quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Olimpvs.net" no Museu do Abade de Baçal, em Bragança

O dia estava bonito, radioso e quente. E os meninos da Escola das Beatas, vestidos de deuses e deusas gregos estavam felizes.
No dia anterior tinha havido ensaio no jardim do Museu do Abade de Baçal, em Bragança, onde um labirinto de relva faz as delícias deles. Na quarta-feira, lá está a escola inteira, cerca de uma centena de crianças, vestidas a preceito e curiosas com a actuação dos colegas.
Há colunas de som e microfones de lapela, há música grega e um jardim primaveril. Há professores empenhados. Os papéis estão decorados e são ditos com gestos grandes. Eles estão mais confiantes do que no Carnaval, quando actuaram pela primeira vez. Hoje tinham outro público. Faltaram os pais, mas estiveram os colegas de outra escola vizinha - Santa Maria, e o director da secundária Emídio Garcia, o representante da autarquia e os elementos do Sindicato dos Professores do Norte que organizaram e mobilizaram as professoras para a representação de No Labirinto do Minotauro, o primeiro volume da colecção Olimpvs.net.
A responsável do serviço educativo do museu, Ana Luísa Gonçalves, está entusiasmada com as crianças, quere-as todas, de novo, em Junho, talvez na última semana de aulas, para nova representação. Mas quer trabalhar com elas a dicção e o movimento, quer que tudo fique prefeito!
O museu tem muitas actividades para o Verão, a pensar nos mais novos e vai ser palco, este sábado de um encontro sobre o Programa de Educação Estética e Artística e a articulação entre Educação e Cultura, com a presença dos secretários de Estado da Cultura, Barreto Xavier, e do Ensino Básico e Secundário, João Grancho.
"És tu a autora?" Sim, falta a Ana Soares que ficou em Lisboa. "E vais escrever mais? Onde é a próxima aventura? Vais escrever sobre Bragança? Porque é que eles [as personagens] não vêm a Bragança?". "Eles estão aqui! Ñão vês os teus colegas vestidos de Mel, António...", "Não é isso... Eles têm de vir cá para viver uma aventura...", responde o rapaz. "Vêm, vêm, têm mesmo de vir!", prometo.
Com a professora Altina Fernandes, responsável pelo guião da peça; o professor José Domingues, do Sindicato dos Professores do Norte; e com Ana Luísa Gonçalves do museu; começo a descobrir as lendas e os mistérios da cidade, quem sabe se para mais uma aventura dos heróis da nova era...
BW
PS: Bragança é uma terra hospitaleira, obrigada Ana Luísa Gonçalves, Ana Paula Tomé, Altina Fernandes, Maria José Miranda, à senhora do café e ao director do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, às professoras da Escola das Beatas e, como não podia deixar de ser, ao José Domingues, do SPN.

Canto VI d'Os Lusíadas, por José Luís Peixoto



 «É a terra de Calcutá, se não me engano, disse o piloto de Melinde. E confirmou que aquela era a terra que procuravam.
Vasco da Gama caiu sobre os joelhos e juntou as mãos para agradecer aos céus.
Eram enormes aqueles céus.
É assim, pela coragem da acção, que se alcança a honra verdadeira e imortal. Tosco e bacoco é o favor que se alcança encostado ao nome dos antepassados ou de ossos estendidos em camas de ricos tecidos.
Abaixo a futilidade, a superficialidade. Abaixo o corpo saciado com açúcares e manhas. Abaixo a fortuna ociosa, não tem qualquer valor (zero).
Os teus braços são realmente teus. O esforço de que são capazes é a tua maior propriedade.
Sem medo, atinge-se a vera virtude.Com ela, puxa-se o lustre à inteligência e, no topo da montanha, encontra-se a serenidade que esclarece as dúvidas que confundem os seres humanos.
Numa sociedade justa, são estes poucos, heróis indiscutíveis, que devem ser chamados a governar.»
José Luís Peixoto, canto VI

O original, de Camões:
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As graças a Deus dava, e razão tinha,
Que não somente a terra lhe mostrava
Que, com tanto temor, buscando vinha,
Por quem tanto trabalho exprimentava,
Mas via-se livrado, tão asinha,
Da morte, que no mar lhe aparelhava
O vento duro, férvido e medonho,
Como quem despertou de horrendo sonho.

