E, de repente, no Colégio de Monte Maior, em Loures, descobri o porquê da quebra de vendas dos jornais.
A uma pergunta sobre como é que a Ana Soares e a Bárbara Wong têm tempo para escrever o Olimpvs.net, a primeira começa a explicar, para de imediato ser interrompida: "Nós não escrevemos só o Olimpvs. Nós temos os nossos trabalhos... Eu sou professora e a Bárbara é jornalista.."
– Jornalista?!? De que canal? –, perguntam as meninas que estão sentadas na primeira fila, entusiasmadas.
– Não é um canal, é um jornal –, respondo solicita e percebo que elas não fazem ideia do que estou a falar. Atrapalhada com o silêncio, faço um gesto, desenhando um rectângulo no ar: – Um jornal... em papel... que se folheia...
Estamos a falar para uma plateia constituída por meninos de 12 anos, de um colégio, com bons telefones nas mãos e pelo menos um tablet pousado nas pernas de um deles.
– Ah! Já sei! É aquela coisa que eles têm nas novelas, quando estão a tomar o pequeno-almoço! – diz uma delas, esclarecida.
A Ana, muito pedagógica, ainda fala da revista de imprensa que é feita nos canais noticiosos, mas eu corto-lhe a palavra:
– Sim, são aquelas folhas de papel que as personagens das novelas folheiam ao pequeno-almoço. Isso é um jornal.
Eles nunca viram um jornal à mesa do seu pequeno-almoço. É natural, ninguém come pequenos-almoços como os das novelas com sumos, diversos tipos de pão, bolos e frutas, compotas e cereais. Mas também nunca o viram na mesa do café? Na praia? Na esplanada? Parece que não.
BW
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
O que é um jornal?
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Não aprendam gramática com Sophia!
"Vamos ler Sophia!", propus a uns 'amigos' mais novos, a convite da Porto Editora, e assim foi. A Marta, a Leonor e o Vasco, de 14, 13 e 12 anos, respectivamente, juntaram-se aos nomes que escrevem para as crianças e jovens – Ana Maria Magalhães, co-autora de centenas de títulos e que ainda esta semana publicou o primeiro volume da sua autobiografia; Maria Inês Almeira que aspira a chegar aos 30 anos de sucesso das autoras de Uma Aventura; e Pedro Sousa Tavares o jornalista de Educação do DN que completou o início de um conto da sua avó, Sophia de Mello Breyner Andresen, Os Ciganos.
Anabela Mota Ribeiro convidou os autores a falar sobre a sua relação com a obra de Sophia, sobre a escrita para crianças e jovens e houve um pequeno espectador que fez a pergunta que deixa todos curiosos: "Como é que se escreve uma história?"
Engraçado foi ouvir uma professora de Português com 39 anos de serviço, Ana Maria Magalhães, a dizer que em tantos anos teve uma única turma que gostava de Gramática e que não se deve pegar em textos de grandes autores, como Sophia, e parti-lo em sujeito, predicado e complemento...
Pedro Sousa Tavares reforçou que os livros servem para ler com prazer, são uma porta que se abre e que se pode fechar quando não se gosta e não para dar cabo deles com a Gramática. Ana Maria Magalhães voltou à carga e lembrou que um dos netos de Isabel Alçada tinha estado 11 aulas a explorar um texto de um grande autor português. "Isso não se faz a um grande autor..."
E a Marta, a Leonor e o Vasco brilharam! Estiveram praticamente à altura dos autores – falaram sobre as suas personagens preferidas do mundo de Sophia, do quanto tinham aprendido, do que é ouvir ler quando se é pequeno e ler quando se é grande, do quanto é diferente voltar a reler, à medida que os anos vão passando e que, mesmo os adultos podem ler os livros que Sophia escreveu a pensar nos seus filhos – e encantaram-nos, aos autores e à plateia.
No final, todos lhes deram os parabéns pelas suas intervenções – são leitores de Sophia, são leitores ponto final, são 'aspirantes' a escritores, têm caderninhos onde escrevem as suas histórias, onde começam 'livros', mas não acabam ou recomeçam e fazem upgrade, confessava a Leonor. E Ana Maria Magalhães encorajou-os a continuar, a fazer, refazer, deitar fora e recomeçar – um óptimo conselho para quem quiser escrever. Não há nada pior do que aqueles que estão convencidos que terminaram uma grande obra, disse-lhes. Aos espectadores já tinha dito o quanto amava a simplicidade de Sophia.
