sexta-feira, 24 de junho de 2011

Eles conhecem a palavra "solidariedade"?

A reforma. "Antes, olhávamos para os mais velhos e compreendíamos que tinham trabalhado, que tinham o direito a reformarem-se, que o sistema que existe é solidário. Agora, olham para nós e chamam-nos um fardo para o sistema. Um velho fardo... A partir de amanhã sou um velho fardo", confessa com um sorriso o tal ex-director do ministério da educação dinamarquês.
A frase é toda dita com humor. Rimo-nos todos. Há quem atire: "Tem sorte em ser um fardo e não ser lixo!", "O que é que querem? Que cheguemos aos 67/70 anos e morramos?", diz outra voz. E as conversas paralelas surgem a partir daquela frase. O Estado quer que trabalhemos cada vez mais, quer penalizar-nos se não o fizermos e corta-nos a pensão... Pelos vistos, é assim um pouco por toda a Europa, digo, confirmando que o mesmo acontece em Portugal.
Até que ele, o director reformado, volta a tomar as rédeas à conversa. Os seus olhos azuis inquisidores perguntam-me: "Os teus filhos sabem o que é a solidariedade? Ouviram a palavra?" Aceno com a cabeça, mas não respondo. E ele volta a perguntar, desta vez, olhando outra pessoa nos olhos: "As tuas filhas sabem? Que idade têm as tuas filhas?". "Trinta. Elas sabem, mas são das poucas a saber na sua geração", responde a inquirida.
Eu fico a pensar. Os meus filhos conhecem a palavra "solidariedade", sabem-na por em prática em muitas circunstâncias, mas são solidários com as pensões, com os pensionistas? Não... Lamento, mas eu não tenho sabido dar o exemplo, critico em voz altas as pensões altissimas; as duas e três pensões que este e aquele recebem; as pensões que quem não descontou recebe; o facto de um dia eu não ter direito a pensão porque o que estou a descontar agora é para pagar todas essas reformas... Provavelmente, os meus filhos já olham para os velhos como um fardo. Arrependo-me e prometo a mim mesma: Tenho que mudar o discurso. Tenho que passar a argumentar que também os velhos descontaram, que alguns trabalharam uma vida inteira, que têm direito a ser recompensados, que temos que ser solidários para com todos.
BW

quinta-feira, 23 de junho de 2011

São onze e meia da noite e escureceu finalmente

Fogueiras, danças à volta das fogueiras, gente que canta e que se ri. É noite de São João? Pois é, aqui na Dinamarca também se festeja o São João, mas eles não sabem! Pelo menos, os que aqui estão, falam de tradições medievais, do tempo em que os sábios saíam, nesta que é a maior noite do ano, à procura de ervas medicinais que guardavam para usar durante o ano.
Do tempo em que se ardiam as bruxas (bonecas feitas de palha e vestidas) nas fogueiras.
Do tempo em que os Vickings acendiam enormes fogueiras para afastar os maus espíritos.
Ao longo dos canais de Copenhaga há fogueiras (bonfire) a arder, cheira a madeira queimada, há gente na rua, feliz, que canta e bebe.
É assim também na Noruega e na Suécia, confirmam dois nacionais desses países. Na Noruega, numa praia, acenderam a fogueira, preparada com antecedência, e a notícia abria o telejornal, a população estava desvastada e procurava, a todo o custo, construir nova fogueira para poder festejar, conta uma norueguesa.
Por toda a Espanha, festeja-se o São João, com fogueiras, gente acordada até tarde e sardinhas, revela uma espanhola.
No Porto e em Braga é igual, digo.
Porquê?, pergunta o sueco, espantadissimo com a coincidência. Bom, porque os cristãos se apropriaram das festas pagãs, na verdade, estamos todos a festejar aquilo a que os dinamarqueses chamam "midsummer", o solstício do verão, as noites mais curtas do ano, que vão de 21 a 24 de Junho, digo eu, cheia de certezas! Às dez da noite estava aquele lusco-fusco que temos por volta das oito; às 23h30, finalmente escureceu.
BW

Nada mudou na Educação?

