Mostrar mensagens com a etiqueta rankings. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rankings. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Contratos de associação: sim ou não?

Nota histórica: os contratos de associação nasceram numa altura em que a rede das escolas públicas não chegava a todo o lado. Assim, o Estado contratualizou com escolas privadas que existiam nas regiões, pagando-lhes para receber todos os alunos. Portanto, estes não pagam mensalidades porque é o Estado que as paga, como se de uma escola pública se tratasse.
Com o passar do tempo, o Estado construiu escolas, em algumas regiões duplicou a oferta, uma vez que esta já existia. A isto devemos chamar "má gestão". Mas não é assim que a esquerda interpreta – tudo, mais cedo ou mais tarde, cai na ideologia. A isso a esquerda chama "oferta pública". Como se o que as escolas privadas fazem não fosse escrutinado pela Inspecção-Geral da Educação, como se não tivessem de dar as mesmas matérias que as públicas, como se os seus alunos não tivessem de fazer os mesmos exames.
Mas a história não fica por aqui e, paralelamente à construção de escolas públicas, o mesmo Estado – é preciso ver que este nem sempre é o mesmo porque umas vezes é o PS que o gere, outras é o PSD/CDS – autorizou mais contratos de associação em colégios ao lado de escolas públicas e mais: permitiu que novas privadas conseguissem estes mesmos contratos. Má gestão, repito.

Depois de viverem dias calmos com Nuno Crato, as escolas privadas com contratos de associação estão em alvoroço com a possibilidade de perderem os contratos, logo, o financiamento.
Há contratos que são vergonhosos, os do centro da cidade de Coimbra, com escolas públicas ao lado! O das Caldas da Rainha onde a escola pública já existente ficou às moscas desde que a privada abriu, recentemente.
Mas aqui é que está o ponto: por que está a escola pública às moscas?
E devia ser sobre isso que as públicas que querem os alunos das dos contratos de associação deviam reflectir, em vez de acharem que têm o direito porque o "ensino é público". Repito: porque está a escola pública às moscas?
Outros pontos sobre os quais podem reflectir:
O que faz a escola pública para bem receber os alunos?
O que lhes oferecer em termos de actividades extra-curriculares?
Tem um corpo docente estável e disponível para tudo?
Tem recursos físicos e humanos para que os alunos fiquem até mais tarde?
Como é a sua relação com os pais? Ouve-os, trata-os bem?
Tem transporte?

Há escolas com contratos de associação más? Há, basta olhar para os rankings e elas lá estão. Há escolas com contratos de associação que escolhem os alunos? Sim, como há públicas que o fazem, mesmo que jurem a pés juntos que não. Há escolas com contratos de associação que exploram os seus professores? Há, têm sido denunciadas pelos sindicatos.
Mas também há escolas com contratos de associação que recebem os alunos que as públicas não querem ou os que as públicas desistiram.
Um amigo do meu filho esteve numa escola com contrato de associação com uma equipa de atletismo fortíssima – ah, pois, os privados podem ter essas coisas, dirão já os invejosos. Mas os públicos não têm porquê? Porque não querem, não é por falta de condições visto que todas as escolas têm pavilhão desportivo e departamento de educação fisica.
Voltando ao amigo do meu filho. É um rapaz de uma família pobre de uma ex-colónia, de um bairro complicado, que noutra escola teria poucas possibilidades porque estaria, à partida, condenado ao insucesso. Nesta escola com contrato de associação foi integrado, a escola percebeu que o miúdo tinha jeito para o desporto, pô-lo a praticar uma modalidade que pode levá-lo longe, e, entretanto, entrou na universidade, com bolsa, conseguida com a ajuda da escola que preparou todo o processo – ah, mas as privadas têm condições que as públicas não têm, onde é que numa pública podemos ajudar os meninos a ter bolsas... Mas não existe um gabinete de acção social?
Portanto, se este miúdo não tivesse sido verdadeiramente integrado, não lhe fosse traçado um projecto de vida, provavelmente poderia fazer parte daquele grupo de 30 que queria, à força toda, comer às sete da manhã no Palácio dos Kebabs, em Santos, em Lisboa, e como não lhe foi feita a vontade destruiu e roubou.
Esses rapazes, possivelmente com o mesmo background que este miúdo, não andaram na escola? O que é que a escola fez por eles, já que as famílias nada fizeram?

