domingo, 25 de outubro de 2009

Tesouros que nos perpetuam - II


Memórias de gente à frente do seu tempo.
Sebentas que ficaram para filhos e netos.
Tesouros que perpetuam lembranças.
Ana Soares

sábado, 24 de outubro de 2009

Tesouros que nos perpetuam - I

"Todos devíamos deixar qualquer coisa atrás de nós, ao morrermos, dizia o meu avô.Um filho, um livro, um quadro, uma parede ou um par de sapatos. Ou ainda um jardim plantado de flores. Qualquer coisa que a mão tocou e para onde a alma irá no instante da morte. E quando as pessoas olharem essa árvore ou essa flor que plantámos nós, estamos lá, sob os seus olhos."

R. Bradbury, Fahrenheit 451, col. mil folhas, Público, p.152

Saber Ser, Saber Estar

É um livro de etiqueta para crianças, de uma especialista em protocolo. Elisabete Vieira Canha de Andrade recupera um título com dez anos e dá-lhe novas histórias e personagens.
O objectivo é ensinar os mais novos a comportar-se bem à mesa, na escola, nas viagens, a falar, etc. "Incutir e fazer perdurar no tempo os bons valores morais que outrora nos eram transmitidos pelos nosso pais, avós, tios e outros familiares que ainda tinham tempo de passar aos mais novos", diz a autora.
Discordo ligeiramente da afirmação: etiqueta nada tem a ver com valores morais, mas sim com o viver em sociedade. E isso, sim, é importante que os nossos filhos saibam fazer.
O livro parece-me útil sobretudo para quem não aprendeu onde colocar os braços quando está à mesa; para quem não sabe que não se deve atirar papéis ou outro lixo pela janela do carro; para quem não sabe que deve cumprimentar toda a gente, mesmo que não receba resposta (o que nem sempre é fácil!).
E, já se sabe, ninguém vai admitir que desconhece estas regras! Mas para os mais novos, um livro pode ter uma autoridade que os pais, por vezes parecem não ter e aí, este Saber Ser, Saber Estar, da Texto, pode ser muito útil!
As ilustrações são de Raquel Pinheiro (vale a pena visitar a página de Internet da ilustradora) e dois por cento das vendas revertem a favor do Instituto de Apoio à Criança.
BW

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Porque continuam as suas músicas actuais?

"Na ruela de má fama/o charlatão vive à larga/chegam-lhe toda a semana/em camionetas de carga/rezas doces, paga amarga.
No beco dos malfadados/os catraios passam fome/têm os dentes enterrados/no pão que ninguém mais come/os catraios passam fome."
(...) "Entre a rua e o país/vai o passo de um anão/vai o rei que ninguém quis/vai o tiro do canhão/e o trono é do charlatão"
A letra é de Sérgio Godinho, a música de José Mário Branco. Ontem foi ainda cantada (e a corneta mal tocada, a dar lugar a gargalhadas no palco e na plateia) por Fausto. A canção é de 1971 e no concerto que ontem reuniu os três cantautores Sérgio Godinho disse, em tom irónico que "um charlatão é coisa que já não existe em Portugal".
Pois não!
É impressionante como muitos dos temas com 40 anos continuam actuais.
O que mudou? Aqueles que os ouviam, que cantavam e manifestavam-se há 40 anos contra a ditadura, os que se orgulham de ter feito parte da mudança, são os mesmos que ontem repetiam, sentados nos seus lugares na plateia vip, os mesmos refrães e são agora ministros, administradores de grandes empresas do Estado e outros.
A mudança? Aconteceu, sim há a democracia; mas a fome, a pobreza, o desemprego continua. Anteontem, a rádio anunciava o despedimento de 500 trabalhadores da Delphi; hoje a Quimonda vai escolher os operários que ficarão em lay-off e os que serão despedidos. Um em cada cinco portugueses é pobre. Por seu lado, os bancos querem ser pagos pelos impostos que cobram.
BW

Faltas dos alunos devido à Gripe A

De acordo com notícia publicada no jornal Público, uma circular enviada às escolas terá esclarecido quais os procedimentos relativamente às faltas dos alunos infectados com o vírus H1n1, vulgo gripe A. Os alunos que apresentem sintomas de gripe A devem ficar afastados da escola durante "sete dias a contar do primeiro dia de aparecimento da febre, independentemente da data do diagnóstico”, lê-se no documento da Direcção-Geral da Inovação e do Desenvolvimento Curricular, organismo do Ministério da Educação que trata estas questões em parceria com a Direcção-Geral da Saúde.

As faltas podem simplesmente ser justificadas na caderneta ou impresso próprio. Só se o aluno desejar regressar à escola antes dos sete dias será necessária apresentação de declaração médica.


