Nota histórica: os contratos de associação nasceram numa altura em que a rede das escolas públicas não chegava a todo o lado. Assim, o Estado contratualizou com escolas privadas que existiam nas regiões, pagando-lhes para receber todos os alunos. Portanto, estes não pagam mensalidades porque é o Estado que as paga, como se de uma escola pública se tratasse.
Com o passar do tempo, o Estado construiu escolas, em algumas regiões duplicou a oferta, uma vez que esta já existia. A isto devemos chamar "má gestão". Mas não é assim que a esquerda interpreta – tudo, mais cedo ou mais tarde, cai na ideologia. A isso a esquerda chama "oferta pública". Como se o que as escolas privadas fazem não fosse escrutinado pela Inspecção-Geral da Educação, como se não tivessem de dar as mesmas matérias que as públicas, como se os seus alunos não tivessem de fazer os mesmos exames.
Mas a história não fica por aqui e, paralelamente à construção de escolas públicas, o mesmo Estado – é preciso ver que este nem sempre é o mesmo porque umas vezes é o PS que o gere, outras é o PSD/CDS – autorizou mais contratos de associação em colégios ao lado de escolas públicas e mais: permitiu que novas privadas conseguissem estes mesmos contratos. Má gestão, repito.
Depois de viverem dias calmos com Nuno Crato, as escolas privadas com contratos de associação estão em alvoroço com a possibilidade de perderem os contratos, logo, o financiamento.
Há contratos que são vergonhosos, os do centro da cidade de Coimbra, com escolas públicas ao lado! O das Caldas da Rainha onde a escola pública já existente ficou às moscas desde que a privada abriu, recentemente.
Mas aqui é que está o ponto: por que está a escola pública às moscas?
E devia ser sobre isso que as públicas que querem os alunos das dos contratos de associação deviam reflectir, em vez de acharem que têm o direito porque o "ensino é público". Repito: porque está a escola pública às moscas?
Outros pontos sobre os quais podem reflectir:
O que faz a escola pública para bem receber os alunos?
O que lhes oferecer em termos de actividades extra-curriculares?
Tem um corpo docente estável e disponível para tudo?
Tem recursos físicos e humanos para que os alunos fiquem até mais tarde?
Como é a sua relação com os pais? Ouve-os, trata-os bem?
Tem transporte?
Há escolas com contratos de associação más? Há, basta olhar para os rankings e elas lá estão. Há escolas com contratos de associação que escolhem os alunos? Sim, como há públicas que o fazem, mesmo que jurem a pés juntos que não. Há escolas com contratos de associação que exploram os seus professores? Há, têm sido denunciadas pelos sindicatos.
Mas também há escolas com contratos de associação que recebem os alunos que as públicas não querem ou os que as públicas desistiram.
Um amigo do meu filho esteve numa escola com contrato de associação com uma equipa de atletismo fortíssima – ah, pois, os privados podem ter essas coisas, dirão já os invejosos. Mas os públicos não têm porquê? Porque não querem, não é por falta de condições visto que todas as escolas têm pavilhão desportivo e departamento de educação fisica.
Voltando ao amigo do meu filho. É um rapaz de uma família pobre de uma ex-colónia, de um bairro complicado, que noutra escola teria poucas possibilidades porque estaria, à partida, condenado ao insucesso. Nesta escola com contrato de associação foi integrado, a escola percebeu que o miúdo tinha jeito para o desporto, pô-lo a praticar uma modalidade que pode levá-lo longe, e, entretanto, entrou na universidade, com bolsa, conseguida com a ajuda da escola que preparou todo o processo – ah, mas as privadas têm condições que as públicas não têm, onde é que numa pública podemos ajudar os meninos a ter bolsas... Mas não existe um gabinete de acção social?
Portanto, se este miúdo não tivesse sido verdadeiramente integrado, não lhe fosse traçado um projecto de vida, provavelmente poderia fazer parte daquele grupo de 30 que queria, à força toda, comer às sete da manhã no Palácio dos Kebabs, em Santos, em Lisboa, e como não lhe foi feita a vontade destruiu e roubou.
