segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Gramáticas: da Tlebs ao DT

O novo ano lectivo voltou a trazer novidades quanto a gramáticas de Português. Começo por destacar a nova edição da excelente Gramática da Língua Portuguesa da Areal Editores com a supervisão científica de Mário Vilela.

Na sua anterior versão, de acordo com a Tlebs, já era óptima. Nesta, de acordo com o DT (Dicionário Terminológico actualmente em vigor), continua muito rigorosa, clara e explícita. Embora recomendada para o 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário, creio que esta, pela sobriedade que também a caracteriza, será uma escolha mais interessante para o secundário.


Ana Soares

domingo, 17 de janeiro de 2010

As crianças e a cozinha

Recebi um livro que há muito tempo "namorava". Um livro de receitas do Oliver. Sempre me impressionou a forma rápida, feliz e fácil como ele prepara pratos maravilhosos. Gostava de ser assim. Mas não sou... por isso o livro é uma esperança!
Falo-vos hoje dele pois o mesmo apresenta algumas receitas especificamente para serem realizadas com crianças (embora elas possam participar na confecção de quase todos os pratos, assumindo as tarefas mais simples e menos perigosas, claro!), mas sobretudo para vos trazer uma pequena citação da reflexão que ele apresenta sobre as crianças:

"A sério, tente fazer com que as crianças se envolvam em algumas decisões nas compras, porque elas só querem ser tratadas como adultos. Em vez de as fazer segui-lo enquanto enche o carinho, peça-lhes que escolham um ananás, cheirando-o para ver se está maduro, por exemplo. As crianças são esponjas e lembram-se de tudo. Por isso fale com elas, pergunte-lhes que peixe tem bom aspecto ou que carne comprar" (p.68)
Dias Felizes com Jamie Oliver, Civilização
Diz-me a minha própria experiência que o peixe que foi escolhido pela criança se torna muito mais apetitoso para ela quando o mesmo lhe aparece no prato e ela o reconhece (ou não!) como sendo aquele que escolheu. Também aquelas maçãs - a verde que a criança escolheu para o pai e a vermelha que pôs no saco para a mãe - se vão tornar muito mais doces ao jantar pelo simples facto de terem sido "escolhidas" e a refeição pode, assim, ganhar outro sabor!
Experimente!
Ana Soares

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sou a pior mãe do mundo!

Li as histórias das mães do I e não pude deixar de pensar que elas são uns "anjinhos"! Ainda bem que são mulheres normais, que saem, que bebem um copo, que chegam a casa cansadas, que nem sempre têm paciência para os miúdos e que têm consciência que podiam ser melhores. Mas só o simples facto de um pensarem já as faz melhores!
Há dois tipos de mães que me angustiam e me fazem temer pelas suas crias:
1. as mães superhipermega-galinhas: as que vivem para os meninos, as que os tentam proteger de tudo, as que procuram estar presentes em todos os momentos, que não os deixam cair, nem caminhar sozinhos, nem tomar uma decisão e os sufocam no seu amor.
2. as mães ausentes que, mesmo que vivam na mesma casa, não sabem o que se passa com os filhos, não querem saber e acreditam que eles têm capacidade para decidirem sozinhos; que se demitem do seu papel, que querem ser amigas, companheiras, mas não querem ser mães, nem educadoras.
Estas duas espécies são as piores mães do mundo, ambas marcam os filhos da pior maneira possível. E no fundo, acredito, só querem o melhor para eles, como nós!
BW

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Ano da Morte de Ricardo Reis

«Educado num colégio de jesuítas, é médico; vive no Brasil desde 1919.»


"O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de 1914, pelas 11 horas da noite. Eu estivera ouvindo no dia anterior uma discussão extensa sobre os excessos, especialmente de realização, da arte moderna. Segundo o meu processo de sentir as coisas sem as sentir, fui-me deixando ir na onda dessa reacção momentânea. Quando reparei em que estava pensando, vi que tinha erguido uma teoria neoclássica, e que a ia desenvolvendo. Achei-a bela e calculei interessante se a desenvolvesse segundo princípios que não adopto nem aceito. Ocorreu-me a ideia de a tornar um neoclassicismo «científico» [...] reagir contra duas correntes — tanto contra o romantismo moderno, como contra o neoclassicismo à Maurras. [...]"