BW
Anabela Mota Ribeiro convidou os autores a falar sobre a sua relação com a obra de Sophia, sobre a escrita para crianças e jovens e houve um pequeno espectador que fez a pergunta que deixa todos curiosos: "Como é que se escreve uma história?"
Engraçado foi ouvir uma professora de Português com 39 anos de serviço, Ana Maria Magalhães, a dizer que em tantos anos teve uma única turma que gostava de Gramática e que não se deve pegar em textos de grandes autores, como Sophia, e parti-lo em sujeito, predicado e complemento...
Pedro Sousa Tavares reforçou que os livros servem para ler com prazer, são uma porta que se abre e que se pode fechar quando não se gosta e não para dar cabo deles com a Gramática. Ana Maria Magalhães voltou à carga e lembrou que um dos netos de Isabel Alçada tinha estado 11 aulas a explorar um texto de um grande autor português. "Isso não se faz a um grande autor..."
E a Marta, a Leonor e o Vasco brilharam! Estiveram praticamente à altura dos autores – falaram sobre as suas personagens preferidas do mundo de Sophia, do quanto tinham aprendido, do que é ouvir ler quando se é pequeno e ler quando se é grande, do quanto é diferente voltar a reler, à medida que os anos vão passando e que, mesmo os adultos podem ler os livros que Sophia escreveu a pensar nos seus filhos – e encantaram-nos, aos autores e à plateia.
No final, todos lhes deram os parabéns pelas suas intervenções – são leitores de Sophia, são leitores ponto final, são 'aspirantes' a escritores, têm caderninhos onde escrevem as suas histórias, onde começam 'livros', mas não acabam ou recomeçam e fazem upgrade, confessava a Leonor. E Ana Maria Magalhães encorajou-os a continuar, a fazer, refazer, deitar fora e recomeçar – um óptimo conselho para quem quiser escrever. Não há nada pior do que aqueles que estão convencidos que terminaram uma grande obra, disse-lhes. Aos espectadores já tinha dito o quanto amava a simplicidade de Sophia.
BW
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
As cinco 3
Elas são felizes, riem-se juntas, brincam até à exaustão, conseguem rir dos seus defeitos sem se magoarem, sem se ofenderem. Estão horas e horas a conversar sobre banalidades, sobre livros que leram, sobre personagens que criam, sobre historias que escreveram, sobre filmes, séries, actores, escritores, cantores, sobre as suas relações com os pais, irmãos, avós, tios... Não se cansam de falar e de rir sem parar. Deito-me tarde e ouço-as, no sotão, a falar baixo e a rir; acordo na manhã seguinte e o som é o mesmo.... E sinto alguma inveja, alguma saudade de ser assim, de ter aquela idade, de rir até às lágrimas por coisa nenhuma!
BW
BW
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domingo, 24 de julho de 2011
As cinco 2
"Ih... não gosto de sopa..." "Nunca como! Só na escola..." "Posso não comer?" "Quem é que gosta de sopa?!"
Não, cá em casa todos comem sopa. Podes comer uma concha, em vez de duas.
Sentam-se à mesa com ar de sacrifício e comem a sopa que não tem um único vegetal a boiar, não queria ouvir : "Posso deixar as couves?" quando eram feijões verdes, como aconteceu uma vez, com uma delas.
No relatório diário que envio às mães sobre o que fizeram e o que comeram (por SMS), escrevo: "Já sei que não gostam de sopa, mas comem uma concha!", não quero ser acusada de maus tratos. Uma responde: "não deve haver 1 criança k goste de sopa". Por acaso eu conheço várias! É verdade que são todas da minha família...
Ao terceiro dia ouço: "A sopa da tua mãe é boa! Há mais sopa?"
Portanto, o problema não é da sopa... E, quem me conhece, sabe que eu não sou grande cozinheira! Aliás, quando contei esta história ao meu filho, ele mandou uma gargalhada e não foi de elogio aos meus dotes culinários...
BW
Não, cá em casa todos comem sopa. Podes comer uma concha, em vez de duas.
Sentam-se à mesa com ar de sacrifício e comem a sopa que não tem um único vegetal a boiar, não queria ouvir : "Posso deixar as couves?" quando eram feijões verdes, como aconteceu uma vez, com uma delas.
