sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Em tempos de crise ... corta-se na educação.

Na Escócia discute-se a hipótese de, devido à crise, a semana escolar passar a ser de 4 dias e/ou as crianças entrarem um ano mais tarde para a escola. O projecto não deve ter pernas para andar, mas a situação é-nos familiar: em tempos de crise ... corta-se na educação.
Pode ler a notícia da BBC aqui.
Ana Soares

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ministério e Aeep chegaram a acordo

aqui

Kseniya Simonova

Na Ucrânia, nos concursos de talentos faz-se mais do que cantar - no Leste o comunismo teve uma coisa boa: a educação era completa, da música à matemática, das artes visuais à literatura. O trabalho desta artista com a areia fez-me lembrar as tardes passadas na companhia de Vasco Granja.
BW

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Filosofia para crianças: Porque é que eu não posso fazer o que quero?


Foi no dia da Filosofia, numa pequena feira do livro da escola, que descobri o Filipe e o Zof. O primeiro é um menino, cheio de perguntas, como qualquer menino que se preze! O Zof é o seu amigo-boneco. Este último acompanha-o nas constantes descobertas que faz. Trouxemos para casa o livro intitulado Porque é que gostas de mim? Os meus filhos já sabiam a resposta! Todos os dias, mesmo aqueles em que nos zangamos, faço questão de lhes lembrar que gosto deles. Ainda assim, foi muito divertido acompanhar o Filipe enquanto este foi colocando a mesma questão a todos os que encontrava pelo caminho. Uma amiga comprou o título que dá o nome ao post - Porque é que eu não posso fazer o que quero? - e emprestou-mo. Além de bem divertido, este livro ajuda-os a perceber os limites, a necessidade dos mesmos, das regras e como fazer o que nos apetece pode ser bem perigoso. Recomendado a todos os filósofos mais pequenos, embora os médios e graúdos também gostem do Filipe! Esta colecção, editada pela Edicare, com textos de Oscar Brenifier, está disponível na maior parte das livrarias e aqui.



Ana Soares

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando a escola é a única alternativa...

Ainda sobre a questão do número de horas curriculares, a reflexão, efectivamente, ultrapassa o domínio da educação, conforme um nosso leitor já referiu. Trata-se de uma questão política, cultural e geracional. A escola a tempo inteiro é uma necessidade que decorre das condições de trabalho dos portugueses, ou melhor, da falta das mesmas. O número de horas que as famílias têm de ter dos filhos nas escolas, actividades extra curriculares, avós, amas, etc. são consequência desta pseudo-cultura do trabalho, em que os horários se estendem muitas vezes das 9 às 9. E não estamos a falar do trabalho por turnos, ou dos serviços que necessariamente têm horários alargados. Além disso, a moda de que só é bem visto quem sai mais tarde do seu posto de trabalho pegou. Ainda que tenha passado metade do dia no facebook a criar vacas cor de rosa. Há ainda o caso daqueles pais que se desdobram e acumulam funções ou empregos. Conheço uma mãe solteira que aos dias de semana tem um emprego das 8 às 18. Ao sábado começa às 6 num café e ainda faz artesanato para levar a feiras. Não acumula "empregos" por gosto. Mas para poder dar conforto e qualidade de vida à filha que educa sozinha.
Enquanto não se resolver esta questão de fundo, do mundo do trabalho, a escola tem de dar respostas. É verdade. Eu também acho que um turno de aulas pode ser suficiente para se aprender bem. Mas de modo a que outras competências possam ser desenvolvidas é preciso ter família com tempo, devem existir outras actividades, etc. As condições socio-económicas e laborais das famílias da nossa geração não permitem que as mesmas possam ter lugar. A escola tem, então, de dar resposta. Para além do currículo, a escola deve, por isso, ver complementadas as suas propostas curriculares com actividades de outros domínios: música, desporto, etc. Mas isto é uma pescadinha de rabo na boca. Com os cortes orçamentais, quem paga estas actividades?
Ouvi ontem uma mãe dizer, a propósito deste assunto, que escolheu ter filhos para estar com eles e os ver crescer. Assim, é o pai que trata das crianças de manhã e as leva à escola. A mãe começa a trabalhar ainda antes das 8 da manhã de modo a poder sair mais cedo e estar disponível para ir buscar as crianças à escola e poder acompanhá-las. Esta é a solução possível (para alguns). É preciso querer. É preciso escolher e fazer opções. Mas também é preciso ter algumas condições ou sorte para que o querer e as escolhas possam ter lugar.

Ana Soares

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ainda o "Que parva que eu sou"

A ler aqui, a opinião de José Manuel Fernandes.