Ana Soares

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Isabel Alçada - Nova Ministra da Educação

Está anunciado o novo governo.
Isabel Alçada, na Educação, era já uma suspeita.
Os sindicatos, por seu lado, já lançaram a "agenda" para o arranque desta nova legislatura: suspender a avaliação de desempenho dos docentes.
Pessoalmente, tenho a esperança de encontrar nesta nova ministra mais diálogo, mais equilíbrio, mais bom senso. A ver vamos.
Ana Soares

Porque é que os nossos filhos devem vir a casa todos os dias

Para rapazes aventureiros, atléticos, responsáveis, independentes, o apelo do Colégio Militar (CM) é tentador. Viver, dia e noite, com outros rapazes da mesma idade, longe de casa, estudar e praticar todos os desportos possíveis e imagináveis. Ser responsável por si e pelos outros. Para quem teve familiares ou amigos no Colégio Militar, como eu, que falam da união, da fraternidade, do espirito de camaradagem lá dentro e do sentido de grupo que se continua a viver cá fora, o apelo é de facto tentador. "Um por todos e todos por um". Mas são essas mesmas pessoas que admitem que uma vez ou outra lá há um castigo; que faz parte, que é preciso ser homem e não "uma menina", que quem se queixa são os fracos, que quem é castigado são os rebeldes, que quem tira os filhos do colégio são as famílias descompensadas e problemáticas.
Há sempre uma justificação para encobrir um castigo inflingido pelos mais velhos. São 200 anos de tradição, é o espírito militar, argumentam.
Não são os castigos que me afastam de uma educação militar. É o ter a certeza de que quem é responsável pela educação e pela formação de carácter dos meus filhos sou eu e o pai deles e não o Estado travestido na figura dos graduados - rapazes de 16/17/18 anos, finalistas do secundário que foram deixados pelos pais no colégio quando tinham dez, à guarda de outros rapazes de 16/17/18 anos.
BW
PS: Diz o presidente da associação de pais do CM que não há violência como "cá fora", não há navalhadas. É certo, há a humilhação constante. Desconheço com o que é mais difícil de lidar...

Arquitecto David Mares ganha concurso Guggenheim

David Mares venceu prémio do público em concurso do Guggenheim. O arquitecto português de 26 anos, venceu o Prémio do Público no concurso internacional de Design “Shelter Competition”, promovido pelo Museu Guggenheim de Nova Iorque, com um modelo que conjuga aço, madeira e cortiça, construído em Vale de Barris, perto de Setúbal.
A proposta portuguesa reuniu 64.875 votos dos cibernautas, de acordo com a última contagem disponível, contabilizada pela Lusa.
O trabalho, que David Mares fez "numa semana de férias, era um dos dez finalistas escolhidos entre cerca de 600 participantes oriundos de 68 países.
O projecto intitulado CBS - Cork Block Shelter, foi desenhado para ser ecológico e manter uma temperatura amena perante grandes amplitudes térmicas. “Num micro-clima que vai do calor seco ao frio húmido, a aplicação da cortiça é um bom isolante térmico que também fornece isolamento acústico para dormir ou estudar”, lê-se na apreciação do projecto.
Parabéns!

Como Obélix caiu no caldeirão...

A hora de ler Astérix é quase sagrada. Durante a sua leitura não se ouve um barulho, a não ser uma gargalhada ou um pedido de esclarecimento de alguma expressão.


Por isso, o livro Como Obélix Caiu no Caldeirão do Druida Quando Era Pequeno vai ser muito benvindo lá em casa, sobretudo porque tem uma capa nova, criada por A. Uderzo, o histórico co-autor, com R. Goscinny, das aventuras dos famosos gauleses, que este ano completam 50 anos.


Para assinalar o cinquentenário das aventuras de Astérix e Obélix, a editora ASA vai publicar um álbum de 56 páginas com pranchas e textos inéditos de A. Uderzo e R. Goscinny. A edição está agendada para 22 de Outubro e acontecerá em simultâneo em 18 países.



BW

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Clássicos da literatura em animação

The Triplets :uma extraordinária série infantil produzida pela Cromosoma.

Conhecia as trigémeas do canal Panda, onde algumas vezes as vi numa série de iniciação à língua inglesa. Voltei a encontrá-las na Fnac. Um único CD, falado em Português, com três episódios:
As três irmãs e Robinson Crusoe;
As três irmãs e Oliver Twist;
As três irmãs e Helena de Tróia.


