Há boas ideias e esta é uma delas: colocar máquinas fotográficas nas mãos de crianças e pô-las a fotografar. O resultado é um livro que é apresentado hoje, em Lamego!
BW
sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
21 de março
Fiquei à janela a ver a noite deitar os pássaros nos ninhos.
Esta é a frase que abre o diário de uma menina que, conforme a contracapa deste fantástico livro diz, "carrega um jardim na cabeça, atira palavras aos pombos e sabe quanto tempo uma sombra demora a ficar madura."
O livro do ano é a nova aposta da Alfaguara, com texto e ilustrações de Afonso Cruz.
Parabéns! Um livro de pensamentos e sonhos, para todas as idades.
Uma obra prima imperdível!
Fiquei à janela a ver a noite deitar os pássaros nos ninhos.
Esta é a frase que abre o diário de uma menina que, conforme a contracapa deste fantástico livro diz, "carrega um jardim na cabeça, atira palavras aos pombos e sabe quanto tempo uma sombra demora a ficar madura."
O livro do ano é a nova aposta da Alfaguara, com texto e ilustrações de Afonso Cruz.
Parabéns! Um livro de pensamentos e sonhos, para todas as idades.
Uma obra prima imperdível!
quarta-feira, 20 de março de 2013
Os exames de antigamente
Ana Maria Bénard da Costa está aposentada mas trabalhou durante muitos anos no Ministério da Educação, é de lá que a conheço, de defender e de implementar a Educação Inclusiva, a declaração de Salamanca nas escolas, com o objectivo de ter uma escola para todos. As crianças com necessidades educativas especiais na mesma sala de aula que as outras, para bem de todos, para a educação para a cidadania (dos que não têm dificuldades) e para a educação real (dos que têm). Hoje está ligada à Rede Inclusão. Hoje escreveu um texto no PÚBLICO sobre a sua experiência nos exames do liceu, mais do que a recordação, o importante é a reflexão que faz.
BW
BW
segunda-feira, 18 de março de 2013
Há Educação contra os Professores?
Texto do professor Paulo Guinote, para ler aqui.
sábado, 16 de março de 2013
Acordo Fotográfico em exposição
A ver em Guimarães, se não conseguir pode ver sempre aqui!
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museus
sexta-feira, 15 de março de 2013
Há condições para fazer exames no 4.º ano?
A poupança, sempre a poupança, obriga a que os alunos do 4.º ano, nos dias em que vão realizar os exames nacionais, deixem as suas escolas, as suas salas de aula e vão para a escola sede de agrupamento, para as salas dos mais velhos, fazer os exames.
As escolas nem sabem muito bem como é que isso se põe em prática já que os alunos dos outros anos não estarão a fazer exames porque aqueles serão dias normais de aulas... É mais uma daquelas decisões tomadas no impulso da poupança. Pensa-se, diz-se, manda-se uma circular e depois a escola lá há-de arranjar uma solução, habituada que está a fazê-lo noutras circunstâncias.
Isso também me aconteceu mas por razões diferentes: como andava numa escola sem paralelismo pedagógico o exame era obrigatório para certificar que tinha sido bem ensinada. Fomos o dia todo para a secundária da zona, gigante à vista da nossa pequena escola. O dia todo porque tinhamos exame de cada uma das disciplinas (Português, Matemática e Estudo do Meio) e ainda havia umas orais para fazer no final. Lembro-me da ansiedade sentida por não estar na minha escola, da angústia de não ver a minha professora e do alívio que senti ao ver que tinha sido designada para a sala, para fazer a vigilância, uma das professoras da escola, que nos sorriu mal entrou, sossegando-me.
Aos oito/nove anos continua a fazer-nos falta a estabilidade – não faz falta a vida inteira? –, o conhecermos o espaço, o estarmos ambientados, o estarmos bem. Não vou dizer que os meninos vão ter piores resultados porque não estão no seu meio, mas era desnecessário obrigá-los a isto. Se não há condições monetárias para fazer exames, não se fazem que não vem mal ao mundo.
BW
As escolas nem sabem muito bem como é que isso se põe em prática já que os alunos dos outros anos não estarão a fazer exames porque aqueles serão dias normais de aulas... É mais uma daquelas decisões tomadas no impulso da poupança. Pensa-se, diz-se, manda-se uma circular e depois a escola lá há-de arranjar uma solução, habituada que está a fazê-lo noutras circunstâncias.
