Com voz pausada declara que é contra a lei da educação sexual e que por isso a associação que representa procurou um projecto de resposta à mesma. Descobriram-no na Colômbia, chama-se Protege o Teu Coração e vai ser adoptado por várias escolas do país. O lema do programa é "carácter forte, sexualidade inteligente". Portanto, o que se pretende é moldar o carácter dos adolescentes, propor-lhes o "auto-controle das emoções sexuais por anos, como a melhor escolha e como meio de desenvolvimento pessoal", diz a técnica - tradução: não começarem a sua vida sexual aos 12 mas mais tarde.
Óptimo.
"Que eles entendam o valor de esperar até encontrar um grande amor, para viver um amor verdadeiro e genuíno", continua. Os adolescentes vão aprender que "homens e mulheres são diferentes e complementares", que a educação sexual não é só informação mas também formação.
Certo.
Só começo a remexer-me na cadeira quando associado à homossexualidade, a senhora fala de "aberrações"; quando diz que "nós [os pais] não viviamos numa sociedade tão sexualizada" (já se sabe, antigamente é que era bom); quando diz que eles [os filhos] confundem amor com sexo (nem sempre, nem sempre...); quando diz [perante uma plateia com imensos divorciados] que os jovens não acreditam no amor e no casamento porque à sua volta só vêem "o divórcio" (do demo, acrescento eu); quando diz que "o "sexo seguro" não é tão seguro assim" (num dos panfletos que nos é dado fala em "regulação natural da fertilidade").
Quando me levanto, espreito: Por detrás da cadeira onde a técnica está sentada, no chão, encontra-se a sua mala, a pasta com o feitio do portátil e um saco de papel com as palavras La Perla gravadas a prateado.
Fico na dúvida, não sei se me hei-de preocupar com os filmes, as canções e as audições que os alunos farão nas sessões sobre educação sexual promovidas pela Associação Família e Sociedade, que não serão sobre educação sexual mas sobre educação do carácter... Confusa e na dúvida, concluo: "Tem bom gosto".
BW
PS: O folheto Boas Práticas é um bom folheto. Não é sobre educação sexual, mas sobre educação.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Educação sexual na escola
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Novo look
Foi fruto de um acaso o novo aspecto do Educar em Português.
Foi um azar, que me fez acreditar por umas horas que tinhamos perdido todas as configurações do blogue e os nossos queridos seguidores, que esteve na génese do seu aspecto renovado e mais modernaço.
Com os nossos técnicos-maridos conseguimos resolver a questão e o grande susto: o eng. informático recuperou a maior parte das configurações; o marketeer convenceu-nos de que a mudança era oportuna, agora que já caminhamos para os dois anos de existência.
Espero que gostem!
Ana Soares
ps - esta semana editámos o milésimo post!
Foi um azar, que me fez acreditar por umas horas que tinhamos perdido todas as configurações do blogue e os nossos queridos seguidores, que esteve na génese do seu aspecto renovado e mais modernaço.
Com os nossos técnicos-maridos conseguimos resolver a questão e o grande susto: o eng. informático recuperou a maior parte das configurações; o marketeer convenceu-nos de que a mudança era oportuna, agora que já caminhamos para os dois anos de existência.
Espero que gostem!
Ana Soares
ps - esta semana editámos o milésimo post!
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Assustador
Tradução: uma turma de PCA é de currículos alternativos, portanto, não estão no ensino geral como todos os outros mas numa turma especial. Neste caso de 5.º ano, quando saiu no 4.º, a antiga primária, deveria saber ler, escrever e contar.
BW
Tradução: uma turma de PCA é de currículos alternativos, portanto, não estão no ensino geral como todos os outros mas numa turma especial. Neste caso de 5.º ano, quando saiu no 4.º, a antiga primária, deveria saber ler, escrever e contar.
BW
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
a morte e o casamento
O tema da morte vai andando nas cabeças dos meus filhos, a par do tema do casamento.
