quarta-feira, 8 de maio de 2013

A arrogância do saber médico

Acidente desportivo: a nadadora da frente bate-lhe com um pé com tanta força que ela sente os ossos do nariz e da cara a "irem para dentro". Sai imediatamente da piscina e toca de ir para o hospital. Inscrição. Triagem. Como se trata de um trauma está na lista das "urgências mesmo urgentes". São 40 minutos de espera, informa a enfermeira. E são mesmo. É atendida. É mandado fazer um RX. É novamente atendida. Tudo muito rápido depois de 40 minutos de espera.
A pediatra tem dúvidas, por isso sai e vai aconselhar-se com o colega que, aparentemente também tem dúvidas porque nos é pedido para regressar no dia seguinte, para ser vista pelo otorrino.
"O nariz não está partido, pois não?", pergunto. "Não, mas estou aqui com uma dúvida e fico mais segura se ela vier amanhã...", responde a médica. "Mas está com dúvidas porque vê uma sombra no RX, é isso?", tento adivinhar, na esperança que me dê uma explicação. "Tenho uma dúvida, percebe?", repete, ao mesmo tempo que escreve uma carta ao colega de otorrino que irá ver a menina no dia seguinte e a fecha num envelope que me entrega – vedando-me assim o acesso à sua dúvida.
Eu penso, ao mesmo tempo, que recebo o envelope: eu percebo, eu gostava é que a partilhasse comigo as suas dúvidas, mas já vi que não tenho sorte. E se a senhora soubesse o que me irrita dizerem-me "percebe" como se eu fosse ignorante, não o faria...
"Bom, então o que é que aconselha a fazer até amanhã? Mantém o gelo? Faz anti-inflamatório?", pergunto, já com pouca paciência.
"Sim."
São horas de fazer contas. Um episódio de urgência e um RX são 21,50 euros. Ela abre os olhos de escândalo. "21,50 euros? Como é que faz quem não tem 20 euros", pergunta, olhando à volta, para a sala repleta de gente para quem 20 euros podem fazer diferença. "Muitos não pagam porque as crianças ainda são pequenas, outros têm apoios sociais", respondo, seguindo o seu olhar e, discretamente, apontando para as pessoas que estão nas situações que descrevo.
No dia seguinte, volta ao hospital. O otorrino abre a porta da sua sala mas não abre a boca para desejar um "bom dia", abre o envelope, lê a carta, pega num instrumento e espreita para dentro do nariz com tal violência que a miúda se encolhe com dores. "Podes sair", diz lacónico.
"Podes sair? E dizer o que viu? O que é que se passa? Porque é que tivemos de voltar? O que é a sombra? Não há uma palavrinha ao doente e aos pais? Nada?" Nada.
Não me preocupam os 20 euros mas a falta de qualidade do serviço de um hospital que recebe prémios de qualidade – sim, já sei que em breve vamos receber uma factura com o valor real da despesa, que esta ultrapassará os 20 euros e que nos devemos mostrar muito agradecidos ao Estado por nos fornecer aquele serviço por 20 euros porque nem pagamos impostos, nem contribuições.
Mas eu ficava mesmo, mesmo agradecida se os senhores doutores descessem dos seus pedestais de sabedoria e a partilhassem com os comuns mortais. Alguém pode ensinar os futuros senhores doutores, já que os actuais não o sabem, a falarem com as pessoas com normalidade? É que nós não somos todos ignorantes, percebem? E mesmo os ignorantes precisam de uma explicação.
BW

terça-feira, 7 de maio de 2013

Prova final de ciclo - 4.º ano - Português

Foi hoje o primeiro novo exame do 4.º ano. Ou melhor, prova final, pois a expressão exame só se aplica aos alunos do secundário (porque já aguentam a pressão!) ou às provas de tempos idos.
Enfim, adiante com as ironias, a prova, de uma maneira geral, apresentou a estrutura, extensão e grau de dificuldades esperados, embora o peso atribuído ao grupo II - gramática, atendendo à valorização que o NPPEB e metas lhe conferem, me tenha parecido abaixo das expectativas (valia 15%). Os critérios, de uma forma global, também me pareceram bem. No item nº 1, em que os alunos tinham de numerar uma sequência de afirmações, creio que a opção devia ter sido a de recorrer a patamares de classificação, pois, desta forma, para obter os 5 pontos, o aluno tem de acertar todas as alíneas.

