terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Obras do projeto de leitura do 10.º ano
Para os curiosos, as metas estão disponíveis aqui. Na página 29, podemos ver quais as obras para leitura «paralela» às obrigatórias na sala de aula. Assim, advogam as metas que os alunos leiam uma ou duas destas obras por ano e a partir das suas leituras desenvolvam projetos que as relacionem tematicamente com o programa ou por géneros. Na lista do 10.º ano, que transcrevo abaixo, e que é a única ainda em vigor, vejo muitos títulos que pouco agradarão aos alunos. Não encontro alguns autores que, acreditava eu, fariam inquestionavelmente parte do cânone escolar. Encontro inclusivamente livros, ainda que em outras versões, que também constam das metas do 2.º ciclo (Robinson Crusoe). Outros que estão esgotados e os alunos dificilmente encontrarão. Alguns que alunos de 14 anos não perceberão. Uns de 20 páginas apenas (Quem me dera ser Onda). Alguns truncados, com a indicação explícita da leitura de "excertos". Deixados ao critério dos alunos? Dos professores? Ao acaso?
Sinto falta de alguns grandes nomes de sempre da nossa literatura que, em harmonia, conviviam com novas gerações de autores portugueses na anterior lista da DGES , lista essa francamente "mais arejada", repleta de grandes nomes da literatura portuguesa e universal, e que deixava os alunos respirar, ir para além das «obras obrigatórias» da sala de aula, fazer descobertas e, para alguns, quem sabe, descobrir como é bom ler.
AS
Maalouf, Amin As Cruzadas Vistas pelos Árabes
Magris, Claudio Danúbio
Marco Pólo Viagens (excertos escolhidos)
Meireles, Cecília Antologia Poética (poemas escolhidos)
Moraes, Vinicius de Antologia Poética (poemas escolhidos)
Nemésio, Vitorino Vida e Obra do Infante D. Henrique
Ondjaki Os da Minha Rua
Pepetela Parábola do Cágado Velho Pérez-Reverte,
Arturo A Tábua de Flandres Petrarca Rimas (poemas escolhidos)
Poe, Edgar Allan Contos Fantásticos
Rui, Manuel Quem me dera ser Onda
Scott, Walter Ivanhoe Shakespeare,
William A Tempestade Swift,
Jonathan As Viagens de Gulliver
Telles, Lygia Fagundes Ciranda de Pedra
Virgílio Eneida (excertos escolhidos)
Zimler, Richard O Último Cabalista de Lisboa
AA.VV. Antologia do Cancioneiro Geral (poemas escolhidos)
Alves, Adalberto O Meu Coração é Árabe (poemas escolhidos)
Amado, Jorge Capitães da Areia
Anónimo Lazarilho de Tormes
Andresen, Sophia de Mello Breyner Navegações
Brandão, Raul As Ilhas Desconhecidas
Calvino, Italo As Cidades Invisíveis
Carey, Peter O Japão é um Lugar Estranho
Castro, Ferreira de A Selva Cervantes,
Miguel D. Quixote de la Mancha (excertos escolhidos)
Chatwin, Bruce Na Patagónia
Dante Alighieri A Divina Comédia (excertos escolhidos)
Defoe, Daniel Robinson Crusoé Dinis,
Júlio Serões da Província
Eco, Umberto O Nome da Rosa
Énard, Mathias Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes
Faria, Almeida O Murmúrio do Mundo: A Índia Revisitada
Ferreira, António Castro
Gedeão, António Poesia Completa (poemas escolhidos)
Homero Odisseia (excertos escolhidos)
Lispector, Clarice Contos
Lopes, Baltazar Chiquinho
sábado, 30 de junho de 2012
As novas metas
Até dia 23, os contributos podem ser enviados para metas.curriculares@mec.gov.pt
Tenho de fazer uma leitura mais cuidadosa do documento e, sobretudo, uma leitura menos a quente, pois, numa primeira abordagem, são já vários os motivos para ter começado o fim de semana francamente irritada:
- ao contrário do que sucede nos programas, as novas metas são definidas por anos;
- ao contrário dos programas, fala-se, neste novo documento, em domínios e não em competências;
- ao contrário do preconizado pelo programa, a designação que substitui o "Funcionamento da Língua" é "Gramática" e não o "Conhecimento Explícito da Língua".
Não digo que estas propostas não seja adequadas ou interessantes. Até acho curioso assumir-se que deve haver uma área designada por "educação literária" ou que a expressão oral e compreensão do oral podem estar (novamente) reunidas na "Oralidade".
Digo sim, que não faz sentido termos um novo programa que só este ano entra em vigor em setembro no 6º e 8º anos (e só no próximo ano entra em vigor para o 9º!) e estar já com a sensação que o mesmo está caduco.
Morto antes de nascer por completo! (Se calhar estou a exagerar e está só moribundo. Vá lá, desculpem a minha irritação)
Imagino as mães e pais que querem acompanhar os seus filhos a navegar perdidos entre livros, manuais, gramáticas que não são coerentes.
Como cidadã, irrita-me profundamente perceber que os meus impostos têm servido para financiar estas experiências que não chegam a ser implementadas por completo, nem avaliadas, para dar lugar a novas equipas e projetos.
