“Compreendi que viver é ser livre… Que ter amigos é necessário… Que lutar é manter-se vivo… Que pra ser feliz basta querer… Aprendi que o tempo cura… Que magoa passa… Que decepção não mata… Que hoje é reflexo de ontem… Compreendi que podemos chorar sem derramar lágrimas… Que os verdadeiros amigos permanecem… Que dor fortalece… Que vencer engrandece… Aprendi que sonhar não é fantasiar… Que pra sorrir tem que fazer alguém sorrir… Que a beleza não está no que vemos, e sim no que sentimos… Que o valor está na força da conquista… Compreendi que as palavras têm força… Que fazer é melhor que falar… Que o olhar não mente… Que viver é aprender com os erros… Aprendi que tudo depende da vontade… Que o melhor é ser nós mesmos… Que o segredo da vida é viver!!!”
Clarice Lispector
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Compreendi que viver é ser livre
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
Souto de Moura, Obama e o Pritzker
Foi bonito e fez bem ao ego ver Obama na entrega do nobel da arquitectura, o Prémio Pritzker norte-americano a Eduardo Souto de Moura.Em 30 anos de existência do prémio só uma vez um presidente dos EUA tinha ido à entrega do mesmo, foi Bill Clinton quando o premiado foi Renzo Piano, em 1998.
Ao contrário de Clinton, Obama não falou de política mas de arquitectura. Definiu-a como "obras de arte que podemos atravessar e onde podemos viver". Disse que a arquitectura "pode ser vista como a mais democrática forma de arte". Depois, comparou o arquitecto português a Thomas Jefferson, autor da Declaração de Independência e da sua própria casa, na Virgínia. Aos olhos de Obama, um e outro passaram "a sua carreira a desafiar as fronteiras da sua arte, mas fazendo-o de forma a servir o bem público, num estilo que parece não ter esforço e é belo ao mesmo tempo" - é isso que se quer da arquitectura, não é?
Obama concluiu que são “Obras intemporais, que nos trazem alegria e nos ajudam a tornar este mundo um lugar melhor.”
Depois, Souto de Moura discursou em português.
BW
quarta-feira, 1 de junho de 2011
O que pensam as crianças sobre as eleições
Hoje espreitem o P2, o suplemento diário do PÚBLICO, e vão até ao blogue do PÚBLICO na Escola, o Página 23, para ler o que pensam as crianças do 2.º ao 7.º anos, sobre a crise, as eleições, os candidatos, a política, o rendimento mínimo, as soluções que apresentam...
Tenho muito orgulho do trabalho feito!
Os parabéns e agradecimentos a todos os alunos que escreveram e aos professores que nos ajudaram a montar este trabalho! Muito obrigada!
BW
Tenho muito orgulho do trabalho feito!
Os parabéns e agradecimentos a todos os alunos que escreveram e aos professores que nos ajudaram a montar este trabalho! Muito obrigada!
BW
sábado, 2 de abril de 2011
Parabéns!
Há um ano foi assim: 654 posts, 104 804 visitas.
Hoje, comemoramos o 2º aniversário do
Educar em Português com:
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Obrigada, caros leitores.
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Intimidade
No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,
Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,
No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,
Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,
No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Carros e educação
Não tenho um Jaguar, nem um Bentley, nem um Ferrari, nem um... sei lá! Eu não tenho nenhum dos carros que o meu filho reconhece à distância. Por mais bonito que seja o seu design, não me imagino a conduzi-lo. Também não tenho dinheiro para o ter e se tivesse, porque haveria de gastá-lo numa máquina?
Ontem, na rua, recebeu um panfleto de publicidade da autarquia de Lisboa, impresso a cores, em papel de boa qualidade, com uma produção fotográfica por detrás. O tema do panfleto é: "Boa educação: Lisboa aposta no futuro" e o conteúdo, segundo o meu filho é mínimo: "Só 27 escolas? Só nove refeitórios renovados? Só seis recreios novos? Quanto custa fazer este papel? Não era melhor investir esse dinheiro em mais um recreio?". Ou em funcionários, com um salário justo, acrescento eu.
E enquanto procuro acompanhar a sua excitação também lhe revelo a minha: "Olha aquele! Aquele!". "É um Volskwagen...", diz-me desinteressado. "Não estava a falar do carro mas do condutor, é um dos pais da constituição portuguesa.", revelo. Olha com mais atenção para o dono do automóvel e pergunta: "E não tem dinheiro para ter um carro melhor?". "E aquele, aquele?", interrompo, "é o director de uma grande estação de rádio". "E conduz um carro velho?".
