... o relatório sobre os Testes Intermédios (TI) passou ao lado da maioria dos órgãos de comunicação social, excepto do i.
Os alunos do 3.º ciclo e do secundário não sabem interpretar, nem a Português, nem a Matemática. Não é novo, já todos o sabíamos. É grave e a culpa não é só do Governo, mas das famílias e dos professores.
O que não me parece muito correcto é comparar estes resultados com o PISA. Os TI testam os alunos nas disciplinas, tendo por base os programas das mesmas; os do PISA avaliam os estudantes na literacia da língua, matemática e científica, ou seja, os alunos não respondem a perguntas sobre matéria, como nos primeiros.
Os TI são feitos a meio do ano, para algumas escolas são uma espécie de preparação para os exames nacionais (no caso dos alunos do 8.º ano), por todos os alunos desses anos de escolaridade. O PISA é feito por estudantes de 15 anos, independentemente do ano de escolaridade que frequentam, que são escolhidos aleatoriamente, cerca de 40/escola, em pouco mais de 200 estabelecimentos de ensino.
Só estas duas premissas deveriam servir aos professores e comentadores de serviço para não extrapolarem. Parabéns ao Gave por esta atitude de transparência, ou seja, os testes fazem-se e os seus resultados não só chegam às escolas onde os TI foram feitos, como chegam ao grande público. O relatório está aqui.
BW
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
domingo, 15 de agosto de 2010
"As férias dão cabo de mim"...
... É o nome da crónica do jornalista João Miguel Tavares, na revista de domingo do Correio da Manhã, que hoje escreve sobre o cansaço que é estar de férias com os filhos.João Miguel Tavares tem "uma tese sócio-demográfico-económica" que diz que: "O pessoal trabalha pouco porque basicamente deixou de ter filhos". O jornalista tem a certeza de que se os portugueses tivessem mais filhos, seriam mais produtivos, ou seja, quando estivessem de férias com os filhos não viam a hora de voltar ao trabalho!
"Não se pode atribuir o mesmo nome [férias] à actividade praticada por uma família de cinco em Armação de Pêra e à de dois adultos saudáveis em Bora Bora.
Quando estes belos 15 dias chegarem ao fim, vou estar mais queimadinho psicologicamente do que um recém-doutorado em física nuclear e mais esgotado fisicamente do que um ciclista que tenha trepado os Alpes suíços no pino do calor."
Pois, a mim acontece-me exactamente o mesmo - o esgotamento, o cansaço, a gestão de personalidades e conflitos, quando o que queria mesmo era devorar um livro, à sombra, sem que ninguém me incomodasse - mas, apesar de tudo, não consigo imaginar as férias de outra maneira!
BW
PS: Para o sítio que está na imagem iremos nós, pais, quando os nossos filhos e os nossos netos já não precisarem de nós para os levar à praia, dar-lhes de comer, tomar conta deles, passar o creme protector, etc. É o paraíso para os bons pais que se sacrificam para lhes dar férias condignas e felizes!
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Cortes na educação
O objectivo, ouço dizer por aí, é não chegar aos salários dos professores. Por isso, o Ministério da Educação parece estar a fazer como as famílias portuguesas. Primeiro deixam de viajar, depois de sair à noite, de comer fora, de ir ao cinema, de comprar livros, de comprar roupa e sapatos, passam a economizar na farmácia, na mercearia, na padaria...
Para já, a tutela ainda está melhor do que muitas famílias portuguesas por isso ainda só começou a cortar nos luxos:
1. ensino especializado da música? quem disse que o país precisa de uma orquestra em cada esquina? músicos? precisamos é de engenheiros e médicos!
2. ensino à distância para os filhos dos profissionais itinerantes? mas esses não têm já as suas vidinhas asseguradas nos circos e nas feiras? quem disse que devem ter aspirações a ser diferentes dos seus pais? ou que possam, um dia melhorar os negócios dos seus pais, graças à escola?
