Quando vi os resultados dos meus alunos não sabia exatamente o que pensar do seu desempenho geral, mas, atendendo às provas que me coubera corrigir, não pareciam mal, antes pelo contrário.
No final do dia, vi qual foi a média nacional. Negativa, a igualar os piores resultados de sempre, noticiava o
Público.
Se, por um lado, me alegrei com o desempenho dos meus alunos, por noutro, fiquei envergonhada pelo desempenho do país.
No
site do MEC procurei confirmar os dados.
Confrontei-me com os números noticiados na véspera: média negativa em Matemática A e B, Geografia, Física e Química A, Filosofia, Macs.
Por outro lado, médias positivas baixíssimas. A mais alta em Desenho (12,1). As restantes, todas positivas rasteiras, a roçar o 10.
O que pensar destes resultados? Que os alunos deste país não sabem nada? Que a escola não ensina? Que os professores não os treinam para os exames? Nada disto. Apenas que algo está mal nestes exames, nesta filosofia, nesta forma de encarar o sistema. Por exemplo, os exames não avaliam o que, conforme os programas e indicações da tutela, a escola faz. Não vou começar com o exemplo do Português. Vou referir-me antes ao resultado negativo, para não dizer catastrófico, em Física e Química A. Nesta disciplina, 30% da avaliação contínua do aluno decorre da componente prática. O exame só avalia a componente teórica, aquela em que os desempenhos dos alunos são mais baixos. Pois os colegas de Português reconhecem este panorama. A lei obriga a que 25% da avaliação dos alunos decorra do domínio do oral. Onde está isso no dia do exame? E que percurso tem tido o ensino do Português? Professores e alunos têm vivido de programa em programa, de Tlebs em Tlebs, ortografia em ortografia. Sim, eu sei que a tutela é tolerante e que duas terminologias e duas ortografias têm vindo a ser aceites. Sim. Mas que tranquilidade, que estabilidade tem isso conferido às nossas escolas?
Na quarta-feira, juntamente com os resultados, o
Público noticia que «As notas dos exames nacionais do ensino secundário divulgadas [...] pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) não trazem
surpresas». E que avaliação faz o MEC destes resultados que não são surpresa e que se repetem ano após ano? E que avaliação fazem os pais? E o que pensarão os outros países de Portugal, onde os exames com maior número de alunos inscritos têm médias rotundamente negativas? Que os alunos portugueses não prestam? Que imagem damos do nosso país, nesta teimosia que nos ameaça deixar orgulhosamente sós?