Nota histórica: os contratos de associação nasceram numa altura em que a rede das escolas públicas não chegava a todo o lado. Assim, o Estado contratualizou com escolas privadas que existiam nas regiões, pagando-lhes para receber todos os alunos. Portanto, estes não pagam mensalidades porque é o Estado que as paga, como se de uma escola pública se tratasse.
Com o passar do tempo, o Estado construiu escolas, em algumas regiões duplicou a oferta, uma vez que esta já existia. A isto devemos chamar "má gestão". Mas não é assim que a esquerda interpreta – tudo, mais cedo ou mais tarde, cai na ideologia. A isso a esquerda chama "oferta pública". Como se o que as escolas privadas fazem não fosse escrutinado pela Inspecção-Geral da Educação, como se não tivessem de dar as mesmas matérias que as públicas, como se os seus alunos não tivessem de fazer os mesmos exames.
Mas a história não fica por aqui e, paralelamente à construção de escolas públicas, o mesmo Estado – é preciso ver que este nem sempre é o mesmo porque umas vezes é o PS que o gere, outras é o PSD/CDS – autorizou mais contratos de associação em colégios ao lado de escolas públicas e mais: permitiu que novas privadas conseguissem estes mesmos contratos. Má gestão, repito.
Depois de viverem dias calmos com Nuno Crato, as escolas privadas com contratos de associação estão em alvoroço com a possibilidade de perderem os contratos, logo, o financiamento.
Há contratos que são vergonhosos, os do centro da cidade de Coimbra, com escolas públicas ao lado! O das Caldas da Rainha onde a escola pública já existente ficou às moscas desde que a privada abriu, recentemente.
Mas aqui é que está o ponto: por que está a escola pública às moscas?
E devia ser sobre isso que as públicas que querem os alunos das dos contratos de associação deviam reflectir, em vez de acharem que têm o direito porque o "ensino é público". Repito: porque está a escola pública às moscas?
Outros pontos sobre os quais podem reflectir:
O que faz a escola pública para bem receber os alunos?
O que lhes oferecer em termos de actividades extra-curriculares?
Tem um corpo docente estável e disponível para tudo?
Tem recursos físicos e humanos para que os alunos fiquem até mais tarde?
Como é a sua relação com os pais? Ouve-os, trata-os bem?
Tem transporte?
Há escolas com contratos de associação más? Há, basta olhar para os rankings e elas lá estão. Há escolas com contratos de associação que escolhem os alunos? Sim, como há públicas que o fazem, mesmo que jurem a pés juntos que não. Há escolas com contratos de associação que exploram os seus professores? Há, têm sido denunciadas pelos sindicatos.
Mas também há escolas com contratos de associação que recebem os alunos que as públicas não querem ou os que as públicas desistiram.
Um amigo do meu filho esteve numa escola com contrato de associação com uma equipa de atletismo fortíssima – ah, pois, os privados podem ter essas coisas, dirão já os invejosos. Mas os públicos não têm porquê? Porque não querem, não é por falta de condições visto que todas as escolas têm pavilhão desportivo e departamento de educação fisica.
Voltando ao amigo do meu filho. É um rapaz de uma família pobre de uma ex-colónia, de um bairro complicado, que noutra escola teria poucas possibilidades porque estaria, à partida, condenado ao insucesso. Nesta escola com contrato de associação foi integrado, a escola percebeu que o miúdo tinha jeito para o desporto, pô-lo a praticar uma modalidade que pode levá-lo longe, e, entretanto, entrou na universidade, com bolsa, conseguida com a ajuda da escola que preparou todo o processo – ah, mas as privadas têm condições que as públicas não têm, onde é que numa pública podemos ajudar os meninos a ter bolsas... Mas não existe um gabinete de acção social?
Portanto, se este miúdo não tivesse sido verdadeiramente integrado, não lhe fosse traçado um projecto de vida, provavelmente poderia fazer parte daquele grupo de 30 que queria, à força toda, comer às sete da manhã no Palácio dos Kebabs, em Santos, em Lisboa, e como não lhe foi feita a vontade destruiu e roubou.
Esses rapazes, possivelmente com o mesmo background que este miúdo, não andaram na escola? O que é que a escola fez por eles, já que as famílias nada fizeram?
Mas todas as escolas com contratos de associação são bons exemplos de integração? Claro que não! E todas as públicas são um mau exemplo? Também não. O que quero dizer é que se a escola cumprir o seu papel – se em vez de os directores estarem preocupados em agradar ao seu corpo docente, se preocuparem com os alunos e as famílias –, certamente que os pais vão querer que os filhos fiquem na pública ao lado de casa, em vez de meterem os miúdos nos autocarros para irem para a privada com contrato de associação que fica a 25 km de distância.
O desafio é deixar as leis do mercado funcionarem! Mais: se eu fosse o Ministério da Educação, em vez de apregoar que os contratos são para acabar, para gáudio da Fenprof, do PCP e do BE, punha a IGE no terreno, a reflectir com as públicas que estão às moscas e com as privadas que têm maus resultados. Porque se a rede inclui públicas e privadas, por que hão-de ser as privadas a fechar as suas turmas, só para que se mantenha o peso da máquina do Estado? Enquanto este for conivente com as suas clientelas não lhes exigindo nada em troca, a escola não muda e, por consequência, a sociedade tende a piorar.
BW
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quarta-feira, 4 de maio de 2016
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Quem conseguiu mais colocações?
| Foto Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO |
Uns com tantos e outros sem nada...
Há professores que conseguiram ficar colocados em meia dúzia, uma dúzia de escolas. Agora, é só escolher e depois os restantes horários voltam a concurso. Contente, o Ministério da Educação já fez saber às escolas que podem voltar a pedir professores para que a plataforma volte a abrir e para que os docentes se possam candidatar aos novos horários. And goes on and on and on... Com esta brincadeira chegaremos ao Natal e ainda haverá alunos sem professores.
