Tenho uma boa escola pública perto de casa. Os meus vizinhos da frente, do outro lado da rua, podem mandar os seus filhos para essa escola. Eu não, que moro deste lado da rua, pertenço a outra que fica mais longe e é menos boa, para não dizer má (não se pode dizer que as escolas são más. Será que se pode dizer que são mal frequentadas?, também não).
Os meus filhos estão no ensino privado, num colégio que fica ao lado da tal escola boa. Os meus filhos fazem parte dos 56 por cento de alunos que não recebem qualquer apoio do Estado para frequentar o privado. Só têm o apoio dos pais que também não trabalham no sector público.
Já tentei beneficiar de um contrato simples (o Ministério da Educação dá uma quantia simbólica aos pais, dependendo de uma fórmula que é aplicada ao rendimento da família) mas, aos olhos do Estado, sou rica e nem um cêntimo para esta pobre mãe. Em contrapartida, não posso pôr todas as minhas despesas com Educação no IRS porque há um tecto e, para o ano, esse vai baixar o que significa que apresentarei ainda menos despesas (embora elas existam). Tudo somado: eu pago a educação dos meus filhos e dos filhos de outros que os têm na escola pública. Tudo bem, sou caridosa, posso fazê-lo e hei-de ganhar o céu.
Agora, fico um bocadinho irritada com o discurso da dor de cotovelo, de quem não vê além do seu umbigo. Ou seja, irrita-me quem diz: Vão cortar no ensino privado? Acho muito bem! O Estado tem que investir é na escola pública! Os meninos de bem, esses betinhos, que vão para a escola pública, que só lhes faz bem! Não têm dinheiro para continuar no privado? Azar!
Fico irritada com os invejosos que não acompanham este raciocínio. Ora vejam: nos últimos 30 anos, o Estado, em nome de uma ideologia, andou a construir escolas públicas mesmo ao lado das privadas.
As privadas já lá estavam, com boas instalações, com corpos docentes estáveis (a ganhar menos do que os do público e a trabalhar mais - é bem feita!, dizem os senhores da dor de cotovelo - que é para não serem parvos!), com projectos educativos que põem os alunos a aprender não só a matéria, mas regras de civilidade; são escolas que funcionam e quando isso não acontece cai-lhes a inspecção em cima, a inspecção do Ministério da Educação.
Ao longo dos anos, o Estado gastou dinheiro a fazer escolas novas, a admitir mais professores e, paralelamente, a pagar às privadas para manter o serviço público que ofereciam. Porque nestes colégios privados andam todos, dos ricos aos pobres, todos com as mesmas oportunidades, tal e qual como na escola pública. E agora, toca a cortar - é mesmo assim, calha a todos, o que é que pensavam, que só cortavam na pública?
Irrita-me a má gestão dos dinheiros públicos e os invejosos.
BW
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Tendências e Controvérsias em Sociologia da Educação
É o título do livro editado pela Mundos Sociais, organizado por Pedro Abrantes com os trabalhos e investigações mais recentes no âmbito da Sociologia da Educação.
O lançamento é esta tarde, às 16h00, em Lisboa, no ISCTE, na Ala Autónoma, no Auditório Afonso de Barros. A apresentação está a cargo do professor José Resende e eu deveria estar presente também para exercer a mesma função. Mas, por motivos de força maior, vai ser impossível. As minhas desculpas públicas ao professor Pedro Abrantes e a toda a organização (as desculpas pessoais já foram dadas, ainda que com pouca antecedência).
BW
O lançamento é esta tarde, às 16h00, em Lisboa, no ISCTE, na Ala Autónoma, no Auditório Afonso de Barros. A apresentação está a cargo do professor José Resende e eu deveria estar presente também para exercer a mesma função. Mas, por motivos de força maior, vai ser impossível. As minhas desculpas públicas ao professor Pedro Abrantes e a toda a organização (as desculpas pessoais já foram dadas, ainda que com pouca antecedência).
BW
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Os professores que paguem a crise!
Como se sabe as leis portuguesas têm sempre várias interpretações, tal é o modo encriptado como são escritas. Vai daí, o Ministério da Educação vem agora dizer que há professores que desde 2007 - passaram três anos civis - que progrediram por engano. Por engano? Por má interpretação da lei? Por má fé dos directores de escola? E agora têm que restituir o que receberam a mais e podem fazê-lo em prestações suaves, a 12 meses!
