segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Muros de Abrigo



Com a curadoria de Paulo Pires do Vale, o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian oferece-nos mais uma excelente proposta: a exposição Muros de abrigo de Ana Vieira.
A artista propõe, ao longo da exposição, a passagem por ambientes vários: corredores labirínticos, personagens recortadas, ambientes reconstituídos a partir de espelhos, mesas que se transformam em paisagens. Um contínuo exercício de criatividade para o visitante.




Como habitualmente faço, levei os miúdos comigo. Apetrechados com as suas caixas de lápis e "caderno dos museus" lá se decidiram sobre o que "trazer para casa". Ele escolheu a mesa paisagem do deserto que, ao lado de um prato de sopa com um coco, tinha uma linha de comboio a atravessar um túnel de areia e um comboio cinzento. Ela decidiu desenhar a mesa paisagem da praia, ou não fosse ela uma apaixonada pelo mar. Depois, não resistiram e quiseram desenhar ainda dentro do caminho / labirinto.




Para miúdos e graúdos, uma exposição que vale a pena visitar até 27 de Março. Recordo que aos Domingos a entrada é gratuita.
Deixo-vos ainda um pequeno vídeo com uma das minhas obras preferidas.

Ana Soares

Barrigas de aluguer

No sábado, o PÚBLICO trazia um trabalho sobre a maternidade de substituição, mais conhecido por barrigas de aluguer. Ou seja, a possibilidade de um casal pedir a alguém que, durante nove meses, carregue o seu filho numa barriga que não é a da mãe.
Na rua, junto ao quiosque dos jornais, há uma senhora que, depois de ler a primeira página do jornal, me interpela: "Tantas crianças por adoptar... Porque é que é tão importante ter um filho biológico?".
Porque sim, é a resposta imediata. Será uma resposta egoista? Não somos egoistas quando temos um filho? Não nos deleitamos com os seus pequenos feitos? Não os adoramos por serem iguais a nós? Não ficamos orgulhosos quando nos dizem que eles são iguais a nós (mesmo que nós sejamos os mais horrorosos à face da terra e eles, sim, aos nossos olhos, são lindos de morrer)? O ser humano é assim, egoista, narcisista e "umbiguista".
Mas há excepções, há quem se resigne com as incapacidades do seu corpo e decida adoptar. Há quem consiga ver naquele filho que não gerou os mesmos trejeitos do pai ou o olhar da mãe, dos que adoptaram, não dos biológicos. E também se orgulham quando lhes dizem: "É mesmo igual ao pai!" e, tal como os que têm filhos biológicos, também ouvem: "É mesmo bonito!"
E isso, sim, é de facto amor!
BW

Uma boa ideia...

... vir para Lisboa, deixar o carro no parque e circular de transportes públicos. Conheça os parques disponíveis aqui.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

bab.la dicionário

Do outro lado do oceano, onde temos muito leitores, chegou-me um conta(c)to e interessante sugestão: um portal linguístico, o bab.la. O mesmo oferece diversas ferramentas e recursos úteis para pessoas que aprendem português e se interessam por outras línguas. Entre eles encontramos dicionários em 16 línguas, incluindo os dicionários bilíngues em português-alemão; português-inglês e português- espanhol. Dispõe ainda de centenas de lições de vocabulário, testes, fóruns e outros recursos úteis para a aprendizagem de idiomas.
A mesma equipa gere ainda um blogue, chamado Lexiophiles, que trata de assuntos relacionados com a língua e cultura.

Vale a pena visitar.

Ana Soares

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mais um Dicionário. Termos Literários

Para os curiosos, para os professores, para os alunos, o E-Dicionário de Termos Literários é uma fonte fidedigna e de fácil consulta, um apoio precioso. O mesmo apresenta propostas de definições de termos técnicos em uso nas teorias da literatura, na crítica literária e nos textos académicos. O referido dicionário e a sua coordenação estão ao cargo de Carlos Ceia, professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.


Dos Abecês, formas poética, de origem medieval que, como o nome sugere, surgem organizados pelas letras do alfabeto (de A a Z); à Zarzuela, que afinal não é apenas um prato tipicamente espanhol e designa também a representação teatral onde se alternam vários estilos - a declamação, o canto, a música, o diálogo - e cujas origens remontam à sociedade espanhola do século XVII; passando pelas figuras de estilo mais comuns e conhecidas, como a comparação, metáfora ou pleonasmo, são 1700 entradas que esta base terminológica nos oferece, gratuitamente.

Visite-a aqui.

Ana Soares

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Bom fim-de-semana

Os alunos das escolas católicas são melhores?