Arrisquei e trouxe. Fizeram um sucesso e todos os episódios são fantásticos. O meu receio inicial, que os episódios fossem uma "fraca" substituição da leitura destas obras, deixou de fazer sentido, pois, pelo contrário, cada episódio, com uma pequena aventura, apresenta a obra, tema e personagens, assim abrindo o apetite para futuras leituras
Recentemente, voltei encontrá-las no clube de video (na verdade, agora deveria dizer clube de DVD, certo?). Mais uma série de fantásticos episódios; a ilha do tesouro, Sandokan, as 20.000 léguas submarinas.
Uma boa escolha, definitivamente.


Ana Soares

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O principezinho envelhecido - Ondjaki




"Velhice é todos os dias ir despedindo um pouco coisas que inda nos tocam as paredes do coração."

Ondjaki, E se amanhã o Medo, p.44



E se amanhã o Medo é um pequeno livro de contos de Ondjaki, com cerca de 100 páginas, que reúne vinte contos.
O conto " A confissão do acendedor de candeeiros" recria, num velho acendedor de candeeiros, a quase mítica personagem de Saint-Exupéry, o Principezinho. Uma homenagem a esta figura no livro dum jovem escritor angolano.
Ana Soares

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Távola redonda apresentada aos mais jovens

Beatrice Masini, Rei Artur, Guinevere e Lancelot - Uma História de Amor e de Guerras, Livros Horizonte

A história de Lancelot do Lago, cavaleiro da Távola Redonda, e dos seus amores por Guinevere, a jovem mulher do Rei Artur, apresentada aos mais jovens, talvez a partir dos 7 anos, com uma dose extraordinária de magia e ilustrações de sonho.
Apaixonante.
Ana Soares

domingo, 18 de outubro de 2009

Palavras desnecessárias

"Tudo o que se diz de desnecessário é estúpido, é um sinal destes tempos estúpidos em que falamos mais do que entendemos."

Miguel Sousa Tavares, No teu Deserto - Quase um Romance, Oficina do Livro, p.49

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Museus e colecções para crianças

“António Maria já tinha decidido que quando fosse grande, queria ser antigo como o avô. Depois daquele dia, acrescentou ainda que, quando fosse antigo, queira morar num museu. Quando morasse num museu, convidaria o avô para lá viver com ele. Isto porque, o avô contava as mais longas e intermináveis histórias sobre a vida dos antigos. António fazia muitas perguntas ao avô, que lhe respondia ao ritmo compassado do relógio. Sobre os museus explicou:
- Os museus são as casas das colecções! Como as colecções não gostam de viver sozinhas, os museus abrem as portas para as pessoas entrarem…
COLECÇÃO parecia mesmo uma palavra importante, até porque rimava com coração. (…)


Excerto de Colecção, de Margarida Botelho

Museus, colecções, letras. Um livro escrito e ilustrado por Margarida Botelho. Uma aventura maravilhosa do António Maria. Com a qualidade e magia a que a autora já nos habituou.

Ana Soares

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Blogues unidos pelo ambiente - II

Acreditamos que a nossa geração pode fazer a diferença, pois podemos passar a responsabilidade aos nossos filhos e alunos. Com os ensinamentos e com o exemplo, naturalmente.
Uma torneira que se fecha enquanto os dentes são lavados. O lixo que é devidamente separado. As luzes que se vão apagando casa fora. Os sacos com o lanche da tarde que se guardam de um dia para o outro. O papel que se escreve dos dois lados. O sabonete em vez do gel de banho. A roupa que passa de irmão em irmão. O lixo que nunca fica no chão.
Temos nas nossas mãos os cidadãos do mundo de amanhã. Podemos fazê-los acreditar que cada gesto de cuidado com o planeta vale a pena. Assim, gestos infinitos poderão mudar o rumo do planeta verde. Não é uma utopia. É um dever.

Blogues unidos pelo ambiente - I

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

De novo os rankings...

Hoje para dar os parabéns ao i. O trabalho comparativo entre as três escolas jesuítas (fi-lo há uns quatro anos (!)) revela que, nas três escolas da Companhia de Jesus, os professores têm formação em conjunto, a filosofia de ensino é a mesma e, no entanto, os resultados são muito dispares, com a escola de Lisboa no topo da tabela e a de Santo Tirso lá mais para baixo. Isto põe a nú o evidente: o capital humano, económico e social dos alunos conta muito para os seus resultados! Portanto, os colégios e as públicas do topo da tabela, onde os alunos têm todas as condições para estudar, deveriam ter resultados muito melhores!
Diz Seabra Santos, reitor de Coimbra, que a inteligência está em todas as classes socias. Eu acredito que sim, por isso, o trabalho das escolas nos meios sociais mais desfavorecidos é tão importante e merecedor de mais do que um "duvidar" .
BW

