terça-feira, 21 de junho de 2011

Exame nacional 2011

Basta escrever as duas palavras do título para nos cairem no blogue milhares de visitantes e quando digo milhares, são mesmo! Ontem, foram 10 mil visitas (nada a que não estejamos habituadas... Mentira! Nunca recebemos tantas visitas num dia). Temos que agradecer às palavrinhas mágicas, aos motores de busca que mandam os estudantes para o nosso blogue, ao Ministério da Educação por fazer exames e ao GAVE por bloquear em dia que os alunos querem mesmo saber, desesperadinhos, se responderam correctamente nas provas... O azar (ou incompetência) do GAVE - com outros serviços acontece a mesma coisa, que o digam os professores quando querem aceder aos concursos; que o digam os contribuintes quando querem declarar o IRS - foi o sucesso das nossas estatísticas.
Amanhã, vamos escrever "Exame nacional de Matemática" e não escrevemos nada em texto, a ver o que acontece! (Vão insultar-nos, os meninos, é o que vai suceder!)
BW

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Exame Nacional de Português - 12º - 2011

Depois da Língua Portuguesa, seguiu-se o Português. O primeiro exame, hoje de manhã, foi o o 9º ano. Agora, de tarde, foi a vez da disciplina de língua materna do secundário que, de acordo com o programa, assume a designação de Português.

Os alunos, como sempre, tentavam fazer futurologia: Será Caeiro que vai sair? Este nunca saiu. Outro aluno dizia: Parece que há um padrão e que de dois em dois anos temos Memorial e Camões. Enfim. Na hora da prova, lá se desvendou o mistério: Grupo I, um poema de Campos para interpretação; exercício B, 80 a 130 palavras sobre Reis e a sua perspectiva da passagem do tempo; Grupo III, a produção de um texto argumentativo sobre a importância da leitura (tema também proposto no exame do 9º ano, de manhã).
O grupo II não foi uma surpresa. Muito funcionamento da língua velado e alguns alunos a reclamar que, apesar dos professores os terem preparado para tal, continuam a achar que há muito estudo que não é aqui avaliado explicitamente.
Este ano, para além das habituais escolhas múltiplas - que oscilaram entre as fáceis e outras discutíveis - (e em vez do habitual quadro de correspondência), estreou-se outro tipo de questão fechada. Três alíneas, a valer 5 pontos cada, duas acessíveis, a terceira aposto que muitos alunos vão errar...

Ana Soares

Exame Nacional de Língua Portuguesa 9º ano 2011

A época de exames teve início com o exame de 9º ano de Língua Portuguesa.
A estrutura repetiu-se, o grau de dificuldade correspondeu ao que já vem sendo um hábito. Os textos escolhidos pareceram-me adequados. Numa primeira leitura da prova, não me pareceu que a mesma fosse difícil. Com atenção, estaria ao alcance dos alunos.
Quanto aos critérios de classificação (que podem tornar um exame fácil em difícil), teremos de esperar por mais logo. Os mesmos irão aparecer aqui.
Para os mais ansiosos, aqui ficam já as soluções do grupo I
exerc. 1
a - 1; b - 4; c - 6; d - 5; e - 3
exerc. 2
2.1. - c; 2.2. - b; 2.3. - d; 2.4 - b

Estudar para os exames

Porque é que as esplanadas estão cheias de miúdos?

domingo, 19 de junho de 2011

Calendário dos exames nacionais

Pode consultar aqui o calendário dos exames nacionais do secundário da 1ª e da  2ª época.
Amanhã começa a 1ª época com os exames de Latim e Português.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nuno Crato é o novo ministro da Educação

Professor universitário, presidente do Taguspark, cronista do Expresso, ex-presidente da Sociedade Portuguesa da Matemática, conhecido pelas suas posições a favor dos exames no final de cada ciclo, contra o facilitismo dos mesmos, a favor da avaliação dos professores... Nuno Crato é o ministro que acumula as pastas da Educação, Ensino Superior e Ciência.
Adeus aos dois ministérios, aos dois ministros, aos três secretários de Estado! Olá a um único ministério que congrega todo o ensino. Resta saber quantos e, sobretudo, quem são os secretários de Estado.
BW

Porque é que os nossos filhos se tornam tiranos?

