quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Menos alunos no ensino superior

Este ano, as inscrições baixaram no ensino superior. Pela primeira vez desde 2007. Porquê? Duas das justificações imediatas podem ser os péssimos resultados nos exames e a necessidade de recurso à segunda época de exames. Mas acho que há outras causas: é caro ter um filho no ensino superior. Para quê estudar se, no final, não há saídas profissionais? A crise leva a que as famílias e os filhos, em particular, pensem duas vezes e tentem entrar já no mercado de trabalho? Os especialistas continuam a insistir que é nas alturas de crise que vale mais a pena investir na formação. O que é que vai ser deste país, cujos jovens, preferem trabalhos mal remunerados, em vez de apostarem na sua educação?
BW

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Na educação, o que faz a diferença?

"Para muitos, não é a escola que faz a diferença, é o nível de escolaridade dos pais dos alunos que sustenta a diferença entre a maior ou a menor probabilidade de sucesso educativo. Mas não será bem assim. O que hoje sabemos da investigação científica neste particular domínio é que, para além do papel preponderante do capital familiar no sucesso dos alunos, há outros factores que fazem a diferença, desde a escola à qualidade e competência dos seus professores, a organização do sistema de ensino, o papel da comunidade e das relações sociais de proximidade e, não menos importante, a capacidade de todos poderem gerar expectativas elevadas e oportunidades sociais que as realizem."


David Justino, Difícil é Educá-los, p. 88, 89

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Bufett e os rendimentos dos ricos

O recado do multimilionário Warren E. Buffet aos políticos norte-americanos, aplica-se também aos portugueses, e europeus em geral. Bufett conclui que a classe média é mais taxada do que os ricos. "Parem de mimar os super-ricos", apela.
BW

domingo, 14 de agosto de 2011

Crianças e jovens dormem metade do que precisam...

... diz o PÚBLICO de hoje, com base num estudo feito a partir de inquéritos realizados em várias escolas, que comprovam taxas de sonolência em mais de metade dos estudantes. Não dormir horas suficientes, já se sabe, contribui para o cansaço e insucesso escolar. Vamos ver e a culpa dos maus resultados nos exames nacionais foi dos estudantes dormirem pouco. Por consequência, culpa dos pais que não têm mão neles e não os mandam para a cama cedo (na verdade, muitos nem sabem onde é que eles andam...).
BW

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"Sabe ele o seu português?"

Carlos Reis escreve hoje no PÚBLICO sobre formação inicial dos professores de Língua Portuguesa e Português, dos programas, da TLEBS, da avaliação dos professores...
A páginas tantas pergunta:
"Com o devido respeito, formulo uma pergunta que talvez pareça provocatória: os professores de Português sabem português com a profundidade que se exige a quem ensina? Estudaram devidamente o idioma, a sua história, os seus cambiantes socioletais e as suas variações geolinguísticas? Dominam a gramática da língua e a sua terminologia? Conhecem os escritores que têm feito do português um grande idioma de cultura? Leram Sá de Miranda, Herculano, Camilo, Cesário Verde, Machado de Assis, Carlos de Oliveira, Agustina ou Luandino Vieira? Distinguem-nos dos pífios escritores da moda “consagrados” em livros escolares pouco criteriosos? Dispõem de instrumentos e de disposição para indagações linguísticas e literárias que vão além das banais ferramentas da Internet? As perguntas são embaraçosas, mas têm que ser feitas, mesmo sabendo-se que há exceções ao que temo seja a regra."
BW

Samantha Fox hoje em Vila Real...

... Assim como os Europe! Vai ser um regresso (decadente) aos anos de 1980!
Não consigo imaginar a Samantha Fox com 50 anos a cantar Touch me...



Friday



Esta menina teve de sair da escola e passar a aprender em casa (ensino doméstico) por ser vítima de bullying. Os colegas da escola gozavam com ela, começou a ouvir "bocas" e imitações com voz anasalada. A cantora já se habituou e é prática, numa entrevista a uma cadeia de televisão disse: Mesmo que tivesse de doar todos os meus orgãos seria odiada na mesma...
Às vezes é mesmo assim, não interessa o que fizermos, haverá sempre alguém que nos odeia...
BW

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Estrumpfes forever

A Estrumpfina chama-se agora Smurfina...
Smurfina!?! Que parolo!
Já não vivem nos seus cogumelos e vão para Nova Iorque? Por favor!!!
Smurfs para nós e para os brasileiros...
É a globalização ou será o acordo ortográfico?
E o que dizer às crianças que andámos a enganar estes anos todos? "Ó mãe, tens a certeza que era Estrumpfina?!..." O descrédito!
Por tudo isto, lá em casa, ninguém vai ver este filme, ninguém!
BW