Isso também me aconteceu mas por razões diferentes: como andava numa escola sem paralelismo pedagógico o exame era obrigatório para certificar que tinha sido bem ensinada. Fomos o dia todo para a secundária da zona, gigante à vista da nossa pequena escola. O dia todo porque tinhamos exame de cada uma das disciplinas (Português, Matemática e Estudo do Meio) e ainda havia umas orais para fazer no final. Lembro-me da ansiedade sentida por não estar na minha escola, da angústia de não ver a minha professora e do alívio que senti ao ver que tinha sido designada para a sala, para fazer a vigilância, uma das professoras da escola, que nos sorriu mal entrou, sossegando-me.
Aos oito/nove anos continua a fazer-nos falta a estabilidade – não faz falta a vida inteira? –, o conhecermos o espaço, o estarmos ambientados, o estarmos bem. Não vou dizer que os meninos vão ter piores resultados porque não estão no seu meio, mas era desnecessário obrigá-los a isto. Se não há condições monetárias para fazer exames, não se fazem que não vem mal ao mundo.
BW
Nostalgia do papel
Pela primeira vez, tenho alunos que acompanham a aula e a análise das obras do programa com um Ipad. Trocaram o papel, pelo digital. Pediram-me autorização, antes da aula, não fosse eu julgar que estavam a jogar! E explicaram: "Não tinha o livro e comprei-o mais barato assim". Assim no formato digital, leia-se.
Para mim, enquanto professora, isto é uma novidade. Tenho de mudar as sugestões e orientações que lhes dou, pois onde farão eles agora as notas, onde colocarão os post-its, como dobrarão o canto da página? Bom, bem sei que muitas destas possibilidades são possíveis num tablet e que este discurso é um pouco saudosista...
Em momentos de maior clarividência o que costumo dizer é que o importante é que eles leiam, não interessa onde nem como!
Mas, hoje, apesar de saber que o digital os atrai, a mim, ainda me apetece o papel...
Em momentos de maior clarividência o que costumo dizer é que o importante é que eles leiam, não interessa onde nem como!
Mas, hoje, apesar de saber que o digital os atrai, a mim, ainda me apetece o papel...
quinta-feira, 14 de março de 2013
"Buona sera...", disse Francisco
Quarta-feira foi um dia bom.
Gostei imediatamente de Francisco quando assomou à varanda e disse "Buona sera, fratelli e sorelle" (não sei se está bem escrito, desculpem). Não disse "que Deus esteja convosco" ou "Caros irmãos", nada disso, falou para os "irmãos e irmãs". Disse que era o "bispo de Roma", repetiu-o umas três vezes, como quem diz que é igual aos outros, ao bispo do Porto, de Bragança... ele é o de Roma. Pediu a benção antes de a dar e inclinou-se. O silêncio na Praça de São Pedro foi maravilhoso e fez-me pensar o quanto é preciso o silêncio para nos recentrarmos no que é importante.
Francisco parece ser simples e humilde. Meteu-se no autocarro com os outros cardeais e regressou à casa de Santa Marta, recusando ir num carro sozinho. Diz que João XXIII, dois dias depois de ser eleito foi aos correios meter umas cartas, deixando a cúria em polvorosa e a guarda suíça preocupada com a sua segurança. Imagino Francisco a fazer o mesmo!
Gosto do nome que escolheu. Lembrou-me imediatamente São Francisco de Assis, a sua coragem em enfrentar os poderes instalados, o amor aos pobres, a importância que deu às mulheres, permitindo que Clara o seguisse.
Horas depois, um amigo envia um SMS com a pergunta: "Assis ou Xavier?" e recordei São Francisco Xavier, o missionário jesuíta (da mesma ordem que o novo Papa), o homem que morreu às portas da China depois de 15 anos de missão pelo Oriente.
Curioso como estes dois Franciscos, tantos séculos depois, podem ser inspiradores e decisivos na agenda papal!
Parece que os restos mortais de Francisco, o vidente de Fátima, foram trasladados para a basílica do santuário no dia 13 de Março de 1952. Mas muito honestamente não me parece que esta criança estivesse nos pensamentos de Jorge Mario Bergoglio quando escolheu o nome de Francisco.
Quarta-feira foi um dia que terminou bem.