Número de contribuinte dos filhos obrigatório na declaração de IRS

Já tinha recebido esta informação por mail. Agora parece que é mesmo verdade. A notícia do Público confirma-a. Por esclarecer está ainda se os documentos (entenda-se por documentos todas as facturas de saúde e educação) têm de conter o referido número de contribuinte.

O mail que recebi dizia o seguinte:

O Orçamento do Estado para 2011 vem introduzir alterações significativas em matéria fiscal e no caso dos documentos de despesas com saúde, educação, formação, com lares, etc., vem acrescentar o nº 6 ao Artº 78º do CIRS, cuja alínea b) tem a seguinte redacção, relativa às condições para serem aceites deduções à colecta:

b)Mediante a identificação, em factura emitida nos termos legais, do sujeito passivo ou do membro do agregado a que se reportem, nos casos em que envolvam despesa.

Resumindo, a partir de 1 de Janeiro de 2011 tem de pedir as facturas ou recibos para os tipos de despesas atrás mencionadas com o nome e o número de contribuinte da pessoa que faz a despesa ou utiliza o serviço, quer seja o sujeito passivo ou membro do agregado familiar (descendentes ou ascendentes).

Assim, quem tem filhos, mesmo os recém nascidos, deverá de imediato requerer o seu número de contribuinte para que possa deduzir as despesas com ele incorridas, já que as facturas têm de vir em seu nome e com o respectivo NIF. Na declaração de rendimentos anual é também obrigatório o NIF de cada membro do agregado.

Rematando, provavelmente não poderemos continuar a ter facturas de farmácias, médicos, educação, etc., com o nome do destinatário e o NIF em branco, para posterior colocação destes dados. Estes dados terão que fazer parte do preenchimento correcto da factura ou recibo pela entidade que os emite, até porque serão objecto de controlo cruzado pelos serviços de fiscalização da DGCI.

Como já estamos quase a meio de Fevereiro, e não sendo um tema que seja muito publicitado nem muito claro, e perceptível pela maioria das pessoas, é muito importante que passemos a mensagem para evitar situações desagradáveis quando os contribuintes se defrontarem com os problemas na altura da apresentação da declaração de rendimentos em Março de 2012.

Ana Soares

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Portugal é o 2.º país da OCDE com menos apoios ao ensino particular e cooperativo

Depois de ontem, o Expresso dizer que o "Estado desperdiça mais de 20 milhões/ano com colégios", hoje o DN diz que "só em Portugal e no México é que mais de dez por cento dos alunos frequentam o privado sem qualquer ajuda estatal. Ao nível das escolas apoiadas pelo Estado, estamos a meio da tabela da OCDE.", segundo o Education at a Glance de 2010.
O verbo "desperdiçar" parece opinativo, eu escreveria "Estado gasta" que é mais correcto e imparcial.
BW

Como sobreviver num mundo de nove mil milhões?

A resposta está aqui

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Menos horas curriculares

A Ana Soares já aqui escreveu sobre o corte de horas lectivas e, por consequência, o corte de horários e de professores nas escolas. Os docentes queixam-se e contestam as medidas por razões óbvias de defesa da sua profissão.
Mas, e os pais? Ninguém está preocupado porque as suas crianças vão ter menos horas de aulas? Menos aulas, é sinónimo de menos matéria? Os miúdos vão saber menos ou vão ter uns professores stressados, à sua frente, a tentar cumprir o programa que não mudou? Com que qualidade vão ser dadas as aulas? Como é que se ensina os meninos a pensar, a questionar, a discutir um tema se não há tempo, nem espaço no horário? Vai ser só despejar matéria, fazer uns testes e já está? O que é que o Estado quer fazer aos nossos filhos? Cumprir o mínimo obrigatório e quem é que definiu o que é o mínimo?
O Ministério da Educação parece ter-se esquecido que para que os futuros adultos façam alguma coisa na vida precisam mesmo de ser preparados, bem preparados, e não será certamente com um desinvestimento na educação.
BW

São 92 escolas num universo de milhares...