E hoje, depois de um fim-de-semana prolongado, é ver os directores de escola, que têm pouco que fazer, a rever os processos todos, todinhos, não vá ter escapado algum; e os docentes na sala dos professores - em vez de falarem do projecto educativo, da turma x ou y, do comportamento do menino z, da visita de estudo, não -, todos a querer saber quem progrediu bem e mal, quanto é que esses vão ter que devolver ao ME, tudo a maldizer ministros, serviços e Governo. Bonito! E a chegar à sala de aula, contentes da vida, e sentirem que andam ali mesmo é a aturar meninos e que não lhes pagam para isso, pois se até têm que devolver o que receberam... Bonito!
BW
E hoje, depois de um fim-de-semana prolongado, é ver os directores de escola, que têm pouco que fazer, a rever os processos todos, todinhos, não vá ter escapado algum; e os docentes na sala dos professores - em vez de falarem do projecto educativo, da turma x ou y, do comportamento do menino z, da visita de estudo, não -, todos a querer saber quem progrediu bem e mal, quanto é que esses vão ter que devolver ao ME, tudo a maldizer ministros, serviços e Governo. Bonito! E a chegar à sala de aula, contentes da vida, e sentirem que andam ali mesmo é a aturar meninos e que não lhes pagam para isso, pois se até têm que devolver o que receberam... Bonito!
BW
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Geronimo em banda desenhada
O rato mais famoso entre a miudagem é, actualmente, o Geronimo; Geronimo Stilton. Já vos falei dele, mas hoje trago a usa versão em banda desenhada editada pela editora Planeta. Já lemos o nº 1 e 3 e tenho de reconhecer que esta colecção supera a que eu conhecia originalmente. Para além da fruição do texto/imagens, esta colecção permite aos mais pequenos inteirarem-se do mundo e da história de outros povos e culturas. É que nesta versão em bd, os gatos piratas descobrem uma maneira de viajar no tempo e propõem-se mudar a História para alcançar fama e riqueza. A tarefa do Geronimo e companhia é a de viajar também no tempo e evitar que a história mude! É deste modo que nos encontramos com Colombo e a descoberta da América ou viajamos até ao antigo Egipto.
Deixemos os miúdos viajar pela História... com o Geronimo !
Ana Soares
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domingo, 31 de outubro de 2010
a escrita e a vida
Um livro escreve-se de trás para a frente e da frente para trás, um passo adiante, dois passos à retaguarda. Ou ao contrário. Na escrita e na vida.
Manuel Alegre, O miúdo que pregava pregos numa tábua, p. 109
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Troca de livros na escola
Na escola da minha filha, para além da biblioteca da sala, com livros da escola, criam-se novas formas de "gerar" livros. Desta vez, fizeram-nos o convite para alargar a biblioteca. Cada menino leva um livro, que depois será devolvido no final do ano, e, entretanto, os mesmos vão circular pelas famílias. Assim, ao fim de semana, cada criança pode levar um livro "emprestado" para casa. Esta semana ela trouxe A Sara tem um grande coração, da Presença. Um livro muito doce e a pedir que se converse sobre os afectos. Uma história muito pequena e simples de uma menina com um coração pesado e um menino com um coração leve.
Que bom é partilhar livros!
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sábado, 30 de outubro de 2010
Sexo... E então?!
Olhem para a cara do rapaz, está verdadeiramente incomodado com a exposição "Sexo... E então?!", no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
Eu tive mais sorte do que a jornalista da SIC porque no dia em que fui ver a exposição (motivos profissionais), um sábado à tarde, havia famílias com bebés, a divertirem-se à grande com todos os materiais interactivos que a exposição oferece.
Também vi a exposição com um olhar mais abrangente do que a camara da SIC, ou seja, vi para além da máquina de insuflar preservativos! Há uma máquina para escrever cartas de amor, há outra que mede a nossa pulsação amorosa através da música, há um jogo de flippers que permite compreender que a concepção é um verdadeiro milagre e há um karaoke (com o objectivo de percebermos as mudanças na voz dos rapazes)em que temos de cantar I will survive, da Gloria Gaynor.