 
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Por meio destes hórridos perigos,
Destes trabalhos graves e temores,
Alcançam os que são de fama amigos
As honras imortais e graus maiores;
Não encostados sempre nos antigos
Troncos nobres de seus antecessores;
Não nos leitos dourados, entre os finos
Animais de Moscóvia zibelinos;

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Não cos manjares novos e esquisitos,
Não cos passeios moles e ouciosos,
Não cos vários deleites e infinitos,
Que afeminam os peitos generosos;
Não cos nunca vencidos apetitos,
Que a Fortuna tem sempre tão mimosos,
Que não sofre a nenhum que o passo mude
Pera algũa obra heróica de virtude;
 
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Mas com buscar, co seu forçoso braço,
As honras que ele chame próprias suas;
Vigiando e vestindo o forjado aço,
Sofrendo tempestades e ondas cruas,
Vencendo os torpes frios no regaço
Do Sul, e regiões de abrigo nuas,
Engolindo o corrupto mantimento
Temperado com um árduo sofrimento;


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E com forçar o rosto, que se enfia,
A parecer seguro, ledo, inteiro,
Pera o pelouro ardente que assovia
E leva a perna ou braço ao companheiro.
Destarte o peito um calo honroso cria,
Desprezador das honras e dinheiro,
Das honras e dinheiro que a ventura
Forjou, e não virtude justa e dura.

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Destarte se esclarece o entendimento,
Que experiências fazem repousado,
E fica vendo, como de alto assento,
O baxo trato humano embaraçado.
Este, onde tiver força o regimento
Direito e não de afeitos ocupado,
Subirá (como deve) a ilustre mando,
Contra vontade sua, e não rogando.