No relatório diário que envio às mães sobre o que fizeram e o que comeram (por SMS), escrevo: "Já sei que não gostam de sopa, mas comem uma concha!", não quero ser acusada de maus tratos. Uma responde: "não deve haver 1 criança k goste de sopa". Por acaso eu conheço várias! É verdade que são todas da minha família...
Ao terceiro dia ouço: "A sopa da tua mãe é boa! Há mais sopa?"
Portanto, o problema não é da sopa... E, quem me conhece, sabe que eu não sou grande cozinheira! Aliás, quando contei esta história ao meu filho, ele mandou uma gargalhada e não foi de elogio aos meus dotes culinários...
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sábado, 23 de julho de 2011
As cinco 1
Durante três dias foram cinco adolescentes em vez de uma, todas entre os 12/13 anos. Foram três dias de conversas que não terminavam. Elas, tal como muitos adultos, têm medo do silêncio e, por isso, as suas conversas percorrem um largo espectro, vão do tema rapazes, paixões, etc até às séries, desenhos animados e cantar genéricos dos mesmos. São adolescentes!
Como são tudo miúdas relativamente bem educadas, o facto de me ignorarem valentemente deixou-me meio atordoada... Eu tentava meter-me na conversa e elas nem ouviam, eu perguntava qualquer coisa e não respondiam, eu pedia e elas ignoravam... Que raça! Então não estão em minha casa? Não sou eu o único adulto? Eu, com a idade delas não fazia isto... Cantava genéricos de desenhos animados e falava de rapazes mas, aí de mim, se imaginasse sequer ignorar a voz de um adulto! Serei eu que não tenho um ar suficientemente convincente? Serei invisível?
Sim, aos olhos delas eu sou completamente transparente, como são os seus pais com quem falavam quando eu dizia, com voz de poucos amigos: " toca a ligar para casa!"
Falavam com aquele ar de frete. Sim... Está tudo bem... Fomos à praia... O que é que achas? Aí, mãe, já sei isso tudo...
Filhos meus, quando estão fora, não falam assim comigo ao telefone. Falam! Porque se não o fizerem sabem que correm o risco de uma ou duas horas depois (conforme o tempo de caminho) eu estar lá à porta, a recolhê- los. Por isso, houve momentos em que apeteceu-me dar-lhes uns abanões: "Ei! Eu estou aqui! Estão a ver?! Eu, a adulta que vos alimenta, suas ingratas!" Mas depois, respirava fundo e pensava: "São três dias, três, o que é isso na tua vida? nada!"
BW
PS: Também as imaginei na escola com aquela atitude e não é bonito de se imaginar...
Como são tudo miúdas relativamente bem educadas, o facto de me ignorarem valentemente deixou-me meio atordoada... Eu tentava meter-me na conversa e elas nem ouviam, eu perguntava qualquer coisa e não respondiam, eu pedia e elas ignoravam... Que raça! Então não estão em minha casa? Não sou eu o único adulto? Eu, com a idade delas não fazia isto... Cantava genéricos de desenhos animados e falava de rapazes mas, aí de mim, se imaginasse sequer ignorar a voz de um adulto! Serei eu que não tenho um ar suficientemente convincente? Serei invisível?
Sim, aos olhos delas eu sou completamente transparente, como são os seus pais com quem falavam quando eu dizia, com voz de poucos amigos: " toca a ligar para casa!"
Falavam com aquele ar de frete. Sim... Está tudo bem... Fomos à praia... O que é que achas? Aí, mãe, já sei isso tudo...
Filhos meus, quando estão fora, não falam assim comigo ao telefone. Falam! Porque se não o fizerem sabem que correm o risco de uma ou duas horas depois (conforme o tempo de caminho) eu estar lá à porta, a recolhê- los. Por isso, houve momentos em que apeteceu-me dar-lhes uns abanões: "Ei! Eu estou aqui! Estão a ver?! Eu, a adulta que vos alimenta, suas ingratas!" Mas depois, respirava fundo e pensava: "São três dias, três, o que é isso na tua vida? nada!"
BW
PS: Também as imaginei na escola com aquela atitude e não é bonito de se imaginar...