Foi director no ministério da educação dinamarquês até esta semana. Os colegas juntaram-se e fizeram-lhe uma pequena homenagem. Já o sabia, por isso, pensou que, em vez de fazer um discurso a lembrar as dezenas de anos que passou no ministério, faria um a pensar no futuro, nos desafios que se colocam para os próximos anos.
E foi o que fez: pegou no último programa governamental, sublinhou algumas partes e debitou-as perante o gabinete que se reunira à sua volta.
Todos reconheceram aquelas palavras - educação para todos, todos no ensino secundário, combate ao abandono e ao insucesso escolar -, até que ele mostrou o documento de onde lia todas aquelas frases feitas. Tinha 20 anos. Acabara de pregar uma partida ao seu staff, constituído maioritariamente por gente jovem.
"As palavras são as mesmas, continuamos a lutar pelo mesmo", diz, misturando o seu sentido de humor com alguma angústia.
BW

Novas Oportunidades em Espanha

Uma responsável do departamento de educação ao longo da vida do ministério da educação espanhol diz-me que estão a copiar o nosso modelo de reconhecimento e validação de competências. "A copiar", sublinha ela, "até o nome: Novas Oportunidades". Eu argumento que tem havido muitas queixas, que os partidos da oposição (agora no poder) têm criticado muito o programa, que - quem sabe - pode não continuar, pelo menos, nos moldes em que está... "Uma pena, porque é um modelo inovador, diferente dos dos nórdicos e que se adequa muito aos nossos adultos".
BW

Olhar as estrelas em Constância

Aqui fica uma sugestão para um passeio em família. Perto de Constância, existe um parque de astronomia que faz as delícias dos mais pequenos. Os equipamentos são muito interessantes. Destaco a qualidade das visitas guiadas. Os monitores que as acompanham visitas conhecem bem os programas escolares, sabem em que ano os miúdos aprendem que conteúdos e conseguem adequar as sessões ao seu público. Nós fomos os 4. Pagámos 9 euros pelo bilhete familiar e valeu bem a pena.

Ficou a promessa de voltarmos no fim-de-semana sem chuva para fazermos a observação nocturna das estrelas!

A pouco mais de uma hora de Lisboa, esta é a oportunidade para conhecer Constância, onde se diz que Camões esteve preso, ver outras paisagens, visitar este importante equipamento e olhar as estrelas.

Fica o convite.

Ana Soares

quarta-feira, 22 de junho de 2011

World's Strictest Parents

Não conhecia, estou a ver agora. É uma espécie de reality show onde as famílias recebem adolescentes cujos pais não sabem o que fazer com eles. Porque há pais que não sabem lidar com as dificuldades de ter um filho adolescente que tem a certeza que sabe tudo, que tem sempre razão, que está convencido que é o melhor do universo e que, por isso, faz imensos disparates... Há dias, li num jornal qualquer coisa sobre pais que queriam entregar os filhos ao Estado porque já não sabem o que fazer com eles... Aqui, nesta série, há famílias que recebem adolescentes e tentam educá-los. Até agora, está a resultar, pelo menos neste caso, não sei como é quando desligam a camara, quando os miúdos regressam a casa... É lixo televisivo? É. Mas é interessante!
BW

Por terras da Dinamarca...

Em Copenhaga, já calcorreei a cidade quase toda, de uma ponta à outra. Já vi a pequena sereia e imensos elefantes asiáticos pintados, como aquelas vacas que andaram por Lisboa, recordam-se? Também vi pessoas a pedir, o que nao é nada comum por estas bandas, dizem-me. Assusta-me ver gente a pedir na Dinamarca, penso "o que será de nós, que já antes da crise tinhamos muitos pedintes..."
Aprendi que "qualquer aluno tem todas as capacidades para aprender, nem sempre os professores estao disponíveis, têm capacidade para o ensinar" Ui!
Também fiquei a saber que os pais têm muita influência nas escolas, sao eles que "zelam" (nao encontro uma palavra melhor) por que tudo corra bem, sao mais empenhados do que os nossos pais. É uma cultura diferente, podemos sempre argumentar...
BW
(O teclado é diferente e nao consigo fazer "c" cedilhados, nem o "til")

Um bom professor

"Um bom professor, tal como uma boa escola, é aquele que consegue contrariar o determinismo sociológico do estatuto socioeconómico familiar pela qualidade do seu ensino, pela forma como potencia as aprendizagens, pelas expectativas que consegue criar e pelas capacidades que consegue desenvolver nos alunos. Por isso dá tanto trabalho ser professor!"