terça-feira, 21 de maio de 2013

"O meu filho fez o quê???" em Mirandela


A acção da Fenprof ao lado do "meu filho"
 A convite do Sindicato dos Professores do Norte, O meu filho fez o quê??? foi à escola secundária de Mirandela. Numa sala velhinha, mas acolhedora o público é maioritariamente constituido por professoras, um professor e duas representantes da associação de pais.
A organização desdobra-se em desculpas por não estarem mais pais, mas "os professores também são pais". É verdade.
O sindicato pediu a uma professora da escola para ler o livro e fazer a apresentação e Elvira Sousa surpreendeu as colegas (que a conheciam) e surpreendeu-me a mim (que não a conhecia) com a leitura que fez. De tal maneira que, quando termina, digo-lhe "uma vez que se vai reformar vou convidá-la para ir comigo sempre que me convidarem a ir às escolas!".
Elvira Sousa começou por dizer que O meu filho fez o quê??? entra com "facilidade na nossa vida porque foi escrito para quem não tem tempo". É verdade.
Depois, a professora de Inglês/Alemão lembrou um ditado britânico "don't buy a book by the cover" mas lembrou que a capa é a porta de entrada para a leitura. E começa a dissecá-la: O quadro negro que é uma referência na educação mas que também é um "quadro de promessa onde se faz o registo da palavra e das nossas acções. A nossa vida é um quadro negro onde as nossas acções ficam inscritas". O quadro negro é reutilizável, se nos enganarmos, apagamos e voltamos a escrever, ao contrário do computador onde se escreve com uma letra descaracterizada. "No quadro [negro] é a nossa caligrafia, há uma ligação afectiva", diz.
De seguida, Elvira Sousa explora o título: "um guia de relacionamento dos pais com a escola...", diz na capa. É um guia, portanto, pretende mostrar caminho. Mas um guia, neste caso, é também a autora que chama a atenção para detalhes. O "relacionamento" é "dos pais com a escola, da escola com os pais, dos pais com os pais e dos pais entre si (em casa)", detalha. Nem mais!
O rapaz com ar de malandro a fazer um disparate e vestido como se fosse incapaz de o fazer: "é a dualidade das crianças - eles são capazes de fazer!", alerta a professora.
O título O meu filho fez o quê??? é a "surpresa pela negativa". Os três pontos de interrogação remetem para três pontos de vista: material, racional e espiritual, são "três caminhos, apesar de ser um livro pequenino".
Do ponto de vista material, "o livro está muito bem organizado. Pode fazer-se uma leitura de uma vez mas permite também uma leitura pontual e fazer uma leitura na perspectiva preventiva. "É útil para pais, professores e educadores".
Elvira Sousa volta à capa: o rapaz tem um livro aberto à sua frente. "É o símbolo da fecundidade e este livro é fecundo", revela o "coração aberto de quem o escreveu e aquilo em que acredita".
Depois, há um caminho racional - os resumos de cada capítulo apelam para o apuramento dos sentidos: observe, escute... "faz uma chamada de atenção: há tempo para processar a informação e para reagir com dignidade e eficácia". Por vezes, nós pais tendemos a reagir a quente, digo eu.
Por fim, o percurso espiritual, "o partilhar é espiritual", a "conclusão é a chamada de atenção para o percurso espiritual que é educar". É o apelo à festa. "Os pais e os professores são convidados para a mesma festa que é a de co-educar, cooperar."
A professora gostou de ler para ver como é que o outro lado (os pais) pensa e também para reflectir na sua prática que "parece que não faz mossa [nos alunos] mas que pode fazer". Nem mais! Por vezes os professores não têm essa noção e são capazes de marcar os miúdos para a vida, digo eu.
Depois de a ouvir, a sala já não precisava de minha apresentação para nada porque estava tudo dito! Mas lá falei, humilde, para a completar.
Muito obrigada ao SPN, às professoras e sindicalistas Ana Paula Tomé e Maria José Miranda – com a preocupação de transmitir que uma sessão organizada por um sindicato pode ser sobre educação e não sobre reivindicações laborais –, e à professora Elvira Sousa – pela sua sensibilidade para ler o livro e para ler a autora!
BW

Acordo Fotográfico no Porto.

 A não perder!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

"O mundo de Enid Blyton" por Alice Vieira

Já se sabia que a inglesa Enid Blyton foi uma mãe ausente, dura e ríspida. Todos sabíamos.
O que gostei mesmo de ler, escrito por Alice Vieira, foi sobre a sua capacidade de escrita, sobre os seus rituais, o sentar-se de manhã, com a máquina de escrever ao colo, o ter na sua cabeça todo o enredo e escrever milhares de caracteres diários, sem pestanejar.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Onde está o limite da intervenção dos pais?

