terça-feira, 30 de junho de 2009

walkman versus mp3

30 anos de walkman.


Estranho objecto, dirão os nossos filhos e alunos.





Esta geração, a geração mp3, mp4, mp5, nem acredita que houve tempos em que nos tinhamos de levantar do sofá para mudar de canal, em que os canais eram só 2 e a preto e branco.

Pina Bausch 1940-2009

Morreu a coreógrafa Pina Bausch. Hoje.
Visite a fotogaleria. Relembre imagens.

Alargamento da escolaridade obrigatória e universalidade do pré-escolar

O alargamento da escolaridade obrigatória e universalidade do pré-escolar aos cinco anos é hoje votada na especialidade na comissão de Educação do Parlamento.
Algumas das questões em debate são as que aqui enunciamos, conforme notícia do Público.
O "dever" dos pais de "proceder à inscrição dos seus educandos em jardins-de-infância e o de assegurar a respectiva frequência", segundo a proposta de alteração dos socialistas, deveria ser substituido por "o direito" de proceder à inscrição. Não faz, naturalmente existir esse dever quando a rede pública ainda não cobre os 100% dos alunos.
O BE, por seu lado, propõe a universalidade do pré-escolar para todas as crianças, mas a partir dos quatro anos de idade, e que seja dada prioridade às de três anos oriundas de ambientes sociais desfavorecidos. Enfim... existissem condições para que assim fosse e talvez até a taxa de natalidade fosse superior...Defende ainda o "direito à educação familiar" até ao ingresso no ensino básico.
José Paulo de Carvalho, antigo deputado do CDS-PP, pretende que a escolaridade obrigatória cesse "[...] no final do ano escolar em que o alunos perfaça 18 anos" e não "no momento do ano escolar em que o aluno perfaça 18 anos", como propõe o Governo. O diploma proposto pelo Governo torna obrigatória a frequência de ensino ou de formação até aos 18 anos de idade, mesmo para os jovens que se encontrem inseridos no mercado de emprego.

A nova terminologia em papel

A nova terminologia não é tão nova como se poderia pensar, não o é nas faculdades nem para os linguístas. Nova é a sua aplicação aos Ensinos Básico e Secundário (se bem que neste último ciclo ela já esteja em vigor desde 2001).


Para formar professores, esclarecer dúvidas, para depois se criarem materiais de apoio e proporcionar os instrumentos necessários à prática diária na sala de aula, Isabel Casanova, Professora Associada da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, ex-docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, editou, então, uma obra incontornável: Dicionário Terminológico - Compreender a Tlebs. Esta visa enriquecer em explicações e exemplos o Dt disponível em linha no sítio da DGIDC, ferramenta de trabalho essencial de todos os docentes e que ganhará destaque com os novos Programas de Língua Portuguesa do Ensino Básico.

Ana Soares

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O estado da educação

Quando mudámos de casa, contratámos uma empresa de mudanças. Quando chegou a hora de desmontar o quarto do miúdo (na altura era só um), a cama de grades suscitou uma conversa com o indivíduo que a desmontava. Perguntou que idade tinha o bebé, eu lá respondi.
Ele disse que também tinha uma filha. Lá. Longe. Ele era do Leste. Não me lembro de onde. Mas lembro-me do que me respondeu quando eu, ingenuamente, num jeito interrogativo, lhe dizia que, então, qualquer dia, ela viria cá ter com ele. Respondeu-me prontamente que não. Que a nossa escola era fraca. Que não amava as artes e não primava pelo rigor. Que não percebia como é que um dia sem aulas ou um furo eram motivo de alegria. Que lá, no seu país, o regresso às aulas, esse, sim, era o motivo de alegria dos estudantes e famílias. Não queria, portanto, que ela estudasse cá, em Portugal.
Não disse que era professora. E a conversa acabou por tomar outro rumo, de que já não me recordo. Fiquei só com esta ideia, triste, do quanto alguns de nós tentamos dar e de, como, ainda assim, pouco conseguimos fazer.
Esta conversa foi há 4 anos. Lembrei-me dela pois recentemente, na TSF, no programa Pano para Mangas, João Gobern deu conta de uma tese de mestrado sobre os alunos do leste nas nossas escolas. Falou do exemplo que vem do frio. Fez um retrato. Positivo, claro. Pouco mudou. Ainda há muito por fazer.