Esses rapazes, possivelmente com o mesmo background que este miúdo, não andaram na escola? O que é que a escola fez por eles, já que as famílias nada fizeram?
Mas todas as escolas com contratos de associação são bons exemplos de integração? Claro que não! E todas as públicas são um mau exemplo? Também não. O que quero dizer é que se a escola cumprir o seu papel – se em vez de os directores estarem preocupados em agradar ao seu corpo docente, se preocuparem com os alunos e as famílias –, certamente que os pais vão querer que os filhos fiquem na pública ao lado de casa, em vez de meterem os miúdos nos autocarros para irem para a privada com contrato de associação que fica a 25 km de distância.
O desafio é deixar as leis do mercado funcionarem! Mais: se eu fosse o Ministério da Educação, em vez de apregoar que os contratos são para acabar, para gáudio da Fenprof, do PCP e do BE, punha a IGE no terreno, a reflectir com as públicas que estão às moscas e com as privadas que têm maus resultados. Porque se a rede inclui públicas e privadas, por que hão-de ser as privadas a fechar as suas turmas, só para que se mantenha o peso da máquina do Estado? Enquanto este for conivente com as suas clientelas não lhes exigindo nada em troca, a escola não muda e, por consequência, a sociedade tende a piorar.
BW
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quarta-feira, 4 de maio de 2016
terça-feira, 23 de julho de 2013
A (falta) de inteligência dos atletas
Nota prévia: Eu sou mãe de um desportista.
Diz o PÚBLICO: "Qual é o segredo para detectar um atleta acima da média? As capacidades mentais assumem um papel essencial.
Diz o PÚBLICO: "Qual é o segredo para detectar um atleta acima da média? As capacidades mentais assumem um papel essencial.
Um desportista de topo não se reduz às suas capacidades físicas e ao talento com que foi favorecido pela natureza. Há cada vez mais literatura científica, produzida por especialistas de diferentes áreas de estudo a partir de testes práticos, a explorar a importância das competências intelectuais na prestação desportiva de alto nível. E as conclusões tendem a contrariar alguns preconceitos: cérebro e músculos são tudo menos incompatíveis." Leia mais aqui
Quando ouvimos um futebolista falar arrepiamo-nos. Os atletas são todos assim? Não sabem conjugar os verbos? Desconhecem o significado das palavras? Muitas vezes, a resposta é sim. Não estudaram. Não tiveram tempo para estudar. Desistiram da escola quando eram miúdos e se podia desistir antes dos 12 anos de escolaridade obrigatória.
Quem quer abraçar um desporto a sério tem de abdicar de muitas coisas: de festas, de saídas com os amigos, mas também de horas para estudar - algo incompreensível para os professores. Quando as aulas terminaram e fomos ver as pautas uma professora disse-me que ele era "mandrião". Com um sorriso respondi-lhe que ele trabalhava imenso e que não ia ter férias porque se estava a preparar para participar em várias provas. E a docente rematou: "Descanse que ele tem muitas férias durante o ano [lectivo]". Não insisti.
As aulas acabaram há um mês e ele ainda não parou de treinar. Continua a levantar-se de madrugada para o fazer. Em tempo de escola, as suas semanas podem ter 50 horas de trabalho, entre treinos e aulas. Incompreensível para os professores que o comparam aos outros, os que vão às aulas, voltam para casa e saem para ir às explicações.
Há provas nacionais e internacionais. Cada vez que sai do país, vai vestido com um equipamento que representa Portugal. São as cores da bandeira que fazem os seus fatos de corrida e de natação. É a abreviatura "POR" que está colada nas suas costas no fato de esgrima. Ele é Portugal na Polónia, em Inglaterra, na Bielorússia, na República Checa, em Espanha... em todos os países onde participa numa prova; onde dá tudo por tudo para subir lugares no ranking.
Há provas em tempo de férias. Há provas em tempo de aulas e, porque tem o estatuto de atleta de alta competição a escola é obrigada a fazer-lhe os testes ou entrega de trabalhos noutra altura quando aquelas batem com as datas das provas. Uma benesse, acreditam uns professores. Uma trabalheira, pensam outros, convencidos que estão que ele é um mandrião, que não faz nada. Faz, mesmo na escola. Não é aluno de 20? Não. Há outros na mesma situação que ele que conseguem ter 20? Há. É daqueles cuja inteligência permite não estudar e ter testes positivos só com o que ouviu na aula. Se estudasse seria um excelente aluno, acredito.
