sábado, 20 de fevereiro de 2010

Entrada em vigor dos Novos Programas de Língua Portuguesa em 2011

Continuamos a acompanhar a saga da suspensão dos Novos Programas de Língua Portuguesa.
As mais recentes notícias indicam que os Novos Programas de Língua Portuguesa entram em vigor já em 2010 em algumas escolas (quais?), a título experimental. (Isto quer dizer que os programas vão estar "revistos" até Setembro? Ou entram em vigor os "actuais" e a revisão faz-se em função da avaliação da sua aplicação?)

No ano lectivo seguinte, 2011-12, a sua aplicação será alargada às restantes escolas.

Inês Sim-Sim é a cara das metas de aprendizagem do ensino básico para o Português (aquelas que terão sido o motivo da suspensão dos Novos Programas) e em declarações ao Público na edição de hoje tranquiliza os professores (?!?) afirmando que os programas sofrerão poucas alterações: “Vai haver pequenas adaptações. Se houver alterações serão pontuais”, assegura e responsável pela formação contínua de professores do 1.º ciclo para o ensino do Português (se houver alterações? Pontuais?!?).

A boa comunicação entre o ME e os docentes é essencial para um bom clima nas escolas. Todos querem ver os professores envolvidos, motivados, participantes. Mas como pode isso acontecer quando informações como as que aqui referimos vão surgindo avulsas, imprecisas, pouco claras e não "oficialmente"??

Quanto à situação presente gerada, como por exemplo a formação que já está a decorrer, a especialista da Escola Superior de Educação de Lisboa afirma ainda que “nada se perde”. “É muito limitado dizer que a formação foi só para os novos programas (mas a formação, por exemplo na página da DGIDC, tem essa designação). A formação ajuda às mudanças nas práticas de ensino. Nada disto é deitado ao lixo”. Quanto aos manuais “não são esses que ensinam os professores”, afirma. Pois.
Estamos esclarecidos!

Ana Soares

PS - Confirma-se que os programas de Matemática se mantêm. A autora deste programa, Lurdes Serrazina, é a mesma que é responsável pela definição das metas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Avaliação dos alunos

Já cá está o despacho que altera o regime de avaliação dos alunos.
Para ler com calma: Despacho normativo 6/2010.

Precious: a escola pode mudar a vida de alguém?

É duro, crú e triste. É a história de uma miúda de 16 anos, grávida pela segunda vez de um pai que a molesta, mal-tratada por uma mãe que vive do cheque da segurança social. Podia passar-se em Lisboa ou no Porto, mas a acção decorre em Harlem, em 1987. Claireece Precious Jones não sabe ler e ouve a mãe dizer-lhe repetidamente que não vale a pena estudar mas, lá no fundo ela sabe que pode ser a sua porta para sair do horror em que vive. E Precious tem direito ao seu final relativamente feliz. É um filme produzido por Oprah e como tal tem uma "moral da história", é pedagógico, é uma chamada de atenção e é dedicado a todas as Precious que existem.
BW

Choque na Educação

aqui tinha falado deste livro Choque na Educação: Como os nossos erros estão a afectar os nossos filhos e o que podemos fazer para educá-los melhor.
Agora li e tornei-me numa nova mãe! Estou obviamente a brincar, mas à medida que ia lendo Choque na Educação, de Po Bronson e Ashley Merryman, editado pela Lua de Papel, ia fazendo-se luz na minha cabeça!
Os autores pegam em dezenas de estudos sobre educação, alimentação, comportamento, inteligência ou o sono das crianças e vão traçando quais são as técnicas de educação que fazem sentido.
Por exemplo: no que diz respeito à questão da auto-estima, tornou-se claro que só devemos elogiá-los quando eles realmente merecem e não vale a pena andarmos completamente embevecidos com tudo o que fazem porque isso só lhes fará mal.
Outra: Quanto mais dormirem, mais inteligentes ficam! Dormir bem também contribui para que não se tornem obesos. Mais: A partir de uma certa idade, quando eles nos mentem é mesmo para nos proteger, as suas mentiras são bem intencionadas. O que assusta é saber que é difícil apanhar-lhes uma mentira e que se mentem é porque aprenderam connosco...
Enfim, os estudos são muitos e por isso vale a pena ler este livro com o bom senso que é próprio dos pais!
BW

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Candidatura

Candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República anunciada no seu blogue. Espreite aqui.

