Acho saudável conseguirmos rir de nós próprios e das nossas "happy busy lifes", como diz uma amiga minha.
No que diz respeito ao meu papel de mãe e à vida e rotinas familiares, encontrei a solução ideal para soltar esse riso e pôr todos, pai, mãe e filhos a rir do quotidiano das personagens, que é também o nosso. Trata-se da série cómica francesa "Fait pas ci, fait pas ça" (traduzida para "Pais desesperados"), que tem a vantagem de ser um programa passível de ser feito com os mais novos cá de casa.
Hoje dei comigo a pensar se me identificaria mais com a família Lepic, estranhamente conservadora, ou Bouley, moderna e "cool" e se os meus filhos me veriam mais como a mãe Fabianne ou como a Valérie. Apesar de não lhes ter feito esta pergunta, cheguei à conclusão que me revejo em ambas. Na primeira, no desejo de "ser" super mãe (no caso dela de quatro filhos), de dar conta de tudo e, por isso, muitas vezes, desesperar. Resultado: mau humor e stress salpicados por alguma gritaria pela casa fora. Por outro lado, acho que também me identifico com a Valérie, uma mãe mais moderna, mas com imensa dificuldade em assumir que gosta de mandar, que adora a sua profissão e que não percebeu, ainda, que os anos passaram (e que... já vai ser avó).
A vida em família nem sempre é um mar de rosas, todos sabemos. Passamos a vida a dizer aos miúdos "Fait pas ci, fait pas ça", como a música do genérico, que dá título à série, repete insistentemente (vale a pena ouvir!). Mas, mesmo assim, somos todos felizes. Acho que os meus filhos se divertem, mas sobretudo creio que a série lhes permite perceber que as suas vidas atarefadas, que as rabugices, regras, zangas fazem parte da dinâmica (saudável) de uma família. E que, no fim, todos nos aceitamos e amamos assim. Saibamos rir mais das nossas rotinas. Acredito que será mais fácil viver com elas, mesmo quando o despertador toca cedo e parece que ainda não recuperámos do dia anterior.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
É importante saber rir das rotinas
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Poema à mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Os filhos gastam-nos o nome
Cinco segundos depois da mãe sair do quarto, alguém grita:
- Mãeee!
- "Mãe" não é uma pergunta - é a resposta vinda da cozinha.
Nova interpelação:
- Mãe, vens aqui?
Mais um perfeccionismo da progenitora:
- Não percebi!
- Por favor? - lá se ouve do quarto.
Enfim, neste momento não há cedência possível.
Esta cena, já depois da hora de apagar a luz, repete-se, várias vezes, em cada um dos quartos, pelos mais variados e dispersos assuntos: o pão do lache da manhã seguinte com manteiga; o livro que ficou por pôr na mochila; as unhas que precisam de ser cortadas; o livro que é para entregar à irmã no seu quarto...
Nos dias bons, a conversa acaba assim:
- A tua sorte é que és lindo/a!
Nos mais tempestuosos, em que o cansaço e o trabalho nos toldam o discernimento e esgotam a paciência, as idas aos quartos acabam com um desabafo:
- Vocês gastam-me o nome!!!
E, se até agora só me posso queixar de os ouvir "gastar o meu nome", dou comigo a pensar que daqui a uns anos, que passarão mais depressa do que o tempo que decorreu desde o primeiro momento em que os peguei ao colo, corro o risco de deixar ouvir o meu nome. E, nessa altura, suspeito, vou ter pena de não ter lido mais uma história já depois da
hora regulamentar de ir dormir; de ter cortado as unhas na cama, sobretudo quando isso já é uma competência deles; de ter deixado aquele mail por escrever só para ficar a olhar para eles.
Mas a vida é feita de tempos. E tudo tem o seu tempo. O tempo da saudade virá um dia, por isso, agora, vou lá ao quarto espreitá-los outra vez.
AS
- Mãeee!
- "Mãe" não é uma pergunta - é a resposta vinda da cozinha.
Nova interpelação:
- Mãe, vens aqui?
Mais um perfeccionismo da progenitora:
- Não percebi!
- Por favor? - lá se ouve do quarto.
Enfim, neste momento não há cedência possível.
Esta cena, já depois da hora de apagar a luz, repete-se, várias vezes, em cada um dos quartos, pelos mais variados e dispersos assuntos: o pão do lache da manhã seguinte com manteiga; o livro que ficou por pôr na mochila; as unhas que precisam de ser cortadas; o livro que é para entregar à irmã no seu quarto...
Nos dias bons, a conversa acaba assim:
- A tua sorte é que és lindo/a!
Nos mais tempestuosos, em que o cansaço e o trabalho nos toldam o discernimento e esgotam a paciência, as idas aos quartos acabam com um desabafo:
- Vocês gastam-me o nome!!!
E, se até agora só me posso queixar de os ouvir "gastar o meu nome", dou comigo a pensar que daqui a uns anos, que passarão mais depressa do que o tempo que decorreu desde o primeiro momento em que os peguei ao colo, corro o risco de deixar ouvir o meu nome. E, nessa altura, suspeito, vou ter pena de não ter lido mais uma história já depois da
hora regulamentar de ir dormir; de ter cortado as unhas na cama, sobretudo quando isso já é uma competência deles; de ter deixado aquele mail por escrever só para ficar a olhar para eles.Mas a vida é feita de tempos. E tudo tem o seu tempo. O tempo da saudade virá um dia, por isso, agora, vou lá ao quarto espreitá-los outra vez.
AS
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Vai ser assim o nosso futuro?
Os alunos de escolas de vários pontos do país entram no teatro. Vão assistir a um bailado. Antes de a peça começar e porque não estão familiarizados com este tipo de espectáculo, é-lhes feita uma explicação. Os meninos permanecem calados. Estão a ouvir? Não, estão nos telemóveis.
Do primeiro balcão é possível ver os lugares da plateia ocupados e as luzes que emanam dos ecrãs dos telefones. Será que ouviram a explicação?
Lembrei-me desta história que se passou há uma semana, num teatro em Lisboa, quando vi esta imagem de Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, durante uma apresentação da Samsung, este fim-de-semana. Os tipos com os óculos de realidade virtual são jornalistas que estão a assistir à conferência de imprensa. E as perguntas correm a Internet: este vai ser o nosso futuro?
Do primeiro balcão é possível ver os lugares da plateia ocupados e as luzes que emanam dos ecrãs dos telefones. Será que ouviram a explicação?
Lembrei-me desta história que se passou há uma semana, num teatro em Lisboa, quando vi esta imagem de Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, durante uma apresentação da Samsung, este fim-de-semana. Os tipos com os óculos de realidade virtual são jornalistas que estão a assistir à conferência de imprensa. E as perguntas correm a Internet: este vai ser o nosso futuro?
Vemos os meninos e os pais nos restaurantes. Será assim em casa? Penso que sim.
Vemos os meninos dentro dos carros, com os ecrãs cravados nos bancos dos pais, como se não pudessem fazer uma viagem e ver a paisagem que os rodeia; como se não bastasse ouvir rádio ou um CD e cantarem todos juntos.
Vemos os adolescentes no pátio da escola. Estão todos juntos, mas estão nos telefones.
Vemos as pessoas nos transportes públicos. Não lêem um jornal, um livro, estão no telefone e não estão a comunicar, mas a jogar.
Alheados da realidade. Estamos alheados da realidade e esse não é o nosso futuro, mas o nosso presente. Por isso, não é difícil imaginarmos um mundo onde todos temos umas palas e não vemos passar o dono do mundo, ufano, feliz, milionário, a rir-se de todos nós, convencidos que estamos a ser muito modernos.
BW
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Uma semana terrível para as crianças
Esta foi uma semana terrível para, pelo menos, três crianças que perderam as suas vidas.
As duas meninas, de 18 meses e de quatro anos, cuja mãe as levou em braços para o rio, numa tentativa frustrada de suicídio/homicídio, em Caxias. E a menina de cinco anos que estava sozinha em casa e caiu de uma varanda do 21.º andar, em Lisboa
O que se passa com estes pais? Com a mãe que agarra nas meninas provocando a sua morte e com os pais que vão jogar para o casino?
O que faz uma mãe ou um pai sentir-se dono da vida que deram? O que lhes dá direito de a retirar? Os especialistas explicam que se tratam de pessoas deprimidas, que acreditam que estão a proteger os seus filhos, que não há futuro para eles e, por isso, o melhor é morrerem com elas.
O que faz uma mãe ou um pai deixar uma criança pequena sozinha em casa? Lembram-se dos pais da Maddie, três bebés sozinhos num quarto de hotel, enquanto os pais jantavam. Desde quando os nossos interesses são superiores aos deles?
Não têm sido semanas, mas anos difíceis para Liliana e para os seus muitos filhos, que lhe foram retirados em 2011, pela justiça, e distribuídos por lares para adopção. Não era a família ideal, não tinha as condições ideais, as crianças não iam à escola, a higiene não abundava, mas havia amor. Parece que o amor não basta. Quem conhece casas de acolhimento (eu conheço duas) sabe que por muito bem que as crianças estejam – com horas certas para comer, com boa alimentação, com uma cama num quarto quente, com roupas lavadas, com regras, etc – falta-lhes sempre o mais importante, a família, o que os amigos da escola têm e eles não.