Não resisti à Maitê Proença, confesso

Recebi o filme, recebi vários e-mails de brasileiros indignados e envergonhados com o video de Maitê Proença para o programa Saia Justa, em 2007, e acabei por não resistir e ver.
Não me choca o ridicularizar os portugueses, nós também o fazemos - de nós próprios e dos outros - o que me choca é a ignorância. Ir a Sintra, uma das vilas mais bonitas do mundo, classificada como património da UNESCO, e ficar-se por uma porta onde um número está ao contrário, é pobreza de espírito. Ir ao Mosteiro dos Jerónimos, único no mundo, estar num claustros que fez e onde se continua a fazer história e cuspir, é, no mínimo, falta de educação. Falar de Salazar, e dizer que foi um ditador que esteve no poder uns 20 anos, é ignorância. O resto é o preconceito a falar mais alto, o achar que os portugueses são todos uns padeiros ignorantes, chamados Manuel.
BW
PS1: Com um continente tão esplendoroso, tão novo e tão belo, é uma pena os americanos (em geral e de norte a sul) terem quase sempre uma relação tão mal resolvida com o velho continente!
PS2: Não sou responsável pela frase que está em cima do filme!

Actualização: Maitê Proença já veio pedir desculpa. Por mim, desculpas aceites!

Farol de Sonhos em Cascais


Na próxima 4a-feira, dia 14, inaugura a 2ª edição do Farol de Sonhos 2009 - Encontro sobre o Livro e o Imaginário Infantil.


O Farol de Sonhos está de volta, mantendo a sua matriz de divulgação e promoção do livro e do imaginário infantis, em estreita colaboração com a comunidade educativa do concelho de Cascais.
Em 2009 o Farol terá um formato semelhante ao da edição inaugural, em 2006, composto por iniciativas multidisciplinares, desde exposições a conferências, passando pela edição de publicações sobre os convidados e workshops destinados às escolas e ao público em geral.
O Farol de Sonhos 2009 contará, mais uma vez, com a presença de um conjunto de especialistas na área da ilustração e do livro para crianças, entre os quais um ilustrador de dimensão mundial, Isidro Ferrer, cuja obra dará corpo a uma das exposições do encontro. Será ainda destacada uma ilustradora portuguesa, Teresa Lima, com uma exposição individual e a publicação de um catálogo retrospectivo da sua obra.
Com o objectivo de envolver a população escolar do concelho de Cascais, o Farol de Sonhos 2009 terá também uma exposição dos trabalhos realizados por alunos do 1º ao 6º ano com o mote: Desenha a tua Ondina.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Saiba qual é a escola ideal para o seu filho

O i titula: Saiba qual é a escola ideal para o seu filho. Lido o texto ficamos sem saber!

Na edição em papel diz o i: "O Ministério da Educação divulgou ontem o ranking nacional das escolas do ensino básico e secundário"

Correcção: O Ministério da Educação (ME) divulgou a base de dados dos resultados dos exames nacionais do básico e do secundário. O ME não faz rankings, quem os faz é a comunicação social e cada um faz como quer!

No PÚBLICO o critério para o secundário é contar apenas com os resultados dos exames das oito disciplinas com mais alunos internos inscritos. Para o básico contamos com os inscritos e os auto-propostos mas que frequentaram a escola. Fazemos ainda dois rankings, um com as escolas todas, outro com aquelas onde foram feitas mais de 50 provas.

O i lista "as 25 melhores escolas do país" com o título "apostar" e as "20 piores do país" com o título "duvidar". No PÚBLICO falamos de escolas com melhores e piores resultados, não é uma questão de português, é uma questão de respeito para com o trabalho das escolas. Porque é que devemos duvidar da escola do Carmo, em Câmara de Lobos (a primeira na lista das piores do i) e não do Colégio do Rosário no Porto (a primeira melhor)? O que é que o i sabe dessas escolas e não escreveu em lado nenhum?

E continua, cada listagem tem um título: "a melhor escola do meu distrito, a melhor disto, a melhor daquilo"... Quem disse que a escola com os melhores resultados é a melhor? Onde é que está a reflexão que leva a essa conclusão? Ah! São os resultados dos exames, que uns fazem para entrar a Medicina e outros apenas para terminar o secundário.

Este tipo de trabalho é giro, é fun, é sexy, é leve, tem muita leitura, mas não é jornalismo e descredibiliza o que se pode fazer a partir dos resultados dos alunos. No próximo sábado, o PÚBLICO tem um suplemento com a reflexão possível.

Entretanto, para saber de facto como escolher a escola ideal, o melhor é ler este livro! Apesar da lei ainda ser muito fechada, os portugueses têm cada vez mais possibilidades de escolher a escola para os seus filhos e este livro ajuda os pais a olharem para o estabelecimento de ensino, equipamentos e recursos com olhos de ver.
BW