Ele resolveu dizer que gostava era de viver e que não queria ir para o céu. Acrescentou ainda: "deve ser uma seca estar morto no céu de olhos fechados e não me poder mexer".
Lá lhe disse que, se calhar, podia mexer-se e estar de olhos abertos... Que talvez encontrasse por lá alguns amigos. Enfim, a resposta possível a esta pergunta no meio do trânsito.
Ele resolveu dizer que gostava era de viver e que não queria ir para o céu. Acrescentou ainda: "deve ser uma seca estar morto no céu de olhos fechados e não me poder mexer".
Lá lhe disse que, se calhar, podia mexer-se e estar de olhos abertos... Que talvez encontrasse por lá alguns amigos. Enfim, a resposta possível a esta pergunta no meio do trânsito.
Noutro dia e já em casa, foi a vez dela voltar a falar do seu noivo. Agora já não era o pai, mas o primo mais crescido, que ela adora, e que é, para os dois, um herói real, pois, além de crescido e valente, brinca com eles! (Que responsabilidade!) O irmão lá tentou tirar-lhe a ideia da cabeça, apelando a números e contas que ela não percebeu. Eu, nem me meti na confusão.
Ana Soares
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domingo, 17 de outubro de 2010
Portugal - dez séculos, dez histórias
Mais uma excelente colecção do Expresso feita a pensar nos mais jovens.
O Jorge faz dez anos e recebe do tio Zé uma colecção de livros que contam os dez séculos da história de Portugal. O primeiro volume é, naturalmente, sobre a fundação da nacionalidade. O último conta a história recente - chegou o euro.
Num registo que agrada aos mais pequenos, com um CD com a história narrada pela Bárbara Guimarães e com uma música inédita de Inês Pupo e Gonçalo Prata, estes livros são uma boa forma de perceber os dez séculos da nossa história.
•16 de outubro - Séc. XII - 1º livro: nasce uma nação
•23 de outubro - Séc. XIII - 2º livro: portugal total
•30 de outubro - Séc. XIV - 3º livro: em aljubarrota não há derrota!
•06 de novembro - Séc. XV - 4º livro: não dêem cabo da esperança!
•13 de novembro - Séc. XVI - 5º livro: que grande epopeia!
•20 de novembro - Séc. XVII - 6º livro: restauração, enfim!
•27 de novembro - Séc. XVIII - 7º livro: lisboa em ruínas
•04 de dezembro - Séc. XIX - 8º livro: um rei, dois reinos
•11 de dezembro - Séc. XX - 9º livro: viva a república!
•18 de dezembro - Séc. XXI - 10º livro: chegou o euro
Ana Soares
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sábado, 16 de outubro de 2010
A lembrar o dia mundial da alimentação
"cozinhar com os filhos não é fazer carinhas felizes na pizza ou fazer bolachas em forma de ouriço ou disfarçar a comida. Tem a ver com o cheirar, o tocar, o criar, o provar e o comer. (...). "
Dias Felizes com Jamie Oliver, Civilização
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Os rankings, o IVA e o IRS
Os rankings: as desigualdades entre notas nos exames feitos pelas escolas públicas e pelas privadas aumentam, para mal de um país que se quer educado, culto e evoluído. As escolas públicas estão a fazer algo de errado? Aparentemente não, a culpa é da instabilidade constante, das regras que estão sempre a mudar, das burocracias, da falta de autonomia, dos alunos que chegam à escola sem comer, sem tomar banho, sem regras básicas e a escola tem que fazer tudo. Tudo. Sobrando pouco tempo para trabalhar para os exames.
O IRS: a previsão da sua subida e a desigualdade que se prevê e, desculpem a banalidade da reflexão, mas apetece-me usar esta frase - os ricos cada vez mais ricos - e lembrei-me mesmo agora de outra, pintada em murais (havia um lindíssimo nos muros do Técnico, quando eu era pequena, mas não me lembro se dizia esta frase, acho que não, parece-me que apelava à revolução) - os ricos que paguem a crise -.
