segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Concertos para Famílias no CCB

A Orquestra Metropolitana de Lisboa, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos e o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e do CCB, tem prevista para 13 de Fevereiro e 13 de Março, às 11h30, dois concertos para famílias, no âmbito do ciclo Caixa de Música.
Fomos ao primeiro, ontem, e gostámos. Eu prescindiria do power point com as explicações do que é que estamos a ouvir. A música é para ser vivida e não para estarmos atentos aos bonecos e às curiosidades que vão passando. Mas compreendo que para os miúdos, aquela informação pode ser uma maneira de chegar à música clássica, de estarem mais atentos e não acharem tudo aquilo uma enorme seca. Que não é, porque os concertos são pensados para os mais novos, com escolhas alegres, divertidas e movimentadas.

Para dia 13 de Fevereiro, o programa prevê uma viagem ao mundo dos ritmos com a orquestra de percussões da Metropolitana. Para dali a um mês, as obras tocadas serão de Ralph Vaugham Williams, Joaquin Rodrigo e Antonín Dvorak. Os bilhetes são cinco euros por pessoa, no grande auditório do CCB.

BW

Um fim-de-semana de inaugurações

Se quiser conhecer um bocadinho melhor as escolas que foram intervencionadas e inauguradas por dezenas de governantes durante o fim-de-semana, espreite aqui. É uma nova página do Ministério da Educação só dedicada às escolas agora inauguradas. Falta lá pôr as anteriores e as 90 que vão entrar em obras no início do próximo ano civil. É uma sugestão que nos permite ter a dimensão do que a Parque Escolar está a fazer. Também podem acrescentar o valor das obras e a renda que as escolas passarão a pagar à Parque Escolar, mais informação útil para os contribuintes.
BW

Uma Viagem à Índia

Não vou à Índia. Mas ando a ler a viagem à Índia que Gonçalo M. Tavares nos oferece num dos seus últimos livros. Foi o tom entusiástico e algo enigmático de uma amiga que me convenceu a comprá-lo e encetar esta viagem. Por outro lado, as boas críticas e as alusões à relação com Os Lusíadas tiveram também algum peso nesta aposta.


Ainda não acabei. Vou a meio da viagem que também se nos apresenta em X cantos e nos leva pelos caminhos de Bloom: Londres, Paris, com uma paragem para conhecermos história da sua família e, por último, a Índia.
Quanto à tipologia, este trata-se de um romance em verso que gera múltiplas pontes com a obra Os Lusíadas (pena é que a personagem principal se chame Bloom e não tenha um nome mais lusitano). O texto é de fácil e fluída leitura embora vivendo das palavras cheias de Gonçalo M. Tavares: um estilo sentencioso, que nos obriga frequentemente a parar a viagem para pensar nas palavras, imagens, metáforas, paradoxos que constantemente povoam as estrofes deste original romance.

Prometo ir-vos oferecendo, à medida que for avançando na leitura, alguns dos excertos que me fizeram abrandar o ritmo da leitura.

Aqui fica o primeiro:

"(...) para não se comprometerem -
os Deuses, quando nos falam ao ouvido,
evitam frases explícitas e promessas concretas. "

Primeira paragem. Um excerto que evoca não apenas o tom épico d'Os Lusíadas, mas também a obra de Fernando Pessoa, Mensagem, e o poema "O das Quinas" :

"Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!"

Ana Soares

sábado, 29 de janeiro de 2011

Bom fim-de-semana!

E se a palavra que procura não está no dicionário?

Neologismos e empréstimos

E se a palavra que procura não está no dicionário? A resposta a esta questão surge no texto cuja leitura hoje proponho e do qual destaco uma possível resposta a esta pergunta:
"Os dicionários não são só normativos, servem para registar o uso corrente que as pessoas fazem das palavras."

Sobre o uso de neologismos e estrangeirismos na nossa língua: do verbo googlar, ao mailar; do realizar ao focalizar; dos nomes phones ao hoddie. Um texto com o comentário de vários linguístas de renome: Malaca Casteleiro, Margarita Correia, Carlos Gouveia. Pode lê-lo aqui.

Ana Soares

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"A escola estatal e a escola pública"

A ler aqui a opinião de Manuel Queiroz.

E o que pensa Fernanda Câncio sobre o mesmo tema.