... as que lutam por manter os contratos de associação. Após as conclusões do estudo, começam a surgir as vozes de quem está no terreno. Depois do director do S. João de Brito, é a vez do director do Bartolomeu Dias questionar a decisão. E pergunta: porque é que o Estado vai gastar dez milhões numa escola ao lado da sua, quando pode gastar 80 mil por turma, naquele externato?
O que se passou ao longo dos últimos 30 anos foi o investir na construção de escolas ao lado de alguns destes colégios (não de todos. alguns foram construídos ao lado de escolas públicas que já existiam). Se estas escolas já estavam a oferecer ensino público gratuito porque é que se construiu uma escola pública ao lado? Porque é que se continua a cometer o mesmo erro? Porque diz na Constituição que o ensino tem que ser numa escola pública? Porque o Estado tem medo de crucifixos? Da instrumentalização dos alunos pela Igreja? Mas, aparentemente só um conjunto de cerca de 20 escolas em 93 é que são assumidamente católicas, as outras são cooperativas de professores, sociedades e grupos económicos, como o GPS, do ex-deputado António Calvete. O Estado também não gosta de grupos económicos? De economizar parece que não gosta.
BW

Professores classificadores

A constituição da bolsa de professores classificadores dos exames nacionais deve ser feita até ao próximo dia 7. Podem ler-se aqui as orientações que regem a sua organização. Esta tarefa, como todos sabemos, é difícil e de extrema responsabilidade e, para além de não ser paga este ano no secundário, será ainda tardia. Apesar de eu gostar de corrigir exames (alguns, entenda-se) para não perder o traquejo e estar familizarizada com os critérios, não me parece que ser professor classificador seja um prémio. No entanto, a legislação apresenta como um dos factores de "desempate" na organização desta bolsa a nota da avaliação de desempenho. É claro que os professores que corrigem os exames não podem ser os professores com insuficiente (esses não deviam ser professores sequer). Mas achar que os melhores merecem ter como prémio 60 exames vezes duas chamadas para corrigir parece-me desajustado.
Ana Soares

ps - caso o professor tenha ainda atribuídas actividades lectivas a decorrer, só poderá classificar 25 provas (e não 60).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O relatório sobre os contratos de associação

Está aqui. O relatório vem confirmar que há colégios em centros de cidades como Coimbra que terão de deixar de ter turmas com contrato de associação. Mas não só, como pode confirmar aqui (caso não queira ler o relatório de fio a pavio). O relatório revela ainda que afinal os colégios com contratos de associação têm praticamente a mesma percentagem de alunos com acção social escolar (ASE) que as escolas públicas: 39, os primeiros; 41 por cento as segundas - contudo, foram identificados dez colégios onde a percentagem de estudantes abrangidos pela ASE (escalões A e B) não ultrapassa os 15 por cento. Num, o Colégio da Rainha Santa, de Coimbra, esta percentagem desce para 1,1 por cento.
BW

Vamos a contas...

Os números que resultam do novo desenho curricular do ensino básico são os seguintes:

No 2º ciclo, menos de cerca de 10 horas lectivas.

No 3º ciclo, menos 12 horas.

Resultado final: 30 mil docentes no desemprego.

Sobre estas contas, pode ler a notícia do Público aqui.

Ana Soares

Ps - os números apontados podem variar em função do número de alunos / turmas de EA.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Novo desenho curricular

Novo ano lectivo, novo desenho curricular. Foi hoje publicado em DR. Pode consultá-lo aqui.

Em síntese:
- tempos de 45 ou 90 minutos (à excepção da disciplina de Educação Física);
- Estudo Acompanhado com o objectivo de reforçar a Língua Portuguesa e a Matemática, tem um só professor e os alunos que frequentam esta aula são determinados pelos conselho de turma;
- Formação Cívica orientada para a educação sexual, saúde e cidadania;
- as Tic, Língua Portuguesa e Educação para a Cidadania serão áreas a desenvolver transdisciplinarmente;
- a leccionação da disciplina de Educação Visual será feita por apenas um docente (e não em par pedagógico) ao longo do ano;
- no 2º ciclo, a Língua Portuguesa, a Língua Estrangeira e a História e Geografia de Portugal terão 10 horas no 5º e 11 horas no 6º para dividir;
- as disciplinas de História e Geografia terão 4 tempos no 7º ano, 5 no 8º e 5 no 9º para partilharem (14 no final do ciclo);
- as disciplinas de Ciências Naturais e Físico-Química terão 4 tempos no 7º ano, 4 no 8º e 5 no 9º para partilharem (13 no final do ciclo);
- TIC (tecnologias da informação e comunicação) só no 9º ano, 2 tempos.


Carga horária dos alunos

No 2º ciclo, no 5º ano os alunos terão 28 a 30 horas semanais; no 6º ano, a carga horária irá de 29 a 31 horas semanais.
Quanto ao 3º ciclo, no 7º e 8º anos os alunos terão uma carga horária de 31 a 33 horas semanais, e no 9º de 33 a 35 horas semanais.

Conhecer o autor de Uma Viagem à Índia

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

férias? quando?

