quarta-feira, 17 de junho de 2009

Época de exames - guias de estudo com soluções e critérios de correcção

Em época de exames, os alunos recorrem aos seus apontamentos, fichas, testes, testes de colegas e material fornecido pelos docentes. No entanto, todos os que podem acabam por aderir à moda dos "guias de estudo". Alguns, é verdade, estão muito bem feitos. Apresentam boas sínteses (aquelas que os alunos deveriam ter feito ao longo do ano, pensando no exame), provas de anos anteriores (que estão no sítio do Gave) e outras provas modelo. Este último recurso é que eu valorizo, pois creio que o estudo deve passar, após uma fase de revisão, por mais uma etapa de avaliação. Os testes que já foram resolvidos ao longo do ano, ou os de colegas de outras escolas, sem soluções, nem sempre fornecem aos alunos o feedback que pode ser essencial para perceber qual o domínio / matéria que devem rever.
Depois dos exames de hoje, Biologia Geologia, MACS (Matemática Aplicada às Ciências Sociais), História B, Espanhol, Alemão, Inglês, Francês, é hora de pensar nos seguintes. Toca a rever a matéria e a testar os conhecimentos.
Ana Soares

Mais Exames Nacionais - Critérios de Correcção

Hoje há mais exames. Não terão o mesmo número de alunos que o Exame Nacional de Português teve, pois nem todos os cursos e alunos têm as mesmas disciplinas. Mas também estes são particularmente importantes. Alguns deles virão a tornar-se as "específicas" com que os alunos acederão aos cursos de sua eleição.

De manhã:
- Biologia - Geologia,
- MACS (Matemática Aplicada às Ciências Sociais),
- História B.
De tarde, as línguas:
- Espanhol,
- Alemão,
- Inglês,
- Francês.

Na quinta-feira, Desenho A, Economia A e novamente as Línguas.

Na sexta, dia que se prevê muito quente, terão lugar os exames de Física e Química A e Geografia. Na segunda seguinte, Geometria Descritiva A e Latim A (quem é que ainda faz este exame? Corajosos!).

Na terça-feira, a encerrar a época, é a vez da Matemática A e B, da História B e da Literatura Portuguesa.

Os critérios de correcção de todos estes exames vão depois sendo publicados ao fim da tarde no sítio do GAVE.

A época começou com o Português e termina com o exame nacional de Matemática. Os dois exames que mais discussão trazem todos os anos. O de Português já está. Vamos agora vendo o que acontece nos restantes.

Ana Soares

A Corujinha - livros sem palavras

Os livros da Corujinha, são assim que cá em casa são conhecidas estas aventuras de Andy Runton (Top Shelf Productions). Quando trouxe para casa um destes livros, emprestado por uma colega, comecei por achar que estas leituras (só de imagens, pois a banda desenhada quase não tem texto) não iam resultar. Os livros têm cento e muitas páginas e eles ainda são pequenos. Talvez com miúdos mais crescidos, até adolescentes ou adultos com gosto pelas imagens. Enganei-me. O facto das imagens por si só narrarem a história não só prendeu os miúdos como também agradou aos graúdos cá de casa. A dada altura era eu que pedia para fazermos um intervalo. E foi assim que, depois de comprarmos os nosso próprios exemplares na King Pin , passámos a ter mais frequentemente uma Corujinha a passear cá por casa.

Foi a colega Alexandra Lopes que me sugeriu que a "Corujinha" aparecesse no Educar em Português, não sabendo que eu já conhecia a colecção. Resumia ela, no mail que me mandou: "O protagonista é uma coruja solitária de bom coração. No primeiro livro, conhece aquela que será a sua companheira nos outros – a minhoca. Um dos aspectos que me atraem para estas bandas desenhadas é o facto de quase não haver palavras. Qualquer criança pode ver a história e emocionar-se com as personagens. Outro aspecto de realce é o facto de todas as histórias abordarem o tema da amizade, da dádiva de si, do amor aos outros. Parece-me evidente a intenção simbólica na selecção das personagens. A coruja, símbolo da sabedoria, faz amizade com a minhoca que, no mundo real, faz parte da sua alimentação. Agora, aquele que, em aparência, seria o inimigo, é o salvador, o amigo. Daqui até tirarmos ilações para o mundo moderno e a necessidade de vermos para além das aparências... é um passo. Se pensarmos em termos morais, as crianças que lerem estas histórias estarão, de forma subconsciente, a assimilar valores de tolerância, confiança, solidariedade... Enfim, a lista é exaustiva. Que melhor livro para lhes colocarmos nas mãos? "

O primeiro volume tem como título The Way Home & The Bittersweet Summer e o segundo Just a Little Blue. Bem sei que não é um livro português... ainda assim, o Educar em Português não deixa de recomendar a colecção por isso.

