segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Os livros que devoraram o meu pai

"O título não é nada apelativo", disseram cá em casa.
Mas eu comecei a ler, influenciada pela maravilhosa Contradição Humana.
Nas primeiras páginas li: "- Vivaldo! Vivaldo! Vivaldo! Vivaldo -gritava o chefe da repartição, mas ele lá ouvia aquela voz lá muito ao fundo, a desaparecer numa esquina. Foi assim que a minha avó me começou a contar a história de Vivaldo Bonfim, o meu pai. Ele trabalhava no 7º Bairro Fiscal e achava-se num mundo entediante, chato, plano, cheio de papéis, papeladas e outras burocracias que se fazem com a madeira das árvores." 
Nestas primeiras páginas recordei Saramago e o Todos os nomes. Depois, ao longo da obra, foram muitos outros grandes nomes da literatura que recordei, desta feita por sugestão do próprio narrador ou personagens. Ray Bradbury, Dostoievski, Gogol, etc...
Rendida à história, ao sentido de humor, à riqueza das referências, consegui convencer várias pessoas a lê-lo. Todos se renderam, tal como eu, à mestria de Afonso Cruz.
Um livro, para ser lido a partir dos 12 anos. Sobre os livros, a magia, as relações humanas e a adolescência.

Ana Soares

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pagamos os cortes na educação?

1. Depois de propor suspender a democracia por seis meses, Manuela Ferreira Leite vem pedir que se suspenda a gratuitidade no acesso à educação e à saúde, sabendo que pagamos impostos para suportar estas duas rubricas, sabendo que os pais pagam os manuais escolares, as refeições, etc.... Não sei do que fala a ex-governante, não sei se acredita que os pais podem pagar um bocadinho mais, que diabo! Afinal não chega para pagar salários da função pública, pensões, subsídios e pensões vitalícias a políticos. Os pais têm de compreender!

2. Os cortes previstos no Orçamento de Estado para a educação poderão ser feitos através da reorganização curricular. Fala-se de cortes nas disciplinas de História, Geografia, Línguas Estrangeiras, Educação Visual e Tecnológica e Educação Física. Tudo luxos para meninos mimados! Para que é que eles precisam de ter memória? De saber onde fica o continente africano? De falar outras línguas (eles nem vão ter de emigrar nem nada...)? De ter sentido estético? De ter saúde? Para quê investir neles? Para quê pagar salários a professores? Será preferível pagar subsídios de desemprego aos docentes?
Será que o Governo está convencido que todos os meninos têm acesso à cultura (já não há museus grátis ao domingo), aos livros, à natação, ao ballet, ao judo, ao inglês? É que as famílias consomem cada vez menos...

3. Manuela Ferreira Leite quer que os pais paguem a educação que não vão ter?

4. O Governo também pode propôr aos pais pagar à disciplina - quer que o seu filho saiba História? São 10 euros, sff. Fica a sugestão!

Entretanto, preparemo-nos para ter um país todo assim: