quinta-feira, 11 de abril de 2013

A culpa e o conformismo

Pela primeira vez o relatório sobre o Estado da Educação, promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), relaciona os resultados dos alunos com a sua situação social. Não espanta que venha confirmar que os mais pobres tenham piores resultados.
Na SIC, a repórter vai à básica de Vialonga – uma escola de "sucesso" pelas boas práticas que tem implementado, como a Orquestra Gerações, por exemplo –, e fala com uma mãe e com uma aluna que vai chumbar porque a mãe não tem dinheiro para o passe, para que a rapariga chegue à escola. Os colegas não sabem, diz a aluna, as desculpas que inventa são que está doente, que não lhe apetece... e assim, por causa da vergonha da pobreza e por não ter outros apoios financeiros se reprova.
Na RTP Informação os comentadores de serviço são Teresinha Anjinho, deputada do CDS-PP, e Miguel Laranjeira, do PS. Quando este começa a falar do relatório, da educação, do futuro de um país que não aposta na educação, Teresinha Anjinho (a senhora chama-se mesmo assim?) olha-o com um ar de complacência e com uma vozinha baixa vai perguntando insistentemente: "Mas porquê, senhor deputado? Porquê?" e responde em tom conformado "Porque o PS nos deixou neste estado".
Minha senhorinha deputadinha, já não há pachorra para o "a culpa é do PS"!
Sim, o PS deixou-nos na penúria mas o Parque Escolar foi uma festa, os Magalhães e os Toshiba foram outra festa, assim como o passe para os menores de 23 anos (a metade do preço) e a acção social foram festas. Tudo medidas apostadas na melhoria da qualidade de vida dos alunos, para que estes tenham mais e melhores oportunidades. Em vez disso, em que é que o PSD e o CDS-PP estão apostados? No castigo dos pobres, que levantavam a cabeça e sonhavam em dar cursos aos filhos. Cortaram-se os passes, cortou-se na acção social, menos alunos chegam às escolas e a culpa não é do Governo que tomou estas medidas, acredita a deputada centrista, é do PS.
Teresinha Anjinho com o seu arzinho compungido e conformado, sem uma resposta que vislumbrasse alternativas, sem uma proposta, mas a repetir a cassete do Governo, fez-me lembrar aquelas senhoras à saída da missa: "Pois, nem todos podem chegar a doutores, onde é que isso já se viu? Há por aí muito trabalho honesto... Olhe, não pode estudar, paciência... vá trabalhar, olhe, eu ando à procura de uma empregada doméstica e nem vê-la... Para quê porem-se com sonhos, com a mania das grandezas, cada um tem o seu lugar."
BW

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