segunda-feira, 11 de abril de 2011

Quando os alunos entram de férias...

Lá deve estar MST e mais uns tantos portugueses a achar que os professores já estão de férias. É verdade que já não temos alunos esta semana. Em vez disso, temos os dias preenchidos por montanhas de papéis:  folhas de auto-avaliação; justificações de classificações; propostas de apoio para o 3º período; análises estatísticas sobre resultados; planificações de actividades, visitas e ajustes nos programas que se têm de cumprir; cruzes para pôr em processos individuais de apoio; informações para os encarregados de educação.  São dias interiores de reuniões. Às vezes sem ver a cor do sol. Reuniões umas atrás das outras. Sair de uma porta e entrar na outra ao lado. E no meio disto tudo, as vidas dos nossos alunos. A importância da palavra certa para descrever um comportamento, a melhor decisão para aquele aluno, que não é igual à melhor decisão para o seu colega do lado. Estamos já no fim de mais um período escolar, é verdade. Mas o trabalho ainda não acabou.

Ana Soares

domingo, 10 de abril de 2011

Billie Holiday: porque a música de intervenção não é só nossa

Nos últimos tempos e depois dos Homens da Luta terem vencido o festival da canção, a comunicação social tem-se dedicado a dissecar se a canção de intervenção está de volta ou não. Hoje, a Pública, que sai com o PÚBLICO, volta ao tema. Mas a canção de intervenção não é só nossa, nem só de esquerda. Esta fala de racismo.

sábado, 9 de abril de 2011

Afinal, pode ainda não ser desta...

Cavaco Silva requereu ao Tribunal Constitucional (TC) a fiscalização preventiva do diploma que suspendeu o modelo de avaliação de desempenho dos professores, de acordo com uma nota publicada no site oficial da Presidência da República. Leia a notícia aqui.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bom fim-de-semana

Buracos financeiros... os buracos são demais...



Há coisas que antes não indignavam muito, mas que agora parecem ser demais. O curioso é sabermos os nomes de quem vota contra e a favor...
BW

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mentira que se torna realidade

No dia 1 de Abril, dia das mentiras, a Google apresentou o Gmail Motion, uma forma de trabalhar com o email através de gestos e movimentos do corpo, feitos directamente para o computador.

Agora, uma equipa do MxR Lab da Universidade da Califórnia pôs em prática o sistema de controlo do email através de gestos e movimentos do corpo. O projecto foi desenvolvido no Institute for Creative Technologies e combina a solução que já tinha sido criada de Flexible Action and Articulated Skeleton Toolkit com o sensor Kinect da Microsoft. Evan Suma, um dos investigadores, comenta: "Ficámos muito excitados esta manhã quando a Google anunciou o Gmail Motion, mas, sem ofensa para os génios da Google, não conseguimos pôr a sua solução a funcionar nos nossos computadores. Por isso desenvolvemos a nossa própria solução".



Giro!

Desenvolvimento, pobreza e saúde

O médico Hans Rosling mostra a história do desenvolvimento do planeta nos últimos dois séculos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CATA LIVROS da Gulbenkian

CATA LIVROS é o novo projecto desenvolvido pela equipa GULBENKIAN/CASA DA LEITURA que utiliza a Internet para aproximar os jovens leitores de um conjunto de títulos essenciais da literatura para infância e juventude, com destaque para a produção nacional, assentando no caráter lúdico e interativo das narrativas e desafios propostos. Animado por uma equipa que inclui João Paulo Cotrim, Fernandina Fernando, Elsa Serra e Mariana Sim-Sim David, entre outros, o portal CATA LIVROS é dirigido aos leitores iniciais e medianos (sensivelmente, dos 8 aos 12 anos) e está construído a partir da metáfora de uma casa, com as suas salas e saletas, cantos e recantos, caves e sótãos, e que levam títulos como “salão salamaleque”, “janela de papel” ou “cozinhório & laboratinha”. O mocho, ícone carismático da CASA DA LEITURA, ganha como parceiro um corvo, e ambos servem de cicerones na aventura em que se transformará a leitura. Os livros abordados são escolhidos segundo critérios de qualidade literária e estética, mas também de representatividade histórica e estilística, sem descurar a atenção ao texto e ao grafismo. Cada mês terá um tema diferente (para começar, por exemplo, «Histórias de bichos estranhos») e, dentro desse tema, um livro destacado e, pelo menos, dezanove outros abordados de modos diversos. O CATA LIVROS permite também aos mediadores (bibliotecários, professores, educadores, etc.), bem como ao mais generalista dos públicos (pais e jornalistas), por um lado, aceder, através de um conjunto diversificado de recursos, aos livros que alimentam a curiosidade de leitores da mais tenra idade até à adolescência, e, por outro lado, a um conjunto de reflexões, projectos e práticas na área da promoção da leitura. CATA LIVROS – Onde as portas e as janelas dão para o livro.