Fernando Pessoa, 1914?

Fernando Pessoa. Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1996. - 385.


Consultar os dactiloscritos do prémio Nobel, passear pelas páginas anotadas, conhecer os materiais que apoiaram a reconstituição d'O Ano da Morte de Ricardo Reis e deram nova vida a este heterónimo pessoano é um convite tentador.
Deixem-se tentar e espreitem aqui as anotações de José Saramago.
Ana Soares

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Dragão

O conto "O Dragão" foi um feliz acaso. Depois de algum tempo pelas prateleiras da Fnac sem me conseguir apaixonar por nenhum livro para oferecer ao meu filho, encontrei um volume amarelado, fininho e perdido no meio de outros. O ar envelhecido, confesso, atraiu-me. Depois o facto de só ter o preço em escudos (sim, em escudos!) e do mesmo ser irrisório (cento e quinze escudos) fez-me sentar e começar a lê-lo. Poucas páginas lidas e estava decidido. Ía levá-lo comigo. Depois ainda foi preciso descobrir o código do livro e o novo preço (perto de três euros!).
Já em casa, a história fez um sucesso. Uma criança, um dragão e uma aventura. Tudo isto numa escrita FABULOSA que, na minha perspectiva e como leitora assídua dos textos de Luísa Ducla Soares, posso classificar como sendo mais uma das grandes propostas da autora (já aqui vos falei da Fada Palavrinha, lembram-se?). Um universo apelativo num texto belíssimo.







Dois meses depois verifiquei que o livro fora reeditado, agora pela Civilização. Com mais cor e uma ilustração do Melo António muito apelativa. O meu filho pediu que lhe comprasse esta versão também.




Aqui ficam as primeiras linhas desta história:


"Ching-Ling era uma menina que acreditava em dragões.
O pai fazia dragões de loiça.
A mãe bordava dragões de seda.
O irmão dormia num berço com um dragão pintado.
E ela desenhava dragões nas aulas, brincava aos dragões nos recreios, lia até adormecer as antigas histórias de dragões."


Ana Soares

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Poema à mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Vozes sobre o acordo

Professores, escritores, ex-ministros deram ao Público a sua opinião sobre o recente ocordo. Aqui fica o registo das suas opiniões.
Quanto a mim, avizinha-se o primeiro dia do resto da vida das nossas escolas. Vamos ao que interessa! Trabalhar, todos - pais, professores, sindicatos, administração, ME -, para um melhor sistema educativo, mais justo, mais rico, mais exigente. Vamos dar um melhor futuro aos nossos jovens.
Ana Soares

domingo, 10 de janeiro de 2010

entre mim e o meu silêncio há gritos de cores estrondosas



entre mim e o meu silêncio há gritos de cores estrondosas
e magias recortadas dos sonhos que acontecem naturalmente.
eu sou a cama onde me deito, todas as noites diferente,
eu sou o sorriso estridente dos pássaros no céu todo,
eu sou o mar, o oceano velho a abrir a boca numa
gruta que assusta as crianças e os homens que conhecem
o mundo. eu sou o que não devia ser e rio, rio,
rio, porque sou puro, porque sou um pouco de alegria,
porque mil mãos e dez mil dedos me percorrem o corpo
e me beijam. entre mim e o meu silêncio há uma
confusão de equívocos que não entendo e não admito.
sou arrogante, porque sou do país em que inventaram
a arrogância. sou miserável. que sei eu? sou um viajante
com destino traçado, como o fumo deste cigarro que
desaparece indeciso e já esqueceu de onde veio. e rio,
rio, rio, perdido e desalmado, de dentes sujos e quase
doente, porque minha é esta esperança e esta vontade
de nascer em cada manhã, em cada rosto, em cada
fósforo acesso, em cada estrela. rio, rio, rio, porque meu
é o amor e o luto e a fome e todas as coisas
que fazem esta vida que não entendo e persigo.
eu sou um homem vivo a sentir cada pedra,
eu sou um homem vivo a sentir cada montanha,
eu sou um homem vivo a sentir cada grão de areia.
desordenadamente, eu sou alguém que é eu sem o saber,
entre mim e o meu silêncio há um desentendimento
esculpido nas flores e nas nuves, rio, rio, rio,
eu sou a vida e o sol a iluminar-me.

