terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quem manda lá em casa? III


Descomplicar, simplificar, olharmos para os nossos filhos e nada de transmitirmos stress desnecessário, recomenda Patrícia Bandeira, educadora de infância no Externato da Torre.
Um casal mostra-se preocupado com uma criança de 14 meses, um "piratinha"; outro preocupa-se com uma menina de dois anos e meio, que é "terrível". Se os apelidarmos é meio caminho andado para que se transformem naquilo que lhes chamamos, alerta Helena Águeda Marujo.
Helena Águeda Marujo e Paulo Oom concordam em muitas coisas mas há uma que me chama a atenção: Provavelmente nunca houve geração de pais tão preocupados com a educação dos filhos como os actuais. Provavelmente muitos dos "problemas" que os miúdos têm devem-se à atenção e à pressão que exercemos sobre eles. Muitas vezes, na busca da solução, acabamos por arranjar mais problemas, alertam.
Porque é que os pais não vão jantar fora, à luz das velas, sugere Patrícia Bandeira. Porque a vida do casal é importante para a estabilidade dos filhos.
BW
PS: Doug Savage, o cartoonista das galinhas, foi dado a conhecer por Helena Águeda Marujo. Obrigada.

Quem manda lá em casa? III

Que pais queremos ser?, pergunta a psicóloga e professora Helena Águeda Marujo, no mesmo encontro promovido pela PAIS & Filhos.

Que valores e que emoções é que mandam na nossa casa?

Onde é que pomos a nossa atenção? Há vida além dos filhos? E o casal?

Qual o sentido da nossa existência? Que valor tem a parentalidade nesse sentido dado à existência?

Que histórias ou estórias podem influenciar o nosso modo de educar, de estar na vida, de estar com os outros? Até que ponto não reproduzimos histórias passadas?

Quem muda? Quem aprende? Os adultos podem aprender? Os adultos podem transformar-se? "A nossa capacidade de aprender é estimulada pela parentalidade", começa por dizer Helena Águeda Marujo, como que a responder antecipadamente a todas as perguntas que coloca.

BW

Quem manda lá em casa? II

Somos de certeza nós! Por mais medo, mais inseguranças, mais stress, mais dúvidas que tenhamos, temos que ser nós!
A ideia de reunir a educadora Patrícia Bandeira, a psicóloga Helena Águeda Marujo e o pediatra Paulo Oom foi da PAIS & Filhos, a revista que ajuda muitos de nós a ser educadores mais atentos. Foram três horas de perguntas e respostas.
Não há fórmulas mágicas, diz Paulo Oom, mas há pistas que os pais podem seguir. Por exemplo, criar um bom ambiente em casa, com "pais e filhos que se divertem, a tarefa de educar é mais fácil", defende.
Há que escolher bem as batalhas, ou seja, há coisas graves em que devemos claramente intervir; há outras que nem por isso e não devemos dar a importância que por vezes damos (como os amuos). Educar dá trabalho, é preciso muita paciência, conhecer os nossos próprios limites e "saber sair de cena".
A ideia de "sair de cena" é inovadora para mim e vou experimentá-la, diz que é melhor do que começar aos gritos. No fundo, é respirar, ser sincera e dizer: "Agora, estou irritada, já falamos". Na verdade é aquele "contar até dez" que muitos tentam fazer (ou fazem mesmo, eu sou das que tentam e só chegam ao três porque ao quatro já estou a falar uns decibéis acima da norma). Quando era pequena, o meu pai dizia que eu devia ter um botão no boca e pô-lo e tirá-lo três vezes antes de dizer fosse o que fosse... Parece que continua a ser uma mensagem válida!
BW

II Encontro Internacional do Português - Novos Desafios no Ensino do Português

3 e 4 de Dezembro de 2010

Departamento de Línguas e Literaturas
Escola Superior de Educação
Instituto Politécnico de Santarém

Numa altura em que se reconhece a necessidade de melhorar os níveis de desempenho e de literacia dos alunos de Português, especialistas da língua portuguesa e professores dos diversos níveis de ensino têm procurado articular esforços no sentido de reflectir sobre os desafios que se têm vindo a colocar ao seu campo disciplinar.

O II Encontro Internacional do Português pretende, nesta linha, constituir-se como um espaço privilegiado de encontro e diálogo, que proporcione a partilha de experiências e a reflexão sobre os desafios que actualmente se colocam à acção dos profissionais ligados ao Português e seu ensino, em Portugal e além fronteiras.

Os eixos temáticos do Encontro são, por isso:
- Acordo Ortográfico
- Novos Programas de Português e Metas de Aprendizagem
- Terminologia Linguística
- Português Língua não Materna
- Metodologias para o Desenvolvimento de Competências em Língua e em Literatura


PROGRAMA PROVISÓRIO e FICHA DE INSCRIÇÃO
Disponíveis em aqui

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Antes das compras de Natal

Aproxima-se o Natal.
Fazem-se listas dos possíveis brindados com prendas.

Ideias, pedidos, oportunidades começam a preencher os espaços em branco.