No Centro Cultural da Ponte, em Lisboa, um grupo de mulheres acolhe-me com grande hospitalidade. A conversa começa e flui com facilidade. A hora prevista para conversarmos depressa ultrapassa os 60 minutos que se multiplicam por dois, estariamos ali mais tempo a falar sobre jornalismo, sobre o seu futuro, sobre os dilemas e os dramas que o negócio vive. Ao contrário do eng. Belmiro, meu empregador, que não nos conhece e acha que os jornalistas do PÚBLICO escrevem "asneiras" e os seus directores são uns "cagarolas"; naquela sala estavam pessoas que nos conhecem pelo nome que sabem que o Ricardo Garcia escreve sobre Ambiente, que o José Vítor Malheiros sabe tudo sobre ciência, que o Paulo Moura é um repórter de primeira; pessoas que lamentam alguns nomes que foram na leva do último despedimento – não avaliam?, perguntam; pessoas que olham de maneira crítica para o jornal em papel, que são fãs do novo site. Em suma, que respeitam os jornalistas e o jornalismo.
No final, a moderadora oferece "A minha sala de aula é uma trincheira" ao centro e convida-me a fazer uma dedicatória, esqueço-me da data. "Uma data tão importante!", dizem algumas das participantes, referindo-se à escolha do Papa.
Foi a melhor maneira de terminar o dia.
BW
Gostei imediatamente de Francisco quando assomou à varanda e disse "Buona sera, fratelli e sorelle" (não sei se está bem escrito, desculpem). Não disse "que Deus esteja convosco" ou "Caros irmãos", nada disso, falou para os "irmãos e irmãs". Disse que era o "bispo de Roma", repetiu-o umas três vezes, como quem diz que é igual aos outros, ao bispo do Porto, de Bragança... ele é o de Roma. Pediu a benção antes de a dar e inclinou-se. O silêncio na Praça de São Pedro foi maravilhoso e fez-me pensar o quanto é preciso o silêncio para nos recentrarmos no que é importante.
Francisco parece ser simples e humilde. Meteu-se no autocarro com os outros cardeais e regressou à casa de Santa Marta, recusando ir num carro sozinho. Diz que João XXIII, dois dias depois de ser eleito foi aos correios meter umas cartas, deixando a cúria em polvorosa e a guarda suíça preocupada com a sua segurança. Imagino Francisco a fazer o mesmo!
Gosto do nome que escolheu. Lembrou-me imediatamente São Francisco de Assis, a sua coragem em enfrentar os poderes instalados, o amor aos pobres, a importância que deu às mulheres, permitindo que Clara o seguisse.
Horas depois, um amigo envia um SMS com a pergunta: "Assis ou Xavier?" e recordei São Francisco Xavier, o missionário jesuíta (da mesma ordem que o novo Papa), o homem que morreu às portas da China depois de 15 anos de missão pelo Oriente.
Curioso como estes dois Franciscos, tantos séculos depois, podem ser inspiradores e decisivos na agenda papal!
Parece que os restos mortais de Francisco, o vidente de Fátima, foram trasladados para a basílica do santuário no dia 13 de Março de 1952. Mas muito honestamente não me parece que esta criança estivesse nos pensamentos de Jorge Mario Bergoglio quando escolheu o nome de Francisco.
Quarta-feira foi um dia que terminou bem.
No Centro Cultural da Ponte, em Lisboa, um grupo de mulheres acolhe-me com grande hospitalidade. A conversa começa e flui com facilidade. A hora prevista para conversarmos depressa ultrapassa os 60 minutos que se multiplicam por dois, estariamos ali mais tempo a falar sobre jornalismo, sobre o seu futuro, sobre os dilemas e os dramas que o negócio vive. Ao contrário do eng. Belmiro, meu empregador, que não nos conhece e acha que os jornalistas do PÚBLICO escrevem "asneiras" e os seus directores são uns "cagarolas"; naquela sala estavam pessoas que nos conhecem pelo nome que sabem que o Ricardo Garcia escreve sobre Ambiente, que o José Vítor Malheiros sabe tudo sobre ciência, que o Paulo Moura é um repórter de primeira; pessoas que lamentam alguns nomes que foram na leva do último despedimento – não avaliam?, perguntam; pessoas que olham de maneira crítica para o jornal em papel, que são fãs do novo site. Em suma, que respeitam os jornalistas e o jornalismo.
No final, a moderadora oferece "A minha sala de aula é uma trincheira" ao centro e convida-me a fazer uma dedicatória, esqueço-me da data. "Uma data tão importante!", dizem algumas das participantes, referindo-se à escolha do Papa.
Foi a melhor maneira de terminar o dia.