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas

sábado, 9 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A avaliação dos professores

Então como será a avaliação?

A mesma processar-se-á a partir de três elementos:

- relatório de auto-avaliação;

- observação de aulas (pelo menos duas; sempre a pedido do docente, condição para a classificação de Muito Bom e Excelente e para a progressão ao 3º e 5º escalão);

- ficha de avaliação global.


O processo de avaliação ficará dependente de uma Comissão. A mesma será constituída pelo Presidente do Conselho Pedagógico e três docentes do mesmo orgão. A avaliação competirá ao Júri. Este será consituído pelos membros da comissão e por um elemento variável pertencente ao departamento curricular do avaliado.

Para ler o acordo de princípios ontem obtido, clique aqui.

Ana Soares

Ano Novo. Paz nas Escolas.

Depois de quatro anos e uma última etapa de negociações que durou 14 horas, temos acordo na educação!
A Ministra alegrou-se com o "feito":
“Como ministra da Educação estou muito satisfeita e quero assegurar a todos os portugueses que este acordo é um bom acordo. Bom para a Educação, bom para as nossas escolas, bom para os professores e bom para o país”. (in Público)
Caiu a prova de ingresso para os “candidatos” que já tenham leccionado e sido avaliados e todos os professores com Bom poderão ascender ao topo da carreira no final de 40 anos.
Além disso, os lugares ocupados pelos professores com “Muito Bom” e “Excelente” não serão contabilizados para efeito do preenchimento de vagas. Deste modo, a progressão destes professores, que está garantida independentemente da existência ou não de vagas, não retirará lugares aos docentes classificados apenas com “Bom”.
Estas foram as últimas arestas a serem limadas. Sabemos que o perfil da Ministra contribuiu para este facto: serenidade, diálogo, reconhecimento do valor dos docentes.
Ano Novo. Paz nas escolas.
Ana Soares

Finalmente um acordo

Agora vamos esperar que os docentes se voltem a concentrar no que é realmente importante e que tal como disse a ministra Isabel Alçada a tranquilidade regresse à escola. Habemus acordo , gritou-se ao fim de 14 horas de negociações.
BW

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Negociações perto do fim

Ministério da Educação deixa cair a prova de accesso à carreira e a exigência de vagas para o acesso ao terceiro escalão. Afinal, será esta uma medida tão inesperada? É que já tinhamos ouvido a anterior senhora ministra, ainda que "en passant" numa entrevista, afirmar que este constrangimento, chamemos-lhe assim, seria temporário. Ainda assim, não há confirmação da posição dos sindicatos, pois, para os professores classificados com Bom, a progressão na carreira para o quinto e sétimo escalão continuará a ficar dependente da abertura de vagas.
Ao final da tarde não havia ainda consenso com os sindicatos - mas admitamos que muito caminho foi já percorrido. Do fecho e conclusões da reunião que às 20h ainda continuava, não temos ainda notícias.

Ana Soares

Última ronda negocial. Hoje.

"Governo e sindicatos realizam quinta-feira aquela que deverá ser a última ronda negocial para a revisão do estatuto da carreira e da avaliação docente, depois de terem falhado um acordo na semana passada. No centro da discórdia está, sobretudo, a progressão dos professores classificados com Bom. Segundo a proposta do ministério, nem todos aqueles que conseguirem esta nota poderão aceder ao topo da carreira, ficando dependentes da existência de vagas. "
Isabel Alçada afirmou que “em relação ao sistema de avaliação, o modelo está praticamente aceite”, mas no que respeita ao estatuto da carreira há “ainda algumas propostas a apresentar”.
Lusa/Jornal PÚBLICO

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Emigrantes portugueses com maus resultados escolares