O garoto está confuso mas a mensagem começa a entrar: "Sim à compra de uma máquina funcional, confortável e segura, que nos faça deslocar do ponto A para o ponto B sem acidentes! Não ao desperdício, ao novo riquismo, à ostentação! Sim ao consumo inteligente. Se tens dinheiro para comprar um carro com aquela potência porque não o investes em algo consistente, porque não compras uma casa, não abres um negócio, em vez de passeares num bólide? A aparência interessa, mas não é tudo."
E a mensagem fica e o ensinamento consegue ser aplicado noutras situações.
Ontem, na rua, recebeu um panfleto de publicidade da autarquia de Lisboa, impresso a cores, em papel de boa qualidade, com uma produção fotográfica por detrás. O tema do panfleto é: "Boa educação: Lisboa aposta no futuro" e o conteúdo, segundo o meu filho é mínimo: "Só 27 escolas? Só nove refeitórios renovados? Só seis recreios novos? Quanto custa fazer este papel? Não era melhor investir esse dinheiro em mais um recreio?". Ou em funcionários, com um salário justo, acrescento eu.Há panfletos no chão, nos caixotes do lixo e espalhados nas carruagens do metropolitano. "Que desperdício", diz o miúdo.
À noite, nova lição. São distribuídas bandeiras comemorativas do centenário da República. "Para que é que isto serve? Alguém acha que vamos pendurar isto? Aonde? Nós não estamos em crise?", pergunta. Sim, mas esta é uma data importante, que devemos assinalar, começo, para ser interrompida: "Ainda se fossem canecas, sempre tinham alguma utilidade."
BW
PS: O panfleto é uma parceria câmara e Parque Escolar. Ficam os dois bem na fotografia, nós é que não, que vamos pagar mais impostos para publicidade e deslocações de ministros e secretários de Estado para inaugurarem uma centena de escolas, hoje, em todo o país. Tudo em nome dessa grande aposta que é a educação e da República!
Aqui está uma boa entrevista/análise para ler.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Julie and Julia versus Ana e Bárbara
1 ano, 654 posts, 104.804 visitas.
Parabéns a nós!
Obrigada, leitores.
Foi no Dia do Livro Infantil que eu e a Bárbara decidimos lançar o nosso blog. Faz hoje um ano!
Quando vi o filme Julie and Julia imaginei logo o post comemorativo do primeiro aniversário do Educar em Português, embora a nossa missão não termine hoje, ao contrário da de Julia Powell, a jovem "blogger" do filme, que terminou após cozinhar as 524 receitas em 365 dias.
Por outro lado, é verdade que não desossamos patos como Julia Powel - mas aqui falamos de problemas bicudos como a suspensão dos novos programas de Língua Portuguesa do bullying.
Não pusemos em perigo os casamentos - até porque os maridos contribuíram muito para o sucesso deste ano.
Não deixámos queimar Beef de Bourguignonne - mas reescrevemos muitos posts e trocámos muitos mails e comentários para remediar o que pudesse estar menos bem.
Não estávamos perdidas nem frustradas com os nossos empregos e profissões - porque somos profissionais e mães felizes, mas encontrámos aqui mais um projecto que nos realiza.
Então, por que motivo pensei neste post quando vi o filme?
Fi-lo pois a paixão pelo que fazemos me pareceu idêntica à que caracteriza tanto Julia (a jovem que decidi reescrever as receitas no seu blog) como Julie (que se apaixonou pela cozinha francesa e criou a Bíblia da culinária parisiense).
E porque me alegrei com o facto de este projecto não ser um projecto tão solitário como o das personagens do filme, mas antes um projecto a quatro mãos e duas amigas.
Fi-lo pois a paixão pelo que fazemos me pareceu idêntica à que caracteriza tanto Julia (a jovem que decidi reescrever as receitas no seu blog) como Julie (que se apaixonou pela cozinha francesa e criou a Bíblia da culinária parisiense).
E porque me alegrei com o facto de este projecto não ser um projecto tão solitário como o das personagens do filme, mas antes um projecto a quatro mãos e duas amigas.
Ana Soares
sexta-feira, 19 de março de 2010
Feliz dia para todos os pais!
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terça-feira, 16 de março de 2010
Parabéns professor Wagner Diniz!