Mas todas as escolas com contratos de associação são bons exemplos de integração? Claro que não! E todas as públicas são um mau exemplo? Também não. O que quero dizer é que se a escola cumprir o seu papel – se em vez de os directores estarem preocupados em agradar ao seu corpo docente, se preocuparem com os alunos e as famílias –, certamente que os pais vão querer que os filhos fiquem na pública ao lado de casa, em vez de meterem os miúdos nos autocarros para irem para a privada com contrato de associação que fica a 25 km de distância.

O desafio é deixar as leis do mercado funcionarem! Mais: se eu fosse o Ministério da Educação, em vez de apregoar que os contratos são para acabar, para gáudio da Fenprof, do PCP e do BE, punha a IGE no terreno, a reflectir com as públicas que estão às moscas e com as privadas que têm maus resultados. Porque se a rede inclui públicas e privadas, por que hão-de ser as privadas a fechar as suas turmas, só para que se mantenha o peso da máquina do Estado? Enquanto este for conivente com as suas clientelas não lhes exigindo nada em troca, a escola não muda e, por consequência, a sociedade tende a piorar.
BW

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Por que são importantes os rankings

Catorze anos depois, os rankings já não são uma mera ordenação das escolas com base nos resultado da 1.ª fase dos exames nacionais do secundário. Pelo menos no PÚBLICO – é engraçado observar como nos outros órgãos, à excepção do Jornal de Notícias, as listagens continuam a ser lidas de maneira tão simples e só se destacam as escolas que ficam em primeiro lugar –, desde que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) começou a oferecer mais dados, que houve a preocupação de os conseguir ler e interpretar. Essa análise só é possível graças aos professores Joaquim Azevedo e Conceição Portela, da Universidade Católica Portuguesa.

Para compreender como se fazem os rankings nos últimos anos, veja este vídeo.

Depois, é correr as listas de cima, abaixo, debaixo, acima, à procura de dados curiosos, à procura de histórias e é fantástico perceber o que está por detrás dos números, que escolas são aquelas que se destacam, pela positiva ou pela negativa. Há muito que no PÚBLICO deixámos de ir a correr à escola mais bem colocada, que tem sido sempre uma privada, para oferecermos aos leitores o óbvio: famílias preocupadas com a educação, que o transmitem aos filhos (e não só, há cultura, há métodos de trabalho que são fruto da educação parental e não da escola), professores e direcções empenhadas, etc. Este ano fomos à pública mais bem classificada, que já não está em Coimbra, em Lisboa ou no Porto, mas nas Caldas da Rainha; e também fomos à escola que mais se superou.

Queremos espantar os leitores, como nós próprias nos espantamos quando ouvimos, por exemplo, uma directora dizer que a indisciplina contribui (em muito) para o insucesso – facto que há muito está estudado –, mas foi por isso que as medidas assumidas pela sua escola não são só de mais apoio académico aos alunos, mas, sobretudo, de mais disciplina.
É importante observarmos como as escolas mais isoladas, localizadas em zonas mais deprimidas sentem tanta dificuldade em descolar do fim das tabelas. Muitas conseguem. É assustador ouvir um director contar que é preciso ir chamar os alunos a casa, para fazerem os exames e que estes adormecem; ou uma professora descrever como é o seu dia-a-dia quando tem de dar aulas a crianças de anos de escolaridade diferentes com dificuldades cognitivas e enorme desinteresse – como é que podem competir com as grandes escolas? Com os alunos cujos pais trabalham? Com os colegas cujos pais dão importância à educação?
Mas estes pais existem e motivam os seus filhos! Aliás, mesmo nas escolas onde os resultados são baixos, há sempre estudantes que brilham, como é o caso de Hélder Antunes, da escola de Campo, em Valongo.