O IVA: a ideia de se taxar a 23 por cento bens que para muitas famílias são essenciais (não na minha, mas eu sou solidária) como os leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos, as bebidas e sobremesas lácteas, os sumos e néctares de frutos; para não falar das latas de grão, ervilhas, pêssego, ananás e salsichas, etc... (essas já entram em minha casa). E o vinho mantém-se nos 13 por cento. Sim, leite com chocolate e sumos naturais a 23, mas vinho a 13 porque, mais uma frase estafada, - dá de comer a muitos portugueses...
Hoje estou cansada (por culpa dos rankings) e irritada (por culpa da crise)!
BW
O IRS: a previsão da sua subida e a desigualdade que se prevê e, desculpem a banalidade da reflexão, mas apetece-me usar esta frase - os ricos cada vez mais ricos - e lembrei-me mesmo agora de outra, pintada em murais (havia um lindíssimo nos muros do Técnico, quando eu era pequena, mas não me lembro se dizia esta frase, acho que não, parece-me que apelava à revolução) - os ricos que paguem a crise -.
O IVA: a ideia de se taxar a 23 por cento bens que para muitas famílias são essenciais (não na minha, mas eu sou solidária) como os leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos, as bebidas e sobremesas lácteas, os sumos e néctares de frutos; para não falar das latas de grão, ervilhas, pêssego, ananás e salsichas, etc... (essas já entram em minha casa). E o vinho mantém-se nos 13 por cento. Sim, leite com chocolate e sumos naturais a 23, mas vinho a 13 porque, mais uma frase estafada, - dá de comer a muitos portugueses...
Hoje estou cansada (por culpa dos rankings) e irritada (por culpa da crise)!
BW
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Os rankings estão de volta.
Já foram anunciados. Amanhã temos os rankings 2010. Diz o DN: "Saiba ainda num especial quais são as 10 melhores e piores escolas, entre outras coisas.". Não são as melhores e as piores escolas que vão ser ordenadas nestes rankings; são, antes, as que conseguiram este ano melhores ou piores resultados. E isto é muito diferente... Repito o que já defendi em outras ocasiões: é interessante olhar para os números e, naturalmente, que eles dizem alguma coisa. Mas muito fica por dizer do esforço que foi feito nas escolas ditas "piores", dos recursos humanos e físicos que não são iguais entre regiões do país, dos contextos socio-económicos que distinguem escolas. Olhemos para os números, mas não nos esqueçamos disto.
Ana Soares
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Visitar a Batalha de Aljubarrota
Foi num sábado que fomos visitar a zona oeste: Alcobaça, Batalha e Aljubarrota. Há muito tempo que não visitava alguns destes locais e, como sempre, foi óptimo reviver visitas de outros tempos. Desta vez a novidade e descoberta do passeio foi o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota - da Fundação Aljubarrota - que, ao contrário do que o nome indica, não fica em Aljubarrota, mas em São Jorge, ali perto. O centro vale a deslocação das famílias e/ou das escolas. Combina um espectáculo multimedia com imagens, uma exposição da época (que inclui ossos de vítimas da batalha analisados como na série Ossos ou CSI), um parque de engenhos medieval e um espaço exterior com imagens / textos que permitem aos visitantes reconstituir a cena da batalha. Sem dúvida, um sítio a visitar com os miúdos!No site, cuja visita também recomendamos, a par com informação histórica, temos também actividades para os mais jovens, fotografias do espaço e até um jogo de xadrez em linha.