Ainda as novas gramáticas

A Gramática Prática de Português, de M. Olga Azevedo e outros, da Lisboa Editora surge este ano com nova cor. A anterior, azul, estava de acordo com a Tlebs. Esta, vermelha, rege-se pelo Dt que regula a teminologia a usar nas escolas. Uma gramática para 3ª ciclo e secundário, actualizada, com uma linguagem clara, um grafismo agradável e o rigor necessário. Em separado, é ainda possível adquirir um volume só de exercícios complementares. Mas a gramática, só por si, é uma boa aquisição.

Aqui fica mais esta sugestão.

Desta vez, em lugar da capa, deixo-vos um video de apresentação.


Ana Soares



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

We are the world: 25 anos depois

O objectivo já não é a fome em África mas o Haiti. Onde está a Tina Turner, a Cindy Lauper, o Bruce Sprigsteen? O Stevie Wonder e a Diana Ross?! O remake abre com uma criança imberbe, um canadiano de 15 anos com voz de menina, e há ainda mais crianças a cantar, como a Miley Cyrus... Consigo identificar estas porque são as favoritas da miudagem. De resto, é um enorme conjunto de estranhos e, olha, a Barbra Streisand, a Celine Dion e o Tony Bennett! Ah! E os Black Eyed Peas! Bom e mais uma ou outra cara conhecida como a do Michael Jackson! Mas não deixa de comover, tal e qual como há 25 anos.
BW

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ilustrarte

A Bienal Internacional de Ilustração para a Infância estará no Museu da Electricidade, em Lisboa, até 4 de Abril.


Embora a vencedora desta edição tenha sido uma belga, Isabelle Vandenabeele, destacamos alguns dos excelentes ilustradores portugueses nela representados: André Letria, Gémeo Luís e João Vaz de Carvalho.

A não perder.


Ana Soares

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Parque Escolar

"Todas as escolas que estiveram, estão ou virão a estar em obras, no âmbito do programa de modernização dos seus edifícios tutelado pela Parque Escolar, vão deixar de integrar o património do Estado para passar a ser propriedade daquela entidade pública empresarial", noticia o PÚBLICO.
Já foram transferidos para esta empresa o direito de propriedade de sete escolas, entre as quais figuram alguns dos chamados "liceus históricos" (Passos Manuel e Pedro Nunes, em Lisboa, e Rodrigues de Freitas, no Porto).
O Ministério da Educação justifica a opção dizendo que o objectivo foi "criar uma entidade pública especializada, que através de um modelo de gestão empresarial permita garantir princípios de gestão mais racional e eficiente". O ministério lembra que as transferências de património só poderão ser realizadas por despacho conjunto do ME e do Ministério das Finanças e que, sendo a Parque Escolar uma empresa pública, "não está em causa a transferência do património para o sector privado".
Ana Soares