Greves nos transportes públicos

Os trabalhadores do Metro, Carris, CP, Transtejo e Soflusa contestam os cortes salariais nas empresas do sector empresarial do Estado e fazem greves atrás de greves. Tudo bem. Os trabalhadores têm direitos, devem defendê-los, devem pressionar as empresas onde trabalham a respeitar os seus direitos. Contudo, os trabalhadores esquecem-se que o país está em crise, que de dia para dia as agências de rating vão atirando-nos para o "lixo", que a dívida existe, que os funcionários públicos têm os seus salários em risco de não ser pagos nos próximos meses e, por consequência, os do privado também (se não houver consumo, não há dinheiro para salários). Os trabalhadores dos transportes públicos esquecem-se que quanto mais prejudicarem as empresas onde trabalham, mais põem em risco os seus próprios lugares (estas empresas não têm só salários para pagar e vêem o barril do petróleo aumentar de dia para dia). Os trabalhadores esquecem-se dos outros trabalhadores, dos que não trabalham nas empresas do Estado, dos que precisam de chegar a horas aos seus trabalhos, dos que pagam mensalmente um passe e não têm o serviço pelo qual pagaram a funcionar convenientemente, dos que também têm dificuldades e têm de se fazer transportar em veículo próprio (aumentando assim as suas despesas mensais), dos que têm de tirar dias de férias nos dias das greves porque têm patrões pouco compreensivos. Desses trabalhadores há quem esteja muito pouco solidário com as greves dos trabalhadores dos transportes públicos. Contaram-me que, nos comboios, há quem não apresente o título de transporte ao revisor, lhe grite que é uma pouca vergonha o que estão a fazer e que receba palmas de uma carruagem inteira, obrigando o revisor a encolher-se. É muito feio, os trabalhadores contra os trabalhadores, mas há uns que têm que meter a mão na consciência e perceber que os cortes estão aí e estão para ficar, que TODOS vamos pagá-los. Portanto, é precisa mais solidariedade e mais espírito de sacrifício. Os tempos assim o exigem. BW

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Uma escola sem testes

Este foi um fim-de-semana como há muito não tinha: descansado, sem stress, com sol, sem trabalhos de casa, sem preparação para testes que foram às dúzias, nas últimas semanas. Tudo isto porque daqui a quatro dias termina o 2.º período.
Ao contrário de mim, creio que muitos professores tiveram mais um fim-de-semana de trabalho, com correcções de testes. Estes professores, imagino, não viram o sol, não descansaram, não almoçaram com os amigos, não ficaram na conversa a ver as crianças a brincar. Nada disso, estiveram em casa, fechados, a corrigir, a contabilizar percentagens, a abanar a cabeça com a ignorância dos alunos...

Por isso, sugiro: nada de testes! Não façam testes aos miúdos! Há outras maneiras de avaliar como os trabalhos individuais e os de grupo, de preferência todos feitos na escola! Boa?

Deste modo não há testes para levar para casa e corrigir; só trabalhos que podem ser avaliados durante a sua manufactura. E, assim, a escola prepara os alunos para o dia-a-dia, para o mercado de trabalho, onde somos avaliados, diariamente, pelo que fazemos, pelas ideias que temos e não através de testes onde mostramos que, na teoria, sabemos (ou não) a matéria toda, para a esquecermos mal saímos da sala de aula.

