sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Educação sexual nas escolas

Hoje a Plataforma de Resistência Nacional (PRN) - um grupo de pais que se juntou porque "ficaram em alerta vermelho" com a aprovação do projecto-lei que impõe a inclusão obrigatória da educação sexual nas escolas - vai fazer um protesto em Lisboa contra a lei. A concentração é às 17h30, junto à Maternidade Alfredo da Costa e segue para o Ministério da Educação onde a será entregue um manifesto.

O que é que diz a lei contestada?
Que a educação sexual é obrigatória e tem como finalidades (artigo 2.º):
"a) a valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa;
b) o desenvolvimento de competências nos jovens que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade;
d) a redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis;
f) o respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais;
g) a valorização de uma sexualidade responsável e informada;
h) a promoção da igualdade entre os sexos;
i) o reconhecimento da importância da participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores, técnicos de saúde"
As alíneas são 11, mas deixo aqui aquelas que considero mais relevantes.

Para a PNR não há razões para aplicar a lei. Por isso pede que "o nacional-sexualismo deixe de existir, pois nenhum parlamento imporá uma doutrina sexual oficial, a única e de Estado". Quanto aos problemas que surgem devido à falta de informação, a resolução é simples: "Os pais displicentes com os seus filhos serão ajudados pela Segurança Social e não serão pretexto para a expropriação de todos os filhos dos pais esforçados".

Voltemos à lei:
A educação sexual é obrigatória "nos moldes definidos pelo respectivo conselho geral [da escola], ouvidas as associações de estudantes, as associações de pais e os professores" (art. 6.º).
Os pais voltam a ser referidos no art. 11.º que diz:
"1. Os encarregados de educação, os estudantes e as respectivas estruturas representativas devem ter um papel activo na prossecução e concretização das finalidades da presente lei.
2. Os encarregados de educação e respectivas estruturas representativas são informados de todas as actividades curriculares e não curriculares desenvolvidas no âmbito da educação sexual."

Não vejo motivos para contestação quando a lei - cuja aplicação esperamos que seja coerente com o texto - salvaguarda que os pais têm que ser ouvidos. Também não me parece que a Igreja Católica queira abraçar esta luta (pelo menos abertamente). Por exemplo, o Secretariado Nacional da Educação Cristã, tutelada pela Conferência Episcopal Portuguesa, tem publicado alguns livros sobre o tema.

Entre eles está o Guia para a Educação da Sexualidade, de Cristina Sá Carvalho, psicóloga e professora na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Da bibliografia deste manual fazem parte documentos do magistério da Igreja como as encíclicas papais ou as cartas dos bispos portugueses.

Voltando, outra vez, à lei. Esta prevê ainda a criação de protocolos com organizações não governamentais, "devidamente reconhecidas e especializadas na área, para desenvolvimento de projectos específicos". E estas associações existem, lembro só o Movimento de Defesa da Vida que tem trabalho feito e reconhecido nesta área - para não falar de outras como a Associação para o Planeamento da Família que fazem urticária aos pais da PNR e de outras plataformas semelhantes.
BW

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Up já nos cinemas

É a mais nova aventura da Pixar e, diz quem viu, que é fantástica!
O trailer é o máximo e a crítica também.
A partir de hoje nos cinemas.

(Re)descobrir Roald Dahl

São mais conhecidas as suas obras, adaptadas ao cinema, do que o seu nome. Roald Dahl é um escritor britânico de origem norueguesa e escreveu, entre outros, Charlie e a Fábrica de Chocolate, Matilde, As Bruxas e James e o Pêssego Gigante.

Por cá, os seus títulos têm sido editados pela Terramar, em tudo semelhantes à edição inglesa e com ilustrações de Quentin Blake incluídas!

Os contos de Dahl obedecem à mesma estrutura que os tradicionais, ou seja, as crianças (talvez a partir dos dez anos, antes disso, pode ser mais difícil ler cerca de 200 páginas) não são poupadas aos defeitos, à dor ou ao sofrimento dos personagens. O que é óptimo porque não há nenhum conto que não tenha uma "moral da história".

