E, de repente, no Colégio de Monte Maior, em Loures, descobri o porquê da quebra de vendas dos jornais.
A uma pergunta sobre como é que a Ana Soares e a Bárbara Wong têm tempo para escrever o Olimpvs.net, a primeira começa a explicar, para de imediato ser interrompida: "Nós não escrevemos só o Olimpvs. Nós temos os nossos trabalhos... Eu sou professora e a Bárbara é jornalista.."
– Jornalista?!? De que canal? –, perguntam as meninas que estão sentadas na primeira fila, entusiasmadas.
– Não é um canal, é um jornal –, respondo solicita e percebo que elas não fazem ideia do que estou a falar. Atrapalhada com o silêncio, faço um gesto, desenhando um rectângulo no ar: – Um jornal... em papel... que se folheia...
Estamos a falar para uma plateia constituída por meninos de 12 anos, de um colégio, com bons telefones nas mãos e pelo menos um tablet pousado nas pernas de um deles.
– Ah! Já sei! É aquela coisa que eles têm nas novelas, quando estão a tomar o pequeno-almoço! – diz uma delas, esclarecida.
A Ana, muito pedagógica, ainda fala da revista de imprensa que é feita nos canais noticiosos, mas eu corto-lhe a palavra:
– Sim, são aquelas folhas de papel que as personagens das novelas folheiam ao pequeno-almoço. Isso é um jornal.
Eles nunca viram um jornal à mesa do seu pequeno-almoço. É natural, ninguém come pequenos-almoços como os das novelas com sumos, diversos tipos de pão, bolos e frutas, compotas e cereais. Mas também nunca o viram na mesa do café? Na praia? Na esplanada? Parece que não.
BW
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
O que é um jornal?
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Quem conseguiu mais colocações?
| Foto Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO |
Uns com tantos e outros sem nada...
Há professores que conseguiram ficar colocados em meia dúzia, uma dúzia de escolas. Agora, é só escolher e depois os restantes horários voltam a concurso. Contente, o Ministério da Educação já fez saber às escolas que podem voltar a pedir professores para que a plataforma volte a abrir e para que os docentes se possam candidatar aos novos horários. And goes on and on and on... Com esta brincadeira chegaremos ao Natal e ainda haverá alunos sem professores.
Entretanto, o primeiro-ministro foi ao Parlamento admitir que sim, o ministério de Nuno Crato errou, mas que agora está a "reparar o erro". Estamos todos muito mais descansados!
Lamentável.
BW
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terça-feira, 7 de outubro de 2014
Se não se demitiu até agora, que se demita depois do problema resolvido, sff
É uma coisa anti-natura: os alunos não querem furos, querem aprender, querem professores.
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW
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terça-feira, 30 de setembro de 2014
Amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola
Na terceira semana de aulas, há turmas em que faltam seis professores, noutras três, noutras um, noutras aquele que há-de ser o director de turma.
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Os "paizinhos" não valem nada
A classe docente sente-se isolada. Nem quando tem os pais do seu lado, consegue vê-los.
Há dias, num grupo do facebook, no qual estou porque me convidaram, mas onde estão maioritariamente professores, uma docente escreve: "Os paizinhos andam a dormir. Se os meninos têm mais um dia de férias começam logo a refilar porque não têm onde deixar os rebentos. Agora ninguém diz nada!"
Estava a professora a referir-se à falta de professores na escola mas quando me chamam "paizinhos", sobe-me a mostarda ao nariz. Acho de uma falta de chá que não resisti a responder: "Que professor merece respeito quando fala assim dos pais? "Paizinhos" ou "pais"? Se não fossem os pais, os professores não tinham matéria-prima para ensinar. Respeite para não ser chamada de "professoreca"."
Pouco depois, a professora responde-me do alto da sua sabedoria: "Eu sou mãezinha e professoreca. É preciso ser inteligente para decifrar este post."
Estúpida, Bárbara, toma lá para aprenderes!
Mas há uma outra colega que sentiu a necessidade de ser pedagógica: "Bárbara Wong, a colega não criticou os pais, apenas disse que andavam a dormir pois há escolas onde faltam mesmo muitos professores. Eu enquanto mãe não tolero que isso aconteça nesta altura do ano. Ao meu filho falta-lhe um professor e já mandei reclamações para vários sítios. As aulas já iniciaram praticamente há 15 dias e é inadmissível ainda não estar um professor colocado naquela vaga. Tenho um agrupamento ao pé de casa onde faltam 41 professores. Você acha isso normal? Pois eu não acho e sou mãe!"
Mas a professora acredita que eu não compreendi o que a sua colega queria dizer? Eu percebo, não gosto é que chamem "paizinhos" a um parceiro educativo. E por mim a conversa acabou.