O dia em que eles deixaram de respeitar o poder local

O estacionamento. Vivemos no centro da cidade, usamos muito pouco o carro, a maior parte das deslocações são feitas a pé ou de metro. Uma sorte!, não nos cansamos de repetir. Mas usamos o carro e temos que o estacionar na rua, no centro são poucos os prédios com garagens, embora muitos condomínios estejam a transformar os quintais em estacionamento. Uma pena...
A maior parte das vezes não é fácil estacionar e depois de muito procurarmos - fazemos sempre esse esforço pedagógico - acabamos por estacionar em cima do passeio, perto de casa. Era assim até esta semana. Nos últimos dias, a câmara andou afincadamente a encher os passeios de "obstáculos", mesmo em cima das passadeiras.
"São mesmo parvos!", reage o mais velho. "É errado estacionarmos em cima do passeio...", respondemos. "Está bem, mas nós só estacionamos à noite, logo de manhã, tiramos o carro, não incomodamos ninguém. Também, ninguém passa aqui à noite!...", responde.
"Porque é que não fizeram mais lugares de estacionamento?", pergunta ela. Pois...
"Eles querem é que vocês ponham o carro num parque, para receberem dinheiro", diz ele, inconformado. Parece que sim, que é isso que "eles" querem.
"É que são mesmo parvos! Agora para as carrinhas descarregarem o leite nas pastelarias têm que ficar na estrada e os carros todos parados à espera...", observa ele, na manhã seguinte, à janela, depois de ouvir as buzinadelas e os taxistas a barafustar porque há carros parados na via, que há dias subiam o passeio. É que por aqui nem todas as descargas são feitas de noite ou de madrugada. "E se o avô B. precisar de voltar a ir de ambulância para o hospital? Como é que o INEM faz?", acrescenta ela, preocupada com a saúde e a idade do bisavô.
Mas foi no dia em que deixamos o carro estacionado a três quarteirões de casa e fizemos uns dois mil metros a pé, que eles perderam o respeito pela autarquia. Agora é ouvi-los: "Porque é que não gastam dinheiro a ajudar os sem-abrigo?", "Porque é que não limpam as ruas, em vez de as encher com "pinos"?". "É só cocós de cães!", "Porque é que não fazem mais estacionamento? Os passeios são muito largos, podem ser cortados", "Porque é que fizeram estacionamento ao pé do El Corte Inglès e aqui não?"
Os pré-adolescentes são muito persistentes. E nós caladinhos, sem mais argumentos para defender as opções autistas de uma câmara que, pelos vistos, continua a fazer muito pouco para atrair mais pessoas para o centro da cidade.
BW

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Suspensão do programa de português: possíveis causas

Especula-se na blogosfera sobre os motivos da suspensão do programa de língua portuguesa.
Aqui ficam mais "achas para a fogueira"; intuições que vão para além da ideia das "metas de aprendizagem" referidas:
- anualização do programa, nomeadamente no que diz respeito à distribuição dos conteúdos do Conhecimento Explícito da Língua (motivo de discórdia desde a sua concepção e que levou à mudança da própria equipa durante a elaboração do mesmo);
- Plano Nacional de Leitura.
Ana Soares

Filosofia para Crianças no Dia dos Namorados


"Podemos ter sobre o que é amar ideias muitos diferentes e até opostas..."

É assim que começa o livro O Amor e a Amizade de Oscar Brenifier. Um tema bom para esquecer o assunto do último post (a suspensão dos novos programas de língua portuguesa noticiada pelo Público) e para acalmar os ânimos.


Trata-se, então, de um livro da colecção Filosofia para Crianças da Edicare, uma forma bela de levarmos as crianças a perceber que nem todos pensam da mesma maneira, que a diferença pode ser uma riqueza e, sobretudo, uma forma de ajudar as crianças a construírem a sua própria opinião e identidade.
As ilustrações de Jacques Després que acompanham as 10 ideias sobre o amor apresentadas no livro são imperdíveis! Visite o site do autor e vai ver como tenho razão.
Escolhi um dos pontos de vista sobre o amor para oferecer aos nossos leitores no Dia dos Namorados: "Algumas pessoas pensam que o amor nos permite sermos nós próprios, que ele nos faz existir."
Se não conseguir encontrar o livro na sua livraria habitual, procure-o aqui.
Ana Soares

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Novos Programas de Língua Portuguesa adiados

"No próximo ano lectivo já não entram em vigor os programas de Língua Portuguesa dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos. O Ministério da Educação decidiu adiar"

Os Programas de Português do Básico ficam adiados, suspensos, não entram em vigor em Setembro próximo, como estava previsto!
Depois do choque, mas ainda a quente, aqui fica, então, a minha indignação perante a notícia hoje avançada pelo PÚBLICO: suspensão dos Novos Programas de Língua Portuguesa.