Como professora, então, nem imaginam!!!!
Como é possível que me tenham pedido para assumir que os programas iam passar a ser de ciclo para, agora, voltarmos a ter objetivos anuais?
Passei a acreditar que, atendendo à diversidade da realidade das escolas, a proposta de ciclo serviria melhor os alunos.
Convenci outros disso.
E agora, as metas vêm destruir o trabalho de anualização que foi pedido às escolas e departamentos de Língua Portuguesa.
Vêm ainda tornar caducos e desatualizados os manuais (em vigor por 6 anos) que as famílias adquiriram o ano passado e os que vão comprar em setembro próximo, pois estes, sendo fiéis aos programas, falam em competências; conhecimento explícito da língua; atendendo à gestão intraciclo que foi permitida, podem não integrar determinado conteúdo no ano previsto e, além disso, não apresentam todos os textos das listagens anexas ao documento das metas.
Não acredito ainda que os professores se tenham de ter adaptado à Tlebs, Tlebs revista, Dicionário Terminológico. Deixaram, entretanto de poder falar em Funcionamento da Língua. Passaram a assumir que a designação "Conhecimento Explícito da Língua" servia melhor o propósito de reforçar a natureza desta área do saber linguístico.
E agora, esqueçam lá isso!!!
Afinal, "Gramática", como os nossos pais ou avós diziam, é que está bem!
Até pode estar, mas, por favor, quando vai ser dada às escolas e ensino da nossa língua estabilidade???
As escolas estão cansadas de tanta mudança, de tantos materiais divergentes na linguagem, dos alunos navegarem perdidos por gramáticas e manuais discordantes.
Choca ainda que as divergências nasçam nos próprios documentos normativos, emanados do ME: os programas e as metas.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Conselho das Escolas quer mais tempo para Português no 12.º ano
"O Conselho das Escolas (CE) quer aumentar a carga horária de Português em 45 minutos no 12.º ano, devido à extensão e exigência do programa e aos resultados “cada vez mais baixos” nos exames nacionais.
No documento, aprovado pelos conselheiros na sexta-feira, a propósito da revisão da estrutura curricular do ensino básico e secundário, sustenta-se ainda que a necessidade de reforço se deve também à “complexidade conceptual dos conteúdos literários” e à falta de tempo para desenvolver actividades necessárias para se atingir a eficácia de expressão escrita e oral exigida neste nível de escolaridade.
O CE diz ainda que a actual carga horária é inferior à das demais disciplinas sujeitas a exame nacional."
in Público
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O PNL não vai ser extinto
Ao longo dos últimos anos, o PNL tem contribuído para o aumento da literacia no país, para o interesse dos professores e dos alunos por ler, para o enriquecimento das bibliotecas escolares. O PNL tem sido ainda um bom exemplo da colaboração entre Estado e empresas, em nome do bem comum, muitas empresas financiam os livros. Seria uma pena que tudo isso desaparecesse.
BW
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
"Sabe ele o seu português?"
A páginas tantas pergunta:
"Com o devido respeito, formulo uma pergunta que talvez pareça provocatória: os professores de Português sabem português com a profundidade que se exige a quem ensina? Estudaram devidamente o idioma, a sua história, os seus cambiantes socioletais e as suas variações geolinguísticas? Dominam a gramática da língua e a sua terminologia? Conhecem os escritores que têm feito do português um grande idioma de cultura? Leram Sá de Miranda, Herculano, Camilo, Cesário Verde, Machado de Assis, Carlos de Oliveira, Agustina ou Luandino Vieira? Distinguem-nos dos pífios escritores da moda “consagrados” em livros escolares pouco criteriosos? Dispõem de instrumentos e de disposição para indagações linguísticas e literárias que vão além das banais ferramentas da Internet? As perguntas são embaraçosas, mas têm que ser feitas, mesmo sabendo-se que há exceções ao que temo seja a regra."
BW
terça-feira, 19 de julho de 2011
De quem é a culpa dos maus resultados no Português?
Todos os professores com quem falo referem os conteúdos programáticos excessivos, para além de ser consensual que as competências também devem ter um espaço privilegiado nas salas de aula e que as mesmas precisam de tempo para ser desenvolvidas e aperfeiçoadas.
Discordo da leitura da referida colega. Discordo da análise que faz dos exames, particularmente da que faz do exame de 9º ano deste ano, que não me parece ter sido "infantilizante" nem me parece que tenha tido perguntas "estupidificantes".
Mas a colega faz afirmações polémicas. E isso dá audiência.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Latim de novo nas escolas?
