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terça-feira, 29 de junho de 2010

O Ensino do Português - III - A terminologia linguística

Discordo ainda da forma como Maria do Carmo Vieira, no livro O Ensino do Português, desvaloriza a terminologia linguística. A mesma teve um longo e conturbado processo de implementação. Sem dúvida. E isso, a meu ver, é um tema susceptível de críticas. No entanto, a existência de uma terminologia uniformizada e actualizada era um urgência. É ainda claro que há muito para fazer no que diz respeito ao ensino do português: formação inicial e contínua dos docentes; implementação de novos programas de raiz, entenda-se do 1º ciclo em diante e não começando pelo secundário; entrada em vigor da nova nomenclatura de forma serena e ponderada; preparação da entrada em vigor do novo acordo ortográfico. Algumas das áreas que a Maria do Carmo Vieira critica, a meu ver, não são, agora, as mais pertinentes; noutros casos, discordo mesmo da perspectiva. Destaco, agora, alguns dos aspectos apresentados e com os quais concordo. Também defendo o cânone literário escolar, ideia subjacente a algumas das observações e críticas que autora tece. Creio que nos Novos Programas de Língua Portuguesa – que entretanto foram suspensos - a substituição de algumas obras clássicas obrigatórias por obras do plano Nacional de Leitura (PLN) não terá sido a melhor medida. Não por que me oponha ao PNL ou ache que as obras do mesmo não devam entrar na sala de aula, mas por considerar que, ainda assim, algumas obras essenciais deverão ser recomendadas, se não mesmo obrigatórias, em todos os ciclos. Concordo ainda com as críticas que faz à qualidade, ou melhor ausência da mesma, em alguns manuais e textos seleccionados por estes. Espero que a acreditação dos manuais venha a pôr termo a esta situação e que a qualidade dos materiais que são colocados à disposição de professores e alunos melhore. Concluo dizendo que é sempre bom reflectir sobre o Ensino da nossa língua. Maria do Carmo Vieira proporciona isso. Ainda que me pareça que se algumas ideias estão fora do tempo.
Ana Soares

domingo, 27 de junho de 2010

Ensaio: O Ensino do Português

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, à qual já aqui nos referimos, editou um primeiro livro – colecção Ensaios da Fundação. A sua autora é a professora Maria do Carmo Vieira e intitula-se O Ensino do Português. Não posso deixar de comentar o livro, nomeadamente algumas das observações da colega, cujo trabalho e dedicação à causa da Língua Portuguesa admiro. Todavia, a visão que a mesma tem defendido em múltiplas circunstâncias e que esta obra reúne afigura-se-me como desconcertante.

Maria do Carmo Vieira faz a apologia do texto literário e do ensino pela arte. Na teoria, estou de acordo. Na prática, quanto ao ensino da literatura, estou de acordo. Discordo é da forma talvez extremista como se apresenta contra a introdução de outros textos no espaço da sala de aula de língua materna. Recordo que os programas são para todos! E este todos inclui os alunos que não sabem ler rótulos ou a programação da TV! Podemos achar mal esta no programa de Português, mas o mal do país, a iliteracia, não é apenas a falta de conhecimento da literatura.

Por outro lado, não me parece que a escola, de uma maneira geral, seja a mesma e a aula de Português, em particular, possa decorrer como antigamente. As Tic, os quadros electrónicos, os computadores, as tecnologias entraram na vida dos pais, professores, escolas, alunos e estão a mudar o mundo. A escola tem, necessariamente, de se adaptar.

Ana Soares

Ps - as primeiras páginas do livro estão disponíveis aqui. Bastas clicar em saber mais sobre o ensaio.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Gramática para o 1º ciclo

A excelente gramática de Clara Amorim e Vera Costa (com supervisão de Mário Vilela), À Descoberta da Gramática - 1º e 2º ciclos, foi uma excelente proposta editorial da Areal. Na minha perspectiva, fazendo a transição entre dois ciclos, a mesma conseguia apresentar a nova terminologia com clareza, rigor e adequação às faixas etárias a que destinava. Agora que a Tlebs deu lugar ao DT (Dicionário Terminológico) está em fase de conclusão uma nova versão. Infelizmente agora numa versão só para o 1º ciclo e uma outra para o 2º ciclo. Perde-se a transição entre ciclos mas espero que se mantenham a qualidade e rigor.



Ana Soares

terça-feira, 30 de junho de 2009

A nova terminologia em papel

A nova terminologia não é tão nova como se poderia pensar, não o é nas faculdades nem para os linguístas. Nova é a sua aplicação aos Ensinos Básico e Secundário (se bem que neste último ciclo ela já esteja em vigor desde 2001).


Para formar professores, esclarecer dúvidas, para depois se criarem materiais de apoio e proporcionar os instrumentos necessários à prática diária na sala de aula, Isabel Casanova, Professora Associada da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, ex-docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, editou, então, uma obra incontornável: Dicionário Terminológico - Compreender a Tlebs. Esta visa enriquecer em explicações e exemplos o Dt disponível em linha no sítio da DGIDC, ferramenta de trabalho essencial de todos os docentes e que ganhará destaque com os novos Programas de Língua Portuguesa do Ensino Básico.

Ana Soares

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A nova gramática - da Tlebs ao DT

A Tlebs deu origem ao DT (Dicionário Terminológico), disponível na forma de plataforma on-line, de fácil e rápida consulta. Não é para os alunos. É um instrumento de consulta para docentes, e eventualmente pais e educadores interessados na matéria.
Esta é a nova bíblia da gramática (ou conhecimento explícito da língua, como agora é denominda esta área). É esta a nomenclatura dos novos programas de Língua Portuguesa que entram em vigor em 2010, para os alunos do 1º ao 9º ano. Quem já começou a aprender/ensinar de outra forma, terá, entretanto, de se adaptar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

TLEBS

A gramática que os nossos alunos e filhos aprendem na escola.

Para professores, pais e educadores em geral, o termo TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) é quase sinónimo de tensão e discussão, desconhecendo, no entanto, a maior parte dos opinantes, que as terminologias não nasceram em 2004, momento a partir do qual se iniciaram longas querelas e debates, por entendidos e menos entendidos, acerca do assunto.

Já em 1967, a Portaria 22 664 de 28 Abril deu formalmente a conhecer uma terminologia que se apresentou como original e revolucionária. Também esta velha Tlebs suscitou discussão e várias versões , para além de um período experimental de adopção. Até aqui tudo semelhante ao que aconteceu com aTlebs de 2004. O que não terá, eventualmente, acontecido foi a mesma ter sido alvo de tantos avanços e recuos.

Mas relembremos outros pormenores deste nascimento conturbado e precoce. O processo de revisão curricular do Ensino Secundário teve início em 1997. Os novos programas deviam avançar em 2004/05, mas alguns programas foram homologados antes. Foi o caso do programas de Português. Nestes, anacronicamente (em 2001/02), a terminologia adoptada é a da Tlebs, que, todavia, só nasce três anos depois, em Dezembro de 2004, a 24 de Dezembro (portaria 1488/2004. de 24 de Dezembro), ao jeito de prenda de Natal para professores e alunos.

Também reconheço que a nomenclatura de 1967, revogada em 2004, deixara já de “constituir uma referência produtiva”. Escolas, professores e manuais orientavam-se por uma tradição quase anónima e pelos manuais, surgindo assim a inquestionável necessidade de uma revisão. O que não era preciso era um processo tão complicado, com tantos avanços e recuos, oscilações e dúvidas que lançaram as escolas, professores, alunos e editores numa confusão da qual, só agora, em 2009, todos começamos a sair.

Ana Soares