Que me perdoem os outros escolhidos para o Prémio Nacional dos Professores, promovido pelo Ministério da Educação, que também estão de parabéns; mas os meus parabéns pessoais vão para o professor Wagner Diniz, ex-director da Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), em Lisboa, que ganhou o prémio de Mérito Inovação este ano.
Quando soube que tinha ganho o prémio, o antigo barítono lembrou-se de uma área da ópera Carmina Burana que fala da roda da fortuna. É que, há um ano, Wagner Diniz teve um processo disciplinar posto pela equipa de Maria de Lurdes Rodrigues que se “provou ser infundado”. Um ano depois, “este prémio tem um sabor um bocadinho especial”, confessa.
Wagner Diniz foi reconhecido pela tutela por ter trazido para Portugal o projecto Orquestra Geração (OG). Em 2007, inspirado no sistema venezuelano, onde as crianças aprendem a tocar um instrumento antes de saber as notas, nasceu a primeira orquestra. O ano passado, três escolas públicas tinham uma OG, este ano são dez, todas na área metropolitana de Lisboa e Amarante é o próximo destino deste projecto, congratula-se o seu criador. “O prémio não é só meu, é atribuido a um projecto do Conservatório, que faz 175 anos e que, ao longo dos anos, sempre soube adaptar-se aos novos tempos”, defende.
Foi Mafalda Pernão, a actual directora da EMCN, que enviou a candidatura para o ministério. “O professor Wagner fez um grande investimento pessoal, incluindo avançar com dinheiro que não havia na altura, porque acreditou que esta era uma boa aposta para o ensino em Portugal”, conta.
Há uma filosofia por detrás das OG, a de levar a música a estratos sociais onde é mais difícil ela chegar. Daí, as escolas escolhidas para criar as orquestras, com o apoio da Gulbenkian e de empresas locais, serem em bairros sociais ou em locais socialmente mais frágeis.
O projecto tem a duração de três anos, no primeiro os professores trabalham com instrumentos de cordas, no segundo juntam os sopros e no terceiro a percussão. As OG também criam emprego para jovens professores e músicos, acrescenta o premiado. Actualmente há 40 professores para 400 alunos.
De recordar que este prémio foi criado há três anos. No primeiro ano o ministério recebeu 65 propostas, o ano passado apenas 27 e este ano foram 50. Entre educadores de infância e professores são mais de 150 mil...
BW
Quando soube que tinha ganho o prémio, o antigo barítono lembrou-se de uma área da ópera Carmina Burana que fala da roda da fortuna. É que, há um ano, Wagner Diniz teve um processo disciplinar posto pela equipa de Maria de Lurdes Rodrigues que se “provou ser infundado”. Um ano depois, “este prémio tem um sabor um bocadinho especial”, confessa.
Wagner Diniz foi reconhecido pela tutela por ter trazido para Portugal o projecto Orquestra Geração (OG). Em 2007, inspirado no sistema venezuelano, onde as crianças aprendem a tocar um instrumento antes de saber as notas, nasceu a primeira orquestra. O ano passado, três escolas públicas tinham uma OG, este ano são dez, todas na área metropolitana de Lisboa e Amarante é o próximo destino deste projecto, congratula-se o seu criador. “O prémio não é só meu, é atribuido a um projecto do Conservatório, que faz 175 anos e que, ao longo dos anos, sempre soube adaptar-se aos novos tempos”, defende.
Foi Mafalda Pernão, a actual directora da EMCN, que enviou a candidatura para o ministério. “O professor Wagner fez um grande investimento pessoal, incluindo avançar com dinheiro que não havia na altura, porque acreditou que esta era uma boa aposta para o ensino em Portugal”, conta.
Há uma filosofia por detrás das OG, a de levar a música a estratos sociais onde é mais difícil ela chegar. Daí, as escolas escolhidas para criar as orquestras, com o apoio da Gulbenkian e de empresas locais, serem em bairros sociais ou em locais socialmente mais frágeis.
O projecto tem a duração de três anos, no primeiro os professores trabalham com instrumentos de cordas, no segundo juntam os sopros e no terceiro a percussão. As OG também criam emprego para jovens professores e músicos, acrescenta o premiado. Actualmente há 40 professores para 400 alunos.
De recordar que este prémio foi criado há três anos. No primeiro ano o ministério recebeu 65 propostas, o ano passado apenas 27 e este ano foram 50. Entre educadores de infância e professores são mais de 150 mil...
BW
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sexta-feira, 5 de março de 2010
Parabéns aos leitores!