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Londres




Ontem, gostei de ouvir Helena Roseta e Teresa Caeiro na SicNotícias, sobre Israel, Londres e exames nacionais



Helena Roseta faz uma leitura interessante sobre o porquê do vandalismo, o G2 do Guardian faz hoje a mesma leitura: é a pressão do consumismo, é a falta de acesso ao consumo...
BW

Plágio diário: o seu a seu dono

Pedro Tadeu, subdirector do Diário de Notícias, ontem queixava-se do plágio que as televisões fazem aos trabalhos que os jornalistas da imprensa escrita realizam.
Dizia:

"Vi, domingo passado, o Telejornal. Em destaque esteve o tema das nomeações políticas. Uma peça de largos minutos detalhava os números. Foram feitas, pelo Executivo de Passos Coelho, 450 nomeações, 73 das quais entregues a membros do PSD e do CDS. A peça alertava para o facto de todas as nomeações ainda não serem conhecidas e comparava estes números com o dos anteriores executivos. Resumindo e concluindo: a RTP repetia um trabalho de quatro páginas publicado nesse dia pelo Diário de Notícias.
Quase tudo o que vemos nos noticiários televisivos é tirado, copiado, reciclado ou transformado da imprensa. É uma normalidade a que, aparentemente, ninguém dá importância. A RTP, que não estou aqui a acusar, limitou-se a praticar o que é aceite por todos."


No dia seguinte, o PÚBLICO trazia uma entrevista a Macário Correia que foi aproveitada por todas as televisões, sem nunca citarem o jornal.
Assim que comecei a trabalhar, tive logo essa experiência, a de ver um trabalho meu lido, repito, lido, na televisão. O mesmo voltou a acontecer vezes sem conta... Acreditem que é revoltante ouvir parágrafos inteiros, escritos por mim, lidos (nem sempre com a melhor dicção) por "jornalistas" televisivas, aquelas que chegam aos serviços lindas e carregam os tripés dos camaras com um ar muito profissional, as que nos perguntam, depois do ministro falar: "disse alguma coisa nova? Desculpa lá, mas eu não acompanho a área..."
Eu aprendi a citar sempre, mesmo a concorrência directa. Se eu não consigo falar com a pessoa x, que disse y ao DN, e é mesmo importante, cito-o. Qual é o problema?
Também não é fácil ver o Sociedade Civil, na RTP2 pegar em temas que eu escrevi e pespegá-los em tardes de debate. Há uns anos, reparei que em duas semanas seguidas tinham agarrado em vários temas sobre os quais eu escrevera (fora à procura das histórias, aquelas eram fruto da minha curiosidade, da minha necessidade de procurar trazer algo de novo aos leitores). Mandei um email que chegou ao director da produtora, este mandou-me ir fazer jornalismo para o fundo do mar ou para o espaço, onde as histórias seriam só minhas. Já Fernanda Freitas, a apresentadora e jornalista, foi mais conciliadora e explicou que a equipa de "jornalistas" procura os temas mais interessantes que saem na imprensa. Um elogio?
Este ano, deu-me algum gozo ler o trabalho de uma colega, na Notícias Magazine, sobre um tema com o qual eu tinha ganho um prémio de jornalismo, há uns anos, e ela, nesse mesmo ano, tinha recebido uma menção honrosa. Sei lá, achei divertido!
Em suma, é exigente ser jornalista da impresa escrita. Porque aos outros basta pôr uns sons no ar (no caso da rádio, por exemplo, a TSF dá notícias do PÚBLICO nunca citando) ou umas imagens, nós temos de dar o contexto, temos de saber dos temas sobre os quais escrevemos, temos de procurar novos ângulos, ter novas ideias, etc, porque respeitamos quem nos lê, porque acreditamos que só escrevendo coisas novas é que o leitor vai continuar a procurar-nos nas bancas.
BW
PS1: Conheço bons profissionais na rádio e na televisão. Pessoas que não fazem nada do que acabei de escrever, que procuram histórias novas, que são excelentes jornalistas. Claro que também nós, os da imprensa escrita, podemos "copiar" um tema televisivo ou radiofónico mas, no meu caso, procuro sempre um ângulo novo. Com certeza que também as rádios e as televisões têm "cachas" e aí, é como digo, cito sempre, porque o mérito foi deles e não meu!
PS2: Já não me recordo se já aqui escrevi, se sim, repito-me e desculpem: a trabalhar directamente com estagiários, apercebo-me que fazem plágio sem terem noção da gravidade da coisa, traduzem textos de jornais internacionais ou "picam-nos" das agências e assinam com o seu nome, como se fosse fruto do seu trabalho. Vêm assim habituados da universidade onde parece que os professores não lhes dizem nada.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Resultados da segunda fase dos exames nacionais

