Nota histórica: os contratos de associação nasceram numa altura em que a rede das escolas públicas não chegava a todo o lado. Assim, o Estado contratualizou com escolas privadas que existiam nas regiões, pagando-lhes para receber todos os alunos. Portanto, estes não pagam mensalidades porque é o Estado que as paga, como se de uma escola pública se tratasse.
Com o passar do tempo, o Estado construiu escolas, em algumas regiões duplicou a oferta, uma vez que esta já existia. A isto devemos chamar "má gestão". Mas não é assim que a esquerda interpreta – tudo, mais cedo ou mais tarde, cai na ideologia. A isso a esquerda chama "oferta pública". Como se o que as escolas privadas fazem não fosse escrutinado pela Inspecção-Geral da Educação, como se não tivessem de dar as mesmas matérias que as públicas, como se os seus alunos não tivessem de fazer os mesmos exames.
Mas a história não fica por aqui e, paralelamente à construção de escolas públicas, o mesmo Estado – é preciso ver que este nem sempre é o mesmo porque umas vezes é o PS que o gere, outras é o PSD/CDS – autorizou mais contratos de associação em colégios ao lado de escolas públicas e mais: permitiu que novas privadas conseguissem estes mesmos contratos. Má gestão, repito.
Depois de viverem dias calmos com Nuno Crato, as escolas privadas com contratos de associação estão em alvoroço com a possibilidade de perderem os contratos, logo, o financiamento.
Há contratos que são vergonhosos, os do centro da cidade de Coimbra, com escolas públicas ao lado! O das Caldas da Rainha onde a escola pública já existente ficou às moscas desde que a privada abriu, recentemente.
Mas aqui é que está o ponto: por que está a escola pública às moscas?
E devia ser sobre isso que as públicas que querem os alunos das dos contratos de associação deviam reflectir, em vez de acharem que têm o direito porque o "ensino é público". Repito: porque está a escola pública às moscas?
Outros pontos sobre os quais podem reflectir:
O que faz a escola pública para bem receber os alunos?
O que lhes oferecer em termos de actividades extra-curriculares?
Tem um corpo docente estável e disponível para tudo?
Tem recursos físicos e humanos para que os alunos fiquem até mais tarde?
Como é a sua relação com os pais? Ouve-os, trata-os bem?
Tem transporte?
Há escolas com contratos de associação más? Há, basta olhar para os rankings e elas lá estão. Há escolas com contratos de associação que escolhem os alunos? Sim, como há públicas que o fazem, mesmo que jurem a pés juntos que não. Há escolas com contratos de associação que exploram os seus professores? Há, têm sido denunciadas pelos sindicatos.
Mas também há escolas com contratos de associação que recebem os alunos que as públicas não querem ou os que as públicas desistiram.
Um amigo do meu filho esteve numa escola com contrato de associação com uma equipa de atletismo fortíssima – ah, pois, os privados podem ter essas coisas, dirão já os invejosos. Mas os públicos não têm porquê? Porque não querem, não é por falta de condições visto que todas as escolas têm pavilhão desportivo e departamento de educação fisica.
Voltando ao amigo do meu filho. É um rapaz de uma família pobre de uma ex-colónia, de um bairro complicado, que noutra escola teria poucas possibilidades porque estaria, à partida, condenado ao insucesso. Nesta escola com contrato de associação foi integrado, a escola percebeu que o miúdo tinha jeito para o desporto, pô-lo a praticar uma modalidade que pode levá-lo longe, e, entretanto, entrou na universidade, com bolsa, conseguida com a ajuda da escola que preparou todo o processo – ah, mas as privadas têm condições que as públicas não têm, onde é que numa pública podemos ajudar os meninos a ter bolsas... Mas não existe um gabinete de acção social?
Portanto, se este miúdo não tivesse sido verdadeiramente integrado, não lhe fosse traçado um projecto de vida, provavelmente poderia fazer parte daquele grupo de 30 que queria, à força toda, comer às sete da manhã no Palácio dos Kebabs, em Santos, em Lisboa, e como não lhe foi feita a vontade destruiu e roubou.
Esses rapazes, possivelmente com o mesmo background que este miúdo, não andaram na escola? O que é que a escola fez por eles, já que as famílias nada fizeram?
Mas todas as escolas com contratos de associação são bons exemplos de integração? Claro que não! E todas as públicas são um mau exemplo? Também não. O que quero dizer é que se a escola cumprir o seu papel – se em vez de os directores estarem preocupados em agradar ao seu corpo docente, se preocuparem com os alunos e as famílias –, certamente que os pais vão querer que os filhos fiquem na pública ao lado de casa, em vez de meterem os miúdos nos autocarros para irem para a privada com contrato de associação que fica a 25 km de distância.
O desafio é deixar as leis do mercado funcionarem! Mais: se eu fosse o Ministério da Educação, em vez de apregoar que os contratos são para acabar, para gáudio da Fenprof, do PCP e do BE, punha a IGE no terreno, a reflectir com as públicas que estão às moscas e com as privadas que têm maus resultados. Porque se a rede inclui públicas e privadas, por que hão-de ser as privadas a fechar as suas turmas, só para que se mantenha o peso da máquina do Estado? Enquanto este for conivente com as suas clientelas não lhes exigindo nada em troca, a escola não muda e, por consequência, a sociedade tende a piorar.
BW
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quarta-feira, 4 de maio de 2016
terça-feira, 23 de julho de 2013
A (falta) de inteligência dos atletas
Nota prévia: Eu sou mãe de um desportista.
Diz o PÚBLICO: "Qual é o segredo para detectar um atleta acima da média? As capacidades mentais assumem um papel essencial.
Diz o PÚBLICO: "Qual é o segredo para detectar um atleta acima da média? As capacidades mentais assumem um papel essencial.