BW
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quarta-feira, 13 de março de 2013
Lisboa está tão longe
Na noite de segunda-feira estive na residência universitária dos Montes Claros, em Lisboa, a conversar com um grupo de quase três dezenas de jovens universitários, das mais variadas áreas. Rapazes interessados, empenhados, curiosos, com ideias próprias, com certezas e com argumentos para as defender. O mote era os "Dramas do Ensino em Portugal" e conversámos sobre uma série de temas. Da educação inclusiva – "concorda que os alunos do ensino especial estejam na mesma sala que os outros?" – ao ensino diferenciado – "o que pensa sobre rapazes e raparigas terem aulas separados?", passando pelo cheque-ensino, pela liberdade de educação, pela autonomia das escolas, pela liberdade de não estudar – "concorda que o Estado obrigue a que se façam 12 anos de escolaridade?". Falou-se do ensino alemão e da necessidade (ou não) dos nossos alunos terem mais disciplinas no secundário, de modo a que adiem a escolha que actualmente fazem no 9.º ano.
No final, depois das despedidas ainda vieram dois estudantes fazer mais uma ou duas perguntas e uma tocou-me: "O que posso fazer, sendo um membro exterior à escola, não sendo professor, não pertencendo ao Governo, para melhorar a educação?".
Na manhã seguinte, terça-feira, estou na EB 2, 3 de Pegões, uma zona rural do outro lado do Tejo. São alunos do 7.º, 8.º e 9.º anos para ouvir falar do Olimpvs.net.
Estão atentos, sossegados, mas são pouco curiosos, desinteressados, fazem poucas perguntas, há momentos de silêncio quase incómodo entre o terminar de uma resposta (minha) e uma nova pergunta (deles). Não têm hábitos de leitura regulares, explica a professora bibliotecária, uma mulher motivadíssima, cheia de ideias que põe em prática para que os alunos e as suas famílias leiam. Há alunos que a primeira vez que vão ao Montijo, a sede do concelho, a 30 quilómetros, é com a escola. Há alunos que a primeira vez que passam a ponte Vasco da Gama é com a escola, revela, no final das duas sessões.
E é nestas alturas que eu admiro mais ainda a escola e os professores.
De volta aos Montes Claros e à pergunta sobre se as famílias deviam ter liberdade para decidir se querem que os filhos façam o 12.º ano ou não, porque pode haver alunos que queiram ajudar os pais, por exemplo, argumenta o universitário. Não. Acho que o Governo socialista fez bem em ter prolongado a escolaridade para os 12 anos porque quanto mais tempo as pessoas estiverem na escola, mais vão viver, mais vão aprender, mais vão ser. Agora, é um facto que a oferta tem de ser, verdadeiramente, diversificada. Ou seja, é preciso existirem mais cursos profissionais que preparem para profissões reais e é preciso perdermos a vergonha de dizer "o meu filho está no curso profissional".
Quando se fala de um ensino mais abrangente no secundário. Sim, é uma boa sugestão, a maior parte dos alunos não está preparado para decidir aos 14 anos. Mas a verdade é que o ensino já é acusado de ser extenso no 3.º ciclo precisamente por ter tantas disciplinas.
Quando me perguntam sobre a educação inclusiva. Sim, sou completamente a favor que a criança com deficiência cognitva esteja na mesma sala desde que salvaguardados os seus direitos e os direitos dos que conseguem aprender. É até uma questão humana, de cidadania, de aprendizagem a viver com o outro que é diferente e que existe.
Quando me perguntam sobre o ensino diferenciado. Porque não? De facto e está provado, as raparigas amadurecem mais cedo do que os rapazes, podem perfeitamente estar sozinhas numa sala de aula com um professor e os rapazes noutra, desde que se encontrem no recreio, na cantina, nos espaços comuns, porque é importante crescer ao lado do sexo oposto.
Mas todas estas questões, válidas e pertinentes, não são os reais "Dramas do Ensino em Portugal". Estão longe do país real, o país onde a 30 quilómetros da ponte não a atravessamos porque os nossos pais não podem, nem sabem por que hão-de atravessá-la, porque não têm curiosidade ou possibilidade de o fazer. É por causa de todos os meninos que ficam longe das sedes de concelho, das capitais de distrito, da capital do país; é por causa dos meninos que mesmo perto estão longe, que as áreas não curriculares são importantes, que o Magalhães é importante, que o ter uma boa escola com óptimas instalações é importante. Em resumo, que investir na educação é importante porque o país continua a ser demasiado assimétrico.
BW
No final, depois das despedidas ainda vieram dois estudantes fazer mais uma ou duas perguntas e uma tocou-me: "O que posso fazer, sendo um membro exterior à escola, não sendo professor, não pertencendo ao Governo, para melhorar a educação?".