3. formação para os professores do 1.º ciclo em ciências? mas eles não aprenderam tudo na escola superior de educação (ESE) quando eram ainda aspirantes a professores? (neste caso irrita-me saber que estes docentes não foram devidamente preparados nas ESE, de onde são originários os mesmos professores que depois são formadores dos planos de acção para a Matemática, o Português e as Ciências - andamos a pagar a dobrar, embora a formação contínua seja necessária)
4. professores bibliotecários? bibliotecas nas escolas? que extravagância! os meninos não têm tudo nos portáteis? bibliotecas, jogos...
O problema é que são os pequenos luxos que nos fazem pessoas melhores, mais abertas, mais cultas, mais generosas, mais inteligentes, mais críticas.
BW
PS: O Governo arranjou não uma mas duas equipas para decidir o que cortar na Educação. Só esta medida parece-me uma despesa.
Para já, a tutela ainda está melhor do que muitas famílias portuguesas por isso ainda só começou a cortar nos luxos:
1. ensino especializado da música? quem disse que o país precisa de uma orquestra em cada esquina? músicos? precisamos é de engenheiros e médicos!
2. ensino à distância para os filhos dos profissionais itinerantes? mas esses não têm já as suas vidinhas asseguradas nos circos e nas feiras? quem disse que devem ter aspirações a ser diferentes dos seus pais? ou que possam, um dia melhorar os negócios dos seus pais, graças à escola?
3. formação para os professores do 1.º ciclo em ciências? mas eles não aprenderam tudo na escola superior de educação (ESE) quando eram ainda aspirantes a professores? (neste caso irrita-me saber que estes docentes não foram devidamente preparados nas ESE, de onde são originários os mesmos professores que depois são formadores dos planos de acção para a Matemática, o Português e as Ciências - andamos a pagar a dobrar, embora a formação contínua seja necessária)
4. professores bibliotecários? bibliotecas nas escolas? que extravagância! os meninos não têm tudo nos portáteis? bibliotecas, jogos...
O problema é que são os pequenos luxos que nos fazem pessoas melhores, mais abertas, mais cultas, mais generosas, mais inteligentes, mais críticas.
BW
PS: O Governo arranjou não uma mas duas equipas para decidir o que cortar na Educação. Só esta medida parece-me uma despesa.
domingo, 8 de agosto de 2010
Comprar devagarinho custa menos do que em catadupa!
É certo que estamos em Agosto mas, não tarda nada e Setembro está à porta com as despesas das escolas. É certo que estamos de férias e não nos apetece, nem a nós, nem a eles, pensar em escola, em cadernos, manuais, mochilas, etc. MAS podemos ir fazendo planos para o regresso às aulas.
Assim que me lembre:
1. Passar a pente fino todo o material escolar do ano passado e ver o que é possível ser reaproveitado. Deste modo, escusamos de voltar a comprar a régua e o esquadro, material que já compramos o ano passado, o anterior e no outro... Tudo o que for passível de ser usado, é menos uma despesa que se faz.
2. Aproveitar uma viagem ao estrangeiro ou a um museu e comprar um estojo que mais ninguém tem, as canetas, as borrachas, os cadernos, a carteira para por o cartão magnético aquele que lhes possibilita a entrada na escola, no refeitório, etc.
3. Nas idas ao supermercado, comprar uma ou outra coisa para que quando chegarem as campanhas do regresso às aulas já só se adquira o que falta.
4. Pedir todos os recibos, todos, para meter nas despesas de Educação, no IRS, do tubo de cola ao manual escolar. É a forma do Estado cumprir, muito parcialmente, o que diz a Constituição sobre a gratuitidade do ensino.
Continuação de boas férias!
BW
Assim que me lembre:
1. Passar a pente fino todo o material escolar do ano passado e ver o que é possível ser reaproveitado. Deste modo, escusamos de voltar a comprar a régua e o esquadro, material que já compramos o ano passado, o anterior e no outro... Tudo o que for passível de ser usado, é menos uma despesa que se faz.