Mas antes de avançarmos para as compras, sugiro:

- Compre o que é nacional. É uma frase feita, um chavão, mas faz sentido, sobretudo em época de crise. Dos doces aos enchidos; dos autores, música até roupa, há de tudo e a todos os preços!

- Escolha prendas ecológicas (poucas pilhas, plásticos; quem sabe uma ecobola para a sogra e um compostor para o sogro!)

- Privilegie brinquedos que valorizam as aprendizagens, as relações entre pares. Não precisam de ser grandes nem electrónicos!

- Compre livros. Em formato de livro de bolso, edições especiais ou económicas. De preferência de autores portugueses (para os adultos, por exemplo, José Luís Peixoto, Saramago, Eça de Queirós; para as crianças, por exemplo, Ana Maria Magalhães, Alice Vieira, António Torrado, David Machado, entre tantos outros).

- Ofereça presentes solidários, por exemplo, àquela tia a quem já não sabe o que oferecer! Espreite aqui algumas sugestões. Para os que têm dúvidas quanto a estes projectos e seriedade dos mesmos, posso dizer que nos últimos dois anos comprei um telhado de zinco, uma cabra e um kit escola para oferecer e tudo correu bem e foi entregue a tempo e horas.

-Use a imaginação e o coração com prendas personalizadas e económicas, feitas em casa: desenhe ou use fotografias em molduras feitas de tecido. Recicle e faça enfeites para a árvore de Natal, ganchos para o cabelo das meninas, porta-chaves para os rapazes. Escreva ou compile poemas, ofereça livros/cadernos personalizados. Envolva os mais pequenos, faça o Natal em família a baixos custos!

Ana Soares

sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre o "Livro"

Do facebook oficial de José Luís Peixoto, para perceber melhor o "Livro":
Sandra Cunha Adorei o romance, mas a 2ª parte foi a que me mais que cativou. Acho que faz renascer o objecto que seguramos nas mãos e, a mim, fez-me sorrir e falar com o Livro.
José Luís Peixoto (oficial) sandra, fico tão feliz que tenha feito essa leitura da segunda parte do romance. a ideia era mesmo essa: fazer renascer o livro nas suas mãos... não podia ter encontrado palavras mais certas para descrever a minha intenção ao escrevê-la. MUITO OBRIGADO.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A verdadeira história do Capuchinho Vermelho

E se, afinal, o lobo não fosse o mau da fita?

"É oficial: o Capuchinho Vermelho foi destronado do lugar de top. Um estudo de opinião demonstrou que tu achas que o Lobo é o mais simpático da Floresta"

Não tenho nada contra os contos tradicionais (apesar de, em alguns casos, gostar mais de outras histórias e livros). Acho que as crianças não ficam traumatizadas com elas e que as mesmas fazem parte de uma tradição e legado que temos de lhes passar. Mas esta versão da história do Capuchinho Vermelho (que também não é politicamente correcta) é uma boa forma de olhar de outro ponto de vista para a mesma história. Os mais pequenos adoram a história: tem pequenos pop-ups, traz duas cartas que podem sair do envelope para se ler e surpreende página a página. Os adultos divertem-se pela originalidade da história e pelo humor.

Ana Soares

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Em véspera de dia de greve...


Filha, neta e bisneta de gente empreededora, não bebi no leite materno conceitos como greve, manifestação, protesto, contestação... Mas amanhã é dia de greve.

Desculpem a falta de solidariedade, mas não estou especialmente preocupada com os cortes na função pública, embora esses venham afectar o consumo e a economia; e, a longo prazo, vão prejudicar o bom funcionamento de áreas como a educação ou a saúde.

Esta é uma greve só para funcionários públicos? Não. É uma greve para todos os que estão descontentes com o rumo do país, com os pedidos constantes de sacrifícios e a má gestão dos bens públicos. É uma greve para aderir por todos os que são contra os cortes no IRS e no abono de família, contra os aumentos do IVA. E estes afectam todos.

Mas mais do que uma greve, que pára o país - e este não está em condições de parar -, o ideal era os sindicatos terem agendado uma manifestação. Todos, em todo o país, na rua às "x" horas, durante uma hora, em silêncio. Nada de "a luta continua", nem "Sócrates para a rua", nada de palavras de ordem. O silêncio. Depois, cada um voltava para o seu local de trabalho e prosseguia a sua jornada. Para mostrar um povo preocupado, mas comprometido. Se eu mandasse na UGT ou na CGTP era assim que eu faria!

BW

Sair da crise? Mas como?