Na manhã seguinte, terça-feira, estou na EB 2, 3 de Pegões, uma zona rural do outro lado do Tejo. São alunos do 7.º, 8.º e 9.º anos para ouvir falar do Olimpvs.net.Estão atentos, sossegados, mas são pouco curiosos, desinteressados, fazem poucas perguntas, há momentos de silêncio quase incómodo entre o terminar de uma resposta (minha) e uma nova pergunta (deles). Não têm hábitos de leitura regulares, explica a professora bibliotecária, uma mulher motivadíssima, cheia de ideias que põe em prática para que os alunos e as suas famílias leiam. Há alunos que a primeira vez que vão ao Montijo, a sede do concelho, a 30 quilómetros, é com a escola. Há alunos que a primeira vez que passam a ponte Vasco da Gama é com a escola, revela, no final das duas sessões.
E é nestas alturas que eu admiro mais ainda a escola e os professores.
De volta aos Montes Claros e à pergunta sobre se as famílias deviam ter liberdade para decidir se querem que os filhos façam o 12.º ano ou não, porque pode haver alunos que queiram ajudar os pais, por exemplo, argumenta o universitário. Não. Acho que o Governo socialista fez bem em ter prolongado a escolaridade para os 12 anos porque quanto mais tempo as pessoas estiverem na escola, mais vão viver, mais vão aprender, mais vão ser. Agora, é um facto que a oferta tem de ser, verdadeiramente, diversificada. Ou seja, é preciso existirem mais cursos profissionais que preparem para profissões reais e é preciso perdermos a vergonha de dizer "o meu filho está no curso profissional".
Quando se fala de um ensino mais abrangente no secundário. Sim, é uma boa sugestão, a maior parte dos alunos não está preparado para decidir aos 14 anos. Mas a verdade é que o ensino já é acusado de ser extenso no 3.º ciclo precisamente por ter tantas disciplinas.
Quando me perguntam sobre a educação inclusiva. Sim, sou completamente a favor que a criança com deficiência cognitva esteja na mesma sala desde que salvaguardados os seus direitos e os direitos dos que conseguem aprender. É até uma questão humana, de cidadania, de aprendizagem a viver com o outro que é diferente e que existe.
Quando me perguntam sobre o ensino diferenciado. Porque não? De facto e está provado, as raparigas amadurecem mais cedo do que os rapazes, podem perfeitamente estar sozinhas numa sala de aula com um professor e os rapazes noutra, desde que se encontrem no recreio, na cantina, nos espaços comuns, porque é importante crescer ao lado do sexo oposto.
Mas todas estas questões, válidas e pertinentes, não são os reais "Dramas do Ensino em Portugal". Estão longe do país real, o país onde a 30 quilómetros da ponte não a atravessamos porque os nossos pais não podem, nem sabem por que hão-de atravessá-la, porque não têm curiosidade ou possibilidade de o fazer. É por causa de todos os meninos que ficam longe das sedes de concelho, das capitais de distrito, da capital do país; é por causa dos meninos que mesmo perto estão longe, que as áreas não curriculares são importantes, que o Magalhães é importante, que o ter uma boa escola com óptimas instalações é importante. Em resumo, que investir na educação é importante porque o país continua a ser demasiado assimétrico.
BW
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terça-feira, 12 de março de 2013
Ainda o Justin
Na escola, no dia a seguir do concerto:
1. "A M. viu o Justin entrar no Pavilhão Atlãntico!", anuncia a C, ao aproximar-se do grupo de amigas.
"AAAAHHHHHHHHH!!!", grita a B, durante cinco minutos, aos saltos.
"Mas estás a gritar porquê?", pergunta a minha filha à amiga.
"Porque a M. viu o Justin entrar!!!", continua a B, a gritar.
"E então?! Não foi para isso que foi ao concerto?", torna a minha filha.
"Sim! Mas ela viu-o entrar!!!"
"E ele não tinha de entrar para dar o concerto...", relativiza a minha filha, encolhendo os ombros.
2. "A R. tocou-lhe na perna!", informa a C.
"AAAAHHHHHHHH! Foi com que mão? Com que mão?! Nunca mais podes lavar as mãos!!!", diz a B, aos saltos.
No trabalho:
Conta-me a Cláudia Carvalho, jornalista que fez as reportagens antes, durante e após o concerto que o que mais a impressionou foram os miúdos, também há seguidores do sexo masculino, que admitiram sofrer de bullying porque são fãs do Justin Bieber. "Mas não faz mal porque o Justin dá-me apoio, porque eu sei que ele está lá para mim", responderam vários desses miúdos.