2. Aproveitar uma viagem ao estrangeiro ou a um museu e comprar um estojo que mais ninguém tem, as canetas, as borrachas, os cadernos, a carteira para por o cartão magnético aquele que lhes possibilita a entrada na escola, no refeitório, etc.
3. Nas idas ao supermercado, comprar uma ou outra coisa para que quando chegarem as campanhas do regresso às aulas já só se adquira o que falta.
4. Pedir todos os recibos, todos, para meter nas despesas de Educação, no IRS, do tubo de cola ao manual escolar. É a forma do Estado cumprir, muito parcialmente, o que diz a Constituição sobre a gratuitidade do ensino.
Continuação de boas férias!
BW
terça-feira, 20 de julho de 2010
Férias...
Cumprimentam-se pessoas com as quais se convive durante os meses de Verão. Recuperam-se as novidades dos meses do Outono, Inverno e Primavera. Observa-se como os miúdos estão todos tão crescidos. Passaram de ano? As notas foram boas? Pergunta-se pelo pai que ainda não está de férias, pela tia...
Eles revêem-se, brincam como se nunca se tivessem separado. Correm, jogam, nadam, riem alto.
As férias "rotinadas", aquelas que aos outros parecem banais, iguais todos os anos, são para estas famílias as melhores férias do mundo!
BW
Eles revêem-se, brincam como se nunca se tivessem separado. Correm, jogam, nadam, riem alto.
As férias "rotinadas", aquelas que aos outros parecem banais, iguais todos os anos, são para estas famílias as melhores férias do mundo!
BW
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Eu pecadora me confesso e agradeço
A semana passada, falei com uma amiga que me disse que tinha ficado sensibilizada com um email que eu lhe tinha mandado... Não, estás enganada, não mandei mail nenhum, disse-lhe. É uma folha A4 com um testemunho teu, de uma "cena" que se passou contigo e que mostras compreender bem os professores, eu sei que nos compreendes, responde-me. Sim, já sei o que é, mas é um post do blogue, que devias ver de vez em quando, aproveitei para cobrar, não mandei a ninguém!
Este post foi copiado e corre pelos emails dos professores. Entretanto já recebi dois emails de agradecimento. Não era preciso, obrigada, retribuo. Era preciso não o ter escrito.
BW
Este post foi copiado e corre pelos emails dos professores. Entretanto já recebi dois emails de agradecimento. Não era preciso, obrigada, retribuo. Era preciso não o ter escrito.
BW
terça-feira, 29 de junho de 2010
Os jogadores religiosos
Ontem via o jogo do Brasil e lembrei-me desta crónica da Aura Miguel, jornalista especializada em Igreja Católica, da Rádio Renascença. A vaticanista (assim se chamam os jornalistas que acompanham o Papa) exorta os exemplos de Kaka e de Rooney por serem católicos assumidos, por se benzerem e fazerem aqueles gestos que a grande maioria dos jogadores fazem em campo: deitar os olhos ao céu, tocarem na relva e benzerem-se, etc.
Os jogadores são supersticiosos e não acredito que Aura Miguel não o saiba e confunda aqueles gestos de superstição com o ser "católicos assumidos". Ser católico não é fazer umas benzeduras, umas orações antes e depois do jogo, é mais do que isso. Ser católico não é andar de cabeção e de fato preto a condenar quem não segue a Igreja ou quem segue mas não exactamente com o rigor que essas pessoas pretendem.
Ser católico é ser caridoso para com os outros, é ser livre, é ser universal e se Kaka e Rooney forem assim, então sim, são católicos, eles e todos os outros jogadores que se benzem (ou não) antes do jogo!
BW
PS: Mais do que o catolicismo dos jogadores, preocupa-me o seu futuro, mais concretamente o futuro dos norte-coreanos.