A que distância fica a pública da escola com contrato de associação?

O DN fez um trabalho engraçado e penoso (porque dá trabalho): Meteu os nomes das escolas com contrato de associação e das públicas no google e descobriu a que distância ficam umas das outras. E assim concluiu que das 94 (afinal não são 93, mas 94) escolas com contratos de associação, apenas 18 ficam a mais de 15 quilómetros das públicas. E as conclusões são fáceis de tirar: Os contratos de associação não são precisos, pois se há escola pública mesmo ao lado.
O problema é que não houve o cuidado de perceber de que públicas é que se está a falar. O erro foi detectado pelos leitores do DN logo na primeira linha: A Cooperativa de Ensino ANCORENSIS está a sete metros da Escola Básica do Vale do Âncora. O problema é que, como o próprio nome indica a escola básica não oferece os mesmos ciclos de ensino que a escola cooperativa. E este tipo de problema pode acontecer pela lista abaixo. Logo, ficamos na mesma. Mas a mensagem passou, estas escolas não são precisas.

No AVENTAR, Ricardo Santos analisa o concelho de Gondomar (já antes João José Cardoso, no mesmo blogue fizera o mesmo para Coimbra) e é gritante ver no mapa que o Colégio Paulo VI está rodeado de uma dezena de escolas EB 2,3 e secundárias. O ME devia deixar de ter contrato de associação com este colégio, pensamos imediatamente. Ontem, seguindo esta pista dada por Ricardo Santos, falei com a directora do Paulo VI que me informou que o contrato de associação é para 15 turmas do secundário, o que significa que o resto dos ciclos são pagos pelos pais.
Então do mapa de Ricardo Santos teriamos de tirar as EB 23, e já só ficavam três secundárias. Mas os alunos preferem ir para o colégio ou para a secundária de Gondomar. Se não entrarem nestas duas, optam por ir para o Porto, diz a mesma directora, secundada pela sub-directora da secundária de Gondomar (a escola pública vizinha). Portanto, os alunos preferem ir para o Porto do que para as duas secundárias públicas do concelho. Pode ler mais aqui.

Mas eu é que minto!
BW

Conhecer Sophia

A propósito da exposição sobre Sophia na Biblioteca Nacional, patente de 26 Janeiro a 30 Abril, e do colóquio que assinala a entrega do Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen à Biblioteca Nacional de Portugal, aqui fica uma sugestão a pensar nos mais pequenos.





Para além das suas maravilhosas histórias, felizmente, dadas a conhecer não apenas por alguns pais, mas pela escola também, este livro - A Minha Primeira Sophia - permite aos mais jovens conhecer outro lado desta importante autora. Nesta edição da colecção editada pela D. Quixote, é Fernando Pinto do Amaral que conta quem foi Sophia e destaca alguns traços da sua obra, procurando dar o seu testemunho pessoal aos mais novos. A linguagem simples em que está escrito, os excertos escolhidos e as ilustrações maravilhosas de Fernanda Fragateiro são mais um convite irrecusável para melhor conhecer esta autora.

Ana Soares

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

E estes, foram manipulados por quem?

"Vila Real, 27 jan (Lusa) -- Centenas de alunos da Escola Camilo Castelo Branco, em Vila Real, cobriram-se de cobertores, luvas e gorros e manifestaram-se hoje de manhã contra a falta de aquecimento naquele estabelecimento de ensino.
No dia em que começou a nevar no distrito de Vila Real, os estudantes saíram à rua para se queixarem do frio intenso que dizem sentir dentro das salas de aula.
Aos cartazes “uma aventura nos calotes polares”, “queremos aquecimento e água quente para toda a nossa gente”, “nas aulas a congelar nem conseguimos pensar” ou “liceu um iceberg em Vila Real”, os alunos juntaram os cânticos “aquecedores ligados, aquecedores ligados” e “queremos aquecimento”.
Depois de se concentrarem em frente ao edifício da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, o antigo liceu de Vila Real, os estudantes marcharam ainda até ao Governo Civil, onde durante alguns minutos repetiram os cânticos."

Detalhes sobre a implementação do Novo Acordo Ortográfico

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 (Diário da República, 1.ª série — N.º 17 — 25 de Janeiro de 2011) que determina o calendário para adopção do Novo Acordo Ortográfico - nas escolas, editoras de manuais escolares e organismos públicos - pode ser lida na integra aqui.

