segunda-feira, 27 de maio de 2013

As princesas adoram partilhar

É mesmo verdade, sobretudo quando falamos de verdadeiras princesas! E isto leva-nos a convidar-vos a espreitar o livro com o mesmo título do post.
Bia é uma menina que descobre que o melhor de ser princesa é poder partilhar tudo com  as amigas. Um livro para princesas dos 5/6 anos. Excelente para as meninas que estão a aprender a ler, pois cada página tem pouco texto, o que lhes permite lerem o livro integralmente e ficarem muito orgulhosas.

Editora Educação Nacional

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Olimpvs.net na secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa

As portas de entrada na Escola Secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa, estão pejadas de informação, mas não há um único cartaz relativo à sessão sobre a colecção Olimpvs.net. À entrada da biblioteca o mesmo, há cartazes mas nenhum sobre o evento, noto. A professora Isabel Oliveira, de Português, decidiu que a sessão é só para quem conhece e trabalhou os livros, explica-me mal entra na sala, com o seu passo decidido e a sua voz de comando. "Acho muito bem", respondo, dando-lhe exemplos de escolas onde os alunos eram curiosos mas não faziam ideia do que é que eu estava a falar. É sempre preferível quando têm muitas perguntas, acrescento.
Os estudantes começam a entrar, são três turmas, de 6.º e 7.º anos. Querem sentar-se "nos melhores lugares", aqueles que ficam de frente para a parede onde passa o powerpoint. E alguns trazem os trabalhos que fizeram para os mostrar à autora. Trabalhos bonitos, noto.
Feita a apresentação, começam as perguntas. "Quanto tempo demoram a escrever?", "Quais são as cidades em que os heróis vão viver aventuras?", "Neste código [no canto inferior esquerdo da contracapa] dá para conhecer o mito?", "Porque é que escolheram a mitologia grega?", "Porque é que se chama Wong?", "Sempre pensou ser escritora?". Eu não sou escritora, sou uma jornalista que gosta de escrever. Chamo-me Wong porque o meu pai é chinês. A mitologia grega ajuda-nos a compreender a nossa cultura, quem somos. Sim, o código é para conhecer o mito. Se Deus quiser (e a editora!), os nossos heróis ainda vão viver muitas aventuras! E os livros não demoram muito a escrever, mas demoram a rever, a corrigir, a reescrever e, se pudessemos, reescreveríamos de novo, parece que é um trabalho que nunca está completo!
Detemo-nos durante algum tempo numa pergunta: "As personagens que criaram baseiam-se em alguém que conheçam?", questiona uma aluna, "Conhecem alguém que seja como as vossas personagens?", torna a perguntar outro aluno cujo o dedo no ar passa a apontar para um colega. Observo o rosto do miúdo para o qual aponta: "é o Pedro!", penso. "Ele é igual ao Pedro, não é?", perguntam-me felizes. "É..." e chama-se Pedro e quando começo a descrever a personagem, os amigos dizem-me "é como ele!". O rapaz ri, corado e divertido, e põe as mãos à cabeça quando me ouve a fazer a descrição.
As professoras Isabel e Graça fazem algumas perguntas: "Que autores lia quando tinha a idade dos alunos?", "Como é o processo da escrita?"
As perguntas começam a esgotar-se e o tempo também. Segue-se a oferta de um ramo lindissimo e original (uma única hortense faz um belo efeito!) pelas três delegadas das turmas e a sessão de autógrafos, os meninos enfileiram-se e pedem autógrafos e fotografias com a autora (uma novidade!) tiradas com os seus telemóveis. "Adeus, Bárbara Wong!", despedem-se alguns, outros chamam-me do corredor, só para verbalizar: "Wong", "Wang", "Yung", "Yang"... "Como é que se diz?", pergunta uma das alunas mais atrevidas. "Como em inglês: was, where...", respondo.
A turma que vai ter aula com a professora Isabel permanece na biblioteca e um dos grupos quer apresentar-me o seu trabalho. Rápidos, tiram a pen e vão ao e-mail buscar a sua apresentação. Apresentam-na com à-vontade. Depois perguntam-me qual é o meu e-mail e enviam-mo. Assim vale a pena, penso e verbalizo "os parabéns" a todos e às professoras em particular. Sim, é preferível apresentar a três turmas que trabalharam do que a uma escola inteira! Obrigada.
BW

