quinta-feira, 18 de abril de 2013

No mundo dos sonhos

E foi mesmo assim, um sonho.
Em ano de crise e troika, é verdade. Mas a conclusão foi: ou é agora ou nunca!

Etapa 1 - a realidade

As previsões apontavam para chuva e frio, mas quando chegámos a Paris, o sol revelou-se e animou o grupo barulhento e encasacado, composto por 6 adultos e 6 crianças.
A grande emoção para os mais pequenos foi, naturalmente, subir à mítica Torre Eiffel e, em segundo lugar, visitar o bairro dos pintores, onde se deixaram surpreender pela diversidade e riqueza dos traços e estilos.
Outro ponto alto, foram as baguetes, compradas e trazidas debaixo do braço para preparar um revigorante almoço num qualquer jardim à mão de semear.
Não encontrámos o Quasimodo, mas tivemos a sorte de visitar Notre-Damê no dia em que os sinos (todos eles com um nome) voltaram a soar.

Etapa 2 - o sonho



Depois, a ida à Disney surpreendeu todos, creio. Os mais que pequenos, pelas desafios, atividades. Os adultos, mentalizados para conviver com filas nestes dias, embalados pelo entusiasmo dos mais pequenos. Pena é que muitos dos excelentes equipamentos sejam pouco explorados ou contextualizados. Por exemplo, o Nautilus, a Cabana do Robinson Crusoe ou mesmo a ilha dos piratas ou casa do Peter Pan teriam tanto para contar. Faltam os textos, contextos, os audioguias ou qualquer outra forma de promover, não apenas o prazer do momento, mas a (re)descoberta dos autores ou fontes de tão fantásticas histórias.
O ponto alto foi, sem dúvida, o espetáculo noturno. Um jogo de luzes, som, cor, água que a I., mais pequena do grupo, pediu para rever no dia seguinte.
Deixo o convite para assistirem a este vídeo, são cerca de 20 minutos inesquecíveis, em que a magia das personagens de tantas histórias se combina resultando numa nova fantasia.
Vale a pena!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Olimpvs.net na Cidadela: "Como é que vocês sabem mais do que a internet?"

No final da sessão de autógrafos, uma das professoras pergunta: "Na sua experiência, nas escolas a que tem ido, eles são assim?". Assim como: perguntadores? Conversadores? Entusiasmados? Sim! Como já aqui confessei, eu adoro miúdos interessados, que fazem perguntas, que são curiosos, que querem saber mais!
E desta vez, na Escola Secundária da Cidadela que, pela primeira vez, tem turmas de 5.º ano - as que assistiram à sessão Olimpvs.net - eles não se calavam e eu saí com a garganta a arranhar de falar tão alto (com uma dorzinha de cabeça e a pensar "grandes professores que aguentam isto um dia inteiro!"), mas saí feliz!
As professoras estão de parabéns pela preparação que fizeram previamente e que os pôs tão perguntadores: deram-lhes cópias com informações sobre quem são as personagens e o primeiro capítulo de cada um dos quatro volumes. Por isso, quando perguntei "conhecem estas personagens?" e me preparava para mostrar o Minotauro, o Cerberus, a Fénix... já eles estavam aos gritos: "Sim! É o Zé, a Alice..."! Calma!
Depois as perguntas foram muitas e o que dá gozo é ouvi-las dos "rufias", aqueles que estão ao lado das professoras para que se portem menos mal. "E quando é que vão fazer um filme?", "Quem é aquela pessoa que está sempre a persegui-los?", "O deus chama-se Hades ou Hâdes?", "Porque é que aquela capa é de noite e aquela é de dia?".
Ainda a sessão não tinha começado quando uma menina se lembrou que deixara a folha com as suas perguntas na sala e saiu numa corrida. Depois fez todas e mais algumas de que se lembrou, sublinhou mais tarde, na sessão de autógrafos - "Não foram só estas!", mostrou-me orgulhosa a folha com as questões escritas a verde e numa letra bem desenhada. A pergunta mais divertida que fez foi: "Como é que vocês sabem mais do que a internet?" Fiquei um bocadinho engasgada, mas respondi: "Porque nós somos do tempo das enciclopédias" e eles olharam com um ar inquiridor. "Estes livros que vocês vêem aqui [do meu lado esquerdo está uma estante], eu tinha destes livros em casa, chamam-se enciclopédias, e têm toda a informação que precisamos. Nós lemos estes livros, também consultamos a Internet mas para termos a certeza absoluta vamos perguntar a outras pessoas que sabem mais do que nós."
"E quando uma se zanga porque não concorda com o que a outra escreve?". Bom momento para fazer pedagogia! "Nunca aconteceu, nunca nos zangámos, mas quando isso acontecer e porque nós somos amigas vamos fazer assim: por exemplo, se a Ana se zangar comigo, eu vou querer saber o que se passou e se ela tiver razão vou pedir-lhe desculpa e se for ao contrário acho que vai acontecer a mesma coisa. É assim que fazem os amigos, não é?"
BW