Ele não é único. A mãe de uma atleta contou-me que pediu à escola para colocar a filha numa turma da manhã por causa dos treinos. A miúda foi posta à tarde. Outra mãe pediu à directora de turma para adiar um teste porque naquele dia o filho ia para uma prova fora, o pedido foi ignorado.
Se fosse nos EUA, em Inglaterra ou mesmo na vizinha Espanha, estes miúdos estariam numa escola com outros atletas, com professores que compreendem que um miúdo que acorda às seis da manhã não é igual a outro que acorda às 7h30 para entrar nas aulas às 8h15. O país não investe no desporto, como não investe em nada – é inacreditável o investimento que os países de Leste continuam a fazer nos seus atletas, com treinos integrados e articulados com a escola desde que eles são pequenos. A escola portuguesa também não se sente na obrigação de tratar estes alunos de maneira diferente, aliás, como não trata nenhum dos outros de modo diferente, os alunos é que têm de se adaptar à escola, à escola das massas, da uniformização.
E sim, é preciso ser inteligente para gerir horários da escola e dos treinos; para gerir quando se deve fazer muito ou pouco esforço; para conhecer os adversários, os seus pontos fortes e fracos; para saber quando fazer a prova com mais calma ou com mais velocidade; para fazer cálculos matemáticos (quantos pontos preciso para alcançar o meu adversário? quantos segundos tenho de diminuir à minha corrida?); para planear. É preciso ter maturidade para sair do país com o treinador e não com a família; para gerir a frustração de não ser o melhor; para controlar o ego quando se é o melhor. É preciso ter responsabilidade para saber dizer 'não'.
B
Quando ouvimos um futebolista falar arrepiamo-nos. Os atletas são todos assim? Não sabem conjugar os verbos? Desconhecem o significado das palavras? Muitas vezes, a resposta é sim. Não estudaram. Não tiveram tempo para estudar. Desistiram da escola quando eram miúdos e se podia desistir antes dos 12 anos de escolaridade obrigatória.
Quem quer abraçar um desporto a sério tem de abdicar de muitas coisas: de festas, de saídas com os amigos, mas também de horas para estudar - algo incompreensível para os professores. Quando as aulas terminaram e fomos ver as pautas uma professora disse-me que ele era "mandrião". Com um sorriso respondi-lhe que ele trabalhava imenso e que não ia ter férias porque se estava a preparar para participar em várias provas. E a docente rematou: "Descanse que ele tem muitas férias durante o ano [lectivo]". Não insisti.
As aulas acabaram há um mês e ele ainda não parou de treinar. Continua a levantar-se de madrugada para o fazer. Em tempo de escola, as suas semanas podem ter 50 horas de trabalho, entre treinos e aulas. Incompreensível para os professores que o comparam aos outros, os que vão às aulas, voltam para casa e saem para ir às explicações.
Há provas nacionais e internacionais. Cada vez que sai do país, vai vestido com um equipamento que representa Portugal. São as cores da bandeira que fazem os seus fatos de corrida e de natação. É a abreviatura "POR" que está colada nas suas costas no fato de esgrima. Ele é Portugal na Polónia, em Inglaterra, na Bielorússia, na República Checa, em Espanha... em todos os países onde participa numa prova; onde dá tudo por tudo para subir lugares no ranking.
Há provas em tempo de férias. Há provas em tempo de aulas e, porque tem o estatuto de atleta de alta competição a escola é obrigada a fazer-lhe os testes ou entrega de trabalhos noutra altura quando aquelas batem com as datas das provas. Uma benesse, acreditam uns professores. Uma trabalheira, pensam outros, convencidos que estão que ele é um mandrião, que não faz nada. Faz, mesmo na escola. Não é aluno de 20? Não. Há outros na mesma situação que ele que conseguem ter 20? Há. É daqueles cuja inteligência permite não estudar e ter testes positivos só com o que ouviu na aula. Se estudasse seria um excelente aluno, acredito.
