quinta-feira, 10 de junho de 2010

Outra vez a educação sexual

Tal como em 2005 o Expresso fazia campanha contra a educação sexual nas escolas - mostrando manuais que não eram manuais, ou seja, imagens que faziam parte da bibliografia de outros manuais e que não era obrigatório ser usados por ninguém; agora foi a vez do I pegar nas mesmíssimas imagens que, diz, já estão no material que as escolas podem usar.
Quem é que o jornalista ouve? Os suspeitos do costume, aqueles que são contra a educação sexual nas escolas - a associação das famílias numerosas, a plataforma resistência nacional (que diz reunir cerca de 800 pais), a Confap e a APF (tinha que ouvir, afinal é dos manuais e do seu trabalho que se fala na peça, seria muito descarado não fazê-lo).
E o Ministério da Educação? Porque é que não ouviu a tutela, porque é que não perguntou quantas escolas usam os materiais da APF, quantos professores tiveram formação da APF? Porque é que não consultou os programas de educação para a saúde? Se o tivesse feito, saberia que não se fala de sexo no 1.º ciclo, nem de masturbação, nem de homossexualidade, mas de afectos, de alimentação, de higiene, enfim, de saúde. E que cabe às escolas, depois de ouvir os pais, decidir sobre o que é que se vai falar com os alunos, o que se vai incluir no projecto educativo. Os pais são ouvidos. Portanto, os pais da plataforma se fizerem parte da associação são ouvidos.
Porque isso não interessa ao I ou ao seu jornalista, porque o que interessa é fazer campanha contra a educação sexual nas escolas e atormentar os pais que querem olhar para a educação para a saúde como uma intromissão do Estado na sua vida privada ou na vida privada dos seus filhos, esquecendo os milhares de crianças que têm pais que não têm a mínima preocupação ou ligação com elas; esquecendo aquelas que se não for na escola não vão aprender em mais lado nenhum.
O I não foi Isento, nem Independente ou Imparcial, só foi Idiota e é uma pena porque deveria fazer bom jornalismo, em vez de defender falsas causas.
BW

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