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quinta-feira, 3 de março de 2016

Falar de política ou da morte aos mais novos

«Falar da morte aos mais novos? Nem pensar. Só muitas estrelinhas no céu e outros eufemismos inventados pelas queridas avós. Falar de política? Também não! Têm tempo para crescer e descobrir quão mal anda a nossa vida e quão corruptos são os nossos governantes.»
É frequente ouvir estas perguntas e respostas. Em nada me identifico com elas. Bem sei que cada criança é única e são os pais que têm de a conhecer para saber até onde podem ir. Mas também creio firmemente que adiar um problema não é nunca uma solução. Por isso, acredito que é de evitar adiar a conversa da morte e falar de política, que são dois problemas da existência humana.

Abreviando o tema da morte, recordo apenas a naturalidade com que a minha filha disse que queria acompanhar-nos ao funeral de alguém particularmente querido aos primos. Sentiu e quis ir, pois sabia que era um momento importante. Daqueles em que temos de estar com quem amamos. Mesmo que seja só para estar.
Ele, nem pensar! Só a notícia o deixou com dores de barriga e mal disposto, sem perceber porquê, e ainda a achar que o leite estava estragado (se calhar é com ele que tenho de falar mais!).

Quanto à política, temos, a par com a escola, de lhes abrir horizontes. Dar-lhes o nosso exemplo de participação, levá-los connosco às urnas (aqui quiseram ir os dois!) e mostrar esperança neles e no futuro, ainda que, para tal, se critique o passado (ou mesmo o presente).
Para isso, deixo aqui algumas sugestões, que podem ser vir de ponto de partida para estas conversas de política: o livro Vamos a votos, do José Jorge Letria, e O meu livro de política, do ex-Presidente da República Jorge Sampaio. Não resisto ainda a incluir nesta lista o original livro de ilustrações Capital, do Afonso Cruz e editado pela Pato Lógico.
Por fim, o P3 traz-nos ainda umas sugestões em português do Brasil bem divertidas. E a Rita Pimenta conversou com Clovis Levi que é o autor brasileiro que escreve sobre a morte, a sexualidade e a ditadura.
Boas conversas!
AS

terça-feira, 23 de julho de 2013

A (falta) de inteligência dos atletas

Nota prévia: Eu sou mãe de um desportista.
Diz o PÚBLICO: "Qual é o segredo para detectar um atleta acima da média? As capacidades mentais assumem um papel essencial.
Um desportista de topo não se reduz às suas capacidades físicas e ao talento com que foi favorecido pela natureza. Há cada vez mais literatura científica, produzida por especialistas de diferentes áreas de estudo a partir de testes práticos, a explorar a importância das competências intelectuais na prestação desportiva de alto nível. E as conclusões tendem a contrariar alguns preconceitos: cérebro e músculos são tudo menos incompatíveis." Leia mais aqui

Quando ouvimos um futebolista falar arrepiamo-nos. Os atletas são todos assim? Não sabem conjugar os verbos? Desconhecem o significado das palavras? Muitas vezes, a resposta é sim. Não estudaram. Não tiveram tempo para estudar. Desistiram da escola quando eram miúdos e se podia desistir antes dos 12 anos de escolaridade obrigatória.

Quem quer abraçar um desporto a sério tem de abdicar de muitas coisas: de festas, de saídas com os amigos, mas também de horas para estudar - algo incompreensível para os professores. Quando as aulas terminaram e fomos ver as pautas uma professora disse-me que ele era "mandrião". Com um sorriso respondi-lhe que ele trabalhava imenso e que não ia ter férias porque se estava a preparar para participar em várias provas. E a docente rematou: "Descanse que ele tem muitas férias durante o ano [lectivo]". Não insisti.

As aulas acabaram há um mês e ele ainda não parou de treinar. Continua a levantar-se de madrugada para o fazer. Em tempo de escola, as suas semanas podem ter 50 horas de trabalho, entre treinos e aulas. Incompreensível para os professores que o comparam aos outros, os que vão às aulas, voltam para casa e saem para ir às explicações.

Há provas nacionais e internacionais. Cada vez que sai do país, vai vestido com um equipamento que representa Portugal. São as cores da bandeira que fazem os seus fatos de corrida e de natação. É a abreviatura "POR" que está colada nas suas costas no fato de esgrima. Ele é Portugal na Polónia, em Inglaterra, na Bielorússia, na República Checa, em Espanha... em todos os países onde participa numa prova; onde dá tudo por tudo para subir lugares no ranking.

