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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ferreira Gullar e o acordo ortográfico

Foi o prémio Camões deste ano, Ferreira Gullar é um autor brasileiro, que o I entrevistou na FLIP, a feira literária brasileira. Sobre o acordo ortográfico:

"Eu acho que o Brasil e Portugal, com os outros países de língua portuguesa, têm de parar com essa coisa de ficar mudando as regras ortográficas. Eu acho que é uma coisa que não ajuda em nada. É uma perda de tempo. Cria confusão, inclusive dá prejuízos. Já imaginou o que vai acontecer? Colecções de livros vão ter que ser jogadas fora e reimpressas, para obedecer a uma nova ortografia porque uma ou duas pessoas resolveram mudar a maneira de escrever a língua. Isso é uma arbitrariedade. Quem é que outorgou a essas pessoas o direito de fazer isso? A língua é património do país, da população, não é propriedade de ninguém. Não pode haver uma entidade que decide mudar a língua de todo o mundo. Isso é um absurdo. É uma coisa precária, que cria confusões, porque é impossível você encontrar uma forma de colocar todos os países de língua portuguesa em que não se crie ambiguidade nenhuma. É um sonho vão. A ortografia tem de ser uma representação da linguagem falada. Então é uma bobagem. Uma perda de tempo."

A entrevista na íntegra pode ser lida aqui.
BW

sábado, 24 de julho de 2010

Ouvir livros - Audiolivros em Português

A MHIJ Editores procura dar resposta a uma das necessidades do mercado editorial de audiolivros: editar, no formato audio, contos e romances contemporâneos, portugueses e estrangeiros.

Do conjunto de autores que a MHIJ já contemplou, destacamos Paul Auster, Mia Couto ou José Eduardo Agualusa.


Aqui fica o convite para passar pelo site.

Ana Soares

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O principezinho envelhecido - Ondjaki




"Velhice é todos os dias ir despedindo um pouco coisas que inda nos tocam as paredes do coração."

Ondjaki, E se amanhã o Medo, p.44



E se amanhã o Medo é um pequeno livro de contos de Ondjaki, com cerca de 100 páginas, que reúne vinte contos.
O conto " A confissão do acendedor de candeeiros" recria, num velho acendedor de candeeiros, a quase mítica personagem de Saint-Exupéry, o Principezinho. Uma homenagem a esta figura no livro dum jovem escritor angolano.
Ana Soares

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Envelhecer... por Chico Buarque

"(...) com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida." p. 212


Depois de Estorvo e Budapeste surge Leite Derramado, o terceiro romance de Chico Buarque.


Um homem, velho, no hospital, relembra episódios da sua vida e a história da sua família. Com pequenos capítulos, de agradável e fácil leitura, vamos conhecendo o velho Eulálio nos seus tempos de meninice, juventude e maturidade. Página a página mais cansado, mas com lembranças vivas, embora por vezes pareçam algo delirantes, Eulálio vai-se dirigindo às enfermeiras, filha e potenciais leitores.


Uma edição da D. Quixote, de venda exclusiva em Portugal, mas respeitando a versão original, em português do Brasil.


Ana Soares

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Thalita Rebouças

Que cena, mãe!

Este é o título do mais recente livro da jovem escritora brasileira Thalita Rebouças publicado em Portugal.

Um relato a duas vozes, mãe e filha, do crescimento de Malu (Maria de Lurdes). Os primeiros doze capítulos, um por cada ano de vida, são narrados pela mãe. Estes são, a meu ver, divertidos e adequados q.b. para os leitores mais jovens. O mesmo já não posso dizer dos restantes, até aos 21 anos, que incluem temas como namorados, dormidas destes "lá em casa", festas, e são narrados pela filha.

A jovem autora tem já nove títulos publicados no Brasil e dois em Portugal. A julgar por este, o único que conheço, parece-me que os livros não devem ser lidos sem o olhar atento de mães ou pais.

Um sucesso no nosso país irmão, o Brasil.
Pelo Rio, Curitiba, Niterói, Porto Alegre, Thalita tem andado um pouco por todo o Brasil a divulgar o livro e parece que em breve virá a Portugal...

Ana Soares

domingo, 19 de julho de 2009

Descobrir Cíntia Moscovich

"O fim de escrever bem é compartilhar uma realidade inédita ou um sentimento importante com o leitor, de tal maneira que o que está escrito e como está escrito se completam e o puro engenho do texto desaparece. O que eu quero dizer é que a Cíntia escreve bem para caramba", diz Luís Fernando Veríssimo sobre Cíntia Moscovich escritora brasileira, jornalista e mestre em Teoria Literária.
O livro Arquitectura do Arco-Íris é uma colectânea de contos surpreendentes onde se confundem estórias com a biografia da autora. O conto "Bonita como a Lua" só pode ser biográfico e revela os sentimentos do pai de Cíntia quando esta, ainda pequena, lhe diz: "Quando eu crescer, quero ser escritora e actriz".
A ler por todos os pais!
BW

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Prémio Camões para Arménio Vieira

Parabéns a Cabo-Verde! O júri do Prémio Camões decidiu atribuir o galardão deste ano ao poeta Arménio Vieira, o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões pela sua obra poética. Conheça melhor este autor e saiba quais foram os premiados de outros anos no Público e no i .