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
Francês vs. Espanhol
Ele não queria aprender Francês, o Espanhol era melhor, dizia-nos. A troca de argumentos foi forte e no final imperou não a argumentação mas o poder dos pais. O Francês tem sido (mal) feito e com muita contrariedade. Quando a irmã pediu para ir para Espanhol, em parte por causa da má experiência dele, ficámos num impasse e ele é que desempatou: "Deixem-na ir para Espanhol, eu não me importo".Estava ela a contar os resultados do último teste de Espanhol, quando ele começa a fazer um diálogo a imitar-nos e, de vez em quando fazia uns apartes - ver se eu consigo escrever de modo a que entendam quando é que somos nós a falar e o quando são os seus apartes... já sei! Os nossos, dos pais, são em itálico, os dele a bold:
"Não, filho, tens que ir para o Francês porque o Francês é uma língua de cultura, é essencial para quem vive na Europa. Se quiseres ir estudar para França, para Bruxelas... o Francês é muito falado no mundo inteiro: em África... Em África? Porque nós queremos é que tu vás para África! O Espanhol não, o Espanhol é só falado em Espanha, não é sequer o idioma de toda a América... TODA... Não é a segunda língua mais falada nos EUA, não... O Francês é falado no Canadá... Claro!.. E em África! Não esquecer... E no Pacífico... Boa, para quando for lá de férias?!... Olha, porque é que vocês não me puseram a aprender o Holandês?!"
Ele diz tudo isto como se fosse um comediante de stand-up, de pé e tudo. Nesta fase já rebolávamos a rir. O Holandês! Bem vistas as coisas, e na perspectiva dele, o Francês está equiparado ao Holandês, ou seja, é uma língua de ninguém, falada por uns tipos, num continente que está a perder poder no mundo. Sim, que importância geopolítica tem o Francês? Podia ter ido aprender o Holandês, o Sueco ou o Dinamarquês, penso.
Neste ponto, ele parou a rábula e perguntou-nos: "Porque é que eu disse 'o Holandês'?"
- Porque pensas que é uma língua pouco falada no mundo, respondo.
- Errado! Porque os Holandeses também disputaram a colonização da América com os Espanhóis...
- Tão inteligente o meu filho! Sabe aplicar tão bem a matéria que aprende! Uma pena não fazeres o mesmo com o Francês..."
BW
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
A violência coreografada na vida real
Que os meninos se batem nos corredores da escola, nos recreios, na rua, já se sabe. Não é novo, sempre aconteceu, os maiores, os mais cobardes, os mais idiotas, os que não sabem ignorar uma boca, os mais primários, os que ainda não aprenderam que os assuntos se resolvem a conversar, etc. Alguns, em casa, aprendem que não se bate, sabem que não se bate, mas os outros batem, o grupo bate, na televisão vê-se bater, os heróis batem, os heróis resolvem os assuntos à pancada, os cantores (nos videoclips) batem e abatem...
Está tudo gravado, nos filmes, nas séries (em que se banalizou a violência e a morte)...
E eles gravam também, nos seus telemóveis de última geração, as agressões. Juntam-se à volta dos agressores e da vítima e filmam alegramente, cobardemente, alarvemente. Estão do lado dos agressores e não da vítima. Os agressores batem de maneira diferente. Em vez de empurrões, de puxões de cabelo e de murros, há direito a pontapés na cabeça e, como nos filmes, quando a vítima está no chão ainda se dão pontapés no estômago. O agressor tem sempre razão, está cheio de razão.
Mas não são só os meninos que batem, são os adultos. Esta semana conhecemos o que sucedeu no Verão passado com uns fuzileiros, homens a bater noutro homem com recurso a esfregona e tudo; e da ama ilegal que bate em bebés. Portanto, não são só os rapazes e raparigas que se batem. Há adultos (amas, educadores de infância, avós, tios, pais...) que batem, que deixam a semente da violência dentro daqueles coraçõezinhos, que vão crescer e que, um destes dias, vão bater, mesmo que os pais lhes ensinem a não fazê-lo.
BW
Está tudo gravado, nos filmes, nas séries (em que se banalizou a violência e a morte)...
E eles gravam também, nos seus telemóveis de última geração, as agressões. Juntam-se à volta dos agressores e da vítima e filmam alegramente, cobardemente, alarvemente. Estão do lado dos agressores e não da vítima. Os agressores batem de maneira diferente. Em vez de empurrões, de puxões de cabelo e de murros, há direito a pontapés na cabeça e, como nos filmes, quando a vítima está no chão ainda se dão pontapés no estômago. O agressor tem sempre razão, está cheio de razão.
