Nas voltas e voltas dos programas e metas, reconheço que recuperar a perspectiva cronológica no ensino da nossa literatura me agradou. Todavia, ainda não consegui interiorizar e apropriar-me das propostas de obras para o projeto de leitura (sim, porque muda o programa e muda a designação. Antes, o «projeto de leitura» era denominado «contrato de leitura». Adiante).
Para os curiosos, as metas estão disponíveis aqui. Na página 29, podemos ver quais as obras para leitura «paralela» às obrigatórias na sala de aula. Assim, advogam as metas que os alunos leiam uma ou duas destas obras por ano e a partir das suas leituras desenvolvam projetos que as relacionem tematicamente com o programa ou por géneros. Na lista do 10.º ano, que transcrevo abaixo, e que é a única ainda em vigor, vejo muitos títulos que pouco agradarão aos alunos. Não encontro alguns autores que, acreditava eu, fariam inquestionavelmente parte do cânone escolar. Encontro inclusivamente livros, ainda que em outras versões, que também constam das metas do 2.º ciclo (Robinson Crusoe). Outros que estão esgotados e os alunos dificilmente encontrarão. Alguns que alunos de 14 anos não perceberão. Uns de 20 páginas apenas (Quem me dera ser Onda). Alguns truncados, com a indicação explícita da leitura de "excertos". Deixados ao critério dos alunos? Dos professores? Ao acaso?
Sinto falta de alguns grandes nomes de sempre da nossa literatura que, em harmonia, conviviam com novas gerações de autores portugueses na anterior lista da DGES , lista essa francamente "mais arejada", repleta de grandes nomes da literatura portuguesa e universal, e que deixava os alunos respirar, ir para além das «obras obrigatórias» da sala de aula, fazer descobertas e, para alguns, quem sabe, descobrir como é bom ler.
AS
Maalouf, Amin As Cruzadas Vistas pelos Árabes
Magris, Claudio Danúbio
Marco Pólo Viagens (excertos escolhidos)
Meireles, Cecília Antologia Poética (poemas escolhidos)
Moraes, Vinicius de Antologia Poética (poemas escolhidos)
Nemésio, Vitorino Vida e Obra do Infante D. Henrique
Ondjaki Os da Minha Rua
Pepetela Parábola do Cágado Velho Pérez-Reverte,
Arturo A Tábua de Flandres Petrarca Rimas (poemas escolhidos)
Poe, Edgar Allan Contos Fantásticos
Rui, Manuel Quem me dera ser Onda
Scott, Walter Ivanhoe Shakespeare,
William A Tempestade Swift,
Jonathan As Viagens de Gulliver
Telles, Lygia Fagundes Ciranda de Pedra
Virgílio Eneida (excertos escolhidos)
Zimler, Richard O Último Cabalista de Lisboa
AA.VV. Antologia do Cancioneiro Geral (poemas escolhidos)
Alves, Adalberto O Meu Coração é Árabe (poemas escolhidos)
Amado, Jorge Capitães da Areia
Anónimo Lazarilho de Tormes
Andresen, Sophia de Mello Breyner Navegações
Brandão, Raul As Ilhas Desconhecidas
Calvino, Italo As Cidades Invisíveis
Carey, Peter O Japão é um Lugar Estranho
Castro, Ferreira de A Selva Cervantes,
Miguel D. Quixote de la Mancha (excertos escolhidos)
Chatwin, Bruce Na Patagónia
Dante Alighieri A Divina Comédia (excertos escolhidos)
Defoe, Daniel Robinson Crusoé Dinis,
Júlio Serões da Província
Eco, Umberto O Nome da Rosa
Énard, Mathias Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes
Faria, Almeida O Murmúrio do Mundo: A Índia Revisitada
Ferreira, António Castro
Gedeão, António Poesia Completa (poemas escolhidos)
Homero Odisseia (excertos escolhidos)
Lispector, Clarice Contos
Lopes, Baltazar Chiquinho
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
São voltas e voltas sem parar
Mais notícias. Desta vez, são os diretores das escolas que se pronunciam sobre as mais recentes medidas tomadas pelo Ministério da Educação relativamente ao fim dos exames de 6.º ano, já este ano lectivo.
São voltas e voltas sem parar...
Estas são palavras de uma música dos Entre Aspas que me vem à memória quando penso no que temos vivido no ensino em Portugal. Reforma e contra-reforma. Proposta e contra-proposta. Programas versus metas. Depois novos programas e metas. Provas de aferição. A seguir, exames que, pouco tempo depois, deixam de ser exames e passam a ser, de forma politicamente correta, apelidados de Provas Finais. Entretanto, menos exames. Novas provas de aferição. Pelo meio, Associações de Professores em desacordo com propostas do ME; Conselho Nacional de Educação com propostas diferentes das ministeriais. Atrasos generalizados no cumprimento dos programas (leia a notícia aqui). E hoje CE defende exames e provas de aferição. E a seguir?