A família pode juntar-se toda, junto à banheira e exorcizar os seus medos: "I will survive!". Sim, eles - os adolescentes a quem se destina a exposição, dos nove aos 14 anos - hão-de sobreviver à puberdade e à adolescência. E nós, pais, também (assim esperamos)!
A ver, se não tiver preconceitos quanto à educação sexual. Se tiver, o melhor é não ir.
BW
PS: Se quiser ler mais sobre esta exposição, compre o PÚBLICO de hoje e leia na Fugas, a revista de viagens que sai com o jornal, ao sábado!
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Ken Robinson, again!
Este é excelente e nunca tinha visto antes!
BW
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Os medos do João
Levámos os miúdos ao Teatro da Trindade para vermos As Aventuras do João sem Medo , adaptação do texto de José Gomes Ferreira. Mas... ela teve algum medo. Bem sei que a peça não é para a idade dela (é para maiores de 6 anos e no site dizem mesmo "final do 1º ciclo, 2º e 3º"), mas achei que seria uma versão "infantilizada" da peça. Pois não é. Assim, passado o susto inicial e de se ter habituado às personagens, aos vários actores que foram representando o João no palco (que podem ver no desenho) e espaço sombrio, acabou por gostar e se divertir. E valeu a pena. Claro está que a mensagem da obra ficou resumida à frase: quando temos medo, devemos cantar e rir (para espantar o medo).
Quanto a ele, gostou. A necessidade de escolher entre dois caminhos, o do bem (o das flores) e o do mal (o das pedras), tendo o João escolhido o segundo - para não perder a sua cabeça, que foi o que a criatura sem cabeça que podem ver no desenho lhe disse que aconteceria se escolhesse o do bem - foi meio caminho andado para ele ficar siderado.
Além disso, a peça está muito bem construída. É o teatro a acontecer à frente dos nossos olhos, sem nada escondido. Vemos as personagens a trocar de papéis e adereços, vêmo-los a tocar os instrumentos, a mexer nos sacos de plástico para imitar o som da chuva.
Para ele, a peça teve outra frase-síntese: quando vemos uma pedra a andar não nos assustamos, ficamos curiosos.
Quanto à mãe e pai, gostámos. A mensagem da obra não se digere facilmente, apesar das aventuras mirabolantes e non sense do João. Ficamos a pensar que tipo de João nós somos .
Recomendo, mas para os miúdos mais crescidos.
Ana Soares
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Estudo Acompanhado e Área Projecto...
... Vão acabar. Foram avaliadas? Não, mas o país tem que cortar despesas e certamente que se poupa em recursos humanos se se cortar nestas duas áreas disciplinares não curriculares. Quem fica a perder? Além dos professores que vão perder horas lectivas, alguns poderão tornar-se redundantes nas escolas; perdem os alunos, sobretudo os mais pobres - atenção: isto se as horas foram bem aproveitadas para de facto trabalhar.
Lembro-me quando foram discutidas com as escolas, quando entraram em funcionamento. A luta que foi, o encolher de ombros dos professores para essas áreas (e para Educação Cívica) que não faziam sentido nenhum. Uma perda de tempo.
Mas depois, porque há sempre excelentes profissionais, as horas foram aproveitadas para trabalhar com os alunos, para ensinar a estudar, a organizar um dossier, a fazer horários de estudo, a esclarecer dúvidas que ficaram das aulas. Porque nem todos t~em dinheiro para explicações. Quem é que mais beneficiou com isto? Os alunos que em casa não têm sequer um espaço onde estudar, os que os pais não sabem como ajudar, os que precisavam de facto, os mais pobres e os mais fracos.
BW
Lembro-me quando foram discutidas com as escolas, quando entraram em funcionamento. A luta que foi, o encolher de ombros dos professores para essas áreas (e para Educação Cívica) que não faziam sentido nenhum. Uma perda de tempo.
Mas depois, porque há sempre excelentes profissionais, as horas foram aproveitadas para trabalhar com os alunos, para ensinar a estudar, a organizar um dossier, a fazer horários de estudo, a esclarecer dúvidas que ficaram das aulas. Porque nem todos t~em dinheiro para explicações. Quem é que mais beneficiou com isto? Os alunos que em casa não têm sequer um espaço onde estudar, os que os pais não sabem como ajudar, os que precisavam de facto, os mais pobres e os mais fracos.