Podemos ver excertos aqui e aqui.

Consultem, vale mesmo a pena!

Ana Soares

terça-feira, 16 de junho de 2009

Comentário aos critérios de classificação do Exame Nacional de Português

Agora sim, com os critérios de classificação, que entretanto já estão no sítio do Gave,vou comentar a prova que convidou os alunos a falar sobre a Liberdade.


O texto e perguntas são, efectivamente, acessíveis. Apenas uma ambiguidade no grupo I, para os alunos mais distraídos. Na pergunta 3, "Apresente dois dos traços caracterizadores de Beresford, ilustrando cada um deles com uma citação do texto", alguns alunos ficaram com dúvidas quanto ao número de exemplos a apresentar: 2 ou 4. No grupo II, apenas as ambiguidades dependentes da capacidade de interpretação do texto, mas sem as polémicas de outros anos.


Agora quanto aos critérios de classificação, creio que, este ano, eles se afiguram mais rigorosos e mais justos. Começando pela justiça, são propostos mais do que os três níveis de desempenho do ano passado, aspecto que muito dificultou a classificação de algumas perguntas em 2008. Quanto ao rigor, de uma maneira geral, é alto. O nível de desempenho mais elevado, aquele que dá direito à totalidade da cotação, é muito exigente. Por isso, alunos, cuidado com as vossas expectativas.


Queria ainda comentar o exercício B, do grupo I. Aqui a minha questão é a de sempre: a dificuldade em fazer um bom comentário, "com pertinência", "rigor" e com exemplos em apenas 8 a 12 linhas.

Último aspecto, na exercício de correspondência, este ano são só três patamares.


Bom... só me resta acrescentar que este exame daria para um excelente trabalho em Análise Crítica do Discurso que, para que não sabe, é a área da linguística que estuda a relação de poder subjacente ao discurso.
Agora, alunos, toca a estudar para os próximos exames.

Os resultados saem a 7 de Julho.
(Os alunos que faltaram talvez não tenham tanta sorte na segunda fase...)

Ana Soares

Critérios de correcção do Exame Nacional de Português

Para alunos, pais e outros interessados estarão em breve disponíveis, no sítio do GAVE, os critérios de correcção e classificação do Exame Nacional de Português 2009, código 639.
Também a App, Associação de Professores de Português, já comentou, positivamente, o referido exame.
Quanto a mim, não esperava que saísse Felizmente Há Luar!, o texto mais acessível do programa do 12º ano. Mas talvez tenha sido ingenuidade minha, dado que o ano passado, com Camões e um questionário que não era especialmente acessível, e questões de funcionamento da língua discutíveis, a disciplina de Português e respectivo exame obtiveram os piores resultados dos últimos 12 anos. Estou em crer que este ano o panorama será mais animador.
Pessoalmente, se já estava de consciência tranquila por ter dado o meu melhor ao longo do ano, fico agora também descansada ao confirmar que, como um aluno me dizia hoje de manhã, os meus testes e respectivas perguntas foram uma boa oportunidade de treino para aquilo que aconteceu hoje.Resta esperar pelos resultados, daqui a uns longos dias, e que os inevitáveis disparates não tenham sido muitos!
Ana Soares

Nem de propósito e ainda sobre as crianças...