Se não puder ir a São Jorge, visite o sítio.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Tipologias de exercícios - novas designações
No site do GAVE é possível conhecer uma nova nomenclatura, agora quanto à tipologia dos exercícios dos testes intermédios e exames. Deste modo, os antigos itens de resposta aberta e fechada são substituídos pelas designações de itens de selecção ou construção. Na prática, nada muda. Só os nomes. Pode ler o esclarecimento aqui.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Paula Rego e marido

Fomos à Casa das Histórias em Cascais. Um espaço magnífico! E foi uma bela experiência. Para além da exposição permanente, um clássico para os conhecedores da obra de Paula Rego, que nunca é de mais rever, está ainda patente no mesmo local uma exposição de Victor Willing, o marido, já falecido, da pintora. O meu filho preferiu o marido à Paula Rego. Os quadros, grandes e enigmáticos, são, como o próprio autor sugeria, um convite à criação de histórias. Talvez tenha sido isso que o fez ganhar a simpatia do meu filho. De caderno em punho, lá escolheu dois que resolveu desenhar. E aqui fica um - Callot: Fuzileiro, 1983.
A mãe, por seu lado, gostou de conhecer a obra desta autor que, juntamente com Paula Rego, trabalhou e pintou em Portugal, de 1957 a 1974, entre o Estoril e a Ericeira. Impressionou-me especialmente a última sala, cheia de retratos/cabeças e o texto sobre o último dos mesmos. Estas telas são francamente mais pequenas. Foram pintadas numa fase avançada da sua doença, esclerose múltipla. Não tendo perdido o desejo de trabalhar, adaptou-se. O último quadro/retrato que pintou é particularmente vivo e colorido. Consciente do seu fim, não quis terminar a sua obra com uma marca de amargura.Ana Soares
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sábado, 9 de outubro de 2010
Ciberescola da Língua Portuguesa
A Ciberescola da Língua Portuguesa, plataforma de recursos interactivos e cursos a distância de apoio ao ensino do português, já está em linha. O lançamento decorreu no passado dia 22 de Setembro, na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa, no âmbito do certame Portugal Tecnológico 2010, a maior mostra nacional de tecnologia e inovação em Portugal.
O sítio, de iniciativa de Ciberdúvidas da Língua Portuguesa com o apoio da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (Portugal), disponibiliza o acesso gratuito a um conjunto estruturado de exercícios interactivos que regista o percurso/progresso de cada aprendente-utilizador. Para Português Língua Materna (PLM), os níveis contemplados vão do 5.º ao 12.º ano: oferece-se uma variedade alargada de actividades, da ordem da compreensão oral e escrita, gramática e produção escrita, em articulação com textos-suporte, dicas, explanações, ficheiros de imagem, som e vídeo.
Mas a Ciberescola tem também uma forte componente de Português Língua Não Materna (PLNM) para os níveis A2 e B1 (ver Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas), estando prevista a cobertura dos restantes níveis durante o corrente ano lectivo.
O seu público-alvo são alunos dos diferentes sistemas de ensino ou simplesmente pessoas que querem aprender português (não têm de estar inscritas em nenhum estabelecimento de ensino); mas também, obviamente, os professores, para quem se disponibilizam guiões de utilização dos exercícios nas aulas.
A Ciberescola da Língua Portuguesa, a par do Plano Tecnológico da Educação nas escolas portuguesas, é justamente o tema em foco nas emissões dos programas Língua de Todos (sexta-feira, 24 de Setembro, às 13h15*, na RDP África; com repetição no dia seguinte às 9h10*) e Páginas de Português (Antena 2, dia 26, 17h00*). Estes programas estão também disponíveis em podcast, na página da rádio e da televisão públicas portuguesas, na Internet.
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Nobel da Literatura para Mario Vargas Llosa

E o Nobel da Literatura foi para um sul americano... O peruano Mario Vargas Llosa foi o vencedor! Depois de já ter recebido o prémio Cervantes e o Principe das Astúrias, foi a vez do Nobel para o autor de ficção, teatro e ensaio. Parabéns.