BW
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
MEC e o segredo para um casamento feliz
Miguel Esteves Cardoso (MEC) enchia-nos as medidas quando éramos jovens estudantes de jornalismo e, quando crescessemos, queriamos ser como ele (excepto aquela parte da gaguez e dos tiques com a boca).MEC escreve como ninguém. Diariamente, no PÚBLICO tem uma crónica de dois parágrafos, às vezes menos, pequenas e right to the point. Umas vezes lindíssimas de irmos às lágrimas, outras divertidas de chorarmos a rir. É esse o efeito que a escrita de MEC tem sobre mim!
Gosto das crónicas em que fala da sua vidinha, da saúde da sua mulher, Maria João Pinheiro, do que comeu ontem, coisas simples, de todos os dias, do esforço e da alegria que imprime no fazer Maria João feliz, como quando andou feito louco à procura de umas botas para ela, enviava-lhe fotos das botas enquanto a mulher estava internada. Este texto é um hino ao amor e aos casamentos felizes e lembra-nos algo que tendemos a esquecer: que o casamento é o primeiro filho do casal.
BW
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A menina bonita do boxe português
Para ler, porque estes miúdos são verdadeiros exemplos. Por vezes, a escola tende a desvalorizar os alunos que praticam desporto. Há aquele preconceito que quem faz desporto não é tão inteligente como o que toca um instrumento ou participa nas Olimpíadas da Matemática. São tipos de inteligência diferentes.
Há quem se insurja contra os estudantes que são atletas de alta competição e que entram no ensino superior com notas abaixo dos últimos classificados, esquecendo que esses rapazes e raparigas representam o país, ao longo de anos e anos, trazem medalhas e orgulham-se de ser portugueses. Esquecendo que estes cresceram com o sentido da responsabilidade, da ordem, do sacrifício, do esforço, da disciplina; que são miúdos saudáveis (a maioria) e ocupados (veja-se a Juliana que faz boxe, teatro e é uma católica activa e comprometida). Esquecem que o país não apoia estes jovens, à excepção se fizerem futebol ou outra modalidade que dê mais dinheiro em termos publicitários. Parabéns à Juliana e que dê o seu melhor no campeonato europeu de júniores!
BW
Há quem se insurja contra os estudantes que são atletas de alta competição e que entram no ensino superior com notas abaixo dos últimos classificados, esquecendo que esses rapazes e raparigas representam o país, ao longo de anos e anos, trazem medalhas e orgulham-se de ser portugueses. Esquecendo que estes cresceram com o sentido da responsabilidade, da ordem, do sacrifício, do esforço, da disciplina; que são miúdos saudáveis (a maioria) e ocupados (veja-se a Juliana que faz boxe, teatro e é uma católica activa e comprometida). Esquecem que o país não apoia estes jovens, à excepção se fizerem futebol ou outra modalidade que dê mais dinheiro em termos publicitários. Parabéns à Juliana e que dê o seu melhor no campeonato europeu de júniores!
BW
Bibliotecas 24h
Gosto de ir a bibliotecas municipais. Ver os espaços, olhar para o livros, sentir as pessoas. Gosto especialmente, defeito de quem é mãe, de ir espreitar a zona dos mais pequenos. Mas nem sempre isto é possível. No nosso último passeio ao Oeste, "encontrei" a Biblioteca Municipal da Batalha quando ia na rua: uma espécie de caixa multibanco original. Não tinha dinheiro, mas sim livros. Confesso que, apesar de preferir a biblioteca física, achei a ideia curiosa. Trata-se de uma espécie de quiosque automático que permite a devolução e requisição de livros fora da hora de expediente de uma biblioteca dita normal. Vale a ideia. E para pôr todos a ler, todas as ideias são boas. Esta até foi premiada pela Fundação Gulbenkian.
A foto que aqui coloquei é do site oficial da Biblioteca da Batalha . Espreitem aqui.