Troika

Conta uma colega minha que foi severamente corrigida pelo seu filho que produzia um trabalho sobre o Ulisses da Maria Alberta Menéres. Descrevia o jovem a viagem de Ulisses para Troika quando a mãe o corrigiu: - Não é troica, é Tróia. Sem hesitar, o jovem, incrédulo, respondeu à mãe, não querendo acreditar que, com a Troika a toda a hora a ser falada na televisão, se pudesse fazer tamanha confusão! Moral da história: nem o Ulisses está livre da troika.

terça-feira, 16 de abril de 2013

"O meu filho fez o quê???" no Forte da Casa

Cartaz na porta da biblioteca
Os pais que se preocupam, os pais que se interessam, os pais que se empenham: parabéns!
Os professores que se interessam, os professores que se preocupam, os professores que se empenham: ainda bem que continuam nas escolas a fazer o que sabem fazer de melhor!
Obrigada à Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB 2, 3 do Forte da Casa e à Biblioteca da Secundária do Forte da Casa!
BW

Dia Mundial da Voz

Hoje -se celebra-se o Dia Mundial da Voz 2013.

Instrumento de comunicação tão importante em tantas profissões, determinante para o sucesso e bem estar dos professores. Por favor, cuide da sua voz!
Dizem os especialistas que não se deve falar alto, esforçar a voz (evitando tanto gritar como sussurrar) e que se deve manter a garganta sempre hidratada.

Do Programa Comemorativo deste dia, organizado pelo Departamento de ORL, Voz e Perturbações da Comunicação do Hospital de Santa Maria/Faculdade de Medicina de Lisboa, destacamos as seguintes atividades:
- RASTREIOS GRATUITOS DA VOZ*;
- SITE, ATIVIDADES E INFORMAÇÕES SOBRE A VOZ E AS SUAS PATOLOGIAS;
- ESPECTÁCULO COMEMORATIVO, HOJE, NA AULA MAGNA.

Para mais informações visite o site.

* Embora não tenha conseguido fazer marcação por mail ou telemóvel, via SMS funciona bem!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O que o Ministério da Educação não quer ver

O trabalho da Clara Viana, no PÚBLICO, sobre o mega-agrupamento de Queluz-Belas revela professores tão lúcidos sobre os problemas que enfrentam pelo facto de terem quatro mil alunos num mesmo agrupamento.
A ideia peregrina de deslocar as crianças do 4.º ano para realizarem os exames também tem feito correr alguma tinta.
Nuno Leitão, director da Cooperativa Torre, em Lisboa, escreve em resposta a Nuno Crato.
Pedro Magalhães, investigador e autor do blogue Margens de Erro, escreve sobre os perigosos malfeitores que são os alunos do 4.º ano.
Mais uma vez, tanta lucidez! O que se passa com o Ministério da Educação que não vê o óbvio?
BW
Os Lusíadas segundo José Luís Peixoto, com a revista "Visão" desde dia 11.
Aqui fica o início do Canto I:

CANTO I


As armas e os barões assinalados, etc? Calma, calma. Mais devagar.

Sem tempo, as ideias não querem aparecer.

De certeza absoluta que o poeta conhecia esta verdade simples. As palavras do seu grande poema transportam muito tempo, muita história e muitas histórias. Talvez fosse por isso que o poeta se dava com gente entendida no tamanho do tempo: navegadores, reis e deuses.