Um desportista de topo não se reduz às suas capacidades físicas e ao talento com que foi favorecido pela natureza. Há cada vez mais literatura científica, produzida por especialistas de diferentes áreas de estudo a partir de testes práticos, a explorar a importância das competências intelectuais na prestação desportiva de alto nível. E as conclusões tendem a contrariar alguns preconceitos: cérebro e músculos são tudo menos incompatíveis." Leia mais aqui
Quando ouvimos um futebolista falar arrepiamo-nos. Os atletas são todos assim? Não sabem conjugar os verbos? Desconhecem o significado das palavras? Muitas vezes, a resposta é sim. Não estudaram. Não tiveram tempo para estudar. Desistiram da escola quando eram miúdos e se podia desistir antes dos 12 anos de escolaridade obrigatória.
Quem quer abraçar um desporto a sério tem de abdicar de muitas coisas: de festas, de saídas com os amigos, mas também de horas para estudar - algo incompreensível para os professores. Quando as aulas terminaram e fomos ver as pautas uma professora disse-me que ele era "mandrião". Com um sorriso respondi-lhe que ele trabalhava imenso e que não ia ter férias porque se estava a preparar para participar em várias provas. E a docente rematou: "Descanse que ele tem muitas férias durante o ano [lectivo]". Não insisti.
As aulas acabaram há um mês e ele ainda não parou de treinar. Continua a levantar-se de madrugada para o fazer. Em tempo de escola, as suas semanas podem ter 50 horas de trabalho, entre treinos e aulas. Incompreensível para os professores que o comparam aos outros, os que vão às aulas, voltam para casa e saem para ir às explicações.
Há provas nacionais e internacionais. Cada vez que sai do país, vai vestido com um equipamento que representa Portugal. São as cores da bandeira que fazem os seus fatos de corrida e de natação. É a abreviatura "POR" que está colada nas suas costas no fato de esgrima. Ele é Portugal na Polónia, em Inglaterra, na Bielorússia, na República Checa, em Espanha... em todos os países onde participa numa prova; onde dá tudo por tudo para subir lugares no ranking.
Há provas em tempo de férias. Há provas em tempo de aulas e, porque tem o estatuto de atleta de alta competição a escola é obrigada a fazer-lhe os testes ou entrega de trabalhos noutra altura quando aquelas batem com as datas das provas. Uma benesse, acreditam uns professores. Uma trabalheira, pensam outros, convencidos que estão que ele é um mandrião, que não faz nada. Faz, mesmo na escola. Não é aluno de 20? Não. Há outros na mesma situação que ele que conseguem ter 20? Há. É daqueles cuja inteligência permite não estudar e ter testes positivos só com o que ouviu na aula. Se estudasse seria um excelente aluno, acredito.
Ele não é único. A mãe de uma atleta contou-me que pediu à escola para colocar a filha numa turma da manhã por causa dos treinos. A miúda foi posta à tarde. Outra mãe pediu à directora de turma para adiar um teste porque naquele dia o filho ia para uma prova fora, o pedido foi ignorado.
Se fosse nos EUA, em Inglaterra ou mesmo na vizinha Espanha, estes miúdos estariam numa escola com outros atletas, com professores que compreendem que um miúdo que acorda às seis da manhã não é igual a outro que acorda às 7h30 para entrar nas aulas às 8h15. O país não investe no desporto, como não investe em nada – é inacreditável o investimento que os países de Leste continuam a fazer nos seus atletas, com treinos integrados e articulados com a escola desde que eles são pequenos. A escola portuguesa também não se sente na obrigação de tratar estes alunos de maneira diferente, aliás, como não trata nenhum dos outros de modo diferente, os alunos é que têm de se adaptar à escola, à escola das massas, da uniformização.
E sim, é preciso ser inteligente para gerir horários da escola e dos treinos; para gerir quando se deve fazer muito ou pouco esforço; para conhecer os adversários, os seus pontos fortes e fracos; para saber quando fazer a prova com mais calma ou com mais velocidade; para fazer cálculos matemáticos (quantos pontos preciso para alcançar o meu adversário? quantos segundos tenho de diminuir à minha corrida?); para planear. É preciso ter maturidade para sair do país com o treinador e não com a família; para gerir a frustração de não ser o melhor; para controlar o ego quando se é o melhor. É preciso ter responsabilidade para saber dizer 'não'.
B
Quando ouvimos um futebolista falar arrepiamo-nos. Os atletas são todos assim? Não sabem conjugar os verbos? Desconhecem o significado das palavras? Muitas vezes, a resposta é sim. Não estudaram. Não tiveram tempo para estudar. Desistiram da escola quando eram miúdos e se podia desistir antes dos 12 anos de escolaridade obrigatória.
Quem quer abraçar um desporto a sério tem de abdicar de muitas coisas: de festas, de saídas com os amigos, mas também de horas para estudar - algo incompreensível para os professores. Quando as aulas terminaram e fomos ver as pautas uma professora disse-me que ele era "mandrião". Com um sorriso respondi-lhe que ele trabalhava imenso e que não ia ter férias porque se estava a preparar para participar em várias provas. E a docente rematou: "Descanse que ele tem muitas férias durante o ano [lectivo]". Não insisti.
As aulas acabaram há um mês e ele ainda não parou de treinar. Continua a levantar-se de madrugada para o fazer. Em tempo de escola, as suas semanas podem ter 50 horas de trabalho, entre treinos e aulas. Incompreensível para os professores que o comparam aos outros, os que vão às aulas, voltam para casa e saem para ir às explicações.
Há provas nacionais e internacionais. Cada vez que sai do país, vai vestido com um equipamento que representa Portugal. São as cores da bandeira que fazem os seus fatos de corrida e de natação. É a abreviatura "POR" que está colada nas suas costas no fato de esgrima. Ele é Portugal na Polónia, em Inglaterra, na Bielorússia, na República Checa, em Espanha... em todos os países onde participa numa prova; onde dá tudo por tudo para subir lugares no ranking.