Vem aí mais um título adaptado ao cinema: O Fantástico Sr. Raposo, que, por agora, pode ser visto aqui!

BW

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Gelados e bolas de Berlim

"Ai, bola de Berlim quentinha! Ó batata frita! Ai, está tudo a estalar!" De bata e touca branca, com o cesto das batatas fritas na mão direita e a caixa dos bolos na esquerda. Era assim que se apresentava a mulher dos bolos na praia. Confesso que não me lembro do seu nome, mas recordo bem o pregão, o saco de pano onde guardava o dinheiro e, sobretudo, a caixa com prateleiras cheias de bolas, pastéis de nata, guardanapos, palmier recheados...
Hoje, a única coisa que se come na praia são os gelados da Olá e da Ben & Jerry's , estes últimos maravilhosos! Portanto, foi com alguma estupefacção que lemos esta notícia, onde se conclui que, em média, cada português come 15 gelados (de pauzinho) por ano. A estatística não foi feita a contar com os gelados, quase diários consumidos pelos meus descendentes, durante os meses de Verão (e por mim...)!
BW
PS: As crianças não são obesas! Aliás, os seus índices de massa corporal são abaixo do ideal. Gastam todas as calorias nas carreirinhas, no bodyboard, nas bicicletas, nas brincadeiras, que isto de estar de férias cansa muito!

Escrita criativa com Pedro Sena-Lino

Tive a sorte de estar entre um grupo de formandos de Pedro Sena-Lino. Conheci, então, o poeta e escritor, autor do romance recentemente publicado pela Porto Editora, 333, no âmbito de uma fantástica formação sobre escrita criativa. Nela, e pela palavra, fui desde uma aspirina a uma sogra ciumenta. Tudo isto com naturalidade. O dinamizador da sessão, director da Companhia do Eu, é ainda o autor do Curso de Escrita Criativa.

Na impossbilidade de participar numa oficina/workshop desta natureza, recomendo esta obra, em dois volumes, editada pela Porto Editora. Uma excelente oportunidade para perder preconceitos relativamente à escrita e se descobrir. Os professores, para além do exercício pessoal de escrita, podem ainda adaptar algumas das propostas deste curso às suas aulas.

Ana Soares

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Amália hoje


Não é fácil ter 24 anos

"Não é fácil ter 24 anos", dizia uma familiar, com licenciatura e mestrado concluidos, na encruzilhada entre o continuar a estudar ou fazer trabalhos menos qualificados para a formação que os pais e o Estado pagaram. Com formação numa área científica, teve sempre excelentes notas, fez Erasmus e estágios em Portugal e no estrangeiro. E se o Governo publicita a importância da ciência no desenvolvimento do país, na prática, pessoas como ela estão à espera que algo de bom aconteça. Entretanto, continuam a responder e a enviar CV para todo o lado, enquanto fazem trabalhos para os quais não precisavam de tantas qualificações.
"Não é fácil ter 24 anos" e os ministros e reitores das universidades continuam a insistir na importância de ter formação superior e atiram com as estatísticas: um desempregado com licenciatura está menos tempo no desemprego do que um sem qualificações. Há tempos, lia um texto de Pedro Adão e Silva que dizia que não é mau ter licenciados em Direito a conduzir táxis. Por mim, prefiro continuar a ser conduzida pelo senhor Alberto, com a quarta classe "bem feita porque no tempo do Salazar é que era bom" e que ainda não se habituou ao GPS e a "essas modernices", do que por um aspirante a jurista, revoltado com a sua sorte.
"Não é fácil ter 24 anos". Sim, não é só em Portugal, mas no resto da Europa também. Senão, como explicar que a União Europeia tenha definido como idade limite os 30 anos para o acesso a iniciativas públicas destinadas aos jovens? Aí está a primeira medida do Governo português: alargar os benefícios do Cartão Jovem dos 25 para os 30 anos. E assim vamos torneando o problema do emprego. Ler aqui.
BW

João, não sejas rufião! Leonor, pede por favor!