É como uma religião? É como um deus?
BW
1. "A M. viu o Justin entrar no Pavilhão Atlãntico!", anuncia a C, ao aproximar-se do grupo de amigas.
"AAAAHHHHHHHHH!!!", grita a B, durante cinco minutos, aos saltos.
"Mas estás a gritar porquê?", pergunta a minha filha à amiga.
"Porque a M. viu o Justin entrar!!!", continua a B, a gritar.
"E então?! Não foi para isso que foi ao concerto?", torna a minha filha.
"Sim! Mas ela viu-o entrar!!!"
"E ele não tinha de entrar para dar o concerto...", relativiza a minha filha, encolhendo os ombros.
2. "A R. tocou-lhe na perna!", informa a C.
"AAAAHHHHHHHH! Foi com que mão? Com que mão?! Nunca mais podes lavar as mãos!!!", diz a B, aos saltos.
No trabalho:
Conta-me a Cláudia Carvalho, jornalista que fez as reportagens antes, durante e após o concerto que o que mais a impressionou foram os miúdos, também há seguidores do sexo masculino, que admitiram sofrer de bullying porque são fãs do Justin Bieber. "Mas não faz mal porque o Justin dá-me apoio, porque eu sei que ele está lá para mim", responderam vários desses miúdos.
É como uma religião? É como um deus?
BW
segunda-feira, 11 de março de 2013
O Bieber não é importante
A reportagem da Cláudia Carvalho diz tudo, mas eu gostava de acrescentar mais uma coisinha!
Ontem à noite estava no aeroporto à hora a que o avião onde vinha o Justin Bieber aterrou. Vinha de Londres, tal como o meu filho. "Se calhar o mano veio no mesmo avião", digo à minha filha, uma "não fã" impressionada com o número de fãs que esperava o cantor de 19 anos.
Na área das chegadas, umas 30 adolescentes. Cantam e o tom sobe quando as portas se abrem ou quando alguém diz saber de qualquer coisa. Há momentos em que se levantam e começam a correr, com ar alucinado, para outras áreas do aeroporto para, de seguida, voltarem ao local de origem e continuarem a cantar.
Finalmente o meu filho e os colegas – que participaram numa prova internacional, representando o país e não ficaram mal classificados –, saem e são surpreendidos com aquela comitiva de miúdas da mesma idade.
"Viram o Justin?"; perguntam algumas, ansiosas.
"Esse panisga?! Não", responde um dos rapazes com um sorriso, fazendo os outros rir.
"Uuuuuhhhhhh!", gritam as miúdas, furiosas, mesmo zangadas, à medida que eles se afastam.
"Ehhh!", grito eu, batendo palmas, na tentativa de reparar tão má recepção.
Abraçamo-los, damos-lhes os parabéns, dizemos-lhes o quanto nos orgulham e o quanto, mesmo sem o país saber, mesmo sem aquelas miúdas saberem, orgulham Portugal. Despedimo-nos e regressamos a casa. No dia seguinte há aulas, mesmo que eles tenham acordado de madrugada, desde sexta-feira, para irem, para treinarem, para fazerem a prova, para voltarem. No dia seguinte há aulas, horários para cumprir, testes para fazer e novos treinos.
As miúdas permanem na sua vigília, à espera que Bieber saia pela mesma porta que os comuns dos mortais. Há pais a acompanhar aquelas meninas, dos 12 aos 15/16 anos, às 22h45 (hora a que chegámos, seguramente que estavam lá há mais tempo) até às 23h30 (hora a que saímos), em véspera de dia de aulas. Há pais a acompanhá-las, frente ao Pavilhão Atlântico, miúdas que estão desde dia 2 à porta do sítio onde o canadiano vai cantar. Estão a faltar às aulas desde então. Há pais que permitem (?) que as miúdas façam tatuagens com o nome do cantor.
Ser adolescente é isso mesmo: excesso! Mas, por vezes, falta a moderação (que não é própria da adolescência); e o sentido do ridículo. Por isso os pais são importantes nestas alturas, não para alimentar a coisa, mas para a moderar e relativizar.
BW
Ontem à noite estava no aeroporto à hora a que o avião onde vinha o Justin Bieber aterrou. Vinha de Londres, tal como o meu filho. "Se calhar o mano veio no mesmo avião", digo à minha filha, uma "não fã" impressionada com o número de fãs que esperava o cantor de 19 anos.