Há provas em tempo de férias. Há provas em tempo de aulas e, porque tem o estatuto de atleta de alta competição a escola é obrigada a fazer-lhe os testes ou entrega de trabalhos noutra altura quando aquelas batem com as datas das provas. Uma benesse, acreditam uns professores. Uma trabalheira, pensam outros, convencidos que estão que ele é um mandrião, que não faz nada. Faz, mesmo na escola. Não é aluno de 20? Não. Há outros na mesma situação que ele que conseguem ter 20? Há. É daqueles cuja inteligência permite não estudar e ter testes positivos só com o que ouviu na aula. Se estudasse seria um excelente aluno, acredito.
Ele não é único. A mãe de uma atleta contou-me que pediu à escola para colocar a filha numa turma da manhã por causa dos treinos. A miúda foi posta à tarde. Outra mãe pediu à directora de turma para adiar um teste porque naquele dia o filho ia para uma prova fora, o pedido foi ignorado.
Se fosse nos EUA, em Inglaterra ou mesmo na vizinha Espanha, estes miúdos estariam numa escola com outros atletas, com professores que compreendem que um miúdo que acorda às seis da manhã não é igual a outro que acorda às 7h30 para entrar nas aulas às 8h15. O país não investe no desporto, como não investe em nada – é inacreditável o investimento que os países de Leste continuam a fazer nos seus atletas, com treinos integrados e articulados com a escola desde que eles são pequenos. A escola portuguesa também não se sente na obrigação de tratar estes alunos de maneira diferente, aliás, como não trata nenhum dos outros de modo diferente, os alunos é que têm de se adaptar à escola, à escola das massas, da uniformização.
E sim, é preciso ser inteligente para gerir horários da escola e dos treinos; para gerir quando se deve fazer muito ou pouco esforço; para conhecer os adversários, os seus pontos fortes e fracos; para saber quando fazer a prova com mais calma ou com mais velocidade; para fazer cálculos matemáticos (quantos pontos preciso para alcançar o meu adversário? quantos segundos tenho de diminuir à minha corrida?); para planear. É preciso ter maturidade para sair do país com o treinador e não com a família; para gerir a frustração de não ser o melhor; para controlar o ego quando se é o melhor. É preciso ter responsabilidade para saber dizer 'não'.
B
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Não há Educação para a Cidadania e outras no 1.º ciclo
Vivia com a mulher e o filho adolescente numa casa arrendada. Antes de fechar a porta e entregar a chave ao senhorio, tirou os candeeiros, as torneiras e pequenos móveis que já estavam na casa antes de ali ter entrado. Não eram dele, nem da mulher, nem do filho. Eram do senhorio.
Um destes dias, o filho adolescente - que presenciou e ajudou o pai a tirar todas essas coisas da casa - há-de ser preso porque será apanhado a roubar mais do que torneiras ou candeeiros. Nesse dia, o pai e a mãe hão-de levar as mãos às cabeças e exclamar: "Mas como é que isto nos aconteceu, se sempre lhe demos tudo?"
Tudo menos educação pelo exemplo.
Lembrei-me desta história verídica ao ler que as áreas não disciplinares vão desaparecer do 1.º ciclo. A Educação para a Cidadania, a Área Projecto e o Estudo Acompanhado vão deixar de existir num país onde os professores se queixam da falta de educação dos pais.
A escola de Nuno Crato é a escola da excelência, do aprender a ler, escrever e contar e a escola tem de ser muito mais do que isso porque este não é um país de doutores.
BW
Um destes dias, o filho adolescente - que presenciou e ajudou o pai a tirar todas essas coisas da casa - há-de ser preso porque será apanhado a roubar mais do que torneiras ou candeeiros. Nesse dia, o pai e a mãe hão-de levar as mãos às cabeças e exclamar: "Mas como é que isto nos aconteceu, se sempre lhe demos tudo?"
Tudo menos educação pelo exemplo.
Lembrei-me desta história verídica ao ler que as áreas não disciplinares vão desaparecer do 1.º ciclo. A Educação para a Cidadania, a Área Projecto e o Estudo Acompanhado vão deixar de existir num país onde os professores se queixam da falta de educação dos pais.
A escola de Nuno Crato é a escola da excelência, do aprender a ler, escrever e contar e a escola tem de ser muito mais do que isso porque este não é um país de doutores.
BW
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sexta-feira, 28 de junho de 2013
E quando a educação não é a minha preocupação...
... transformo-me em editora de Life&Style! Passei uma semana a escrever e a mandar escrever sobre moda (quem me conhece sabe que esta não é uma área que me preocupe...), bem-estar (ui), gastronomia (hum...), pessoas (blerc!) e famílias e relações! Claro que esta última foi a área mais explorada de segunda a sexta-feira!
Peçam-me temas sobre famílias e eu deito-os por todos os poros! Afinal tem tudo a ver com educação!
É espreitar!
Bom fim-de-semana!
B
Peçam-me temas sobre famílias e eu deito-os por todos os poros! Afinal tem tudo a ver com educação!
É espreitar!
Bom fim-de-semana!
B
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
A greve dos professores
O que me faria fazer greve, se eu fosse professora?
A mobilidade, o não querer ser despedida, o não querer trabalhar mais horas porque já trabalho muitas, o não querer ter mais alunos por sala.
Se fosse professora no privado também teria argumentos para aderir à greve: a proposta é que trabalhe mais horas por menos dinheiro.
Mas estas não são as únicas razões que me levariam à greve. Há outras.
O retrocesso que as metas introduzem, o discurso passadista do ministro na defesa da memorização contra o aprender e o gostar de aprender - queremos alunos a debitar ou alunos a pensar? é mais confortável tê-los a debitar, eu sei, mas é com debitadores que se constrói uma sociedade democrática?
O querer uma escola inclusiva e para todos, educação cívica, educação artística, educação visual e tecnológica, educação física a contar para a média, um Plano Nacional de Leitura e uma Rede de Bibliotecas Escolares a funcionar condignamente, o querer uma escola com projectos, com clubes e ateliers. Em suma, lutaria por uma escola de qualidade com tudo e com todos.
Apesar de todas estas razões há uma só que me levaria a pensar na não adesão à greve: os alunos.