Entretanto, o primeiro-ministro foi ao Parlamento admitir que sim, o ministério de Nuno Crato errou, mas que agora está a "reparar o erro". Estamos todos muito mais descansados!
Lamentável.
BW
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terça-feira, 7 de outubro de 2014
Se não se demitiu até agora, que se demita depois do problema resolvido, sff
É uma coisa anti-natura: os alunos não querem furos, querem aprender, querem professores.
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW
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terça-feira, 30 de setembro de 2014
Amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola
Na terceira semana de aulas, há turmas em que faltam seis professores, noutras três, noutras um, noutras aquele que há-de ser o director de turma.
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Os "paizinhos" não valem nada
A classe docente sente-se isolada. Nem quando tem os pais do seu lado, consegue vê-los.
Há dias, num grupo do facebook, no qual estou porque me convidaram, mas onde estão maioritariamente professores, uma docente escreve: "Os paizinhos andam a dormir. Se os meninos têm mais um dia de férias começam logo a refilar porque não têm onde deixar os rebentos. Agora ninguém diz nada!"
Estava a professora a referir-se à falta de professores na escola mas quando me chamam "paizinhos", sobe-me a mostarda ao nariz. Acho de uma falta de chá que não resisti a responder: "Que professor merece respeito quando fala assim dos pais? "Paizinhos" ou "pais"? Se não fossem os pais, os professores não tinham matéria-prima para ensinar. Respeite para não ser chamada de "professoreca"."
Pouco depois, a professora responde-me do alto da sua sabedoria: "Eu sou mãezinha e professoreca. É preciso ser inteligente para decifrar este post."
Estúpida, Bárbara, toma lá para aprenderes!
Mas há uma outra colega que sentiu a necessidade de ser pedagógica: "Bárbara Wong, a colega não criticou os pais, apenas disse que andavam a dormir pois há escolas onde faltam mesmo muitos professores. Eu enquanto mãe não tolero que isso aconteça nesta altura do ano. Ao meu filho falta-lhe um professor e já mandei reclamações para vários sítios. As aulas já iniciaram praticamente há 15 dias e é inadmissível ainda não estar um professor colocado naquela vaga. Tenho um agrupamento ao pé de casa onde faltam 41 professores. Você acha isso normal? Pois eu não acho e sou mãe!"
Mas a professora acredita que eu não compreendi o que a sua colega queria dizer? Eu percebo, não gosto é que chamem "paizinhos" a um parceiro educativo. E por mim a conversa acabou.
Só que faltava a professora indignada porque há uma "mãezinha" que entra em diálogo. Então, ainda não sabe que os professores não podem nunca ser questionados e tudo o que dizem é verdade? Ai, ai, ai...
"Agora chama-se matéria-prima aos alunos! A D. Bárbara deu a sua opinião através da escrita!! Aprendeu a escrever sozinha? Reforça a ideia de que alguns "paizinhos" andam a dormir; ou melhor nunca acordaram para a realidade que é ter um filho, ter alguém que devem cuidar e educar. A forma como muitos agem não são dignos de serem chamados "paizinhos" quanto mais de PAIS! A D. Bárbara não entre em disputa comigo porque não lhe vou responder mais! Sei o que pretende"
A D. Bárbara é respeitadora e não entra em "disputa" até porque a D. Bárbara não sabe "o que pretende", nem sabe o que responder a alguém que destila ódio pelos pais que não merecem ter filhos - talvez fosse de criar um órgão nacional onde estivesse esta professora a decidir quem pode ou não ter descendentes.
A D. Bárbara gosta de diálogos construtivos por isso, não sabe do que a professora está a falar. O que a D. Bárbara sabe é que a docente na sua escrita revela estar confusa ou furiosa com o mundo. A D. Bárbara teme pelos alunos desta professora.
Um pormenor de menor importância: A D. Bárbara detesta que lhe chamem "dona", chamem-lhe "Bárbara", "menina Bárbara", "senhora" ou "senhora dona"; mas "dona" é que não. Nem "doutora", chamem-lhe "jornalista". Gostos não se discutem.
O comentário da senhora professora tem quatro "gostos", inclusive há uma colega que diz que já tinha pensado o mesmo (?!?): Toma lá, ó D. Bárbara, o que tu queres sabemos nós!
O último comentário é revelador da classe de alguma classe docente: "Os pais são ignorantes... se o não fossem valorizariam a educação dos seus filhos e saberiam lutar mais por estes direitos fundamentais!!"
Temi que terminasse com um "morte aos pais". Mas pronto, são só uns "ignorantes". As senhoras professoras é que são o suprassumo da inteligência! E devem ter nascido de geração espontânea! Não acredito que tivessem pais, porque se assim fosse seriam tods uns ignorantes, não mereciam ser pais, eram uns "paizinhos"...
A verdade, é que estas senhoras professoras em concreto não viram notícias nos últimos dias, não leram jornais, não ouviram rádio - acredito que estivessem ocupadas a preparar aulas e a conhecer os seus alunos - porque se o tivessem feito, teriam visto os pais às portas das escolas a protestar. Se passeassem pelas redes sociais, leriam as queixas dos pais porque faltam professores nas escolas. Portanto, os "paizinhos" estão do lado dos professores. Quer dizer, os pais acham que estão ao lado dos professores, mas têm um problema de perspectiva porque, na verdade, os professores estão lá tão em cima, mas tão em cima que não conseguem ver os pais.
Uma pena porque a união faz a força.
BW
Há dias, num grupo do facebook, no qual estou porque me convidaram, mas onde estão maioritariamente professores, uma docente escreve: "Os paizinhos andam a dormir. Se os meninos têm mais um dia de férias começam logo a refilar porque não têm onde deixar os rebentos. Agora ninguém diz nada!"