Apesar dos resultados terem melhorado este ano, nunca as escolas públicas estiveram tão longe dos lugares do topo do ranking e, para isto, contribuem em muito as más políticas do MEC, como a colocação dos professores; ou a atribuição de prémios àquelas que já se destacaram, portanto, o dar rebuçados aos meninos que já estão habituados a comê-los, não chegando os doces para os que não sabem o que isso é.

No PÚBLICO há ainda espaço para opinião, muita opinião, variadíssima, contra e a favor; para entrevista; e, claro, para as listagens, com possibilidade de poder brincar com as mesmas – qual a escola que obtém o melhor resultado no distrito? no conelho? na cidade? Está tudo aqui!
BW

domingo, 30 de novembro de 2014

Bons resultados escolares não se conjugam com professores desmotivados e zangados

Dos vários artigos que li sobre os rankings, entre o Expresso e o PÚBLICO, fiquei com o seguinte início de um texto na memória. Reproduzo-o abaixo:
«Bons resultados escolares não conjugam por norma com “professores muito desmotivados e zangados”. E é neste estado de espírito, palpável nas escolas públicas, que a directora do Colégio Moderno, de Lisboa, Isabel Soares, encontra uma das razões que levaram este ano a mais um recuo daquelas no ranking das secundárias, que no PÚBLICO é elaborado com base nas médias obtidas nos oito exames mais concorridos.
Os colégios não se podem queixar de tal. Para além de estável, no Moderno o corpo docente também “acredita no projecto educativo” do colégio, frisa Isabel Soares em declarações ao PÚBLICO.
O Moderno ocupa o segundo lugar no ranking das secundárias de 2014, com um média de 14,2 valores (numa escala de 0 a 20). O primeiro volta a pertencer ao colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, com um resultado de 14,41.

A frase que destaco a negrito aplica-se, em primeiro lugar, à dança de professores do público, como o título, bem interessante, do texto invoca. Refere-se, depois, a todas as dificuldades pelas quais os docentes do ensino público têm vindo a passar (de onde destaco o recente e vergonhoso processo de colocação, com consequências, em alguns casos, irremediáveis para os alunos). Aplica-se, ainda, ao ensino privado, cujo sucesso decorre não apenas das condições socio-económicas dos alunos que o frequentam (como muitas vezes é sugerido), mas depende em muito da adesão e dedicação de professores motivados por projetos educativos diferenciados, equipas coesas, valorização do trabalho de todos e de cada um.

sábado, 29 de novembro de 2014

Rankings das escolas 2014

Chegaram os rankings referentes ao ano letivo 2013/14. Nada de muito novo. Escolas que sobem, outras que descem. O privado nos lugares de destaque. Muito empenho e esforço de muitos diretores e professores que os números não retratam. Nuno Crato, ao Expresso, lastima a utilizaçao do estrangeirismo "ranking". Reconhece que o termo "ordenação", em português, fica aquém das leituras que se fazem destes números. E é verdade. E é também verdade que os pais têm o direito de ver e comparar. Devem, todavia, acreditar no esforço dos professores e, com eles, trabalhar para uma escola maior, melhor e mais feliz para todos.
O jornal PÚBLICO já nos habituou a um excelente trabalho de análise e reflexão sobre os dados. Este ano não foi exceção.
Aqui fica o link para quem quiser espreitar os resultados da escola dos seus filhos ou da sua antiga escola. Porque não?

sábado, 9 de novembro de 2013

Rankings 2013

Novo dia de rankings. Sem grandes novidades. O ensino privado a destacar-se e Mário Nogueira a sublinhar que esta é uma forma desigual de publicidade ao privado...
Todos nós sabemos que os rankings valem o que valem, mas há, naturalmente, muita reflexão pertinente que estes promovem. Seja sobre as desigualdades de condições, sobre a diferença entre os centros urbanos e o interior, seja sobre o desempenho dos alunos por áreas disciplinares/zonas do país, seja ainda sobre as diferenças de desempenho das mesmas escolas em ciclos diferentes.