Ele não é único. A mãe de uma atleta contou-me que pediu à escola para colocar a filha numa turma da manhã por causa dos treinos. A miúda foi posta à tarde. Outra mãe pediu à directora de turma para adiar um teste porque naquele dia o filho ia para uma prova fora, o pedido foi ignorado.
Se fosse nos EUA, em Inglaterra ou mesmo na vizinha Espanha, estes miúdos estariam numa escola com outros atletas, com professores que compreendem que um miúdo que acorda às seis da manhã não é igual a outro que acorda às 7h30 para entrar nas aulas às 8h15. O país não investe no desporto, como não investe em nada – é inacreditável o investimento que os países de Leste continuam a fazer nos seus atletas, com treinos integrados e articulados com a escola desde que eles são pequenos. A escola portuguesa também não se sente na obrigação de tratar estes alunos de maneira diferente, aliás, como não trata nenhum dos outros de modo diferente, os alunos é que têm de se adaptar à escola, à escola das massas, da uniformização.
E sim, é preciso ser inteligente para gerir horários da escola e dos treinos; para gerir quando se deve fazer muito ou pouco esforço; para conhecer os adversários, os seus pontos fortes e fracos; para saber quando fazer a prova com mais calma ou com mais velocidade; para fazer cálculos matemáticos (quantos pontos preciso para alcançar o meu adversário? quantos segundos tenho de diminuir à minha corrida?); para planear. É preciso ter maturidade para sair do país com o treinador e não com a família; para gerir a frustração de não ser o melhor; para controlar o ego quando se é o melhor. É preciso ter responsabilidade para saber dizer 'não'.
B
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Aos atletas
"(...) há muitas pessoas que têm talento e vontade, e muitas delas nunca chegam a lado nenhum. Esse é apenas o princípio para se fazer alguma coisa na vida. O talento natural é como a força de um atleta. Por-se nascer com mais ou menos faculdades, mas ninguém consegue ser atleta simplesmente por ter nascido alto ou forte ou rápido. O que faz um atleta, ou um artista, é o trabalho, o ofício e a técnica. A inteligência com que se nasce é simplesmente a munição. Para fazermos alguma coisa com ela é necessário transformarmos a nossa mente numa arma de precisão."
Carlos Ruiz Zafón, O Jogo do Anjo
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Fernando Pimenta e Emanuel Silva ganharam uma medalha de prata na canoagem. Parabéns!
E vale a pena ler o artigo do professor universitário João Paulo Villas-Boas até ao fim.
BW
E vale a pena ler o artigo do professor universitário João Paulo Villas-Boas até ao fim.
BW
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domingo, 29 de julho de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
terça-feira, 7 de junho de 2011
Pina Bausch: obrigada!
Foi em 2008, a última vez que Pina Bausch esteve em Portugal, a própria, um ano antes de morrer.
Pensámos, pensámos e decidimos levá-los a ver Cafe Muller, no São Luiz, em Lisboa. Eram pequenos, mas era uma oportunidade única. Ele tinha dez e ela oito. Explicámos: "O pai e a mãe gostam muito do trabalho desta coreógrafa, é uma mulher cheia de imaginação, os seus bailarinos são magníficos. O pai viu esta peça há muitos anos e está tão feliz por poder partilhá-la connosco. Tu [ela] ainda não tinhas nascido e ela imaginou uma coreografia a pensar em Lisboa que o pai e mãe viram juntos. Eram danças felizes, um bocadinho diferentes do que vamos ver hoje...".
Quando chegámos, não se viam crianças, só os adultos do costume, os seres cultos e iluminados da cidade, os que vemos no CCB, no Teatro Aberto ou no cinema King.
Eles sentiram que era mesmo uma coisa diferente! Todo aquele alvoroço, todas aquelas pessoas entusiasmadas, excitadas com o que se ia ali passar... Um casal perguntou-lhes se não queriam trocar de lugar, que veriam melhor. Obrigada!
E depois, ficou-lhes para sempre gravado na memória a correria, as cadeiras a cairem, a serem derrubadas naquela pressa de as tirar da frente dos corpos que vagueam pelo café, os gestos repetidos, os diálogos mudos, os desencontros e encontros.