"Mais três crianças morreram e ainda não chegámos ao Verão. Alguém sabe quantas crianças ficam em casa entregues aos cuidados dos irmãos menores enquanto os pais vão trabalhar?
Pois, pouco se sabe sobre os cuidados parentais prestados às crianças. A quem ficam entregues durante o dia, e a fazer o quê? Mas a razão porque todos os anos morrem crianças em incêndios domésticos é tão simples como isto. Estão em casa sozinhas. Não se pense que foi por uns breves instantes.
No Luxemburgo o abono de família é superior a 500 euros por mês. É certo que o custo de vida no Luxemburgo é bastante maior que em Portugal mas faz pensar que se trata de um país que protege os menores e lhes dá condições. O Estado tem uma responsabilidade.
Todo o dinheiro investido na primeira infância é bem gasto porque os três primeiros anos são os mais importantes. Dotar o país de creches do Estado é moroso e um pouco contra a corrente liberal actual, mas investir em serviços de amas e creches familiares talvez não fosse dinheiro mal empregue. Sendo assim, em todas os casos em que os pais não podem pagar um infantário ou creche o Estado devia prover esse serviço. O Estado podia igualmente começar por ter estatísticas sobre a situação das crianças menores de três anos. Onde estão, com quem estão e a fazer o quê.
Os cuidados parentais envolvem quatro tipos de acções parentais. Os cuidados primários dizem respeito à satisfação das necessidades da criança, assegurando o seu bem-estar, incluindo alimentação, limpeza e segurança. Quanto aos cuidados sociais, relações calorosas, afectuosas, sensíveis e adequadas ao momento e idade da criança têm uma influência positiva sobre o desenvolvimento social e intelectual da criança. Os cuidados didácticos implicam proporcionar oportunidades para as crianças observarem, imitarem e aprenderem, alertar e estimular os filhos. Finalmente existe a imposição de limites e regras e respeito pela autoridade. Situações em que as crianças ficam sistematicamente em casa ao cuidado umas das outras não cumprem aquilo que é básico."
António Pazo Pires, docente universitário ISPA / Psicoterapeuta

Javier Urra: os segredos que pais e filhos escondem

Enquanto espero pelas sugestões de correcção do exame de Português (pela APP) e pelos critérios de classificação (do GAVE), dou uma volta pelos jornais e aqui fica o convite para ler sobre os segredos que os pais e filhos escondem uns aos outros. Um trabalho da Bárbara, a propósito do último livro de Javier Urra, O que ocultam os filhos, o que escondem os pais. On-line só tenho acesso à primeira página do artigo que apresenta o original projecto. Li e gostei. Quando for à rua, vou comprar a versão em papel para ver a segunda página, segundo a Bárbara mais gira porque é uma infografia com os segredos dos pais e dos filhos, os principais erros e receitas!

Ana Soares

Exame Nacional de Português - 12º ano - 2009

Já está. O exame já acabou. Saiu Felizmente Há Luar! No novo modelo de exame, código 639, nunca tinha saído. Depois do ano anterior, com Os Lusíadas e umas perguntas muito enroladas, este é um exame que não parece ter criado muitas dificuldades aos alunos. No entanto, até ver os critérios de correcção do exame e as próprias respostas dos alunos, vou ter ainda alguns nervos. Depois avizinham-se longos dias de retiro a corrigir exames, com o terrível peso da responsabilidade que decorre do facto de saber que todas as décimas são importantes e podem afectar o futuro daqueles jovens anónimos de quem só conheci a letra.
Ana Soares

Exame Nacional de Português - 12º ano

Começou hoje a época de exames, com o exame de Português. Como este ano não sou coadjuvante, não estou "lá" dentro, no secretariado de exames. Por isso não sei o que saiu... Estou, como os pais e amigos, ansiosa. Desejo que o exame seja justo. Nem fácil, nem difícil. Simplesmente adequado ao programa e ao trabalho que realizámos.
Fui ver os meus alunos antes de entrarem. Últimos conselhos. Os mesmos de sempre: ler o enunciado até ao fim, não excluir alíneas nas escolhas múltiplas sem ler todas, não ter as habituais preocupações com o tempo, pois esse, hoje, comparado com os 90 minutos habituais, certamente que será suficiente. Eles estavam iguais a eles próprios. Uns nervosos. Outros nem por isso: "Nunca fico nervoso. Encaro isto com naturalidade. Além disso, os seus testes este ano foram com a estrutura do exame . Treinou-nos para isto.". Pois é... ainda assim, eu própria estou nervosa... Daqui a duas horas já todos saberemos o que saiu e conheceremos os critérios de correcção.
Até já.
Ana Soares