Na área das chegadas, umas 30 adolescentes. Cantam e o tom sobe quando as portas se abrem ou quando alguém diz saber de qualquer coisa. Há momentos em que se levantam e começam a correr, com ar alucinado, para outras áreas do aeroporto para, de seguida, voltarem ao local de origem e continuarem a cantar.
Finalmente o meu filho e os colegas – que participaram numa prova internacional, representando o país e não ficaram mal classificados –, saem e são surpreendidos com aquela comitiva de miúdas da mesma idade.
"Viram o Justin?"; perguntam algumas, ansiosas.
"Esse panisga?! Não", responde um dos rapazes com um sorriso, fazendo os outros rir.
"Uuuuuhhhhhh!", gritam as miúdas, furiosas, mesmo zangadas, à medida que eles se afastam.
"Ehhh!", grito eu, batendo palmas, na tentativa de reparar tão má recepção.
Abraçamo-los, damos-lhes os parabéns, dizemos-lhes o quanto nos orgulham e o quanto, mesmo sem o país saber, mesmo sem aquelas miúdas saberem, orgulham Portugal. Despedimo-nos e regressamos a casa. No dia seguinte há aulas, mesmo que eles tenham acordado de madrugada, desde sexta-feira, para irem, para treinarem, para fazerem a prova, para voltarem. No dia seguinte há aulas, horários para cumprir, testes para fazer e novos treinos.
As miúdas permanem na sua vigília, à espera que Bieber saia pela mesma porta que os comuns dos mortais. Há pais a acompanhar aquelas meninas, dos 12 aos 15/16 anos, às 22h45 (hora a que chegámos, seguramente que estavam lá há mais tempo) até às 23h30 (hora a que saímos), em véspera de dia de aulas. Há pais a acompanhá-las, frente ao Pavilhão Atlântico, miúdas que estão desde dia 2 à porta do sítio onde o canadiano vai cantar. Estão a faltar às aulas desde então. Há pais que permitem (?) que as miúdas façam tatuagens com o nome do cantor.
Ser adolescente é isso mesmo: excesso! Mas, por vezes, falta a moderação (que não é própria da adolescência); e o sentido do ridículo. Por isso os pais são importantes nestas alturas, não para alimentar a coisa, mas para a moderar e relativizar.
BW
Encontro na residência Montes Claros, em Lisboa
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sexta-feira, 8 de março de 2013
Onde estão os livros?
Entro no comboio, sento-me e abro "O meu filho fez o quê???" para terminar a apresentação que tenho de fazer na Póvoa de Lanhoso e em Gaia – faz hoje precisamente uma semana. Escrevinho à mão.
Ao meu lado senta-se um rapaz que saca do iphone e entra no Facebook. Do outro lado do corredor está um senhor no Facebook do ipad. Há computadores ligados por toda a carruagem.
Em Coimbra, o rapaz despede-se e o senhor também. Entram três estudantes que me ladeiam. Não há equipamentos da Apple mas outros mais acessíveis. Um abre o portátil para jogar, o outro para ver um filme com headphones na cabeça. O rapaz que se senta ao meu lado abre um livro de Ciência Política.
Serão os alunos de ciências sociais os últimos leitores, pergunto-me ao observá-lo.
No regresso a Lisboa sucede exactamente o mesmo, iphones e ipads serve para jogar como os gameboys e não para trabalhar ou para ler. Desconhecem que há app de livros?
As novas tecnologias são fantásticas, maravilhosas, ligam-nos ao mundo. Nunca antes estivemos tão ligados, mas nunca antes estivemos tão ausentes e tão acríticos.
BW
PS: O encontro na Póvoa de Lanhoso revelou pais interessados, curiosos, motivados. Parabéns à Associação de Pais da EB1 com JI da Póvoa de Lanhoso e ao agrupamento!
Ao meu lado senta-se um rapaz que saca do iphone e entra no Facebook. Do outro lado do corredor está um senhor no Facebook do ipad. Há computadores ligados por toda a carruagem.
Em Coimbra, o rapaz despede-se e o senhor também. Entram três estudantes que me ladeiam. Não há equipamentos da Apple mas outros mais acessíveis. Um abre o portátil para jogar, o outro para ver um filme com headphones na cabeça. O rapaz que se senta ao meu lado abre um livro de Ciência Política.
Serão os alunos de ciências sociais os últimos leitores, pergunto-me ao observá-lo.