Perceberam tudo o que viram? Não. Precisaram de contextualização? Sim. Perceberam o que representava aquela personagem de Pina, a solidão, a fragilidade, o abandono? Não. Perceberam porque é que eu chorei o tempo todo? Não. Mas vibraram porque nós vibrámos. E perceberam que Pina era grande, magnífica, diferente e que foi um enorme privilégio para eles verem-na dançar.
Agora repetimos a experiência, desta vez de óculos 3D postos. Mais uma vez, eles eram as únicas crianças na sala. Desta vez, do cinema. Recordaram o que tinham visto e não tinham esquecido. Podemos partilhar com eles o que já tínhamos visto, há muitos anos (muitos!): a Sagração da Primavera, a Água, o Baile...
Perceberam tudo? Não. Mas os gestos e os movimentos ficaram guardados nas suas memórias, na construção do seu gosto, e, nos seus corpos, nas brincadeiras onde reproduzem repetidamente aqueles movimentos, que têm tanto de belo como de físicamente exigentes, como viram fazer aos bailarinos de Pina.
BW
Pensámos, pensámos e decidimos levá-los a ver Cafe Muller, no São Luiz, em Lisboa. Eram pequenos, mas era uma oportunidade única. Ele tinha dez e ela oito. Explicámos: "O pai e a mãe gostam muito do trabalho desta coreógrafa, é uma mulher cheia de imaginação, os seus bailarinos são magníficos. O pai viu esta peça há muitos anos e está tão feliz por poder partilhá-la connosco. Tu [ela] ainda não tinhas nascido e ela imaginou uma coreografia a pensar em Lisboa que o pai e mãe viram juntos. Eram danças felizes, um bocadinho diferentes do que vamos ver hoje...".
Quando chegámos, não se viam crianças, só os adultos do costume, os seres cultos e iluminados da cidade, os que vemos no CCB, no Teatro Aberto ou no cinema King.
Eles sentiram que era mesmo uma coisa diferente! Todo aquele alvoroço, todas aquelas pessoas entusiasmadas, excitadas com o que se ia ali passar... Um casal perguntou-lhes se não queriam trocar de lugar, que veriam melhor. Obrigada!
E depois, ficou-lhes para sempre gravado na memória a correria, as cadeiras a cairem, a serem derrubadas naquela pressa de as tirar da frente dos corpos que vagueam pelo café, os gestos repetidos, os diálogos mudos, os desencontros e encontros.
Perceberam tudo o que viram? Não. Precisaram de contextualização? Sim. Perceberam o que representava aquela personagem de Pina, a solidão, a fragilidade, o abandono? Não. Perceberam porque é que eu chorei o tempo todo? Não. Mas vibraram porque nós vibrámos. E perceberam que Pina era grande, magnífica, diferente e que foi um enorme privilégio para eles verem-na dançar.
Agora repetimos a experiência, desta vez de óculos 3D postos. Mais uma vez, eles eram as únicas crianças na sala. Desta vez, do cinema. Recordaram o que tinham visto e não tinham esquecido. Podemos partilhar com eles o que já tínhamos visto, há muitos anos (muitos!): a Sagração da Primavera, a Água, o Baile...
Perceberam tudo? Não. Mas os gestos e os movimentos ficaram guardados nas suas memórias, na construção do seu gosto, e, nos seus corpos, nas brincadeiras onde reproduzem repetidamente aqueles movimentos, que têm tanto de belo como de físicamente exigentes, como viram fazer aos bailarinos de Pina.
BW
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
A importância do Desporto Escolar

Eles gostam e sentem-se promovidos quando o professor de Educação Física os chama para participarem nos torneios de futsal, voleibol, basquetebol ou no corta-mato organizado pelo Desporto Escolar. Nos dias dos torneios, ali estão eles, em destaque, a representar as cores e os valores das suas escolas e a dar o seu melhor! Nas bancadas estão os pais a torcer por eles e pela escola.