Para ler mais, visite o blogue do autor.

sábado, 13 de abril de 2013

"Histórias para os avós lerem aos netos"

É o título do último livro da jornalista Isabel Stilwell. O lançamento acontece no próximo sábado e na impossibilidade de estar presente, sentei-me a ler as histórias - embora na capa diga "pais não entram neste livro!".
É divertido, é comovente, é sensato - gosto pouco das avós e dos netos a tratarem-se por "você" mas é um estilo.
Gosto das várias definições que Stilwell dá à palavra "avós" e às missões que traça para eles: "São avós que aprenderam que não há desculpa para a crueldade, a má-criação, o egoísmo e a tirania, e que as crianças mais felizes são aquelas que tiveram direito a uma autoridade com amor - e estão dispostos a exercê-la."
Stilwell escreve uma "carta de uma avó feliz" e diz coisas que parecem óbvias mas que precisamos de ler para nos lembrarmos: "Há muitos, muitos anos, quando fui mãe pela primeira vez percebi rapidamente que o mundo nunca mais seria o mesmo. Mudava por dentro, na consciência de um amor absolutamente irracional e desmedido por aquela criatura, e mudava por fora, porque a verdade, verdadinha é que nunca mais se come (adeus às refeições sossegadas), pensa (seum um «ó mãeee...» que corta o fio à meada) ou dorme (meu Deus, como se sobrevive a uma, duas... dez noites de privação de sono?) da mesma maneira. O dia a dia passa a ser um teste constante aos nossos limites e à nossa paciência e resistência, contrabalançado pela surpresa de descobrir que o nosso coração é absolutamente elástico, e cresce com eles."
E depois de ler esta carta, descobri porque é que os pais não o devem ler, porque vão ficar cheios de vontade de ser avós!
BW

sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Esta crise é cruel"

A frase saiu da boca de uma senhora que estava sentada, lado-a-lado, com a sua empregada fardada, à espera que as crianças saiam da escola. A senhora vai falando sobre a situação do marido. Será um investigador a quem a medida do ministro Gaspar de proibir novas despesas pode ter prejudicado.
A empregada fala do seu filho que tem um projecto que está a concurso numa instituição de ensino superior e que também terá ficado suspenso. "Não sei, com isto do ministro, se calhar já não há concurso...", lamenta.
"Esta crise é cruel", responde a senhora, repetindo a frase pausadamente, como se ela própria a estivesse a assimilar: "Esta crise é cruel."
BW

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Baixa da Banheira e as Doroteias

Em menos de uma semana, as autoras da colecção infanto-juvenil Olimpvs.net estiveram em duas escolas para públicos diferentes.
As autoras na Mouzinho da Silveira
Na sexta-feira, dia 5, fomos à Baixa da Banheira, do outro lado do Tejo, falar para alunos do 6.º e 7.º anos. Já todos tinham ouvido falar da colecção, ouviram com alguma atenção – houve sempre um burburinho que volta e meia era interrompido por uma professora que os mandava calar – o que tínhamos para dizer e depois fizeram perguntas que nunca mais acabavam. De tal maneira que foi preciso por cobro à coisa – "mais três perguntas e acabou", pediu um professor; na verdade, teremos respondido a mais seis!
Por vezes, as perguntas repetiam-se (evidenciando que não tinham ouvido as respostas dadas anteriormente) e às vezes era preciso gritar as respostas – eu não tenho prática de sala de aula, por isso, vou tentando fazer-me ouvir por cima dos alunos, o que implica gritar; já a Ana tem outras técnicas, entra pelas filas, olhando para os faladores e levantando-lhes a mão, para os mandar calar; dá estalos com os dedos ou bate as palmas levemente e os métodos lá vão surtindo efeito, por pouco tempo.
Houve perguntas divertidas, houve pedidos para fazer uma série televisiva a partir dos livros, houve sugestões para próximos livros. Foi uma sessão dinâmica e desafiante.
No final não vendemos um único livro – estes só ficariam à venda no dia seguinte e suspeito que tenham vendido poucos dado o estrato social dos alunos; mas os miúdos aproximaram-se de nós para pedir autógrafos e continuar a conversar. Os autógrafos foram dados em folhas fotocopiadas com a apresentação da colecção, feitas pelos professores. Por isso, eles estavam tão inteirados e tão interessados!