Leia mais sobre este tema aqui, numa amostra do excelente trabalho a que o Público já nos habituou nesta mais de uma década de rankings.

Leia o texto de opinião da Bárbara sobre o que está por detrás dos números e a opinião de Maria de Lurdes Rodrigues sobre o mau uso dos rankings.

Os rankings completos podem ser consultados aqui: 4.º ano, 6.º ano, 9.º ano e secundário.

Consulte aqui os ranking do Expresso: 4.º ano, 6.º ano, 9.º ano e secundário.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Rankings2012 - Detalhes por disciplina

Para consultar os resultados por disciplina, pode consultar os ficheiros excell disponíveis no final desta página do jornal Expresso.
O jornal ionline também apresenta os mesmos dados, integrando a possibilidade consultar as listas das escolas NE. Neste link pode consultar os dados relativos ao ensino básico e aqui sobre o ensino secundário.

sábado, 13 de outubro de 2012

Rankings 2012

Uma completa e rigorosa análise dos rankings 2012, onde, pela primeira vez, se inclui o 6º ano, foi hoje publicada pelo Público. Outra novidade ainda são os dados relativos ao contexto socioeconómico que este ano acompanham as listas.

Aqui fica o link para as listas das escolas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ranking do superior

"A Católica Lisbon School of Business and Economics e a Nova School of Business and Economics já estão entre as 40 melhores escolas de Gestão da Europa, numa lista elaborada pelo Financial Times (FT) e que é hoje divulgada. A Católica é a 33.ª melhor faculdade para estudar Gestão na Europa, subindo 29 posições face ao ranking de 2010. A Faculdade de Economia da Nova escala 34 posições, ocupando directamente o 39.º lugar."

Nem tudo é mau, neste final de ano. Aqui fica esta boa notícia, que muito credibiliza o nosso ensino superior a nível internacional.

A notícia é do Público e pode lê-la aqui.

domingo, 16 de outubro de 2011

Rankings vistos por quem os estuda

No livro Good Education in an Age of Measurement, o holandês Gert Biesta escreve sobre os rankings e defende que estes têm forçado à valorização daquilo que é mensurável na educação, quando “a primeira pergunta que se deve fazer é: se é possível medir ou avaliar o que é realmente importante?” Professor na Universidade de Stirling, no Reino Unido, onde co-dirige o Laboratório de Teoria Educacional, Biesta vai colaborar com o programa de doutoramento em Ciências da Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologias, da Universidade Nova de Lisboa e vai estar no campus do Monte da Caparica, no próximo dia 26, às 17h, numa conferência aberta ao público.

Na entrevista que saiu no suplemento dos rankings do PÚBLICO, ficaram duas perguntas de fora por falta de espaço e porque se desviavam ligeiramente do tema. Aqui ficam porque são interessantes.

O que é uma “boa educação”?
Essa é uma das perguntas mais difíceis de responder! No meu livro digo que não posso dar uma resposta, mas posso sugerir uma maneira de olhar para essa questão. A melhor maneira é ver a educação como um processo multidimensional, que não se concentra apenas no resultado, mas deve estar preocupada com uma série de resultados. Defendo que há três áreas: o domínio de conhecimentos e competências, que é a maneira pela qual a educação nos qualifica para o trabalho ou para a vida; o domínio da cultura e tradição; e o domínio que tem a ver com a formação da pessoa, aquele em que fazemos perguntas sobre o que significa ser um bom ser humano. Muita da discussão sobre educação parece concentrar-se só no primeiro domínio, e gostaria de, pelo menos, sugerir que ampliassemos a discussão para incluir os outros domínios — que são menos fáceis de medir, mas são pelo menos tão importante quanto o primeiro. Na minha opinião, a boa educação é o encontro de um equilíbrio entre estes três domínios, e isso não é algo que possa acontecer apenas ao nível dos conceitos de política ou de escola, mas está no coração do trabalho diário dos professores. É por isso que é tão importante a boa formação de docentes para o desenvolvimento da boa educação.