David Justino, Difícil é Educá-los, p. 92

terça-feira, 21 de junho de 2011

Hoje continuaram os exames...

Biologia e Geologia - cód. 702

Matemática Aplicada às Ciências Sociais - cód. 835

História B - cód.723

História da Cultura e das Artes - cód.724

As referidas provas e respectivos critérios de classificação podem ser consultados aqui.

Quanto ao primeiro desta lista, Biologia e Geologia, o Público noticia o seguinte:
Mais geologia e menos biologia do que o esperado, mas o exame não era difícil. As colegas da disciplina corroboram.

Exame nacional 2011

Basta escrever as duas palavras do título para nos cairem no blogue milhares de visitantes e quando digo milhares, são mesmo! Ontem, foram 10 mil visitas (nada a que não estejamos habituadas... Mentira! Nunca recebemos tantas visitas num dia). Temos que agradecer às palavrinhas mágicas, aos motores de busca que mandam os estudantes para o nosso blogue, ao Ministério da Educação por fazer exames e ao GAVE por bloquear em dia que os alunos querem mesmo saber, desesperadinhos, se responderam correctamente nas provas... O azar (ou incompetência) do GAVE - com outros serviços acontece a mesma coisa, que o digam os professores quando querem aceder aos concursos; que o digam os contribuintes quando querem declarar o IRS - foi o sucesso das nossas estatísticas.
Amanhã, vamos escrever "Exame nacional de Matemática" e não escrevemos nada em texto, a ver o que acontece! (Vão insultar-nos, os meninos, é o que vai suceder!)
BW

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Exame Nacional de Português - 12º - 2011

Depois da Língua Portuguesa, seguiu-se o Português. O primeiro exame, hoje de manhã, foi o o 9º ano. Agora, de tarde, foi a vez da disciplina de língua materna do secundário que, de acordo com o programa, assume a designação de Português.

Os alunos, como sempre, tentavam fazer futurologia: Será Caeiro que vai sair? Este nunca saiu. Outro aluno dizia: Parece que há um padrão e que de dois em dois anos temos Memorial e Camões. Enfim. Na hora da prova, lá se desvendou o mistério: Grupo I, um poema de Campos para interpretação; exercício B, 80 a 130 palavras sobre Reis e a sua perspectiva da passagem do tempo; Grupo III, a produção de um texto argumentativo sobre a importância da leitura (tema também proposto no exame do 9º ano, de manhã).
O grupo II não foi uma surpresa. Muito funcionamento da língua velado e alguns alunos a reclamar que, apesar dos professores os terem preparado para tal, continuam a achar que há muito estudo que não é aqui avaliado explicitamente.
Este ano, para além das habituais escolhas múltiplas - que oscilaram entre as fáceis e outras discutíveis - (e em vez do habitual quadro de correspondência), estreou-se outro tipo de questão fechada. Três alíneas, a valer 5 pontos cada, duas acessíveis, a terceira aposto que muitos alunos vão errar...

Ana Soares

Exame Nacional de Língua Portuguesa 9º ano 2011

A época de exames teve início com o exame de 9º ano de Língua Portuguesa.
A estrutura repetiu-se, o grau de dificuldade correspondeu ao que já vem sendo um hábito. Os textos escolhidos pareceram-me adequados. Numa primeira leitura da prova, não me pareceu que a mesma fosse difícil. Com atenção, estaria ao alcance dos alunos.
Quanto aos critérios de classificação (que podem tornar um exame fácil em difícil), teremos de esperar por mais logo. Os mesmos irão aparecer aqui.
Para os mais ansiosos, aqui ficam já as soluções do grupo I
exerc. 1
a - 1; b - 4; c - 6; d - 5; e - 3
exerc. 2
2.1. - c; 2.2. - b; 2.3. - d; 2.4 - b

Estudar para os exames

Porque é que as esplanadas estão cheias de miúdos?