Das quatro disciplinas com mais alunos inscritos, só Biologia e Geologia teve média positiva. Português melhorou (pouco), Inglês e Matemática A nem por isso.
O que se passa? São os alunos? São os critérios de correcção? São os professores a ensinar ou a corrigir?
Entretanto, segundo a Fenprof, os professores com horário-zero podem ser milhares, por causa dos cortes previstos nas escolas...
BW

domingo, 7 de agosto de 2011

Notícias de verão?

O verão tem destas coisas... Temas que não são notícia são "repescados" das gavetas. O Público retoma uma questão relacionada com o novo programa de Português que entra em vigor para o 1º, 5º e 7º anos em setembro próximo. Sob o título" Novo programa de Português tem na base documento que Nuno Crato considera inútil", e a propósito  do programa elaborado por uma equipa coordenada por Carlos Reis, ouviu Paulo Guinote, professor de História e LP no 2º ciclo;  entrevistou João Costa, um dos autores da nova terminologia;  conversou com uma colega do secundário. As novidades não são muitas. Retoma-se a ideia de que:
1. vamos ter, finalmente, um novo programa;
1.1. o mesmo está de acordo com o Dicionário Terminológico (que descende da Tlebs, que surge simplificada nesta versão);
1.2. neste, a gramática passa da designação de Funcionamento da Língua para Conhecimento Explícito da Língua (CEL).


Novidade: Nuno Crato não gosta do programa. Também no anterior governo houve quem não gostasse e o tentasse pôr na gaveta. Por isso ainda não entrou em vigor.

Mas o que é verdadeiramente importante é que o ensino da língua materna precisava da mudança (desta ou outra). Os novos programas (ainda que possam não ser perfeitos) são um importante passo nesse sentido, na atualização da nomeclatura, dos textos, das tipologias textuais que devem estar nas aulas de Português do século XXI .

Por outro lado, a Tlebs continua a ser continua a ser culpabilizada pelos desaires do ensino ou pelos maus resultados dos exames (tal foi o trauma pelo qual todos passámos nos avanços e recuos da sua implementação), mas todos sabemos que o problema do nosso ensino é muito mais profundo do que apenas a utilização de uma terminologia que estava caduca.

Ana Soares

sábado, 6 de agosto de 2011

Os pais nunca foram tão bons como agora

Os pais - progenitores masculinos - nunca foram tão bons como agora, constata um estudo elaborado pelas sociólogas Karin Wall, Sofia Aboim e Vanessa Cunha do Instituto de Ciências Sociais (ICS) e que o Público destaca aqui. Não é novidade, mas é sempre bom recordar. Que bom para todos - pais, mães e filhos - que assim seja.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A autoridade dos professores

Afirma David Justino no livro Difícil é Educá-los aquilo que nos parece claro e aqui já comentámos várias vezes:
"Fala-se correntemente da autoridade do professor, mas esquece-se que essa autoridade exige o reconhecimento através do respeito e da disciplina. Se nem a família nem a escola assegurarem o valor da civilidade dificilmente a autoridade do professor poderá prevalecer." p. 101

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

1ª entrevista do Ministro da Educação, Nuno Crato

Posso não concordar com tudo, mas gosto do tom e da postura deste novo ministro.
Dialogante, realista, prático e desburocratizador. Ciente das principais dificuldades sentidas pelos docentes na implementação do modelo de avaliação de desempenho (nomeadamente o excesso de burocracia e a avaliação interpares), interessado em valorizar a imagem do professor e melhorar domínios centrais da aprendizagem, a matemática e a língua portuguesa. 
Nesta primeira entrevista, apresentou algumas das linhas orientadoras do que pode vir a ser o novo modelo de avalição, já no próximo ano letivo:
- ciclos avaliativos com duração correspondente ao número de anos dos escalões (4 anos);
- menos burocracia no processo;
- avaliação docente com aulas assistidas por colegas da mesma área disciplinar, mas de outras escolas e de escalões superiores.
Para os que não tiveram oportunidade de assistir a esta entrevista de Nuno Crato, aqui fica.