O Novo Acordo está em vigor desde 13 de Maio de 2009, mas atendendo à necessidade de "salvaguardar uma adaptação e aplicação progressivas" a referida resolução prevê um prazo transitório de seis anos para a implementação da nova grafia. Deste modo, nas escolas e organismos públicos o Acordo estará já implementado em 2012, mas o período de adaptação decorrerá até 2015.

A referida resolução procede ainda à descrição das fontes oficiais que apoiarão este processo, a saber: o Vocabulário Ortográfico do Português e o conversor ortográfico Lynce, disponíveis no sítio da Internet http://www.portaldalinguaportuguesa.org/ e dos quais já aqui vos falei.

Ana Soares

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ui... Mais uns pais a manipular os filhos...

"Viana do Castelo, 26 jan (Lusa) -- A Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica e Secundária de Barroselas, Viana do Castelo, convocou para sábado uma manifestação para exigir a realização urgente de “obras de fundo” naquele estabelecimento de ensino.
Armando Dias, presidente da associação, disse hoje à Agência Lusa que os pais e encarregados de educação “apenas querem melhores condições de ensino” para os alunos.
“O que não podemos aceitar, de forma nenhuma, é uma escola que mete água e que é gélida. E é isso que queremos deixar bem claro com esta manifestação”, acrescentou.
A manifestação traduzir-se-á numa marcha pela cidade, que a associação de pais pretende ver participada por toda a comunidade educativa e que terminará no Governo Civil, onde será entregue um abaixo-assinado.
A 07 de janeiro, os alunos daquela escola boicotaram as aulas, em protesto contra as “péssimas condições” das instalações, que, segundo alegaram, “metem água por todos os lados”."
Notícia da Lusa de hoje

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A manipulação das crianças pelos pais

1. Levar um filho a uma manifestação é manipulação das crianças?
2. Ver crianças em frente aos portões das escolas a contestar os fechos das escolas, as más condições do estabelecimento de ensino ou os mega-agrupamentos é manipulação das crianças?
3. Colocar crianças em tempos de antena dos partidos é manipulação das crianças?
4. Colocar adolescentes e jovens nas ruas a protestar contra a falta de educação sexual nas escolas é manipulação das crianças?
A ministra da Educação Isabel Alçada está genuinamente preocupada e "indignada" (a palavra é dela) porque os pais dos alunos em colégios com contratos de associação estão a manipular as crianças. Nunca disse uma palavra quando crianças, no início deste ano lectivo estiveram frente a portões de escolas a contestar mil e uma coisas que estão mal (no seu ponto de vista, na perspectiva dos seus pais ou das direcções das suas escolas). Também se desconhece a sua opinião quanto às crianças usadas nos tempos de publicidade ao Magalhães. E estou curiosa de ouvir Isabel Alçada quando no dia 24 de Março, o dia do estudante, o PCP e o BE puserem os meninos na rua a pedir educação sexual para todos.
A mim o que me parece é que há manipulação nos dois últimos casos que enuncio. Nos dois primeiros não. Os dois primeiros são lições de cidadania que é bom que os filhos/alunos aprendam com os pais e com a escola. É bom ensinar os mais novos a ser interventivos, a formar opiniões, a ver as diferenças entre o bem e o mal, a lutarem por aquilo em que acreditam. É aqui que está a génese da democracia.
BW

Acordo ortográfico nas escolas no próximo ano lectivo

Mais informação aqui

o que é uma história bem contada?

"E o que é uma história bem contada, pode saber-se?
Bem...
Pois fica sabendo que uma história mal contada pode ter bastante mais interessa, gosto, salero, que uma históriabemcontada. Uma históriabemcontada pode ser a coisa mais pãozinho sem sal... Pelo contrário, uma história mal contada pode ser do caraças. Não gostas de livros com demasiadas vírgulas, dizes tu?
Sim.
Pois a minha resposta é: depende. Às vezes a voz do narrador necessita de espaço, não se satisfaz com uma frase minorca, nem toda a gente tem de ser telegráfica, às vezes a frase quer espraiar-se, viajar, ver até onde pode ir, feita canoa a descer os rápidos ou a desabar por uma cascata e a contorcer-se toda para não embater nas pedras, ou então a voz faz-se de vaga de fundo que se vai fazendo ouvir aos poucos até ribombar e trovejar e explodir, como uma orquestra a tocar uma valsa que ao princípio quase não se ouve nada, depois aos poucos os intrumentos vão entrando, e vão subindo, subindo, e sentimos uma excitação, antecipamos que algo vai acontecer, mas ainda não estamos lá (...)"