Mas não são só os meninos que batem, são os adultos. Esta semana conhecemos o que sucedeu no Verão passado com uns fuzileiros, homens a bater noutro homem com recurso a esfregona e tudo; e da ama ilegal que bate em bebés. Portanto, não são só os rapazes e raparigas que se batem. Há adultos (amas, educadores de infância, avós, tios, pais...) que batem, que deixam a semente da violência dentro daqueles coraçõezinhos, que vão crescer e que, um destes dias, vão bater, mesmo que os pais lhes ensinem a não fazê-lo.
BW
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
Ouvido de passagem
Um filho adolescente insiste com a mãe, insiste, que o telemóvel está com um problema, que é sempre a mesma coisa, que precisa mesmo de outro aparelho, que um telefone serve mais do que para fazer chamadas, que os amigos têm todos um equipamento superior... Insiste. Ao princípio, a mãe ainda argumenta, depois cala-se e parece ouvir. Já não ouve. No final responde-lhe: "Deve ser maravilhoso ser adolescente e saber que se tem sempre razão em tudo!". O rapaz cala-se e acena. "Sim, eu sei que tenho razão". A adolescência não lhe permite ouvir a ironia na voz da mãe, só as palavras, soam-lhe tão acertadas.
BW
BW
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A violência na escola e fora dela
Ontem um aluno agrediu outro com uma navalha, deixando a escola consternada (para não falar do agredido que além da consternação, há-de ter dores, estará traumatizado, etc).
Na segunda-feira, a caminho de casa, um adolescente é barbaramente agredido, depois de ter entregue o telemóvel aos agressores. Os colegas de turma e os pais estão abalados - o rapaz e a família estarão ainda pior do que nós, já que terá de se submeter a algumas cirurgias, para não falar do trauma.
Alguém, numa posição cimeira no país, dizia-me que se quisermos arranjar uma história de fome, de violência, de desemprego, etc, diariamente, conseguimos e damos uma ideia do país péssima. É verdade, mas as histórias existem, os casos existem e têm rostos.
BW
Na segunda-feira, a caminho de casa, um adolescente é barbaramente agredido, depois de ter entregue o telemóvel aos agressores. Os colegas de turma e os pais estão abalados - o rapaz e a família estarão ainda pior do que nós, já que terá de se submeter a algumas cirurgias, para não falar do trauma.
Alguém, numa posição cimeira no país, dizia-me que se quisermos arranjar uma história de fome, de violência, de desemprego, etc, diariamente, conseguimos e damos uma ideia do país péssima. É verdade, mas as histórias existem, os casos existem e têm rostos.
BW
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Quando se cresce demasiado depressa...
Quando o viu, passado um ano, o pediatra nem queria acreditar. "Como cresceste!". Às vezes, eles crescem demasiado depressa, dão o pulo, um dia têm um metro e meio, no seguinte, um metro e oitenta.Na sala de aula senta-se todo torto, as cadeiras são pequenas, incómodas para estar direito durante 90 minutos. Qualquer movimento que faça é atrapalhado, os braços compridos vêem-se ao longe, e dá mais nas vistas do que o colega do lado, o que ainda não deu o pulo, pequenino e que passa despercebido.
Se vira a cabeça para o lado, o olhar do professor fixa-se nele. Se procura uma posição mais correcta para se sentar, o docente volta a olhá-lo, desconfiado. Se tem uma dúvida, lá está ele. A sala parece-lhe pequena, os colegas pequenos, as professoras pequenas e ele grande, grande e cheio de força, de energia para dispender. Porque, na verdade, ele é igualzinho aos outros: pequeno. E o que desejava mesmo era passar despercebido, mas não consegue... é grande.
BW
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Deixem-nos dormir (ou não)!
Sestas no pré-escolar em discussão. Eu, por mim, defendo as sestas no 1.º, 2.º, 3.º ciclos e secundário! Defendo sestas no local de trabalho! Está estudado que é a sesta é importante!
BW
BW
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Eu, mãe de dois filhos com mais de dez anos...
... tendo a concordar, infelizmente!
Deixem-me intrometer-me, controlar, dizer o que está bem e mal, de quem devem ser amigos, sim? Por favor!