Os jogadores são supersticiosos e não acredito que Aura Miguel não o saiba e confunda aqueles gestos de superstição com o ser "católicos assumidos". Ser católico não é fazer umas benzeduras, umas orações antes e depois do jogo, é mais do que isso. Ser católico não é andar de cabeção e de fato preto a condenar quem não segue a Igreja ou quem segue mas não exactamente com o rigor que essas pessoas pretendem.
Ser católico é ser caridoso para com os outros, é ser livre, é ser universal e se Kaka e Rooney forem assim, então sim, são católicos, eles e todos os outros jogadores que se benzem (ou não) antes do jogo!
BW
PS: Mais do que o catolicismo dos jogadores, preocupa-me o seu futuro, mais concretamente o futuro dos norte-coreanos.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Licença de maternidade para trabalhadores independentes
Uma boa notícia!
O Parlamento Europeu aprovou a licença de maternidade para trabalhadoras independentes. As trabalhadoras independentes e cônjuges ou pessoas que vivam em união de facto com trabalhadores independentes deverão ter direito a um subsídio de maternidade que lhes permita interromper a sua actividade durante pelo menos 14 semanas, o mesmo período previsto actualmente pela legislação europeia para as assalariadas. De acordo com o texto hoje aprovado pelo Parlamento Europeu, caberá a cada país decidir se a protecção social será aplicada em regime obrigatório ou voluntário.
Vamos ver como é que Portugal aplica.
BW
O Parlamento Europeu aprovou a licença de maternidade para trabalhadoras independentes. As trabalhadoras independentes e cônjuges ou pessoas que vivam em união de facto com trabalhadores independentes deverão ter direito a um subsídio de maternidade que lhes permita interromper a sua actividade durante pelo menos 14 semanas, o mesmo período previsto actualmente pela legislação europeia para as assalariadas. De acordo com o texto hoje aprovado pelo Parlamento Europeu, caberá a cada país decidir se a protecção social será aplicada em regime obrigatório ou voluntário.
Vamos ver como é que Portugal aplica.
BW
Taxa de desemprego subiu entre licenciados
Nos últimos anos tem sido assim: Os números que dizem que o desemprego sobe entre os licenciados, mas o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sublinha sempre o quanto é importante ter um curso, que os licenciados são os que menos tempo estão desempregados. E assim é, mas há áreas onde o desemprego, mesmo entre os licenciados grassa, são as das ciências sociais.
BW
BW
quinta-feira, 11 de março de 2010
A educação dos Carvalho e Silva
"Os cinco magníficos" é um texto de Rosa Ruela que sai hoje na revista Visão sobre os cinco irmãos Carvalho e Silva, todos doutorados e em lugares de destaque na investigação em Portugal. Jaime Carvalho e Silva, 54 anos, é co-autor do programa de Matemática para o secundário; João Gabriel, 52, é coordenador da equipa que criou o primeiro computador português; José Manuel, 50 anos é presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose; Margarida, 47 anos, é coordenadora da plataforma Transgénicos Fora e coordenadora das Olimpíadas do Ambiente; e Jorge, 43 anos desenvolve substitutos da pele para tratamento de pacientes queimados.
Os pais são os grandes responsáveis pelo seu sucesso, dizem em uníssono. Maria Amélia, hoje com 77 anos e Jaime Carvalho e Silva, 85 anos, fizeram sacrifícios para que os filhos estudassem, mudaram de terra e sempre tiveram como prioridade a educação: "Não tinhamos dez tostões para um chocolate, mas arranjávamos dez contos para um livro".
A autoridade dos pais também contribuiu para o sucesso: "Aplicámos aos filhos uma vida de disciplina. Eles estavam no topo mas nós cá em baixo é que mandávamos. Como falávamos a uma voz, sabiam que só tinham um caminho", diz o pai. "Os nossos filhos habituaram-se a estudar logo na instrução primária. Eles não são cinco cérebros, apenas tiveram desde pequeninos a ideia de que era preciso trabalhar", continua e o recado era um só: "Meus meninos, se ambicionam coisas como as dos vosso colegas ricos, só têm um caminho, suem a camisola".