Há provas em tempo de férias. Há provas em tempo de aulas e, porque tem o estatuto de atleta de alta competição a escola é obrigada a fazer-lhe os testes ou entrega de trabalhos noutra altura quando aquelas batem com as datas das provas. Uma benesse, acreditam uns professores. Uma trabalheira, pensam outros, convencidos que estão que ele é um mandrião, que não faz nada. Faz, mesmo na escola. Não é aluno de 20? Não. Há outros na mesma situação que ele que conseguem ter 20? Há. É daqueles cuja inteligência permite não estudar e ter testes positivos só com o que ouviu na aula. Se estudasse seria um excelente aluno, acredito.

Ele não é único. A mãe de uma atleta contou-me que pediu à escola para colocar a filha numa turma da manhã por causa dos treinos. A miúda foi posta à tarde. Outra mãe pediu à directora de turma para adiar um teste porque naquele dia o filho ia para uma prova fora, o pedido foi ignorado.

Se fosse nos EUA, em Inglaterra ou mesmo na vizinha Espanha, estes miúdos estariam numa escola com outros atletas, com professores que compreendem que um miúdo que acorda às seis da manhã não é igual a outro que acorda às 7h30 para entrar nas aulas às 8h15. O país não investe no desporto, como não investe em nada – é inacreditável o investimento que os países de Leste continuam a fazer nos seus atletas, com treinos integrados e articulados com a escola desde que eles são pequenos. A escola portuguesa também não se sente na obrigação de tratar estes alunos de maneira diferente, aliás, como não trata nenhum dos outros de modo diferente, os alunos é que têm de se adaptar à escola, à escola das massas, da uniformização.

E sim, é preciso ser inteligente para gerir horários da escola e dos treinos; para gerir quando se deve fazer muito ou pouco esforço; para conhecer os adversários, os seus pontos fortes e fracos; para saber quando fazer a prova com mais calma ou com mais velocidade; para fazer cálculos matemáticos (quantos pontos preciso para alcançar o meu adversário? quantos segundos tenho de diminuir à minha corrida?); para planear. É preciso ter maturidade para sair do país com o treinador e não com a família; para gerir a frustração de não ser o melhor; para controlar o ego quando se é o melhor. É preciso ter responsabilidade para saber dizer 'não'.
B
 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Não há Educação para a Cidadania e outras no 1.º ciclo

Vivia com a mulher e o filho adolescente numa casa arrendada. Antes de fechar a porta e entregar a chave ao senhorio, tirou os candeeiros, as torneiras e pequenos móveis que já estavam na casa antes de ali ter entrado. Não eram dele, nem da mulher, nem do filho. Eram do senhorio.
Um destes dias, o filho adolescente - que presenciou e ajudou o pai a tirar todas essas coisas da casa - há-de ser preso porque será apanhado a roubar mais do que torneiras ou candeeiros. Nesse dia, o pai e a mãe hão-de levar as mãos às cabeças e exclamar: "Mas como é que isto nos aconteceu, se sempre lhe demos tudo?"
Tudo menos educação pelo exemplo.

Lembrei-me desta história verídica ao ler que as áreas não disciplinares vão desaparecer do 1.º ciclo. A Educação para a Cidadania, a Área Projecto e o Estudo Acompanhado vão deixar de existir num país onde os professores se queixam da falta de educação dos pais.
A escola de Nuno Crato é a escola da excelência, do aprender a ler, escrever e contar e a escola tem de ser muito mais do que isso porque este não é um país de doutores.
BW

sábado, 13 de abril de 2013

"Histórias para os avós lerem aos netos"