quinta-feira, 23 de maio de 2013

"O meu filho fez o quê???" em Canelas, Gaia

Cartaz feito por um aluno
A sala está repleta, completamente cheia. Na véspera, o director da Escola Básica e Secundária de Canelas, Gaia, Joaquim Marques, perguntara aos pais se o auditório de 80 lugares chegaria.
Sim, na quarta-feira, o auditório estava cheio e a associação de pais estava feliz por isso. A sala estava completa e alguns dos participantes eram caras conhecidas, o pai João Paulo Silva é também um professor sindicalista da Fenprof; e Albino Almeida o pai que deixou a Confap há uns meses.
As mães, os pais e alguns filhos, as professoras, as profissionais da psicologia e assistente social da GaiUrbe e das escolas de pais, as mães das associações de pais das escolas vizinhas ouviram com atenção e fizeram perguntas difíceis: "Como se trazem os pais à escola? Aqueles que não vão a lado nenhum? Aqueles que não dão importância à escola?"; "O que se diz a um filho do qual a professora não gosta?"; "O que se diz a um filho que é prejudicado na avaliação por um professor?"; "O que fazer quando a escola recebe todos os meninos dos bairros sociais, à volta?".
Vou dando respostas que são complementadas com a intervenção de Albino Almeida, de José Oliveira, do professor João Paulo Silva e do director Joaquim Marques. O responsável pelo agrupamento conta que os casos de alunos indisciplinados aumentam, bem como dos que ameaçam os pais com a polícia se estes não os deixam fazer o que querem...

Oferta da Associação de Pais
 Os pais que ali estão são os que se preocupam e falta uma resposta para os outros, pede-me o director. O livro não pensou nos outros pais, diz-me. É um pouco verdade e faz-me lembrar um pai/professor de Aveiro que pedia um livro sobre "O meu filho faz o quê???", que reflectisse sobre a imensidão de actividades que os meninos têm. Mas neste caso é diferente, o director está a pedir uma coisa que parece impossível: um livro para quem não lê... Mas O meu filho fez o quê??? tem algumas respostas para esses pais, assim eles viessem à escola e ouvissem o que temos para lhes dizer.
E como é que se faz esses pais entrar na escola? "Pela boca", respondo. Pela festa. Pelo convívio. "É como no namoro, primeiro saímos, vamos ao cinema, jantar fora... e, de repente, passamos às coisas sérias e estamos casados!", respondo. Sim, os pais podem vir porque é precisa a sua ajuda para pintar a escola ou para arranjar umas cadeiras, para angariar fundos e, espera-se que pouco depois estejam empenhados em discutir outros temas. Demora? Demora.
"Os problemas nas escolas não têm a ver com a falta de autoridade dos professores?", pergunta um pai. E da falta de autoridade dos pais, respondo, dando um exemplo concreto de um momento em que nos demitimos de educar: no restaurante, quando se portam mal e em vez de lhes chamarmos a atenção, passamos um telemóvel ou um ipad para eles estarem entretidos.
No final, há uma última pergunta, de uma mãe com um filho com necessidades educativas especiais a quem os professores e a psicóloga lhe pediram, logo no 1.º período, para tirar o menino do ensino regular e colocá-lo no profissional, a ele que tem dificuldades mas que ainda não chumbou. A mãe chora e eu estou prestes a chorar. "Tem de lutar porque ele tem tanto direito a estar no ensino regular como os outros meninos. Coragem!"
BW
PS: Sublinhar que o cartaz acima é lindissimo! Nunca tinha tido direito a um tão bonito, que me perdoem todos os organizadores destes encontros! Parabéns ao aluno que foi incansável na cobertura fotográfica da sessão! Parabéns à associação de pais e à promoção que fazem, mensalmente, de um encontro para juntar os encarregados de educação!

A Vida Mágica da Sementinha, Alves Redol

A Vida Mágica da Sementinha vai voltar às salas de aulas graças às novas metas. Sendo neste momento uma obra recomendada pelo PNL para o 6º ano grau de dificuldade I - passará a partir de setembro a fazer parte das leituras recomendadas para o 5º ano.
Trata-se de uma obra que, após a leitura das fábulas, como previsto pelo NPPEB e Metas, complementará este estudo, sendo que vários excertos e capítulos são muito adequados a esta faixa etária. No entanto, é um texto cuja mensagem final nem sempre é fácil para o jovens leitores (recordemos o último capítulo do texto).
Para reler ou conhecer este texto, consulte a versão digital disponível aqui.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Olimpvs.net" no Museu do Abade de Baçal, em Bragança

