Já aqui falámos de Os livros que devoraram o meu pai. Afonso Cruz regressa. Desta vez ao Alentejo e à história de Rosa e da sua avó Antónia. É maravilhoso saborear cada uma das frases do autor. Algumas fazem-nos parar e pensar durante algum tempo, fazem-nos querer partilhar e ler alto para todos ouvirem como é fantástico, divertido, irónico ou, simplesmente, profundo! Jesus Cristo bebia cerveja, publicado pela Alfaguara.
BW
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sábado, 18 de agosto de 2012
Jesus Cristo bebia cerveja
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Dia mundial do livro
No dia do livro, relembro o blogue Acordo Fotográfico que é um verdadeiro elogio ao livro e à leitura!
Parabéns à sua autora!
BW
Parabéns à sua autora!
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
o que é uma história bem contada?
"E o que é uma história bem contada, pode saber-se?
Bem...
Bem...
Pois fica sabendo que uma história mal contada pode ter bastante mais interessa, gosto, salero, que uma históriabemcontada. Uma históriabemcontada pode ser a coisa mais pãozinho sem sal... Pelo contrário, uma história mal contada pode ser do caraças. Não gostas de livros com demasiadas vírgulas, dizes tu?
Sim.
Sim.
Pois a minha resposta é: depende. Às vezes a voz do narrador necessita de espaço, não se satisfaz com uma frase minorca, nem toda a gente tem de ser telegráfica, às vezes a frase quer espraiar-se, viajar, ver até onde pode ir, feita canoa a descer os rápidos ou a desabar por uma cascata e a contorcer-se toda para não embater nas pedras, ou então a voz faz-se de vaga de fundo que se vai fazendo ouvir aos poucos até ribombar e trovejar e explodir, como uma orquestra a tocar uma valsa que ao princípio quase não se ouve nada, depois aos poucos os intrumentos vão entrando, e vão subindo, subindo, e sentimos uma excitação, antecipamos que algo vai acontecer, mas ainda não estamos lá (...)"
Rui Zink, Anibaleitor, p. 80
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Identidade
Pedro Sena-Lino no lançamento do Manual de Autobiografia:
" (...) Penso sempre que é por isso que estamos nesta terra não sozinhos mas multiplicadamente acompanhados por biliões de seres: porque a fome de cada um ultrapassa a pele, e o que nos separa é a necessidade de podermos matar a sede uns aos outros com o sentido a buscar no fundo de cada um. (...)
Acredito que uma narrativa pode salvar: é assim com a Bíblia, é assim com o Corão, é assim com milénios de Literatura que criaram a identidade em que cada ser encontra o veículo e o enigma em que pode achar-se e superar-se, e assim transgredir os limites da sua própria dimensão original."
Acredito que uma narrativa pode salvar: é assim com a Bíblia, é assim com o Corão, é assim com milénios de Literatura que criaram a identidade em que cada ser encontra o veículo e o enigma em que pode achar-se e superar-se, e assim transgredir os limites da sua própria dimensão original."
Pedro Sena-Lino, Crónicas de Bizâncio
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Os Livros são como Casas
Porque Os Livros são como Casas, Sophie Pietromarchi, numa edição da Edicare, lança sugestões a educadores, pais ou professores para fazer livros e capas. Com uma linguagem poética, mas simples, pode também ser lido e usado autonomamente pelas próprias crianças. Sugestões práticas, num livro apetecível, que nos fala do prazer do livro, mas, essencialmente, fornece ideias."A curiosidade faz-me sempre abrir portas. Sempre pensei que as portas mais misteriosas eram as capas dos livros. «Porquê?», perguntas tu. Bem, primeiro porque abrem para o mesmo lado e protegem o que lá está dentro. Quando estão abertas, há um mundo novo no seu interior. Há alguma coisa numa porta ou numa capa de um livro que separa o que está dentro do que está fora e promete contar segredos. As capas e as portas falam em silêncio: a cor, a forma, a decoração, as palavras nelas escritas. (...) há alguma coisa muito parecida entre um livro e uma casa e, às vezes, entrar num livro é como entrar numa casa: podemos sentir os cheiros, ver as sombras e a luz, o ar da pessoa que vive na casa, as coisas que nela existem. Tal como uma casa, um livro é um mundo inteiro - se calhar como um ovo - só que um ovo não tem porta!"