A resposta simples é: porque nós deixamos! Porque achamos graça a tudo o que fazem, porque nos sentimos perdidos quando eles ficam furiosos e nos perguntamos o que é que fizemos mal? Porque temos medo de perder o amor deles.
Dizia-me uma educadora de infância: "Os pais fazem figuras incríveis. São inseguros e revelam as suas inseguranças à frente dos miúdos. Fazem-lhes todas as vontades com medo de os contrariar e os miúdos são uns tiranos!"
Estremeci. Dentro da minha mala tinha um exemplar do Porque é que os nossos filhos se tornam tiranos?, do alemão Michael Winterhoff, da editora Lua de Papel. O pedopsiquiatra escreveu este pequeno livro em 2008, e vem na linha do Pequeno Ditador do Urra, da Esfera dos Livros ou o Educar os Filhos de Naouri... e de outros psicólogos, pediatras e afins que descobriram agora que andámos a fazer tudo mal desde o Maio de 1968! É muita geração estragada! São muitos milhares de tiranetes que andaram a ser (mal)criados!
Winterhoff cita uma mãe que tem um filho com problemas (défice de atenção e problemas de comportamento) na escola, esta atribui as culpas aos professores e à escola que não se adaptou ao filho. O especialista cita uma professora que diz que a segunda-feira é o pior dia da semana, os alunos vêm de um fim-de-semana sentados à frente da televisão, a deitarem-se tarde, a fazerem tudo o que querem e quando chegam à sala de aula estão completamente avariados (isto é uma interpretação minha, completamente livre, a professora não diz avariados, nem desaustinados, diz "inaptos").
Winterhoff recorda que, nos últimos anos, falar em dar uma palmada já não é tão mal visto como antigamente e sublinha um aspecto muito importante: o educar para viver em sociedade.
Mas a culpa não é só dos pais que educam para a individualidade, diz o alemão. A culpa é do modo como as creches, jardins de infância e escolas de 1.º ciclo estão estruturadas. Também estas olham para as crianças como seres que devem desenvolver a sua imaginação, o seu ser individual, em vez de lhes mostrar "o caminho rumo a uma existência integrada na sociedade".
E nada de "crianças ao poder", Winterhoff ridiculariza os parlamentos das crianças e coisas semelhantes onde se dá um destaque que considera desnecessário porque lhes falta maturidade psiquíca. No final do livro diz: "Tem de se pôr fim ao forçado papel de pequenos adultos, que com grande naturalidade colocamos ao nosso lado em pé de igualdade em todos os planos da vida."
Em suma: Winterhoff identifica o problema - hoje muitos deles são pequenos tiranos, ditadorzinhos; os pais andam completamente baralhados e olham para os miúdos como pequenos deuses, apoiam-se neles e eles são demasiado pequenos para todos os papéis que lhes são exigidos -, e aponta uma solução: conhecer a maturidade psiquica da criança e tratar as crianças como crianças e não como pequenos adultos.
Enfim, Winterhoff é alemão e a maioria dos alemães não consegue ver as gradações de cinzento que há entre o preto e o branco, é gente demasiado prática. Sim, é verdade, vivemos em sociedade e devemos encaminhar a educação dos nossos filhos para que se integrem na grande roda, mas estes devem continuar a ser seres únicos e irrepetíveis, imaginativos, criativos, inteligentes e, acima de tudo, amados.
BW

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Piquinas e médias empresas"

Na turma dela brincam às famílias. A é primo de B, que é cunhado de C, que é padrinho de D, que é filho de E... E brincam às empresas.
Ao jantar, ela, que é vice-presidente da empresa imaginárias, está a queixar-se que o presidente não faz nada, depois começa a desfiar o organigrama da empresa: A é gestora de produto, B é designer, C é directora de marketing, D é jurista...
E o pai interrompe para perguntar: "Mas isso é algum trabalho? De que disciplina?".
Olhamos uns para os outros, o pai não ouviu quando ela disse "brincamos às empresas"?
O irmão interrompe o silêncio para exclamar: "Não pai, é mesmo a sério, elas têm mesmo uma empresa! Foram os drs. Passos Coelhos e Paulo Portas que foram lá ao colégio e lhes disseram para fazerem uma pequena e média empresa! Portugal precisa, criem uma pequena e média empresa!... E elas criaram! Um sucesso!"
Dei uma, não, várias gargalhadas e o pai suspirou: "Pronto, lá vai a mãe fazer um post..."
BW

José Saramago, um ano depois da sua morte

O CEJ, os magistrados, o sindicato...