E quando eles pedem, pedem muito, nós dizemos que sim e acontece uma desgraça? Foi o aconteceu com o pai da miúda de 13 anos que a permitiu conduzir o carro, trazê-lo das traseiras da casa para a frente. Contudo, a rapariga perdeu o controlo e matou uma vizinha que estendia roupa dentro dos muros da sua casa. Podia ter sido pior, já que o pai, sentado no lugar do pendura, trazia o irmão bebé ao colo. Duas famílias devastadas, destruídas por causa do medo de dizer um "não", de enfrentar uma birra, de resolver uma zanga.
Estas não são dias fáceis para as crianças para quem desejamos o melhor do mundo. Queremos ser pais; não queremos, mas somos e depois? Quem nos ensina a ser pais? Faltam escolas de pais? Sim, mas também falta muito amor, estabilidade e bom senso.
BW
As duas meninas, de 18 meses e de quatro anos, cuja mãe as levou em braços para o rio, numa tentativa frustrada de suicídio/homicídio, em Caxias. E a menina de cinco anos que estava sozinha em casa e caiu de uma varanda do 21.º andar, em Lisboa
O que se passa com estes pais? Com a mãe que agarra nas meninas provocando a sua morte e com os pais que vão jogar para o casino?
O que faz uma mãe ou um pai sentir-se dono da vida que deram? O que lhes dá direito de a retirar? Os especialistas explicam que se tratam de pessoas deprimidas, que acreditam que estão a proteger os seus filhos, que não há futuro para eles e, por isso, o melhor é morrerem com elas.
O que faz uma mãe ou um pai deixar uma criança pequena sozinha em casa? Lembram-se dos pais da Maddie, três bebés sozinhos num quarto de hotel, enquanto os pais jantavam. Desde quando os nossos interesses são superiores aos deles?
Não têm sido semanas, mas anos difíceis para Liliana e para os seus muitos filhos, que lhe foram retirados em 2011, pela justiça, e distribuídos por lares para adopção. Não era a família ideal, não tinha as condições ideais, as crianças não iam à escola, a higiene não abundava, mas havia amor. Parece que o amor não basta. Quem conhece casas de acolhimento (eu conheço duas) sabe que por muito bem que as crianças estejam – com horas certas para comer, com boa alimentação, com uma cama num quarto quente, com roupas lavadas, com regras, etc – falta-lhes sempre o mais importante, a família, o que os amigos da escola têm e eles não.
E quando eles pedem, pedem muito, nós dizemos que sim e acontece uma desgraça? Foi o aconteceu com o pai da miúda de 13 anos que a permitiu conduzir o carro, trazê-lo das traseiras da casa para a frente. Contudo, a rapariga perdeu o controlo e matou uma vizinha que estendia roupa dentro dos muros da sua casa. Podia ter sido pior, já que o pai, sentado no lugar do pendura, trazia o irmão bebé ao colo. Duas famílias devastadas, destruídas por causa do medo de dizer um "não", de enfrentar uma birra, de resolver uma zanga.
Estas não são dias fáceis para as crianças para quem desejamos o melhor do mundo. Queremos ser pais; não queremos, mas somos e depois? Quem nos ensina a ser pais? Faltam escolas de pais? Sim, mas também falta muito amor, estabilidade e bom senso.
BW
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Obras do projeto de leitura do 10.º ano
Nas voltas e voltas dos programas e metas, reconheço que recuperar a perspectiva cronológica no ensino da nossa literatura me agradou. Todavia, ainda não consegui interiorizar e apropriar-me das propostas de obras para o projeto de leitura (sim, porque muda o programa e muda a designação. Antes, o «projeto de leitura» era denominado «contrato de leitura». Adiante).
Para os curiosos, as metas estão disponíveis aqui. Na página 29, podemos ver quais as obras para leitura «paralela» às obrigatórias na sala de aula. Assim, advogam as metas que os alunos leiam uma ou duas destas obras por ano e a partir das suas leituras desenvolvam projetos que as relacionem tematicamente com o programa ou por géneros. Na lista do 10.º ano, que transcrevo abaixo, e que é a única ainda em vigor, vejo muitos títulos que pouco agradarão aos alunos. Não encontro alguns autores que, acreditava eu, fariam inquestionavelmente parte do cânone escolar. Encontro inclusivamente livros, ainda que em outras versões, que também constam das metas do 2.º ciclo (Robinson Crusoe). Outros que estão esgotados e os alunos dificilmente encontrarão. Alguns que alunos de 14 anos não perceberão. Uns de 20 páginas apenas (Quem me dera ser Onda). Alguns truncados, com a indicação explícita da leitura de "excertos". Deixados ao critério dos alunos? Dos professores? Ao acaso?
Sinto falta de alguns grandes nomes de sempre da nossa literatura que, em harmonia, conviviam com novas gerações de autores portugueses na anterior lista da DGES , lista essa francamente "mais arejada", repleta de grandes nomes da literatura portuguesa e universal, e que deixava os alunos respirar, ir para além das «obras obrigatórias» da sala de aula, fazer descobertas e, para alguns, quem sabe, descobrir como é bom ler.
AS
Maalouf, Amin As Cruzadas Vistas pelos Árabes
Magris, Claudio Danúbio
Marco Pólo Viagens (excertos escolhidos)
Meireles, Cecília Antologia Poética (poemas escolhidos)
Moraes, Vinicius de Antologia Poética (poemas escolhidos)
Nemésio, Vitorino Vida e Obra do Infante D. Henrique
Ondjaki Os da Minha Rua
Pepetela Parábola do Cágado Velho Pérez-Reverte,
Arturo A Tábua de Flandres Petrarca Rimas (poemas escolhidos)
Poe, Edgar Allan Contos Fantásticos
Rui, Manuel Quem me dera ser Onda
Scott, Walter Ivanhoe Shakespeare,
William A Tempestade Swift,
Jonathan As Viagens de Gulliver
Telles, Lygia Fagundes Ciranda de Pedra
Virgílio Eneida (excertos escolhidos)
Zimler, Richard O Último Cabalista de Lisboa
AA.VV. Antologia do Cancioneiro Geral (poemas escolhidos)
Alves, Adalberto O Meu Coração é Árabe (poemas escolhidos)
Amado, Jorge Capitães da Areia
Anónimo Lazarilho de Tormes
Andresen, Sophia de Mello Breyner Navegações
Brandão, Raul As Ilhas Desconhecidas
Calvino, Italo As Cidades Invisíveis
Carey, Peter O Japão é um Lugar Estranho
Castro, Ferreira de A Selva Cervantes,
Miguel D. Quixote de la Mancha (excertos escolhidos)
Chatwin, Bruce Na Patagónia
Dante Alighieri A Divina Comédia (excertos escolhidos)
Defoe, Daniel Robinson Crusoé Dinis,
Júlio Serões da Província
Eco, Umberto O Nome da Rosa
Énard, Mathias Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes
Faria, Almeida O Murmúrio do Mundo: A Índia Revisitada
Ferreira, António Castro
Gedeão, António Poesia Completa (poemas escolhidos)
Homero Odisseia (excertos escolhidos)
Lispector, Clarice Contos
Lopes, Baltazar Chiquinho
Para os curiosos, as metas estão disponíveis aqui. Na página 29, podemos ver quais as obras para leitura «paralela» às obrigatórias na sala de aula. Assim, advogam as metas que os alunos leiam uma ou duas destas obras por ano e a partir das suas leituras desenvolvam projetos que as relacionem tematicamente com o programa ou por géneros. Na lista do 10.º ano, que transcrevo abaixo, e que é a única ainda em vigor, vejo muitos títulos que pouco agradarão aos alunos. Não encontro alguns autores que, acreditava eu, fariam inquestionavelmente parte do cânone escolar. Encontro inclusivamente livros, ainda que em outras versões, que também constam das metas do 2.º ciclo (Robinson Crusoe). Outros que estão esgotados e os alunos dificilmente encontrarão. Alguns que alunos de 14 anos não perceberão. Uns de 20 páginas apenas (Quem me dera ser Onda). Alguns truncados, com a indicação explícita da leitura de "excertos". Deixados ao critério dos alunos? Dos professores? Ao acaso?
Sinto falta de alguns grandes nomes de sempre da nossa literatura que, em harmonia, conviviam com novas gerações de autores portugueses na anterior lista da DGES , lista essa francamente "mais arejada", repleta de grandes nomes da literatura portuguesa e universal, e que deixava os alunos respirar, ir para além das «obras obrigatórias» da sala de aula, fazer descobertas e, para alguns, quem sabe, descobrir como é bom ler.