Só que faltava a professora indignada porque há uma "mãezinha" que entra em diálogo. Então, ainda não sabe que os professores não podem nunca ser questionados e tudo o que dizem é verdade? Ai, ai, ai...
"Agora chama-se matéria-prima aos alunos! A D. Bárbara deu a sua opinião através da escrita!! Aprendeu a escrever sozinha? Reforça a ideia de que alguns "paizinhos" andam a dormir; ou melhor nunca acordaram para a realidade que é ter um filho, ter alguém que devem cuidar e educar. A forma como muitos agem não são dignos de serem chamados "paizinhos" quanto mais de PAIS! A D. Bárbara não entre em disputa comigo porque não lhe vou responder mais! Sei o que pretende"
A D. Bárbara é respeitadora e não entra em "disputa" até porque a D. Bárbara não sabe "o que pretende", nem sabe o que responder a alguém que destila ódio pelos pais que não merecem ter filhos - talvez fosse de criar um órgão nacional onde estivesse esta professora a decidir quem pode ou não ter descendentes.
A D. Bárbara gosta de diálogos construtivos por isso, não sabe do que a professora está a falar. O que a D. Bárbara sabe é que a docente na sua escrita revela estar confusa ou furiosa com o mundo. A D. Bárbara teme pelos alunos desta professora.
Um pormenor de menor importância: A D. Bárbara detesta que lhe chamem "dona", chamem-lhe "Bárbara", "menina Bárbara", "senhora" ou "senhora dona"; mas "dona" é que não. Nem "doutora", chamem-lhe "jornalista". Gostos não se discutem.
O comentário da senhora professora tem quatro "gostos", inclusive há uma colega que diz que já tinha pensado o mesmo (?!?): Toma lá, ó D. Bárbara, o que tu queres sabemos nós!
O último comentário é revelador da classe de alguma classe docente: "Os pais são ignorantes... se o não fossem valorizariam a educação dos seus filhos e saberiam lutar mais por estes direitos fundamentais!!"
Temi que terminasse com um "morte aos pais". Mas pronto, são só uns "ignorantes". As senhoras professoras é que são o suprassumo da inteligência! E devem ter nascido de geração espontânea! Não acredito que tivessem pais, porque se assim fosse seriam tods uns ignorantes, não mereciam ser pais, eram uns "paizinhos"...
A verdade, é que estas senhoras professoras em concreto não viram notícias nos últimos dias, não leram jornais, não ouviram rádio - acredito que estivessem ocupadas a preparar aulas e a conhecer os seus alunos - porque se o tivessem feito, teriam visto os pais às portas das escolas a protestar. Se passeassem pelas redes sociais, leriam as queixas dos pais porque faltam professores nas escolas. Portanto, os "paizinhos" estão do lado dos professores. Quer dizer, os pais acham que estão ao lado dos professores, mas têm um problema de perspectiva porque, na verdade, os professores estão lá tão em cima, mas tão em cima que não conseguem ver os pais.
Uma pena porque a união faz a força.
BW
Há dias, num grupo do facebook, no qual estou porque me convidaram, mas onde estão maioritariamente professores, uma docente escreve: "Os paizinhos andam a dormir. Se os meninos têm mais um dia de férias começam logo a refilar porque não têm onde deixar os rebentos. Agora ninguém diz nada!"
Estava a professora a referir-se à falta de professores na escola mas quando me chamam "paizinhos", sobe-me a mostarda ao nariz. Acho de uma falta de chá que não resisti a responder: "Que professor merece respeito quando fala assim dos pais? "Paizinhos" ou "pais"? Se não fossem os pais, os professores não tinham matéria-prima para ensinar. Respeite para não ser chamada de "professoreca"."
Pouco depois, a professora responde-me do alto da sua sabedoria: "Eu sou mãezinha e professoreca. É preciso ser inteligente para decifrar este post."
Estúpida, Bárbara, toma lá para aprenderes!
Mas há uma outra colega que sentiu a necessidade de ser pedagógica: "Bárbara Wong, a colega não criticou os pais, apenas disse que andavam a dormir pois há escolas onde faltam mesmo muitos professores. Eu enquanto mãe não tolero que isso aconteça nesta altura do ano. Ao meu filho falta-lhe um professor e já mandei reclamações para vários sítios. As aulas já iniciaram praticamente há 15 dias e é inadmissível ainda não estar um professor colocado naquela vaga. Tenho um agrupamento ao pé de casa onde faltam 41 professores. Você acha isso normal? Pois eu não acho e sou mãe!"
Mas a professora acredita que eu não compreendi o que a sua colega queria dizer? Eu percebo, não gosto é que chamem "paizinhos" a um parceiro educativo. E por mim a conversa acabou.
Só que faltava a professora indignada porque há uma "mãezinha" que entra em diálogo. Então, ainda não sabe que os professores não podem nunca ser questionados e tudo o que dizem é verdade? Ai, ai, ai...