"Esta é a história da pequena Leonor.
Uma menina terrível, que nunca pedia por favor.
O que a Leonor queria, tirava sem pedir:
Uma torrada, uma cadeira, um livro para colorir.
A Leonor nunca esperava pela sua vez,
Não pedia por favor nem agradecia.
Ela nunca aprendia..."
in Leonor, pede por favor! (Say please, Louise, na versão original)

"A Rosa, é uma menina muito mentirosa.
Uma vez, a Rosa rasgou a camisola.
- Fui raptada por piratas! - gritou.
De outra vez, a Rosa partiu uma janela.
- Foi um meteorito medonho!
Ainda outra vez, a Rosa encharcou a casa de banho.
- A culpa foi do elefante!"
in Rosa, não sejas mentirosa! (Don't tell lies, Lucy, na versão original)

"O João é um rufião.
Todos os dias na escola, o João bate...tira...puxa...e esfola......
e todos lhe pedem:
- João, não sejas rufião!"
in João, não sejas rufião! (Don't be bully, Billy, na versão original)
A colecção chama-se Comportamento e é publicada pela Texto Editora. São pequenas histórias que chamam a atenção dos mais pequenos para alguns comportamentos que eles conhecem tão bem, seja porque os praticam ou porque são vítimas dos mesmos...
Ficamos à espera do Give that back, Jack e do Don't be greedy, Graham, dos mesmos autores. Phil Roxbee Cox (texto) e Jan McCafferty (ilustração).
BW

Certamente que a esta hora já todos têm as férias mais do que programadas, MAS... pode haver algum percalço de última hora e aqui fica uma sugestão só para os miúdos. A 122 euros por semana (sem almoço), as crianças dos quatro aos dez anos, podem fazer descobertas fabulosas no Museu Nacional do Traje, em Lisboa.
A proposta é descobrir os mistérios que o Parque Monteiro-Mor esconde. "Ficaremos a saber que este parque tem entre as suas árvores uma das espécies vivas mais velhas do mundo. Que o seu jardim botânico é regado com água de uma cisterna com nascente própria. Que o parque é visitado por uma garça-real, guarda-rios, popas, morcegos, entre outros. Enfim vamos descobrir aquilo a que alguns chamam o jardim tradicional português com a coexistência de hortas, de aromáticas, de pomar, de mato e de jardim", propõe a Terramater.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Educação sexual nas escolas em Diário da República

O diploma que estabelece a aplicação da educação sexual nas escolas a partir do próximo ano lectivo foi já publicado em Diário da República. Clique para ler.
Para ler a notícia do Público que resume as suas implicações, clique aqui .

Amália em 1965

sábado, 8 de agosto de 2009

O Diário de um Banana de Jeff Kinney

Greg Heffley é um miúdo que vai começar uma nova fase da sua vida: a entrada para o 2.º ciclo. Está entre a infância e a pré-adolescência, com todas as dúvidas e angústias que os seus pares têm, seja nos EUA ou em Portugal.
O Diário de um Banana de Jeff Kiney , da editora Vogais & Companhia, é uma espécie de diário - Greg recusa-se a chamar-lhe assim e prefere a expressão "livro de memórias" - escrito e ilustrado por um cartoonista.
A ler pelos pré-adolescentes, mas também pelos pais que poderão rever-se em muitas passagens, ou porque lhes lembrará o ambiente da preparatória (hoje 2.º ciclo), ou porque agem como os pais de Greg.
Divertido e óptimo para ler nesta altura do ano, antes que as aulas comecem!

BW

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Livros Digitais

Mais e-books gratuitos. Desta vez é a poderosa Sony que disponibiliza obras que já cairam no domínio público. Leia mais aqui.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A Viagem do Elefante

"O elefante, já lho disse no outro dia, é outra coisa, em um elefante há dois elefantes, um que aprende o que se lhe ensina e outro que persiste em ignorar tudo, Como sabes tu disso, Descobri que sou tal e qual o elefante, uma parte de mim aprende, a outra ignora o que a outra parte aprendeu, e tanto mais vai ignorando quanto mais tempo vai vivendo". p. 155

Mais uma viagem com Saramago. Desta vez, para além da história de Portugal (ou da península, melhor dizendo), de mais uma incursão pelo que de melhor e de pior o ser humano tem, encontramos também neste livro uma viagem com um elefante.