AS
Maalouf, Amin As Cruzadas Vistas pelos Árabes
Magris, Claudio Danúbio
Marco Pólo Viagens (excertos escolhidos)
Meireles, Cecília Antologia Poética (poemas escolhidos)
Moraes, Vinicius de Antologia Poética (poemas escolhidos)
Nemésio, Vitorino Vida e Obra do Infante D. Henrique
Ondjaki Os da Minha Rua
Pepetela Parábola do Cágado Velho Pérez-Reverte,
Arturo A Tábua de Flandres Petrarca Rimas (poemas escolhidos)
Poe, Edgar Allan Contos Fantásticos
Rui, Manuel Quem me dera ser Onda
Scott, Walter Ivanhoe Shakespeare,
William A Tempestade Swift,
Jonathan As Viagens de Gulliver
Telles, Lygia Fagundes Ciranda de Pedra
Virgílio Eneida (excertos escolhidos)
Zimler, Richard O Último Cabalista de Lisboa
AA.VV. Antologia do Cancioneiro Geral (poemas escolhidos)
Alves, Adalberto O Meu Coração é Árabe (poemas escolhidos)
Amado, Jorge Capitães da Areia
Anónimo Lazarilho de Tormes
Andresen, Sophia de Mello Breyner Navegações
Brandão, Raul As Ilhas Desconhecidas
Calvino, Italo As Cidades Invisíveis
Carey, Peter O Japão é um Lugar Estranho
Castro, Ferreira de A Selva Cervantes,
Miguel D. Quixote de la Mancha (excertos escolhidos)
Chatwin, Bruce Na Patagónia
Dante Alighieri A Divina Comédia (excertos escolhidos)
Defoe, Daniel Robinson Crusoé Dinis,
Júlio Serões da Província
Eco, Umberto O Nome da Rosa
Énard, Mathias Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes
Faria, Almeida O Murmúrio do Mundo: A Índia Revisitada
Ferreira, António Castro
Gedeão, António Poesia Completa (poemas escolhidos)
Homero Odisseia (excertos escolhidos)
Lispector, Clarice Contos
Lopes, Baltazar Chiquinho
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Ser um exemplo para uma sombra que se quer gente!
Uma boa ideia!
Gosto quando as escolas se abrem aos pais e não os tratam com desconfiança como se estes não quisessem o melhor para a instituição onde os seus filhos passam a maior parte do tempo.
Gosto quando as escolas não desvalorizam os alunos e as suas famílias.
Gosto daquelas que não vivem para servir os professores, mas os alunos.
E feita esta declaração de interesses cá vai uma excelente ideia dos pais e que a escola acolheu para bem dos seus alunos.
A Associação de Pais e Encarregados de Educação da Secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa, em conjunto com a direcção do agrupamento, criou um programa com o objectivo de os seus alunos terem uma oportunidade de conhecerem a realidade do mercado de trabalho. Como? Durante um curtissimo espaço de tempo, o aluno transforma-se na sombra de um profissional e acompanha-o no seu ambiente de trabalho.
Lembrem-se como eles têm tantas dúvidas sobre o que querem ser. Lembrem-se como não fazem ideia do que é um escritório, um laboratório, como funciona uma pequena ou grande empresa. Andar atrás de um advogado, de um analista, de um professor, de um economista, de um... pode ajudá-los a tomar decisões!
Tão simples e, pode ser, tão eficaz! Parabéns!
BW
Gosto quando as escolas se abrem aos pais e não os tratam com desconfiança como se estes não quisessem o melhor para a instituição onde os seus filhos passam a maior parte do tempo.
Gosto quando as escolas não desvalorizam os alunos e as suas famílias.
Gosto daquelas que não vivem para servir os professores, mas os alunos.
E feita esta declaração de interesses cá vai uma excelente ideia dos pais e que a escola acolheu para bem dos seus alunos.
A Associação de Pais e Encarregados de Educação da Secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa, em conjunto com a direcção do agrupamento, criou um programa com o objectivo de os seus alunos terem uma oportunidade de conhecerem a realidade do mercado de trabalho. Como? Durante um curtissimo espaço de tempo, o aluno transforma-se na sombra de um profissional e acompanha-o no seu ambiente de trabalho.
Lembrem-se como eles têm tantas dúvidas sobre o que querem ser. Lembrem-se como não fazem ideia do que é um escritório, um laboratório, como funciona uma pequena ou grande empresa. Andar atrás de um advogado, de um analista, de um professor, de um economista, de um... pode ajudá-los a tomar decisões!
Tão simples e, pode ser, tão eficaz! Parabéns!
BW
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Porque amar e gostar não são a mesma coisa
"É dramática a imatura não distinção entre o amar e o gostar, tão própria da nossa cultura. Posso gostar ou não gostar, gostar mais ou gostar menos. Mas não posso não amar. O gosto encontra-se ao nível do sentimento; o amor ao nível da vontade. Os sentimentos vão e vêm, tantas vezes sem controlo da nossa parte. Mas a vontade tem a ver com a decisão. Nenhum casamento dura uma vida inteira porque marido e mulher gostam um do outro 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Um casamento (qualquer relação) dura porque ambos decidem que dure. Sim, porque se amam, mesmo que haja dias em que seja difícil gostarem um do outro."
Texto integral aqui.
P. Miguel Almeida, sj
Texto integral aqui.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
O amor que merecemos
É domingo de Carnaval, aparecem em bando, terão entre os 15 e os 18 anos, rapazes e raparigas, mascarados de zombies, fantasmas, colegiais, coelhinhas. Não há bem um tema, são só miúdos a brincar ao Carnaval. Para trás fica um casalinho que vem abraçado.
Até que ele, não percebo porquê, larga-a e atira-a contra a parede de um prédio, entre duas montras. Ela magoa-se no braço que embate contra a parede, faz uma careta e massaja-o. Mas quando olha para ele, sorri-lhe e assim que se aproxima dá-lhe uma bofetada. Amor com amor se paga.
Atrás de mim apitam e eu tenho de arrancar com o carro. E se estivesse no meio da rua, faria alguma coisa? Diria a ambos que aquilo não se faz, que amar não é desrespeitar, não é maltratar... É aquilo que vêem em casa? Reproduzem comportamentos vistos nos filmes e nos jogos? Acreditam que aquilo é amor?
Em The Perks of Being a Wallflower, um filme adolescente, uma das personagens diz: "Aceitamos o amor que achamos que merecemos."
E é isso que nos faz, quando temos baixa auto-estima, insegurança (e não só), aceitarmos pessoas que não nos merecem ou aceitarmos porque achamos que não merecemos mais do que aquilo...
Por isso, temos de ensinar os nossos filhos a amar e a respeitar o outro, mas também a amar-se e a respeitar-se. E ensiná-los a identificar as relações doentias, de domínio, de maus tratos, para que não caiam nelas, para que não façam parte do grupo que acha normal a violência no namoro e, por consequência, a violência doméstica.
BW
Até que ele, não percebo porquê, larga-a e atira-a contra a parede de um prédio, entre duas montras. Ela magoa-se no braço que embate contra a parede, faz uma careta e massaja-o. Mas quando olha para ele, sorri-lhe e assim que se aproxima dá-lhe uma bofetada. Amor com amor se paga.
Atrás de mim apitam e eu tenho de arrancar com o carro. E se estivesse no meio da rua, faria alguma coisa? Diria a ambos que aquilo não se faz, que amar não é desrespeitar, não é maltratar... É aquilo que vêem em casa? Reproduzem comportamentos vistos nos filmes e nos jogos? Acreditam que aquilo é amor?
Em The Perks of Being a Wallflower, um filme adolescente, uma das personagens diz: "Aceitamos o amor que achamos que merecemos."
E é isso que nos faz, quando temos baixa auto-estima, insegurança (e não só), aceitarmos pessoas que não nos merecem ou aceitarmos porque achamos que não merecemos mais do que aquilo...
Por isso, temos de ensinar os nossos filhos a amar e a respeitar o outro, mas também a amar-se e a respeitar-se. E ensiná-los a identificar as relações doentias, de domínio, de maus tratos, para que não caiam nelas, para que não façam parte do grupo que acha normal a violência no namoro e, por consequência, a violência doméstica.
BW
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
São voltas e voltas sem parar
Mais notícias. Desta vez, são os diretores das escolas que se pronunciam sobre as mais recentes medidas tomadas pelo Ministério da Educação relativamente ao fim dos exames de 6.º ano, já este ano lectivo.
São voltas e voltas sem parar...
Estas são palavras de uma música dos Entre Aspas que me vem à memória quando penso no que temos vivido no ensino em Portugal. Reforma e contra-reforma. Proposta e contra-proposta. Programas versus metas. Depois novos programas e metas. Provas de aferição. A seguir, exames que, pouco tempo depois, deixam de ser exames e passam a ser, de forma politicamente correta, apelidados de Provas Finais. Entretanto, menos exames. Novas provas de aferição. Pelo meio, Associações de Professores em desacordo com propostas do ME; Conselho Nacional de Educação com propostas diferentes das ministeriais. Atrasos generalizados no cumprimento dos programas (leia a notícia aqui). E hoje CE defende exames e provas de aferição. E a seguir?
Esta entediante enumeração resume meia dúzia de anos da nossa educação, em constante mutação e desacordo. Revela a forte instabilidade que a Escola vive em Portugal.