Aqui ficam as minhas primeiras reacções como autora, formadora, professora, mãe e cidadã.


Vamos por partes.


1. Como autora
Horas infindas de trabalho, pesquisa, adaptação, revisão. Um manual pronto. Daqui a três meses estaria nas mãos dos professores. Em Setembro nas dos alunos. Afinal, não é para sair.


2. Como formadora
Esta semana em Lisboa, na anterior no Porto. Como operacionalizar o novo programa, que opções, escolhas, caminhos? Vender um peixe que não era meu; um programa que primeiro estranhei, mas depois aceitei.


3. Como professora
Expectativas criadas, a escola em rebuliço. Formações agendadas para o departamento de Língua Portuguesa. Horas de leitura, reuniões de departamento. Tudo para estarmos a postos. Tudo para nada. Mais uma vez.


4. Como mãe
Que sistema é este? Que esperar dos professores dos meus filhos? Que estabilidade lhes oferece o sistema? De reforma em reforma, de terminologia em terminologia, de programa em programa... Na deriva ortográfica.


5. Como cidadã
Quanto dos meus impostos foi gasto neste longo processo de revisão (recordo que a mesma começou a ser preparada em 2007)? Quanto custou o NP? Quanto foi gasto na formação de formadores? Na formação dos professores? Paulo Feytor Pinto da APP fala em 900 professores que frequentaram formações. Somem-se agora todos os que frequentaram as que foram promovidas pelas editoras. Não foi o ME que convidou esta equipa para elaborar os Novos Programas? Não colheram eles consenso científico e não foram eles preparados ao longo de vários anos (com a Conferência Internacional da Língua Portuguesa, em 2007, seminários, um período de discussão pública aberto a todos os docentes, etc)?


Enfim, sem mais palavras. Por agora.


Ana Soares


PS - Reconheço a dificuldade que a anualização do programa pode (podia) levantar numa primeira fase. Mas seria isso motivo para deitar abaixo todo o investimento humano e económico que foi feito? Não podíamos ter umas OGP (orientações gerais do programa), à boa velha maneira?

PS 1 - Os Novos Programas de Matemática ficam...


PS 2 - "O ponto de interrogação é um ponto de exclamação cansado", diz o blog onde encontrei a imagem que ilustra o post. É assim que estou hoje.

World Press Photo 2010

Os vencedores estão aqui.

Viva a autonomia!

"Com a aprovação do novo Estatuto do Aluno, cujo projecto deverá estar concluído no final de Março, voltarão a ser os professores a "decidir quais as medidas mais adequadas" para permitir que um estudante, com faltas em excesso, retome o "regular percurso de aprendizagem", esclareceu ontem o Ministério da Educação. Para já, esta é a única indicação que o ministério de Isabel Alçada dá sobre as consequências de uma das alterações que vai introduzir no novo estatuto, onde deixará de constar o carácter obrigatório da realização de provas de recuperação." Continue a ler aqui.
Depois de todas as directivas centralizadas na 5 de Outubro e os professores envolvidos em burocracias; a equipa de Isabel Alçada quer entregar às escolas e aos docentes algumas responsabilidades que devem, de facto, ser delas. A questão é saber se todas são responsáveis o suficiente para ser autónomas ou se querem assumir essas responsabilidades. De qualquer maneira é sempre bom que se estabeleçam algumas regras para que não haja demasiada heterogeneidade na resolução dos problemas.
BW

Afinal não havia outra...

Depois de tantas expectativas criadas quanto aos horários dos professores, afinal não havia uma contraproposta por parte do ME quanto a este tema...