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Férias dos miúdos

Não me parece de bom tom comentar um artigo escrito por mim (e neste caso co-assinado pela Helena Melo), mas depois de ler os comentários quer noutros blogues, como na caixa de comentários do PÚBLICO on line, não resisto!
Há professores que acreditam que todas as notícias que digam respeito às crianças é para atribuir-lhes as culpas! Por isso, reagem de imediato: a culpa é dos pais! E lançam as farpas: não querem ir para a praia com os meninos, deixam-nos na creche para ir para a praia. E no nosso tempo é que era bom, tinhamos os avós, a terra e os carrinhos de rolamentos, pobres crianças as de hoje...
Eu também tinha quatro meses de férias e avós, férias na praia, depois no campo com vindimas e apanha da fruta à mistura, e no estrangeiro. Hoje não consigo oferecer o mesmo aos meus filhos - os avós trabalham, os que não o fazem têm outros netos para cuidar. Por isso, pai e mãe desdobram-se para poder oferecer 50 e poucos dias de férias com pais e o resto do tempo serão actividades, daquelas que propomos aos leitores do PÚBLICO.
E não há culpas a atribuir aos professores mas à sociedade, aos governos e aos patrões que não pensam nunca na renovação das gerações e do que é preciso para que estas cresçam fortes e saudáveis!
BW

Jogar faz mal à saúde física e mental!

Acontece nos EUA, mas também deve acontecer por cá: há quem fique lesionado por jogar muitas horas com a Wii. Dores musculares ou mesmo ossos deslocados podem ser o resultado de muitas horas a repetir os mesmos movimentos, frente ao écrã. Imaginem quando for com a Xbox360!
Não sei o que é melhor, se ficar lesionado física se mentalmente, como conta hoje o Diário de Notícias : um estudo com 11 adolescentes que jogam o Counter-Strike, um jogo de acção, online, com milhões de adeptos pelo mundo. O estudo vale o que vale com apenas 11 inquiridos... Mas a verdade é que eles confessam que têm dificuldade em gerir as frustrações quando perdem e admitem que ficam mais agressivos depois de jogarem. Há miúdos que estão mais de três horas aos tiros virtuais. O jogo já foi proibido no Brasil e na Alemanha também já se pensa na sua proibição.
BW

José Saramago num filme da animação

Não são recentes, nem o livro, nem o filme. Foi o próprio Saramago que trouxe A Maior Flor do Mundo de novo à blogosfera, no seu blogue.

E eu não resisto a falar-vos de ambos. Texto e imagens vivem de uma simplicidade que anda de mãos dadas com a profundidade, como é habitual no estilo de Saramago. Esta combinação, com um texto que é para crianças, talvez a partir dos 5 anos, é fantástica.
Não consegui colocar aqui uma versão em português, mas deixo o link (e, por favor, não deixem de clicar e ouvir ver o próprio Saramago, em plasticina, assim me parece, contar-vos esta história). Eu adorei. O meu filho também.
É, de facto, sublime. Texto, imagem e música criando verdadeiros momentos de magia.

Não escrevo mais nada. Por favor cliquem na versão portuguesa!

http://flocos.tv/curta/a-flor-mais-grande-do-mundo/

Para os que forem a fugir do clique, aqui fica uma outra versão.


Sugestão de Leitura sobre A Maior Flor do Mundo
Deixo ainda aqui o link para um estudo sobre o texto de Saramago, para os os potenciais interessados. É um artigo que surge no âmbito do projecto de investigação "Literacia crítica: o papel do texto na educação básica", desenvolvido no Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho.

Ana Soares

domingo, 14 de junho de 2009

Exames nacionais

A época de exames começa esta semana.
Muitos nervos para alunos, pais e professores.
Ora é também o nosso trabalho que aqui está em questão. E, para além disso, se, por um lado, o empenho e estudo dos alunos pode condicionar resultados, por outro, não é menos verdade que o grau de dificuldade e tipo de questões dos exames pode condicionar fortemente a prestação dos alunos.

Aqui fica o convite para visitar um blogue sobre estas duas semanas na vida dos estudantes: Nota Final.

Ana Soares

sábado, 13 de junho de 2009

Sítio dos Pais - trabalhos de casa

O sítio da DGIDC (mais uma sigla, é verdade...Esta quer dizer Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular), na secção subordinada à Língua Portuguesa, apresenta um espaço para os pais. Chama-se o sítio dos pais e apresenta pequenas ideias como a que aqui reproduzimos:

Quando fazem os trabalhos de casa, os filhos deveriam ouvir frases como estas:«Experimenta!»«Vamos experimentar.»«Tenta de novo»! «Vamos tentar.»«Já leste até ao fim?»«Vamos ler.».