"Agora chama-se matéria-prima aos alunos! A D. Bárbara deu a sua opinião através da escrita!! Aprendeu a escrever sozinha? Reforça a ideia de que alguns "paizinhos" andam a dormir; ou melhor nunca acordaram para a realidade que é ter um filho, ter alguém que devem cuidar e educar. A forma como muitos agem não são dignos de serem chamados "paizinhos" quanto mais de PAIS! A D. Bárbara não entre em disputa comigo porque não lhe vou responder mais! Sei o que pretende"
A D. Bárbara é respeitadora e não entra em "disputa" até porque a D. Bárbara não sabe "o que pretende", nem sabe o que responder a alguém que destila ódio pelos pais que não merecem ter filhos - talvez fosse de criar um órgão nacional onde estivesse esta professora a decidir quem pode ou não ter descendentes.
A D. Bárbara gosta de diálogos construtivos por isso, não sabe do que a professora está a falar. O que a D. Bárbara sabe é que a docente na sua escrita revela estar confusa ou furiosa com o mundo. A D. Bárbara teme pelos alunos desta professora.
Um pormenor de menor importância: A D. Bárbara detesta que lhe chamem "dona", chamem-lhe "Bárbara", "menina Bárbara", "senhora" ou "senhora dona"; mas "dona" é que não. Nem "doutora", chamem-lhe "jornalista". Gostos não se discutem.
O comentário da senhora professora tem quatro "gostos", inclusive há uma colega que diz que já tinha pensado o mesmo (?!?): Toma lá, ó D. Bárbara, o que tu queres sabemos nós!
O último comentário é revelador da classe de alguma classe docente: "Os pais são ignorantes... se o não fossem valorizariam a educação dos seus filhos e saberiam lutar mais por estes direitos fundamentais!!"
Temi que terminasse com um "morte aos pais". Mas pronto, são só uns "ignorantes". As senhoras professoras é que são o suprassumo da inteligência! E devem ter nascido de geração espontânea! Não acredito que tivessem pais, porque se assim fosse seriam tods uns ignorantes, não mereciam ser pais, eram uns "paizinhos"...
A verdade, é que estas senhoras professoras em concreto não viram notícias nos últimos dias, não leram jornais, não ouviram rádio - acredito que estivessem ocupadas a preparar aulas e a conhecer os seus alunos - porque se o tivessem feito, teriam visto os pais às portas das escolas a protestar. Se passeassem pelas redes sociais, leriam as queixas dos pais porque faltam professores nas escolas. Portanto, os "paizinhos" estão do lado dos professores. Quer dizer, os pais acham que estão ao lado dos professores, mas têm um problema de perspectiva porque, na verdade, os professores estão lá tão em cima, mas tão em cima que não conseguem ver os pais.
Uma pena porque a união faz a força.
BW
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Chegar mais cedo para ter lugar na sala de aula
Na manhã de quarta-feira, ele apressou a irmã para saírem de casa mais cedo. "Despacha-te que tenho de chegar a horas!" Com a mochila feita de véspera, estava impaciente, esperando à porta de casa, enquanto ela dava os últimos retoques ao cabelo, vendo-se ao espelho de fugida. "Ui, estamos tão aplicados!", atirou-lhe, em tom de crítica, bem-humorada. Ele empurrou-a para a rua e fechou a porta com força.
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução?
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução?
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW
terça-feira, 28 de maio de 2013
Os pais, esses malandros que ficam sempre do lado dos filhos...
Em duas circunstâncias diferentes, em duas escolas diferentes, ouço a mesma queixa, igual:
Recebemos alunos de classe média e média alta, mas o pior de tudo são os pais. Os pais que se demitem porque têm vidas muito ocupadas mas que depois, quando há um problema, vêm à escola. Vêm para questionar o professor, vêm para pôr o professor em causa porque acreditam em tudo o que os filhos lhes dizem.
Nas sessões de O meu filho fez o quê??? digo sempre que nós, pais, somos manipulados por eles, filhos. Quando o afirmo faço uma pausa ligeira e observo os rostos à minha frente. Há pais que acenam que não com a cabeça ou que encolhem os ombros com a dúvida. Continuo: Somos manipulados quando ele fez um disparate e começa por contar ao progenitor que vai ralhar menos ou que vai compreender a situação e explicá-la ao outro que iria ralhar. Somos quando ela quer sair e pede àquele que vai dizer que sim. Neste momento, os mais incrédulos concordam e sorriem.
É um facto, eles manipulam-nos e, por isso, devemos sempre questionar o que nos dizem. Há miúdos que são calculistas (o que não é sinónimo de "maus", mas de inteligentes, de teremo visão para além do breve prazo) e nós temos de conhecer os nossos filhos e perceber quando nos querem enganar/manipular.