Ana Soares


sábado, 30 de julho de 2011

Provas de superação

- Na escola dos teus filhos existem provas de superação? pergunta um amigo, pai e professor.
- Não sei... De recuperação, sei que existem.
A partir daqui, ouço-o lamentar-se porque os professores, seus colegas de trabalho, só têm preocupações com os alunos que estão em risco de chumbar, que é com os que têm mais dificuldades que trabalham, esquecendo os outros, os medianos e os que se podem superar. Cada turma pode ter, pelo menos, três níveis e os professores trabalham para a mediania ou para a mediocridade.
Nós, os pais nunca estamos satisfeitos, seja em que patamar estejam os nossos filhos. Se eles estão em risco de chumbar, queremos lá saber se o professor trabalha ou não com os outros! Queremos é que o professor trabalhe com o nosso e o prepare para conseguir superar os obstáculos. Os outros estão bem, o nosso é que não!
Se o nosso filho pode fazer melhor, queremos que o professor trabalhe com ele e reconheça as suas capacidades e ambições, que o ensine a superar-se, a ser melhor.
Contudo, o que nos parece, é que os professores não fazem nem uma coisa, nem outra. Mas isso somos nós, do lado de cá do muro, que não temos acesso a tudo. Assustador é ouvir um pai/professor fazer essa análise, frustrado com os conselhos de turma que levam horas a discutir a passagem de um 2 para 3 (numa escala se 1 a 5), mas que não querem saber dos que poderiam ter um 5 em vez do 4.
BW

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Não existindo quotas, somos todos excelentes...

afirmou Nuno Crato numa conferência de imprensa sobre a avaliação de desempenho dos docentes.

Leia a notícia aqui.

Falta de articulação entre ciclos

No desfiar dos problemas da educação em Portugal, D. Justino chama a atenção para a falta de articulação entre os ciclos. Tal é possível verificar se analisarmos os programas disciplinares de muitas disciplinas ou analisando os anos em que os números das retenções são mais flagrantes. É que estas coincidem com os anos de mudança de ciclo (muitas vezes associados ainda a mudança de escola).


"O problema está em saber porque é que o trajecto escolar tem de ser uma «corrida de obstáculos» colocados em determinados pontos do percurso e não uma progessão natural, tanto quanto possível capacitadora das qualidades «atléticas» dos «corredores»."


David Justino, Difícil é Educá-los, p. 63

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mais exames no final do 3.º ciclo

Dois amigos professores perguntam-me: "O que é que dizes a mais exames no final do 9.º ano?". Alheia às notícias - quando estou de férias afasto-me mesmo e só leio as gordas, na vitrina da papelaria, e vejo as notícias das 22h00, na RTP2 quando já terminei de jantar (que é quase nunca) - digo que não sei de nada, digo a verdade. E eles insistem, que sim, que vai haver mais dois exames além do de Língua Portuguesa e de Matemática. Serão de uma área científica - Físico-Química? Ciências da Natureza? E de uma língua estrangeira.
Os meus amigos que até à legislatura anterior eram contra o facilitismo dos exames e a sua falta de rigor; agora são contra os exames porque são caros. Fica caríssimo, do papel ao transporte; das medidas de segurança ao número de professores necessários, insistem. Um deles até fala do impacto ambiental. Sim, sim, vou acenando com a cabeça enquanto penso como é curioso terem mudado de opinião sem, na verdade, o terem feito.
Se antes, os exames eram maus porque não eram rigorosos; agora são bons (ainda ninguém viu uma prova feita pelo serviço externo a que o actual Governo vai encomendar os exames, mas todos têm a certeza que serão melhores pelo nível de exigência que o ministro proclama) mas ficam caros, por isso, é melhor não fazer tantos e deixar tudo como está.
BW

segunda-feira, 25 de julho de 2011

As cinco 3

Elas são felizes, riem-se juntas, brincam até à exaustão, conseguem rir dos seus defeitos sem se magoarem, sem se ofenderem. Estão horas e horas a conversar sobre banalidades, sobre livros que leram, sobre personagens que criam, sobre historias que escreveram, sobre filmes, séries, actores, escritores, cantores, sobre as suas relações com os pais, irmãos, avós, tios... Não se cansam de falar e de rir sem parar. Deito-me tarde e ouço-as, no sotão, a falar baixo e a rir; acordo na manhã seguinte e o som é o mesmo.... E sinto alguma inveja, alguma saudade de ser assim, de ter aquela idade, de rir até às lágrimas por coisa nenhuma!
BW