Se eu fosse professora tinha estado um ano inteiro a trabalhar com os meus alunos, a avaliá-los continuamente e agora não lhes dava as notas finais? Tinha estado um ano lectivo, um ciclo, a prepará-los para responder aos exames e negava-lhes a oportunidade de os fazerem? Falhava com eles e falhava comigo?
Uma greve que envolve estudantes não é o mesmo que uma greve de transportes. Se não houver metro, vou de carro ou trabalho a partir de casa.
Uma greve às avaliações e aos exames é dar razão a um ministro que diz que os professores estão a usar os alunos como escudos. É voltar a por a sociedade toda contra os professores, tal como aconteceu com a avaliação. É mostrar que, de facto, os professores só estão preocupados com as suas carreiras e mais nada, mesmo que digam que é a qualidade da escola pública e os alunos que os faz marcar greve, ninguém acredita porque os professores existem para ensinar, para avaliar, para examinar e para corrigir os exames. De quem? Dos estudantes. E se estão a fazer greve, estão a anular-se.
BW
A mobilidade, o não querer ser despedida, o não querer trabalhar mais horas porque já trabalho muitas, o não querer ter mais alunos por sala.
Se fosse professora no privado também teria argumentos para aderir à greve: a proposta é que trabalhe mais horas por menos dinheiro.
Mas estas não são as únicas razões que me levariam à greve. Há outras.
O retrocesso que as metas introduzem, o discurso passadista do ministro na defesa da memorização contra o aprender e o gostar de aprender - queremos alunos a debitar ou alunos a pensar? é mais confortável tê-los a debitar, eu sei, mas é com debitadores que se constrói uma sociedade democrática?
O querer uma escola inclusiva e para todos, educação cívica, educação artística, educação visual e tecnológica, educação física a contar para a média, um Plano Nacional de Leitura e uma Rede de Bibliotecas Escolares a funcionar condignamente, o querer uma escola com projectos, com clubes e ateliers. Em suma, lutaria por uma escola de qualidade com tudo e com todos.
Apesar de todas estas razões há uma só que me levaria a pensar na não adesão à greve: os alunos.
Se eu fosse professora tinha estado um ano inteiro a trabalhar com os meus alunos, a avaliá-los continuamente e agora não lhes dava as notas finais? Tinha estado um ano lectivo, um ciclo, a prepará-los para responder aos exames e negava-lhes a oportunidade de os fazerem? Falhava com eles e falhava comigo?
Uma greve que envolve estudantes não é o mesmo que uma greve de transportes. Se não houver metro, vou de carro ou trabalho a partir de casa.
Uma greve às avaliações e aos exames é dar razão a um ministro que diz que os professores estão a usar os alunos como escudos. É voltar a por a sociedade toda contra os professores, tal como aconteceu com a avaliação. É mostrar que, de facto, os professores só estão preocupados com as suas carreiras e mais nada, mesmo que digam que é a qualidade da escola pública e os alunos que os faz marcar greve, ninguém acredita porque os professores existem para ensinar, para avaliar, para examinar e para corrigir os exames. De quem? Dos estudantes. E se estão a fazer greve, estão a anular-se.
BW
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sábado, 8 de junho de 2013
Primeiro-ministro apela aos professores para que façam greve ao exame de Matemática do 6.º e 9.º anos
Há um Governo que anda perdido nos corredores do poder e que não percebe o que é o povo, o que é o país, o que é a Educação, o que é a Saúde, o que é a Segurança Social... não percebe nada!
Há um ministro das Finanças que culpa o tempo atmosférico, a chuva, pela queda do investimento e diz, com desfaçatez – por cima dos milhares de desempregados, por cima dos impostos a que sujeita os que ainda trabalham, por cima das contribuições a que tem sujeito os pensionistas – que aprende com os seus erros. Eu também aprendo com os meus erros, mas os meus prejudicam-me a mim, talvez à minha família ou às pessoas que me rodeiam e pouco mais. Os erros de Vítor Gaspar, são os erros que nos prejudicam a todos, um país inteiro. Mas, aparentemente o ministro dorme descansado e, já se sabe, vai passar a levar o Borda d'Água para o Parlamento, para os Conselhos de Ministros, para a Europa, para justificar os seus erros.
Há um primeiro-ministro que pede, encarecidamente, aos professores que façam greve! Sim, senhores professores façam greve, mas não façam agora... façam quando toda a função pública fizer, se faz favor!
Há um primeiro-ministro que não sabe – o ministro da Educação não o informou, está visto – que no dia 27, o dia da greve geral, é dia de exame de Matemática para os 6.º e 9.º anos. É o dia em que cerca de 200 mil alunos vão responder a exame nacional da disciplina mais querida do ministro da Educação. São só 200 mil!
Há um primeiro-ministro que não sabe que uma greve geral é a mãe de todas as greves, é a maior greve, é a forma de luta mais importante, mais significativa, que mais claramente transmite o que os trabalhadores exigem, que, caso seja mesmo geral, prejudica um país inteiro.
Ignorância? Incompetência? Autismo?
BW
Há um ministro das Finanças que culpa o tempo atmosférico, a chuva, pela queda do investimento e diz, com desfaçatez – por cima dos milhares de desempregados, por cima dos impostos a que sujeita os que ainda trabalham, por cima das contribuições a que tem sujeito os pensionistas – que aprende com os seus erros. Eu também aprendo com os meus erros, mas os meus prejudicam-me a mim, talvez à minha família ou às pessoas que me rodeiam e pouco mais. Os erros de Vítor Gaspar, são os erros que nos prejudicam a todos, um país inteiro. Mas, aparentemente o ministro dorme descansado e, já se sabe, vai passar a levar o Borda d'Água para o Parlamento, para os Conselhos de Ministros, para a Europa, para justificar os seus erros.
Há um primeiro-ministro que pede, encarecidamente, aos professores que façam greve! Sim, senhores professores façam greve, mas não façam agora... façam quando toda a função pública fizer, se faz favor!