Maria Amélia termina com uma recomendação para os pais de hoje: "É preciso que os pais orientem os filhos porque se eles ficam em autogestão dá asneira. Devemos ter o coração duro para não os olhar como ursinhos de peluche que nos consolam quando chegamos a casa. Os filhos são porcos-espinhos em que temos muitas vezes de picar os dedos e gotejar sangue."
Obrigada pela partilha!
BW
PS: Também na Visão um excelente trabalho sobre bullying
Os pais são os grandes responsáveis pelo seu sucesso, dizem em uníssono. Maria Amélia, hoje com 77 anos e Jaime Carvalho e Silva, 85 anos, fizeram sacrifícios para que os filhos estudassem, mudaram de terra e sempre tiveram como prioridade a educação: "Não tinhamos dez tostões para um chocolate, mas arranjávamos dez contos para um livro".
A autoridade dos pais também contribuiu para o sucesso: "Aplicámos aos filhos uma vida de disciplina. Eles estavam no topo mas nós cá em baixo é que mandávamos. Como falávamos a uma voz, sabiam que só tinham um caminho", diz o pai. "Os nossos filhos habituaram-se a estudar logo na instrução primária. Eles não são cinco cérebros, apenas tiveram desde pequeninos a ideia de que era preciso trabalhar", continua e o recado era um só: "Meus meninos, se ambicionam coisas como as dos vosso colegas ricos, só têm um caminho, suem a camisola".
Maria Amélia termina com uma recomendação para os pais de hoje: "É preciso que os pais orientem os filhos porque se eles ficam em autogestão dá asneira. Devemos ter o coração duro para não os olhar como ursinhos de peluche que nos consolam quando chegamos a casa. Os filhos são porcos-espinhos em que temos muitas vezes de picar os dedos e gotejar sangue."
Obrigada pela partilha!
BW
PS: Também na Visão um excelente trabalho sobre bullying
terça-feira, 2 de março de 2010
Educação gratuita para todos
O que não escrevi aqui por manifesta falta de espaço foi parte da conversa com Fernando Adão da Fonseca, presidente do Fórum para a Liberdade de Educação. O professor defende um Estado forte que tenha como função a garantia da qualidade da educação e não o ensino propriamente dito. "Não percebo porque é que em Portugal há a ideia que o Estado tem que educar. Quem educa são os professores." Para Adão da Fonseca é indiferente que a escola seja pública ou privada, desde que preste um bom serviço e gratuito.
"O Estado deve pagar os custos desse serviço, seja feito numa escola pública, num sindicato, numa associação, numa instituição religiosa, quem quer que seja, desde que preste bem o serviço" e para isso o "Estado tem que ser fortissimo" para garantir que todos "satisfaçam os requisitos".
Adão da Fonseca considera que esta é uma ideia "fácil de fazer", o grande problema é o Estado "ter a ideia que tem que controlar o pensamento das pessoas. A República tem que educar os seus cidadãos e estamos a preparar mal as crianças, sem hábitos de estudo, nem de trabalho e isso está a reflectir-se na nossa economia."
"No dia em que responsabilizarem a escola, os professores e os pais, isso terá um grande impacto na educação", conclui.
BW
"O Estado deve pagar os custos desse serviço, seja feito numa escola pública, num sindicato, numa associação, numa instituição religiosa, quem quer que seja, desde que preste bem o serviço" e para isso o "Estado tem que ser fortissimo" para garantir que todos "satisfaçam os requisitos".
Adão da Fonseca considera que esta é uma ideia "fácil de fazer", o grande problema é o Estado "ter a ideia que tem que controlar o pensamento das pessoas. A República tem que educar os seus cidadãos e estamos a preparar mal as crianças, sem hábitos de estudo, nem de trabalho e isso está a reflectir-se na nossa economia."
