a dar nas vésperas dos referidos exames, sejam eles de língua portuguesa (9º ano), sejam de português (12º), pois a minha primeira observação, ao jeito de introdução, à resposta sobre como estudar é a seguinte: estuda-se com tempo. As aulas devem ser um tempo de reconhecimento de autores, tipologias de texto, prática, esclarecimento de dúvidas. Enfim, um processo de contínuo enriquecimento. Estudar para uma disciplina de língua não se faz à pressa, nas vésperas, à espera de milagres de última hora. Ler as obras recomendadas pelos programas, treinar a escrita exige tempo. A leitura e a escrita precisam de amadurecer.

Depois, e em termos práticos, é útil ter bons materiais de síntese (apontamentos, powerpoints dos professores ou um bom manual/guia) que devem suportar o estudo, fornecendo linhas de leitura, questões a partir das quais se treine a escrita, mas também a capacidade de interpretação.

O funcionamento da língua deve também ser estudado com tempo. Como vou dizendo aos meus alunos, meio a brincar, meio a sério, neste domínio é preciso saber tudo. Até ao 9º ano, excepto o domínio da pragmática, tudo deve ficar dado. Por isso, uma boa gramática é um guia imprescindível. De preferência com exercícios resolvidos. Para se ir fazendo e assim revendo conteúdos.

Sobretudo aos alunos do 12º ano, costumo ainda sugerir que dediquem algum tempo a ler a imprensa escrita. Produzir, por exemplo, um bom texto argumentativo com uma boa fundamentação e bons exemplos faz-se também a partir de um bom conhecimento do mundo.

Por último, conhecer bem os exames. Consultar a página do Gave. Analisar cuidadosamente a sua estrutura, o tipo de questões, a lógica que lhes está subjacente (que por vezes pode ser distinta da utilizada em aula). Ver com atenção os critérios de correcção, aspectos que são alvo de penalização e descontos. Por fim, resolver todos os os exames.

Nas vésperas, ler excertos das obras do programa e treinar a escrita, nomeadamente das tipologias textuais que habitualmente são pedidas no exame.

Ana Soares