Quais são os principais desafios da educação num mundo em crise?
A resposta mais “nervosa” é dizer que precisamos de melhorar os sistemas educativos e centrá-los ainda mais no conhecimento, competências e qualificações, para que possamos competir melhor na economia global. Mas isso é uma visão muito limitada e de curto prazo e levará a uma maneira de pensar a educação que, em breve, será insustentável. Talvez nos próximos anos, por mais uma década, possamos investir pesadamente no aumento da concorrência, na tentativa de ganhar o primeiro lugar na economia global. Mas uma visão tão competitiva, cria mais desigualdade e, no final, levará tanto a desastres sociais como ambientais — e já há várias evidências nesse sentido. Penso que é preciso dar um passo atrás e levantar questões fundamentais sobre o que deve ser uma economia — financeira, ecológica, social e humanamente sustentável —, e como viver juntos e em harmonia. Espero que exista um número suficiente de pessoas que sinta que a educação pode, realmente, desempenhar um papel fundamental no encontro de alternativas reais. Este é o grande desafio, se quisermos encontrar uma saída para a situação em que nos encontramos.

BW
PS: Em Janeiro, entrevistei a professora Cláudia Sarrico, com quem o Expresso falou agora para o seu suplemento dos rankings.

sábado, 15 de outubro de 2011

Rankings II - Depois de olhar para os resultados

Depois de olhar para os resultados, retomo "velhas" questões. O que revelam os rankings das escolas, do esforço e trabalho que fazem (ou não) por melhorar os resultados?
Que consequências têm nas práticas dos professores?

Este ano, as novas questões que me surgem são as seguintes:
O que está a acontecer ao ensino do Português?
O que explica os resultados paupérrimos, abaixo até da Matemática, habitualmente considerada a disciplina "papão" em exame?

No Público gostei particularmente de ler a entrevista a Gert Biesta, professor no Reino Unido e autor do livro Good Education in an Age of Measurement, e a sua "leitura" dos efeitos dos rankings.
Do referido texto destaco o seguinte excerto:
"(..) o mais grave nos rankings é que são uma simplifcação do que é uma boa escola ou do que é a educação"
"Em vez de simplificar o conceito de uma boa escola, através dos rankings, os jornais deviam ajudar os pais e o público em geral a compreender que uma boa educação é uma questão demasiado complexa - são os exames, as questões de cidadania, os valores morais, a formação da pessoa, tudo isto deve ser tomado em conta."

No Expresso, gostei de ler uma outra entrevista, esta Cláudia Sarrico, avaliadora externa da IGE.
A este propósito, pode ler-se o seguinte no semanário, antecipando o que será a avaliação externa a partir deste ano letivo:
"Até agora, o contexto socioeconómico de cada escola não era tido como fator de ponderação na avaliação externa levada a cabo pela IGE. Mas isso vai mudar. «A IGE vai começar um novo ciclo de avaliação este ano letivo, com uma novidade: o cálculo dos resultados esperados para cada escola e para cada ano em que há provas nacionais (4º, 6º, 9º 11º e 12º) face a variáveis que a escola não controla», como a habilitação dos pais ou a percentagem de alunos apoiados com Ação Social. O que quer dizer que, quanto às notas, as escolas não serão avaliadas apenas com base nos resultados que os alunos tiveram nos exames, mas tendo em consideração o que seria expectável terem tido."

Ana Soares

Rankings 2011

Este é o 11º ano em que são feitos os rankings.
Hoje, com o jornal Público, mais um excelente caderno não apenas com os rankings, mas também com alguns textos que nos permitem refletir sobre os mesmos.
Também no semanário Expresso temos um pequeno caderno sobre o mesmo tema.
Como os critérios para a ordenação das escolas são diferentes entre os dois jornais, vale a pena espreitar os dois.

