quinta-feira, 31 de março de 2011

Todas as palavras que mudam com o novo acordo

Já vimos aqui guias vários, dicionários, sites, conversores sobre o Novo Acordo Ortográfico.

Desta vez, sugiro-vos um pequeno livro que acabei mesmo por comprar quando li na capa: todas as palavras que mudam com o novo acordo. Apenas 2% do vocabulário da língua portuguesa muda com este acordo. A maioria das palavras nem é de uso corrente. E as palavras estão mesmo disponíveis neste útil caderninho. O mesmo inclui ainda a típica síntese teórica das alterações, para consulta.

Uma obra indispensável não só para os que trabalham com a língua portuguesa (professores, alunos, jornalistas, revisores, etc.), mas também para todos os que pretendem continuar a escrever corre(c)tamente em português, como é dito na contracapa.

Ana Soares

quarta-feira, 30 de março de 2011

Um poema por semana

O poema desta semana, do programa da RTP, é "Mãezinha" de António Gedeão. Aqui fica.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Alterações aos horários dos professores

O despacho 5328/2011 , publicado hoje, vem trazer alterações aos horários dos professores.

Recomendo uma leitura atenta do mesmo, mas destaco desde já que a única redução na componente lectiva, decorrente da atribuição de cargos, é a de director de turma diurno (2h).

Todas as outras reduções ( coordenador de departamento, coordenador de ciclo, clubes e projectos, desporto escolar, apoio ao professor bibliotecário) passam a ser feitas na componente não lectiva, conforme se pode observar no quadro do anexo III.

Curiosamente, as funções de relator no processo de avaliação de desempenho dos docentes também são associadas à componente não lectiva.

Ana Soares

Decisões

Se tivesse de escolher qual a tarefa que os professores mais desenvolvem ao longo de um dia de trabalho, eu diria "decidir". Há decisões tomadas com tempo, preparadas, por assim dizer, como que texto usar naquela turma, que trabalho de grupo propor, que visita de estudo realizar, por que aspecto da matéria começar, etc. Algumas destas decisões até são partilhadas, com os colegas que leccionam o mesmo ano, com coordenadores ou directores de turma até.

No entanto, 90% das decisões têm de ser tomadas na hora.
Sozinhos.
Na sala de aula.
Em frente aos alunos.
Fingir que não se viu um aluno mexer no telemóvel?
Responder ou não ao comentário que o aluno fez ao vizinho do lado?
Repensar a aula quando um recurso falha, o computador ou internet, por exemplo. Quando uma fotocópia não tem o verso. Quando os alunos que iam apresentar trabalho adoeceram todos naquele dia. Ou não trouxeram o material. Quando não conseguimos dar a aula de pé pois não nos sentimos bem. Quando eles ou nós tivemos uma má notícia. Quando mil e uma coisas acontecem.


Estamos em constante processo de adaptação. Não há monotonia na nossa profissão. Não há rotina na sala de aula. É bom? Claro. Desafiante? Sem dúvida. Estimulante? Ninguém duvida.


Agora não me venham dizer que isto não cansa. Que temos férias para dar e vender. E não insistam em dizer que aos 65 anos vou ter a mesma energia ou capacidade de decisão que tinha aos 25. Não me venham dizer que as decisões são fáceis. "São só miúdos." Não é simples. Uma palavra errada pode estragar tudo. Todos nós sabemos a importância que tem a palavra certa, do professor certo, na hora certa. Imaginem o contrário.

Ana Soares

domingo, 27 de março de 2011

Vox populi no cabeleireiro

Um dia depois do diploma da avaliação ter sido revogado, no cabeleireiro, ouço esta conversa:
Cabeleireira - Estou muito preocupada com a avaliação dos professores
Cliente - ...
Cabeleireira - Sim, estou muito preocupada com a educação da minha filha. É que os professores não querem, mas têm que ser avaliados.
Cliente - Sem dúvida!
A profissional começa a queixar-se da professora A e do professor B, a primeira não quer saber, o segundo só prejudica a miúda. "Ora, eles têm que ser avaliados para não porem o pé em ramo verde", sentencia. A cliente concorda.
Cabeleireira - De maneira que, o senhor Passos Coelho julga que assim conquista os professores e que estes vão votar nele. Pode ser que sim... Mas a mim não me engana ele, nem a mim, nem aos outros pais, que sabem muito bem que os professores precisam de ser avaliados.