A professora Fernanda Mota, a editora Clara Capitão e as autoras
Ontem, foi o lançamento oficial do quarto volume. A editora escolheu o Colégio das Doroteias, em Lisboa. A apresentação foi proposta aos alunos como uma actividade livre, não foi inserida no âmbito do trabalho de nenhuma disciplina e foi feita numa tarde livre – muitos colégios da capital optam pela quarta-feira à tarde para ter uma tarde livre na semana, usada pelos professores para reunirem e pelos alunos para fazer actividades extra-curriculares fora da escola. Portanto, apesar da informação que foi para casa e dos cartazes espalhados pela escola, só foram mesmo os alunos que estavam interessados: duas dezenas.
A apresentação decorreu no mais absoluto silêncio. São miúdos educados, habituados ao ambiente de sala de aula e ao respeito pelos professores. Aberto o espaço para perguntas foram feitas duas, apenas duas e que eram complementares, na prática foi uma pergunta feita por dois alunos diferentes e pronto. Nem mais uma. Mas não há uma única curiosidade? Como escrevemos a quatro mãos? Porque escrevemos? Como inventamos estes heróis? Nada?
Fechada a apresentação, ordenadamente, os alunos levantaram-se e dirigiram-se à banca para comprarem os livros, alguns levaram três, outros apenas um, pediram-nos autógrafos e, simpáticos, falaram connosco, fizeram uma perguntinha ou outra e alguns revelaram a felicidade de ler, de devorar livros, de ter a certeza que aqueles serão lidos numa tarde!
Ficou a promessa de que para a próxima será mais animado. Sim, por favor, dêem-me miúdos ávidos por respostas!
BW

A culpa e o conformismo

Pela primeira vez o relatório sobre o Estado da Educação, promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), relaciona os resultados dos alunos com a sua situação social. Não espanta que venha confirmar que os mais pobres tenham piores resultados.
Na SIC, a repórter vai à básica de Vialonga – uma escola de "sucesso" pelas boas práticas que tem implementado, como a Orquestra Gerações, por exemplo –, e fala com uma mãe e com uma aluna que vai chumbar porque a mãe não tem dinheiro para o passe, para que a rapariga chegue à escola. Os colegas não sabem, diz a aluna, as desculpas que inventa são que está doente, que não lhe apetece... e assim, por causa da vergonha da pobreza e por não ter outros apoios financeiros se reprova.
Na RTP Informação os comentadores de serviço são Teresinha Anjinho, deputada do CDS-PP, e Miguel Laranjeira, do PS. Quando este começa a falar do relatório, da educação, do futuro de um país que não aposta na educação, Teresinha Anjinho (a senhora chama-se mesmo assim?) olha-o com um ar de complacência e com uma vozinha baixa vai perguntando insistentemente: "Mas porquê, senhor deputado? Porquê?" e responde em tom conformado "Porque o PS nos deixou neste estado".
Minha senhorinha deputadinha, já não há pachorra para o "a culpa é do PS"!
Sim, o PS deixou-nos na penúria mas o Parque Escolar foi uma festa, os Magalhães e os Toshiba foram outra festa, assim como o passe para os menores de 23 anos (a metade do preço) e a acção social foram festas. Tudo medidas apostadas na melhoria da qualidade de vida dos alunos, para que estes tenham mais e melhores oportunidades. Em vez disso, em que é que o PSD e o CDS-PP estão apostados? No castigo dos pobres, que levantavam a cabeça e sonhavam em dar cursos aos filhos. Cortaram-se os passes, cortou-se na acção social, menos alunos chegam às escolas e a culpa não é do Governo que tomou estas medidas, acredita a deputada centrista, é do PS.
Teresinha Anjinho com o seu arzinho compungido e conformado, sem uma resposta que vislumbrasse alternativas, sem uma proposta, mas a repetir a cassete do Governo, fez-me lembrar aquelas senhoras à saída da missa: "Pois, nem todos podem chegar a doutores, onde é que isso já se viu? Há por aí muito trabalho honesto... Olhe, não pode estudar, paciência... vá trabalhar, olhe, eu ando à procura de uma empregada doméstica e nem vê-la... Para quê porem-se com sonhos, com a mania das grandezas, cada um tem o seu lugar."
BW