Estava a professora a referir-se à falta de professores na escola mas quando me chamam "paizinhos", sobe-me a mostarda ao nariz. Acho de uma falta de chá que não resisti a responder: "Que professor merece respeito quando fala assim dos pais? "Paizinhos" ou "pais"? Se não fossem os pais, os professores não tinham matéria-prima para ensinar. Respeite para não ser chamada de "professoreca"."
Pouco depois, a professora responde-me do alto da sua sabedoria: "Eu sou mãezinha e professoreca. É preciso ser inteligente para decifrar este post."
Estúpida, Bárbara, toma lá para aprenderes!
Mas há uma outra colega que sentiu a necessidade de ser pedagógica: "Bárbara Wong, a colega não criticou os pais, apenas disse que andavam a dormir pois há escolas onde faltam mesmo muitos professores. Eu enquanto mãe não tolero que isso aconteça nesta altura do ano. Ao meu filho falta-lhe um professor e já mandei reclamações para vários sítios. As aulas já iniciaram praticamente há 15 dias e é inadmissível ainda não estar um professor colocado naquela vaga. Tenho um agrupamento ao pé de casa onde faltam 41 professores. Você acha isso normal? Pois eu não acho e sou mãe!"
Mas a professora acredita que eu não compreendi o que a sua colega queria dizer? Eu percebo, não gosto é que chamem "paizinhos" a um parceiro educativo. E por mim a conversa acabou.
Só que faltava a professora indignada porque há uma "mãezinha" que entra em diálogo. Então, ainda não sabe que os professores não podem nunca ser questionados e tudo o que dizem é verdade? Ai, ai, ai...
"Agora chama-se matéria-prima aos alunos! A D. Bárbara deu a sua opinião através da escrita!! Aprendeu a escrever sozinha? Reforça a ideia de que alguns "paizinhos" andam a dormir; ou melhor nunca acordaram para a realidade que é ter um filho, ter alguém que devem cuidar e educar. A forma como muitos agem não são dignos de serem chamados "paizinhos" quanto mais de PAIS! A D. Bárbara não entre em disputa comigo porque não lhe vou responder mais! Sei o que pretende"
A D. Bárbara é respeitadora e não entra em "disputa" até porque a D. Bárbara não sabe "o que pretende", nem sabe o que responder a alguém que destila ódio pelos pais que não merecem ter filhos - talvez fosse de criar um órgão nacional onde estivesse esta professora a decidir quem pode ou não ter descendentes.
A D. Bárbara gosta de diálogos construtivos por isso, não sabe do que a professora está a falar. O que a D. Bárbara sabe é que a docente na sua escrita revela estar confusa ou furiosa com o mundo. A D. Bárbara teme pelos alunos desta professora.
Um pormenor de menor importância: A D. Bárbara detesta que lhe chamem "dona", chamem-lhe "Bárbara", "menina Bárbara", "senhora" ou "senhora dona"; mas "dona" é que não. Nem "doutora", chamem-lhe "jornalista". Gostos não se discutem.
O comentário da senhora professora tem quatro "gostos", inclusive há uma colega que diz que já tinha pensado o mesmo (?!?): Toma lá, ó D. Bárbara, o que tu queres sabemos nós!
O último comentário é revelador da classe de alguma classe docente: "Os pais são ignorantes... se o não fossem valorizariam a educação dos seus filhos e saberiam lutar mais por estes direitos fundamentais!!"
Temi que terminasse com um "morte aos pais". Mas pronto, são só uns "ignorantes". As senhoras professoras é que são o suprassumo da inteligência! E devem ter nascido de geração espontânea! Não acredito que tivessem pais, porque se assim fosse seriam tods uns ignorantes, não mereciam ser pais, eram uns "paizinhos"...
A verdade, é que estas senhoras professoras em concreto não viram notícias nos últimos dias, não leram jornais, não ouviram rádio - acredito que estivessem ocupadas a preparar aulas e a conhecer os seus alunos - porque se o tivessem feito, teriam visto os pais às portas das escolas a protestar. Se passeassem pelas redes sociais, leriam as queixas dos pais porque faltam professores nas escolas. Portanto, os "paizinhos" estão do lado dos professores. Quer dizer, os pais acham que estão ao lado dos professores, mas têm um problema de perspectiva porque, na verdade, os professores estão lá tão em cima, mas tão em cima que não conseguem ver os pais.
Uma pena porque a união faz a força.
BW
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Chegar mais cedo para ter lugar na sala de aula
Na manhã de quarta-feira, ele apressou a irmã para saírem de casa mais cedo. "Despacha-te que tenho de chegar a horas!" Com a mochila feita de véspera, estava impaciente, esperando à porta de casa, enquanto ela dava os últimos retoques ao cabelo, vendo-se ao espelho de fugida. "Ui, estamos tão aplicados!", atirou-lhe, em tom de crítica, bem-humorada. Ele empurrou-a para a rua e fechou a porta com força.
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução?
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução?
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW
quinta-feira, 13 de junho de 2013
A greve dos professores
O que me faria fazer greve, se eu fosse professora?
A mobilidade, o não querer ser despedida, o não querer trabalhar mais horas porque já trabalho muitas, o não querer ter mais alunos por sala.
Se fosse professora no privado também teria argumentos para aderir à greve: a proposta é que trabalhe mais horas por menos dinheiro.
Mas estas não são as únicas razões que me levariam à greve. Há outras.
O retrocesso que as metas introduzem, o discurso passadista do ministro na defesa da memorização contra o aprender e o gostar de aprender - queremos alunos a debitar ou alunos a pensar? é mais confortável tê-los a debitar, eu sei, mas é com debitadores que se constrói uma sociedade democrática?