"A professora gritou contigo, mas tu fizeste o quê?", devemos perguntar.
A escola aplaude que os pais façam o escrutínio do que é realmente importante reportar-lhe. A escola agradece que os pais não vão lá para gritar, discutir ou pôr em causa. Mas... a escola não pode ficar contra os pais que vão lá colocar questões pertinentes, que se vão queixar porque um professor está a faltar há três semanas; que se vão queixar de um professor que abusa do seu poder em sala de aula e aterroriza os alunos; de um professor que alegadamente abusa sexualmente de uma criança; de um professor que não sabe ensinar.
Em duas circunstâncias diferentes, ouço histórias sobre penteados de rapazes, contadas por colegas de turma dos mesmos:
1) Numa sala de aula, um aluno faz uma pergunta idiota para fazer rir a turma e a professora responde-lhe: "Com esse cabelo de menina parece-me que está a ficar burro" – a professora ainda não leu todos os estudos e todas as estatísticas que indicam que as raparigas são melhores alunas do que os rapazes! Pode uma professora chamar burro ao aluno? O problema fica resolvido com uma agressão verbal? O que pensam todos os alunos que a ouviram chamar burro ao colega? É uma profissional em quem vão confiar ou já traçaram o perfil da senhora e que não é nada abonatório? E o rapaz em questão: digeriu bem as palavras ou entranhou-as e está convencido que é burro?
2) No final da entrega de um teste, o aluno pergunta à professora se uma das questões foi bem avaliada. A professora responde-lhe que sim e que ele só não vê por causa do cabelo. "Se não tivesse essa franja, veria que a resposta está bem corrigida. Porque é que não vai cortar o cabelo? Vou falar com a sua mãe para lhe cortar o cabelo a pente zero". O rapaz de 12 anos, bom aluno e que quer ser médico não se intimida: "Professora o meu cabelo não tem nada a ver, só gostava que me dissesse se corrigiu bem esta pergunta." Resposta da docente: "Vou mesmo falar com a sua mãe." O que é que esta profissional transmitiu ao aluno que se atreveu a pôr em causa o seu trabalho?
Os professores adorariam que os pais ficassem sempre do seu lado mas nem sempre isso é possível. Os pais podem e devem educar os seus filhos, chamá-los à razão quando se portam mal, quando são malcriados, quando estão desinteressados na sala de aula, quando não estudam. Contudo, os pais também devem perceber o porquê desses comportamentos – o que está por detrás? E a razão pode mesmo estar no professor!
"Onde é que fica o limite da intervenção dos pais?" – a pergunta de um pai de Aveiro continua a perseguir-me. E se a "culpa" do mau comportamento, do desinteresse, do insucesso é do professor? Se chegarmos a essa conclusão, não vamos à escola? Não questionamos a escola? Não a ouvimos? Nada fazemos porque temos medo da retaliação – "o professor tem a faca e o queijo na mão", ouço nas sessões com os pais – e que essa seja sobre os nossos filhos? Sim, porque às vezes os professores retaliam sobre os nossos filhos e não é nada agradável ver como estes sofrem com isso, como nós sofremos. Mas, por tudo isso, não fazemos nada?
BW
Recebemos alunos de classe média e média alta, mas o pior de tudo são os pais. Os pais que se demitem porque têm vidas muito ocupadas mas que depois, quando há um problema, vêm à escola. Vêm para questionar o professor, vêm para pôr o professor em causa porque acreditam em tudo o que os filhos lhes dizem.
Nas sessões de O meu filho fez o quê??? digo sempre que nós, pais, somos manipulados por eles, filhos. Quando o afirmo faço uma pausa ligeira e observo os rostos à minha frente. Há pais que acenam que não com a cabeça ou que encolhem os ombros com a dúvida. Continuo: Somos manipulados quando ele fez um disparate e começa por contar ao progenitor que vai ralhar menos ou que vai compreender a situação e explicá-la ao outro que iria ralhar. Somos quando ela quer sair e pede àquele que vai dizer que sim. Neste momento, os mais incrédulos concordam e sorriem.
É um facto, eles manipulam-nos e, por isso, devemos sempre questionar o que nos dizem. Há miúdos que são calculistas (o que não é sinónimo de "maus", mas de inteligentes, de teremo visão para além do breve prazo) e nós temos de conhecer os nossos filhos e perceber quando nos querem enganar/manipular.
"A professora gritou contigo, mas tu fizeste o quê?", devemos perguntar.
A escola aplaude que os pais façam o escrutínio do que é realmente importante reportar-lhe. A escola agradece que os pais não vão lá para gritar, discutir ou pôr em causa. Mas... a escola não pode ficar contra os pais que vão lá colocar questões pertinentes, que se vão queixar porque um professor está a faltar há três semanas; que se vão queixar de um professor que abusa do seu poder em sala de aula e aterroriza os alunos; de um professor que alegadamente abusa sexualmente de uma criança; de um professor que não sabe ensinar.