Copiaram alguns dos futuros juízes deste país. Foram-lhes anulados os testes? Não! O castigo foi ter dez valores, numa escala de zero a vinte. É um castigo justo diz o CEJ. Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, diz que estas pessoas não serão magistrados honestos, que lhes falta legitimidade moral para julgarem outros cidadãos. Marinho Pinto diz que os testes deviam ser anulados. Já o representante do sindicato dos juízes também concorda com a anulação do teste mas diz que esta situação não deve por em causa o CEJ.
De facto, esta situação - a do copianço - não deve por em causa o CEJ mas a decisão que o CEJ tomou de atribuir dez aos que eles pensam que copiaram já me parece que põe em causa a instituição e que as descredibiliza.
E amanhã, ou hoje mesmo, teremos alunos do básico, do secundário, do superior a dizer: "Ih... Ó setor não acredito que me vai anular o teste... Faça como os ilustríssimos senhores juízes do CEJ, seja justo comigo setor..."
BW

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Como não lhes tramar a vida

O título do post é o nome do livro de Oliver James, pedopsicólogo britânico, e é vocacionado para as mães de classe média. Os pais não lêem, quem lhe dera a ele que lessem!, confessa. E as mães de classe baixa têm onde gastar melhor o seu pouco dinheiro do que em livros sobre pedagogia.
Como não lhes tramar a vida, publicado pela Civilização Editora, é para as mães que estão agora grávidas ou que têm bebés recém-nascidos e para quem os tem menor de três anos.
Oliver James define o que são as mães protectoras, as organizadoras e as flexíveis. Reflecte sobre a maternidade britânica onde a maioria das mulheres fica em casa, a cuidar dos filhos, ou contratam amas ou enfermeiras para lhes darem um apoio e umas luzes sobre como cuidar dos filhos; onde as creches têm pouca qualidade e se dá pouca importância aos primeiros anos - James recorda que as creches foi um dos grandes investimentos de Blair mas que o filho mais novo do primeiro-ministro nunca frequentou uma...
Apesar de reflectir bastante sobre a sociedade britânica, vivemos num mundo globalizado e conseguimos rever-nos em pelo menos um dos tipos de mãe que James identifica, senão em todos!
Gostei sobretudo do poema de Philip Larkin, This be the verse, citado logo na primeira página.

Seja este o poema

Tramam-te a vida, a mamã e o papá.
Ainda que a sua intenção não fosse má.
Passam-te todas as falhas que havia em si
E juntam-lhes mais algumas, só para ti.

Mas também foram tramados, os teus pais,
Por idiotas de cartola e jaquetão,
Que ora se mostravam tesos e sentimentais
Ora se abocanhavam no pescoço, como um cão.

E desta forma se perpetua a infelicidade
Como a costa mar adentro, até ao fundo.
Assim que possas foge a toda a velocidade,
E não te lembres de trazer filhos a este mundo.


BW

terça-feira, 14 de junho de 2011

A ler a avaliação que Eduardo Pitta faz...

... Do trabalho da Clara Viana no PUBLICO, aqui http://daliteratura.blogspot.com/ ... Isto é do trabalho dos últimos governos e da sua aposta na educação.
BW

testes e mais testes

Retomo o tema dos testes intermédios.
No trabalho ontem publicado pelo Público temos alguns números interessantes:
2005/2006 - 4 testes intermédios (todos no Secundário);
2009/10 - 17 testes (3 no 9º ano, os restantes no Secundário);
2010/11 -  23 testes (2 no 1º ciclo, 1 no 8º ano, 8 no 9º ano, os restantes no Secundário).

Concordo que são demais.
Mas porque  acredito que podem ser úteis indicadores:
- defendo que deviam ser "estrategicamente" distribuídos pelos diferentes anos escolares e que deveria, anualmente, haver apenas um de cada disciplina que é sujeita a exame;
- reitero que devia haver intermédio de Português no Secundário (ora não é de estranhar que dos 23 testes intermédios realizados este ano lectivo, 12 dos quais no Secundário, nenhum tenha sido de Português?).
E concluo dizendo que o que os alunos fazem a mais são testes. Não apenas os intermédios.

Os alunos precisam de tempo para se poderem concentrar e tirar proveito do estudo que fazem para os testes. Para que isso aconteça, não podem ter 2, 3 ou 4 testes na mesma semana. 

Menos elementos de avaliação.
Melhores elementos de avaliação.
Mais feedback para pais e alunos.
Provavelmente, melhores resultados.
Certamente, mais aprendizagens.