É o título do último livro da jornalista Isabel Stilwell. O lançamento acontece no próximo sábado e na impossibilidade de estar presente, sentei-me a ler as histórias - embora na capa diga "pais não entram neste livro!".
É divertido, é comovente, é sensato - gosto pouco das avós e dos netos a tratarem-se por "você" mas é um estilo.
Gosto das várias definições que Stilwell dá à palavra "avós" e às missões que traça para eles: "São avós que aprenderam que não há desculpa para a crueldade, a má-criação, o egoísmo e a tirania, e que as crianças mais felizes são aquelas que tiveram direito a uma autoridade com amor - e estão dispostos a exercê-la."
Stilwell escreve uma "carta de uma avó feliz" e diz coisas que parecem óbvias mas que precisamos de ler para nos lembrarmos: "Há muitos, muitos anos, quando fui mãe pela primeira vez percebi rapidamente que o mundo nunca mais seria o mesmo. Mudava por dentro, na consciência de um amor absolutamente irracional e desmedido por aquela criatura, e mudava por fora, porque a verdade, verdadinha é que nunca mais se come (adeus às refeições sossegadas), pensa (seum um «ó mãeee...» que corta o fio à meada) ou dorme (meu Deus, como se sobrevive a uma, duas... dez noites de privação de sono?) da mesma maneira. O dia a dia passa a ser um teste constante aos nossos limites e à nossa paciência e resistência, contrabalançado pela surpresa de descobrir que o nosso coração é absolutamente elástico, e cresce com eles."
E depois de ler esta carta, descobri porque é que os pais não o devem ler, porque vão ficar cheios de vontade de ser avós!
BW

domingo, 7 de abril de 2013

A falta de educação nos anúncios dos bancos

Há dois anúncios a dois produtos bancários, que ouço na rádio, que me deixam irritada.
1. Uma mãe anuncia ao filho que abriu uma conta  para ele e que se trata de um produto fantástico. O som é o de uma criança a jogar no computador, no tablet ou na psp e as respostas do filho indicam que está a jogar e está alheado ao blá, blá, blá da mãe.
O rapaz vai respondendo: "boa", "fixe", "tenho de fazer um like". Qualquer coisa como: "Sim, mãe, estou a borrifar-me para o que estás a dizer porque estou concentrado no jogo, não vês? Estás para aí a dizer que vais por dinheiro no banco mas eu não quero saber disso para nada, não é essa a tua obrigação? Vá, eu vou lá fazer um like..."
2. Um pai conversa com um filho adulto e pergunta-lhe, com uma voz simpática e que revela preocupação, se o filho tem poupado. O filho vai respondendo com arrogância. "Poupança?! Não..." e explica o produto bancário por que optou. O bondoso e ingénuo do pai ainda diz, quase a medo "Mas isso é poupar...". Ao que o arrogante responde qualquer coisa que na minha cabeça me soa a "ó pai, tu és mesmo estúpido!" e o pai ainda se ri, naquele riso de desconforto de quem não sabe se há-de dar um estalo, se ignorar a má educação.
O que se passa com os publicitários? É a esta a realidade nas suas casas? Ou nas casas dos banqueiros? Ou estão convencidos que é assim nas casas das classes médias e média-alta, as únicas que ainda serão capazes de fazer poupanças?
BW

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Bieber não é importante

A reportagem da Cláudia Carvalho diz tudo, mas eu gostava de acrescentar mais uma coisinha!

Ontem à noite estava no aeroporto à hora a que o avião onde vinha o Justin Bieber aterrou. Vinha de Londres, tal como o meu filho. "Se calhar o mano veio no mesmo avião", digo à minha filha, uma "não fã" impressionada com o número de fãs que esperava o cantor de 19 anos.
Na área das chegadas, umas 30 adolescentes. Cantam e o tom sobe quando as portas se abrem ou quando alguém diz saber de qualquer coisa. Há momentos em que se levantam e começam a correr, com ar alucinado, para outras áreas do aeroporto para, de seguida, voltarem ao local de origem e continuarem a cantar.
Finalmente o meu filho e os colegas – que participaram numa prova internacional, representando o país e não ficaram mal classificados –, saem e são surpreendidos com aquela comitiva de miúdas da mesma idade.
"Viram o Justin?"; perguntam algumas, ansiosas.
"Esse panisga?! Não", responde um dos rapazes com um sorriso, fazendo os outros rir.
"Uuuuuhhhhhh!", gritam as miúdas, furiosas, mesmo zangadas, à medida que eles se afastam.
"Ehhh!", grito eu, batendo palmas, na tentativa de reparar tão má recepção.
Abraçamo-los, damos-lhes os parabéns, dizemos-lhes o quanto nos orgulham e o quanto, mesmo sem o país saber, mesmo sem aquelas miúdas saberem, orgulham Portugal. Despedimo-nos e regressamos a casa. No dia seguinte há aulas, mesmo que eles tenham acordado de madrugada, desde sexta-feira, para irem, para treinarem, para fazerem a prova, para voltarem. No dia seguinte há aulas, horários para cumprir, testes para fazer e novos treinos.
As miúdas permanem na sua vigília, à espera que Bieber saia pela mesma porta que os comuns dos mortais. Há pais a acompanhar aquelas meninas, dos 12 aos 15/16 anos, às 22h45 (hora a que chegámos, seguramente que estavam lá há mais tempo) até às 23h30 (hora a que saímos), em véspera de dia de aulas. Há pais a acompanhá-las, frente ao Pavilhão Atlântico, miúdas que estão desde dia 2 à porta do sítio onde o canadiano vai cantar. Estão a faltar às aulas desde então. Há pais que permitem (?) que as miúdas façam tatuagens com o nome do cantor.
Ser adolescente é isso mesmo: excesso! Mas, por vezes, falta a moderação (que não é própria da adolescência); e o sentido do ridículo. Por isso os pais são importantes nestas alturas, não para alimentar a coisa, mas para a moderar e relativizar.
BW