Não tenho dúvidas de que o Desporto Escolar ajuda a criar espírito de grupo, de pertença. E se hoje, os pais vão vê-los ao complexo desportivo, amanhã vão à escola falar com o director de turma, ou seja, o Desporto Escolar pode ser um modo de interessar os pais pela escola.
O Desporto Escolar também é democrático e promotor da igualdade. Lado a lado, estão alunos dos colégios e das escolas públicas, todos iguais, a lutar pelos mesmos lugares nos pódios. No final, todos recebem medalhas e troféus.
Para muitos, sobretudo aqueles que não têm dinheiro para ginásios e clubes , é o Desporto Escolar a forma que têm de praticar uma modalidade de que gostam, sem gastar dinheiro. Para muitos alunos é o único meio para fazerem actividade física.
O Desporto Escolar pode mesmo ser a motivação para estar na escola, sobretudo para aqueles alunos que não gostam, que têm maus desempenhos e mau comportamento mas que estão em grande forma física e brilham no desporto.
Por tudo isto, não compreendo os cortes que o Governo pretende fazer neste programa.
BW
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A menina bonita do boxe português
Para ler, porque estes miúdos são verdadeiros exemplos. Por vezes, a escola tende a desvalorizar os alunos que praticam desporto. Há aquele preconceito que quem faz desporto não é tão inteligente como o que toca um instrumento ou participa nas Olimpíadas da Matemática. São tipos de inteligência diferentes.
Há quem se insurja contra os estudantes que são atletas de alta competição e que entram no ensino superior com notas abaixo dos últimos classificados, esquecendo que esses rapazes e raparigas representam o país, ao longo de anos e anos, trazem medalhas e orgulham-se de ser portugueses. Esquecendo que estes cresceram com o sentido da responsabilidade, da ordem, do sacrifício, do esforço, da disciplina; que são miúdos saudáveis (a maioria) e ocupados (veja-se a Juliana que faz boxe, teatro e é uma católica activa e comprometida). Esquecem que o país não apoia estes jovens, à excepção se fizerem futebol ou outra modalidade que dê mais dinheiro em termos publicitários. Parabéns à Juliana e que dê o seu melhor no campeonato europeu de júniores!
BW
Há quem se insurja contra os estudantes que são atletas de alta competição e que entram no ensino superior com notas abaixo dos últimos classificados, esquecendo que esses rapazes e raparigas representam o país, ao longo de anos e anos, trazem medalhas e orgulham-se de ser portugueses. Esquecendo que estes cresceram com o sentido da responsabilidade, da ordem, do sacrifício, do esforço, da disciplina; que são miúdos saudáveis (a maioria) e ocupados (veja-se a Juliana que faz boxe, teatro e é uma católica activa e comprometida). Esquecem que o país não apoia estes jovens, à excepção se fizerem futebol ou outra modalidade que dê mais dinheiro em termos publicitários. Parabéns à Juliana e que dê o seu melhor no campeonato europeu de júniores!
BW
terça-feira, 27 de julho de 2010
Eles e as expectativas dos pais
É o culminar de uma época de provas desportivas, o campeonato nacional, com atletas oriundos de todo o país, continente e ilhas. Os melhores de Portugal estão ali reunidos para competir entre si. Este é um cenário que milhares de pais de atletas conhecem.
A ansiedade é muita e para todos.
Quando os miúdos perdem é como se os próprios pais fracassassem. E as justificações vêm logo a seguir.
Um pai: "Ela podia fazer melhor, não está com uma atitude vencedora, está desmotivada".
Uma mãe: "Está cansado, não treinou o suficiente, a culpa é do treinador que devia trabalhar mais com eles."
Outro pai: "É o culminar de uma época de trabalho, é aqui que tem que dar o tudo por tudo para ser campeão nacional!"
Outra mãe: "Os outros clubes têm condições melhores do que o nosso."
Há culpas a atribuir a treinadores, aos clubes e aos próprios filhos.
Os pais lembram os sacrifícios que fazem (levar os miúdos aos treinos, às provas, etc) e esquecem os que os próprios miúdos fazem - treinos diários, muitas vezes, bidiários; provas atrás de provas para se qualificarem para o campeonato nacional, conciliar os estudos com os treinos sem receber qualquer incentivo por parte dos treinadores para estudarem ou por parte dos professores para treinarem.