Ana Soares
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
um livro é uma casa
"E [eu] estava a sentir uma coisa ainda mais estranha: a gostar de aprender. A gostar de aprender que um livro é uma casa com muitas portas - às vezes tantas quantas as páginas do livro; outras, tantas quanto as linhas. Outras, nem tanto assim. Havia livros que eram mais como aquelas pinturas a imitar portas e janelas, que quando uma pessoa chegava lá embatia com o nariz num muro."
Rui Zink, Anibaleitor, p. 62
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domingo, 31 de outubro de 2010
a escrita e a vida
Um livro escreve-se de trás para a frente e da frente para trás, um passo adiante, dois passos à retaguarda. Ou ao contrário. Na escrita e na vida.
Manuel Alegre, O miúdo que pregava pregos numa tábua, p. 109
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Nobel da Literatura para Mario Vargas Llosa

E o Nobel da Literatura foi para um sul americano... O peruano Mario Vargas Llosa foi o vencedor! Depois de já ter recebido o prémio Cervantes e o Principe das Astúrias, foi a vez do Nobel para o autor de ficção, teatro e ensaio. Parabéns.
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domingo, 26 de setembro de 2010
ler e amar
"Digamos que, como no amor, a leitura é um encontro entre duas peças imperfeitas [o leitor e o livro] que se podem completar na perfeição."
Rui Zink, Anibaleitor, p. 82
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Medicina narrativa
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domingo, 12 de setembro de 2010
livros para entreter
"Não há grande mal em muitos livros serem só para entreter. Os piores são aqueles que não passam de hamburgueres, Parecem saborosos, e são fáceis de consumir, mas é porque já vêm pré-mastigados. Lê-los dá o mesmo trabalho que ver uma série na televisão. Distraem, mas evaporam-se num ápice da memória e, quanto mais comes, mais ficas com uma sensação de vazio."
Rui Zink, O Anibaleitor, p. 62
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
"Os livros são espelhos:
só se vê neles o que a pessoa tem dentro."
só se vê neles o que a pessoa tem dentro."
Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento, p.224
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
a poesia e a literatura
Mas o miúdo que pregava pregos numa tábua, ou talvez o autor, quem sabe se eu próprio, já uma vez escreveu que, para ele, a poesia está aquém e além da literatura.
Manuel Alegre, O miúdo que pregava pregos numa tábua, p. 81
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Os livros e a vida
Um livro escreve-se de trás para a frente e da frente para trás, um passo adiante, dois passos à retaguarda. Ou ao contrário. Na escrita e na vida.
Manuel Alegre, O miúdo que pregava pregos numa tábua, p. 109
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domingo, 18 de julho de 2010
O estilo saramaguiano
A principal característica do estilo saramaguiano é vastamente conhecida: o uso inesperado da pontuação (a subversão das regras, dirão mesmo alguns).
Na citação abaixo, descobrimos como nasceu esta característica que teve a estreia com o romance Levantado do Chão quando, recolhido o material para este romance, o escritor não sabia como lhe pegar.
"Ao fim de três anos de dúvidas continuava sem saber como abordar o tema que, à primeira vista, tinha muito que ver com o neo-realismo literário. Mas não me seduzia nada, não me aliciava, não me agradava a ideia, apesar de respeitar muitíssimas obras neo-realistas. O que não queira era repetir algo que de alguma forma pudesse estar já feito [...] chegou 1979 e continuava sem saber como começar, mas o tempo estava a passar e como queria escrever o livro, sentei-me a trabalhar. Fi-lo sem saber sequer o que queria dizer, ainda que algo me sussurrasse que aquele não era o caminho, mas nem sequer sabia o que podia pôr no seu lugar até que dissesse: é isto. Então comecei a escrever como toda a gente faz, com guião, com diálogos, com a pontuação convencional, seguindo a norma dos escritores.
Quando ia na página vinte e quatro ou cinte e cinco, e talvez esta seja das coisas mais bonitas que me aconteceram desde que estou a escrever, sem o ter pensado, quase sem me dar conta, começo a escrever assim: interlignado, interunindo o discurso directo e o discurso indirecto, saltando por cima de todas as regras sintácticas ou sobre muitas delas."
João Lopes, 2010, José Saramago - Biografia, edições pluma
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Alberto Manguel em entrevista
"Mas ler os clássicos na escola continua a fazer sentido. Os Lusíadas de Camões, por exemplo.