Encontrei, completamente por acaso, este blog e achei curiosa a reflexão, feita com base nesta notícia.
Eu não sei se, por cá, se pode dizer que os alunos das escolas católicas são melhores. Com base nos rankings do secundário em que, por vezes, fazemos aqueles títulos - escolas católicas no topo do ranking -, parece que sim... Mas não ponho as minhas mãos no fogo porque são escolas que trabalham com os alunos que querem e como querem. E quando não querem, acenam-lhes com o ideário e mandam-nos (aos alunos e aos pais) pregar para outra freguesia!

A verdade é que há coisas nas escolas católicas que as públicas podiam aprender e aplicar. Por exemplo, o simples facto de os alunos se levantarem quando entra um adulto pode fazer toda a diferença no modo como a criança ou jovem olha para o adulto. Olha-o com mais respeito.
No outro dia, estive numa escola católica, entrei numa sala de aula e os alunos levantaram-se todos e eu fiz aquele ar de "Então? Não é preciso estarem a incomodar-se, vá lá, sou só uma jornalista, não sou a directora, nem o PR...", mas depois pensei o que escrevi no parágrafo anterior, endireitei as costas e pus um ar mais sério, mais circunspecto, de "respeitinho é muito bonito".
Quando me preparava para sair, a aluna sentada na carteira mais perto da porta, levantou-se, abriu-a e o meu ar de pessoa adulta desmanchou-se no sorriso mais amoroso que consegui e na bonita expressão: "Muito obrigada, minha querida", porque fiquei de facto agradecida com o gesto!
BW

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estado apoia metade das escolas privadas

A ler aqui e para saber quais são os tipos de contratos que o Estado tem com os pais ou os colégios privados, espreite aqui.

A mãe tigre e as suas crias

Nunca puderam escolher as extra-curriculares, fazer expressão dramática ou decidir que instrumento gostariam de tocar. Aliás, só poderiam escolher um de dois: piano e violino. Uma toca piano e a outra violino.
Nunca puderam ir a uma festa de amigos que implicasse dormir fora de casa, uma pijama party tão popular entre as meninas de 10/12 anos. Nunca puderam trazer notas médias para casa.
Um dia, Amy devolveu os desenhos que as filhas fizeram para o dia da mãe porque não estavam suficientemente bons e ela merece o melhor (como qualquer mãe)!
A filha mais velha sempre acatou as decisões da mãe, a mais nova nem por isso.

Ainda nenhuma se suicidou, nem se revoltou contra este modo exigente de serem educadas. São excelentes alunas e adoram a mãe.
O modo como Amy Chua educa é exigente. Os EUA ficaram a conhecê-lo através de um livro. Nós, através da polémica que a obra tem gerado por lá. É conhecida como a "mãe tigre", uma alusão ao título do livro Battle Hymn of the Tiger Mother.
Há quem questione se aquele modo de educar é herança chinesa, Amy é americana, mas os pais são imigrantes chineses. Se naquela exigência está o segredo do sucesso da China.
O meu filho de 13 anos diz que "não" e eu tendo a concordar: A política do filho único não faz pais exigentes, mas pais que estragam os filhos, diz ele.
A exigência não é própria de uma etnia ou cultura. Há pais exigentes em todas os países, em todas as classes. A exigência não é má. Não podemos é perder o bom senso.
BW

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Oliveira Martins contra "monopólio do Estado"...

... na Educação.
Depois do ex-ministro da Educação Marçal Grilo, é a vez do ex-ministro da Educação e actual presidente do Tribunal de Contas vir dizer que é contra o monopólio do Estado na Educação.

Comparação entre conversores ortográficos - uso do hífen

Novo Acordo Ortográfico

Na revisão e actualização que estou a fazer do auxiliar de estudo Tira-Dúvidas do 7º ano, tive de me deparar com o facto de ter uma listagem relativamente longa de palavras com prefixos que tive de actualizar à luz da Nova Ortografia. Esta foi a desculpa para testar com maior rigor os diferentes conversores ortográficos. Constatei que, em tarefa tão difícil como é a da utilização do hífen, que tem várias regras, nenhum deles é perfeito. No entanto, o conversor oficial (o Lince) foi o que me deu mais respostas. Os outros, o Flip, o conversor da Porto Editora, o português exato , também da Porto, não dete(c)taram alguns dos erros de hifenização que intencionalmente introduzi.

Ana Soares

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tim adora os seus amigos

Na tradução do francês para o português, o Tom passou a chamar-se Tim, vá lá saber-se porquê! Será uma homenagem aos Xutos?
O Tim, o Zeca, a Tina e a Rosinha são quatro amigos pré-adolescentes e Luca é o cão de Tim. A colecção agora editada pela Sinais de Fogo chama-se Os Amigos do Luca e cada livro tem uma pequena banda desenhada com aquelas situações típicas dos miúdos. O racismo e a amizade são os temas do número 1, Tim adora os seus amigos ou, em francês Tom aime ses amis!
No número 2, o tema é o amor, o primeiro amor, as emoções fortes e as desilusões amorosas, chama-se Zeca está apaixonado. O amigo gorducho de Tim, chama-se Ludo em francês. Ludo est amoureux!
Giro para os 10/12 anos; depois disso, os miúdos vão achar as histórias ridículas. Mas, se forem compradas em francês, das Éditions Jouvence, podem ser úteis para aprender a língua.
Os autores são Stephan Valentin e Laurent Houssin. A tradução é de Inês Fraga para a Sinais de Fogo.
BW

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Afinal a lei do tabaco na nossa própria casa também se aplica a nós!