Ana Soares

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Provas intermédias podem prejudicar alunos e mudar o ensino para pior"

Excelente trabalho da Clara Viana no PÚBLICO de hoje (em papel) sobre os testes intermédios. Os alunos portugueses fazem quase seis vezes mais testes intermédios do que há cinco anos. A jornalista ouviu especialistas em avaliação preocupados com o modo como as escolas estão a aplicar os testes intermédios, com o "ensinar para o teste" (de que eu falava aqui, há uns dias). Contudo, segundo um inquérito do GAVE às escolas, os professores estão satisfeitos com os mesmos (não era a Ana Soares que pedia um teste intermédio para a sua disciplina?).
Apesar dos professores estarem contentes, o responsável do GAVE lamenta que as escolas não façam mais com a informação que o gabinete fornece às escolas. Porque sabem aplicar os testes mas já têm mais dificuldade em trabalhar os seus resultados, provavelmente por falta de tempo.
Com o novo Governo prevê-se que venham aí mais provas, mais exames, mais testes! PSD e CDS adoram exames, quais provas de aferição, exames é que é! E defendem-os em nome da exigência.
Já estou a imaginar os professores todos felizes e contentes a preparar os meninos para responder bem aos testes intermédios e aos exames! Os alunos é que nem por isso ou talvez sim, porque, vistas bem as coisas, é só estudar para o exame e pronto, não se fala mais nisso...
BW

Estudar para os exames.

Para os alunos que estão a estudar para os exames nacionais,
para os professores que os irão corrigir em breve,
para os pais que irão sofrer com os filhos da ansiedade dos exames,
aqui fica este texto que reforça a importância dos exames na aprendizagem.

Texto de Ladislao Salmerón
Dept. de Psicología Evolutiva y de la Educación, Universitat de València, España

Los exámenes se consideran como una mera evaluación del conocimiento del estudiante, y hasta el momento no se habían planteado seriamente como estrategia de aprendizaje. No en vano, los modelos tradicionales de la memoria humana consideran que los procesos de codificación son los máximos responsables del registro de información en memoria. Los procesos de recuperación, que se activan durante la realización de un examen, no deberían afectar a la información recuperada. Investigaciones recientes contradicen esta visión, y aportan nueva evidencia de cómo funciona nuestra memoria: realizar un examen sobre algo aprendido mejora nuestro aprendizaje de ese tema.

Leia o texto na íntegra aqui.

domingo, 12 de junho de 2011

Alunos abandonam escola por dificuldades financeiras

Serão casos pontuais?
O que o director de escola ouvido pela Lusa diz é que não são os filhos dos bairros, mas da classe média baixa.
São também estas famílias que deixaram de pagar os lares de idosos?
Entretanto, o PÚBLICO continua a acompanhar cinco famílias, num ano de crise. A minha curiosidade vai sempre para a família Lourenço, um casal de professores no topo da carreira.
BW

O meu primeiro Santo António

Para conhecer o santo português, aquele que a Igreja Católica reconheceu como santo com a maior rapidez de todos os tempos!
Para conhecer as tradições associadas ao santo milagreiro, casamenteiro e popular. Tudo isso e muito mais! Porque Santo António foi também um homem culto, recordado, por exemplo, pelo Pe. António Vieira.
Enfim, aqui está um livro, de escrita fluída e feliz - de Patrícia Luz Pinto (para mim, não tem Pinto, que a conheci Luz e é uma pessoa luminosa!) com ilustrações de Carla Nazareth -, para que os mais pequenos conheçam o santo que se celebra por estes dias na capital.
Para nós é Santo António de Lisboa, para os italianos é Santo António de Pádua (aliás, para o mundo, até para os brasileiros é de Pádua...).
BW