domingo, 19 de junho de 2011

Calendário dos exames nacionais

Pode consultar aqui o calendário dos exames nacionais do secundário da 1ª e da  2ª época.
Amanhã começa a 1ª época com os exames de Latim e Português.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nuno Crato é o novo ministro da Educação

Professor universitário, presidente do Taguspark, cronista do Expresso, ex-presidente da Sociedade Portuguesa da Matemática, conhecido pelas suas posições a favor dos exames no final de cada ciclo, contra o facilitismo dos mesmos, a favor da avaliação dos professores... Nuno Crato é o ministro que acumula as pastas da Educação, Ensino Superior e Ciência.
Adeus aos dois ministérios, aos dois ministros, aos três secretários de Estado! Olá a um único ministério que congrega todo o ensino. Resta saber quantos e, sobretudo, quem são os secretários de Estado.
BW

Porque é que os nossos filhos se tornam tiranos?

A resposta simples é: porque nós deixamos! Porque achamos graça a tudo o que fazem, porque nos sentimos perdidos quando eles ficam furiosos e nos perguntamos o que é que fizemos mal? Porque temos medo de perder o amor deles.
Dizia-me uma educadora de infância: "Os pais fazem figuras incríveis. São inseguros e revelam as suas inseguranças à frente dos miúdos. Fazem-lhes todas as vontades com medo de os contrariar e os miúdos são uns tiranos!"
Estremeci. Dentro da minha mala tinha um exemplar do Porque é que os nossos filhos se tornam tiranos?, do alemão Michael Winterhoff, da editora Lua de Papel. O pedopsiquiatra escreveu este pequeno livro em 2008, e vem na linha do Pequeno Ditador do Urra, da Esfera dos Livros ou o Educar os Filhos de Naouri... e de outros psicólogos, pediatras e afins que descobriram agora que andámos a fazer tudo mal desde o Maio de 1968! É muita geração estragada! São muitos milhares de tiranetes que andaram a ser (mal)criados!
Winterhoff cita uma mãe que tem um filho com problemas (défice de atenção e problemas de comportamento) na escola, esta atribui as culpas aos professores e à escola que não se adaptou ao filho. O especialista cita uma professora que diz que a segunda-feira é o pior dia da semana, os alunos vêm de um fim-de-semana sentados à frente da televisão, a deitarem-se tarde, a fazerem tudo o que querem e quando chegam à sala de aula estão completamente avariados (isto é uma interpretação minha, completamente livre, a professora não diz avariados, nem desaustinados, diz "inaptos").
Winterhoff recorda que, nos últimos anos, falar em dar uma palmada já não é tão mal visto como antigamente e sublinha um aspecto muito importante: o educar para viver em sociedade.
Mas a culpa não é só dos pais que educam para a individualidade, diz o alemão. A culpa é do modo como as creches, jardins de infância e escolas de 1.º ciclo estão estruturadas. Também estas olham para as crianças como seres que devem desenvolver a sua imaginação, o seu ser individual, em vez de lhes mostrar "o caminho rumo a uma existência integrada na sociedade".
E nada de "crianças ao poder", Winterhoff ridiculariza os parlamentos das crianças e coisas semelhantes onde se dá um destaque que considera desnecessário porque lhes falta maturidade psiquíca. No final do livro diz: "Tem de se pôr fim ao forçado papel de pequenos adultos, que com grande naturalidade colocamos ao nosso lado em pé de igualdade em todos os planos da vida."
Em suma: Winterhoff identifica o problema - hoje muitos deles são pequenos tiranos, ditadorzinhos; os pais andam completamente baralhados e olham para os miúdos como pequenos deuses, apoiam-se neles e eles são demasiado pequenos para todos os papéis que lhes são exigidos -, e aponta uma solução: conhecer a maturidade psiquica da criança e tratar as crianças como crianças e não como pequenos adultos.
Enfim, Winterhoff é alemão e a maioria dos alemães não consegue ver as gradações de cinzento que há entre o preto e o branco, é gente demasiado prática. Sim, é verdade, vivemos em sociedade e devemos encaminhar a educação dos nossos filhos para que se integrem na grande roda, mas estes devem continuar a ser seres únicos e irrepetíveis, imaginativos, criativos, inteligentes e, acima de tudo, amados.
BW