domingo, 7 de abril de 2013

A falta de educação nos anúncios dos bancos

Há dois anúncios a dois produtos bancários, que ouço na rádio, que me deixam irritada.
1. Uma mãe anuncia ao filho que abriu uma conta  para ele e que se trata de um produto fantástico. O som é o de uma criança a jogar no computador, no tablet ou na psp e as respostas do filho indicam que está a jogar e está alheado ao blá, blá, blá da mãe.
O rapaz vai respondendo: "boa", "fixe", "tenho de fazer um like". Qualquer coisa como: "Sim, mãe, estou a borrifar-me para o que estás a dizer porque estou concentrado no jogo, não vês? Estás para aí a dizer que vais por dinheiro no banco mas eu não quero saber disso para nada, não é essa a tua obrigação? Vá, eu vou lá fazer um like..."
2. Um pai conversa com um filho adulto e pergunta-lhe, com uma voz simpática e que revela preocupação, se o filho tem poupado. O filho vai respondendo com arrogância. "Poupança?! Não..." e explica o produto bancário por que optou. O bondoso e ingénuo do pai ainda diz, quase a medo "Mas isso é poupar...". Ao que o arrogante responde qualquer coisa que na minha cabeça me soa a "ó pai, tu és mesmo estúpido!" e o pai ainda se ri, naquele riso de desconforto de quem não sabe se há-de dar um estalo, se ignorar a má educação.
O que se passa com os publicitários? É a esta a realidade nas suas casas? Ou nas casas dos banqueiros? Ou estão convencidos que é assim nas casas das classes médias e média-alta, as únicas que ainda serão capazes de fazer poupanças?
BW

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Preparar os exames nacionais de matemática com a Academia Khan

A academia Khan, de que já aqui tínhamos dado conta, tem agora uma versão em português. Estas  aulas digitais chegaram a Portugal, adaptadas pela Fundação PT.
Segundo noticia o Público, "Por enquanto, estão disponíveis 70 dos 400 vídeos que a PT quer divulgar até Setembro, mês que marca o início do próximo ano lectivo, mas o objectivo é chegar a 2014 com mil vídeos traduzidos. Os vídeos que estão agora disponíveis no site da fundação são todos ligados à Matemática e, por enquanto, direccionados a alunos dos 2.º, 4.º, 6.º, 9.º e 12.º anos de escolaridade, por serem os que estão sujeitos a exames nacionais."
Boas notícias para os estudantes portugueses.

Aqui fica um exemplo relativo à matemática do 4.º ano:

terça-feira, 2 de abril de 2013

Vou ser pai

O guia de gravidez para os homens 
que as mulheres também vão querer ler

Desta feita, Mário Cordeiro, pediatra consagrado que já nos habituou aos livros, escreve no masculino.
Vou ser pai é um guia da gravidez concebido a pensar nos pais-homens. Um livro que, recheado de histórias, relatos e factos, permite aos pais acompanhar de forma mais intensa uma gravidez, desde os primeiros momentos e consultas até ao nascimento.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Nova aventura da coleção Olimpvs.net




O Enigma de Ulisses é o 4.º volume da nossa coleção Olimpvs.net.

Já chegou às livrarias e está com uma super promoção na Wook: oferta do volume 1, na compra da nova aventura!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Joana Vasconcelos ou a rainha vai nua