Em duas circunstâncias diferentes, ouço histórias sobre penteados de rapazes, contadas por colegas de turma dos mesmos:
1) Numa sala de aula, um aluno faz uma pergunta idiota para fazer rir a turma e a professora responde-lhe: "Com esse cabelo de menina parece-me que está a ficar burro" – a professora ainda não leu todos os estudos e todas as estatísticas que indicam que as raparigas são melhores alunas do que os rapazes! Pode uma professora chamar burro ao aluno? O problema fica resolvido com uma agressão verbal? O que pensam todos os alunos que a ouviram chamar burro ao colega? É uma profissional em quem vão confiar ou já traçaram o perfil da senhora e que não é nada abonatório? E o rapaz em questão: digeriu bem as palavras ou entranhou-as e está convencido que é burro?
2) No final da entrega de um teste, o aluno pergunta à professora se uma das questões foi bem avaliada. A professora responde-lhe que sim e que ele só não vê por causa do cabelo. "Se não tivesse essa franja, veria que a resposta está bem corrigida. Porque é que não vai cortar o cabelo? Vou falar com a sua mãe para lhe cortar o cabelo a pente zero". O rapaz de 12 anos, bom aluno e que quer ser médico não se intimida: "Professora o meu cabelo não tem nada a ver, só gostava que me dissesse se corrigiu bem esta pergunta." Resposta da docente: "Vou mesmo falar com a sua mãe." O que é que esta profissional transmitiu ao aluno que se atreveu a pôr em causa o seu trabalho?
Os professores adorariam que os pais ficassem sempre do seu lado mas nem sempre isso é possível. Os pais podem e devem educar os seus filhos, chamá-los à razão quando se portam mal, quando são malcriados, quando estão desinteressados na sala de aula, quando não estudam. Contudo, os pais também devem perceber o porquê desses comportamentos – o que está por detrás? E a razão pode mesmo estar no professor!
"Onde é que fica o limite da intervenção dos pais?" – a pergunta de um pai de Aveiro continua a perseguir-me. E se a "culpa" do mau comportamento, do desinteresse, do insucesso é do professor? Se chegarmos a essa conclusão, não vamos à escola? Não questionamos a escola? Não a ouvimos? Nada fazemos porque temos medo da retaliação – "o professor tem a faca e o queijo na mão", ouço nas sessões com os pais – e que essa seja sobre os nossos filhos? Sim, porque às vezes os professores retaliam sobre os nossos filhos e não é nada agradável ver como estes sofrem com isso, como nós sofremos. Mas, por tudo isso, não fazemos nada?
BW
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sexta-feira, 22 de março de 2013
As Árvores que Comiam Papel
Há boas ideias e esta é uma delas: colocar máquinas fotográficas nas mãos de crianças e pô-las a fotografar. O resultado é um livro que é apresentado hoje, em Lamego!
BW
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Bebidas alcoólicas para maiores de 16 anos: Nada de novo...
O Governo tinha anunciado o aumento para os 18 anos da proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas. Afinal, é só para as bebidas espirituosas, mantendo-se nos 16 anos a idade mínima legal para a compra de vinho e cerveja, a bebida mais consumida nestas faixas etárias.
Portanto: um shot é proibido, mas uma litrada de cerveja, toca de a beber, jovem de 16 anos!
Eu sei que não vale a pena ter leis proibicionistas, que quem quiser beber, vai conseguir fazê-lo. Nada a fazer.
O que me irrita foi ter andado a ouvir o secretário de Estado Leal da Costa a gritar aos sete ventos como era importante e saudável mudar a lei e que tinha de ser, tinha de ser, tinha de aumentar a idade para os 18 anos... E, aparentemente pressionado pela Associação de Produtores de Cerveja e pelo seu presidente Pires de Lima, que é também presidente do conselho nacional do CDS-PP, a montanha pariu um rato. Ou seja, a lei mantém os 16 anos para as bebidas que os jovens mais consomem - a cerveja - e aumenta-se para os 18 o acesso a bebidas espirituosas. De notar, que o vinho e a cerveja também têm álcool, tal como as bebidas espirituosas...
Enfim, o importante é que a indústria não feche, nem crie mais desemprego, queremos lá saber dos miúdos que bebem até cair... Esses, que os pais tomem conta deles e não os deixem sair à rua! A verdade é que eles não bebem só de madrugada, na D. Carlos I, em Lisboa; mas bebem durante o dia. Quantas vezes os vejo, nos supermercados, junto às escolas, a comprar litradas de cerveja à hora do almoço e ninguém lhes pede o cartão de cidadão para confirmar se têm 16 ou 14.