Há um primeiro-ministro que não sabe – o ministro da Educação não o informou, está visto – que no dia 27, o dia da greve geral, é dia de exame de Matemática para os 6.º e 9.º anos. É o dia em que cerca de 200 mil alunos vão responder a exame nacional da disciplina mais querida do ministro da Educação. São só 200 mil!
Há um primeiro-ministro que não sabe que uma greve geral é a mãe de todas as greves, é a maior greve, é a forma de luta mais importante, mais significativa, que mais claramente transmite o que os trabalhadores exigem, que, caso seja mesmo geral, prejudica um país inteiro.
Ignorância? Incompetência? Autismo?
BW
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sexta-feira, 17 de maio de 2013
"Dorme, bebé" de Eduardo Sá
O primeiro livro chama-se Dorme, Bebé e são dicas e conselhos para um soninho descansado.
Eduardo Sá condescende que o bebé saia da cama dos pais até aos quatro meses e que entre os oito e os 12 deve mesmo sair do quarto dos pais. E alerta: "O sono de um bebé não pode ter o protagonismo exagerado que, nalgumas famílias, acaba por ter".
A ilustração, linda e romântica, está a cargo de Carla Nazareth.
Os próximos títulos são: Birras, Manhas e Manias; Viva a Escola! e O rei na barriga.
BW
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
25 de Abril e a educação
Não combinaram, um mais pragmático, outro mais poético, mas ambos falam das conquistas de Abril na área da Educação. A verdade é que Maria de Lurdes Rodrigues e José Morgado tocam no ponto: não queremos a escola de antigamente e a educação é melhor hoje do que antes do 25 de Abril de 1974. Eu acrescentaria que é preciso continuar a lutar por uma escola inclusiva com todos e para todos!
BW
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quinta-feira, 18 de abril de 2013
Calendário do próximo ano lectivo prevê três semanas de férias de Natal
A proposta do Ministério da Educação e Ciência é que o calendário do próximo ano lectivo seja uma maluqueira: três semanas de férias de Natal e 30 dias de aulas no 3.º período. O desatino continua com o programa de Matemática com o qual nem a própria Sociedade Portuguesa de Matemática, da qual o ministro foi presidente, concorda. Eu fiquei abismada e tive de ler a notícia outra vez para confirmar que a SPM considerava que o novo programa vai provocar "uma agitação desnecessária" nas escolas. E, por último e, mais uma vez, o exame do 4.º ano: lá vão os meninos do privado para a escola pública fazer o exame, não vão os malvados dos seus professores soprar-lhes as respostas. É um retrocesso que faz lembrar o Estado Novo quando os alunos do privado iam fazer os exames ao liceu.
BW
BW
quinta-feira, 11 de abril de 2013
A culpa e o conformismo
Pela primeira vez o relatório sobre o Estado da Educação, promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), relaciona os resultados dos alunos com a sua situação social. Não espanta que venha confirmar que os mais pobres tenham piores resultados.
Na SIC, a repórter vai à básica de Vialonga – uma escola de "sucesso" pelas boas práticas que tem implementado, como a Orquestra Gerações, por exemplo –, e fala com uma mãe e com uma aluna que vai chumbar porque a mãe não tem dinheiro para o passe, para que a rapariga chegue à escola. Os colegas não sabem, diz a aluna, as desculpas que inventa são que está doente, que não lhe apetece... e assim, por causa da vergonha da pobreza e por não ter outros apoios financeiros se reprova.
Na RTP Informação os comentadores de serviço são Teresinha Anjinho, deputada do CDS-PP, e Miguel Laranjeira, do PS. Quando este começa a falar do relatório, da educação, do futuro de um país que não aposta na educação, Teresinha Anjinho (a senhora chama-se mesmo assim?) olha-o com um ar de complacência e com uma vozinha baixa vai perguntando insistentemente: "Mas porquê, senhor deputado? Porquê?" e responde em tom conformado "Porque o PS nos deixou neste estado".
Minha senhorinha deputadinha, já não há pachorra para o "a culpa é do PS"!
Sim, o PS deixou-nos na penúria mas o Parque Escolar foi uma festa, os Magalhães e os Toshiba foram outra festa, assim como o passe para os menores de 23 anos (a metade do preço) e a acção social foram festas. Tudo medidas apostadas na melhoria da qualidade de vida dos alunos, para que estes tenham mais e melhores oportunidades. Em vez disso, em que é que o PSD e o CDS-PP estão apostados? No castigo dos pobres, que levantavam a cabeça e sonhavam em dar cursos aos filhos. Cortaram-se os passes, cortou-se na acção social, menos alunos chegam às escolas e a culpa não é do Governo que tomou estas medidas, acredita a deputada centrista, é do PS.
Teresinha Anjinho com o seu arzinho compungido e conformado, sem uma resposta que vislumbrasse alternativas, sem uma proposta, mas a repetir a cassete do Governo, fez-me lembrar aquelas senhoras à saída da missa: "Pois, nem todos podem chegar a doutores, onde é que isso já se viu? Há por aí muito trabalho honesto... Olhe, não pode estudar, paciência... vá trabalhar, olhe, eu ando à procura de uma empregada doméstica e nem vê-la... Para quê porem-se com sonhos, com a mania das grandezas, cada um tem o seu lugar."
BW
Na SIC, a repórter vai à básica de Vialonga – uma escola de "sucesso" pelas boas práticas que tem implementado, como a Orquestra Gerações, por exemplo –, e fala com uma mãe e com uma aluna que vai chumbar porque a mãe não tem dinheiro para o passe, para que a rapariga chegue à escola. Os colegas não sabem, diz a aluna, as desculpas que inventa são que está doente, que não lhe apetece... e assim, por causa da vergonha da pobreza e por não ter outros apoios financeiros se reprova.
Na RTP Informação os comentadores de serviço são Teresinha Anjinho, deputada do CDS-PP, e Miguel Laranjeira, do PS. Quando este começa a falar do relatório, da educação, do futuro de um país que não aposta na educação, Teresinha Anjinho (a senhora chama-se mesmo assim?) olha-o com um ar de complacência e com uma vozinha baixa vai perguntando insistentemente: "Mas porquê, senhor deputado? Porquê?" e responde em tom conformado "Porque o PS nos deixou neste estado".