Rui Zink, Anibaleitor, p. 80

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Eleições: mesas de voto ou votos electrónicos?

Até me apetecia, mas não vou falar das eleições, candidatos ou resultados. Em tempo de crise, em que os cortes atingem quase tudo e todos, vou só fazer uma sugestão a propósito deste tema: não seria boa ideia termos votos on-line? Só vejo vantagens. A primeira é que não precisaríamos de sair de casa e, assim, talvez até diminuíssem os números da abstenção (demonstrativos do desinteresse, desânimo e desespero do povo que, desta forma pouco feliz e silenciosa, se tenta fazer ouvir). A segunda e, na verdade, a que me levou a escrever estas linhas, são os custos: na freguesia onde votei havia seis mesas/salas de voto. Cada uma tinha três membros (que certamente ao longo do dia foram substituídos). Cada um destes apelidados "voluntários" ganhou cerca de 75 euros pela nobre tarefa. Façam-se as contas por este país fora! Aproveito para comentar ainda este conceito sui generis do que é ser voluntário: dar um dia do seu trabalho, por amor à pátria e cidadania e ser remunerado por isso. Que, ao menos, não lhe chamem voluntariado!
Ana Soares

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bom fim-de-semana!

Eleições presidenciais

À nossa volta o descrédito na política, nos políticos. Numa "sondagem" feita nas redondezas, em casa, no trabalho, nos transportes públicos, entre os amigos e conhecidos, concluo que a abstenção será vencedora. Há quem diga que vai votar, mas que será em branco.
O tal fosso entre a sociedade e a política de que o PÚBLICO fala hoje, pela voz de 50 personalidades, professores, investigadores, médicos, músicos, etc., é real.
A Comissão Nacional de Eleições alerta para a inutilidade do voto em branco ou do voto nulo. É que nas eleições presidenciais este tipo de votos usados como protesto, como mensagem da exigência de um povo que quer ser bem servido, não serve para nadinha.
No caso das presidenciais, o voto em branco é irrelevante para o apuramento final dos resultados, já que a Lei Eleitoral do Presidente da República estipula que "será eleito o candidato que obtiver mais de metade dos votos validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco".
Portanto, no domingo, quem não está convencido pelos candidatos, pode sempre votar no mal menor.
BW

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Econômico ou económico?

Pediram-me para dar uma vista de olhos num trabalho de uma disciplina do ensino superior. Para fazer uma ou outra correcção, ver se estava tudo bem, os capítulos, se as conclusões eram pertinentes, etc.
O trabalho abria com uma declaração em como não tinha sido feito plágio (uma novidade para os meus dias de jovem estudante universitária), de seguida todo o trabalho era um plágio completo: econômico, ação, fato... A formulação das frases... As citações de livros brasileiros, de editoras brasileiras... TUDO! Fiquei doente! Perante a minha indignação, um dos "autores" do trabalho ficou com aquele ar de que está tudo bem, qual é o mal? Português do Brasil? O que é isso?

Dias antes tinha participado numa avaliação sobre um sítio na Internet só de dados estatísticos. A dada altura perguntam-me se junto aos dados deveria vir alguma informação com contextualização sobre o que se terá passado para os números mudarem. Disse imediatamente que não, que é importante sermos nós a interpretar, a questionarmos porque é que de repente há uma quebra na natalidade (por exemplo) e que não há uma única justificação mas várias. Ainda dissertei sobre a importância pedagógica dos dados não serem interpretados pelos detentores do sitio; que um professor de Geografia ou de História pode pedir aos alunos para irem àquele site e a partir dos dados estatísticos estudarem qualquer coisa.
Na sala estavam dois professores do secundário que discordaram, que não, que é melhor estar lá tudo, que fica mais completo e é mais simples para os alunos.
A entrevistadora responde que também foram inquiridos estudantes universitários, que defendem a inclusão dessa informação, que dizem que não consultam tanto o site porque só tem dados.

Palavra de honra que a mediocridade me põe doente!