quinta-feira, 7 de março de 2013

Os avós firmes e pacientes

Há quem diga que os avós estragam os netos. Não os que estão na mesma sala de espera que eu!
À minha frente, sentados à mesa estão um avô e um neto. O rapaz abre o livro de Língua Portuguesa do 1.º ano e informa: "Vou ter teste" para dizer, logo de seguida, "não sei o que vai sair". Paciente mas firme, o avô pede-lhe que abra o livro. O rapaz ri, brinca com o livro. Sério, o avô recomenda "não se ri, abre o livro". O rapaz acaba por ceder e começa a estudar.

Do outro lado da sala, uma avó pede à neta que vá confirmar que a aula do irmão já acabou. A brincar com as amigas, a menina de cinco anos recusa obedecer. A avó insiste, ela abana o corpo mimado e pergunta "mas porquê?", contrariada. "Porque eu estou a mandar", responde a avó sem mais explicações. A pequena levanta-se obediente.

Na outra ponta, outra avó abre a revista Sábado e pede à neta de nove anos que identifique a classe das palavras. "Não sei, não dei", responde a miúda, desejosa que a avó desista. Nada feito, a avó insiste e ela também e choraminga "Ó avó. Não sei, a minha professora não deu..."
Os olhos lacrimejam e a avó insiste. "Vou à casa-de-banho", anuncia a menina com o nariz a pingar. "Não vais não, ficas aqui. Que palavra é esta?". "É um adjectivo". "Não, não é", responde a avó. "É! Tu não sabes! A avó não percebe nada, agora já não se aprende da mesma maneira..."
Sem mudar o semblante a avó responde "mostra-me a gramática". "Está na escola e só posso trazer quando a professora der autorização". "No fim-de-semana trazes a gramática... e assoa o nariz", responde a avó inalterada.

São firmes e pacientes os avós, fossem os progenitores já tinham desistido e dado o telemóvel para a mão como fez um pai, ao meu lado, só para não argumentar com a criança.

BW

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Milagre de R.J.Palacio fala de bullying, mas não só




  August, ou Auggie para a família, nasceu com uma deficiência genética que faz com que o seu rosto seja completamente deformado. Ele sente-se "normal" mas a verdade é que ninguém olha para ele como se fosse um rapaz igual aos outros. Aos dez anos, August vai pela primeira vez enfrentar o dia-a-dia numa escola, até então teve aulas em casa, com a mãe e viveu num bairro onde todos o viram crescer e se habituaram ao seu aspecto. A vida não vai ser fácil.  Chama-se Milagre o livro de R.J.Palacio editado pela ASA. É escrito na perspectiva de Auggie, mas também da irmã Via e de alguns dos amigos. É um livro de leitura fácil mas emotiva, para adultos, mas também para pré-adolescentes e adolescente. Trata uma temática muito próxima de todos os que andam ou andaram na escola, o bullying.
Nos EUA, a editora Random House Children lançou uma campanha intitulada Choose Kind. Uma óptima mensagem para passarmos aos mais novos!
BW

terça-feira, 29 de maio de 2012

A importância da Educação Física

que o Ministério da Educação parece estar a negligenciar... Lamentável. Lamentável porque é importante ter uma educação completa na escola e essa não passa só por saber ler, escrever e contar, mas por explorar outras áreas: as artes, o corpo, as mãos.
BW

terça-feira, 24 de abril de 2012

Quando um filho rouba...