Ana Soares

domingo, 28 de junho de 2009

Avaliação de Desempenho dos Professores: Ficha de Avaliação e FAQ

Para os curiosos que não conhecem bem o actual sistema de avaliação de desempenho dos docentes, aqui fica o link para a ficha de auto-avaliação que os docentes preenchem.
Para os professores, deixamos ainda o link para o sítio de Perguntas e Respostas do ME acerca desta mesma avaliação. Um sítio que pretende ser de esclarecimento. Está organizado por temas (grupos disciplinares, professor titular, quotas, departamentos, dispensa de avaliação, etc) e apresenta várias questões sobre os mesmos.
Ana Soares

É impossível que todos gostem de nós

Wayne W. Dyer, psicólogo norte-americano, dos EUA, (o Canadá também fica na América do Norte e, como dizia um computador infantil dos meus filhos, "a América do Norte fica a Norte da América do Sul"), diz que metade das pessoas com quem nos cruzamos não estará de acordo com as nossas opiniões. E que, quando isso nos acontece, é simples, estamos perante alguém que faz parte desses 50 por cento!

É um facto! Não somos populares, simpáticos, inteligentes, etc, aos olhos de todos, mas só de alguns. Por isso é importante relativizarmos as opiniões dos outros, em nome da nossa autoestima, felicidade e sanidade mental. Também seremos infelizes se procurarmos gostar e estar de acordo com toda a gente. Portanto, o melhor meio de encontrar um equilíbrio saudável é: rodearmo-nos de quem gosta de nós!

Obrigada amigos!

BW

sábado, 27 de junho de 2009

Os Erros dos Exames...

Depois da Biologia Geologia, da Física e Química A e da História chegou a vez da Geografia. São estes os quatro exames nacionais que suscitaram dúvidas, onde se apresentaram imprecisões (ou mesmo erros, conforme os pontos de vista). É verdade que o erro pode acontecer a qualquer professor, a qualquer bom professor. Mas em condições normais de avaliação, este erro tem remédio.
O que não pode acontecer é haver erros, ambiguidades ou lapsos num exame ou nos critérios de correcção que têm um ano inteiro para serem pensados e preparados e revistos! As equipas, sim equipas, pois não é certamente um só indivíduo que faz o exame, podiam resolvê-lo para aferir se as questões são adequadas ao tempo, à extensão - estou a pensar no grupo IB do exame nacional de Português -, se as perguntas são claras, sem enquadradores que condicionem as respostas dos alunos, se são adequadas aos programas e se não têm erros! Um faz, o outro lê e corrige. Esta é prática corrente nas escolas, entre colegas. Não poderá ser assim também com os exames de forma a evitar esta triste situação de estarmos a discutir ambiguidades, imprecisões ou erros dos exames nacionais?

Ana Soares

Avaliação do Desempenho - quem falou em quotas?

Na sequência do estudo da Deloitte, de que já aqui falei, a Ministra da Educação afirmou que afinal as quotas são uma medida transitória! Já podia ter dito, senhora ministra!
Deste modo o principal aspecto diferenciador do nosso pretenso modelo de avaliação do desempenho dos docentes dos de outros países tem os dias contados, pois, de acordo com o também confirmado pelo gabinete de comunicação do ME ao Público, esta medida só vigorará "numa primeira fase em que o processo está em fase de implementação e ainda não existe uma cultura de avaliação consolidada que permita uma correcta diferenciação das classificações".

Ana Soares

Ainda o Magalhães como exemplo a seguir por Obama

O que o especialista em tecnologia canadiano Don Tapscott não viu quando andou pelas escolas portuguesas é o uso comum que os miúdos dão ao Magalhães: jogar! Mas já adivinho os outros especialistas virem a público louvar os benefícios do jogo no computador, a destreza dos dedos e dos olhos, o desenvolvimento de uma qualquer inteligência e que este é o primeiro passo para fazer outras coisas maravilhosas! Não ponho nada disso em causa. Eu gosto do Magalhães e até queria um para as crianças lá de casa. Gosto sobretudo pela ideia de igualdade que transmite: todos têm acesso a uma ferramenta tecnológica. Claro que em algumas mãos funciona como o ditado das nozes e dos dentes... Mas também acontece como com aquele menino alentejano, em cuja casa nunca tinha entrado um computador e que a família se reunia em torno do mesmo, à noite, a explorar a Internet, a jogar e a filmar as cenas familiares, como já escrevi no PÚBLICO. O que parece que Tapscott não compreendeu é que a relação professor/aluno não mudou, apenas está adaptada ao novo meio. O professor continua a ser o rei da sala de aula e ainda bem!
BW