"No dia em que responsabilizarem a escola, os professores e os pais, isso terá um grande impacto na educação", conclui.
BW
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Christophe de Dejours: uma entrevista a ler por todos os trabalhadores/colaboradores
Christophe de Dejours é psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, onde dirige o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental. Para Christophe de Dejours são três as ferramentas de gestão que estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos: a avaliação individual do desempenho, a exigência de “qualidade total” e o outsourcing. O fenómeno gerou doenças mentais ligadas ao trabalho.
A entrevista deve ser lida na integra. Há um crescendo na descrição de um cenário aterrador do mundo do trabalho, no qual muitos se hão-de rever. Deixo apenas as duas perguntas finais, que são as de esperança:
"Uma empresa que defendesse os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade conseguiria sobreviver no actual contexto de mercado?
Hoje, estou em condições de responder pela afirmativa, porque tenho trabalhado com algumas empresas assim. Ao contrário do que se pensa, certas empresas e alguns patrões não participam do cinismo geral e pensam que a empresa não é só uma máquina de produzir e de ganhar dinheiro, mas também que há qualquer coisa de nobre na produção, que não pode ser posta de lado. Um exemplo fácil de perceber são os serviços públicos, cuja ética é permitir que os pobres sejam tão bem servidos como os ricos – que tenham aquecimento, telefone, electricidade. É possível, portanto, trabalhar no sentido da igualdade. Há também muita gente que acha que produz coisas boas – os aviões, por exemplo, são coisas belas, são um sucesso tecnológico, podem progredir no sentido da protecção do ambiente. O lucro não é a única preocupação destas pessoas. E, entre os empresários, há pessoas assim – não muitas, mas há. Pessoas muito instruídas que respeitam esse aspecto nobre. E, na sequência das histórias de suicídios, alguns desses empresários vieram ter comigo porque queriam repensar a avaliação do desempenho. Comecei a trabalhar com eles e está a dar resultados positivos.
O que fizeram?
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas. Neste caso, trata-se de uma pequena empresa privada que se preocupa com a qualidade da sua produção e não apenas por razões monetárias, mas por questões de bem-estar e convivialidade do consumidor final. O resultado é que pensar em termos de convivialidade faz melhorar a qualidade da produção e fará com que a empresa seja escolhida pelos clientes face a outras do mesmo ramo. Para o conseguir, foi preciso que existisse cooperação dentro da empresa, sinergias entre as pessoas e que os pontos de vista contraditórios pudessem ser discutidos. E isso só é possível num ambiente de confiança mútua, de lealdade, onde ninguém tem medo de arriscar falar alto. Se conseguirmos mostrar cientificamente, numa ou duas empresas com grande visibilidade, que este tipo de organização do trabalho funciona, teremos dado um grande passo em frente."
A entrevista deve ser lida na integra. Há um crescendo na descrição de um cenário aterrador do mundo do trabalho, no qual muitos se hão-de rever. Deixo apenas as duas perguntas finais, que são as de esperança:
"Uma empresa que defendesse os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade conseguiria sobreviver no actual contexto de mercado?
Hoje, estou em condições de responder pela afirmativa, porque tenho trabalhado com algumas empresas assim. Ao contrário do que se pensa, certas empresas e alguns patrões não participam do cinismo geral e pensam que a empresa não é só uma máquina de produzir e de ganhar dinheiro, mas também que há qualquer coisa de nobre na produção, que não pode ser posta de lado. Um exemplo fácil de perceber são os serviços públicos, cuja ética é permitir que os pobres sejam tão bem servidos como os ricos – que tenham aquecimento, telefone, electricidade. É possível, portanto, trabalhar no sentido da igualdade. Há também muita gente que acha que produz coisas boas – os aviões, por exemplo, são coisas belas, são um sucesso tecnológico, podem progredir no sentido da protecção do ambiente. O lucro não é a única preocupação destas pessoas. E, entre os empresários, há pessoas assim – não muitas, mas há. Pessoas muito instruídas que respeitam esse aspecto nobre. E, na sequência das histórias de suicídios, alguns desses empresários vieram ter comigo porque queriam repensar a avaliação do desempenho. Comecei a trabalhar com eles e está a dar resultados positivos.