Claro que continua. Os grandes clássicos não foram escolhidos por ninguém; não há um comité que decide que Homero é importante. O que houve foram cem gerações de leitores que disseram que esse livro é importante. É isso que define o clássico, é a obra que não se esgota junto dos seus leitores. E isso continua a ser importante, embora muitos leitores - e muita gente - não o reconheçam. As crianças têm uma imaginação activa, uma inteligência activa. Querem aprender a pensar. Na Idade Média, amarrava-se as crianças ao berço para as imobilizar. Hoje, amarramos a mente das crianças exactamente da mesma forma. Se me confiarem uma turma de crianças, comprometo-me a fazer com que elas leiam Camões com muitíssimo entusiasmo. É preciso dizer-lhes que são inteligentes e que vão conseguir ler essa obra. As crianças adoram palavras complicadas, termos difíceis, histórias onde não se percebe tudo. Mas a indústria não quer isso, quer tornar as coisas mais simples - e então fazem resumos, simplificam, publicam coisas idiotas para crianças e acabam por não publicar nada. Apenas jogos de vídeo.A nova geração continua a ter gosto pela leitura. Para o ser humano, o instinto de sobrevivência não se resume à necessidade de comer e beber; também inclui a necessidade de pensar. E isso é verdade seja onde for - aconteceu nos campos de concentração, acontece nas favelas mais pobres, acontece nas situações mais extremas. Continuamos a pensar, a criar, a interrogarmo-nos. E temos de lutar por isso. Não somos cegos; podemos dizer que não."
Alberto Manguel é ensaiasta e escritor, esteve por cá e deu uma entrevista ao PÚBLICO. Leia mais aqui .
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Claro que continua. Os grandes clássicos não foram escolhidos por ninguém; não há um comité que decide que Homero é importante. O que houve foram cem gerações de leitores que disseram que esse livro é importante. É isso que define o clássico, é a obra que não se esgota junto dos seus leitores. E isso continua a ser importante, embora muitos leitores - e muita gente - não o reconheçam. As crianças têm uma imaginação activa, uma inteligência activa. Querem aprender a pensar. Na Idade Média, amarrava-se as crianças ao berço para as imobilizar. Hoje, amarramos a mente das crianças exactamente da mesma forma. Se me confiarem uma turma de crianças, comprometo-me a fazer com que elas leiam Camões com muitíssimo entusiasmo. É preciso dizer-lhes que são inteligentes e que vão conseguir ler essa obra. As crianças adoram palavras complicadas, termos difíceis, histórias onde não se percebe tudo. Mas a indústria não quer isso, quer tornar as coisas mais simples - e então fazem resumos, simplificam, publicam coisas idiotas para crianças e acabam por não publicar nada. Apenas jogos de vídeo.A nova geração continua a ter gosto pela leitura. Para o ser humano, o instinto de sobrevivência não se resume à necessidade de comer e beber; também inclui a necessidade de pensar. E isso é verdade seja onde for - aconteceu nos campos de concentração, acontece nas favelas mais pobres, acontece nas situações mais extremas. Continuamos a pensar, a criar, a interrogarmo-nos. E temos de lutar por isso. Não somos cegos; podemos dizer que não."
Alberto Manguel é ensaiasta e escritor, esteve por cá e deu uma entrevista ao PÚBLICO. Leia mais aqui .
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sábado, 10 de julho de 2010
os livros
Um livro é como uma estrada, muitas são as curvas, ora avança, ora recua, ora vai dar a nenhures, que é onde agora estou.
Manuel Alegre, O miúdo que pregava pregos numa tábua, p. 23
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
Versos que pegam e despegam
O pai que ensinou o miúdo a não ter medo do mar está agora a ensinar os netos a pescar tainhas. Pegam, despegam. E quando ficam, os netos batem palmas.
Antes que me perguntem, eu respondo: assim é a pesca, assim a vida e assim a escrita. Surpresa e dúvida. Às vezes parece que um verso vem e afinal não. Ou vem?
Antes que me perguntem, eu respondo: assim é a pesca, assim a vida e assim a escrita. Surpresa e dúvida. Às vezes parece que um verso vem e afinal não. Ou vem?
Manuel Alegre, O miúdo que pregava pregos numa tábua, p. 79
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