Novos programas de Língua Portuguesa - Formação e implementação

Os Novos Programas de Língua Portuguesa do Ensino Básico chegaram para ficar. Neste novo ano lectivo vão ser já implementados em algumas escolas, pelo que está aberto concurso para que escolas do 2º e 3º ciclos do ensino básico se possam propor para receber formação e apoio ao longo do ano lectivo 2009/2010.
Em 2010 está previsto que os novos programas entrem em vigor, então de uma maneira generalizada, em todos os anos. Os manuais estarão já a ser feitos atendendo a estas alterações e esta formação pretende começar a preparar docentes e escolas.
Ana Soares

Nota Final na Antena 1

A ideia partiu do jornalista do PÚBLICO Ricardo Garcia: fazer um blogue de alunos que realizassem os exames nacionais este ano. Foi concretizada pela filha, Marta Garcia, aluna que estava nessa situação e que lançou o blogue, com uma ajudinha da Bárbara Wong, que reuniu os ditos alunos, procurando a diversidade regional. Eles são de Barcelos (maioritariamente, pela mão da professora de Português Fátima Gomes), de Braga, de Coimbra e de Lisboa. São cerca de uma dezena, mas só seis puderam responder ao convite de João Gobern e Pedro Rolo Duarte para participar no programa Hotel Babilónia, da Antena 1. A ouvir hoje, das 10h00 às 12h00, na rádio. A escrita deles pode ser lida no Nota Final.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Orquestra Geração na Gulbenkian

Eles estão de férias e esta pode ser uma boa maneira de terminar uma tarde de um dia de semana! É na quarta-feira, no anfiteatro ao ar livre, na Gulbenkian, em Lisboa.
Se a saída vale só pelo sítio, o programa também é aliciante! Assistir a um concerto executado por miúdos, mais ou menos das suas idades, a tocar que nem gente grande.
A particularidade das Orquestras Geração é que são constituídas por rapazes e raparigas oriundos de bairros sociais. O projecto é da Escola de Música do Conservatório Nacional, de Lisboa e é inspirado no modelo do Programa das Orquestras Sinfónicas Infantis e Juvenis da Venezuela, de que a Orquestra Simón Bolívar é o expoente máximo - esta esteve em Lisboa há pouco tempo.
A orquestra inicial, criada em 2007 no âmbito de um projecto social no Casal da Boba, na Amadora, tem vindo a integrar novos agrupamentos. Em Vialonga, Vila Franca de Xira, e no Bairro da Mira, Amadora, estão em formação mais duas orquestras, abrangendo mais de 190 crianças. É este conjunto de jovens que se apresenta agora a público.
O objectivo é que as crianças aprendam a expressar-se através da música e a desenvolver a auto-confiança e o conhecimento necessários a um crescimento equilibrado, esperançoso, afastado da exclusão e da marginalidade.
Se puderem, não percam!

As férias do próximo ano

As aulas começam entre 10 e 15 de Setembro em todas as escolas do ensino básico e secundário.
E as férias do Natal decorrerão entre 19 de Dezembro e três de Janeiro.
A interrupção do Carnaval ocorre nos dias 15 e 17 de Fevereiro e as férias da Páscoa serão entre 27 de Março e 11 de Abril.
O final do ano é a partir de oito de Junho para os 9.º, 11.º e 12.º anos, por serem anos sujeitos a exames nacionais. Para os restantes anos de escolaridade o ano lectivo acaba a partir de 18 de Junho.

No pré-escolar as interrupções estão previstas por um período de cinco dias úteis, seguidos ou interpolados, entre os dias 21 de Dezembro e 1 de Janeiro, e entre 29 de Março e 5 de Abril. Haverá, também, um período de interrupção das actividades educativas entre os dias 15 e 17 de Fevereiro, tal como no básico e no secundario.

Avaliação do Desempenho - teimosamente sós

A reconhecida consultora Delloite elaborou, a pedido do Minstério da Educação, um estudo sobre o processo de implementação do Modelo de Avaliação de Desempenho dos Educadores e Professores onde compara o processo de avaliação dos docentes em Portugal, França, Inglaterra, Holanda e Polónia.
Neste estudo , quando comparados os processos de avaliação dos professores destes cinco países constatam-se várias afinidades (por exemplo, a adopção de objectivos e de competências científico-pedagógicas como componentes dessa mesma avaliação) e algumas diferenças (em França, por exemplo, o processo de avaliação é externo à escola e não é obrigatório). E se por um lado em todos os países a avaliação tem consequências na progressão na carreira, Portugal destaca-se pelo facto de ser o único que apresenta quotas. Serão precisas mais palavras?
Ana Soares

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Estatuto da Carreira Docente - ninguém cede

Depois da Ministra da Educação ter anunciado que o modelo de avaliação (embora, talvez, na sua versão simplificada) se vai manter, o Ministério reitera que não abdica da divisão da carreira em duas categorias e os sindicatos também não abdicam da abolição da referida divisão. Esta tem sido das questões mais contestadas pelos docentes e vários sindicatos. Este é um cavalo de batalha do Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues. Uma guerra que parece estar longe do fim. Leia aqui a notícia do Público sobre o tema.
Ana Soares

Obama: Quer resolver os problemas das escolas? Olhe para Portugal!

