Irritam-me os críticos à "geração parva", "geração à rasca" ou como quiserem chamar à geração que vai dos 20 aos 35 anos (parece-me que os agricultores são jovens até aos 40, uma idade bonita para se continuar a ser designado como "jovem"!) que vai estar na rua em massa (espero) para exigir o que tem direito, como fazem as classes profissionais quando não estão satisfeitas com a sua vida. Um direito, de resto.
Irritam-me que digam, como diz Helena Matos, Pedro Lomba (de resto um jovem da geração de 1970) e outros, que estes jovens querem as mesmas condições de trabalho que os pais e que o mundo não está para isso. Qual é o mal?, alguém me responde?
Porque é que um jovem não pode sonhar com um trabalho estável, com dignidade, de preferência na área em que estudou? Porque é que um jovem não pode ambicionar um trabalho digno, que lhe permita ser feliz, constituir família e cumprir o seu plano de vida?
Ah! Porque a geração de Helena Matos e as que a antecederam não pensaram nas gerações seguintes! Pronto, está explicado, e por isso, olham para estes jovens como uns "malandros", que querem o mesmo que os pais tiveram, imagine-se a ousadia!
Eu, que só seria jovem se fosse agricultora, também gostava de chegar à idade da reforma e ter reforma e não vou ter. Não vou ter, não porque a ideia do Estado Social esteja errada mas porque quem a pôs em prática não foi honesto, abusou, esquecendo as gerações seguintes.
Mas quando eu chegar à idade da reforma e tiver que trabalhar para continuar a sustentar Helena Matos e afins já sei o que é que a senhora me vai dizer: "Paciência! A Bárbara queria reforma? Só há esta, é para mim! Onde é que já se viu, querer reforma, como os seus pais! O mundo mudou, a economia mudou, a demografia mudou..."
Entretanto, vou continuar a descontar 35,5 por cento para os senhores das gerações ancestrais continuarem a desbaratar, a acumular reformas, a aposentar pessoas aos 50 anos de idade para manter os lucros das empresas.
Apesar de não ser jovem, de ter o trabalho que gosto, que me preenche e me enche os dias, se estivesse em Lisboa no dia 12, iria para a rua. Pelos meus filhos que daqui a dez/15 anos querem estar no mercado de trabalho, querem ter um trabalho digno que os preencha e os faça felizes, querem ter projectos de vida e de futuro. Pelos meus filhos e com os meus filhos, de maneira a que compreendessem a importância de lutar pelas coisas em que se acredita, mesmo que alguém lhes diga: "Pfff! Não é possível terem as mesmas condições que os vossos avós!".
BW