O Despacho 2237/2011, no DR nº 21 de 31/1/2011, que fixa os calendários de exames do 3º CEB e do ensino secundário e a afixação de pautas e recursos, deixou-me deprimida. Com o último exame a acontecer a 27 de julho e, consequentemente as pautas da segunda fase a saírem a 9 de Agosto, vamos ver este ano lectivo entrar por Agosto dentro.

Aqui fica, então, o calendário dos exames nacionais deste ano:

3º ciclo
1ª chamada
Língua Portuguesa - 20 junh0
Matemática - 22 de junho
2ª chamada
Língua Portuguesa - 27 junh0
Matemática - 30 de junho

Ensino Secundário
Consulte o calendário aqui.

Destacamos o exame nacional de Português (código 639) no dia 20 de Junho, a abrir a época de exames; o de Biologia-Geologia (702) no dia seguinte, dia 21; Matemática no dia 27 e Física e Química A no dia 28 de Junho.
A 2ª época começa uma vez mais com o exame nacional de Português, no dia 22 de Julho. O último exame desta 2ª época é o de Matemática, no dia 27 de Julho, que como habitualmente deverá ter muitos alunos... Tardíssimo, comparativamente aos anos anteriores...

Ana Soares

Terças a ler n' A Barraca


O Teatro A Barraca propõe um programa de luxo, de graça e às terça-feiras. Bom para professores levarem os seus alunos, para pais levarem os filhos, a hora pode ser um bocadinho complicada...
Eis o programa:


TERÇAS A LER
Concepção e coordenação do projecto: Maria do Céu Guerra
1ª terça-feira do mês

Correspondência – Outras Cartas Portuguesas
Correspondência de personalidades da cultura portuguesa.

1 de Fevereiro
Cartas de Pessoa e Ofélia
1 de Março
Sophia e Jorge de Sena
5 de Abril
Manuel e Maria João Bessa Múrias - selecção de cartas trocadas durante o período da Guerra Colonial
Correspondência de Guerra
3 de Maio
Cesariny, Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes
7 de Junho
Adolfo Casais Monteiro
Correspondência Familiar
5 de Julho
Luís Pacheco e Cesariny
6 de Setembro
A indicar
4 de Outubro
A indicar
1 de Novembro
Piteira e Stela - cartas de prisão e exílio
Correspondência Familiar



TERÇAS A LER
Concepção e coordenação do projecto: Maria do Céu Guerra
2ª terça-feira do mês

POESIA
Recitais com a participação especial de autores, músicos e actores convidados.

8 de Fevereiro
O Século XX – O Século da Poesia
8 de Março
As mulheres poetas do século XX
12 de Abril
Poesia Contra a Noite – Vozes na Resistência
10 de Maio
Carlos Mota d’Oliveira – O Poeta ao Sul (com a presença do poeta)
14 de Junho
O Feminino em Pessoa – com a participação de João D’Ávila
12 de Julho
David – O Poeta para além do Amor
13 de Setembro
João Pedro Grabato Dias – Facto - Fado
11 Outubro
Versos Comunicantes – com Olga Prats

GPS: não há muitas novidades...

... como se pode ver pela notícia do DN . E não é por falta de investigação ou de insistência dos jornalistas, é por falta de respostas.
Entretanto, o PSD começa a preparar-se para a governação, a medo, mas lá vai... Joaquim Azevedo, ex-secretário de Estado da Educação diz que o "Ministério da Educação pode ser implodido sem nenhum problema", que é como quem diz que a máquina burocrática da 5 de Outubro, da 24 de Julho e das DREs pode ser desmantelada.

E dizer ainda que o debate de ontem à noite do Prós e Contras foi confrangedor para todos: para a ministra (que esteve pouco à-vontade), para Pedro Duarte (que já estava a defender o cheque ensino, o PSD quer abrir essa porta?), para Nuno Crato (que de Educação só sabe falar da necessidade das provas de aferição e dos exames serem mais exigentes), para o professor do ano (que parecia que ia chorar a qualquer momento, mas que disse coisas interessantes sobre o que se passa realmente nas escolas), para os representantes dos colégios com contratos de associação (que não conseguiram fazer passar a mensagem - essa foi a parte em que Isabel Alçada esteve mais segura); e para Fátima Campos Ferreira que não sabe do que é que está a falar, mas fala com todas as certezas deste mundo.
Os homens da noite foram: O pai António ("Fátima, chame-me António que eu gosto mais", foi o máximo!, respondeu quando a apresentadora se enganou e chamou-lhe Afonso) trazia os números de quanto custa um aluno na escola pública, chamou mentirosa à minista e ainda promoveu Mário Nogueira a "secretário de Estado da Fenprof" - foi o momento da noite. Mário Nogueira esteve bem e era o único que realmente sabia do que é que se estava a falar.
BW