E aqui vos deixamos um poema do autor:

Quiproquó

Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto
Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicído de um poeta
Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapatos
e sigo descalço e vou descoberto.

AS

A sua vida pode dar um livro

A ideia de criar uma empresa que se dedica a escrever biografias de anónimos não é portuguesa (é americana, já adivinharam, certamente), mas já chegou ao nosso país pela mão da recente empresa: O Livro da Minha Vida, que já editou mais de 30 livros.
Uma biografia de 200 páginas, que custa cerca de 3 mil euros, ou a história de um namoro, casamento, amizade, empresa ou gravidez podem dar um livro interessante, defendem as promotoras do projecto. Dizem ainda que para os mais apressados há a hipótese de fazer uma biografia respondendo apenas a 25 perguntas online. Para os que tenham uma maior disponibilidade existe ainda o livro de 500 euros, que implica entrevistas presenciais.Leia mais aqui sobre este projecto que só me faz pensar no romance do José Eduardo Agualusa, O Vendedor de Passados, um maravilhoso romance sobre a arte de inventar passados.
AS

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Caetano Veloso ilustrado

O Leãozinho de Caetano Veloso, para oferecer aos leozinhos das nossas vidas!

Foi uma feliz surpresa encontrar este livro. A cada página um verso e uma ilustração, cada uma mais ternurenta do que a outra e todas as páginas me fazem cantar (ainda que para dentro)!

O texto de Caetano Veloso ilustrado por Gabriella Sotto Mayor e publicado pelas edições Quasi.


Para ler, ver e, já agora, ouvir a dois, três, quatro ou mais!

Ana Soares



quinta-feira, 30 de abril de 2009

José Luandino Vieira - livros na prisão

No âmbito do contrato de leitura, de que já vos falei, sugeri também aos meus alunos que lessem Nosso Musseque. Não lhes disse, mas achei que não o iam escolher. Pu-lo na lista pelos motivos mais evidentes: mais um exemplo da nossa literatura de expressão portuguesa, mas achei que Jorge Amado, com a sua fama; Pepetela, com os seus temas; Erico Veríssimo, com a intensidade psicológica iam conquistar os alunos. E conquistaram, é verdade, mas passado o período de reflexão e “prospecção” que lhes procuro proporcionar antes da escolha do livro, alguns lá disseram, embora ainda sem grande confiança, que iam ler este.


Depois, pareceu-me que gostaram mesmo. Este pequeno romance, escrito na prisão (outra prisão para além daquela de que Luandino nos fala nesta entrevista ao Público), faz um retrato dos musseques, bairros de Luanda, com personagens, adultos e crianças, que conquistaram a simpatia dos jovens leitores.





Esta foto de um musseque não é minha. Pode ser vista neste blogue sobre Luanda. Vale a pena espreitar para conhecer Luanda.






Moral da história: os miúdos gostam de conhecer outros universos. Educar é também isto. Levá-los a viajar por mundos reais e ficcionais que eles não conhecem.


Ana Soares


domingo, 26 de abril de 2009

Novo romance de Pepetela - agenda e sugestões



Pepetela, pseudónimo pelo qual se tornou conhecido Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, tem um novo livro: O Planalto e a Estepe. Segunda-feira, na Pó dos Livros, pelas 18h30min, haverá uma sessão de leitura da referida obra.

O autor Angolano entrou lá em casa, os seus livros, bem entendido, quando na escola começámos a propor aos alunos do 11.º ano obras de autores de expressão portuguesa, no âmbito do contrato de leitura.

Após um período de adaptação (pois os miúdos, apesar dos seus 15/16 anos, às vezes, também são conservadores), lá entraram também na vida dos jovens alunos autores como Mia Couto, Erico Veríssimo, Luandino Vieira, Manuel Rui, Jorge Amado e Pepetela.

Este último tem sido bem amado pelos miúdos.

Escolhem preferencialmente Jaime Bunda, em várias das suas versões, muitas vezes levados pelo título e capa, entusiasmados com a crítica que se adivinha logo na analogia entre o Jaime Bunda e James Bond.





Escolhem ainda A Montanha da Água Lilás. Este é, na verdade, uma fábula para todas as idades, que vos recomendo. Através da alegoria, o autor propõe uma crítica aos homens que se deixam corromper pelo poder que a posse de recursos humanos pode representar. Numa linguagem simples e poética, Pepetela chega a jovens adolescentes e a adultos, levando-os a reflectir tanto sobre o processo social que leva à diferenciação de classes como sobre a estruturação de uma economia. Com as estranhas personagens deste livro, criaturas muito engraçadas, os jacalupis, Pepetela faz um colorido retrato do mundo e dos homens.



Ana Soares