Note to President Obama: Want to Fix Schools? Look to Portugal!
Na sequência do post anterior, é curioso verificar que Don Tapscott, especialista canadiano em tecnologia, aponta Portugal como um exemplo a seguir na educação, elogiando, num artigo de opinião publicado no blogue Huffington Post - onde já escreveu Barack Obama - , o investimento em computadores individuais nas salas de aulas em Portugal. Logo no título, Tapscott dirige-se directamente ao presidente dos EUA: "Quer resolver os problemas das escolas? Olhe para Portugal!" ("Note to President Obama: Want to Fix the Schools? Look to Portugal!"). Um exemplo, é verdade. Desejamos um uso prudente destas novidades.

Ana Soares

Novas tecnologias nas salas de aula

A propósito do meu trabalho na área da análise do discurso, defendi recentemente que a matriz discursiva da sala de aula, a médio ou mesmo curto prazo, vai sofrer alterações decorrentes das novas fontes de influência do Discurso da Escola e da Sala de Aula. Sejam as escolas virtuais para quem as pode pagar, seja o moodle, sejam os Magalhães, o facto é que, em breve, as salas de aula mudarão.
Concordo com a mudança? É evidente que estes indicadores são sinal de desenvolvimento. Mas preocupa-me o uso que possa ser dado ao computador nos primeiros anos do ensino básico. Nesta fase, é para mim muito claro que o que os miúdos precisam é do lápis, da prensão do mesmo; da memória, e respectivo treino; do cálculo e da sua rotinização. Da minha experiência com docentes deste ciclo retive que os mesmos rapidamente se entusiasmam com a possibilidade de trabalhar com "novas" e "criativas" ferramentas na sala de aula. No entanto, é um risco se o papel que se lhes der for igual ou, pior ainda, superior ao que o treino de outras competências básicas deve assumir. Os programas não o fazem, mas sabemos que as práticas nem sempre são 100% fiéis aos princípios do programas... Não queremos daqui a 10 ou 20 anos ter alunos que não sabem escrever sem corrector ortográfico, que não sabem consultar um dicionário, que não vivem sem o excell para fazer cálculos. Por isso, é preciso ser prudente.

Mais para a frente, noutros anos escolares, depois de consolidadas as competências a que já me referi, lido bem com todas essas coisas na sala de aula e até com a sua regular utilização. Estamos, naturalmente, a falar de ferramentas essenciais nos tempos que correm. E a escola deve também desenvolvê-las.
Ana Soares

Animais com roupa?

Os animais não se podem vestir, Judy Barrett e Ron Barrett, Sá da Costa Editora



Ora imaginem lá as razões mais plausíveis para justificar o facto dos animais não poderem usar roupa.



Pois é, é um exercício difícil! E é este exercício que temos vontade de continuar a fazer depois de explorados os motivos pelos quais os 14 animais apresentados no livro o não devem fazer.

Um livro para ser lido com os mais pequenos, pela simplicidade do texto e ilustração, e com os que estão a fazer a iniciação à escrita e à leitura, pelo divertimento.

Foi por acaso que encontrei este livro. Mas foi, sem dúvida, um feliz acaso.

Ana Soares

À procura do ó-ó perdido


"Um bebé adormece no pequeno jardim. Durante o sono, um passarinho apodera-se do seu ó-ó branco e macio e leva-o para longe no céu. Quando acorda, o bebé não fica nada contente. Propõem-lhe outros ó-ós, mas um ó-ó não se substitui. Com a ajuda do ar, da água, do fogo e do contador de histórias, o bebé, depois de várias aventuras, reencontra o seu querido ó-ó."

Foi dos primeiros livros comprados, daqui a pouco há 12 anos... É lindo e desde que o lemos, vezes sem conta, que as fraldas deixaram de se chamar fraldas para serem ó-ós. À procura do ó-ó perdido, de Pascal Sanvic e ilustração de Danuta Wojciechowska. A peça também a vimos pela companhia Lua Cheia teatro para todos , há uns oito anos. Eles eram muito pequenos e ficaram presos do princípio ao fim. Quem nunca viu, pode aproveitar, pegar nos bebés a partir do um ano de idade e ir até Alcobaça - Feira do Livro 26 Junho 2009 - amanhã, às 21h30.
BW