Valquírias

Quem viu a exposição da Joana Vasconcelos no CCB, em Lisboa, em 2010, não precisa de ir ao Palácio da Ajuda ver cães, cavalos, gatos, caranguejos, lagartos ou lagostas de louça Bordalo Pinheiro revestidos com rendas dos Açores. Déjà vu.
Rever as peças mais antigas como a Noiva (o lustre feito de tampões), Marilyn (o sapato feito de panelas) ou Coração Independente (um coração de Viana feito de garfos de plástico vermelhos) é um déjà vu. E sabe a pouco.
Falta a surpresa, embora não falte o humor. Claro que há peças que surpreendem, sobretudo pelo espaço onde foram enquadradas – como A Todo o Vapor – mas, repito, sabe a pouco. Sobretudo quando se vai acompanhada de tão exigentes espectadores:
– Já vi, já vi... – vai dizendo ela, parando em cada sala para ler a informação daquele espaço e passando pelas peças da Joana Vasconcelos como se não as visse.
A todo o vapor
– Não é novo. É sempre a mesma coisa – diz ele, olhando com mais atenção para as miúdas da mesma idade que estão a ver a exposição. 
Na sala de jantar do Palácio estão duas enormes lagostas à mesa, são Bordalo Pinheiro e vestidas com rendas dos Açores. Duas senhoras discutem:
– Estão a preparar-se para nos comerem! – diz uma divertida.
 – Não! Estão a ser preparadas para serem comidas – responde a outra.
«É isto que é maravilhoso quando olhamos para uma peça de arte, para um quadro ou ouvimos uma música, é que cada um de nós pode interpretar como quiser», segredo aos ouvidos dos exigentes espectadores, aproveitando o momento para fazer pedagogia.
– Eu acho que as lagostas estão com frio, senão não tinham aqueles casaquinhos de renda – diz ele, cínico.
Não gostaram, concluem. Soube a pouco, explicam. Gostaram mais da do CCB, tinha mais variedade, peças que surpreendiam e são capazes de as nomear apesar de terem passado três anos.
– E o Lilicóptero? Não é surpreendente? Cheio de plumas de avestruz e cristais Swarovski? E lá dentro, os tapetes eram de Arraiolos! – exclamo.
– Ela deve estar a viver do sucesso que teve em Versailles... – supõe o pai desapontado com a exposição.
– Pois, e quis reproduzir aqui na Ajuda. Olha, só valeu a pena porque assim vimos o palácio – acrescenta ela que gostou de se inteirar dos hábitos de D. Maria Pia.
– Mas não é interessante ver o modo como a Joana Vasconcelos olhou para cada uma das salas e introduziu um elemento surpresa? – insisto.
– Os estrangeiros todos maravilhados com a Joana Vasconcelos em França e agora os portugueses também. É como a história do 'Rei vai nu'. Ai que espectáculo o trabalho da Joana Vasconcelos! Que bom! E depois vamos ver e é igual a tudo o que ela já fez. Ó mãe, as salas debaixo tinham todas um animal com renda dos Açores... Onde é que está o efeito surpresa? – responde ele.
– Ó mano, não é o 'Rei vai nu' é a 'Rainha vai nua'!
Dou-me por vencida e não insisto mais. Ok, são adolescentes, não se deixam deslumbrar como quando eram pequenos, têm a cabeça cheia de outras coisas, mas têm alguma razão. Soube a pouco.
BW

Carmen
PS1: Vale a pena ver a fotogaleria do PÚBLICO!
PS 2: Porque é que a cultura, em Portugal, não deve ser explorada pelos privados? Pela falta de noção do que é serviço público, pela arrogância com que se tratam os espectadores.
1. No site da Everything is New, promotora da exposição da Joana Vasconcelos não há uma palavra sobre horários, mas os preços lá estão, bem visíveis, assim como os locais onde se podem comprar os bilhetes. Portanto, quem não saiba que o Palácio da Ajuda fecha à quarta-feira, em vez de encerrar à segunda como a maior parte dos museus, bate com o nariz na porta. Foi o que nos aconteceu ontem e a mais uma dezena de pessoas (o número foi contabilizado apenas no período de tempo em que estivemos na Ajuda, calculamos que ao longo do dia tenha acontecido a mais gente), todas ao engano. «Mas na revista do Expresso também não dizia que fechava à quarta», queixava-se uma senhora que tinha vindo de longe.
Cansada, uma funcionária do Palácio pedia: «Mas escrevam no livro de reclamações. Estamos fartos de falar com a organização e não fazem nada...».
2. À nossa frente um grupo de jovens, na casa dos 17/18 anos compra bilhetes. Há 50% de desconto para estudantes. «Tem cartão? Desculpe mas tem de pagar o bilhete sem desconto», explica o funcionário. «Ó meu amigo, mas quem é que com esta idade não está na escola?», apetece dizer-lhe. Como o rapaz não se queixa, quem sou eu para comprar as guerras dos outros.
3. A professora na fila ao lado, que quase chora quando conta à amiga que está com horário zero e que não sabe qual vai ser o seu futuro, não tem direito a desconto. «Só se viesse com mais de 20 alunos», explica o funcionário.
4. Chega a nossa vez. Apresento o cartão de jornalista (que em qualquer parte do mundo me dá entrada gratuita ou desconto na compra do bilhete). «Inês, como é com os jornalistas?». A Inês espreita o cartão e diz «Nada. É o bilhete inteiro». «Então são dois adultos e dois estudantes», pedimos. «Têm cartão?». Têm. «Que idades têm?». «Mau! Mas achas que os miúdos têm mais de 25 anos?!», penso irritada. «Se quiserem, há o cartão família por 24 euros... Sempre poupam um euro...», diz. Errado, rapaz, poupamos seis euros.
Noiva
5. O pai para a Inês: «Ontem estivemos cá e a porta estava fechada porque nos vossos sites não há informação sobre o encerramento à quarta-feira. Certamente terá conhecimento desta situação?». «Sim, mas o Palácio fecha à quarta-feira...», responde a Inês displicente – quem é que não sabe?!. «Mas não têm a intenção de pôr essa informação no site? É que nós não fomos os únicos a quem isso aconteceu...». «Sim...», diz a Inês a despachar – ó senhor, não vê que está a empatar a fila!?
6. À nossa frente segue uma mãe e uma avó com dois carrinhos de bebé. Há uma sala escura, com o Jardim do Éden e pode não ser fácil circular com os carrinhos. «Deixaram-vos entrar? Pois... É que a sala é escura e é preciso ter cuidado e como têm os carrinhos... Olha, não me interessa», diz encolhendo os ombros. Eu e o pai entreolhamo-nos. «Não interessa? E se estragam alguma parte da peça? Não interessa à pessoa que está a vigiar?». Assim como não interessa aos funcionários do piso de cima que esteja uma miúda a abrir um contador com a recomendação "não mexer"...