BW
Portanto: um shot é proibido, mas uma litrada de cerveja, toca de a beber, jovem de 16 anos!
Eu sei que não vale a pena ter leis proibicionistas, que quem quiser beber, vai conseguir fazê-lo. Nada a fazer.
O que me irrita foi ter andado a ouvir o secretário de Estado Leal da Costa a gritar aos sete ventos como era importante e saudável mudar a lei e que tinha de ser, tinha de ser, tinha de aumentar a idade para os 18 anos... E, aparentemente pressionado pela Associação de Produtores de Cerveja e pelo seu presidente Pires de Lima, que é também presidente do conselho nacional do CDS-PP, a montanha pariu um rato. Ou seja, a lei mantém os 16 anos para as bebidas que os jovens mais consomem - a cerveja - e aumenta-se para os 18 o acesso a bebidas espirituosas. De notar, que o vinho e a cerveja também têm álcool, tal como as bebidas espirituosas...
Enfim, o importante é que a indústria não feche, nem crie mais desemprego, queremos lá saber dos miúdos que bebem até cair... Esses, que os pais tomem conta deles e não os deixem sair à rua! A verdade é que eles não bebem só de madrugada, na D. Carlos I, em Lisboa; mas bebem durante o dia. Quantas vezes os vejo, nos supermercados, junto às escolas, a comprar litradas de cerveja à hora do almoço e ninguém lhes pede o cartão de cidadão para confirmar se têm 16 ou 14.
BW
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Quanto custa um aluno no ensino português?
Na verdade, ainda não sabemos...
Apesar de o Tribunal de Contas ter feito um estudo e ter chegado à conclusão que um aluno do público fica mais barato do que o do privado, em média, a verdade é que não sabemos porque as contas do TC referem-se ao ano de 2009/2010 e incluem os alunos das Novas Oportunidades. Portanto, eu diria que se as contas fossem feitas hoje, um aluno do público ficaria ainda mais barato porque há menos professores, há menos funcionários, há menos ensino para adultos, há menos disciplinas, é tudo a subtrair, logo, mais barato. Por isso, as declarações de satisfação das escolas privadas são vazias.
BW
Apesar de o Tribunal de Contas ter feito um estudo e ter chegado à conclusão que um aluno do público fica mais barato do que o do privado, em média, a verdade é que não sabemos porque as contas do TC referem-se ao ano de 2009/2010 e incluem os alunos das Novas Oportunidades. Portanto, eu diria que se as contas fossem feitas hoje, um aluno do público ficaria ainda mais barato porque há menos professores, há menos funcionários, há menos ensino para adultos, há menos disciplinas, é tudo a subtrair, logo, mais barato. Por isso, as declarações de satisfação das escolas privadas são vazias.
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Em que é que ficamos?
Agora há professores; agora já não há, vão para horários-zero; agora há outra vez!
Agora temos programa; agora temos metas; agora já não temos; agora temos novas metas mas que não coincidem com o programa.
Agora temos directores confiantes; agora temos directores confusos a obedecer às ordens do ministério que hoje são umas e amanhã outras.
Agora temos professores assustados, frustrados, amedrontados e revoltados, para não falar das reuniões que ainda faltam fazer para aplicar umas metas que não coincidem com os programas... Devem estar todos motivados!
É assim que vão começar o ano lectivo?
E quando virem os 30 alunos sentados (se é que conseguem estar sentados) à sua frente?
BW
Agora temos programa; agora temos metas; agora já não temos; agora temos novas metas mas que não coincidem com o programa.
Agora temos directores confiantes; agora temos directores confusos a obedecer às ordens do ministério que hoje são umas e amanhã outras.
Agora temos professores assustados, frustrados, amedrontados e revoltados, para não falar das reuniões que ainda faltam fazer para aplicar umas metas que não coincidem com os programas... Devem estar todos motivados!
É assim que vão começar o ano lectivo?
E quando virem os 30 alunos sentados (se é que conseguem estar sentados) à sua frente?
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sábado, 7 de julho de 2012
Estatuto do Aluno aprovado
Estou já a fazer um mealheiro para as coimas que possa vir a pagar pelo comportamento dos meus filhos em sala de aula, pelas possíveis faltas de material ou mesmo pelas faltas presenciais. Com a necessidade que o país tem de pagar as dívidas deixadas pelos anteriores governos, os professores poderão vir a ser incentivados, tal como as forças de segurança pública, a passarem umas multas para encher os cofres do Estado. Sugiro ao ministro das Finanças que aconselhe o colega da Educação a considerar inserir como um dos items do modelo de avaliação a quantidade de multas passadas, quantas mais, mais alta a nota!
Imagino já a minha filha a assoar-se com mais força e a apanhar uma multa; o meu filho a levantar o braço e a levar uma multa. E se ela se vai calar, ele vai contestar e dizer: "Ó professora, isso não é justo!" e mais uma multa!