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof , após a reunião com responsáveis do ME afirma:

“Recordo que a senhora ministra tem vindo a afirmar que reconhece que os horários dos professores são desadequados do ponto de vista daquilo que é a exigência pedagógica que o professor tem e, portanto, aquilo que os professores hoje estavam à espera era que houvesse uma contraproposta do ministério no sentido de alterar a legislação, quer em relação à sua componente lectiva, quer não lectiva"
Mário Nogueira sublinhou ainda que os professores não querem menos horas de trabalho, mas sim “que a organização do trabalho dentro do horário estipulado por lei seja feita de uma forma que permita dar qualidade ao ensino e ao desempenho dos professores” (mas ficámos sem saber exactamente qual a proposta que foi feita e que traduz esta ideia...).
Segundo o que o secretário-geral da Fenprof disse ao Público, o Ministério da Educação invocou motivos de “ordem financeira, social e política” para não aceitar as alterações propostas pelos sindicatos.
Assim, aquilo que a tutela apresentou aos sindicatos “são apenas pormenores irrelevantes para efeitos dos horários dos professores”, garantiu Mário Nogueira, dando como exemplo “o fim da [obrigatoriedade da] prova de recuperação dos alunos” com excesso de faltas.“

Está marcada nova reunião para dia 19 de Fevereiro.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nada que já não se saiba...

"Portugal surge ao lado de Espanha como o país que revela a maior diferença entre o salário de indivíduos com pais licenciados e o das pessoas cujos pais não completaram o ensino secundário. Por cada 100 euros que recebe o filho de pais com o secundário, o filho de um licenciado ganha 143 euros. Já o indivíduo com pais que não completaram o secundário recebe, em média, 76 euros, concluem os autores. A comparação baseia-se em dados de 2005 e tem em conta as diferenças entre os 14 países analisados.
"De acordo com este indicador, a persistência intergeracional é particularmente forte em alguns países do Sul da Europa e no Reino Unido, sendo menor nos países nórdicos, na Áustria, em França e na Grécia", escrevem os autores.
A escola explica parte do problema. Quando os pais não foram além do secundário, os filhos têm, em Portugal, maior probabilidade de não conseguirem melhores qualificações."

São as conclusões de um estudo da OCDE que avalia o grau de mobilidade intergeracional, divulgado na edição impressa do DN.

A propósito do Novo Acordo Ortográfico

Num comentário a um post sobre o NAC (Novo Acordo Ortográfico), um leitor pedia a nossa opinião sobre o mesmo. Realmente, tanto a Bárbara como eu já aqui vos falámos sobre o Acordo. Ela quando esteve no Brasil e eu, no estatuto de professora, quanto às alterações que se avizinham e quanto aos novos dicionários e vocabulário.
Efectivamente, ainda não deixámos aqui a nossa opinião, nem como profissionais (professora e jornalista), nem como mães. Pois aqui vai.
Devo começar por dizer que não me apetece o novo acordo. Ter de repensar aquilo que para mim é já intuitivo na nossa ortografia; ter dúvidas quanto à grafia de palavras que desde sempre conheço (pois apesar das regras do Novo Acordo se resumirem em poucos slides de powerpoint, como vos mostrei, é claro que no dia a dia muitas dúvidas nos vão surgir); ter de ajudar os alunos a fazer a transição entre as duas grafias (os meus alunos crescidos dizem: "Vou ter de esquecer o que aprendi nos meus 17 anos de vida?!?") ... não era o que me apetecia ter pela frente.
Mas tal como disse recentemente numa das minhas turmas, não sei se é legítimo que um certo "comodismo" pessoal, multiplicado por todos os falantes da nossa língua, prejudique a introdução deste novo acordo quando, na verdade, se trata de um "bem maior" para a nossa língua.
Reconheço que o acordo tem algumas áreas sensíveis. Que não agrada a todos (mas haveria algum dia a hipótese de se conseguir agradar a gregos e troianos? Duvido.). Que cria ambiguidades com a possibilidade da dupla grafia em algumas situações. Que nas escolas o processo está atrasado. Ainda assim, acho que o que o acordo pretende é uma mais valia para a língua portuguesa nas suas três variedades: europeia, africana e brasileira.
Como mãe, dou graças a Deus pelo facto do meu filho mais velho estar no início da escolaridade. Terá, certamente, a vida facilitada. Por outro lado, todos os livros cá em casa serão para ele(s) peças de museu, desactualizadas, de outros tempos! Relíquias!
Ana Soares