Apesar de ser uma boa ideia, temos de reconhecer que este espaço não é especialmente claro nem apelativo do ponto de vista gráfico. Também não parece ser um sítio muito frequentado, pois na secção das dúvidas só existem perguntas para as letras A e P, mais exactamente uma para cada uma destas letras.

Ainda assim, vale a pena passar por lá e descobrir mais sítios interessantes por onde pais e filhos possam navegar juntos.

Ana Soares

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O cartão de cidadão

Quando era pequena, gostava de sair com a minha avó e ver toda a gente cumprimentá-la: "Como está, minha senhora?". A minha avó ía dia sim, dia não, ao cabeleireiro. A modista ía lá a casa todas as semanas. Às vezes, ía à mercearia, sentava-se, entregava a lista, esperava que a aviassem e levassem as compras a casa. Adorava pegar nos netos, ir de táxi ao Chiado, ao Jerónimo Martins (onde hoje é a Zara) e dar ordens. "É aquele vestido para esta menina, aqueles calções para o menino. E pode trazer mais duas saias iguais, para as mais pequenas, se faz favor". De repente, estavam mais de duas empregadas a atendê-la e todo o andar da roupa para criança num virote. A minha avó era uma "senhora dona" e era tratada com todas as mordomias.
Há dias, fui fazer o cartão de cidadão e lembrei-me da minha avó. "A sua morada, não sabe a sua morada?"; perguntava aos gritos a funcionária do registo a um velho, de fato de treino. "Vota na mesma freguesia?", falava abrindo muito as vogais, a um cabo-verdiano. "Então? Tem que olhar para a máquina, não pode baixar os olhos!", exasperava-se com uma mulher, natural de Angola. Chegou a minha vez, estava enervadissima com todos aqueles gritos. Não olhei para a objectiva, enganei-me a assinar, pressionei demasiado os indicadores contra a máquina. A funcionária foi compreensiva, sorriu-me, falou em voz baixa e voltamos a repetir todo o processo, só faltou tratar-me por "senhora dona". Em 30 anos, as coisas não mudaram assim tanto, pensei, lamentando que nem todos fossem tratados com o mesmo profissionalismo.


BW


PS: E eu não sou uma sombra da minha avó...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Avanços e recuos na vida de uma terminologia

História da Tlebs para os mais curiosos...
Publicada no dia 24 de Dezembro, a já referida prenda de Natal envenenada, a portaria n.º 1488/2004, fixou a nova terminologia linguística (TLEBS — Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário) destinada "a constituir referência para as práticas pedagógicas dos professores de Língua Portuguesa e de Português".
Um ano depois, uma nova portaria (n.º 1147/2005, de 8 de Novembro) reconheceu as dificuldades de implementação e de utilização plena dessa mesma terminologia, consequência, digo eu, da sua precipitada entrada em vigor. Por isso, a experiência pedagógica da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS), deveria ser adoptada, relativamente ao ensino básico, a partir do ano lectivo de 2005-2006.
No entanto, três anos depois, foi outra portaria, a portaria n.º 476/2007, de 18 de Abril, que determinou que, até Janeiro de 2009, a DGIDC devia proceder à revisão dos programas das disciplinas de Língua Portuguesa dos 5.º, 6.', 7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade e que os programas revistos e homologados entrariam em vigor no ano lectivo de 2010 / 2011. Assim vai acontecer! Estes programas foram mesmo homologados este ano e no próximo ano vão já ser "testados" num pequeno grupo de escolas. Depois, em 2010, todos os alunos do 1º ao 9º ano vão conhecer estes novos programas de Língua Portuguesa.


Ana Soares

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A nova gramática - da Tlebs ao DT

A Tlebs deu origem ao DT (Dicionário Terminológico), disponível na forma de plataforma on-line, de fácil e rápida consulta. Não é para os alunos. É um instrumento de consulta para docentes, e eventualmente pais e educadores interessados na matéria.
Esta é a nova bíblia da gramática (ou conhecimento explícito da língua, como agora é denominda esta área). É esta a nomenclatura dos novos programas de Língua Portuguesa que entram em vigor em 2010, para os alunos do 1º ao 9º ano. Quem já começou a aprender/ensinar de outra forma, terá, entretanto, de se adaptar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Informações sobre os exames nacionais

O sítio do Gave deve ser, por estes dias, dos mais visitados pelos alunos do 9º, 11º e 12º anos, ou seja, os alunos que vão fazer os exames nacionais a partir da próxima semana. É neste sítio onde, para além de se poderem consultar os exames de outros anos e respectivas soluções, se encontram ainda informações várias quanto, por exemplo, a datas, material autorizado, dicas e conselhos vários.