Ana Soares
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domingo, 24 de outubro de 2010
O Elemento, de Ken Robinson
É de 2006 e já conhecia... Na verdade, andei à procura no blogue e não encontrei mas provavelmente já o partilhei aqui... Se sim, peço desculpa e... Revejam!
Lembrei-me deste video porque vi Ken Robinson em Portugal há uns anos e gostei. Voltei a encontrá-lo nas livrarias, desta vez em forma de livro. Foi lançado, pela Porto Editora, O Elemento que fala de educação, das escolas matarem a criatividade dos mais novos, dos diferentes tipos de inteligência, do futuro da educação e da necessidade de cada um de nós (sobretudo os filhos), descobrirmos "o elemento", o que adoramos fazer e a possibilidade de conseguirmos conciliar o que gostamos com o que fazemos!
Este video é um bom resumo dos primeiros capítulos do livro (que ainda estou a ler) e conta a história de Gillian Lynn, a menina que na década de 1930 não parava quieta na sala de aula, que a escola queria por numa turma para crianças com necessidades educativas especiais (o rótulo ainda não era conhecido) e cuja mãe a levou a um psiquiatra. O médico não diagnosticou hiperactividade, nem lhe deu ritalina (também ainda não tinham sido inventadas) mas aconselhou-a a pôr a menina numa escola de dança.
Gillian foi bailarina e criadora das coreografias de Cats ou do Fantasma da Ópera. Mas há outros exemplos como Mick Fleetwood, baterista e fundador da banda Fleetwood Mac, o prémio Nobel da Economia Paul Samuelson (quem não tem a sua bíblia em casa?) e muitos outros.
Não sei se fala de Michael Phelps, o nadador norte-americano mais medalhado em Pequim, mas ainda não me esqueci de uma das primeiras declarações que fez, pós-ganhar tantas medalhas, foi para lembrar a professora que lhe disse que ele nunca ia fazer nada na vida. De uma forma ou de outra, os professores marcam-nos para sempre!
Às vezes, os pais e a escola têm dificuldade em descobrir o que é que os filhos e alunos têm de melhor e potenciá-lo.
É preciso estarmos atentos. Até porque, aparentemente, a sociedade está a deixar de formar para o emprego seguro e duradouro, mas para o emprego criativo, para o próprio emprego!
BW
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sábado, 23 de outubro de 2010
Os professores: ontem e hoje
Terá alguns aninhos este filme!
BW
Terá alguns aninhos este filme!
BW
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
A crise e a ditadura
Encontrei um amigo, médico de profissão, que se queixa da crise e, no meio da conversa diz: "A culpa é do povo que gosta da democracia. Acham que é melhor viver em democracia!". Fui incapaz de reagir, tão confusa que fiquei, o que é que uma coisa tinha a ver com a outra? No tempo do Salazar é que era bom, mas meu amigo, nem eras nascido...
"Da democracia ou do mau uso da democracia?", ía perguntar quando finalmente começava a reagir, mas a confusão de um encontro no meio de uma rua movimentada acabou por nos fazer despedir num rápido adeus.
A culpa é da democracia e dos meios de comunicação social, só faltou acrescentar. Ontem, segundo o ranking dos Reporteres sem Fronteiras Portugal desceu mais uns lugares, encontra-se em 40.ª posição, atrás de Cabo Verde, Gana, Mali, Eslovénia...
BW
"Da democracia ou do mau uso da democracia?", ía perguntar quando finalmente começava a reagir, mas a confusão de um encontro no meio de uma rua movimentada acabou por nos fazer despedir num rápido adeus.
A culpa é da democracia e dos meios de comunicação social, só faltou acrescentar. Ontem, segundo o ranking dos Reporteres sem Fronteiras Portugal desceu mais uns lugares, encontra-se em 40.ª posição, atrás de Cabo Verde, Gana, Mali, Eslovénia...
BW
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Eles, o facebook e a leitura
Diz um estudo promovido pelo projecto EU Kids Online que quase 60 por cento das crianças e jovens portugueses têm um perfil numa rede social e destes 25 por cento têm-no sem restrições de acesso.
Os meus filhos fazem parte dos 40 por cento... Já estão habituados! No outro dia comentava que a maior parte dos meninos da turma do primo, de sete anos, estava no facebook e eles não ficaram surpreendidos. A surpresa é eles (mais velhos) serem os únicos que não estão, diziam com aquele ar conformado de quem está sempre out. Eles entendem as nossas opções e sabem que não estão, de facto, a perder grande coisa.