Parabéns ao PÚBLICO e parabéns aos leitores que hoje têm a edição de aniversário completamente gratuita nas bancas!São mais de 100 páginas e com um digno director por um dia: António Barreto, no leme do jornal.
Escusado será dizer que este é o melhor jornal que se faz no país (os jornalistas que saem desta casa e vão para outros orgãos reconhecem-no, mas não são só eles)!
É certo que o Correio da Manhã é o campeão das vendas, que os leitores nos lêem muito na Internet, que todos os títulos vendem cada vez menos em banca, que dizem que a imprensa escrita vai morrer, mas é bom pertencer a este projecto!
Vá até uma banca de jornais, peça o PÚBLICO, leia-o, reconheça o bom trabalho feito diariamente (eu não escrevo nem um parágrafo nesta edição!) e guarde-o para, um dia, mostrar aos netos!
BW
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Parabéns ao Poupas!
Foi há 40 anos, 40!, que nascia a Rua Sésamo, nos EUA, o primeiro programa que alia o divertimento e a pedagogia, pensado para as crianças.
O passarão amarelo Poupas, os amigos Egas e Becas, o Monstro das Bolachas fizeram as nossas delícias, ensinaram o alfabeto, os números, os opostos, as cores, a ter bons sentimentos, a aprender a gostar de sopa, só coisas boas!
A Rua Sésamo abriu portas a outros programas fabulosos, a BBC continua a explorar este filão. Por cá, depois de ter sido feita uma versão portuguesa - lembram-se da Alexandra Lencastre morena, de olhos castanhos, com um espacinho entre os incisivos e magra? - desenvolveram-se produtos semelhantes, o último é A Ilha das Cores.
Esta é das coisas mais giras de que me lembro na Rua Sésamo!
BW
O passarão amarelo Poupas, os amigos Egas e Becas, o Monstro das Bolachas fizeram as nossas delícias, ensinaram o alfabeto, os números, os opostos, as cores, a ter bons sentimentos, a aprender a gostar de sopa, só coisas boas!
A Rua Sésamo abriu portas a outros programas fabulosos, a BBC continua a explorar este filão. Por cá, depois de ter sido feita uma versão portuguesa - lembram-se da Alexandra Lencastre morena, de olhos castanhos, com um espacinho entre os incisivos e magra? - desenvolveram-se produtos semelhantes, o último é A Ilha das Cores.
Esta é das coisas mais giras de que me lembro na Rua Sésamo!
BW
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O pequeno gaulês tem 50 anos!
Cumprem-se hoje 50 anos sobre a publicação do primeiro livro de uma das mais famosas figuras de banda desenhada de sempre: Astérix. Muito mais informação aqui !
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Arquitecto David Mares ganha concurso Guggenheim
David Mares venceu prémio do público em concurso do Guggenheim. O arquitecto português de 26 anos, venceu o Prémio do Público no concurso internacional de Design “Shelter Competition”, promovido pelo Museu Guggenheim de Nova Iorque, com um modelo que conjuga aço, madeira e cortiça, construído em Vale de Barris, perto de Setúbal.A proposta portuguesa reuniu 64.875 votos dos cibernautas, de acordo com a última contagem disponível, contabilizada pela Lusa.
O trabalho, que David Mares fez "numa semana de férias, era um dos dez finalistas escolhidos entre cerca de 600 participantes oriundos de 68 países.
O projecto intitulado CBS - Cork Block Shelter, foi desenhado para ser ecológico e manter uma temperatura amena perante grandes amplitudes térmicas. “Num micro-clima que vai do calor seco ao frio húmido, a aplicação da cortiça é um bom isolante térmico que também fornece isolamento acústico para dormir ou estudar”, lê-se na apreciação do projecto.
Parabéns!
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Nobel da Paz para Obama
“A diplomacia [de Obama] é fundada no conceito de que aqueles que lideram o mundo têm de o fazer tendo por base valores e atitudes que são partilhados pela maioria da população mundial”, diz o presidente do comité para o Nobel da Paz, justificando a escolha do laureado, o presidente dos EUA Barack Obama. Este é um galardão que, ao contrário de muitos outros, não é para premiar o trabalho feito, mas o que está por fazer. Barack Obama continua a criar expectativas e a ser fonte de esperança e de inspiração para o mundo, sobretudo numa altura em que o presidente está fragilizado no seu próprio país por lutar por um sistema de saúde mais justo. "Yes, we can!"
Parabéns!
BW
Parabéns!
BW
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Prémio Nobel da Literatura
O Prémio Nobel da Literatura 2009 foi atribuído à escritora alemã de origem romena Herta Müller, de 56 anos.