Portanto, ontem, depois de aprovado o novo estatuto do aluno, comprei um porquinho, mas daqueles que se abrem por baixo porque, a partir de Setembro, vou precisar dele com periodicidade, imagino. Os valores das coimas são calculados em função do ano de escolaridade e podem ir dos 13 aos 79 euros.
BW
PS: Há uma semana que diariamente, junto ao complexo desportivo que o meu filho frequenta há assaltos, feitos pelos mesmos miúdos, de bicicleta. Ontem, a PSP estava lá. A fazer o quê? A multar os carros mal estacionados, no lado da frente do complexo, enquanto na parte detrás, os miúdos continuavam a fazer os seus assaltos, calmamente. Apanhar ladrões fica mais caro ao sistema do que passar multas, é um facto.
Imagino já a minha filha a assoar-se com mais força e a apanhar uma multa; o meu filho a levantar o braço e a levar uma multa. E se ela se vai calar, ele vai contestar e dizer: "Ó professora, isso não é justo!" e mais uma multa!
Portanto, ontem, depois de aprovado o novo estatuto do aluno, comprei um porquinho, mas daqueles que se abrem por baixo porque, a partir de Setembro, vou precisar dele com periodicidade, imagino. Os valores das coimas são calculados em função do ano de escolaridade e podem ir dos 13 aos 79 euros.
BW
PS: Há uma semana que diariamente, junto ao complexo desportivo que o meu filho frequenta há assaltos, feitos pelos mesmos miúdos, de bicicleta. Ontem, a PSP estava lá. A fazer o quê? A multar os carros mal estacionados, no lado da frente do complexo, enquanto na parte detrás, os miúdos continuavam a fazer os seus assaltos, calmamente. Apanhar ladrões fica mais caro ao sistema do que passar multas, é um facto.
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As polémicas entre as metas e os programas
Os programas existem, foram aprovados, foram feitos manuais escolares com base nesses mesmos programas, foi feita/dada formação aos professores sobre os novos programas, o ministro Nuno Crato disse que não ia mexer nos programas mas que ía apresentar novas metas e elas aí estão.
E os autores dos programas dizem que as metas nada têm que ver com os programas que fizeram; e os autores das metas dizem que estas especificam melhor o que os programas dizem. Os autores dos programas dizem que as metas são um outro programa.
Nas guerras entre autores, temos um ministro calado, os professores calados (não lhes vá acontecer como àquela directora que foi afastada porque falou demais...), as editoras caladas (à espera de perceber se vão fazer outros manuais ou se mantêm os mesmos), os pais calados, os sindicatos calados.
Quem é que defende os alunos? E quem defende os próprios professores? Ou estes já estão por tudo? "Venham as metas que me descansam a beleza. Querem que eu ensine a contar até 100 e a ler 55 palavras num minuto? 'Bora! Eu consigo, vou comprar um cronómetro! E se não conseguir tenho a certeza que o problema é do aluno e não meu."
Quem defende a Educação das guerras entre o eduquês e o rigor/exigência?
BW
E os autores dos programas dizem que as metas nada têm que ver com os programas que fizeram; e os autores das metas dizem que estas especificam melhor o que os programas dizem. Os autores dos programas dizem que as metas são um outro programa.
Nas guerras entre autores, temos um ministro calado, os professores calados (não lhes vá acontecer como àquela directora que foi afastada porque falou demais...), as editoras caladas (à espera de perceber se vão fazer outros manuais ou se mantêm os mesmos), os pais calados, os sindicatos calados.
Quem é que defende os alunos? E quem defende os próprios professores? Ou estes já estão por tudo? "Venham as metas que me descansam a beleza. Querem que eu ensine a contar até 100 e a ler 55 palavras num minuto? 'Bora! Eu consigo, vou comprar um cronómetro! E se não conseguir tenho a certeza que o problema é do aluno e não meu."
Quem defende a Educação das guerras entre o eduquês e o rigor/exigência?
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Os alunos devem ou não ser separados?
A Visão foi repescar experiências que estão a ser feitas em algumas escolas portuguesas, o projecto Fénix, a Turma Mais e o IDEA para mostrar que se podem (e devem?) separar os alunos por níveis de conhecimento.
BW
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
OCDE em sentido contrário?
Enquanto Nuno Crato define mais exames, mais avaliação; a OCDE recomenda em sentido contrário: professores mais centrados nos alunos; estudantes mais envolvidos na sua avaliação e no ensino. É de ler as conclusões.
BW
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terça-feira, 20 de março de 2012
Passear as más notas por Miami
Não sei se isto funciona ou se não é só humilhação extrema...
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Chumbar dói, mas não muito...
... diz um estudo de Francisco Peixoto do Instituto Superior de Psicologia Aplicada.