As amizades devem ser trabalhadas ao vivo e a cores! Com gargalhadas de verdade, em vez de lols! Com partilhas segredadas ao ouvido, em vez de escrita de mensagens! Com toques, empurrões, abraços, beijos, em vez de palavras tecladas no computador ou no telemóvel.
E a leitura? Vem a própósito do recado de uma professora que me explicava por que razão os meninos lêem na sala de aula - para mim, uma perda de tempo, porque devem ler em casa e porque as aulas são para aprender coisas novas.
Lêem na escola, no tempo da aula de Português porque os pais "compraram-lhes consolas a mais" e eles não têm tempo para ler... E não estamos a falar dos pais dos tais 43 por cento dos meninos que recebem apoio social escolar, estamos a falar das elites lisboetas que nas reuniões com os professores pedem que os filhos leiam obras obrigatórias, de preferência na escola, onde não é preciso mandá-los para o quarto ler, porque no quarto está a televisão, a consola e o computador onde estão em contacto com o mundo, onde publicam fotos das férias, com os trajes próprios da praia, sem qualquer supervisão, em perfis que no caso de um quarto dos jovens portugueses são públicos, logo, visíveis pelos amigos, pelos amigos dos amigos e outros...
BW
Os meus filhos fazem parte dos 40 por cento... Já estão habituados! No outro dia comentava que a maior parte dos meninos da turma do primo, de sete anos, estava no facebook e eles não ficaram surpreendidos. A surpresa é eles (mais velhos) serem os únicos que não estão, diziam com aquele ar conformado de quem está sempre out. Eles entendem as nossas opções e sabem que não estão, de facto, a perder grande coisa.
As amizades devem ser trabalhadas ao vivo e a cores! Com gargalhadas de verdade, em vez de lols! Com partilhas segredadas ao ouvido, em vez de escrita de mensagens! Com toques, empurrões, abraços, beijos, em vez de palavras tecladas no computador ou no telemóvel.
E a leitura? Vem a própósito do recado de uma professora que me explicava por que razão os meninos lêem na sala de aula - para mim, uma perda de tempo, porque devem ler em casa e porque as aulas são para aprender coisas novas.
Lêem na escola, no tempo da aula de Português porque os pais "compraram-lhes consolas a mais" e eles não têm tempo para ler... E não estamos a falar dos pais dos tais 43 por cento dos meninos que recebem apoio social escolar, estamos a falar das elites lisboetas que nas reuniões com os professores pedem que os filhos leiam obras obrigatórias, de preferência na escola, onde não é preciso mandá-los para o quarto ler, porque no quarto está a televisão, a consola e o computador onde estão em contacto com o mundo, onde publicam fotos das férias, com os trajes próprios da praia, sem qualquer supervisão, em perfis que no caso de um quarto dos jovens portugueses são públicos, logo, visíveis pelos amigos, pelos amigos dos amigos e outros...
BW
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
É oficial: Não há concurso de professores
A ministra da Educação já o tinha dado a entender na entrevista que deu ao PÚBLICO no início do ano lectivo e veio hoje confirmá-lo, na Assembleia da República: não há concurso de professores extraordinário no próximo ano (como aliás já fazia antever o Orçamento de Estado). A boa notícia é que o Ministério das Finanças já deu luz verde para a contratação de 200 psicólogos para as escolas, mês e meio depois das aulas terem começado...
BW
BW
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Educação sexual na escola
Com voz pausada declara que é contra a lei da educação sexual e que por isso a associação que representa procurou um projecto de resposta à mesma. Descobriram-no na Colômbia, chama-se Protege o Teu Coração e vai ser adoptado por várias escolas do país. O lema do programa é "carácter forte, sexualidade inteligente". Portanto, o que se pretende é moldar o carácter dos adolescentes, propor-lhes o "auto-controle das emoções sexuais por anos, como a melhor escolha e como meio de desenvolvimento pessoal", diz a técnica - tradução: não começarem a sua vida sexual aos 12 mas mais tarde.
Óptimo.