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Hora do conto - coisas de mãe professora
Fui ler uma história à sala da minha filha. Ela estava excitadíssima. Eu, que ontem à noite escolhi o livro que queria levar e o reli para me preparar, fiquei nervosa. A história era fantástica (já falei dela aqui), as imagens eram bonitas e até tinha feito com a minha filha dois fantoches com as personagens principais. Estava tudo preparado para um começo de manhã feliz. Chegámos à escola e olhei para aquelas 21 criaturinhas de 4 anos e pensei que queria contar-lhes a história, que se divertissem, mas dali tirassem também algum proveito. Sim, é verdade, nem sempre é preciso tirar proveito das histórias. No entanto, achei que os "convidados" especiais, como as mães, devem impressionar os amigos dos filhos com histórias e aprendizagens. Enfim. Não sei se isto faz muito sentido. Mas assim foi o meu raciocínio.Naqueles minutos em que esperei que marcassem as presenças e se sentassem, pensei ainda como cada vez que tenho um grupo novo à frente, que não conheço, sejam eles do 12º ano, adultos ou crianças de 4 anos, sinto um certo nervosismo. Sem sentido, pensava eu, pois acabava por correr sempre tudo bem, é verdade. Bom. Lá fui ler a história. Parafraseei as palavras mais difíceis. Mostrei os desenhos. Fiz perguntas para criar expectativas. Rimo-nos e foi divertido. Correu lindamente. Quando me vim embora, e perdoem-me a imodéstia, pensei que é isto (também) que faz um bom professor: quando começa a falar com o seu "público", esquece-se dos ditos nervos e consegue, ao ritmo e em função da adesão do grupo, levar a actividade a bom porto. Pensei ainda: que sorte que eu tenho em ser professora.
Ana Soares
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
Carros e educação
Não tenho um Jaguar, nem um Bentley, nem um Ferrari, nem um... sei lá! Eu não tenho nenhum dos carros que o meu filho reconhece à distância. Por mais bonito que seja o seu design, não me imagino a conduzi-lo. Também não tenho dinheiro para o ter e se tivesse, porque haveria de gastá-lo numa máquina?
Ontem, na rua, recebeu um panfleto de publicidade da autarquia de Lisboa, impresso a cores, em papel de boa qualidade, com uma produção fotográfica por detrás. O tema do panfleto é: "Boa educação: Lisboa aposta no futuro" e o conteúdo, segundo o meu filho é mínimo: "Só 27 escolas? Só nove refeitórios renovados? Só seis recreios novos? Quanto custa fazer este papel? Não era melhor investir esse dinheiro em mais um recreio?". Ou em funcionários, com um salário justo, acrescento eu.
E enquanto procuro acompanhar a sua excitação também lhe revelo a minha: "Olha aquele! Aquele!". "É um Volskwagen...", diz-me desinteressado. "Não estava a falar do carro mas do condutor, é um dos pais da constituição portuguesa.", revelo. Olha com mais atenção para o dono do automóvel e pergunta: "E não tem dinheiro para ter um carro melhor?". "E aquele, aquele?", interrompo, "é o director de uma grande estação de rádio". "E conduz um carro velho?".
O garoto está confuso mas a mensagem começa a entrar: "Sim à compra de uma máquina funcional, confortável e segura, que nos faça deslocar do ponto A para o ponto B sem acidentes! Não ao desperdício, ao novo riquismo, à ostentação! Sim ao consumo inteligente. Se tens dinheiro para comprar um carro com aquela potência porque não o investes em algo consistente, porque não compras uma casa, não abres um negócio, em vez de passeares num bólide? A aparência interessa, mas não é tudo."
E a mensagem fica e o ensinamento consegue ser aplicado noutras situações.