E agora? O que acontece a partir de amanhã? Os professores continuam a avaliar-se uns aos outros? Tudo o que fizeram até sexta-feira não tem qualquer valor? Mas não foi o PSD que permitiu passar a lei do actual modelo de avaliação?
BW

MST e os professores que corrigem exames

Depois de, na semana passada, Miguel Sousa Tavares (MST) se ter enganado a escrever a quantia que os professores recebem por corrigir exames nacionais - eu tinha razão, o cronista trocou-se com as contas em escudos e em euros -, ontem, no Expresso, MST corrige o erro, mas dá mais um! Diz que os professores correctores estão dispensados de dar aulas e são comnpensados com mais dias de dispensa do que os gastos com a correcção...
Lá vai MST receber mais um "blitz organizado de cartas de professores contendo um rol nojento de calúnias, ofensas pessoais e ódio larvar". Mas como diz, "já está habituado". Certamente porque não é só com os professores que MST erra, mas com outras profissões, casos políticos e afins.
Que credibilidade têm os nossos opinion makers? Nenhuma.
Eu, sempre que tenho uma dúvida, pergunto. São muitos os professores e sindicalistas a quem recorro quando não sei quantos dias têm os docentes de férias, por exemplo. Às vezes digo-lhes: "Desculpe, não percebo, explique-me como se tivesse cinco anos" e ali estou, até perceber - não o caso dos dias de férias, outras questões que envolvem legislação mais complexa.
Esse deve ser o trabalho do jornalista: perguntar, cruzar fontes, investigar, ler diplomas (chato..., mas necessário), esclarecer quando não se percebe. Antes de MST ser opinion maker, foi jornalista. Não devia ter perdido o hábito.
BW

Abreviaturas como LOL entram em dicionários ingleses

Já é possível aceder ao significado de siglas e acrónimos como LOL, OMG ou TMI em dicionários. Leia a notícia aqui.

sábado, 26 de março de 2011

A única livraria infantil de lisboa

"O lugar onde os miúdos de hoje trarão os miúdos de amanhã."


A Cabeçudos merece uma visita. Embora pequena, está situada num local fantástico da cidade, mesmo perto do rio, a pedir que se escolha um livro e se vá ler para a relva dos jardins do Parque das Nações. Com uma oferta variada, com livros para todas as carteiras, oferece ainda actividades de leitura. A próxima é dia 27 de Março 27. As sessões de "Conta-me histórias… " são dinamizadas por animadores culturais ou outros técnicos e são uma forma diferente de passar uma manhã.


O vídeo mostra o Francisco, de sete anos, a visitar a livraria. Apesar dos segundos iniciais de publicidade (que não consegui eliminar), espreitem. Vale a pena ouvi-lo.
Ana Soares


"Quando nós estamos a ler podemos imaginar coisas e podemos fingir que também estamos a passar por uma coisa nessas coisas", Francisco

sexta-feira, 25 de março de 2011

Bom fim-de-semana

Avaliação dos Professores foi revogada

A oposição parlamentar aprovou hoje a revogação do actual sistema de avaliação de desempenho dos professores, com os votos favoráveis de PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP e contra da bancada do PS e de um deputado social-democrata.Leia mais aqui

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

Analisei recentemente este poema em aula com os meus alunos. Tão actual!

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Fernando Pessoa


O poema aponta para a disforia, a melancolia e a tristeza. Reforça, através de palavras e expressões de negatividade, uma situação de crise a vários níveis: político (“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra”); crise de valores morais (“Ninguém sabe que coisa quer,/ (...) nem o que é mal, nem o que é bem”); crise de identidade ("ninguém conhece que alma tem"). A situação é, portanto, de incerteza e de indefinição.

"Ó Portugal, hoje és nevoeiro... ", conclui o sujeito poético. No entanto, e apesar desta constatação, não deixa de lançar o desafio: "É a hora! "


Ana Soares

quarta-feira, 23 de março de 2011

Lançamento do livro EVA

27 Março, 16h no CCB

EVA, o novo projecto de Margarida Botelho, é a história documental de duas culturas que poderão ter mais coisas em comum do que à partida se imagina. Eva ou Evas... uma menina que vive na EUROPA, num país que poderá ser PORTUGAL, e outra menina que vive em ÁFRICA, num país que poderá ser MOÇAMBIQUE, iniciam em lados opostos do livro uma viagem para o encontro! Eva é um livro que festeja a diversidade e a pluralidade do mundo com os seus encontros e desencontros. Eva é também um livro-objecto que apresenta uma expressão visual desafiante e lúdica para o leitor.
Eva é o primeiro livro da coleção POKAPOKANI. Esta coleção é parte integrante de um projeto artístico de intervenção comunitária que assenta na criação, e no registo documental, de histórias na primeira pessoa, originárias de geografias lusófonas e não só. O projeto, que celebra o encontro entre diferentes mundos, terá as imagens e as palavras dos vários participantes locais, que a autora e mediadora Margarida Botelho reflete numa visão em forma de livro depois de cada encontro.

O primeiro destes encontros teve lugar em Moçambique em 2009/2010, com o apoio da Dgartes, da Unesco e do Centro Nacional de Cultura. E assim nasceu o primeiro livro da colecção: Eva, entre a vivência num campo de refugiados e numa ilha de espíritos, a de Moçambique.