Espreite aqui para consultar os resultados do básico:
Público
Expresso
e aqui para consultar os resultados do secundário:
Público
Expresso

Espreite o retrato do país na Infografia do Público.

Por último, pode consultar os resultados da disciplina de:
Língua Portuguesa  - 9º ano no Expresso
Português - 12º ano também no Expresso

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os rankings, o IVA e o IRS

Os rankings: as desigualdades entre notas nos exames feitos pelas escolas públicas e pelas privadas aumentam, para mal de um país que se quer educado, culto e evoluído. As escolas públicas estão a fazer algo de errado? Aparentemente não, a culpa é da instabilidade constante, das regras que estão sempre a mudar, das burocracias, da falta de autonomia, dos alunos que chegam à escola sem comer, sem tomar banho, sem regras básicas e a escola tem que fazer tudo. Tudo. Sobrando pouco tempo para trabalhar para os exames.
O IRS: a previsão da sua subida e a desigualdade que se prevê e, desculpem a banalidade da reflexão, mas apetece-me usar esta frase - os ricos cada vez mais ricos - e lembrei-me mesmo agora de outra, pintada em murais (havia um lindíssimo nos muros do Técnico, quando eu era pequena, mas não me lembro se dizia esta frase, acho que não, parece-me que apelava à revolução) - os ricos que paguem a crise -.
O IVA: a ideia de se taxar a 23 por cento bens que para muitas famílias são essenciais (não na minha, mas eu sou solidária) como os leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos, as bebidas e sobremesas lácteas, os sumos e néctares de frutos; para não falar das latas de grão, ervilhas, pêssego, ananás e salsichas, etc... (essas já entram em minha casa). E o vinho mantém-se nos 13 por cento. Sim, leite com chocolate e sumos naturais a 23, mas vinho a 13 porque, mais uma frase estafada, - dá de comer a muitos portugueses...
Hoje estou cansada (por culpa dos rankings) e irritada (por culpa da crise)!
BW

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Os rankings estão de volta.

Já foram anunciados. Amanhã temos os rankings 2010. Diz o DN: "Saiba ainda num especial quais são as 10 melhores e piores escolas, entre outras coisas.". Não são as melhores e as piores escolas que vão ser ordenadas nestes rankings; são, antes, as que conseguiram este ano melhores ou piores resultados. E isto é muito diferente... Repito o que já defendi em outras ocasiões: é interessante olhar para os números e, naturalmente, que eles dizem alguma coisa. Mas muito fica por dizer do esforço que foi feito nas escolas ditas "piores", dos recursos humanos e físicos que não são iguais entre regiões do país, dos contextos socio-económicos que distinguem escolas. Olhemos para os números, mas não nos esqueçamos disto.

Ana Soares

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Os pais dos colégios privados

Por estes dias há quem amaldiçoe os pais dos colégios privados, os que - porque perderam o emprego, fizeram as contas ou porque sim - tomaram a decisão de tirar os filhos dos colégios e escolheram as escolas públicas. O problema é que estes pais escolhem as "melhores", as que estão mais bem colocadas nos rankings feitos com os resultados dos exames nacionais. Os pais do privado são pais elucidados, informados.
Quem fica a perder, os de sempre, o elo mais fraco, os alunos que não pertencem à área de residência da escola onde até ao ano passado estavam porque a escola não estava cheia, os seus lugares podem ter sido ocupados pelos filhos destes pais. É que muitos deles moram precisamente nessas áreas onde estão os antigos liceus, outros movem influências, fazem as falcatruas do costume, dão moradas falsas e há direcções que preferem ter um aluno que vem do colégio A e B a outro que vem de outra pública. O problema é que sabemos que isto acontece mas não há ninguém a dizê-lo em "on".
BW
PS: Já agora, leia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

De novo os rankings...