O dia estava bonito, radioso e quente. E os meninos da Escola das Beatas, vestidos de deuses e deusas gregos estavam felizes.
No dia anterior tinha havido ensaio no jardim do Museu do Abade de Baçal, em Bragança, onde um labirinto de relva faz as delícias deles. Na quarta-feira, lá está a escola inteira, cerca de uma centena de crianças, vestidas a preceito e curiosas com a actuação dos colegas.
Há colunas de som e microfones de lapela, há música grega e um jardim primaveril. Há professores empenhados. Os papéis estão decorados e são ditos com gestos grandes. Eles estão mais confiantes do que no Carnaval, quando actuaram pela primeira vez. Hoje tinham outro público. Faltaram os pais, mas estiveram os colegas de outra escola vizinha - Santa Maria, e o director da secundária Emídio Garcia, o representante da autarquia e os elementos do Sindicato dos Professores do Norte que organizaram e mobilizaram as professoras para a representação de No Labirinto do Minotauro, o primeiro volume da colecção Olimpvs.net.
A responsável do serviço educativo do museu, Ana Luísa Gonçalves, está entusiasmada com as crianças, quere-as todas, de novo, em Junho, talvez na última semana de aulas, para nova representação. Mas quer trabalhar com elas a dicção e o movimento, quer que tudo fique prefeito!
O museu tem muitas actividades para o Verão, a pensar nos mais novos e vai ser palco, este sábado de um encontro sobre o Programa de Educação Estética e Artística e a articulação entre Educação e Cultura, com a presença dos secretários de Estado da Cultura, Barreto Xavier, e do Ensino Básico e Secundário, João Grancho.
"És tu a autora?" Sim, falta a Ana Soares que ficou em Lisboa. "E vais escrever mais? Onde é a próxima aventura? Vais escrever sobre Bragança? Porque é que eles [as personagens] não vêm a Bragança?". "Eles estão aqui! Ñão vês os teus colegas vestidos de Mel, António...", "Não é isso... Eles têm de vir cá para viver uma aventura...", responde o rapaz. "Vêm, vêm, têm mesmo de vir!", prometo.
Com a professora Altina Fernandes, responsável pelo guião da peça; o professor José Domingues, do Sindicato dos Professores do Norte; e com Ana Luísa Gonçalves do museu; começo a descobrir as lendas e os mistérios da cidade, quem sabe se para mais uma aventura dos heróis da nova era...
BW
PS: Bragança é uma terra hospitaleira, obrigada Ana Luísa Gonçalves, Ana Paula Tomé, Altina Fernandes, Maria José Miranda, à senhora do café e ao director do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, às professoras da Escola das Beatas e, como não podia deixar de ser, ao José Domingues, do SPN.

Canto VI d'Os Lusíadas, por José Luís Peixoto



 «É a terra de Calcutá, se não me engano, disse o piloto de Melinde. E confirmou que aquela era a terra que procuravam.
Vasco da Gama caiu sobre os joelhos e juntou as mãos para agradecer aos céus.
Eram enormes aqueles céus.
É assim, pela coragem da acção, que se alcança a honra verdadeira e imortal. Tosco e bacoco é o favor que se alcança encostado ao nome dos antepassados ou de ossos estendidos em camas de ricos tecidos.
Abaixo a futilidade, a superficialidade. Abaixo o corpo saciado com açúcares e manhas. Abaixo a fortuna ociosa, não tem qualquer valor (zero).
Os teus braços são realmente teus. O esforço de que são capazes é a tua maior propriedade.
Sem medo, atinge-se a vera virtude.Com ela, puxa-se o lustre à inteligência e, no topo da montanha, encontra-se a serenidade que esclarece as dúvidas que confundem os seres humanos.
Numa sociedade justa, são estes poucos, heróis indiscutíveis, que devem ser chamados a governar.»
José Luís Peixoto, canto VI

O original, de Camões:
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As graças a Deus dava, e razão tinha,
Que não somente a terra lhe mostrava
Que, com tanto temor, buscando vinha,
Por quem tanto trabalho exprimentava,
Mas via-se livrado, tão asinha,
Da morte, que no mar lhe aparelhava
O vento duro, férvido e medonho,
Como quem despertou de horrendo sonho.