Minha senhorinha deputadinha, já não há pachorra para o "a culpa é do PS"!
Sim, o PS deixou-nos na penúria mas o Parque Escolar foi uma festa, os Magalhães e os Toshiba foram outra festa, assim como o passe para os menores de 23 anos (a metade do preço) e a acção social foram festas. Tudo medidas apostadas na melhoria da qualidade de vida dos alunos, para que estes tenham mais e melhores oportunidades. Em vez disso, em que é que o PSD e o CDS-PP estão apostados? No castigo dos pobres, que levantavam a cabeça e sonhavam em dar cursos aos filhos. Cortaram-se os passes, cortou-se na acção social, menos alunos chegam às escolas e a culpa não é do Governo que tomou estas medidas, acredita a deputada centrista, é do PS.
Teresinha Anjinho com o seu arzinho compungido e conformado, sem uma resposta que vislumbrasse alternativas, sem uma proposta, mas a repetir a cassete do Governo, fez-me lembrar aquelas senhoras à saída da missa: "Pois, nem todos podem chegar a doutores, onde é que isso já se viu? Há por aí muito trabalho honesto... Olhe, não pode estudar, paciência... vá trabalhar, olhe, eu ando à procura de uma empregada doméstica e nem vê-la... Para quê porem-se com sonhos, com a mania das grandezas, cada um tem o seu lugar."
BW
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domingo, 7 de abril de 2013
A falta de educação nos anúncios dos bancos
Há dois anúncios a dois produtos bancários, que ouço na rádio, que me deixam irritada.
1. Uma mãe anuncia ao filho que abriu uma conta para ele e que se trata de um produto fantástico. O som é o de uma criança a jogar no computador, no tablet ou na psp e as respostas do filho indicam que está a jogar e está alheado ao blá, blá, blá da mãe.
O rapaz vai respondendo: "boa", "fixe", "tenho de fazer um like". Qualquer coisa como: "Sim, mãe, estou a borrifar-me para o que estás a dizer porque estou concentrado no jogo, não vês? Estás para aí a dizer que vais por dinheiro no banco mas eu não quero saber disso para nada, não é essa a tua obrigação? Vá, eu vou lá fazer um like..."
2. Um pai conversa com um filho adulto e pergunta-lhe, com uma voz simpática e que revela preocupação, se o filho tem poupado. O filho vai respondendo com arrogância. "Poupança?! Não..." e explica o produto bancário por que optou. O bondoso e ingénuo do pai ainda diz, quase a medo "Mas isso é poupar...". Ao que o arrogante responde qualquer coisa que na minha cabeça me soa a "ó pai, tu és mesmo estúpido!" e o pai ainda se ri, naquele riso de desconforto de quem não sabe se há-de dar um estalo, se ignorar a má educação.
O que se passa com os publicitários? É a esta a realidade nas suas casas? Ou nas casas dos banqueiros? Ou estão convencidos que é assim nas casas das classes médias e média-alta, as únicas que ainda serão capazes de fazer poupanças?
BW
1. Uma mãe anuncia ao filho que abriu uma conta para ele e que se trata de um produto fantástico. O som é o de uma criança a jogar no computador, no tablet ou na psp e as respostas do filho indicam que está a jogar e está alheado ao blá, blá, blá da mãe.
O rapaz vai respondendo: "boa", "fixe", "tenho de fazer um like". Qualquer coisa como: "Sim, mãe, estou a borrifar-me para o que estás a dizer porque estou concentrado no jogo, não vês? Estás para aí a dizer que vais por dinheiro no banco mas eu não quero saber disso para nada, não é essa a tua obrigação? Vá, eu vou lá fazer um like..."
2. Um pai conversa com um filho adulto e pergunta-lhe, com uma voz simpática e que revela preocupação, se o filho tem poupado. O filho vai respondendo com arrogância. "Poupança?! Não..." e explica o produto bancário por que optou. O bondoso e ingénuo do pai ainda diz, quase a medo "Mas isso é poupar...". Ao que o arrogante responde qualquer coisa que na minha cabeça me soa a "ó pai, tu és mesmo estúpido!" e o pai ainda se ri, naquele riso de desconforto de quem não sabe se há-de dar um estalo, se ignorar a má educação.
O que se passa com os publicitários? É a esta a realidade nas suas casas? Ou nas casas dos banqueiros? Ou estão convencidos que é assim nas casas das classes médias e média-alta, as únicas que ainda serão capazes de fazer poupanças?
BW
quarta-feira, 20 de março de 2013
Os exames de antigamente
Ana Maria Bénard da Costa está aposentada mas trabalhou durante muitos anos no Ministério da Educação, é de lá que a conheço, de defender e de implementar a Educação Inclusiva, a declaração de Salamanca nas escolas, com o objectivo de ter uma escola para todos. As crianças com necessidades educativas especiais na mesma sala de aula que as outras, para bem de todos, para a educação para a cidadania (dos que não têm dificuldades) e para a educação real (dos que têm). Hoje está ligada à Rede Inclusão. Hoje escreveu um texto no PÚBLICO sobre a sua experiência nos exames do liceu, mais do que a recordação, o importante é a reflexão que faz.
BW
BW
quarta-feira, 13 de março de 2013
Lisboa está tão longe
Na noite de segunda-feira estive na residência universitária dos Montes Claros, em Lisboa, a conversar com um grupo de quase três dezenas de jovens universitários, das mais variadas áreas. Rapazes interessados, empenhados, curiosos, com ideias próprias, com certezas e com argumentos para as defender. O mote era os "Dramas do Ensino em Portugal" e conversámos sobre uma série de temas. Da educação inclusiva – "concorda que os alunos do ensino especial estejam na mesma sala que os outros?" – ao ensino diferenciado – "o que pensa sobre rapazes e raparigas terem aulas separados?", passando pelo cheque-ensino, pela liberdade de educação, pela autonomia das escolas, pela liberdade de não estudar – "concorda que o Estado obrigue a que se façam 12 anos de escolaridade?". Falou-se do ensino alemão e da necessidade (ou não) dos nossos alunos terem mais disciplinas no secundário, de modo a que adiem a escolha que actualmente fazem no 9.º ano.