... o que fazemos?
Vamos até às últimas instâncias em sua defesa? Passamos por cima de tudo e todos para que ele não seja castigado? Ou ensinamo-lo que deve ser responsabilizado por aquilo que faz? Que homens e mulheres estamos a ajudar a crescer quando os desculpamos de todos os erros? Quando queremos que a sociedade os desculpe?
Isto tudo por causa da notícia dos alunos que roubaram o teste à professora, iam sofrer um castigo e os pais correram em sua defesa, foram até à direcção-regional de educação e viram o castigo anulado. O que estão estes pais a ensinar? Que os erros processuais os podem sempre safar, como têm safado os políticos. Grande lição!
BW

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O desastre da educação

"O principal culpado pelo desastre da educação em Portugal é: você. Sim, refiro-me ao encarregado de educação, que passa a vida culpando os outros em vez de aceitar que o fracasso do processo começa em casa."

"Os principais responsáveis pela educação não são os professores mas sim os próprios pais. É claro que são os professores que dão as aulas, que sabem ensinar Português e Matemática, História e Geografia. Mas todo este esforço vale pouco ou nada se não começa num ambiente familiar que dá valor ao esforço e à disciplina que uma boa educação exige.
A única desculpa que vejo para os nossos encarregados de educação é que estamos perante uma questão 'cultural'. A mentalidade do 'desenrasque' e do 'chico esperto' também se manifesta na escola: um gaba-se do seu novo método de 'copianço' como se se tratasse de uma conquista amorosa; outro orgulha-se por ter passado a cadeira 'sem estudar quase nada'; e o aluno mais cool é o que se lembra de mais 'partidas' durante as aulas.
Mas o pior não é tanto a atitude dos adolescentes como a reacção dos adultos: o sorriso que traduz uma certa nostalgia ("hã, se soubesses o que eu fazia na tua altura"); o piscar de olho que manifesta aprovação ("assim é que é!"); ou simplesmente a indiferença."

Luís Cabral in  Expresso, "economia", p.38

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um Natal com menos prendas?

Há dias ouvia uma criança, de uns 10/12 anos dizer que o irmão mais novo não ia saber o que era receber prendas porque "já não há dinheiro, não é, mãe?". A mãe minimizava a coisa, que sim, que ia ser um Natal mais sóbrio mas que não faltava nada.
Faz-me falta um Natal mais sóbrio, só com o essencial.
Rita Pimenta escreve sobre isso no PÚBLICO.
BW

sábado, 10 de dezembro de 2011

Comentários racistas

Já me aconteceu no metro ouvir, ouvir, nada de tão mau como isto, mas ouvir e desviar a cara, ignorando que aquelas palavras também me podem dizer respeito e eu não faço nada.
Esta mulher de 34 anos, com um filho pequeno ao colo, disse tudo o que quis, agora vai passar o Natal na prisão por desestabilização da ordem pública.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

É já para a semana!

A Pais & Filhos continua a promover debates com temas pertinentes para os pais e os melhores especialistas para os desmistificar (ou não). Na quarta-feira, dia 23, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

500 euros de prémio

O texto de hoje da Graça Barbosa Ribeiro no PÚBLICO revela que somos, de facto, um país feito de gente boa! Há directores de escolas que andam à procura de mecenas para manter o prémio de mérito aos alunos, os tais 500 euros. Outros ponderam dá-los do seu próprio bolso.
Revela ainda algumas histórias de bons alunos, bons miúdos e generosos, que precisam mesmo do dinheiro porque não vivemos num país rico. Termina assim:

"Regina Leite, aluna de Felgueiras que entrou em Medicina no Porto, mostra-se conformada. Perdeu a mãe aos 12 anos e teve de crescer depressa para ajudar o pai a cuidar da casa e da irmã, que tinha seis anos. "Ainda assim, nunca tive de trabalhar fora de casa, por isso acredito que haja pessoas a precisar mais do que eu", disse, ao saber que não receberia o prémio."

Não imaginam o que eu já chorei esta manhã! Ai, as hormonas!...
BW
PS: Como diz uma leitora de Eduardo Pitta podia-se ter poupado na visita de Cavaco aos Açores...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Eles conhecem a palavra "solidariedade"?