No intervalo do estudo, vale a pena passar por lá.

Camões e os Os Lusíadas para todos

A obra Os Lusíadas é, de facto, um marco incontornável não apenas da nossa história da literatura mas da nossa própria História, pelo que todos, dos graúdos aos mais pequenos, devem poder a ela aceder. Reconhecendo a dificuldade formal da obra, existem no mercado adaptações várias que se adequam a públicos de diferentes idades.

Para os mais pequenos, entre os 5 e os 8 anos, temos, por exemplo, a excelente e divertida adaptação de Alexandre Honrado, com ilustrações de Maria João Lopes, das edições Ambar. Estes "Os Lusíadas" para os mais pequenos introduzem os mais jovens nas maravilhosas aventuras do povo português aqui exaltadas:

"Camões, poeta: com um olho tapado e o seu maior poema na mão. Salvou-o das águas, quando naufragou (...). O seu maior poema chama-se "Os Lusíadas" - a história dos portugueses (...)".







Para os alunos do 3º ciclo, sugerimos Era uma Vez um Rei que Teve um Sonho: Os Lusíadas Contado às Crianças de Leonoreta Leitão, Dinalivro.



Este, parte do Plano Nacional de Leitura, e com um registo acessível, conta de forma mais sequencial os pricipais momentos da obra original.











Depois existe ainda a versão adaptada por João de Barros: Os Lusíadas Contados às Crianças e Lembrados ao Povo.


Esta é, geralmente, a adoptada pelas escolas para leitura extensiva no 8º ano. No entanto, deixamos esta versão como uma sugestão a todos aqueles que se queiram aproximar pela primeira vez da obra, pelo rigor, fidelidade ao original, mas, simultaneamente, simplicidade.


Na edição mais recente, surge com as fantásticas ilustrações de André Letria. Mais um motivo para querermos este livro nas nossas casas!




Para os professores ou apaixonados por literatura temos ainda a obra da professora Vitalina Leal de Matos, Tópicos para a Leitura de Os Lusíadas. No meu caso, uma boa maneira de relembrar os tempos da licenciatura e a cadeira de Introdução aos Estudos Literários da Faculdade de Letras.











Por último, e a pensar nos cibernautas, o texto está também disponível aqui.

Ana Soares

segunda-feira, 8 de junho de 2009

TLEBS

A gramática que os nossos alunos e filhos aprendem na escola.

Para professores, pais e educadores em geral, o termo TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) é quase sinónimo de tensão e discussão, desconhecendo, no entanto, a maior parte dos opinantes, que as terminologias não nasceram em 2004, momento a partir do qual se iniciaram longas querelas e debates, por entendidos e menos entendidos, acerca do assunto.

Já em 1967, a Portaria 22 664 de 28 Abril deu formalmente a conhecer uma terminologia que se apresentou como original e revolucionária. Também esta velha Tlebs suscitou discussão e várias versões , para além de um período experimental de adopção. Até aqui tudo semelhante ao que aconteceu com aTlebs de 2004. O que não terá, eventualmente, acontecido foi a mesma ter sido alvo de tantos avanços e recuos.

Mas relembremos outros pormenores deste nascimento conturbado e precoce. O processo de revisão curricular do Ensino Secundário teve início em 1997. Os novos programas deviam avançar em 2004/05, mas alguns programas foram homologados antes. Foi o caso do programas de Português. Nestes, anacronicamente (em 2001/02), a terminologia adoptada é a da Tlebs, que, todavia, só nasce três anos depois, em Dezembro de 2004, a 24 de Dezembro (portaria 1488/2004. de 24 de Dezembro), ao jeito de prenda de Natal para professores e alunos.

Também reconheço que a nomenclatura de 1967, revogada em 2004, deixara já de “constituir uma referência produtiva”. Escolas, professores e manuais orientavam-se por uma tradição quase anónima e pelos manuais, surgindo assim a inquestionável necessidade de uma revisão. O que não era preciso era um processo tão complicado, com tantos avanços e recuos, oscilações e dúvidas que lançaram as escolas, professores, alunos e editores numa confusão da qual, só agora, em 2009, todos começamos a sair.

Ana Soares