No regresso a Lisboa sucede exactamente o mesmo, iphones e ipads serve para jogar como os gameboys e não para trabalhar ou para ler. Desconhecem que há app de livros?
As novas tecnologias são fantásticas, maravilhosas, ligam-nos ao mundo. Nunca antes estivemos tão ligados, mas nunca antes estivemos tão ausentes e tão acríticos.
BW
PS: O encontro na Póvoa de Lanhoso revelou pais interessados, curiosos, motivados. Parabéns à Associação de Pais da EB1 com JI da Póvoa de Lanhoso e ao agrupamento!
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quinta-feira, 7 de março de 2013
Os avós firmes e pacientes
Há quem diga que os avós estragam os netos. Não os que estão na mesma sala de espera que eu!
À minha frente, sentados à mesa estão um avô e um neto. O rapaz abre o livro de Língua Portuguesa do 1.º ano e informa: "Vou ter teste" para dizer, logo de seguida, "não sei o que vai sair". Paciente mas firme, o avô pede-lhe que abra o livro. O rapaz ri, brinca com o livro. Sério, o avô recomenda "não se ri, abre o livro". O rapaz acaba por ceder e começa a estudar.
Do outro lado da sala, uma avó pede à neta que vá confirmar que a aula do irmão já acabou. A brincar com as amigas, a menina de cinco anos recusa obedecer. A avó insiste, ela abana o corpo mimado e pergunta "mas porquê?", contrariada. "Porque eu estou a mandar", responde a avó sem mais explicações. A pequena levanta-se obediente.
Na outra ponta, outra avó abre a revista Sábado e pede à neta de nove anos que identifique a classe das palavras. "Não sei, não dei", responde a miúda, desejosa que a avó desista. Nada feito, a avó insiste e ela também e choraminga "Ó avó. Não sei, a minha professora não deu..."
Os olhos lacrimejam e a avó insiste. "Vou à casa-de-banho", anuncia a menina com o nariz a pingar. "Não vais não, ficas aqui. Que palavra é esta?". "É um adjectivo". "Não, não é", responde a avó. "É! Tu não sabes! A avó não percebe nada, agora já não se aprende da mesma maneira..."
Sem mudar o semblante a avó responde "mostra-me a gramática". "Está na escola e só posso trazer quando a professora der autorização". "No fim-de-semana trazes a gramática... e assoa o nariz", responde a avó inalterada.
São firmes e pacientes os avós, fossem os progenitores já tinham desistido e dado o telemóvel para a mão como fez um pai, ao meu lado, só para não argumentar com a criança.
BW
À minha frente, sentados à mesa estão um avô e um neto. O rapaz abre o livro de Língua Portuguesa do 1.º ano e informa: "Vou ter teste" para dizer, logo de seguida, "não sei o que vai sair". Paciente mas firme, o avô pede-lhe que abra o livro. O rapaz ri, brinca com o livro. Sério, o avô recomenda "não se ri, abre o livro". O rapaz acaba por ceder e começa a estudar.
Do outro lado da sala, uma avó pede à neta que vá confirmar que a aula do irmão já acabou. A brincar com as amigas, a menina de cinco anos recusa obedecer. A avó insiste, ela abana o corpo mimado e pergunta "mas porquê?", contrariada. "Porque eu estou a mandar", responde a avó sem mais explicações. A pequena levanta-se obediente.
Na outra ponta, outra avó abre a revista Sábado e pede à neta de nove anos que identifique a classe das palavras. "Não sei, não dei", responde a miúda, desejosa que a avó desista. Nada feito, a avó insiste e ela também e choraminga "Ó avó. Não sei, a minha professora não deu..."
Os olhos lacrimejam e a avó insiste. "Vou à casa-de-banho", anuncia a menina com o nariz a pingar. "Não vais não, ficas aqui. Que palavra é esta?". "É um adjectivo". "Não, não é", responde a avó. "É! Tu não sabes! A avó não percebe nada, agora já não se aprende da mesma maneira..."
Sem mudar o semblante a avó responde "mostra-me a gramática". "Está na escola e só posso trazer quando a professora der autorização". "No fim-de-semana trazes a gramática... e assoa o nariz", responde a avó inalterada.
São firmes e pacientes os avós, fossem os progenitores já tinham desistido e dado o telemóvel para a mão como fez um pai, ao meu lado, só para não argumentar com a criança.
BW
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quarta-feira, 6 de março de 2013
Como motivar para a leitura?
livro de Maria Almira Soares
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terça-feira, 5 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
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