História e ficção misturam-se na escrita sublime de Saramago. Um convite irrecusável.

Ana Soares

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

As palavras nascem das imagens

Embora não seja recente, a colecção "olhar um conto" da Quetzal é uma excelente aposta de leitura. Partindo sempre da obra de um artista plástico (José de Guimarães, Graça Morais, Ângelo de Sousa, Paula Rego), as histórias dão voz ao que as imagens sugerem.

O Circo Maravilhoso da Serpente Vermelha, por exemplo, é um conto das conceituadas escritoras infanto-juvenis Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e parte da obra de José de Guimarães. No final do livro, apresenta-se uma pequena e simplificada biografia do artista, ilustrada com obras várias, e uma apresentação das autoras do texto. Uma colecção em que imagens e palavras vivem em harmonia e que vale a pena conhecer. Para os mais pequenos (a partir dos 6 anos) e para os graúdos também.


Ana Soares

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um dia... por Alison McGhee e Peter H. Reynolds

O traço suave de Peter H. Reynolds é essencial para tornar o texto de Alison McGhee ainda mais bonito e comovente.

Um dia... é aquela prenda que qualque mãe deve deixar de herança à(s) sua(s) filha(s), não importa a idade (nem da mãe, nem da(s) infanta(s)!) e de preferência com uma dedicatória!

Um dia... é uma declaração de amor maternal que se deseja se torne eterno. Lamechas q.b.

Uma pena não haver uma versão para os filhos rapazes... Embora eles não achassem tanta piada como elas!

Da Editorial Presença.
BW

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cebolinha ensina o Acordo Ortográfico

Depois de já vos ter sugerido uma leitura séria sobre o Acordo Ortográfico, proponho hoje uma mais descontraída. Quem é que não se lembra, com ternura, da Turma da Mónica, do Cebolinha e companhia?

Primeiro na perspectiva do português do Brasil e depois na perspectiva do português europeu, com a ajuda do António Alfacinha, estas personagens fazem uma apresentação, com algum detalhe e exemplos, das principais mudanças que vão ocorrer.

As minhas páginas preferidas são as páginas 6, 7 e 8, não que as mesmas sejam muito importantes quanto ao tema do acordo, mas porque resumem a história de Portugal com muita graça.

O mérito desta descoberta não é nosso. É do Revisitar a Educação, a quem damos os parabéns por ter descoberto esta pérola. Deixamo-la também aqui aos nossos leitores, embora reconheçamos que a apresentação contém algumas imprecisões (pois em Portugal "erva" não se escrevia antes do acordo com "h", por exemplo).

Ana Soares
Turma_da_Monica_Reforma_Ortográfica


domingo, 2 de agosto de 2009

A falar como os bebés

João Costa e Ana Lúcia Santos oferecem aos pais uma interessante leitura sobre a linguagem das crianças: A Falar como os Bebés - O Desenvolvimento Linguístico das Crianças. Esta obra, editada pela Caminho, apresenta a teoria inatista do desenvolvimento da linguagem, de Noan Chomsky, que explica o comportamento linguístico dos bebés comparando-o a um processo tão natural como o aprender a andar. Tratando-se de um livro de divulgação, pelo que o mesmo é de leitura muito acessível, apresenta ainda o rigor científico que resulta do facto de os seus autores serem docentes de Linguística.

Um guia que ajuda a perceber o desenvolvimento linguístico das crianças, indicando o que se pode esperar delas, em média, em várias etapas do crescimento (0-4 meses, 1 ano, 2 anos, 3 anos, 4/5 anos), e onde se dão ainda sugestões de jogos e brincadeiras para os adultos desenvolverem com as crianças de forma a potenciar este desenvolvimento natural.
Ana Soares