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Piquinas e médias empresas"

Na turma dela brincam às famílias. A é primo de B, que é cunhado de C, que é padrinho de D, que é filho de E... E brincam às empresas.
Ao jantar, ela, que é vice-presidente da empresa imaginárias, está a queixar-se que o presidente não faz nada, depois começa a desfiar o organigrama da empresa: A é gestora de produto, B é designer, C é directora de marketing, D é jurista...
E o pai interrompe para perguntar: "Mas isso é algum trabalho? De que disciplina?".
Olhamos uns para os outros, o pai não ouviu quando ela disse "brincamos às empresas"?
O irmão interrompe o silêncio para exclamar: "Não pai, é mesmo a sério, elas têm mesmo uma empresa! Foram os drs. Passos Coelhos e Paulo Portas que foram lá ao colégio e lhes disseram para fazerem uma pequena e média empresa! Portugal precisa, criem uma pequena e média empresa!... E elas criaram! Um sucesso!"
Dei uma, não, várias gargalhadas e o pai suspirou: "Pronto, lá vai a mãe fazer um post..."
BW

José Saramago, um ano depois da sua morte

O CEJ, os magistrados, o sindicato...

Copiaram alguns dos futuros juízes deste país. Foram-lhes anulados os testes? Não! O castigo foi ter dez valores, numa escala de zero a vinte. É um castigo justo diz o CEJ. Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, diz que estas pessoas não serão magistrados honestos, que lhes falta legitimidade moral para julgarem outros cidadãos. Marinho Pinto diz que os testes deviam ser anulados. Já o representante do sindicato dos juízes também concorda com a anulação do teste mas diz que esta situação não deve por em causa o CEJ.
De facto, esta situação - a do copianço - não deve por em causa o CEJ mas a decisão que o CEJ tomou de atribuir dez aos que eles pensam que copiaram já me parece que põe em causa a instituição e que as descredibiliza.
E amanhã, ou hoje mesmo, teremos alunos do básico, do secundário, do superior a dizer: "Ih... Ó setor não acredito que me vai anular o teste... Faça como os ilustríssimos senhores juízes do CEJ, seja justo comigo setor..."
BW

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Como não lhes tramar a vida

O título do post é o nome do livro de Oliver James, pedopsicólogo britânico, e é vocacionado para as mães de classe média. Os pais não lêem, quem lhe dera a ele que lessem!, confessa. E as mães de classe baixa têm onde gastar melhor o seu pouco dinheiro do que em livros sobre pedagogia.
Como não lhes tramar a vida, publicado pela Civilização Editora, é para as mães que estão agora grávidas ou que têm bebés recém-nascidos e para quem os tem menor de três anos.
Oliver James define o que são as mães protectoras, as organizadoras e as flexíveis. Reflecte sobre a maternidade britânica onde a maioria das mulheres fica em casa, a cuidar dos filhos, ou contratam amas ou enfermeiras para lhes darem um apoio e umas luzes sobre como cuidar dos filhos; onde as creches têm pouca qualidade e se dá pouca importância aos primeiros anos - James recorda que as creches foi um dos grandes investimentos de Blair mas que o filho mais novo do primeiro-ministro nunca frequentou uma...
Apesar de reflectir bastante sobre a sociedade britânica, vivemos num mundo globalizado e conseguimos rever-nos em pelo menos um dos tipos de mãe que James identifica, senão em todos!
Gostei sobretudo do poema de Philip Larkin, This be the verse, citado logo na primeira página.

Seja este o poema

Tramam-te a vida, a mamã e o papá.
Ainda que a sua intenção não fosse má.
Passam-te todas as falhas que havia em si
E juntam-lhes mais algumas, só para ti.

Mas também foram tramados, os teus pais,
Por idiotas de cartola e jaquetão,
Que ora se mostravam tesos e sentimentais
Ora se abocanhavam no pescoço, como um cão.

E desta forma se perpetua a infelicidade
Como a costa mar adentro, até ao fundo.
Assim que possas foge a toda a velocidade,
E não te lembres de trazer filhos a este mundo.


BW