Diz a mesma música que
«São voltas e voltas sem parar
Em sonhos nocturnos
Em sonhos de encantar
Muitos enredos histórias reais.»
São, de facto, mundos reais. Mas não são sonhos. Às vezes parecem pesadelos, estas voltas e voltas sem parar. Sonhos que pouco têm de encantar.
AS
São voltas e voltas sem parar...
Estas são palavras de uma música dos Entre Aspas que me vem à memória quando penso no que temos vivido no ensino em Portugal. Reforma e contra-reforma. Proposta e contra-proposta. Programas versus metas. Depois novos programas e metas. Provas de aferição. A seguir, exames que, pouco tempo depois, deixam de ser exames e passam a ser, de forma politicamente correta, apelidados de Provas Finais. Entretanto, menos exames. Novas provas de aferição. Pelo meio, Associações de Professores em desacordo com propostas do ME; Conselho Nacional de Educação com propostas diferentes das ministeriais. Atrasos generalizados no cumprimento dos programas (leia a notícia aqui). E hoje CE defende exames e provas de aferição. E a seguir?
Esta entediante enumeração resume meia dúzia de anos da nossa educação, em constante mutação e desacordo. Revela a forte instabilidade que a Escola vive em Portugal.
Diz a mesma música que
«São voltas e voltas sem parar
Em sonhos nocturnos
Em sonhos de encantar
Muitos enredos histórias reais.»
São, de facto, mundos reais. Mas não são sonhos. Às vezes parecem pesadelos, estas voltas e voltas sem parar. Sonhos que pouco têm de encantar.
AS
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provas finais de ciclo
O que estão a fazer esses pés no ar?
Já disse esta frase vezes seguidas: Gosto muito de ir às escolas falar! Seja do Olimpvs.net para os alunos; seja nas conversas com os pais. Gosto. É o meu contacto com a realidade.
Gosto da forma como me acolhem, das perguntas que me fazem, da curiosidade com que ouvem o que digo. E hoje, no Colégio Monte Maior, em Montemor, não foi excepção. Eles ouvem curiosos e fazem perguntas pertinentes.
O pior é o comportamento.
A entrada no auditório, onde estavam as turmas todas do 5.º, foi feita com barulho. Não foi fácil sentarem-se e depois de sentados, não foi fácil calarem-se.
Estaria a falar há uns dez minutos, sem microfone, quando uma aluna das últimas filas me pergunta se não posso falar mais alto. Já com a garganta a arranhar, respondo-lhe: "Eu já estou a gritar, talvez se os teus colegas se calarem consigas ouvir." 'Ó meu Deus, agora parecia mesmo uma professora', pensei.
O barulho transformou-se em burburinho que foi constante durante os 90 minutos. Suportável, mas não o ideal.
Há uma aluna que me ajuda a contar uma história da mitologia grega e, quando volto a olhar para ela, está toda deitada na cadeira confortável do auditório, com as pernas traçadas e um pé no ar. Aquele pé está ao nível de um braço no ar, tapando a vista do que está atrás dela. "O que estão a fazer esses pés no ar?", pergunto, já com microfone. A garota baixa os pés, mas mal me viro, torna a espetá-los, marcando a sua posição. 'Não me vou incomodar', penso, 'não sou sua mãe, nem sua professora, estou de passagem.'
"Como é que você faz para ter tanta imaginação?", pergunta uma aluna. "Como é que a senhora ou a autora faz... assim é que devias perguntar", corrijo. 'Eu hoje estou impossível...', digo para os meus botões. "Você já foi ao Brasil?", "A senhora...", insisto com um rapazinho, mas ele nem percebe.
No final, alguns agradecem e saem; outros ficam para os autógrafos. São todos simpáticos e amorosos, brincam, fazem graças, sem serem mal-educados. 'Têm dez anos, ainda têm muito tempo para aprenderem', concedo.
A professora que me acompanha à porta pede desculpa pelo comportamento que, reconhece, não foi o melhor, mas também eles estão desde manhã de actividade em actividade. É a semana cultural e as iniciativas são muitas.
Penso na escola a tempo inteiro, no cansaço dos miúdos que degenera em pés no ar e impertinência. Se antes de conversar com a docente, estava já preparada para a alertar para a necessidade de trabalhar o comportamento, agora sinto pena dos miúdos que, quando saírem dali, ainda vão para casa fazer TPC. Deixá-los ter os pés no ar... Mas até quando?
BW
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Liceu ou escola secundária?
E, a pouco e pouco, a palavra "liceu" regressa ao léxico de alguns. Dos que andaram no "liceu" e o esconderam nos anos pós-25 de Abril por uma questão de sobrevivência; dos que desejavam ter andado no "liceu" dos pais, mas andaram na secundária; dos que têm os filhos nos colégios e, em determinada altura da vida escolar dos infantes, os mudam para a escola pública, mas chamam-lhe "liceu" para suavizar a decisão.
Para esses, "liceu" é uma palavra nobre. É uma "metáfora" como chamar "kleenex" aos lenços de papel, responde-me Laurinda Alves num post do FB. Acho que o que queria dizer era "sinónimo". Mas, de facto, é uma metáfora para tudo o que digo no primeiro parágrafo. É uma metáfora para uma vida que já não existe, para uma escola de elites.
No tempo dos liceus, nem todos lá chegavam. As classes mais baixas acabavam nas escolas comerciais e industriais.
Ah, mas hoje também não chegam todos à secundária, dir-me-ão. Chegar, chegam. Não chegam é todos de maneira igual. Uns chegam pelos cursos científico-humanísticos (maioritariamente são os filhos e os netos dos que andaram no "liceu") e outros pelos cursos do ensino artístico, vocacional, profissional e recorrente.
Portanto, as diferenças mantém-se, argumentarão. Sim, é verdade, mas estão todos na mesma escola.
E são todos tratados da mesma maneira? Não, lamento. A escola que devia ser promotora da igualdade e de ascensão social, mas continua a ser o seu contrário e contribui para que o fosso se mantenha entre os meninos do "liceu", os que vão ter as profissões liberais; e os outros, os que vão ser mecânicos, electricistas, programadores.
Quando vou às escolas, observo que os miúdos não se misturam. É fácil identificar, só pela postura e roupa que vestem, os que andam nos cientíco-humanísticos e os outros.
Os professores também me dizem que é fácil distingui-los, os primeiros estão motivados para estudar e, geralmente, comportam-se melhor em sala de aula; os outros nem sequer sabem estar.
Aliás, os professores também parecem ser de primeira e de segunda, os que leccionam as disciplinas que vão a exame nacional e os outros.
Como as próprias escolas, os antigos "liceus" com melhores resultados nos rankings feitos com base nos resultados dos exames nacionais, e as antigas escolas comerciais e industriais com menos turmas dos científico-humanísticos, logo, com resultados menos bons.
E, então, por que estou eu tão incomodada com o "liceu" se algumas escolas secundárias se comportam como "liceus"? Por todas as razões que enunciei! Porque a escola continua a ser desigual e não devia. Porque se continuarmos a chamar-lhe "liceu" estamos a dizer isso mesmo, que há meninos de bem e miúdos chungas. Porque, tal como os estudantes, todos os professores se devem sentir de primeira, estarem motivados e oferecer um melhor ensino. Porque todos têm direito a uma educação de qualidade, seja em que tipo de ensino for!
BW
PS: Os meus pais e os meus avós andaram no liceu, já eu e os meus filhos frequentámos escolas secundárias, antigos liceus femininos, que também eram diferentes dos masculinos, mas isso fica para outra vez!
Para esses, "liceu" é uma palavra nobre. É uma "metáfora" como chamar "kleenex" aos lenços de papel, responde-me Laurinda Alves num post do FB. Acho que o que queria dizer era "sinónimo". Mas, de facto, é uma metáfora para tudo o que digo no primeiro parágrafo. É uma metáfora para uma vida que já não existe, para uma escola de elites.
No tempo dos liceus, nem todos lá chegavam. As classes mais baixas acabavam nas escolas comerciais e industriais.
Ah, mas hoje também não chegam todos à secundária, dir-me-ão. Chegar, chegam. Não chegam é todos de maneira igual. Uns chegam pelos cursos científico-humanísticos (maioritariamente são os filhos e os netos dos que andaram no "liceu") e outros pelos cursos do ensino artístico, vocacional, profissional e recorrente.
Portanto, as diferenças mantém-se, argumentarão. Sim, é verdade, mas estão todos na mesma escola.
E são todos tratados da mesma maneira? Não, lamento. A escola que devia ser promotora da igualdade e de ascensão social, mas continua a ser o seu contrário e contribui para que o fosso se mantenha entre os meninos do "liceu", os que vão ter as profissões liberais; e os outros, os que vão ser mecânicos, electricistas, programadores.
Quando vou às escolas, observo que os miúdos não se misturam. É fácil identificar, só pela postura e roupa que vestem, os que andam nos cientíco-humanísticos e os outros.
Os professores também me dizem que é fácil distingui-los, os primeiros estão motivados para estudar e, geralmente, comportam-se melhor em sala de aula; os outros nem sequer sabem estar.