 
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Por meio destes hórridos perigos,
Destes trabalhos graves e temores,
Alcançam os que são de fama amigos
As honras imortais e graus maiores;
Não encostados sempre nos antigos
Troncos nobres de seus antecessores;
Não nos leitos dourados, entre os finos
Animais de Moscóvia zibelinos;

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Não cos manjares novos e esquisitos,
Não cos passeios moles e ouciosos,
Não cos vários deleites e infinitos,
Que afeminam os peitos generosos;
Não cos nunca vencidos apetitos,
Que a Fortuna tem sempre tão mimosos,
Que não sofre a nenhum que o passo mude
Pera algũa obra heróica de virtude;
 
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Mas com buscar, co seu forçoso braço,
As honras que ele chame próprias suas;
Vigiando e vestindo o forjado aço,
Sofrendo tempestades e ondas cruas,
Vencendo os torpes frios no regaço
Do Sul, e regiões de abrigo nuas,
Engolindo o corrupto mantimento
Temperado com um árduo sofrimento;


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E com forçar o rosto, que se enfia,
A parecer seguro, ledo, inteiro,
Pera o pelouro ardente que assovia
E leva a perna ou braço ao companheiro.
Destarte o peito um calo honroso cria,
Desprezador das honras e dinheiro,
Das honras e dinheiro que a ventura
Forjou, e não virtude justa e dura.

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Destarte se esclarece o entendimento,
Que experiências fazem repousado,
E fica vendo, como de alto assento,
O baxo trato humano embaraçado.
Este, onde tiver força o regimento
Direito e não de afeitos ocupado,
Subirá (como deve) a ilustre mando,
Contra vontade sua, e não rogando.



terça-feira, 21 de maio de 2013

"O meu filho fez o quê???" em Mirandela


A acção da Fenprof ao lado do "meu filho"
 A convite do Sindicato dos Professores do Norte, O meu filho fez o quê??? foi à escola secundária de Mirandela. Numa sala velhinha, mas acolhedora o público é maioritariamente constituido por professoras, um professor e duas representantes da associação de pais.
A organização desdobra-se em desculpas por não estarem mais pais, mas "os professores também são pais". É verdade.
O sindicato pediu a uma professora da escola para ler o livro e fazer a apresentação e Elvira Sousa surpreendeu as colegas (que a conheciam) e surpreendeu-me a mim (que não a conhecia) com a leitura que fez. De tal maneira que, quando termina, digo-lhe "uma vez que se vai reformar vou convidá-la para ir comigo sempre que me convidarem a ir às escolas!".
Elvira Sousa começou por dizer que O meu filho fez o quê??? entra com "facilidade na nossa vida porque foi escrito para quem não tem tempo". É verdade.
Depois, a professora de Inglês/Alemão lembrou um ditado britânico "don't buy a book by the cover" mas lembrou que a capa é a porta de entrada para a leitura. E começa a dissecá-la: O quadro negro que é uma referência na educação mas que também é um "quadro de promessa onde se faz o registo da palavra e das nossas acções. A nossa vida é um quadro negro onde as nossas acções ficam inscritas". O quadro negro é reutilizável, se nos enganarmos, apagamos e voltamos a escrever, ao contrário do computador onde se escreve com uma letra descaracterizada. "No quadro [negro] é a nossa caligrafia, há uma ligação afectiva", diz.
De seguida, Elvira Sousa explora o título: "um guia de relacionamento dos pais com a escola...", diz na capa. É um guia, portanto, pretende mostrar caminho. Mas um guia, neste caso, é também a autora que chama a atenção para detalhes. O "relacionamento" é "dos pais com a escola, da escola com os pais, dos pais com os pais e dos pais entre si (em casa)", detalha. Nem mais!
O rapaz com ar de malandro a fazer um disparate e vestido como se fosse incapaz de o fazer: "é a dualidade das crianças - eles são capazes de fazer!", alerta a professora.
O título O meu filho fez o quê??? é a "surpresa pela negativa". Os três pontos de interrogação remetem para três pontos de vista: material, racional e espiritual, são "três caminhos, apesar de ser um livro pequenino".
Do ponto de vista material, "o livro está muito bem organizado. Pode fazer-se uma leitura de uma vez mas permite também uma leitura pontual e fazer uma leitura na perspectiva preventiva. "É útil para pais, professores e educadores".
Elvira Sousa volta à capa: o rapaz tem um livro aberto à sua frente. "É o símbolo da fecundidade e este livro é fecundo", revela o "coração aberto de quem o escreveu e aquilo em que acredita".
Depois, há um caminho racional - os resumos de cada capítulo apelam para o apuramento dos sentidos: observe, escute... "faz uma chamada de atenção: há tempo para processar a informação e para reagir com dignidade e eficácia". Por vezes, nós pais tendemos a reagir a quente, digo eu.
Por fim, o percurso espiritual, "o partilhar é espiritual", a "conclusão é a chamada de atenção para o percurso espiritual que é educar". É o apelo à festa. "Os pais e os professores são convidados para a mesma festa que é a de co-educar, cooperar."
A professora gostou de ler para ver como é que o outro lado (os pais) pensa e também para reflectir na sua prática que "parece que não faz mossa [nos alunos] mas que pode fazer". Nem mais! Por vezes os professores não têm essa noção e são capazes de marcar os miúdos para a vida, digo eu.
Depois de a ouvir, a sala já não precisava de minha apresentação para nada porque estava tudo dito! Mas lá falei, humilde, para a completar.
Muito obrigada ao SPN, às professoras e sindicalistas Ana Paula Tomé e Maria José Miranda – com a preocupação de transmitir que uma sessão organizada por um sindicato pode ser sobre educação e não sobre reivindicações laborais –, e à professora Elvira Sousa – pela sua sensibilidade para ler o livro e para ler a autora!
BW