No final, depois das despedidas ainda vieram dois estudantes fazer mais uma ou duas perguntas e uma tocou-me: "O que posso fazer, sendo um membro exterior à escola, não sendo professor, não pertencendo ao Governo, para melhorar a educação?".
Na manhã seguinte, terça-feira, estou na EB 2, 3 de Pegões, uma zona rural do outro lado do Tejo. São alunos do 7.º, 8.º e 9.º anos para ouvir falar do Olimpvs.net.
Estão atentos, sossegados, mas são pouco curiosos, desinteressados, fazem poucas perguntas, há momentos de silêncio quase incómodo entre o terminar de uma resposta (minha) e uma nova pergunta (deles). Não têm hábitos de leitura regulares, explica a professora bibliotecária, uma mulher motivadíssima, cheia de ideias que põe em prática para que os alunos e as suas famílias leiam. Há alunos que a primeira vez que vão ao Montijo, a sede do concelho, a 30 quilómetros, é com a escola. Há alunos que a primeira vez que passam a ponte Vasco da Gama é com a escola, revela, no final das duas sessões.
E é nestas alturas que eu admiro mais ainda a escola e os professores.
De volta aos Montes Claros e à pergunta sobre se as famílias deviam ter liberdade para decidir se querem que os filhos façam o 12.º ano ou não, porque pode haver alunos que queiram ajudar os pais, por exemplo, argumenta o universitário. Não. Acho que o Governo socialista fez bem em ter prolongado a escolaridade para os 12 anos porque quanto mais tempo as pessoas estiverem na escola, mais vão viver, mais vão aprender, mais vão ser. Agora, é um facto que a oferta tem de ser, verdadeiramente, diversificada. Ou seja, é preciso existirem mais cursos profissionais que preparem para profissões reais e é preciso perdermos a vergonha de dizer "o meu filho está no curso profissional".
Quando se fala de um ensino mais abrangente no secundário. Sim, é uma boa sugestão, a maior parte dos alunos não está preparado para decidir aos 14 anos. Mas a verdade é que o ensino já é acusado de ser extenso no 3.º ciclo precisamente por ter tantas disciplinas.
Quando me perguntam sobre a educação inclusiva. Sim, sou completamente a favor que a criança com deficiência cognitva esteja na mesma sala desde que salvaguardados os seus direitos e os direitos dos que conseguem aprender. É até uma questão humana, de cidadania, de aprendizagem a viver com o outro que é diferente e que existe.
Quando me perguntam sobre o ensino diferenciado. Porque não? De facto e está provado, as raparigas amadurecem mais cedo do que os rapazes, podem perfeitamente estar sozinhas numa sala de aula com um professor e os rapazes noutra, desde que se encontrem no recreio, na cantina, nos espaços comuns, porque é importante crescer ao lado do sexo oposto.
Mas todas estas questões, válidas e pertinentes, não são os reais "Dramas do Ensino em Portugal". Estão longe do país real, o país onde a 30 quilómetros da ponte não a atravessamos porque os nossos pais não podem, nem sabem por que hão-de atravessá-la, porque não têm curiosidade ou possibilidade de o fazer. É por causa de todos os meninos que ficam longe das sedes de concelho, das capitais de distrito, da capital do país; é por causa dos meninos que mesmo perto estão longe, que as áreas não curriculares são importantes, que o Magalhães é importante, que o ter uma boa escola com óptimas instalações é importante. Em resumo, que investir na educação é importante porque o país continua a ser demasiado assimétrico.
BW
No final, depois das despedidas ainda vieram dois estudantes fazer mais uma ou duas perguntas e uma tocou-me: "O que posso fazer, sendo um membro exterior à escola, não sendo professor, não pertencendo ao Governo, para melhorar a educação?".
Na manhã seguinte, terça-feira, estou na EB 2, 3 de Pegões, uma zona rural do outro lado do Tejo. São alunos do 7.º, 8.º e 9.º anos para ouvir falar do Olimpvs.net.Estão atentos, sossegados, mas são pouco curiosos, desinteressados, fazem poucas perguntas, há momentos de silêncio quase incómodo entre o terminar de uma resposta (minha) e uma nova pergunta (deles). Não têm hábitos de leitura regulares, explica a professora bibliotecária, uma mulher motivadíssima, cheia de ideias que põe em prática para que os alunos e as suas famílias leiam. Há alunos que a primeira vez que vão ao Montijo, a sede do concelho, a 30 quilómetros, é com a escola. Há alunos que a primeira vez que passam a ponte Vasco da Gama é com a escola, revela, no final das duas sessões.
E é nestas alturas que eu admiro mais ainda a escola e os professores.
De volta aos Montes Claros e à pergunta sobre se as famílias deviam ter liberdade para decidir se querem que os filhos façam o 12.º ano ou não, porque pode haver alunos que queiram ajudar os pais, por exemplo, argumenta o universitário. Não. Acho que o Governo socialista fez bem em ter prolongado a escolaridade para os 12 anos porque quanto mais tempo as pessoas estiverem na escola, mais vão viver, mais vão aprender, mais vão ser. Agora, é um facto que a oferta tem de ser, verdadeiramente, diversificada. Ou seja, é preciso existirem mais cursos profissionais que preparem para profissões reais e é preciso perdermos a vergonha de dizer "o meu filho está no curso profissional".
Quando se fala de um ensino mais abrangente no secundário. Sim, é uma boa sugestão, a maior parte dos alunos não está preparado para decidir aos 14 anos. Mas a verdade é que o ensino já é acusado de ser extenso no 3.º ciclo precisamente por ter tantas disciplinas.