Oferta da Associação de Pais
A conversa em torno de O meu filho fez o quê??? já vai longa na EB 2,3 João Afonso de Aveiro, até que uma mãe conta que, perante a incapacidade de um professor dominar uma sala, já se propôs estar dentro da aula e ajudar o docente. Faço um leve encolher de ombros, franzo os lábios e aceno que não – "não é boa ideia".
Onde está o limite da intervenção dos pais na vida da escola? Até onde podem ir? Podem interferir em questões pedagógicas? As perguntas vêm de um pai.
A mãe que queria estar na sala de aula volta a intervir. Também como representante de turma chamou a atenção para um problema e a docente visada decidiu destratar o seu filho em sala de aula, de tal maneira que a criança chegou a casa e pediu-lhe: "Ó mãe, nunca mais fales!" "Mas eu estava a tratar de um assunto da turma, decidido pelos pais e que dizia respeito a toda a turma e a professora dirigiu-se especificamente ao filho da representante da turma!"
O director da escola diz, claramente, que aquele não é um comportamento adequado e que os professores não devem interpelar os alunos com situações relacionadas com os pais. Mas que não há nada a fazer, a escola não contrata, não escolhe os profissionais que ali trabalham e em 200 docentes será 1% a percentagem de professores sobre os quais recaem queixas.
Numa das escolas do agrupamento, a associação de pais organizou formação para os professores lidarem com a indisciplina dentro da sala de aula, diz uma das mães. Participou 1/3 dos docentes.
Faz-lhes falta formação não só em gestão da indisciplina mas também em "cultura de empresa", neste caso, "cultura da escola", contrapõe outra mãe.
São muitos os pais e mães que são também professores e que deitam água na fervura. Os professores não são assim todos tão maus! Pois não, mas os que são fazem muita mossa, sobretudo na vida dos filhos daqueles pais que se queixam.
A associação de pais está de parabéns pela iniciativa e por todo o trabalho que tem tido de trazer os pais à escola, diz o director da escola e oferece-lhe uma prenda, um livro de poesia. Afinal, um dos alunos daquela escola ganhou o primeiro prémio do concurso nacional de poesia do país, numa iniciativa do PNL e do CCB. Parabéns!
Mas as perguntas do pai sobre o limite da intervenção dos encarregados de educação deixaram-me a matutar.
BW

"Dorme, bebé" de Eduardo Sá

A colecção chama-se Bebés e Crescidos e é assinada pelo psicólogo Eduardo Sá.
O primeiro livro chama-se Dorme, Bebé e são dicas e conselhos para um soninho descansado.
Eduardo Sá condescende que o bebé saia da cama dos pais até aos quatro meses e que entre os oito e os 12 deve mesmo sair do quarto dos pais. E alerta: "O sono de um bebé não pode ter o protagonismo exagerado que, nalgumas famílias, acaba por ter".
A ilustração, linda e romântica, está a cargo de Carla Nazareth.
Os próximos títulos são: Birras, Manhas e Manias; Viva a Escola! e O rei na barriga.
BW

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"O meu filho fez o quê???" em Estarreja

Afinal, o congresso de psicologia não meteu medo a O meu filho fez o quê??? e foi interessante apresentá-lo a uma sala com psicólogos, trabalhadores da área da saúde e estudantes, futuros psicólogos. Foi um público diferente do dos pais mas, por detrás de muitos dos assistentes estavam pais com dúvidas e com questões que os atormetam, como a mãe que pergunta sobre o bullying. "Ele não fala, não diz nada, soube pelos amigos...". É preciso amar muito e estar sempre disponível para ouvir. Por vezes, não vale a pena insistir, mas esperar e dar oportunidades para que queira falar. Em vez da televisão à hora do jantar, porque não conversar sobre o dia que está quase a terminar. Sem perguntas mas com conversa, muita conversa que, um dia, ele vai sentir que tem também de contribuir para aquela partilha e, quem sabe, conversar e confessar.
BW

"O meu filho fez o quê???" vai ao Congresso de Psicologia

O meu filho fez o quê??? gosta de ir às escolas, falar com os pais, mas esta manhã vai estar no II Congresso de Psicologia de Estarreja, ao lado dos professores doutores que percebem muito mais do que esta simples licenciada... A ver como corre, mas as mãos sinto-as frias e o nervosinho na barriga também cá está!
À noite, em Aveiro, estarei na EB 2, 3 João Afonso, a convite da associação de pais e vou conhecer pessoalmente alguém com quem troco emails há muito! Só por isso vai ser bom!
BW

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mil vezes o Facebook à cozinha lá de casa!