O querer uma escola inclusiva e para todos, educação cívica, educação artística, educação visual e tecnológica, educação física a contar para a média, um Plano Nacional de Leitura e uma Rede de Bibliotecas Escolares a funcionar condignamente, o querer uma escola com projectos, com clubes e ateliers. Em suma, lutaria por uma escola de qualidade com tudo e com todos.
Apesar de todas estas razões há uma só que me levaria a pensar na não adesão à greve: os alunos.
Se eu fosse professora tinha estado um ano inteiro a trabalhar com os meus alunos, a avaliá-los continuamente e agora não lhes dava as notas finais? Tinha estado um ano lectivo, um ciclo, a prepará-los para responder aos exames e negava-lhes a oportunidade de os fazerem? Falhava com eles e falhava comigo?
Uma greve que envolve estudantes não é o mesmo que uma greve de transportes. Se não houver metro, vou de carro ou trabalho a partir de casa.
Uma greve às avaliações e aos exames é dar razão a um ministro que diz que os professores estão a usar os alunos como escudos. É voltar a por a sociedade toda contra os professores, tal como aconteceu com a avaliação. É mostrar que, de facto, os professores só estão preocupados com as suas carreiras e mais nada, mesmo que digam que é a qualidade da escola pública e os alunos que os faz marcar greve, ninguém acredita porque os professores existem para ensinar, para avaliar, para examinar e para corrigir os exames. De quem? Dos estudantes. E se estão a fazer greve, estão a anular-se.
BW
A mobilidade, o não querer ser despedida, o não querer trabalhar mais horas porque já trabalho muitas, o não querer ter mais alunos por sala.
Se fosse professora no privado também teria argumentos para aderir à greve: a proposta é que trabalhe mais horas por menos dinheiro.
Mas estas não são as únicas razões que me levariam à greve. Há outras.
O retrocesso que as metas introduzem, o discurso passadista do ministro na defesa da memorização contra o aprender e o gostar de aprender - queremos alunos a debitar ou alunos a pensar? é mais confortável tê-los a debitar, eu sei, mas é com debitadores que se constrói uma sociedade democrática?
O querer uma escola inclusiva e para todos, educação cívica, educação artística, educação visual e tecnológica, educação física a contar para a média, um Plano Nacional de Leitura e uma Rede de Bibliotecas Escolares a funcionar condignamente, o querer uma escola com projectos, com clubes e ateliers. Em suma, lutaria por uma escola de qualidade com tudo e com todos.
Apesar de todas estas razões há uma só que me levaria a pensar na não adesão à greve: os alunos.
Se eu fosse professora tinha estado um ano inteiro a trabalhar com os meus alunos, a avaliá-los continuamente e agora não lhes dava as notas finais? Tinha estado um ano lectivo, um ciclo, a prepará-los para responder aos exames e negava-lhes a oportunidade de os fazerem? Falhava com eles e falhava comigo?
Uma greve que envolve estudantes não é o mesmo que uma greve de transportes. Se não houver metro, vou de carro ou trabalho a partir de casa.
Uma greve às avaliações e aos exames é dar razão a um ministro que diz que os professores estão a usar os alunos como escudos. É voltar a por a sociedade toda contra os professores, tal como aconteceu com a avaliação. É mostrar que, de facto, os professores só estão preocupados com as suas carreiras e mais nada, mesmo que digam que é a qualidade da escola pública e os alunos que os faz marcar greve, ninguém acredita porque os professores existem para ensinar, para avaliar, para examinar e para corrigir os exames. De quem? Dos estudantes. E se estão a fazer greve, estão a anular-se.
BW
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sábado, 8 de junho de 2013
Primeiro-ministro apela aos professores para que façam greve ao exame de Matemática do 6.º e 9.º anos
Há um Governo que anda perdido nos corredores do poder e que não percebe o que é o povo, o que é o país, o que é a Educação, o que é a Saúde, o que é a Segurança Social... não percebe nada!
Há um ministro das Finanças que culpa o tempo atmosférico, a chuva, pela queda do investimento e diz, com desfaçatez – por cima dos milhares de desempregados, por cima dos impostos a que sujeita os que ainda trabalham, por cima das contribuições a que tem sujeito os pensionistas – que aprende com os seus erros. Eu também aprendo com os meus erros, mas os meus prejudicam-me a mim, talvez à minha família ou às pessoas que me rodeiam e pouco mais. Os erros de Vítor Gaspar, são os erros que nos prejudicam a todos, um país inteiro. Mas, aparentemente o ministro dorme descansado e, já se sabe, vai passar a levar o Borda d'Água para o Parlamento, para os Conselhos de Ministros, para a Europa, para justificar os seus erros.
Há um primeiro-ministro que pede, encarecidamente, aos professores que façam greve! Sim, senhores professores façam greve, mas não façam agora... façam quando toda a função pública fizer, se faz favor!
Há um primeiro-ministro que não sabe – o ministro da Educação não o informou, está visto – que no dia 27, o dia da greve geral, é dia de exame de Matemática para os 6.º e 9.º anos. É o dia em que cerca de 200 mil alunos vão responder a exame nacional da disciplina mais querida do ministro da Educação. São só 200 mil!
Há um primeiro-ministro que não sabe que uma greve geral é a mãe de todas as greves, é a maior greve, é a forma de luta mais importante, mais significativa, que mais claramente transmite o que os trabalhadores exigem, que, caso seja mesmo geral, prejudica um país inteiro.
Ignorância? Incompetência? Autismo?