Estes são miúdos que durante o ano lectivo trabalham o dobro daqueles que têm a escola, as explicações, as playstations, os morangos com açúcar e pouco mais. São também estes que raramente são valorizados pelos professores. O preconceito relativamente ao desporto é muito, ser desportista é sinónimo de burrice, acreditam os docentes, esquecendo que é preciso inteligência para levar o corpo a fazer o que a maioria não consegue.
Os pais, depois de exorcizarem as suas frustrações, engolem as expectativas goradas e dão força aos filhos, dizem-lhes que deram o seu melhor, que estão de parabéns. Todos? Não, alguns não conseguem, há quem não resista e verbalize as suas frustrações aos mais novos porque depois de tudo o que fizeram, eles tinham obrigação de ser campeões. Pais e filhos.
BW
A ansiedade é muita e para todos.
Quando os miúdos perdem é como se os próprios pais fracassassem. E as justificações vêm logo a seguir.
Um pai: "Ela podia fazer melhor, não está com uma atitude vencedora, está desmotivada".
Uma mãe: "Está cansado, não treinou o suficiente, a culpa é do treinador que devia trabalhar mais com eles."
Outro pai: "É o culminar de uma época de trabalho, é aqui que tem que dar o tudo por tudo para ser campeão nacional!"
Outra mãe: "Os outros clubes têm condições melhores do que o nosso."
Há culpas a atribuir a treinadores, aos clubes e aos próprios filhos.
Os pais lembram os sacrifícios que fazem (levar os miúdos aos treinos, às provas, etc) e esquecem os que os próprios miúdos fazem - treinos diários, muitas vezes, bidiários; provas atrás de provas para se qualificarem para o campeonato nacional, conciliar os estudos com os treinos sem receber qualquer incentivo por parte dos treinadores para estudarem ou por parte dos professores para treinarem.
Estes são miúdos que durante o ano lectivo trabalham o dobro daqueles que têm a escola, as explicações, as playstations, os morangos com açúcar e pouco mais. São também estes que raramente são valorizados pelos professores. O preconceito relativamente ao desporto é muito, ser desportista é sinónimo de burrice, acreditam os docentes, esquecendo que é preciso inteligência para levar o corpo a fazer o que a maioria não consegue.
Os pais, depois de exorcizarem as suas frustrações, engolem as expectativas goradas e dão força aos filhos, dizem-lhes que deram o seu melhor, que estão de parabéns. Todos? Não, alguns não conseguem, há quem não resista e verbalize as suas frustrações aos mais novos porque depois de tudo o que fizeram, eles tinham obrigação de ser campeões. Pais e filhos.
BW
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domingo, 11 de julho de 2010
Termina hoje o mundial de futebol
Adeus vuvuzelas, adeus polvo Paul, adeus às más arbitragens, aos cromos do mundial!
BW
BW
segunda-feira, 22 de março de 2010
Cansem-nos!
Não li e ainda ando à procura mas ouvi dizer (!) que há escolas, não me parece que fosse em Portugal, que cansam os alunos antes deles entrarem na sala de aula, ou seja, têm animadores de recreio cuja função é obrigar os miúdos a correr de um lado para o outro, jogam, etc. Quando entram estão extenuados e por isso portam-se bem! Não têm força para mais! Não sei é quais são os resultados escolares depois disso!
Também há escolas onde em cima de uma mesa enorme espalham peças de um puzzle e os estudantes, quem quiser, quando está por ali a passar, pode ajudar a construir o puzzle, como quem aprende a construir a escola, a ter espírito de equipa e de pertença.
Entretanto, os professores podem ir fazendo formação para aprender a lidar com o bullying...
BW
Também há escolas onde em cima de uma mesa enorme espalham peças de um puzzle e os estudantes, quem quiser, quando está por ali a passar, pode ajudar a construir o puzzle, como quem aprende a construir a escola, a ter espírito de equipa e de pertença.
Entretanto, os professores podem ir fazendo formação para aprender a lidar com o bullying...
BW
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Quem me dera ser alta e rica!