Uma escola sem testes era um alívio para alunos, professores e pais.

Aqui fica a sugestão! BW

sábado, 2 de abril de 2011

Parabéns!

Há um ano foi assim: 654 posts, 104 804 visitas.

Hoje, comemoramos o 2º aniversário do
Educar em Português com:
 1246 posts
1735 comentários
234 901 visitas
410 298 páginas vistas
193 seguidores

Obrigada, caros leitores.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Bom fim-de-semana!

O Principezinho em mirandês

O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry foi traduzido para mirandês. Vai estar à venda, a partir da próxima segunda-feira. A ASA foi pioneira nas publicações nesta língua, falada por uma minoria de portugueses.

Este fim-de-semana...

... read books not facebooks

Este é um dos versos da música "Made for you" dos The Gift.
O video oficial contou com a colaboração dos actores Lukas Haas e Isabel Lucas.

Aqui fica a sugestão.



MADE FOR YOU

I´ll probably be there waiting for your hope
I´ll probably be there waiting for your hope
I´ll probably be dead if I ain’t got your word
I’ll probably be there waiting for your hope
I’ll probably be dead if I ain’t got your word

Got your word

This time you’re not alone
Get rid of old ideals
Do something on your own
Don’t care about the things you’re listening to

Read books not facebooks
The world’s spinning upside down
Why don’t you all join us
Is this my carousel of hope?

Got your word

Trust, I will always be there, waiting for your love
Trust in the beauty inside, trust the name Explode
Trust the colours of rainbows, even if it’s dark
Trust in the photos you did and the ones outside
Trust in people, religions and all their hopes
Trust in the meaning of life, this can only be love
Trust the friends that we share, and the ones we don’t
Trust in me, trust in you
Over and over and over

quinta-feira, 31 de março de 2011

Todas as palavras que mudam com o novo acordo

Já vimos aqui guias vários, dicionários, sites, conversores sobre o Novo Acordo Ortográfico.

Desta vez, sugiro-vos um pequeno livro que acabei mesmo por comprar quando li na capa: todas as palavras que mudam com o novo acordo. Apenas 2% do vocabulário da língua portuguesa muda com este acordo. A maioria das palavras nem é de uso corrente. E as palavras estão mesmo disponíveis neste útil caderninho. O mesmo inclui ainda a típica síntese teórica das alterações, para consulta.

Uma obra indispensável não só para os que trabalham com a língua portuguesa (professores, alunos, jornalistas, revisores, etc.), mas também para todos os que pretendem continuar a escrever corre(c)tamente em português, como é dito na contracapa.

Ana Soares

quarta-feira, 30 de março de 2011

Um poema por semana

O poema desta semana, do programa da RTP, é "Mãezinha" de António Gedeão. Aqui fica.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Alterações aos horários dos professores

O despacho 5328/2011 , publicado hoje, vem trazer alterações aos horários dos professores.

Recomendo uma leitura atenta do mesmo, mas destaco desde já que a única redução na componente lectiva, decorrente da atribuição de cargos, é a de director de turma diurno (2h).

Todas as outras reduções ( coordenador de departamento, coordenador de ciclo, clubes e projectos, desporto escolar, apoio ao professor bibliotecário) passam a ser feitas na componente não lectiva, conforme se pode observar no quadro do anexo III.

Curiosamente, as funções de relator no processo de avaliação de desempenho dos docentes também são associadas à componente não lectiva.

Ana Soares

Decisões

Se tivesse de escolher qual a tarefa que os professores mais desenvolvem ao longo de um dia de trabalho, eu diria "decidir". Há decisões tomadas com tempo, preparadas, por assim dizer, como que texto usar naquela turma, que trabalho de grupo propor, que visita de estudo realizar, por que aspecto da matéria começar, etc. Algumas destas decisões até são partilhadas, com os colegas que leccionam o mesmo ano, com coordenadores ou directores de turma até.