Hoje para dar os parabéns ao i. O trabalho comparativo entre as três escolas jesuítas (fi-lo há uns quatro anos (!)) revela que, nas três escolas da Companhia de Jesus, os professores têm formação em conjunto, a filosofia de ensino é a mesma e, no entanto, os resultados são muito dispares, com a escola de Lisboa no topo da tabela e a de Santo Tirso lá mais para baixo. Isto põe a nú o evidente: o capital humano, económico e social dos alunos conta muito para os seus resultados! Portanto, os colégios e as públicas do topo da tabela, onde os alunos têm todas as condições para estudar, deveriam ter resultados muito melhores!
Diz Seabra Santos, reitor de Coimbra, que a inteligência está em todas as classes socias. Eu acredito que sim, por isso, o trabalho das escolas nos meios sociais mais desfavorecidos é tão importante e merecedor de mais do que um "duvidar" .
BW

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Saiba qual é a escola ideal para o seu filho

O i titula: Saiba qual é a escola ideal para o seu filho. Lido o texto ficamos sem saber!

Na edição em papel diz o i: "O Ministério da Educação divulgou ontem o ranking nacional das escolas do ensino básico e secundário"

Correcção: O Ministério da Educação (ME) divulgou a base de dados dos resultados dos exames nacionais do básico e do secundário. O ME não faz rankings, quem os faz é a comunicação social e cada um faz como quer!

No PÚBLICO o critério para o secundário é contar apenas com os resultados dos exames das oito disciplinas com mais alunos internos inscritos. Para o básico contamos com os inscritos e os auto-propostos mas que frequentaram a escola. Fazemos ainda dois rankings, um com as escolas todas, outro com aquelas onde foram feitas mais de 50 provas.

O i lista "as 25 melhores escolas do país" com o título "apostar" e as "20 piores do país" com o título "duvidar". No PÚBLICO falamos de escolas com melhores e piores resultados, não é uma questão de português, é uma questão de respeito para com o trabalho das escolas. Porque é que devemos duvidar da escola do Carmo, em Câmara de Lobos (a primeira na lista das piores do i) e não do Colégio do Rosário no Porto (a primeira melhor)? O que é que o i sabe dessas escolas e não escreveu em lado nenhum?

E continua, cada listagem tem um título: "a melhor escola do meu distrito, a melhor disto, a melhor daquilo"... Quem disse que a escola com os melhores resultados é a melhor? Onde é que está a reflexão que leva a essa conclusão? Ah! São os resultados dos exames, que uns fazem para entrar a Medicina e outros apenas para terminar o secundário.

Este tipo de trabalho é giro, é fun, é sexy, é leve, tem muita leitura, mas não é jornalismo e descredibiliza o que se pode fazer a partir dos resultados dos alunos. No próximo sábado, o PÚBLICO tem um suplemento com a reflexão possível.

Entretanto, para saber de facto como escolher a escola ideal, o melhor é ler este livro! Apesar da lei ainda ser muito fechada, os portugueses têm cada vez mais possibilidades de escolher a escola para os seus filhos e este livro ajuda os pais a olharem para o estabelecimento de ensino, equipamentos e recursos com olhos de ver.
BW



Provérbios a propósito dos rankings

Se, por um lado, como diz o provérbio africano, "É precisa toda uma aldeia para ensinar uma criança.", por outro, não se pode resumir a avaliação das escolas a um só critério: os exames nacionais. Em "época" de rankings, é importante não esquecer que avaliar as escolas ou o sistema de ensino considerando um só aspecto é insuficiente.

Ainda assim, e agora citando um provérbio tipicamente português, "Onde há fumo, há fogo". Não sendo nem dizendo tudo, não podemos ignorar que os rankings também fornecem dados importantes que não podem ser esquecidos e que devem gerar reflexão.

Para ler mais sobre os rankings 2009, clique aqui.

Ana Soares