O que fizeram?
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas. Neste caso, trata-se de uma pequena empresa privada que se preocupa com a qualidade da sua produção e não apenas por razões monetárias, mas por questões de bem-estar e convivialidade do consumidor final. O resultado é que pensar em termos de convivialidade faz melhorar a qualidade da produção e fará com que a empresa seja escolhida pelos clientes face a outras do mesmo ramo. Para o conseguir, foi preciso que existisse cooperação dentro da empresa, sinergias entre as pessoas e que os pontos de vista contraditórios pudessem ser discutidos. E isso só é possível num ambiente de confiança mútua, de lealdade, onde ninguém tem medo de arriscar falar alto. Se conseguirmos mostrar cientificamente, numa ou duas empresas com grande visibilidade, que este tipo de organização do trabalho funciona, teremos dado um grande passo em frente."
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Eles precisam de dormir!
É o primeiro estudo sobre o sono dos estudantes universitários portugueses e revela que o nível e a qualidade do sono reflecte-se nas notas. A notícia pode ser lida aqui. As crianças dormem menos uma hora do que há 30 anos, mostram vários estudos. Eles têm demasiadas actividades, trabalhos de casa, computadores, televisões nos quartos e horas muito flexíveis para ir para a cama.
As consequências sentem-se na diminuição do QI, no bem estar emocional, na hiperactividade e mesmo na obesidade - se dormem menos, fazem menos actividade, logo, ficam mais gordas. Se eles dormem menos, as suas notas são mais baixas. Um estudo coordenado por Kyla Wahlstrom, da Universidade do Minnesota, revela que quanto mais os pré-adolescentes e adolescentes dormirem, melhores notas têm.
Tudo para a caminha cedo!
BW
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Não sufoquem os bebés!
Roupa e mais roupa. Body, camisola, collants, camisa, calças, pullover, casaco, casaco impermeável, cachecol, gorro, luvas e um cobertor por cima. Quantas crianças, ainda pequenas, andam assim vestidas?Entram em casa de alguém, no centro comercial, no restaurante, dentro dos carrinhos e a única coisa que os pais fazem é tirar o cobertor e elas ali ficam enchouriçadas em roupa.
Mas é preferível ficarem quentinhas a apanhar uma corrente de ar, apesar dos pais e restantes adultos terem tirado o casaco e a temperatura do ar rondar os 25.ºC. Mais vale ficar com o gorrinho na cabeça!
Por favor, não sufoquem os bebés em roupa, nem em sobreprotecção! Eles não adoecem por estarem pouco vestidos, é precisamente ao contrário!
Toca a tirar (pelo menos) a manta! Nenhum dos pais leva o edredão às costas quando sai de casa, pois não?
BW
BW
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Aos seguidores do Educaremportugues
Caros seguidores
Não, nós não enlouquecemos com os exames, embora pareça!
Na última semana, inundámos o blogue com os exames nacionais porque são muito importantes para os alunos do básico e do secundário - conforme podem ver nos comentários que vamos recebendo.
Prometemos voltar à normalidade dentro em breve. Vamos tentar conseguir um equilíbrio entre as informações sobre os exames e as nossas próprias reflexões. Entretanto, não desistam de nós!
BW
Não, nós não enlouquecemos com os exames, embora pareça!
Na última semana, inundámos o blogue com os exames nacionais porque são muito importantes para os alunos do básico e do secundário - conforme podem ver nos comentários que vamos recebendo.
Prometemos voltar à normalidade dentro em breve. Vamos tentar conseguir um equilíbrio entre as informações sobre os exames e as nossas próprias reflexões. Entretanto, não desistam de nós!
BW
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