O PÚBLICO decidiu não adoptar o NAC, que já não é tão novo assim! Lembro-me de na faculdade andarmos a discutir o mesmo! Percebo que faça algum sentido avançarmos por questões políticas e até económicas, mas só isso! Nos próximos tempos continuarei a escrever como sempre escrevi, mesmo que tenha que ajudar os meus filhos a escrever à luz do NAC (não se sabe ainda quando é que o Ministério da Educação quer avançar) e a explicar-lhes que a língua e a escrita evoluem (ainda que não me apeteça evoluir com elas).

BW

Aprender regras através de jogos

Sentamo-nos frente-a-frente. Eu vestida de cinzento, como o tempo chuvoso, ela num perfeito arco-íris. Yolanda Saénz de Tejada inventou jogos para ensinar os filhos a ajudar a por a mesa, a arrumar o quarto, a ir à casa-de-banho sozinhos, a serem mais autónomos e responsáveis. Vamos jogar! é o nome do livro que escreveu e com o apoio "científico" de Eduardo Estivill, o pediatra espanhol que criou o método com o seu nome para ensinar as crianças a dormir.
Confesso que nunca me passaria pela cabeça inventar um jogo para ensinar um filho meu a sentar-se correctamente à mesa, mas à espanhola Yolanda Saénz de Tejada sim! O livro contém 40 e muitos jogos -devidamente testados, assegura Estivill, a pensar nas crianças entre os três e os 12 anos, daí a cientificidade da coisa.
Os jogos são perfeitamete exequíveis porque foram pensados para o pouco tempo que pais e filhos passam juntos. Há alguns que me parecem patetas e demasiado forçados; outros são boas ideias para ajudar os filhos não só a aprender as regras como a memorizar factos e, acima de tudo, a libertarem-se das nossas saias (ainda que não as usemos). Há outros que podem ser misturados entre si.
O importante é que o tempo que pais e filhos passam juntos seja de qualidade, apela Estivill. E a alternativa encontrada por Yolanda, uma mãe como nós, foi a de criar uma relação familiar alegre e divertida com os seus filhos. Educar pelo divertimento mas nunca esquecendo quem manda, alerta.
BW

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O luto dos pais por Ana Granja

"Eu era uma mãe em luta; agora sou uma mãe em luto..."
Ana Granja

Não há uma palavra que descreva o que é um pai ou uma mãe que perde um filho. Existe para os casais, viúvos; para os filhos, órfãos; mas não para os pais talvez porque parece sempre improvável que sobrevivamos aos nossos filhos. No entanto, há pais que sofrem a morte dos seus filhos. Foi o que aconteceu a Ana Granja, professora de Filosofia e Psicologia, que escreveu o livro Sem ti, Inês, publicado agora pela Caderno.
Em 150 páginas, Ana Granja descreve de uma maneira muito sóbria e quase objectiva o luto. Não há espaço para lamechices, para curiosidades mórbidas, sabemos logo de início que Inês, uma adolescente de 15 anos morre de anorexia e não entramos demasiado na vida de uma família que terá lutado imenso contra aquela doença tantas vezes incompreendida. Há só espaço para compreendermos a dor de uma mãe que procura conforto nas palavras dos filósofos, dos poetas, dos compositores, dos psicólogos, em tudo o que possa ajudá-la a sobreviver sem a filha, menos em Deus porque não acredita.
Depois de lido fiquei com a certeza que é um livro que poderá ajudar muitos pais em luto, aliás, é esse o fim último a que Ana Granja se propõe. A autora está agora a fazer uma tese de doutoramento sobre as consequências do luto nos alunos do ensino secundário.
BW