Portugal tem a segunda taxa de abandono escolar precoce mais alta da UE. A culpa é do eduquês clamam alguns; dos sucessivos ministros e suas reformas, acrescentam os mesmos; dos pais que são os que já sofreram as influências do eduquês, que querem uma educação facilitista e facilitadora para os seus filhos, dos pais que não respeitam os professores.
E o que é que se passa no resto da Europa para que os filhos dos emigrantes portugueses tenham tão maus resultados e batam todos os outros no que diz respeito ao abandono escolar?
Os problemas no Luxemburgo, na Suiça ou na Alemanha são iguais aos portugueses? Também andam a experimentar curriculos e a implementar reformas de quatro em quatro anos? Os pais, emigrantes de 1.ª ou de 2.ª geração estudaram em Portugal ou já estudaram nesses países?
De imediato, não sei responder a nenhuma destas questões, mas sei dizer que estes três países põem, muitas vezes, os filhos dos emigrantes nas classes especiais, nas turmas dos meninos com necessidades educativas quando, normalmente, o único problema que têm é com a língua estrangeira. Esse será um aspecto que certamente desmotivará os mais interessados em prosseguir os estudos.
E depois, claro, a culpa é dos pais que não valorizam a educação - eles tiveram a coragem de sair, de começar uma vida nova, num país diferente, sem saber a língua, foram empreendedores e não precisaram dos estudos para nada, acreditam. A culpa é dos próprios miúdos que não gostam de estudar, que consideram a escola uma perda de tempo, e para quem o importante é entrar no mercado de trabalho, quanto mais depressa melhor, tal como fizeram os seus pais.
BW

Boas notícias para mães que decidem ter filhos mais tarde

Mães que decidiram ter filhos mais tarde - são cada vez mais! - deixem de se angustiar! Afinal podem viver mais tempo e continuar saudáveis! A receita serve a qualquer mãe, nova ou velha e está aqui .
BW

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Um filho homossexual

A homossexualidade não é nova, sempre existiu, mas continua a ser desconfortável para os pais lidar com a questão. São as piadas, o preconceito, o desdém, muitas vezes revelado à frente dos filhos.
Volta e meia, por culpa da actualidade, o tema vem à baila. O que é a homossexualidade?, perguntam os mais novos. Se falarmos com naturalidade das relações entre pessoas do mesmo sexo, como falamos das relações entre pessoas de sexo diferente, estaremos a fazê-los crescer na tolerância e no respeito pelos outros. Estamos a dizer-lhes que lá fora, na escola, no grupo de amigos, etc, podem encontrar outras pessoas que são diferentes e devem respeitá-las por isso. Estamos também a abrir-lhes as portas para que confiem em nós caso descubram que a sua orientação sexual é diferente da nossa. Em suma, estamos a transmitir-lhes que podem contar connosco.
Este domingo, na Notícias Magazine, o pediatra Mário Cordeiro escrevia sobre o tema e lembrava que se a adolescência já é complicada para os miúdos que fazem parte da maioria heterossexual, muito mais difícil será para os que descobrem ser homossexuais. E alerta que, por vezes, estes jovens podem ser «"empurrados para a clandestinidade", o que pode trazer um menor acesso a serviços, um maior desconhecimento de informação credível, e um aumento de problemas psicológicos e sociais, numa adolescência pontuada por dúvidas, angústias e "duelos" entre modelos de vida, de comportamentos, de relações e de concepções de sociedade.»
A não aceitação da homossexualidade pode levar à exclusão, ao assédio e pode ter repercussões no desenvolvimento, no sucesso escolar e na futura integração no mercado de trabalho, acrescenta o pediatra.
Certamente que nenhum pai quer que o seu filho passe por tudo isto sozinho.
BW

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ano novo, novo acordo ortográfico?

O Novo Acordo Ortográfico está ou não está em vigor? E nas escolas? A Ministra da Educação pede mais tempo para as escolas se prepararem. A Ministra de Cultura, por outro lado, defende a sua rápida entrada em vigor. Os linguístas e intelectuais dividem-se. Leia aqui a notícia do desacordo.
Ana Soares

domingo, 3 de janeiro de 2010

Inéditos de Fernando Pessoa

Inéditos de Fernando Pessoa no i-online. Vale a pena passar por lá e ler os comentários a estes 11 textos.

Ana Soares

sábado, 2 de janeiro de 2010

"Querer é obrigar os desejos a fazer ginástica."

E. Roda e G. Luís, O quê, que, quem, ed. eterogémeas