No CCB serão várias as propostas desenvolvidas, para miúdos e graúdos, a partir do livro Eva. Espreite a programação aqui.

terça-feira, 22 de março de 2011

Um poema por semana

Ontem, dia Mundial da Poesia, a RTP 2 deu início à transmissão de um programa intitulado Um poema por semana.
O programa vai dar voz a 15 poemas que veremos ditos ao longo de 75 dias por 75 pessoas diferentes. Veremos, então, o mesmo poema dito de segunda a sexta-feira por cinco pessoas. Os “dizedores” são homens e mulheres, novos e velhos, portugueses e brasileiros e angolanos e italianos falantes de português. Gente que tem em comum gostar de poesia.
Com transmissão às 13h55, 18h30, 21h55, o programa estreou-se ontem com o poema "Portugal" de Alexandre O'Neill.
Na actual conjuntura, muito bem escolhido e actual, este poema...

Ana Soares

segunda-feira, 21 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

GAVE, professores correctores e MST

Miguel Sousa Tavares (MST) na sua crónica deste sábado, no Expresso, está indignadissimo porque os professores recebiam por corrigir exames. Imaginem! 25 euros/exame, afirma ele! Não devia ser parte das suas funções, corrigir exames?, pergunta. Provavelmente sim.
A verdade é que quando os exames foram introduzidos, o seu pagamento foi decidido por quem governava. Faz sentido, porque os exames até então não existiam, logo, a sua correcção não podia fazer parte da função dos professores. Além disso, nem todos os docentes corrigem exames. Por isso, deve premiar-se quem o faz.
Depois de o Governo decidir que os exames deixam de ser pagos mas continuam a ser corrigidos, decidiu dar formação aos seis mil professores correctores seleccionados. Estipulou os dias e as horas, dois dias, um sábado incluído - MST estará contente porque os professores, esses malandros gananciosos que querem ser pagos, vão ter de dar um dia ao Estado, um sábado uma solução óptima, deste modo, os mandriões não faltam às aulas -. Não interessa se a acção de formação fica perto ou longe de casa, o que interessa é que os professores não podem faltar e, no final, serão avaliados. Faz sentido, os alunos também são avaliados depois da matéria dada. Nada a opôr.
O que parece ridículo é os professores terem sido seleccionados para serem correctores, sem se terem candidatado para a função e serem obrigados a fazer a acção de formação.
O que parece ridículo é, na acção de formação, os professores estarem a corrigir exames do ano passado, exames que já corrigiram em Julho... Não havia nada de novo a ensinar na acção de formação? Os exames e as suas correcções no final deste ano, são exactamente iguais aos do ano passado?
O que parece ridículo é os professores serem avaliados e a sua classificação ser usada para a efeitos da avaliação do seu desempenho, "desde que concluída com aproveitamento". É uma espécie de prémio de compensação por não serem pagos para corrigir?
O que parece ridículo é os professores terem de assinar um contrato que os prende à função de correctores por quatro anos.
O que parece ridículo é as correcções dos exames, este ano, poderem entrar por Agosto a dentro...
Mas se os professores se queixarem, já sabem, terão MST a escrever sobre uns malandros, que não querem trabalhar em Agosto...
BW

Pai e filha


Triste mas lindissimo!

sexta-feira, 18 de março de 2011

A honra e o Japão

O Japão tem feito os meus dias e as minhas noites. Admiro a capacidade de sacrifício, de honra, de resiliência dos japoneses. Fiquei embargada quando uma televisão acompanhou um casal de pais à procura do seu filho, já adulto, desaparecido na estação dos correios onde trabalhava. Os seus rostos eram a serenidade e as suas vozes educadas quando informam que procuram o filho. A voz do pai muda para o desespero quando grita o nome do filho, junto aos escombros do edifício. É um pai. Não grita, não chora, mas sofre como qualquer pai que não sabe onde está o seu filho.
Os japoneses são diferentes, senão vejam.
BW

A preparar um Feliz Dia do Pai...

I'm watching you dad.

Always.


Eles estão sempre a ver-nos. E eles aprendem mais com as nossas acções do que com as nossas palavras.
Um dia, vão olhar para o trabalho, obrigações e família como nos vêem a nós encará-las. Com a mesma alegria ou enfado; com a mesma disponibilidade ou sentido de obrigação; com a mesma dedicação ou desprezo.
Por isso, pais e mães, cuidado com os gestos.

Veja e ouça este vídeo. É uma excelente lição.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Como se faz um jornal?

No âmbito da celebração dos 20 anos do Público, este mesmo jornal produziu um filme e DVD sobre "Como se faz um jornal". O mesmo irá ser oferecido às escolas secundárias do país e está disponível aqui. Uma ferramenta útil para usar nas salas de aula.

Ana Soares

terça-feira, 15 de março de 2011

Férias dos professores classificadores dos exames nacionais

Na sequência do (desastroso) calendário dos exames nacionais deste ano, seguiu para as escolas a informação que pode ler aqui e que define as regras para a marcação das férias dos docentes, de modo a assegurar o serviço de exames e respectiva classificação.
No caso do Português, as férias deverão ser marcadas entre 5 - 21 de Julho e 8 de Agosto - 6 de Setembro.

Ana Soares