"Que eles entendam o valor de esperar até encontrar um grande amor, para viver um amor verdadeiro e genuíno", continua. Os adolescentes vão aprender que "homens e mulheres são diferentes e complementares", que a educação sexual não é só informação mas também formação.
Certo.
Só começo a remexer-me na cadeira quando associado à homossexualidade, a senhora fala de "aberrações"; quando diz que "nós [os pais] não viviamos numa sociedade tão sexualizada" (já se sabe, antigamente é que era bom); quando diz que eles [os filhos] confundem amor com sexo (nem sempre, nem sempre...); quando diz [perante uma plateia com imensos divorciados] que os jovens não acreditam no amor e no casamento porque à sua volta só vêem "o divórcio" (do demo, acrescento eu); quando diz que "o "sexo seguro" não é tão seguro assim" (num dos panfletos que nos é dado fala em "regulação natural da fertilidade").
Quando me levanto, espreito: Por detrás da cadeira onde a técnica está sentada, no chão, encontra-se a sua mala, a pasta com o feitio do portátil e um saco de papel com as palavras La Perla gravadas a prateado.
Fico na dúvida, não sei se me hei-de preocupar com os filmes, as canções e as audições que os alunos farão nas sessões sobre educação sexual promovidas pela Associação Família e Sociedade, que não serão sobre educação sexual mas sobre educação do carácter... Confusa e na dúvida, concluo: "Tem bom gosto".
BW
PS: O folheto Boas Práticas é um bom folheto. Não é sobre educação sexual, mas sobre educação.
Óptimo.
"Que eles entendam o valor de esperar até encontrar um grande amor, para viver um amor verdadeiro e genuíno", continua. Os adolescentes vão aprender que "homens e mulheres são diferentes e complementares", que a educação sexual não é só informação mas também formação.
Certo.
Só começo a remexer-me na cadeira quando associado à homossexualidade, a senhora fala de "aberrações"; quando diz que "nós [os pais] não viviamos numa sociedade tão sexualizada" (já se sabe, antigamente é que era bom); quando diz que eles [os filhos] confundem amor com sexo (nem sempre, nem sempre...); quando diz [perante uma plateia com imensos divorciados] que os jovens não acreditam no amor e no casamento porque à sua volta só vêem "o divórcio" (do demo, acrescento eu); quando diz que "o "sexo seguro" não é tão seguro assim" (num dos panfletos que nos é dado fala em "regulação natural da fertilidade").
Quando me levanto, espreito: Por detrás da cadeira onde a técnica está sentada, no chão, encontra-se a sua mala, a pasta com o feitio do portátil e um saco de papel com as palavras La Perla gravadas a prateado.
Fico na dúvida, não sei se me hei-de preocupar com os filmes, as canções e as audições que os alunos farão nas sessões sobre educação sexual promovidas pela Associação Família e Sociedade, que não serão sobre educação sexual mas sobre educação do carácter... Confusa e na dúvida, concluo: "Tem bom gosto".
BW
PS: O folheto Boas Práticas é um bom folheto. Não é sobre educação sexual, mas sobre educação.
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Novo look
Foi fruto de um acaso o novo aspecto do Educar em Português.
Foi um azar, que me fez acreditar por umas horas que tinhamos perdido todas as configurações do blogue e os nossos queridos seguidores, que esteve na génese do seu aspecto renovado e mais modernaço.
Com os nossos técnicos-maridos conseguimos resolver a questão e o grande susto: o eng. informático recuperou a maior parte das configurações; o marketeer convenceu-nos de que a mudança era oportuna, agora que já caminhamos para os dois anos de existência.
Espero que gostem!
Ana Soares
ps - esta semana editámos o milésimo post!
Foi um azar, que me fez acreditar por umas horas que tinhamos perdido todas as configurações do blogue e os nossos queridos seguidores, que esteve na génese do seu aspecto renovado e mais modernaço.
Com os nossos técnicos-maridos conseguimos resolver a questão e o grande susto: o eng. informático recuperou a maior parte das configurações; o marketeer convenceu-nos de que a mudança era oportuna, agora que já caminhamos para os dois anos de existência.
Espero que gostem!
Ana Soares
ps - esta semana editámos o milésimo post!
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