BW
Há um ministro das Finanças que culpa o tempo atmosférico, a chuva, pela queda do investimento e diz, com desfaçatez – por cima dos milhares de desempregados, por cima dos impostos a que sujeita os que ainda trabalham, por cima das contribuições a que tem sujeito os pensionistas – que aprende com os seus erros. Eu também aprendo com os meus erros, mas os meus prejudicam-me a mim, talvez à minha família ou às pessoas que me rodeiam e pouco mais. Os erros de Vítor Gaspar, são os erros que nos prejudicam a todos, um país inteiro. Mas, aparentemente o ministro dorme descansado e, já se sabe, vai passar a levar o Borda d'Água para o Parlamento, para os Conselhos de Ministros, para a Europa, para justificar os seus erros.
Há um primeiro-ministro que pede, encarecidamente, aos professores que façam greve! Sim, senhores professores façam greve, mas não façam agora... façam quando toda a função pública fizer, se faz favor!
Há um primeiro-ministro que não sabe – o ministro da Educação não o informou, está visto – que no dia 27, o dia da greve geral, é dia de exame de Matemática para os 6.º e 9.º anos. É o dia em que cerca de 200 mil alunos vão responder a exame nacional da disciplina mais querida do ministro da Educação. São só 200 mil!
Há um primeiro-ministro que não sabe que uma greve geral é a mãe de todas as greves, é a maior greve, é a forma de luta mais importante, mais significativa, que mais claramente transmite o que os trabalhadores exigem, que, caso seja mesmo geral, prejudica um país inteiro.
Ignorância? Incompetência? Autismo?
BW
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Os pais, esses malandros que ficam sempre do lado dos filhos...
Em duas circunstâncias diferentes, em duas escolas diferentes, ouço a mesma queixa, igual:
Recebemos alunos de classe média e média alta, mas o pior de tudo são os pais. Os pais que se demitem porque têm vidas muito ocupadas mas que depois, quando há um problema, vêm à escola. Vêm para questionar o professor, vêm para pôr o professor em causa porque acreditam em tudo o que os filhos lhes dizem.
Nas sessões de O meu filho fez o quê??? digo sempre que nós, pais, somos manipulados por eles, filhos. Quando o afirmo faço uma pausa ligeira e observo os rostos à minha frente. Há pais que acenam que não com a cabeça ou que encolhem os ombros com a dúvida. Continuo: Somos manipulados quando ele fez um disparate e começa por contar ao progenitor que vai ralhar menos ou que vai compreender a situação e explicá-la ao outro que iria ralhar. Somos quando ela quer sair e pede àquele que vai dizer que sim. Neste momento, os mais incrédulos concordam e sorriem.
É um facto, eles manipulam-nos e, por isso, devemos sempre questionar o que nos dizem. Há miúdos que são calculistas (o que não é sinónimo de "maus", mas de inteligentes, de teremo visão para além do breve prazo) e nós temos de conhecer os nossos filhos e perceber quando nos querem enganar/manipular.
"A professora gritou contigo, mas tu fizeste o quê?", devemos perguntar.
A escola aplaude que os pais façam o escrutínio do que é realmente importante reportar-lhe. A escola agradece que os pais não vão lá para gritar, discutir ou pôr em causa. Mas... a escola não pode ficar contra os pais que vão lá colocar questões pertinentes, que se vão queixar porque um professor está a faltar há três semanas; que se vão queixar de um professor que abusa do seu poder em sala de aula e aterroriza os alunos; de um professor que alegadamente abusa sexualmente de uma criança; de um professor que não sabe ensinar.
Em duas circunstâncias diferentes, ouço histórias sobre penteados de rapazes, contadas por colegas de turma dos mesmos:
1) Numa sala de aula, um aluno faz uma pergunta idiota para fazer rir a turma e a professora responde-lhe: "Com esse cabelo de menina parece-me que está a ficar burro" – a professora ainda não leu todos os estudos e todas as estatísticas que indicam que as raparigas são melhores alunas do que os rapazes! Pode uma professora chamar burro ao aluno? O problema fica resolvido com uma agressão verbal? O que pensam todos os alunos que a ouviram chamar burro ao colega? É uma profissional em quem vão confiar ou já traçaram o perfil da senhora e que não é nada abonatório? E o rapaz em questão: digeriu bem as palavras ou entranhou-as e está convencido que é burro?
2) No final da entrega de um teste, o aluno pergunta à professora se uma das questões foi bem avaliada. A professora responde-lhe que sim e que ele só não vê por causa do cabelo. "Se não tivesse essa franja, veria que a resposta está bem corrigida. Porque é que não vai cortar o cabelo? Vou falar com a sua mãe para lhe cortar o cabelo a pente zero". O rapaz de 12 anos, bom aluno e que quer ser médico não se intimida: "Professora o meu cabelo não tem nada a ver, só gostava que me dissesse se corrigiu bem esta pergunta." Resposta da docente: "Vou mesmo falar com a sua mãe." O que é que esta profissional transmitiu ao aluno que se atreveu a pôr em causa o seu trabalho?
Os professores adorariam que os pais ficassem sempre do seu lado mas nem sempre isso é possível. Os pais podem e devem educar os seus filhos, chamá-los à razão quando se portam mal, quando são malcriados, quando estão desinteressados na sala de aula, quando não estudam. Contudo, os pais também devem perceber o porquê desses comportamentos – o que está por detrás? E a razão pode mesmo estar no professor!
"Onde é que fica o limite da intervenção dos pais?" – a pergunta de um pai de Aveiro continua a perseguir-me. E se a "culpa" do mau comportamento, do desinteresse, do insucesso é do professor? Se chegarmos a essa conclusão, não vamos à escola? Não questionamos a escola? Não a ouvimos? Nada fazemos porque temos medo da retaliação – "o professor tem a faca e o queijo na mão", ouço nas sessões com os pais – e que essa seja sobre os nossos filhos? Sim, porque às vezes os professores retaliam sobre os nossos filhos e não é nada agradável ver como estes sofrem com isso, como nós sofremos. Mas, por tudo isso, não fazemos nada?