Por outro lado, a escolha do texto informativo para "abertura" da prova pareceu-me pouco feliz. Tratava-se de um texto carregado de informação, dados, números e uma linguagem que não faz parte do quotidiano das crianças.
Eventualmente, se  a prova tivesse começado pelo texto B (excerto de A Sereiazinha, de H.C. Andersen) a confiança dos miúdos tivesse sido maior. Ora eles passam 90% do tempo a trabalhar textos literários...

Infelizes pareceram-me também as palavras da presidente da Associação de Professores de Português ao prestar declarações sobre a prova ao Público
«A professora lamentou que algumas das crianças “possam ter estado excessivamente ansiosas, muito por causa dos pais”. “Esta prova vale apenas 20% ou 25% da nota final, não altera nada, ninguém chumba por causa disto – a única coisa que mudou em relação às provas de aferição é o papão da palavra exame”, disse.»
Pressão dos pais? Não queremos que os pais pressionem, mas queremos pais mais envolvidos e que valorizem a escola, certo? E o facto da maioria das crianças ter feito a prova numa escola que não a sua não terá tido aqui alguma responsabilidade neste pretenso estado de ansiedade?
A prova vale 20 ou 25%? Mas não devia saber? Ou ter-se informado antes de prestar declarações enquanto representante dos professores de português a um órgão de comunicação?
Desagradou-me a ligeireza do comentário à prova, o colocar de eventuais responsabilidades nos pais e o desconhecimento sobre o processo/peso das provas.
Sexta-feira há mais: prova final de matemática.

Ps -  Aproveito para confirmar que este ano, pelo facto de ser o primeiro ano das provas finais de ciclo do 4.º ano, estas valem 25%. A partir do próximo ano letivo, valem 30%. Consulte aqui o despacho normativo 5/2013 que regulamenta esta questão.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Gladiadores

Uma animação que nos dá a oportunidade de assistir à construção do Coliseu em Roma e nos permite reencontrar figuras da mitologia, como o Minotauro ou Diana, a deusa da caça.

 Um gladiador apaixonado, com voz de João Manzarra, num filme que diverte os mais pequenos, à medida que conhecem a Roma Antiga, e percebem que a solução para tudo na vida, mesmo na dos heróis, é "pensar" e "persistir".
Um filme com vários pormenores para fazer rir os pais e os espetadores mais crescidos, e que justificam a ida ao cinema.
Para ver a 2 ou 3 D.

domingo, 5 de maio de 2013

Informações exame e prova final de ciclo

Consulte aqui as informações para alunos e encarregados de educação relativamente às provas finais de ciclo e exames nacionais.
Consulte o calendário das provas aqui.
Aproveite e analise com os seus educandos, nomeadamente com os do 4.ºano, os cabeçalhos a preencher no dia da prova de Matemática e de Português. Os modelos (folhas de rosto) estão disponíveis no site do Gave.

Olimpvs.net no dia da Mãe



Como é o dia-a-dia das mães? O 70X7, o programa da Igreja Católica que passa na RTP 2 aos domingos de manhã, falou com a autora Sara Rodi, a financeira Catarina Neves, comigo e com a escritora e avó Alice Vieira.
Com o devido respeito, as escolhidas não são exemplo para ninguém! Claro que fazemos sacrifícios e muita ginástica para conseguir conciliar família com carreira. Claro que somos multitask, a nossa cabeça está sempre a pensar como é que se conjuga tudo e, chegado ao fim do dia, o cansaço é imenso.
Mas heroínas são as mães que acordam de madrugada, andam em transportes públicos durante horas e repetem tarefas sempre iguais até à exaustão para regressar de noite a casa e não parar. Cozinhar, passar a ferro, limpar e dormir poucas horas para recomeçar o ciclo na manhã seguinte.
Heroínas são as mães que contam cêntimos e fazem escolhas no supermercado para levar só o estritamente necessário, que não comem para que os filhos comam. Heroínas são as mães com filhos doentes e que sofrem por os ver sofrer, mas que têm de manter a coragem.
BW

Mães à distância

No dia da mãe, o PÚBLICO lembrou os filhos que estão longe e as mães que por cá ficaram com o coração apertado, com saudades e com a amargura de terem investido nos seus filhos que não podem trabalhar num país que está contra eles, que está contra todos, que tem como único objectivo o castigo do seu povo, dos seus velhos, dos adultos e dos jovens.
BW

Feliz dia da mãe