Com uma obra que vai da poesia ao romance, tem traduzidos em Portugal dois livros: O homem é um grande faisão sobre a terra, edições Cotovia, e A terra das ameixas verdes, publicado pela Difel.
Com uma obra que vai da poesia ao romance, tem traduzidos em Portugal dois livros: O homem é um grande faisão sobre a terra, edições Cotovia, e A terra das ameixas verdes, publicado pela Difel.
Está também traduzido para português, no Brasil, o romance O Compromisso.
Aqui fica um excerto
"As roupas de Paul no assoalho. No espelho da porta do armário aparecia o dia de hoje, e neste dia estou convocada. Então me levantei, pé direito primeiro no chão, como sempre que sou convocada. Não sei se acredito nisso, mas mal não faz.Eu gostaria de saber se com outras pessoas o cérebro é responsável pela razão e pela felicidade. Comigo, o cérebro consegue apenas formar uma pequena felicidade. Para formar uma vida, não basta. Pelo menos não para formar a minha vida. Já me ajeitei com a felicidade que tenho, embora Paul diga que não é felicidade. A cada dois dias eu digo: Estou ótima.O rosto de Paul, quieto e tranqüilo à minha frente, me encara admirado como se não importasse que temos um ao outro. Ele diz: Você está ótima porque esqueceu o que isso significa para outras pessoas. Talvez outras pessoas se refiram à vida toda, ao dizer: Estou ótimo. Eu falo apenas da minha felicidade. Paul sabe que não me ajeitei com a vida, e não quero dizer simplesmente que ainda não, que é só uma questão de tempo. Olhe para nós, diz Paul, e pare de falar em felicidade. A luz no banheiro projetava um rosto no espelho. Foi tão depressa como um punhado de farinha voa até uma vidraça. Então o rosto tornou-se uma imagem com rugas de sapo ali onde ficam os olhos, e se parecia comigo. A água escorreu quente sobre minhas mãos, meu rosto estava frio. Para mim não é novidade, ao escovar os dentes, que a pasta saia espumando de meus olhos. Sinto náusea, cuspo e paro. Desde quando passei a ser convocada separo a vida da felicidade. Quando vou ao interrogatório, tenho de deixar a felicidade em casa. Deixo-a no rosto de Paul, em torno de seus olhos, de sua boca, em sua barba por fazer. Se a gente pudesse enxergar isso, o rosto de Paul estaria recoberto por algo transparente. Sempre que tenho de ir preferiria ficar em casa, como fica o medo que não posso remover de Paul. Como a felicidade que deixo ali quando estou fora. Ele não sabe, nem suportaria saber, que minha felicidade depende do medo dele. Mas ele sabe o que qualquer um vê, que sempre que sou convocada visto a blusa verde e como uma noz. A blusa herdei de Lili, mas o nome dela vem de mim: A blusa que cresce. Se eu levar a felicidade comigo, ficarei com os nervos fracos demais. Albu diz: Para que ficar nervosa, nós estamos apenas começando.Eu nem fico nervosa, mas todos os meus nervos ressoam como o bonde que passa na rua. Dizem que, em jejum, noz é bom para os nervos e o raciocínio. Qualquer criança sabe disso, mas eu tinha esquecido. Isso não me ocorreu porque sou convocada tantas vezes, foi apenas por acaso. Hoje eu devia estar com Albu às dez em ponto, e às sete e meia já estava pronta para sair. O trajeto não dura mais do que uma hora e meia. Tiro duas horas e, se chego cedo demais, fico vagando pelas redondezas. Nunca cheguei tarde, e imagino que ali não se tolere nenhum relaxamento.Acabei comendo a noz porque às sete e meia já estava pronta. Antes também era sempre assim quando eu era convocada, mas nessa manhã havia uma noz na mesa da cozinha. Paul a encontrara no dia anterior no elevador e a metera no bolso porque não se deixa uma noz assim. Era a primeira do ano, ainda tinha fiapos úmidos da casca verde grudados. Sopesei-a na mão, era leve demais para ser uma noz nova, como se estivesse oca. Não encontrei martelo, então a abri com a pedra que antes estava no vestíbulo, mas agora fica num canto da cozinha. A semente da noz estava solta. Tinha gosto de nata azeda. Nesse dia o interrogatório foi mais breve, não fiquei nervosa e quando estava de volta na rua pensei: Foi graças àquela noz. "
Tradução: Lya Luft
Ana Soares
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