Aliás, os professores também parecem ser de primeira e de segunda, os que leccionam as disciplinas que vão a exame nacional e os outros.
Como as próprias escolas, os antigos "liceus" com melhores resultados nos rankings feitos com base nos resultados dos exames nacionais, e as antigas escolas comerciais e industriais com menos turmas dos científico-humanísticos, logo, com resultados menos bons.
E, então, por que estou eu tão incomodada com o "liceu" se algumas escolas secundárias se comportam como "liceus"? Por todas as razões que enunciei! Porque a escola continua a ser desigual e não devia. Porque se continuarmos a chamar-lhe "liceu" estamos a dizer isso mesmo, que há meninos de bem e miúdos chungas. Porque, tal como os estudantes, todos os professores se devem sentir de primeira, estarem motivados e oferecer um melhor ensino. Porque todos têm direito a uma educação de qualidade, seja em que tipo de ensino for!
BW
PS: Os meus pais e os meus avós andaram no liceu, já eu e os meus filhos frequentámos escolas secundárias, antigos liceus femininos, que também eram diferentes dos masculinos, mas isso fica para outra vez!
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Podem os livros fazer-nos mal?
Quando das convulsões de Abril de 1974, o meu tio materno foi para as Américas, mas não para o Brasil, para os EUA, onde grande parte dos seus cunhados (irmãos e irmãs da minha tia) já se encontravam, fruto do conhecido êxodo açoreano.
Os meus avôs foram aos EUA, visitar a família, às compras, ao médico... O meu avô vinha sempre deslumbrado. O meu avô acompanhava a política norte-americana com o mesmo fervor com que nós acompanhamos o Obama, a Clinton, o Sanders ou mesmo o Trump. O meu avô só tinha coisas boas a dizer da América, do trabalho do filho e da nora, professores universitários, dos netos, em excelentes escolas, da organização da sociedade, dos arranha-céus, do primeiro mundo!
Todo este elogio deixava-nos desconfortáveis. Os netos da América eram melhores do que nós... Era uma festa quando os meus primos chegavam, para passar o Verão na praia, na quinta ou no pinhal. Éramos sete, éramos aventureiros, éramos os maiores! Mas, a verdade, é que quando se iam embora e o meu avô começava a suspirar de saudades e a comparar-nos com eles – "comportem-se como os vossos primos!", mas eles implicavam tanto como nós, só que o avô não via...
De repente, a América parecia-nos uma porcaria! Também à minha mãe a América lhe fazia comichão (talvez pela mesma razão que a nós) e as conversas com o pai terminavam invariavelmente da mesma maneira: "A América é um país de emigrantes que foram expulsos dos seus países, de extremistas religiosos, de loucos."
Lembro-me muitas vezes desta ideia da minha mãe quando leio as notícias dos tiroteios nas escolas e nas universidades, quando vejo a defesa acérrima pelo porte de armas, etc. E lembrei-me quando lia o texto da Isabel Lucas, no PÚBLICO, sobre estudantes universitários norte-americanos que consideram que a literatura lhes pode fazer mal.
É o políticamente correcto em todo o seu esplendor. Não podemos ser expostos ao rapto, à violação, à violência doméstica, ao assassínio, à morte na literatura, mas estas podem entrar-nos pelos olhos adentro nos jornais, nas televisões ou na Internet. Custa-nos mais o rapto de Europa que as migrações forçadas de refugiados.
Não podemos levar um banho de realidade quando somos crianças. Como aqueles pais que compram os livros das histórias onde ninguém morre no fim, onde não há castigos sanguinários, onde todos são muito bons e felizes.
A literatura oral ou escrita – quem não se lembra das histórias de terror contadas numa noite fria num acampamento; ou, o que são os contos de Hans Christian Andersen como o da menina dos fósforos, etc – serve para isso mesmo, para aprendermos a combater o medo, para compreendermos que o mal existe, para o conseguirmos identificar, para crescermos.
Quando estamos a escrever o Olimpvs.net e seleccionamos as histórias da mitologia ou dos heróis da Grécia Antiga para contarmos aos nossos leitores, por vezes, também temos essa preocupação: ui, vamos impressioná-los com uma coisa horrível... Mas, a vida é mesmo assim, as coisas más existem e estão aí, ao virar da esquina. Como as boas! Porque a literatura é feita de vida e vida é o que queremos para os nossos filhos... e para os tontos dos estudantes americanos, vá...
BW
Os meus avôs foram aos EUA, visitar a família, às compras, ao médico... O meu avô vinha sempre deslumbrado. O meu avô acompanhava a política norte-americana com o mesmo fervor com que nós acompanhamos o Obama, a Clinton, o Sanders ou mesmo o Trump. O meu avô só tinha coisas boas a dizer da América, do trabalho do filho e da nora, professores universitários, dos netos, em excelentes escolas, da organização da sociedade, dos arranha-céus, do primeiro mundo!
Todo este elogio deixava-nos desconfortáveis. Os netos da América eram melhores do que nós... Era uma festa quando os meus primos chegavam, para passar o Verão na praia, na quinta ou no pinhal. Éramos sete, éramos aventureiros, éramos os maiores! Mas, a verdade, é que quando se iam embora e o meu avô começava a suspirar de saudades e a comparar-nos com eles – "comportem-se como os vossos primos!", mas eles implicavam tanto como nós, só que o avô não via...
De repente, a América parecia-nos uma porcaria! Também à minha mãe a América lhe fazia comichão (talvez pela mesma razão que a nós) e as conversas com o pai terminavam invariavelmente da mesma maneira: "A América é um país de emigrantes que foram expulsos dos seus países, de extremistas religiosos, de loucos."
Lembro-me muitas vezes desta ideia da minha mãe quando leio as notícias dos tiroteios nas escolas e nas universidades, quando vejo a defesa acérrima pelo porte de armas, etc. E lembrei-me quando lia o texto da Isabel Lucas, no PÚBLICO, sobre estudantes universitários norte-americanos que consideram que a literatura lhes pode fazer mal.
É o políticamente correcto em todo o seu esplendor. Não podemos ser expostos ao rapto, à violação, à violência doméstica, ao assassínio, à morte na literatura, mas estas podem entrar-nos pelos olhos adentro nos jornais, nas televisões ou na Internet. Custa-nos mais o rapto de Europa que as migrações forçadas de refugiados.Não podemos levar um banho de realidade quando somos crianças. Como aqueles pais que compram os livros das histórias onde ninguém morre no fim, onde não há castigos sanguinários, onde todos são muito bons e felizes.
A literatura oral ou escrita – quem não se lembra das histórias de terror contadas numa noite fria num acampamento; ou, o que são os contos de Hans Christian Andersen como o da menina dos fósforos, etc – serve para isso mesmo, para aprendermos a combater o medo, para compreendermos que o mal existe, para o conseguirmos identificar, para crescermos.
Quando estamos a escrever o Olimpvs.net e seleccionamos as histórias da mitologia ou dos heróis da Grécia Antiga para contarmos aos nossos leitores, por vezes, também temos essa preocupação: ui, vamos impressioná-los com uma coisa horrível... Mas, a vida é mesmo assim, as coisas más existem e estão aí, ao virar da esquina. Como as boas! Porque a literatura é feita de vida e vida é o que queremos para os nossos filhos... e para os tontos dos estudantes americanos, vá...
BW
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Olimpvs.net - na minha antiga escola
Mas, para além
destes fatores, acresce a esta visita a particularidade desta ter sido uma das escolas
onde eu estudei (e que estreei!).
Poucos instantes depois de passar o portão, recordei com nostalgia alguns espaços, a
biblioteca, claro, mas também o polivalente, o bar e os seus folhados de salsicha. Recordei
colegas, momentos, professores. Vários. Particularmente de Português. Uma
professora que ainda tenho a alegria de ver frequentemente, a professora
Conceição Jorge, e um professor (agora noutra escola, certamente) que gostava de
fotografia e arte e que, um dia, fez retratos a preto e branco de todos os alunos, o professor Fabião (e que
não deve fazer a mínima ideia de que me ficou na memória).
Nas sessões,
enquanto falava dos heróis da mitologia e da origem dos Jogos Olímpicos, fui reconhecendo
alguns rostos – filhos de antigas colegas e amigas. No fim, foram outros que se
vieram apresentar. E, por fim, com um bonito ramo de flores, vejo surgir o meu antigo
professor de matemática, atual Diretor da escola, o professor Alfredo Carvalho.
Todas as visitas às
escolas são momento de alegria. A esta, somaram-se, rostos, cheiros, sonhos e memórias
que, no passado, eu não sabia que tornariam o meu presente mais feliz.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Educar: regras simples para serem cumpridas
À Visão, o psicólogo Javier Urra conta que o que o fez interessar-se pelo tema da educação foi uma cena que presenciou ainda era estudante.
"Um miúdo empurrou a mãe e deixou-a caída no chão. Acabou a tropeçar nela. A mãe levantou a cabeça e perguntou-lhe: 'Magoei-te?'"