Ouvido de passagem:
"Eles ficaram sozinhos em casa. Estão lá com o computador e assim... É chato ser o dia todo [de os pais estarem fora] mas é melhor do que virem para a rua, que é muito perigoso. Estão lá nos jogos e na conversa com os amigos... Mas, já se sabe, tivemos que ir almoçar a casa com eles. É que não gosto que mexam no fogão ou no micro-ondas. Ela já tem 16 anos mas é muito perigoso estar na cozinha."

Ouvido na sessão de pais de O meu filho fez o quê??? em Oeiras:
"São cinco e ainda são pequenos mas têm de ter alguma autonomia [por serem muitos]. Desde pequenos que vão a pé para a escola e chamam-me irresponsável... Sou professora [universitária] e vejo que há pais que os levam à faculdade, mas que vão às apresentações e que falam com os professores no fim para lhes explicar que o filho não pode ir a uma aula prática por falta de horário, se é possível mudar..."

Quem são estes pais e que filhos estão a criar?
É preferível ficar um dia inteiro no computador porque a rua é perigosa. O computador e os amigos do Facebook não são nada perigosos!
O mundo que se abre de cada vez que se entra na Internet não tira uma noite de sono àqueles pais mas o ligar um fogão ou meter um prato no micro-ondas é que é preocupante! Todos sabemos como há mil e um perigos escondidos nas cozinhas lá de casa – para os mais pequenos sim, não para adolescentes.
"Filha, podes sair com os teus amigos do Facebook mas pores uma caneca de leite no micro-ondas é que não!"
Por isso, não será de espantar que, um dia, quando a menina entrar na universidade, também a levem. E, já agora, é melhor levá-la no primeiro dia de trabalho à empresa e, quem sabe, pedir uma reunião com o CEO para assegurar que ela não toca no micro-ondas que está na copa, nem sai antes de o pai a ir buscar porque a rua é perigosíssima.

BW

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pôr os miúdos a escrever

"Escreve o teu livro de histórias" é um verdadeiro desbloqueador do medo da folha em branco. Com instruções claras e muito apelativas, os jovens escritores (a partir dos 8 anos) poderão escrever uma banda desenhada, uma narrativa ou uma aventura fantástica guiados pelas páginas, palavras e imagens deste bem conseguido livro da Edicare.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Bando das Cavernas


http://www.booksmile.eu/system/books/covers/222/huge/O_Bando_das_Cavernas_1.jpg?1350049871Foi com muita curiosidade que espreitei estes livros da coleção "O Bando das Cavernas", recomendados primeiro e depois oferecidos por uma amiga. Parecia-me mais um Stilton, do qual, confesso, já estou farta. Mas logo nas primeiras páginas percebi que se tratava de uma coleção muitooo mais divertida e, ainda por cima, 100% portuguesa (da autoria de Nuno Caravela e edição da Booksmile).

A aventura começa logo de forma hilariante: os meninos pré-históricos vão para a escola num "mamute escolar", ou seja, o autocarro da época. Na mochila levam, por exemplo, um escaravelho borracha. Enfim, uma aventura muitíssimo divertida e uma sugestão para substituir ou alternar com o rato jornalista.

O primeiro capítulo pode ser lido gratuitamente aqui. Espreite juntamente com os mais pequenos. Veja as reações. Serão, certamente, boas.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

"O meu filho fez o quê???" em Oeiras

A convite da Associação de Pais da Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras, apresento O meu filho fez o quê??? em breves pinceladas para deixar mais tempo para a conversa.

No livro advogo que os pais devem conhecer o estabelecimento de ensino antes de matricularem os filhos, mesmo que seja a escola obrigatória para onde as crianças têm de ir impreterivelmente. A visita deve ser feita em tempo de aulas. Uma mãe pergunta-me se eu acho exequível que os pais vão todos à escola e dá-me um exemplo: se a escola receber mil alunos vão dois mil pais à escola? E em tempo de aulas?
Nunca vão dois mil pais à escola! Vai meia dúzia e nem sequer vai no mesmo dia... E não é difícil a uma escola recebê-los desde que esteja à espera deles, respondo.
A escola pode não ter essa disponibilidade e a directora da secundária explica-me e aos pais como faz: raramente recebe pais, mas quando pedem, acede. Só que se forem mais pode não conseguir por falta de tempo.