Vox populi

Uma surpresa chamada Bento XVI

Não tem o ar mais simpático do mundo. Na verdade, não é fotogénico porque ao vivo parece um velhinho amoroso. Quando foi escolhido, não se augurava nada de bom: já idoso, um intelectual e alemão. Suceder a João Paulo II não era fácil. O anterior Papa era uma verdadeira pop-star, sabia usar os media como ninguém.
Mas Bento XVI tem sido uma surpresa! Um homem atento ao mundo em que vive. Desde sábado que Bento XVI vem surpreendendo o mundo. Primeiro as declarações que surgem no livro Luz do Mundo sobre o uso do preservativo, com as devidas salvaguardas para a importância de vivermos com dignidade a nossa sexualidade. Bento XVI diz claramente que o preservativo não é "uma solução verdadeira e moral", mas que em casos concretos possa ser utilizado, "pode ser um primeiro passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana". Estas declarações custam a alguns que parecem mais papistas do que o Papa.
No mesmo livro, Bento XVI admite resignar se ficar incapacitado. Mais uma porta que se abre.
BW

Mas a poesia é noite escura

Lembrei-me deste poema quando analisei com os meus alunos uma crónica de Ricardo Pereira Araújo, na revista Visão, acerca de uma entrevista deste a Adília Lopes. Se tiverem coragem, leiam os dois textos. Caso contrário, fiquem , pelo menos, com o poema desta original poetisa portuguesa.
Ana Soares

Degrau a degrau
verso a verso

o poema
a escada

***

No metro
cruzam-se as pessoas
como cartas de jogar
postas sobre a mesa

***

Dia
sem poesia
não é dia
é noite escura

Mas a poesia
é noite escura

***

Mesmo
uma linha
recta
é o labirinto
porque
entre
cada dois pontos
está o infinito

Adília Lopes in Caderno, & Etc, 2007

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sou só eu que não acho graça?

De manhã ouço alguém dizer: "A segunda circular está limpa e tudo por causa de um preto!". Gargalhada geral. No Facebook, uma amiga escreve: "O Obama já chegou e vai ficar em casa de um primo na Damaia", a última vez que vi, os comentários iam nos 20 e todos no mesmo sentido: "Na Damaia não, na Buraca!", "...na Cova da Moura", "Ouvi dizer que vão fazer fubá numa fogueira lá na "praceta"..." e continuam.
E agora, quem não achou graça, pergunta: quem são estes amigos? O Zé Manel Taxista? Não! É gente de classe alta, formada, bem posicionada e que olha para o Presidente dos EUA como o preto da Buraca. Ah! Não são comentários racistas, são só políticos, gostam mais dos republicanos... Fui eu que não percebi.
Graça tem este comentário que me mandaram a meio da manhã: "À chegada de Obama, milhares de funcionários públicos de Lisboa, agraciados com a tolerância de ponto, gritaram: "Yes, weekend!"
BW

Quem manda lá em casa? I

A Pais & Filhos em parceria com a clínica Gerações organizou um debate utilissimo!
"Quem manda lá em casa?"
Autoridade e Disciplina vão ser os pontos de partida para a psicóloga Helena Marujo, conhecida por desenvolver a Psicologia para o Optimismo; o pediatra Paulo Oom; e a educadora de infância Patrícia Bandeira.
Vai ser na sala 1 do cinema S. Jorge, em Lisboa, terça-feira dia 30, às 18h00. Não é pago, mas é preciso fazer reserva para: 214 154 584 ou paisefilhos@motorpress.pt .

Um país parado por causa da cimeira

Diz quem vem daqueles lados que o IC19 está completamente vazio. Há muito funcionário público a dormir na Amadora, Cacém, Agualva, Queluz e terras adjacentes! Não tenho dúvidas que em termos de política internacional é bom ter o nome de Portugal presente, como no Tratado de Lisboa ou agora com a Cimeira da Nato.
Portugal descobriu uma vocação, uma qualidade: a de bem receber. Somos os vencedores dos concursos de catering no Mundo! Somos bons anfitriões, sabemos receber bem, temos uma culinária espectacular e se o dia estivesse bonito, tudo seria perfeito!
O que pergunto é se nas contas de merceeiro entre o deve e o haver, se esta vocação compensa. Compensa dar tolerância de ponto a um país que pouco produz? Compensa ter empresas privadas na área onde a cimeira acontece fechadas ou a meio gás por questões de segurança dos políticos? Compensa ter os funcionários dentro do centro comercial Vasco da Gama, nas lojas e restaurantes circundantes, e não ter consumidores? Quanto custa a cimeira a um país endividado? Valerá mesmo a pena? Espero sinceramente que sim.
BW
PS: Suspeito que hoje estará mais gente "de cimeira", que dia 24 "de greve".

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fim das reduções?

Sugiro a leitura do post de Aventar que refere, na sequência de uma reunião entre o Ministério da Educação e Directores de Agrupamentos, algumas possíveis mudanças na carreira docente, por exemplo, o fim das reduções por  funções/cargos, incluindo o de direcção de turma.

22 horas reais e, além disso, os cargos! Fico sem palavras. Se com redução, este trabalho, feito de forma séria, já exige que se dê, por vezes, do tempo da família, do tempo do lazer e do descanso (sim, porque os professores são humanos e também precisam destas coisas para terem "o copo cheio" e poderem ir felizes para a escola) ... se tais reduções terminarem, não sei. Daremos todos em loucos!
Ana Soares

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mês de Saramago

A celebrar o nascimento de Saramago, que podemos lembrar aqui nas palavras do próprio, algumas iniciativas, das quais destaco o filme já em exibição, Pilar e José. É ainda possível ler aqui uma entrevista a Pilar sobre este tema.
Ana Soares


Ana Soares