A reforma. "Antes, olhávamos para os mais velhos e compreendíamos que tinham trabalhado, que tinham o direito a reformarem-se, que o sistema que existe é solidário. Agora, olham para nós e chamam-nos um fardo para o sistema. Um velho fardo... A partir de amanhã sou um velho fardo", confessa com um sorriso o tal ex-director do ministério da educação dinamarquês.
A frase é toda dita com humor. Rimo-nos todos. Há quem atire: "Tem sorte em ser um fardo e não ser lixo!", "O que é que querem? Que cheguemos aos 67/70 anos e morramos?", diz outra voz. E as conversas paralelas surgem a partir daquela frase. O Estado quer que trabalhemos cada vez mais, quer penalizar-nos se não o fizermos e corta-nos a pensão... Pelos vistos, é assim um pouco por toda a Europa, digo, confirmando que o mesmo acontece em Portugal.
Até que ele, o director reformado, volta a tomar as rédeas à conversa. Os seus olhos azuis inquisidores perguntam-me: "Os teus filhos sabem o que é a solidariedade? Ouviram a palavra?" Aceno com a cabeça, mas não respondo. E ele volta a perguntar, desta vez, olhando outra pessoa nos olhos: "As tuas filhas sabem? Que idade têm as tuas filhas?". "Trinta. Elas sabem, mas são das poucas a saber na sua geração", responde a inquirida.
Eu fico a pensar. Os meus filhos conhecem a palavra "solidariedade", sabem-na por em prática em muitas circunstâncias, mas são solidários com as pensões, com os pensionistas? Não... Lamento, mas eu não tenho sabido dar o exemplo, critico em voz altas as pensões altissimas; as duas e três pensões que este e aquele recebem; as pensões que quem não descontou recebe; o facto de um dia eu não ter direito a pensão porque o que estou a descontar agora é para pagar todas essas reformas... Provavelmente, os meus filhos já olham para os velhos como um fardo. Arrependo-me e prometo a mim mesma: Tenho que mudar o discurso. Tenho que passar a argumentar que também os velhos descontaram, que alguns trabalharam uma vida inteira, que têm direito a ser recompensados, que temos que ser solidários para com todos.
BW

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Somos os principais responsáveis por moldar os nossos filhos?

Sim, somos. Não somos os únicos, mas deveríamos ser os principais, embora nem sempre seja fácil sobrepor a nossa voz, o nosso corpo, o nosso exemplo, às vozes que vêm de fora.
A mãe de Obama, Ann Dunham (Stanley Ann Dunham Soetero), foi a grande responsável pelo homem que é: If you are going to grow into a human being,” she told him early, “you are going to need some values.
BW

sábado, 14 de maio de 2011

As novas tecnologias na educação


"Há um ganho evidente na familiarização (...) [com] as novas tecnologias com as quais [o aluno] vai ter de lidar na sua vida futura. Contudo, as tecnologias não passam de instrumentos, sofisticados e atraentes, sem dúvida, mas tão-só instrumentos. (...) É pela educação que se chega à tecnologia e não o contrário."

David Justino, Difícil é Educá-los, p. 83


Compreendo, mas concordo só em certa medida. É que os alunos que hoje chegam à escola são já alunos tecnológicos e estes esperam da escola mais do que esta oferecia às gerações pré-boom tecnológico. Por isso, a tecnologia tem de ser também um meio para levar a escola e os alunos à educação. Todavia, tecnologia sem conhecimento é uma falácia. Claro.
Não retirando o primado ao desenvolvimento de competências cognitivas e capacidade de raciocínio lógico, a tecnologia tem de estar ao serviço da nova escola do século XXI.

Ana Soares

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Carga horária de Port. e Mat.

"A dispersão disciplinar, a cargas horárias mal distribuídas, a quantidade de docentes e a consequente dificuldade em articular e integrar tudo isto convergem no princípio de ensinar mal um pouco de tudo, quando seria preferível ensinar bem o que é fundamental. Esse mesmo princípio conduz à desvalorização do que considero serem os saberes axiais e estruturantes das aprendizagens: o Português e a Matemática".

David Justino, Difícil é Educá-los, p. 77

Comparem-se as horas dedicadas a estas duas disciplinas nos países da OCDE:

Dos 9 aos 11 anos - correspondente aproximado ao 2º ciclo

Leitura e escrita - Portugal 15 h / Média OCDE 23 h
Matemática - Portugal 12 h / Média OCDE 16 h