A cultura deve ser financiada pelo Estado para que todos tenham acesso a ela. Os professores que, no dia seguinte, podem levar os seus alunos; os estudantes que vão por sua iniciativa abrir horizontes; as famílias que querem dar mais aos seus filhos e, sim, os jornalistas para que sejam pessoas sempre bem (in)formadas.

terça-feira, 26 de março de 2013

O desacordo ortográfico

Não uso o Acordo Ortográfico (AO). No PÚBLICO é ponto de honra não usá-lo até ao momento em que for, de facto, obrigatório. E esta é uma decisão que não é consensual. Os leitores mais velhos agradecem mas os novos, aqueles que já lêem e escrevem segundo o AO podem não achar piada. Assim como os "novíssimos" leitores, os que ainda estudam e usam manuais escolares com o AO. Não é consensual quando os outros meios de comunicação já o utilizam e quando temos colunistas que usam e outros não.
O AO irrita-me pelos seus disparates.
Estou a escrever o Olimpvs.net e quero dizer: "Pedro pára", como segundo o AO o "pára" perdeu o acento, para não escrever "Pedro para", opto por "Pedro trava", não é bem a mesma coisa, mas serve o efeito. Agora tenho um helicóptero que "pára" por cima das águas e, depois de estar à frente do texto durante uns bons dez minutos, parada, encontro uma saída rebuscada "o helicóptero interrompe o seu voo e fica estático sob as águas"... Socorro!
Senhores, voltem a acentuar o "pára", por favor... Até porque se confunde com o "para"...
BW

domingo, 24 de março de 2013

José Tolentino de Mendonça em entrevista ao PÚBLICO

Este domingo, vale a pena ler na edição impressa a entrevista com o sacerdote e poeta José Tolentino de Mendonça.
Aqui fica um cheirinho:

Escreveu um poema para Bento XVI, já começou a escrever para Francisco?

O Papa Francisco é que começou a escrever um poema para nós e esse eu já comecei a ouvir.

Bom domingo!
BW

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mobilidade dos professores

Não há empregos para a vida. Os trabalhadores do privado já o descobriram há muito, os do público começam a descobrir agora.
Mas as dificuldades que são colocadas aos professores são preocupantes. Como vão ensinar pessoas que estão deslocadas centenas de quilómetros, longe de sua casa, da sua família? Que motivação têm para trabalhar? Terão sequer dinheiro para se deslocarem?
Vamos apostar na emigração e no desemprego como oportunidades, como diz o primeiro-ministro? Parece que sim, que a aposta é mesmo no investimento na formação das pessoas para depois fazerem bem lá fora e quem fica, fica a minguar, a sufocar.
E a desculpa de Nuno Crato é lamentável: "Vivemos no mundo em que vivemos". Pois e se a minha avó não tivesse morrido ainda hoje era viva, apetece dizer. Desespera-me a resignação e a falta de uma política que pense nas pessoas.
Pertinente a reflexão de Maria de Lurdes Rodrigues no PÚBLICO Online.
BW