BW
Recebemos alunos de classe média e média alta, mas o pior de tudo são os pais. Os pais que se demitem porque têm vidas muito ocupadas mas que depois, quando há um problema, vêm à escola. Vêm para questionar o professor, vêm para pôr o professor em causa porque acreditam em tudo o que os filhos lhes dizem.
Nas sessões de O meu filho fez o quê??? digo sempre que nós, pais, somos manipulados por eles, filhos. Quando o afirmo faço uma pausa ligeira e observo os rostos à minha frente. Há pais que acenam que não com a cabeça ou que encolhem os ombros com a dúvida. Continuo: Somos manipulados quando ele fez um disparate e começa por contar ao progenitor que vai ralhar menos ou que vai compreender a situação e explicá-la ao outro que iria ralhar. Somos quando ela quer sair e pede àquele que vai dizer que sim. Neste momento, os mais incrédulos concordam e sorriem.
É um facto, eles manipulam-nos e, por isso, devemos sempre questionar o que nos dizem. Há miúdos que são calculistas (o que não é sinónimo de "maus", mas de inteligentes, de teremo visão para além do breve prazo) e nós temos de conhecer os nossos filhos e perceber quando nos querem enganar/manipular.
"A professora gritou contigo, mas tu fizeste o quê?", devemos perguntar.
A escola aplaude que os pais façam o escrutínio do que é realmente importante reportar-lhe. A escola agradece que os pais não vão lá para gritar, discutir ou pôr em causa. Mas... a escola não pode ficar contra os pais que vão lá colocar questões pertinentes, que se vão queixar porque um professor está a faltar há três semanas; que se vão queixar de um professor que abusa do seu poder em sala de aula e aterroriza os alunos; de um professor que alegadamente abusa sexualmente de uma criança; de um professor que não sabe ensinar.
Em duas circunstâncias diferentes, ouço histórias sobre penteados de rapazes, contadas por colegas de turma dos mesmos:
1) Numa sala de aula, um aluno faz uma pergunta idiota para fazer rir a turma e a professora responde-lhe: "Com esse cabelo de menina parece-me que está a ficar burro" – a professora ainda não leu todos os estudos e todas as estatísticas que indicam que as raparigas são melhores alunas do que os rapazes! Pode uma professora chamar burro ao aluno? O problema fica resolvido com uma agressão verbal? O que pensam todos os alunos que a ouviram chamar burro ao colega? É uma profissional em quem vão confiar ou já traçaram o perfil da senhora e que não é nada abonatório? E o rapaz em questão: digeriu bem as palavras ou entranhou-as e está convencido que é burro?
2) No final da entrega de um teste, o aluno pergunta à professora se uma das questões foi bem avaliada. A professora responde-lhe que sim e que ele só não vê por causa do cabelo. "Se não tivesse essa franja, veria que a resposta está bem corrigida. Porque é que não vai cortar o cabelo? Vou falar com a sua mãe para lhe cortar o cabelo a pente zero". O rapaz de 12 anos, bom aluno e que quer ser médico não se intimida: "Professora o meu cabelo não tem nada a ver, só gostava que me dissesse se corrigiu bem esta pergunta." Resposta da docente: "Vou mesmo falar com a sua mãe." O que é que esta profissional transmitiu ao aluno que se atreveu a pôr em causa o seu trabalho?
Os professores adorariam que os pais ficassem sempre do seu lado mas nem sempre isso é possível. Os pais podem e devem educar os seus filhos, chamá-los à razão quando se portam mal, quando são malcriados, quando estão desinteressados na sala de aula, quando não estudam. Contudo, os pais também devem perceber o porquê desses comportamentos – o que está por detrás? E a razão pode mesmo estar no professor!
"Onde é que fica o limite da intervenção dos pais?" – a pergunta de um pai de Aveiro continua a perseguir-me. E se a "culpa" do mau comportamento, do desinteresse, do insucesso é do professor? Se chegarmos a essa conclusão, não vamos à escola? Não questionamos a escola? Não a ouvimos? Nada fazemos porque temos medo da retaliação – "o professor tem a faca e o queijo na mão", ouço nas sessões com os pais – e que essa seja sobre os nossos filhos? Sim, porque às vezes os professores retaliam sobre os nossos filhos e não é nada agradável ver como estes sofrem com isso, como nós sofremos. Mas, por tudo isso, não fazemos nada?
BW
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sexta-feira, 22 de março de 2013
Mobilidade dos professores
Não há empregos para a vida. Os trabalhadores do privado já o descobriram há muito, os do público começam a descobrir agora.
Mas as dificuldades que são colocadas aos professores são preocupantes. Como vão ensinar pessoas que estão deslocadas centenas de quilómetros, longe de sua casa, da sua família? Que motivação têm para trabalhar? Terão sequer dinheiro para se deslocarem?
Vamos apostar na emigração e no desemprego como oportunidades, como diz o primeiro-ministro? Parece que sim, que a aposta é mesmo no investimento na formação das pessoas para depois fazerem bem lá fora e quem fica, fica a minguar, a sufocar.
E a desculpa de Nuno Crato é lamentável: "Vivemos no mundo em que vivemos". Pois e se a minha avó não tivesse morrido ainda hoje era viva, apetece dizer. Desespera-me a resignação e a falta de uma política que pense nas pessoas.
Pertinente a reflexão de Maria de Lurdes Rodrigues no PÚBLICO Online.
BW
Mas as dificuldades que são colocadas aos professores são preocupantes. Como vão ensinar pessoas que estão deslocadas centenas de quilómetros, longe de sua casa, da sua família? Que motivação têm para trabalhar? Terão sequer dinheiro para se deslocarem?
Vamos apostar na emigração e no desemprego como oportunidades, como diz o primeiro-ministro? Parece que sim, que a aposta é mesmo no investimento na formação das pessoas para depois fazerem bem lá fora e quem fica, fica a minguar, a sufocar.