E quando eu cumprimento os amigos deles como se ainda fossem uns bebés?! Abro muito os olhos, esboço o meu melhor sorriso e com uma voz carinhosa pergunto: "Olá, meu querido, estás bom?"; toda eu sou mel, os miúdos ficam com um ar comprometido e os meus filhos reviram os olhos e repreendem-me!
O que é que querem?! Para mim são uns bebés, são todos uns bebés, mesmo que tenham mais 20 cm do que eu!
BW
Deixem-me intrometer-me, controlar, dizer o que está bem e mal, de quem devem ser amigos, sim? Por favor!
E quando eu cumprimento os amigos deles como se ainda fossem uns bebés?! Abro muito os olhos, esboço o meu melhor sorriso e com uma voz carinhosa pergunto: "Olá, meu querido, estás bom?"; toda eu sou mel, os miúdos ficam com um ar comprometido e os meus filhos reviram os olhos e repreendem-me!
O que é que querem?! Para mim são uns bebés, são todos uns bebés, mesmo que tenham mais 20 cm do que eu!
BW
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
Mais leituras sobre a adolescência
Pequenos livros, de Maria Gabriela de Sousa Silva e editados pela Coisas de ler, com cerca de 60 páginas, num registo pessoal e intimista, que nos levam a uma reflexão pessoal sobre os temas específicos de cada volume:- Os Sonhos dos Adolescentes;
- O Prazer da leitura na Adolescência;
- O Ser e o Estar na Adolescência.
Qualquer um dos volumes é complementado por interessantes, mas frequentes citações de poetas e autores vários: João dos Santos, Ruben Alves, Fernando Pessoa, Daniel Pennac, etc.
Do volume dedicado à leitura, destaco os dados estatísticos que a autora apresenta sobre o que os adolescentes lêem. Do volume sobre o Ser e Estar, destaco o estudo da "identitária" do adolescente feita a partir de cerca de 800 questionários.
Uma leitura leve, rápida, mas agradável sobre esta difícil fase do desenvolvimento humano.
Ana Soares
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
Conversas sobre sexualidade
Bom, parece que eu e a Bárbara resolvemos dedicar estes últimos dias da semana à sexualidade. Depois das sugestões a pensar nas leituras dos miúdos, proponho-vos uma leitura para pais. Cristina Sá Carvalho (psicóloga), com a colaboração de Mary Anne Stilwell d'Avillez (enfermeira), propõe Conversar com os Filhos sobre a Sexualidade (edição do Snec - Secretariado Nacional de Educação Cristã). Uma leitura realista, embora tendenciosa (pois parte da proposta da Igreja Católica), sem puritanismos ou preconceitos. Uma obra que peca pela pobreza da capa (um horror, para dizer a verdade, e que em nada faz justiça ao que se encontra lá dentro) e que ganha pela excelente organização, rigor, actualidade e bom senso.Feita a pensar nos pais, apresenta capítulos para as diferentes idades e a começar nos "nossos filhos ainda bebés" (sim, porque a educação para a sexualidade começa aqui) e a terminar na segunda etapa da adolescência (15-18 anos). Enquanto os filhos lêem "Para onde foi o Zezinho" ou o livro da Lynda Mandara, os pais podem ler estas conversas.
Ana Soares
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Socorro, temos um adolescente em casa!
Depois do Grande Livro do Bebé e O Livro da Criança, Mário Cordeiro publica na Esfera dos Livros O Grande Livro do Adolescente. Por enquanto, só temos lido e consultado os dois primeiros. Embora volumosos, são práticos e certeiros nas sugestões que apresentam. A quem , como nós, deposita total confiança no saber científico e bom senso de Mário Cordeiro, os conselhos dão-nos uma tranquilidade e segurança que ameniza as horas de crise parental que às vezes vivemos. Imagino que daqui a poucos anos teremos este novo título não na estante, mas na mesa de cabeceira, quando andarmos a gritar cá por casa: “Socorro, temos um adolescente em casa!”. O autor, prestigiado pediatra e professor, partilha com o Educar em Português o gosto pelas letras. Tem também publicada uma antologia de poesia, A Poesia do Nascer (Okidoki), um pequeno romance, Redemoinho (Publisher Team), entre outras obras. Podemos visitá-lo no site http://www.azulnuvem.blogspot.com/Ana Soares
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