Quando me perguntam sobre a educação inclusiva. Sim, sou completamente a favor que a criança com deficiência cognitva esteja na mesma sala desde que salvaguardados os seus direitos e os direitos dos que conseguem aprender. É até uma questão humana, de cidadania, de aprendizagem a viver com o outro que é diferente e que existe.
Quando me perguntam sobre o ensino diferenciado. Porque não? De facto e está provado, as raparigas amadurecem mais cedo do que os rapazes, podem perfeitamente estar sozinhas numa sala de aula com um professor e os rapazes noutra, desde que se encontrem no recreio, na cantina, nos espaços comuns, porque é importante crescer ao lado do sexo oposto.
Mas todas estas questões, válidas e pertinentes, não são os reais "Dramas do Ensino em Portugal". Estão longe do país real, o país onde a 30 quilómetros da ponte não a atravessamos porque os nossos pais não podem, nem sabem por que hão-de atravessá-la, porque não têm curiosidade ou possibilidade de o fazer. É por causa de todos os meninos que ficam longe das sedes de concelho, das capitais de distrito, da capital do país; é por causa dos meninos que mesmo perto estão longe, que as áreas não curriculares são importantes, que o Magalhães é importante, que o ter uma boa escola com óptimas instalações é importante. Em resumo, que investir na educação é importante porque o país continua a ser demasiado assimétrico.
BW
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segunda-feira, 11 de março de 2013
Encontro na residência Montes Claros, em Lisboa
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Portugal e os judeus
Segunda e terça-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, debateu-se sobre Portugal e o Holocausto e foi conhecido um projecto interessante que um grupo de alunos do secundário fez na extinta Área Projecto. Lembrou-me a visita ao Museu do Holocausto, em Washington, onde um pequeno folheto com um rosto e um nome nos ajudava a ver a exposição e onde ficávamos a saber o destino daquela pessoa.
E agora, muito haveria para dizer sobre Área Projecto mas estou cansada e triste... Apetece-me só dar um argumentozinho em favor da área não curricular e do emprego dos professores – esquecendo a importância que, de facto, tinha para a construção da cidadania dos alunos – : se houvesse Área Projecto, os professores tinham os seus horários mais ocupados e haveria mais docentes nas escolas.
BW
E agora, muito haveria para dizer sobre Área Projecto mas estou cansada e triste... Apetece-me só dar um argumentozinho em favor da área não curricular e do emprego dos professores – esquecendo a importância que, de facto, tinha para a construção da cidadania dos alunos – : se houvesse Área Projecto, os professores tinham os seus horários mais ocupados e haveria mais docentes nas escolas.
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
Quando as regras mudam a meio do jogo
Ontem, na reunião de pais, a psicóloga repetiu, vezes sem conta, "se as regras não mudarem...", "até hoje, a legislação é esta, mas pode mudar...", "para já é assim...", "se nada mudar...".
"Os pais 'laranja' não devem ter gostado muito dessa conversa", reagiu o filho.
Não sei. Sei que as regras estão sempre a mudar e as escolas estão cansadas. As mudanças continuam, agora para os alunos do 12.º ano que vão fazer exames nacionais.
BW
"Os pais 'laranja' não devem ter gostado muito dessa conversa", reagiu o filho.
Não sei. Sei que as regras estão sempre a mudar e as escolas estão cansadas. As mudanças continuam, agora para os alunos do 12.º ano que vão fazer exames nacionais.
BW
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Metas curriculares
O Ministério da Educação e Ciência tornou públicas as metas curriculares para o ensino básico para as disciplinas de Português, Matemática, Educação Visual, Educação Tecnológica e Tecnologias da Informação e Comunicação. Está tudo aqui.
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terça-feira, 31 de julho de 2012
Bolsas universitárias
Para pais e filhos explorarem, recomendo uma visita ao projeto Quero estudar melhor, uma parceria Expresso / Prébuild. Há 30 bolsas para atribuir. Consulte o regulamento aqui.
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
Porque é que Educação Física é importante?
Por razões de saúde - as crianças e adolescentes portugueses são dos mais obesos da Europa. Mas não só.
Por razões económicas - os pais que não têm dinheiro para o pequeno-almoço também não têm para pôr os meninos na academia de judo ou na natação. As horas de Educação Física na escola servem para colmatar essas faltas.
Por razões vocacionais - se não forem oferecidas todas as valências na escola, da Educação Física à Educação Visual, passando pela Musical e pela Tecnológica, muitos alunos não descobrirão a sua vocação. Nem todos querem ser matemáticos e cientistas.
Por razões culturais - porque todos têm direito a saber mais do que as regras do futebol. Porque é importante sabermos ler e interpretar tudo, do filme dinamarquês às regras do ténis de mesa.
BW
Por razões económicas - os pais que não têm dinheiro para o pequeno-almoço também não têm para pôr os meninos na academia de judo ou na natação. As horas de Educação Física na escola servem para colmatar essas faltas.
Por razões vocacionais - se não forem oferecidas todas as valências na escola, da Educação Física à Educação Visual, passando pela Musical e pela Tecnológica, muitos alunos não descobrirão a sua vocação. Nem todos querem ser matemáticos e cientistas.
Por razões culturais - porque todos têm direito a saber mais do que as regras do futebol. Porque é importante sabermos ler e interpretar tudo, do filme dinamarquês às regras do ténis de mesa.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
O recreio
Estamos convencidos de que estão mais seguros em casa, que as ruas da cidade não são como eram no nosso tempo, que andar de transportes públicos lhes faz mal (não sei bem a quê, mas deve ser à sua própria segurança), que estão sempre melhor acompanhados (de preferência por nós, pelos nossos pais, por alguém a quem pagamos). Sabemos aquelas histórias horríveis que acontecem aos meninos que andam sozinhos ou mal acompanhados e contamo-las para justificarmos os nossos medos. E eles crescem à frente de écrans. Sem saberem atravessar uma rua sozinhos, tirarem um bilhete no metro, entrarem no autocarro, sem saberem estar com os outros...
BW
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