Esta entediante enumeração resume meia dúzia de anos da nossa educação, em constante mutação e desacordo. Revela a forte instabilidade que a Escola vive em Portugal.
Diz a mesma música que
«São voltas e voltas sem parar
Em sonhos nocturnos
Em sonhos de encantar
Muitos enredos histórias reais.»
São, de facto, mundos reais. Mas não são sonhos. Às vezes parecem pesadelos, estas voltas e voltas sem parar. Sonhos que pouco têm de encantar.
AS
São voltas e voltas sem parar...
Estas são palavras de uma música dos Entre Aspas que me vem à memória quando penso no que temos vivido no ensino em Portugal. Reforma e contra-reforma. Proposta e contra-proposta. Programas versus metas. Depois novos programas e metas. Provas de aferição. A seguir, exames que, pouco tempo depois, deixam de ser exames e passam a ser, de forma politicamente correta, apelidados de Provas Finais. Entretanto, menos exames. Novas provas de aferição. Pelo meio, Associações de Professores em desacordo com propostas do ME; Conselho Nacional de Educação com propostas diferentes das ministeriais. Atrasos generalizados no cumprimento dos programas (leia a notícia aqui). E hoje CE defende exames e provas de aferição. E a seguir?
Esta entediante enumeração resume meia dúzia de anos da nossa educação, em constante mutação e desacordo. Revela a forte instabilidade que a Escola vive em Portugal.
Diz a mesma música que
«São voltas e voltas sem parar
Em sonhos nocturnos
Em sonhos de encantar
Muitos enredos histórias reais.»
São, de facto, mundos reais. Mas não são sonhos. Às vezes parecem pesadelos, estas voltas e voltas sem parar. Sonhos que pouco têm de encantar.
AS
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Calendário de aplicação das novas metas curriculares
Pode ler aqui , no Despacho n.º 15971/2012, o calendário de aplicação das novas metas curriculares.
Artº 3º
Regime transitório
1 — As provas finais nacionais de Português a realizar pelos alunos dos 4.º e 9.º anos, em 2012 -2013, e pelos alunos do 6.º ano, em 2012-2013 e em 2013 -2014, mantêm como referência os programas em vigor, aplicando-se supletivamente as Metas Curriculares de Português.
2 — As provas finais nacionais de Matemática, a realizar pelos alunos dos 4.º, 6.º e 9.º anos, em 2012-2013 e em 2013 -2014, mantêm como referência os Programas em vigor, aplicando -se supletivamente as Metas Curriculares de Matemática.
3 — Para efeitos de realização das provas finais, entende-se por aplicação supletiva das Metas Curriculares a sua utilização na medida em que esclarecem e priorizam os diversos objetivos dos programas, sem entrar em conflito com estes.
4 — Nos exames nacionais a realizar por alunos do ensino secundário que não iniciaram este nível de ensino tendo as Metas Curriculares como referência obrigatória, estas devem ser utilizadas apenas na medida em que esclarecem e priorizam os diversos objetivos dos programas, sem entrar em conflito com estes.
Artº 3º
Regime transitório
1 — As provas finais nacionais de Português a realizar pelos alunos dos 4.º e 9.º anos, em 2012 -2013, e pelos alunos do 6.º ano, em 2012-2013 e em 2013 -2014, mantêm como referência os programas em vigor, aplicando-se supletivamente as Metas Curriculares de Português.
2 — As provas finais nacionais de Matemática, a realizar pelos alunos dos 4.º, 6.º e 9.º anos, em 2012-2013 e em 2013 -2014, mantêm como referência os Programas em vigor, aplicando -se supletivamente as Metas Curriculares de Matemática.
3 — Para efeitos de realização das provas finais, entende-se por aplicação supletiva das Metas Curriculares a sua utilização na medida em que esclarecem e priorizam os diversos objetivos dos programas, sem entrar em conflito com estes.
4 — Nos exames nacionais a realizar por alunos do ensino secundário que não iniciaram este nível de ensino tendo as Metas Curriculares como referência obrigatória, estas devem ser utilizadas apenas na medida em que esclarecem e priorizam os diversos objetivos dos programas, sem entrar em conflito com estes.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Metas a longo prazo
"Despacho de Nuno Crato confirma que em 2013 será homologado novo pacote
de metas, que abrangerá também disciplinas do ensino secundário.", diz o Público.