Quantas cenas destas já presenciamos? Quantas já protagonizamos?
Às vezes, quando vou para ralhar, começo assim: "Desculpa, mas..." Um dia, enquanto conversava com a psicóloga educacional Maria Dulce Gonçalves, esta interrompeu-me e perguntou-me: "Mas se vai chamar a atenção porque pede desculpa?"
Não podemos confundi-los, se vamos ralhar, não pedimos desculpa, se não por que estamos a ralhar? Porque temos medo de o fazer? Eles vão deixar de nos amar se o fizermos? Não, diz Urra, eles precisam de uma parede, senão vão sempre em frente, sempre em frente e perdem-se...
E nós não queremos que eles se percam, pois não?
Por isso, toca a não ter medo de pegar o touro pelos cornos – atenção! Não estou a chamar animal às crianças, mas sim à forma como temos medo de educar, à forma como não nos queremos incomodar para termos o tal tempo de qualidade, à forma como ignoramos algumas coisas porque as achamos pouco graves – só que elas acumulam-se, acumulam-se e, de repente, não está um touro, mas um elefante na sala...
Aqui fica um excerto da entrevista que fiz a Javier Urra, que veio a Portugal lançar o último livro "O Pequeno Ditador Cresceu", A Esfera dos Livros.
"Um miúdo empurrou a mãe e deixou-a caída no chão. Acabou a tropeçar nela. A mãe levantou a cabeça e perguntou-lhe: 'Magoei-te?'"
Quantas cenas destas já presenciamos? Quantas já protagonizamos?
Às vezes, quando vou para ralhar, começo assim: "Desculpa, mas..." Um dia, enquanto conversava com a psicóloga educacional Maria Dulce Gonçalves, esta interrompeu-me e perguntou-me: "Mas se vai chamar a atenção porque pede desculpa?"
Não podemos confundi-los, se vamos ralhar, não pedimos desculpa, se não por que estamos a ralhar? Porque temos medo de o fazer? Eles vão deixar de nos amar se o fizermos? Não, diz Urra, eles precisam de uma parede, senão vão sempre em frente, sempre em frente e perdem-se...
E nós não queremos que eles se percam, pois não?
Por isso, toca a não ter medo de pegar o touro pelos cornos – atenção! Não estou a chamar animal às crianças, mas sim à forma como temos medo de educar, à forma como não nos queremos incomodar para termos o tal tempo de qualidade, à forma como ignoramos algumas coisas porque as achamos pouco graves – só que elas acumulam-se, acumulam-se e, de repente, não está um touro, mas um elefante na sala...
Aqui fica um excerto da entrevista que fiz a Javier Urra, que veio a Portugal lançar o último livro "O Pequeno Ditador Cresceu", A Esfera dos Livros.
Mas como é que se tem um filho ditador? Os pais demitem-se de serem pais?
Os pais têm medo de ser pais. Têm medo de dizer “não”, de enfrentar os filhos e de os castigar. Há pais que têm de ser adultos. Uma coisa é ser maior e outra é ser adulto. Ao centro chegam muitos pais que são médicos, professores, militares – acostumados a mandar em milhares de pessoas –, um filho dá-lhes um pontapé e dizem apenas “isso não se faz”, em voz baixa e sem convicção.
Os pais têm medo de ser pais. Têm medo de dizer “não”, de enfrentar os filhos e de os castigar. Há pais que têm de ser adultos. Uma coisa é ser maior e outra é ser adulto. Ao centro chegam muitos pais que são médicos, professores, militares – acostumados a mandar em milhares de pessoas –, um filho dá-lhes um pontapé e dizem apenas “isso não se faz”, em voz baixa e sem convicção.
Porquê?
Porque querem comprar o amor dos filhos. Claro que há filhos que se portam bem e outros que dormem mal, comem mal. Mas aos pais cabe educá-los. Uma coisa é a personalidade, outra coisa é o temperamento e outra é o carácter.
Porque querem comprar o amor dos filhos. Claro que há filhos que se portam bem e outros que dormem mal, comem mal. Mas aos pais cabe educá-los. Uma coisa é a personalidade, outra coisa é o temperamento e outra é o carácter.
BW
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Olá! Ainda por cá andamos!
A semana passada recebi um email que terminava com um lamento: este blogue estar morto.
Hei! Não está!
Andamos por outros lados, preocupadas com outras coisas, com as cabeças cheias e as mãos parecem não chegar a tudo... Não temos tempo!
Falta-nos o que falta a tantos: tempo.
Tempo para escrever com inspiração.
Tempo para estarmos com quem gostamos.
Tempo para fazermos o que desejamos.
E, esperava-se que com o passar do tempo, ganhassemos tempo! Dias, horas, minutos, em vez de debitarmos coisas como "tempo de qualidade". O que é isso, se não há tempo?!
Vamos tentar regressar!
Obrigada aos que vão passando por cá, à nossa procura!
Beijos,
BW
Hei! Não está!
Andamos por outros lados, preocupadas com outras coisas, com as cabeças cheias e as mãos parecem não chegar a tudo... Não temos tempo!
Falta-nos o que falta a tantos: tempo.
Tempo para escrever com inspiração.
Tempo para estarmos com quem gostamos.
Tempo para fazermos o que desejamos.
E, esperava-se que com o passar do tempo, ganhassemos tempo! Dias, horas, minutos, em vez de debitarmos coisas como "tempo de qualidade". O que é isso, se não há tempo?!
Vamos tentar regressar!
Obrigada aos que vão passando por cá, à nossa procura!
Beijos,
BW
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
A conversar com os pais, a convite da escola
Esta tarde estarei na Escola Básica Eugénio de Andrade, no Porto, para conversar com os pais. O convite é da escola que almeja por um bom relacionamento com as famílias!
BW
BW
sábado, 12 de setembro de 2015
Todos somos refugiados
Quando a Segunda Guerra começou, o meu avô Wong desmantelou as fábricas que tinha em Shanghai e montou-as nas montanhas, no interior, para evitar que fossem bombardeadas. Foi ali que o seu primeiro filho nasceu. Depois de sete dias de trabalho de parto, foi tirado com fórceps por uma curiosa e não correu bem pois todo o seu sistema locomotor ficou afectado. Contei esta história na quinta-feira, durante o encontro Ler no Chiado, em que se falou do Diário de Anne Frank (as conversas são como as cerejas).
Terminada a Guerra Mundial, os chineses enfrentaram a Guerra Civil. O meu avô era apoiante de Chiang Kai Shek e isso custou-lhe as fábricas e as propriedades (custar-lhe-ia mesmo que fosse apoiante de Mao, pois tudo seria nacionalizado). A fuga era a única solução. Mais uma vez, a fábrica foi desmantelada e mandada para Hong Kong e com ela a família e inúmeros funcionários. Conta-se que a família, então já com três filhos, todos rapazes, apanhou o último avião com destino à colónia britânica. Depois disso, Mao mandou fechar as fronteiras.
Foram refugiados. Eram chineses da "mainland" e sempre foram tratados como tal. Isso significa que não tinham os mesmos direitos que os que tinham nacionalidade britânica. Em Hong Kong foram tratados como cidadãos de segunda, eram apátridas. À excepção da benjamim da família, a menina por que tanto ansiavam, e que já nasceu em solo britânico.
Eu digo que são refugiados. O meu pai diz que não são porque chegaram de avião, com dinheiro, compraram prédios, montaram uma fábrica e deram trabalho a muitos. Certo, mas saíram do seu país porque corriam risco de vida. Ficar na China era enfrentar a nacionalização dos seus bens (o que aconteceu), era a possibilidade de irem para campos de reeducação, era a fome, o terror, etc.
Depois de um minor em Economia, o meu pai foi para a Alemanha fazer Engenharia Mecânica na mesma universidade onde o pai tinha estudado no final da década de 1930. Não foi fácil sair porque era apátrida. Chegou à Europa com uma bolsa para estudar e ganas de trabalhar para se manter sem apoios de casa.
Depois do curso concluído, veio para Portugal trabalhar. Não era emigrante, diz-me, porque foi convidado para vir abrir uma fábrica. Também aqui as nossas opiniões divergem. Eu digo que é emigrante, como são os enfermeiros que partem para o Reino Unido com trabalho garantido ou os médicos que seguem para a Austrália com contrato.
Também posso falar do irmão da minha mãe que não viu futuro no 25 de Abril, temeu uma guerra civil, a vitória do PCP e emigrou para os EUA com três filhos pequenos. Aliás, ainda me lembro das arcas, compradas para viajarmos para o Brasil, que não chegaram a ser usadas e foram atafulhadas com lençóis, colchas, cobertores e naftalina, até hoje guardam o nosso enxoval. Também nós, filhos de emigrante, estivemos para emigrar.
Refugiados e emigrantes. A história repete-se.
Há sempre um país em guerra; há sempre uma revolta ou uma revolução; há sempre alguém à procura de uma vida melhor para si e para os seus. E é preciso acreditar na compreensão, na solidariedade e na bondade humana para que todos tenham a oportunidade de recomeçar.