E a desculpa de Nuno Crato é lamentável: "Vivemos no mundo em que vivemos". Pois e se a minha avó não tivesse morrido ainda hoje era viva, apetece dizer. Desespera-me a resignação e a falta de uma política que pense nas pessoas.
Pertinente a reflexão de Maria de Lurdes Rodrigues no PÚBLICO Online.
BW
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sábado, 3 de novembro de 2012
Professores sem escola, amanhã na SIC
Domingo, dia 4 de novembro, no ‘Jornal da Noite’
‘GRANDE REPORTAGEM’ – “PROFESSORES SEM ESCOLA”
Durante quase uma década, Silvana Lagarto e José Vicente foram professores de EVT, Educação Visual e Tecnológica, o grupo de docentes mais atingido pela reforma liderada pelo Ministro da Educação Nuno Crato. Estes dois professores dificilmente voltarão a ser colocados. Margarida Carvalho e Tiago Galveia, professores de Ciências e de Geologia, também ficaram de fora das listas de colocação pela primeira vez em seis anos. Maria Santana, docente de Filosofia, está ainda à espera de ser colocada, ao fim de 15 anos dedicados ao ensino.
Os cortes no Orçamento da Educação de 2012 deixaram milhares de professores sem trabalho e o ensino mais pobre.
As linhas gerais da re-estruturação foram definidas pela Troika, mas Nuno Crato e Vitor Gaspar levaram mais longe as orientações inscritas no memorando.
O corte no orçamento da Educação em 2012 rondou os 600 milhões de euros, três vezes mais do que os 195 milhões exigidos pela Troika. O orçamento de 2013 prevê ainda mais cortes.
A ‘Grande Reportagem’ deste domingo analisa as reformas na Educação, as consequências no ensino público e na vida de professores que, de um momento para o outro, ficaram desempregados.
Estará em causa o futuro da Escola Pública?
Professores Sem Escola é uma reportagem de Sofia Arêde, com imagem de Rodrigo Lobo e edição de Imagem de Ricardo Tenreiro.
‘GRANDE REPORTAGEM’ – “PROFESSORES SEM ESCOLA”
Durante quase uma década, Silvana Lagarto e José Vicente foram professores de EVT, Educação Visual e Tecnológica, o grupo de docentes mais atingido pela reforma liderada pelo Ministro da Educação Nuno Crato. Estes dois professores dificilmente voltarão a ser colocados. Margarida Carvalho e Tiago Galveia, professores de Ciências e de Geologia, também ficaram de fora das listas de colocação pela primeira vez em seis anos. Maria Santana, docente de Filosofia, está ainda à espera de ser colocada, ao fim de 15 anos dedicados ao ensino.
Os cortes no Orçamento da Educação de 2012 deixaram milhares de professores sem trabalho e o ensino mais pobre.
As linhas gerais da re-estruturação foram definidas pela Troika, mas Nuno Crato e Vitor Gaspar levaram mais longe as orientações inscritas no memorando.
O corte no orçamento da Educação em 2012 rondou os 600 milhões de euros, três vezes mais do que os 195 milhões exigidos pela Troika. O orçamento de 2013 prevê ainda mais cortes.
A ‘Grande Reportagem’ deste domingo analisa as reformas na Educação, as consequências no ensino público e na vida de professores que, de um momento para o outro, ficaram desempregados.
Estará em causa o futuro da Escola Pública?
Professores Sem Escola é uma reportagem de Sofia Arêde, com imagem de Rodrigo Lobo e edição de Imagem de Ricardo Tenreiro.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Quanto custa um aluno no ensino português?
Na verdade, ainda não sabemos...
Apesar de o Tribunal de Contas ter feito um estudo e ter chegado à conclusão que um aluno do público fica mais barato do que o do privado, em média, a verdade é que não sabemos porque as contas do TC referem-se ao ano de 2009/2010 e incluem os alunos das Novas Oportunidades. Portanto, eu diria que se as contas fossem feitas hoje, um aluno do público ficaria ainda mais barato porque há menos professores, há menos funcionários, há menos ensino para adultos, há menos disciplinas, é tudo a subtrair, logo, mais barato. Por isso, as declarações de satisfação das escolas privadas são vazias.
BW
Apesar de o Tribunal de Contas ter feito um estudo e ter chegado à conclusão que um aluno do público fica mais barato do que o do privado, em média, a verdade é que não sabemos porque as contas do TC referem-se ao ano de 2009/2010 e incluem os alunos das Novas Oportunidades. Portanto, eu diria que se as contas fossem feitas hoje, um aluno do público ficaria ainda mais barato porque há menos professores, há menos funcionários, há menos ensino para adultos, há menos disciplinas, é tudo a subtrair, logo, mais barato. Por isso, as declarações de satisfação das escolas privadas são vazias.
BW
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Porque é que o ministro não foi inaugurar/abrir o ano escolar?
Com medo que atirem um ovo?
Com medo que algum professor desempregado se atire para cima do carro?
Com medo dos protestos agendados pela Fenprof?
Não. O ministro não foi a qualquer escola, nem mesmo àquela onde já estava marcada a abertura do ano lectivo, na Benedita, onde estaria com o senhor primeiro-ministro, numa escola com contrato de associação, porque está ocupado. Está em Lisboa, no seu palácio das Laranjeiras (muito mais digno do que a 5 de Outubro) a receber os brilhantes alunos portugueses que participaram nas Olimpíadas internacionais da Matemática. Podia fazer o mesmo enquanto presidente da Sociedade Portuguesa da Matemática.
BW
Com medo que algum professor desempregado se atire para cima do carro?
Com medo dos protestos agendados pela Fenprof?