Sou baixa. Cresci demasiado depressa e deixei de crescer cedo, além disso sou filha de um chinês que não ultrapassou o 1,64 m, a altura da minha mãe portuguesa que era das mais altas do colégio e sempre se orgulhou de ser "alta para mulher" e de ser escolhida para jogar precisamente pela sua altura.
O meu avô de 96 anos tinha 1,80 (hoje é mais baixo do que eu) e o meu tio tem 1,88 e andou no Colégio Militar (CM). Ele é um dos responsáveis por estes números! E se, por estes dias, o meu filho lá andasse, os meninos do CM não eram ricos, eram multimilionários!
Diz o estudo das universidade de Coimbra e do Porto - publicado na revista Economics and Human Biology, que compara as diferenças na estatura dos alunos do Colégio Militar e da Casa Pia de Lisboa, entre 1910 e 2000 -, que há diferenças de altura entre os rapazes de boas famílias que frequentaram o CM e os filhos das classes desfavorecidas da Casa Pia. Ao longo do último século, os alunos do CM somaram em média mais 6,4 centímetros de altura e mais 4,8 quilos do que os da Casa Pia.
As conclusões do estudo parecem óbvias: se se vive melhor, é natural que se cresça mais forte, alto e mais saudável, mas parece esquecer que para se andar no CM não se é propriamente fraquinho e que a educação do colégio puxa muito pela formação física e desportiva dos alunos. Talvez o melhor tivesse sido comparar os alunos do CM com os dos Pupilos do Exército, frequentado pelos filhos dos militares de baixa patente, logo, de classes mais baixas. Talvez assim não se chegasse a conclusões tão estrondosas.
Entretanto vou usando uns sapatos de salto alto, sempre me fazem parecer o que não sou: alta e rica!
BW
Agora a sério: Parece que o segredo para se crescer está na combinação da genética com uma alimentação e hábitos de vida saudável. Mas a genética conta muito. Por isso, os portugueses são pequenos.
O meu avô de 96 anos tinha 1,80 (hoje é mais baixo do que eu) e o meu tio tem 1,88 e andou no Colégio Militar (CM). Ele é um dos responsáveis por estes números! E se, por estes dias, o meu filho lá andasse, os meninos do CM não eram ricos, eram multimilionários!
Diz o estudo das universidade de Coimbra e do Porto - publicado na revista Economics and Human Biology, que compara as diferenças na estatura dos alunos do Colégio Militar e da Casa Pia de Lisboa, entre 1910 e 2000 -, que há diferenças de altura entre os rapazes de boas famílias que frequentaram o CM e os filhos das classes desfavorecidas da Casa Pia. Ao longo do último século, os alunos do CM somaram em média mais 6,4 centímetros de altura e mais 4,8 quilos do que os da Casa Pia.
As conclusões do estudo parecem óbvias: se se vive melhor, é natural que se cresça mais forte, alto e mais saudável, mas parece esquecer que para se andar no CM não se é propriamente fraquinho e que a educação do colégio puxa muito pela formação física e desportiva dos alunos. Talvez o melhor tivesse sido comparar os alunos do CM com os dos Pupilos do Exército, frequentado pelos filhos dos militares de baixa patente, logo, de classes mais baixas. Talvez assim não se chegasse a conclusões tão estrondosas.
Entretanto vou usando uns sapatos de salto alto, sempre me fazem parecer o que não sou: alta e rica!
BW
Agora a sério: Parece que o segredo para se crescer está na combinação da genética com uma alimentação e hábitos de vida saudável. Mas a genética conta muito. Por isso, os portugueses são pequenos.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Rio de Janeiro vai receber os Jogos Olímpicos!
"O Rio de Janeiro continua lindo..." E ainda mais depois de ter conhecido a decisão do comité olímpico! O Rio de Janeiro vai receber os Jogos Olímpicos de 2016.Surpreendentemente, Chicago foi a primeira a cair, apesar do apoio do presidente Obama. Depois foi Tóquio, que tinha nas suas fileiras a portuguesa Rosa Mota (!) e durante 45 minutos ficamos sem saber se seria Madrid ou Rio... Parabéns Rio! Parabéns América do Sul!
"Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil..."
BW
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