BW
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Professora condenada por culpa dos alunos, pais e ministério
A falta de distanciamento e de discernimento das pessoas que exercem a
profissão docente causa-me perplexidade e muita preocupação.
Uma professora foi condenada a seis anos de prisão efectiva e a 18 mil euros de indemnização por agressões e maus tratos a uma turma de crianças de seis anos, do 1.º ano. A professora considerou-se inocente e negou os factos, mas os juízes ouviram as crianças e decidiram a pena, uma das razões foi a arguida não mostrar arrependimento. O PÚBLICO foi ler o acordo.
O que a docente fez às crianças vai marcá-las para a vida. Para a vida, repito. E o tribunal também não tem dúvidas disso: "Acresce que os maus tratos contra alunos muito novos não raras vezes acabam por redundar em insucesso escolar e exclusão social, que urge prevenir."
A escola fica na Amadora e na televisão vejo as mães das crianças, são de origem africana. São os mais pobres, aqueles para os quais queremos que a escola seja uma saída para uma vida melhor. Como, se aos seis anos, levam com uma professora que os agride, que atira com a cabeça dos meninos contra o quadro, se lhes bate com o livro de ponto, com um pau de vassoura e atira cadeiras pelo ar?
E o que leio nas redes sociais?
Pessoas a quem reconheço bom senso dizerem coisas como:
"Isto levava-nos a um enorme debate sobre as condições de trabalho que existem actualmente."
Lamento, mas neste caso não se trata de falta de condições de trabalho. Segundo o acordo, a mulher ter-se-á separado do marido, na mesma altura em que o pai morreu. E estes acontecimento podem mitigar "ligeiramente" a culpa da arguida, refere o tribunal. Portanto, estamos a falar do estado de saúde da docente.
Num grupo de professores no Facebook, onde a notícia foi partilhada, os profissionais insurgem-se contra os pais e contra os alunos. Há uma docente que conta que conhece uma educadora de infância que desistiu da profissão porque era agredida por crianças de 3, 4 e 5 anos. A sério? Então estava na profissão errada.
Por muito desestabilizadas que estejam as crianças – porque podem viver no seio de famílias desequilibradas –, o funcionamento do pré-escolar, as actividades, os trabalhos preparados para elas ajudam-nas a ganhar rotinas, a acalmar, a estabilizar, a ter regras.
Quantos destes meninos – que chegam ao jardim de infância com fome, que não vêem o pai porque está emigrado ou a mãe porque saiu às cinco da manhã para as limpezas, ou que são vítimas de violência doméstica –, é no jardim de infância que encontram estabilidade no sorriso da sua educadora e no acompanhamento da auxiliar?
Ah, mas a escola não tem de substituir a família, dir-me-ão. Eu sei, mas também não tem de dar cabo das crianças só porque estas não têm famílias estruturadas. Tem sim de contribuir para o esbatimento das desigualdades. Estes meninos dão mais trabalho? Dão. Mas se a escola tiver esse trabalho quando eles têm três anos, será mais fácil para as colegas do 1.º ciclo. E se estas fizerem o seu trabalho, estes meninos chegarão com melhores ferramentas ao 2.º ciclo. E se... é um ciclo e, quando chegarem à adolescência será mais difícil que se tornem marginais. É este que deve ser um dos contributos da escola para uma sociedade melhor.
Gosto do docente que diz que a pena é severa porque há quem mate e tenha penas menores. Ou do outro que compara a pena à de Manuel Palito que matou duas mulheres, 25 anos. A da docente é, claramente mais dura, diz. Ou do outro que se insurge porque a justiça foi célere. Mas essa é uma boa notícia! Ou do outro que pede mais autoridade para os professores. Para quê? Para dar cargas de porrada aos meninos a partir dos 3 anos porque chegam mal educados à escola? Para os atirar contra o quadro? Para os espancar com paus de vassoura? Mas não é possível impor a autoridade com palavras? É que eu conheço muitos professores que conseguem ser respeitados em turmas que outros apelidam de difíceis – portanto, a questão não está em ter mais autoridade, mas em saber exercê-la. No fundo, em saber ser professor.
"Não lhes devia bater, como muitas vezes batem certos pais, disso tenho quase a certeza, mas aos pais tudo é permitido, como seja donos de um objeto, e vingam-se muitas vezes nos professores porque já não têm para onde se virar e o professor neste momento é o elo mais fraco, por isso toca a andar... e aproveitar descarregar as mágoas de uma sociedade contaminada, egoísta e sem valores, enfim..."
Mas os professores não vivem nesta "sociedade contaminada, egoísta e sem valores"? Não podem contribuir para que esta tenha mais valores? Os professores sabem mais de educação e de pedagogia do que sabem os pais. Pelo menos aprenderam esses conceitos quando andavam a estudar e não podem aplicar o que aprenderam? E porque os pais batem, o acto da professora já não é tão grave? Mas o pior de tudo não é baterem nos filhos, é vingarem-se nos professores, o elo mais fraco. Pobre professora que, de certeza, por culpa dos pais, porque aqueles lhe azucrinavam a cabeça, batia nas crianças. Pobre professora que era o adulto na sala de aula, com duas dezenas de anos em cada mão as atirava contra a cara desses animais de seis anos. Não por vingança, isso não. Por ser uma pedagoga, claro. Para exercer a sua autoridade, para ensinar.
"Só os piores criminosos são condenados a tqnto tempo e mesmo assim só quando não têm dinheiro para corromper a justiça ou cunhas que os salvem! Agora esta professora, talvez culpada, é das piores criminosas do país! Qualquer dia os professores começam a sofrer chantagens de alunos e pais a dizer que os acusam de agressão e vão para a cadeia se não fizerem o que eles querem. Vai por um bonito caminho isto!"
Vai por um "bonito caminho" enquanto os professores olharem para os alunos e para os pais como olham. Vai por um "bonito caminho" por acharem que os colegas devem ser perdoados pelas circunstâncias. Porque morreu a mãe, porque se divorciou, porque se lhe furou um pneu, porque não sabe dar aulas, porque tem uma unha encravada, porque está com o período, porque, porque...
"Para quando penas idênticas para pais e alunos que insultam, ameaçam e agridem professores? Tenho muitas reservas quanto à forma como estes factos foram comprovados. Se a denuncia foi feita por uma colega, é ainda mais grave. Se achava que a colega não estava bem deveria ter agido de forma positiva. Podiam ter-lhe retirado a turma coloca-la na biblioteca ou nos apoios. Isto não a vai ajudar em nada!"
Há pais que são condenados. Há alunos que são condenados e expulsos do sistema. Quer os pais quer os alunos fazem capa no Correio da Manhã, como esta professora. É só procurar.
Este tipo de argumento da gravidade da colega ter denunciado a outra colega leva-me a questionar: Quantas situações não se passarão dentro das salas de aula que o corpo docente da escola tem conhecimento, mas não denuncia para não prejudicar o colega que, coitado, tem tantos problemas na vida, está deprimido, tem dívidas e não sabe como pagá-las, tem um filho que anda na droga ou um marido que lhe bate... Quantas direcções sabem e nada fazem? Como neste caso, em que o então director do agrupamento ouviu queixas durante cinco meses, cinco, e nada fez. Foi objecto de processo disciplinar.
Mas, para o colega há desculpa, toda a compreensão. Para os pais não. Esses têm de entregar à escola filhos perfeitos e prontos a ensinar. Entregá-los a pessoas que estão doentes mas que serão protegidas pelas outras que, aparentemente, não estão e apoiam a doente. Estas são as pessoas que "agem de forma positiva", esquecendo que a sua função na escola não é proteger colegas descompensados, mas proteger os alunos desses colegas. Porque não há professores sem alunos. Esquecem-se tantas vezes disto... Que existem para ensinar e não para se andarem a proteger uns aos outros e a empurrarem para as bibliotecas e para os apoios as maluquinhas... Ver se eu percebo: um murro na biblioteca tem menos impacto do que um na sala de aula? Já sei! Na biblioteca haverá menos testemunhas, logo, será mais fácil de desmentir. OK.
Há uma docente que vai ao ponto:
"Se ameaçarem de morte um filho nosso, ou se o espancarem devemos ser benevolentes só porque é um colega?"
Mas é logo atirada ao tapete por outra:
"Não! É partir-lhe logo ali a cara, apedrejá-lo, julgá-lo sem dó nem piedade e fazer como nos países pouco civilizados! Julgamento sem possibilidade de defesa e se a professora não assumir uma culpa que não tem e não mostrar arrependimento por não ter assumido uma culpa que não tem ainda temos as chicotadas no poste! Ou então podemos tentar averiguar o que se passou realmente e não fazer disto um estandarte do MEC!!"
Lá está: depois dos alunos mal comportados e dos pais que não sabem educar, faltava o ministério. A culpa é da tutela! Do MEC que não dá condições de trabalho aos professores e, ainda por cima, lança-lhes processos disciplinares quando tem suspeitas de que agiram mal. Maldito ministério...
E regressamos ao princípio: a culpa é de todos. Todos, excepto da professora que o tribunal condenou por dar como provados os crimes. Em nenhum momento a culpa pode ser da professora. Nenhum.