O referido despacho apresenta ainda o calendário de aplicação das Metas, sendo que a sua aplicação pelos exames nacionais não acontecerá antes do ano letivo 2014/15. Entretanto, está ainda prevista a elaboração de Metas para as restantes disciplinas, incluindo as do secundário. Enfim, um projeto a longo prazo no qual ninguém acredita muito, nomeadamente as associações de professores de Português e Matemática que elaboraram em agosto último pareceres que colocam em causa estas mesmas metas.
O referido despacho apresenta ainda o calendário de aplicação das Metas, sendo que a sua aplicação pelos exames nacionais não acontecerá antes do ano letivo 2014/15. Entretanto, está ainda prevista a elaboração de Metas para as restantes disciplinas, incluindo as do secundário. Enfim, um projeto a longo prazo no qual ninguém acredita muito, nomeadamente as associações de professores de Português e Matemática que elaboraram em agosto último pareceres que colocam em causa estas mesmas metas.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
E novamente as metas curriculares para Português
Para a aplicação "altamente recomendada" (?!?!) das Metas Curriculares, estão já disponíveis um Caderno de poemas (7º, 8º, 9º ano) e o documento "Caderno de Aprendizagem da Leitura e da Escrita".
Pode consultar os referidos documentos aqui.
Pode consultar os referidos documentos aqui.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Mais metas para mais disciplinas
Espera-se que as associações sejam ouvidas ANTES das metas saírem cá para fora.
Espera-se que não sejam tão diferentes dos programas como se revelaram as de Português e de Matemática.
BW
Espera-se que não sejam tão diferentes dos programas como se revelaram as de Português e de Matemática.
BW
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domingo, 5 de agosto de 2012
Metas curriculares - parecer da APP
Ainda quanto às Metas Curriculares, sugiro a consulta do parecer da Associação de Professores de Português.
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sábado, 4 de agosto de 2012
As metas - versão 2
Ainda não analisei com o cuidado suficiente a nova versão das metas, nomeadamente as referentes à disciplina de Português. No entanto, sinto já a desilusão ao perceber que este período de discussão não passou de um engano. Muitas das sugestões e observações feitas caíram em saco roto.
Das mesmas destaco a existência de um corpus obrigatório de leituras, por exemplo no 2º ciclo, que contraria a proposta dos programas, esta última mais aberta e adequada à diversidade da realidade das nossas escolas. Para não falar do número ou do pouco interesse que alguns títulos poderão suscitar nos alunos, sublinho que se trata de uma lista com títulos que não estão no mercado. Por exemplo, há um ano e meio que tento adquirir Os Piratas, de Manuel António Pina, e esta é uma das obras mais recentes da lista...
Por outro lado, confrange-me ainda o facto de encontrar nas metas uma linguagem que não é a dos programas. Não vou dizer qual prefiro, está mais certa, é mais atual. Mas vou dizer que as metas e os programas escolares, recém-chegados às escolas, pagos pelos contribuintes, deviam usar a mesma linguagem, partir dos mesmos pressupostos.
As metas apresentam uma nomenclatura que diverge da de outros documentos emanados do mesmo Ministério da Educação (por exemplo, quatro/cinco domínios em lugar das cinco competências; Gramática em "alternativa" a Conhecimento Explícito da Língua). Fará isto algum sentido?
Às vezes, é uma desilusão ser professora em Portugal. Valem-nos os alunos e a paixão por esta profissão.
Das mesmas destaco a existência de um corpus obrigatório de leituras, por exemplo no 2º ciclo, que contraria a proposta dos programas, esta última mais aberta e adequada à diversidade da realidade das nossas escolas. Para não falar do número ou do pouco interesse que alguns títulos poderão suscitar nos alunos, sublinho que se trata de uma lista com títulos que não estão no mercado. Por exemplo, há um ano e meio que tento adquirir Os Piratas, de Manuel António Pina, e esta é uma das obras mais recentes da lista...
Não teria sido também de valorizar o facto de os manuais escolares, adotados recentemente pelas famílias portuguesas com a expectativa de um período de vigência de seis anos, não contemplarem a maioria das leituras agora dadas como obrigatórias, sendo que, nos casos que estas são contempladas, as mesmas não surgirem nos anos previstos pelas metas?
As metas apresentam uma nomenclatura que diverge da de outros documentos emanados do mesmo Ministério da Educação (por exemplo, quatro/cinco domínios em lugar das cinco competências; Gramática em "alternativa" a Conhecimento Explícito da Língua). Fará isto algum sentido?
Às vezes, é uma desilusão ser professora em Portugal. Valem-nos os alunos e a paixão por esta profissão.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Metas curriculares
O Ministério da Educação e Ciência tornou públicas as metas curriculares para o ensino básico para as disciplinas de Português, Matemática, Educação Visual, Educação Tecnológica e Tecnologias da Informação e Comunicação. Está tudo aqui.
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