Descobri duas escolas onde se aprende Latim desde o 5.º ano.domingo, 4 de julho de 2010
O Ensino do Português - IV
terça-feira, 29 de junho de 2010
O Ensino do Português - III - A terminologia linguística
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O Ensino do Português - II - os clássicos
No projecto de doutoramento que desenvolvi, analisei questionários de alunos do antigo e do novo programa. Em ambos os casos foi flagrante a forma positiva como os grandes nomes da nossa literatura são bem-amados pelos alunos. Mas foi também claro o modo como os alunos destacaram a importância de outros tipos de texto na sala de aula, referindo-se claramente ao texto argumentativo e aos textos do domínio do transaccional, reforçando a forma como os mesmos contribuem para uma melhor preparação para o mundo real.
domingo, 27 de junho de 2010
Ensaio: O Ensino do Português
A Fundação Francisco Manuel dos Santos, à qual já aqui nos referimos, editou um primeiro livro – colecção Ensaios da Fundação. A sua autora é a professora Maria do Carmo Vieira e intitula-se O Ensino do Português. Não posso deixar de comentar o livro, nomeadamente algumas das observações da colega, cujo trabalho e dedicação à causa da Língua Portuguesa admiro. Todavia, a visão que a mesma tem defendido em múltiplas circunstâncias e que esta obra reúne afigura-se-me como desconcertante.Maria do Carmo Vieira faz a apologia do texto literário e do ensino pela arte. Na teoria, estou de acordo. Na prática, quanto ao ensino da literatura, estou de acordo. Discordo é da forma talvez extremista como se apresenta contra a introdução de outros textos no espaço da sala de aula de língua materna. Recordo que os programas são para todos! E este todos inclui os alunos que não sabem ler rótulos ou a programação da TV! Podemos achar mal esta no programa de Português, mas o mal do país, a iliteracia, não é apenas a falta de conhecimento da literatura.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Conversor para o novo Acordo Ortográfico
A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, apresentou a semana passada um conversor de documentos para o novo Acordo Ortográfico desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) com financiamento do Estado português. Apesar de o Lince ser a primeira ferramenta deste género encomendada e paga pelo Governo, não está ainda decidido se este será o conversor "oficial", destaca o jornal Público.domingo, 31 de janeiro de 2010
O Novo Acordo Ortográfico
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Gramáticas: da Tlebs ao DT
O novo ano lectivo voltou a trazer novidades quanto a gramáticas de Português. Começo por destacar a nova edição da excelente Gramática da Língua Portuguesa da Areal Editores com a supervisão científica de Mário Vilela. terça-feira, 29 de setembro de 2009
Plano Nacional de Leitura em ... inglês
Ana Soares
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Caminho das Letras para ajudar os meninos do 1.º ano
O produto resultou de uma parceria entre o Programa Nacional de Ensino do Português (PNEP), o Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas – CITI e o Plano Nacional de Leitura (PNL). E foi concebido por uma equipa de especialistas coordenada por Inês Sim-Sim e Carlos Correia, com música original de José Mário Branco e executado por artistas plásticos, actores e técnicos em investigação e desenvolvimento.
Em comunicado, o ministério informa que este portal "oferece às crianças a possibilidade de percorrerem um surpreendente universo de imagens, textos e sons apelativos, que lhes despertarão a curiosidade pelas letras, pelas palavras e pelos textos". Além disso, "oferece aos educadores e às famílias um instrumento educativo, que irão gostar de descobrir em agradável convívio com as crianças facilitando os primeiros passos no caminho da leitura".
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Gramática para o 1º ciclo
A excelente gramática de Clara Amorim e Vera Costa (com supervisão de Mário Vilela), À Descoberta da Gramática - 1º e 2º ciclos, foi uma excelente proposta editorial da Areal. Na minha perspectiva, fazendo a transição entre dois ciclos, a mesma conseguia apresentar a nova terminologia com clareza, rigor e adequação às faixas etárias a que destinava. Agora que a Tlebs deu lugar ao DT (Dicionário Terminológico) está em fase de conclusão uma nova versão. Infelizmente agora numa versão só para o 1º ciclo e uma outra para o 2º ciclo. Perde-se a transição entre ciclos mas espero que se mantenham a qualidade e rigor.Ana Soares
terça-feira, 21 de julho de 2009
A Tele-Escola do século XXI
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Ensino do Português na vizinha Espanha
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o seu homólogo espanhol, Ángel Gabilondo, assinaram, esta semana, um memorando de entendimento com vista a que o Português se torne numa língua de opção com avaliação curricular nos estabelecimentos de ensino espanhóis. Com este protocolo, ambos os Estados comprometem-se a potenciar as aprendizagens do Português e do Espanhol nos respectivos países.
Assim, Português passa, pela primeira vez, a constar do programa curricular do sistema de ensino em Espanha e abre-se caminho para que o intercâmbio de aprendizagens das duas línguas se estenda a todas as comunidades educativas espanholas e portuguesas.
A ministra Maria de Lurdes Rodrigues assinará um segundo memorando de entendimento, com o presidente da Junta da Extremadura, Guillermo Fernández Vara, para tornar efectiva a introdução do Português como língua estrangeira de opção e avaliação curricular nas escolas daquela região autónoma espanhola, uma vez que em Espanha a Educação é matéria descentralizada e depende, em grande medida, dos governos regionais.
Estão a ser feitas diligências com outras regiões de Espanha, como Leão e Castela, Catalunha, Andaluzia e Galiza, para que se celebrem memorandos de entendimento de igual teor ao que será assinado amanhã com a Junta da Extremadura.