BW
Uma professora foi condenada a seis anos de prisão efectiva e a 18 mil euros de indemnização por agressões e maus tratos a uma turma de crianças de seis anos, do 1.º ano. A professora considerou-se inocente e negou os factos, mas os juízes ouviram as crianças e decidiram a pena, uma das razões foi a arguida não mostrar arrependimento. O PÚBLICO foi ler o acordo.
O que a docente fez às crianças vai marcá-las para a vida. Para a vida, repito. E o tribunal também não tem dúvidas disso: "Acresce que os maus tratos contra alunos muito novos não raras vezes acabam por redundar em insucesso escolar e exclusão social, que urge prevenir."
A escola fica na Amadora e na televisão vejo as mães das crianças, são de origem africana. São os mais pobres, aqueles para os quais queremos que a escola seja uma saída para uma vida melhor. Como, se aos seis anos, levam com uma professora que os agride, que atira com a cabeça dos meninos contra o quadro, se lhes bate com o livro de ponto, com um pau de vassoura e atira cadeiras pelo ar?
E o que leio nas redes sociais?
Pessoas a quem reconheço bom senso dizerem coisas como:
"Isto levava-nos a um enorme debate sobre as condições de trabalho que existem actualmente."
Lamento, mas neste caso não se trata de falta de condições de trabalho. Segundo o acordo, a mulher ter-se-á separado do marido, na mesma altura em que o pai morreu. E estes acontecimento podem mitigar "ligeiramente" a culpa da arguida, refere o tribunal. Portanto, estamos a falar do estado de saúde da docente.
Num grupo de professores no Facebook, onde a notícia foi partilhada, os profissionais insurgem-se contra os pais e contra os alunos. Há uma docente que conta que conhece uma educadora de infância que desistiu da profissão porque era agredida por crianças de 3, 4 e 5 anos. A sério? Então estava na profissão errada.
Por muito desestabilizadas que estejam as crianças – porque podem viver no seio de famílias desequilibradas –, o funcionamento do pré-escolar, as actividades, os trabalhos preparados para elas ajudam-nas a ganhar rotinas, a acalmar, a estabilizar, a ter regras.
Quantos destes meninos – que chegam ao jardim de infância com fome, que não vêem o pai porque está emigrado ou a mãe porque saiu às cinco da manhã para as limpezas, ou que são vítimas de violência doméstica –, é no jardim de infância que encontram estabilidade no sorriso da sua educadora e no acompanhamento da auxiliar?
Ah, mas a escola não tem de substituir a família, dir-me-ão. Eu sei, mas também não tem de dar cabo das crianças só porque estas não têm famílias estruturadas. Tem sim de contribuir para o esbatimento das desigualdades. Estes meninos dão mais trabalho? Dão. Mas se a escola tiver esse trabalho quando eles têm três anos, será mais fácil para as colegas do 1.º ciclo. E se estas fizerem o seu trabalho, estes meninos chegarão com melhores ferramentas ao 2.º ciclo. E se... é um ciclo e, quando chegarem à adolescência será mais difícil que se tornem marginais. É este que deve ser um dos contributos da escola para uma sociedade melhor.
Gosto do docente que diz que a pena é severa porque há quem mate e tenha penas menores. Ou do outro que compara a pena à de Manuel Palito que matou duas mulheres, 25 anos. A da docente é, claramente mais dura, diz. Ou do outro que se insurge porque a justiça foi célere. Mas essa é uma boa notícia! Ou do outro que pede mais autoridade para os professores. Para quê? Para dar cargas de porrada aos meninos a partir dos 3 anos porque chegam mal educados à escola? Para os atirar contra o quadro? Para os espancar com paus de vassoura? Mas não é possível impor a autoridade com palavras? É que eu conheço muitos professores que conseguem ser respeitados em turmas que outros apelidam de difíceis – portanto, a questão não está em ter mais autoridade, mas em saber exercê-la. No fundo, em saber ser professor.
"Não lhes devia bater, como muitas vezes batem certos pais, disso tenho quase a certeza, mas aos pais tudo é permitido, como seja donos de um objeto, e vingam-se muitas vezes nos professores porque já não têm para onde se virar e o professor neste momento é o elo mais fraco, por isso toca a andar... e aproveitar descarregar as mágoas de uma sociedade contaminada, egoísta e sem valores, enfim..."
Mas os professores não vivem nesta "sociedade contaminada, egoísta e sem valores"? Não podem contribuir para que esta tenha mais valores? Os professores sabem mais de educação e de pedagogia do que sabem os pais. Pelo menos aprenderam esses conceitos quando andavam a estudar e não podem aplicar o que aprenderam? E porque os pais batem, o acto da professora já não é tão grave? Mas o pior de tudo não é baterem nos filhos, é vingarem-se nos professores, o elo mais fraco. Pobre professora que, de certeza, por culpa dos pais, porque aqueles lhe azucrinavam a cabeça, batia nas crianças. Pobre professora que era o adulto na sala de aula, com duas dezenas de anos em cada mão as atirava contra a cara desses animais de seis anos. Não por vingança, isso não. Por ser uma pedagoga, claro. Para exercer a sua autoridade, para ensinar.
"Só os piores criminosos são condenados a tqnto tempo e mesmo assim só quando não têm dinheiro para corromper a justiça ou cunhas que os salvem! Agora esta professora, talvez culpada, é das piores criminosas do país! Qualquer dia os professores começam a sofrer chantagens de alunos e pais a dizer que os acusam de agressão e vão para a cadeia se não fizerem o que eles querem. Vai por um bonito caminho isto!"
Vai por um "bonito caminho" enquanto os professores olharem para os alunos e para os pais como olham. Vai por um "bonito caminho" por acharem que os colegas devem ser perdoados pelas circunstâncias. Porque morreu a mãe, porque se divorciou, porque se lhe furou um pneu, porque não sabe dar aulas, porque tem uma unha encravada, porque está com o período, porque, porque...
"Para quando penas idênticas para pais e alunos que insultam, ameaçam e agridem professores? Tenho muitas reservas quanto à forma como estes factos foram comprovados. Se a denuncia foi feita por uma colega, é ainda mais grave. Se achava que a colega não estava bem deveria ter agido de forma positiva. Podiam ter-lhe retirado a turma coloca-la na biblioteca ou nos apoios. Isto não a vai ajudar em nada!"
Há pais que são condenados. Há alunos que são condenados e expulsos do sistema. Quer os pais quer os alunos fazem capa no Correio da Manhã, como esta professora. É só procurar.
Este tipo de argumento da gravidade da colega ter denunciado a outra colega leva-me a questionar: Quantas situações não se passarão dentro das salas de aula que o corpo docente da escola tem conhecimento, mas não denuncia para não prejudicar o colega que, coitado, tem tantos problemas na vida, está deprimido, tem dívidas e não sabe como pagá-las, tem um filho que anda na droga ou um marido que lhe bate... Quantas direcções sabem e nada fazem? Como neste caso, em que o então director do agrupamento ouviu queixas durante cinco meses, cinco, e nada fez. Foi objecto de processo disciplinar.
Mas, para o colega há desculpa, toda a compreensão. Para os pais não. Esses têm de entregar à escola filhos perfeitos e prontos a ensinar. Entregá-los a pessoas que estão doentes mas que serão protegidas pelas outras que, aparentemente, não estão e apoiam a doente. Estas são as pessoas que "agem de forma positiva", esquecendo que a sua função na escola não é proteger colegas descompensados, mas proteger os alunos desses colegas. Porque não há professores sem alunos. Esquecem-se tantas vezes disto... Que existem para ensinar e não para se andarem a proteger uns aos outros e a empurrarem para as bibliotecas e para os apoios as maluquinhas... Ver se eu percebo: um murro na biblioteca tem menos impacto do que um na sala de aula? Já sei! Na biblioteca haverá menos testemunhas, logo, será mais fácil de desmentir. OK.
Há uma docente que vai ao ponto:
"Se ameaçarem de morte um filho nosso, ou se o espancarem devemos ser benevolentes só porque é um colega?"
Mas é logo atirada ao tapete por outra:
"Não! É partir-lhe logo ali a cara, apedrejá-lo, julgá-lo sem dó nem piedade e fazer como nos países pouco civilizados! Julgamento sem possibilidade de defesa e se a professora não assumir uma culpa que não tem e não mostrar arrependimento por não ter assumido uma culpa que não tem ainda temos as chicotadas no poste! Ou então podemos tentar averiguar o que se passou realmente e não fazer disto um estandarte do MEC!!"
Lá está: depois dos alunos mal comportados e dos pais que não sabem educar, faltava o ministério. A culpa é da tutela! Do MEC que não dá condições de trabalho aos professores e, ainda por cima, lança-lhes processos disciplinares quando tem suspeitas de que agiram mal. Maldito ministério...
E regressamos ao princípio: a culpa é de todos. Todos, excepto da professora que o tribunal condenou por dar como provados os crimes. Em nenhum momento a culpa pode ser da professora. Nenhum.
BW
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