No entanto, 90% das decisões têm de ser tomadas na hora.
Sozinhos.
Na sala de aula.
Em frente aos alunos.
Fingir que não se viu um aluno mexer no telemóvel?
Responder ou não ao comentário que o aluno fez ao vizinho do lado?
Repensar a aula quando um recurso falha, o computador ou internet, por exemplo. Quando uma fotocópia não tem o verso. Quando os alunos que iam apresentar trabalho adoeceram todos naquele dia. Ou não trouxeram o material. Quando não conseguimos dar a aula de pé pois não nos sentimos bem. Quando eles ou nós tivemos uma má notícia. Quando mil e uma coisas acontecem.


Estamos em constante processo de adaptação. Não há monotonia na nossa profissão. Não há rotina na sala de aula. É bom? Claro. Desafiante? Sem dúvida. Estimulante? Ninguém duvida.


Agora não me venham dizer que isto não cansa. Que temos férias para dar e vender. E não insistam em dizer que aos 65 anos vou ter a mesma energia ou capacidade de decisão que tinha aos 25. Não me venham dizer que as decisões são fáceis. "São só miúdos." Não é simples. Uma palavra errada pode estragar tudo. Todos nós sabemos a importância que tem a palavra certa, do professor certo, na hora certa. Imaginem o contrário.

Ana Soares

domingo, 27 de março de 2011

Vox populi no cabeleireiro

Um dia depois do diploma da avaliação ter sido revogado, no cabeleireiro, ouço esta conversa:
Cabeleireira - Estou muito preocupada com a avaliação dos professores
Cliente - ...
Cabeleireira - Sim, estou muito preocupada com a educação da minha filha. É que os professores não querem, mas têm que ser avaliados.
Cliente - Sem dúvida!
A profissional começa a queixar-se da professora A e do professor B, a primeira não quer saber, o segundo só prejudica a miúda. "Ora, eles têm que ser avaliados para não porem o pé em ramo verde", sentencia. A cliente concorda.
Cabeleireira - De maneira que, o senhor Passos Coelho julga que assim conquista os professores e que estes vão votar nele. Pode ser que sim... Mas a mim não me engana ele, nem a mim, nem aos outros pais, que sabem muito bem que os professores precisam de ser avaliados.

E agora? O que acontece a partir de amanhã? Os professores continuam a avaliar-se uns aos outros? Tudo o que fizeram até sexta-feira não tem qualquer valor? Mas não foi o PSD que permitiu passar a lei do actual modelo de avaliação?
BW

MST e os professores que corrigem exames

Depois de, na semana passada, Miguel Sousa Tavares (MST) se ter enganado a escrever a quantia que os professores recebem por corrigir exames nacionais - eu tinha razão, o cronista trocou-se com as contas em escudos e em euros -, ontem, no Expresso, MST corrige o erro, mas dá mais um! Diz que os professores correctores estão dispensados de dar aulas e são comnpensados com mais dias de dispensa do que os gastos com a correcção...
Lá vai MST receber mais um "blitz organizado de cartas de professores contendo um rol nojento de calúnias, ofensas pessoais e ódio larvar". Mas como diz, "já está habituado". Certamente porque não é só com os professores que MST erra, mas com outras profissões, casos políticos e afins.
Que credibilidade têm os nossos opinion makers? Nenhuma.
Eu, sempre que tenho uma dúvida, pergunto. São muitos os professores e sindicalistas a quem recorro quando não sei quantos dias têm os docentes de férias, por exemplo. Às vezes digo-lhes: "Desculpe, não percebo, explique-me como se tivesse cinco anos" e ali estou, até perceber - não o caso dos dias de férias, outras questões que envolvem legislação mais complexa.
Esse deve ser o trabalho do jornalista: perguntar, cruzar fontes, investigar, ler diplomas (chato..., mas necessário), esclarecer quando não se percebe. Antes de MST ser opinion maker, foi jornalista. Não devia ter perdido o hábito.
BW