Acordo Fotográfico no Porto.

 A não perder!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

"O mundo de Enid Blyton" por Alice Vieira

Já se sabia que a inglesa Enid Blyton foi uma mãe ausente, dura e ríspida. Todos sabíamos.
O que gostei mesmo de ler, escrito por Alice Vieira, foi sobre a sua capacidade de escrita, sobre os seus rituais, o sentar-se de manhã, com a máquina de escrever ao colo, o ter na sua cabeça todo o enredo e escrever milhares de caracteres diários, sem pestanejar.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Onde está o limite da intervenção dos pais?

Oferta da Associação de Pais
A conversa em torno de O meu filho fez o quê??? já vai longa na EB 2,3 João Afonso de Aveiro, até que uma mãe conta que, perante a incapacidade de um professor dominar uma sala, já se propôs estar dentro da aula e ajudar o docente. Faço um leve encolher de ombros, franzo os lábios e aceno que não – "não é boa ideia".
Onde está o limite da intervenção dos pais na vida da escola? Até onde podem ir? Podem interferir em questões pedagógicas? As perguntas vêm de um pai.
A mãe que queria estar na sala de aula volta a intervir. Também como representante de turma chamou a atenção para um problema e a docente visada decidiu destratar o seu filho em sala de aula, de tal maneira que a criança chegou a casa e pediu-lhe: "Ó mãe, nunca mais fales!" "Mas eu estava a tratar de um assunto da turma, decidido pelos pais e que dizia respeito a toda a turma e a professora dirigiu-se especificamente ao filho da representante da turma!"
O director da escola diz, claramente, que aquele não é um comportamento adequado e que os professores não devem interpelar os alunos com situações relacionadas com os pais. Mas que não há nada a fazer, a escola não contrata, não escolhe os profissionais que ali trabalham e em 200 docentes será 1% a percentagem de professores sobre os quais recaem queixas.
Numa das escolas do agrupamento, a associação de pais organizou formação para os professores lidarem com a indisciplina dentro da sala de aula, diz uma das mães. Participou 1/3 dos docentes.
Faz-lhes falta formação não só em gestão da indisciplina mas também em "cultura de empresa", neste caso, "cultura da escola", contrapõe outra mãe.
São muitos os pais e mães que são também professores e que deitam água na fervura. Os professores não são assim todos tão maus! Pois não, mas os que são fazem muita mossa, sobretudo na vida dos filhos daqueles pais que se queixam.
A associação de pais está de parabéns pela iniciativa e por todo o trabalho que tem tido de trazer os pais à escola, diz o director da escola e oferece-lhe uma prenda, um livro de poesia. Afinal, um dos alunos daquela escola ganhou o primeiro prémio do concurso nacional de poesia do país, numa iniciativa do PNL e do CCB. Parabéns!
Mas as perguntas do pai sobre o limite da intervenção dos encarregados de educação deixaram-me a matutar.
BW

"Dorme, bebé" de Eduardo Sá

A colecção chama-se Bebés e Crescidos e é assinada pelo psicólogo Eduardo Sá.
O primeiro livro chama-se Dorme, Bebé e são dicas e conselhos para um soninho descansado.
Eduardo Sá condescende que o bebé saia da cama dos pais até aos quatro meses e que entre os oito e os 12 deve mesmo sair do quarto dos pais. E alerta: "O sono de um bebé não pode ter o protagonismo exagerado que, nalgumas famílias, acaba por ter".
A ilustração, linda e romântica, está a cargo de Carla Nazareth.
Os próximos títulos são: Birras, Manhas e Manias; Viva a Escola! e O rei na barriga.
BW