Ontem, na rua, recebeu um panfleto de publicidade da autarquia de Lisboa, impresso a cores, em papel de boa qualidade, com uma produção fotográfica por detrás. O tema do panfleto é: "Boa educação: Lisboa aposta no futuro" e o conteúdo, segundo o meu filho é mínimo: "Só 27 escolas? Só nove refeitórios renovados? Só seis recreios novos? Quanto custa fazer este papel? Não era melhor investir esse dinheiro em mais um recreio?". Ou em funcionários, com um salário justo, acrescento eu.Há panfletos no chão, nos caixotes do lixo e espalhados nas carruagens do metropolitano. "Que desperdício", diz o miúdo.
À noite, nova lição. São distribuídas bandeiras comemorativas do centenário da República. "Para que é que isto serve? Alguém acha que vamos pendurar isto? Aonde? Nós não estamos em crise?", pergunta. Sim, mas esta é uma data importante, que devemos assinalar, começo, para ser interrompida: "Ainda se fossem canecas, sempre tinham alguma utilidade."
BW
PS: O panfleto é uma parceria câmara e Parque Escolar. Ficam os dois bem na fotografia, nós é que não, que vamos pagar mais impostos para publicidade e deslocações de ministros e secretários de Estado para inaugurarem uma centena de escolas, hoje, em todo o país. Tudo em nome dessa grande aposta que é a educação e da República!
Aqui está uma boa entrevista/análise para ler.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A educação na 1.ª República
Por isso, a 1.ª República apostou nas reformas no ensino criando a génese do pré-escolar, o ensino infantil dos quatro aos sete anos; e tornando o ensino primário obrigatório e gratuito, dos sete aos dez anos. Foram construídas novas escolas (liceus e escolas técnicas) e as universidades de Lisboa e do Porto.
Apesar de todo este esforço, em 1930 quase 70 por cento da população continuava mergulhada no analfabetismo. E continuamos a pagar a factura da falta de investimento, anterior e posterior, na educação e se a história tivesse sido escrita de maneira diferente, se durante a Monarquia a aposta na educação tivesse sido maior, hoje não haveria espaço para programas como o Novas Oportunidades, nem RVCC.
BW
A República na Web
"O sítio Web Roteiros Republicanos, integrado no programa de comemorações do Centenário da República, tem em vista a identificação e divulgação do património histórico e material da história da I República e do Republicanismo, nomeadamente à escala da história regional, sobretudo na sua dimensão urbana.
Os pontos de interesse georeferenciados contemplam toponímia associada às principais figuras e acontecimentos, património artístico, cultural e arquitectónico da I República, cujo legado inclui ainda museus, cinemas, teatros, coretos, fontes e jardins, edifícios públicos, equipamentos sociais, escolas, associações, empresas, lojas, restaurantes e cafés, a par de todo o património imaterial associado a este período."
Para conhecer algumas das actividades que vão acontecer amanhã e nos próximos dias, passe por aqui.
Para conhecer algumas das actividades que vão acontecer amanhã e nos próximos dias, passe por aqui.
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sábado, 2 de outubro de 2010
Metas de Aprendizagem
Até que enfim! Depois de tantas vezes prometidas, depois de terem sido ultrapassadas pelas Metas para o Sucesso ou o Educação 2015, aqui estão as Metas de Aprendizagem ou tudo o que os nossos filhos precisam de saber em cada disciplina.
A ver como serão aplicadas, já que são de caracter voluntário...
BW
A ver como serão aplicadas, já que são de caracter voluntário...
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O 5 de Outubro e a Primeira República
Em ano de comemoração do centenário da República, a Caminho editou o livro 5 de Outubro e a Primeira República de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Procurei-o na secção infantil. Não encontrei. Lá pedi à senhora que me indicasse onde estava. Estava na secção de História. De facto, esta situação deve-se, na verdade, às características da obra - está escrita num registo que agrada a gregos e troianos, aos adultos e a jovens. Em pequenos capítulos, ilustrados com imagens, biografias, curiosidades e imagens, podemos com este livro viajar pela nossa história e (re)descobrir personagens.Recomendado para pais e filhos!
Ana Soares
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