Mais à frente, foco a importância de falar com os filhos sobre o regulamento da escola, o estatuto do aluno e de lhes fazer ver que há um "cadastro" que os segue enquanto andarem na escola. O ter um "cadastro" pode dissuadi-los de maus comportamentos.
A mesma mãe diz-me que isso de nada serve se eles não estiverem motivados porque além de mãe é professora e diariamente confronta-se com alunos desinteressados que não aprendem nem deixam os outros aprender e dá-me um exemplo concreto que se passou na sua sala de aula.
Tem toda a razão. É verdade. Há miúdos desinteressados e que boicotam, mas é preferível os pais não falarem com eles?

O dilema pai/professor é grande e, naquele encontro aquela mãe pôs a professora sempre em primeiro lugar. Para quê os pais irem à escola? Porque, ao contrário da senhora, nós não estamos na escola todo o dia, não conhecemos os professores, não sabemos o que se passa e queremos saber! Porquê irem em tempo de aulas? Para vermos como é o dia-a-dia de uma escola. Mas não vêem tudo, vêem uns corredores e podem apanhar um dia pior... É verdade, mas ajuda-nos a, pelo menos, conhecer o espaço. O que é preferível: mandar a criança às escuras para a escola nova ou dizer-lhe que tem uma boa biblioteca, uma cantina espaçosa...

Há pais que lembram que nunca puderam passar do portão da escola do 1.º ciclo ou que naquela escola não lhes permitem falar com outro professor que não seja o director de turma, nem conhecer os outros docentes. A directora da escola sente necessidade de defender aquela posição.

No final, a directora agradece o número de pais que participaram na sessão e o interesse que demonstraram. O presidente da associação de pais oferece-me uma lembrança e pede aos pais para participarem, para se envolverem no trabalho que a organização promove, bem como nas acções, tudo em prol dos filhos deles e dos outros, aponta. Dia 24, às 21h, é a vez de Paulo Guinote, informa.

Alguns pais mantiveram-se calados e procuraram-me no fim. A escola está igual ao que sempre foi e não motiva os alunos que revelam o seu desinteresse através do mau comportamento, diz uma mãe. Pois é, foi uma pena não ter dito isso em voz alta!
BW
PS: Muito obrigada à Associação de Pais da Escola Secundária Quinta do Marquês, ao presidente e à sua equipa, de que fazem parte homens e mulheres activos, disponíveis e atenciosos, que organizaram a sala e trouxeram de casa a máquina do café e as caixas com bolachas para atrair os pais! Obrigada a todos, em especial à mãe que foi numa corrida buscar o portátil para fazer a minha apresentação!

Uma viagem pela obra de Saramago

 
"E a minha ideia, ou melhor, a minha preocupação, neste momento ou mais provavelmente desde sempre, ainda que nos últimos títulos se tenha tornado mais evidente, é considerar o ser humano como prioridade absoluta.Por isso, o ser humano é a matéria do meu trabalho, a minha quotidiana obsessão, a última preocupação do cidadão que sou e que escreve.", p. 36, 37


 

Chegou esta semana às livrarias uma obra imperdível para os amantes e estudiosos de Saramago: um inédito resultante de uma conferência que Saramago deu na Universidade de Turim, em Maio de 1997.
Desta edição bilíngue e dividida em três momentos, destaco, claro, as palavras do próprio Saramago, uma espécie de viagem pela sua obra, recontando-a, explicando o nascimento de cada obra, um olhar do autor sobre si mesmo.
O pequeno volume inclui ainda textos de Luciana Stegagno Picchio e de Fernando Gómez Aguilera.
Ouça a leitura de algumas páginas.