O investigador chega a uma conclusão que parece uma verdade de La Palisse: “O facto de os pais pressionarem para ter boas notas acaba por ter um efeito contraproducente, porque os resultados normalmente são piores do que quando os pais estão mais preocupados com o processo de ensino da aprendizagem”.
Já isto é muito importante, pais e mães!
BW
O investigador chega a uma conclusão que parece uma verdade de La Palisse: “O facto de os pais pressionarem para ter boas notas acaba por ter um efeito contraproducente, porque os resultados normalmente são piores do que quando os pais estão mais preocupados com o processo de ensino da aprendizagem”.
Já isto é muito importante, pais e mães!
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Petição Pelo Pequeno Almoço na Escola

Porque há muitas crianças que chegam à escola sem a refeição principal, a da manhã, está a correr uma petição online com o objectivo de ser entregue na Assembleia da República, para que todas as crianças abrangidas pela escolaridade obrigatória possam tomar o pequeno-almoço na escola.
Pode assinar aqui.
BW
Pode assinar aqui.
BW
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Castigar os pais por causa dos filhos
O novo Estatuto do Aluno prevê que os pais sejam punidos pelo mau comportamento dos filhos. Poderão pagar multas e ter menos apoios sociais.
Diz Manuel Pereira, director de escola e responsável da ANDE, ao PÚBLICO
"O país não tem meios para continuar a gastar com estes alunos que não querem estar no sistema de ensino; as escolas não podem ficar nas mãos de crianças e jovens com comportaemntos completamente disfuncionais e a sociedade não pode continuar a deixar que estes continuem a crescer sem regras e a não respeitar a autoridade de ninguém. (...) Se a responsabilização civil dos pais não for a solução, então não vejo mais nada que o seja."
Diz João Sebastião, do Observatório para a Segurança Escolar
"É uma medida que não procura modificar comportamentos."
BW
Diz Manuel Pereira, director de escola e responsável da ANDE, ao PÚBLICO
"O país não tem meios para continuar a gastar com estes alunos que não querem estar no sistema de ensino; as escolas não podem ficar nas mãos de crianças e jovens com comportaemntos completamente disfuncionais e a sociedade não pode continuar a deixar que estes continuem a crescer sem regras e a não respeitar a autoridade de ninguém. (...) Se a responsabilização civil dos pais não for a solução, então não vejo mais nada que o seja."
Diz João Sebastião, do Observatório para a Segurança Escolar
"É uma medida que não procura modificar comportamentos."
BW
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Reforma curricular: onde ficam as artes?

E as artes? E as tecnologias? E os meninos que não "marram"? E os que não aprendem? Só queremos cientistas, matemáticos, geógrafos? Eu sei que as bases são muito importantes, mas e as outras áreas? E os alunos que se realizam no trabalho manual, aqueles que se sentem bem a desenhar, a construir coisas... os futuros arquitectos? Serão esses alunos inferiores aos outros que devoram livros, que fazem equações de olhos fechados?
É o regresso ao passado. Não ao eduquês! Sim à aprendizagem pura e dura.
Os professores que tanto criticaram as áreas não curriculares estão contentes. Os de História e de Geografia regozijam, juntando-se aos de Português e de Matemática, esquecendo os de TIC, EVT e outras disciplinas menores que só servem para entreter meninos.
Abaixo a Formação Cívica, para que serve se poderemos ter mais camaras a vigiar-nos todos os passos? Abaixo a Área Projecto eles, de qualquer maneira, não sabem fazer nada, além disso dava muito trabalho, fazer parcerias com os outros colegas e as reuniões e essas coisas chatas que traziam outra vida à escola, mas absorviam a vida pessoal do professor. E o Estudo Acompanhado? Que estudem em casa! Não sabem? Paciência...
Suspiremos de alívio: a escola vai servir a sua verdadeira função a de ensinar os alunos, nada de os educar que essa é a função dos pais (mesmo que esses não tenham educação, azar! Para que é que o professor, que viu o seu salário congelado e cortado, se há-de preocupar com o futuro da sociedade?).
Os professores estão felizes. De facto, a única preocupação agora é o desemprego, mas essa é uma preocupação de todos os portugueses...
BW
PS: Eu tive três disciplinas no 12.º ano. Três e o resto do tempo não foi para me concentrar, nem para trabalhar muito e seriamente para entrar na faculdade. Foi para ir ao cinema, a exposições, a concertos e à praia. Foi para sair, passar horas ao telefone com os amigos, ler romance atrás de romance e tomar conta da minha avô. E entrei na mesma, claro que não foi para Medicina, mas também não era isso que eu queria. A ver se as próximas gerações estão concentradinhas nas suas quatro cadeiras e entram todas em Medicina! Ah, afinal vai continuar a haver numerus clausus, não vai?
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