sábado, 11 de junho de 2011

Os (maus) exemplos



O primeiro-ministro inglês David Cameron encomendou um estudo sobre a criação de um sistema de classificação dos videos como existe para os filmes, de maneira a que videos como os de Lady Gaga ou Rihanna possam ser proibidos de passar antes das nove da noite, por causa das crianças.
A notícia tem uns dias mas lembrei-me dela quando, no metro, uma menina com 10/11 anos deslizava no varão, situado no meio da carruagem, e dançava ao som desta música da Shakira.
Ela era pequena mas dançava com toda a sensualidade da colombiana, mexia nos cabelos e mirava o seu reflexo nos vidros das portas, voltava a dar uma volta completa ao varão, agarrada com apenas uma mão enquanto a outra despenteava os cabelos. Parava e saltava para barra como fazem as bailarinas. Depois abandonava o corpo, deixando-o cair, agarrando-se com ambas as mãos e escorregava devagarinho. E voltava a repetir a coreografia até o comboio parar. Sentava-se e quando este arrancava, corria para o varão e repetia.
Estavam vários homens a olhá-la, ela absorta com a sua imagem reflectida, rodava, rodava, sempre agarrada com uma mão. Acabei por levantar-me e dizer-lhe: "Não faças mais isso, não é bonito", senti-me uma velha com mil anos, "quer dizer, é bonito e tu danças muito bem, mas pode ser perigoso, ainda por cima estás sozinha... Queres sentar-te ao pé de mim?". E ela olhou-me desconfiada, como se fosse eu o perigo, agarrou na mochila que estava esquecida num dos bancos e saiu na estação seguinte: "Está louca?", atirou com sotaque brasileiro.
Sei lá, talvez... Eu também gostava de dançar como as Doce e a Madonna, mas fazia-o em casa ou na escola com as minhas amigas, longe dos olhares do mundo. Sei lá, ou estou louca ou estou velha ou leio muita coisa...
BW

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Projecto de inclusão social

A “Rede nacional de mediadores de capacitação para o sucesso escolar” da EPIS - focada em alunos que frequentam o 3.º ciclo de escolaridade, com idades padrão entre os 13 e os 15 anos - a ser constituída por equipas concelhias de técnicos especializados e experientes nestas matérias, inclui na sua metodologia duas partes fundamentais: (1) um sistema de sinalização de jovens com factores de risco em termos de sucesso escolar – organizados em quatro grupos: aluno, família, escola e território – e (2) um portfólio de métodos de capacitação específicos para cada uma destas categorias, que possibilitam a construção de planos individuais de acompanhamento em proximidade e em continuidade.

Este projecto já se encontra em implementação experimental a nível nacional, em parceria com o Ministério da Educação e com concelhos pioneiros como Paredes, Odivelas, Resende, Aljezur, Vila Franca de Xira, Matosinhos, Tavira, Amadora, Santarém e Setúbal.

Projecto de inclusão social da Epis - escola da Pontinha

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Francês vs. Espanhol

Ele não queria aprender Francês, o Espanhol era melhor, dizia-nos. A troca de argumentos foi forte e no final imperou não a argumentação mas o poder dos pais. O Francês tem sido (mal) feito e com muita contrariedade. Quando a irmã pediu para ir para Espanhol, em parte por causa da má experiência dele, ficámos num impasse e ele é que desempatou: "Deixem-na ir para Espanhol, eu não me importo".
Estava ela a contar os resultados do último teste de Espanhol, quando ele começa a fazer um diálogo a imitar-nos e, de vez em quando fazia uns apartes - ver se eu consigo escrever de modo a que entendam quando é que somos nós a falar e o quando são os seus apartes... já sei! Os nossos, dos pais, são em itálico, os dele a bold:

"Não, filho, tens que ir para o Francês porque o Francês é uma língua de cultura, é essencial para quem vive na Europa. Se quiseres ir estudar para França, para Bruxelas... o Francês é muito falado no mundo inteiro: em África... Em África? Porque nós queremos é que tu vás para África! O Espanhol não, o Espanhol é só falado em Espanha, não é sequer o idioma de toda a América... TODA... Não é a segunda língua mais falada nos EUA, não... O Francês é falado no Canadá... Claro!.. E em África! Não esquecer... E no Pacífico... Boa, para quando for lá de férias?!... Olha, porque é que vocês não me puseram a aprender o Holandês?!"

Ele diz tudo isto como se fosse um comediante de stand-up, de pé e tudo. Nesta fase já rebolávamos a rir. O Holandês! Bem vistas as coisas, e na perspectiva dele, o Francês está equiparado ao Holandês, ou seja, é uma língua de ninguém, falada por uns tipos, num continente que está a perder poder no mundo. Sim, que importância geopolítica tem o Francês? Podia ter ido aprender o Holandês, o Sueco ou o Dinamarquês, penso.

Neste ponto, ele parou a rábula e perguntou-nos: "Porque é que eu disse 'o Holandês'?"
- Porque pensas que é uma língua pouco falada no mundo, respondo.
- Errado! Porque os Holandeses também disputaram a colonização da América com os Espanhóis...
- Tão inteligente o meu filho! Sabe aplicar tão bem a matéria que aprende! Uma pena não fazeres o mesmo com o Francês..."
BW