Não. O ministro não foi a qualquer escola, nem mesmo àquela onde já estava marcada a abertura do ano lectivo, na Benedita, onde estaria com o senhor primeiro-ministro, numa escola com contrato de associação, porque está ocupado. Está em Lisboa, no seu palácio das Laranjeiras (muito mais digno do que a 5 de Outubro) a receber os brilhantes alunos portugueses que participaram nas Olimpíadas internacionais da Matemática. Podia fazer o mesmo enquanto presidente da Sociedade Portuguesa da Matemática.
BW
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
O ministro matemático e a estatística
Na sua entrevista ao Sol, na sexta-feira passada, e à TVI, na segunda-feira, o ministro Nuno Crato justificou que a máquina da escola pública não precisa de mais docentes porque o número de alunos no sistema diminuiu 200 mil. Ou seja, há menos 200 mil estudantes no ensino. Portanto não são precisos tantos professores.
Duzentos mil em três anos? Foi a peste? Um terramoto? A emigração? Ou a diminuição da natalidade, como argumentou Nuno Crato? Não. O PÚBLICO descobriu que foi um erro nas estatísticas do ministério: a inclusão do número dos adultos das Novas Oportunidades. O ministro comparou dados de um ano de expansão das Novas Oportunidades - que tinham pouquíssimas aulas com professores, mas que eram acompanhados por formadores, logo, o argumento de não serem precisos professores por causa destes adultos não pode ser usado - com os de outro ano onde as Novas Oportunidades não foram contempladas.
Um erro? Como é que um ministro que tanto ama o rigor e a exigência não soube ler os números?
BW
Duzentos mil em três anos? Foi a peste? Um terramoto? A emigração? Ou a diminuição da natalidade, como argumentou Nuno Crato? Não. O PÚBLICO descobriu que foi um erro nas estatísticas do ministério: a inclusão do número dos adultos das Novas Oportunidades. O ministro comparou dados de um ano de expansão das Novas Oportunidades - que tinham pouquíssimas aulas com professores, mas que eram acompanhados por formadores, logo, o argumento de não serem precisos professores por causa destes adultos não pode ser usado - com os de outro ano onde as Novas Oportunidades não foram contempladas.
Um erro? Como é que um ministro que tanto ama o rigor e a exigência não soube ler os números?
BW
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Regresso às aulas
São testemunhos comoventes e reais os que a jornalista Graça Barbosa Ribeiro ouviu e reproduziu aqui.
Como mãe, preocupam-me todos os casos, os dos professores desempregados que podiam estar a trabalhar se não existissem turmas de 30 alunos: os dos professores em final de carreira a ter de enfrentar turmas de 30 alunos; os professores de EVT que ficaram à porta da escola; os professores com horário zero porque já não há disciplinas não curriculares para leccionar. Preocupa-me que os professores cheguem ao primeiro dia de aulas desmoralizados, em baixo, desmotivados - como o estado do país.
BW
Como mãe, preocupam-me todos os casos, os dos professores desempregados que podiam estar a trabalhar se não existissem turmas de 30 alunos: os dos professores em final de carreira a ter de enfrentar turmas de 30 alunos; os professores de EVT que ficaram à porta da escola; os professores com horário zero porque já não há disciplinas não curriculares para leccionar. Preocupa-me que os professores cheguem ao primeiro dia de aulas desmoralizados, em baixo, desmotivados - como o estado do país.
BW
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Metas curriculares
O Ministério da Educação e Ciência tornou públicas as metas curriculares para o ensino básico para as disciplinas de Português, Matemática, Educação Visual, Educação Tecnológica e Tecnologias da Informação e Comunicação. Está tudo aqui.
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Tudo vai mudar
"Se é difícil atingir objectivos com 24 alunos..."
Todos sairão a perder - alunos, pais e o país...
Todos sairão a perder - alunos, pais e o país...
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Em que é que ficamos?
Agora há professores; agora já não há, vão para horários-zero; agora há outra vez!
Agora temos programa; agora temos metas; agora já não temos; agora temos novas metas mas que não coincidem com o programa.
Agora temos directores confiantes; agora temos directores confusos a obedecer às ordens do ministério que hoje são umas e amanhã outras.
Agora temos professores assustados, frustrados, amedrontados e revoltados, para não falar das reuniões que ainda faltam fazer para aplicar umas metas que não coincidem com os programas... Devem estar todos motivados!
É assim que vão começar o ano lectivo?
E quando virem os 30 alunos sentados (se é que conseguem estar sentados) à sua frente?
BW
Agora temos programa; agora temos metas; agora já não temos; agora temos novas metas mas que não coincidem com o programa.
Agora temos directores confiantes; agora temos directores confusos a obedecer às ordens do ministério que hoje são umas e amanhã outras.
Agora temos professores assustados, frustrados, amedrontados e revoltados, para não falar das reuniões que ainda faltam fazer para aplicar umas metas que não coincidem com os programas... Devem estar todos motivados!
É assim que vão começar o ano lectivo?
E quando virem os 30 alunos sentados (se é que conseguem estar sentados) à sua frente?
BW
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
E se, de repente, lhe dissessem que é horário-zero?
Foi o que aconteceu a centenas de professores, neste país. Profissionais que estavam nos quadros de escola, confiantes. Não estamos a falar de professores contratados, daqueles que andam cinco, dez, quinze anos a contrato, que no início de Setembro ainda não sabem a que escola vão parar. Como é que não se investe na educação? É preciso fazer melhor as contas!
BW
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sexta-feira, 20 de julho de 2012
Mais professores com horário-zero e mais professores nos quadros?
Há duas semanas que os directores de escolas chamam colegas para os dispensar. Alguns deles com três décadas de leccionação a serem dispensados e agora o ministro Nuno Crato vem dizer que quer professores contratados nos quadros... Como?
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