Estava eu muito indignada com a lei anti-tabaco espanhola e afinal também se aplica por cá, dizem os advogados ao interpretar a lei portuguesa.
Tenham paciência, mas em minha casa, mando eu! A., podes fumar à janela, à-vontadinha!
BW

"Geração à rasca"

Em 2008, nesta reportagem, já tinham passado 13 anos sobre a geração rasca de 1995 , que nasceu da contestação às propinas, e que mostrava o rabo na rua, em manifestações teoricamente de cariz associativo. Na edição especial da REPORTAGEM SIC, falou-se, a semana passada, de educação e desemprego pegando na música "que parva que eu sou", propondo-se uma nova designação para a presente geração: "geração à rasca". Ultrapassando a primeira designação (geração rasca) e uma outra mais actual que já vai circulando, sobretudo na net, geração deolinda, esta nova proposta vem ao encontro da análise que se faz do país e das dificuldades dos jovens.
Na minha geração, ter canudo era garantia de emprego, provavelmente bom. Na presente geração, o canudo continua a ser importante, conforme os números mostram, mas nem todos conseguem o tão ambicionado emprego "na área". Todos conhecemos jovens formados desempregados. Mas certamente que conhecemos mais jovens desempregados entre o grupo dos que não têm formação. A reportagem da Sic foi algo contraditória: os níveis de desemprego apresentados são dramáticos, assim como os casos apresentados, no entanto, vimos, por exemplo, o reitor da Universidade Técnica de Lisboa assegurar que todos os seus licenciados encontram emprego, a maior parte deles no espaço de 6 meses após a conclusão do curso. Destacou que tal facto se deve à qualidade da formação e da boa comunicação e protocolos que a universidade encetou com as empresas.

É também preciso ter sorte, é verdade. Mas concluo que é essencial ser-se bom. E só se pode ser bom com uma escolha certa do tipo de formação e curso. De que interessa ter feito um curso superior com média de 10 ou 11? Não será, nestes casos, melhor uma formação profissional onde o aluno pode mostrar outras competências e valências?

Estudar, sim. Sempre. E ao longo da vida. Mas com boas escolhas que nos ajudem no futuro. Não sejamos líricos. Sobretudo nos tempos que correm, há que ser bom e fazer escolhas inteligentes.

Ana Soares

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quando o Estado é mais papista do que o Papa

Irrita-me quando o Estado se mete na minha vida. Não gosto! Então, se fosse espanhola, estaria passadinha com a ideia de só puder fumar em minha casa, se a empregada não estivesse... Acreditem E EU NÃO FUMO!!! Mas estaria mesmo, mesmo chateada!
BW

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sebenta

Estamos a ser citadas aqui e nada mal acompanhadas!

Bom fim-de-semana

Os grandes vencedores dos Grammys deste ano

ME ameaça demitir directores que travem avaliação

Noticia o DN.
Os professores têm insistido na suspensão do actual modelo de avaliação, como insistiram na suspensão do anterior. Por vezes, o que parece é que nenhum modelo é bom. A verdade é que não há modelos perfeitos, como nenhum será consensual para toda a classe. A verdade, também, é que os directores e os professores não podem estar todos malucos, se dizem que o modelo não serve, que vai "provocar danos irreparáveis", se eles é que estão na escola e têm esta sensação, então, talvez fosse bom ouvi-los.
Por um professor de Matemática a avaliar um de Física e Química, não é a mesma coisa; como não é a mesma coisa ter um professor mais novo a avaliar um mais velho.
E se a avaliação fosse feita por alguém exterior à escola?
BW

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A violência na escola e fora dela

Ontem um aluno agrediu outro com uma navalha, deixando a escola consternada (para não falar do agredido que além da consternação, há-de ter dores, estará traumatizado, etc).
Na segunda-feira, a caminho de casa, um adolescente é barbaramente agredido, depois de ter entregue o telemóvel aos agressores. Os colegas de turma e os pais estão abalados - o rapaz e a família estarão ainda pior do que nós, já que terá de se submeter a algumas cirurgias, para não falar do trauma.
Alguém, numa posição cimeira no país, dizia-me que se quisermos arranjar uma história de fome, de violência, de desemprego, etc, diariamente, conseguimos e damos uma ideia do país péssima. É verdade, mas as histórias existem, os casos existem e têm rostos.
BW