segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Um leitor chamado Aníbal

Para um fim-de-semana de Setembro posso sugerir ao fãs de Rui Zink o livro O Anibaleitor. Editada pela Teorema, esta novela começa por ameaçar ser, nas primeiras páginas, um retrato traumatizado de um filho de pais divorciados. No entanto, o desenrolar da acção, sempre com muitas relações com outros livros, conduz-nos a uma história surreal com um leitor sui generis.
O melhor do livro, a meu ver, são a reflexão sobre os livros e a leitura e as relações com outros textos, através referências mais ou menos claras (com algumas claramente assumidas e enumeradas numa nota de autor no final) .

Um texto diferente a fazer a apologia da leitura.


Ana Soares

domingo, 12 de setembro de 2010

Concurso de acesso ao ensino superior

As listas podem ser encontradas aqui. Cá estão para os mais curiosos porque os alunos receberam a informação por que tanta ansiaram durante a tarde de hoje. Se nós tinhamos de ir à Aula Magna, eles só têm que ter um telemóvel!
BW

livros para entreter

"Não há grande mal em muitos livros serem só para entreter. Os piores são aqueles que não passam de hamburgueres, Parecem saborosos, e são fáceis de consumir, mas é porque já vêm pré-mastigados. Lê-los dá o mesmo trabalho que ver uma série na televisão. Distraem, mas evaporam-se num ápice da memória e, quanto mais comes, mais ficas com uma sensação de vazio."

Rui Zink, O Anibaleitor, p. 62

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Metas

A notícia do Público é clara: as metas de aprendizagem para o ensino básico, ainda que em fase experimental, podem ser adoptadas pelos docentes. A partir de dia 15, as mesmas estarão disponíveis no site da DGIDC. Talvez com as mesmas se perceba o que vai acontecer aos Novos Programas de Língua Portuguesa - homologados, mas suspensos...
Em Outubro, serão dez as escolas a adoptar as metas oficialmente.
Ana Soares

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Livros de viagens

Numa edição mais económica, a Tinta da China vê a sua colecção sobre viagens associada à imprensa. Deste modo, é possível adquirir cinco volumes da colecção coordenada por Carlos Vaz Marques com a revista Sábado.
Na primeira semana, Uma Ideia da Índia, de Alberto Moravia. Uma viagem em registos e matérias diferentes, capítulo a capítulo, que nos permite sentir e cheirar a Índia.
Uma sugestão já com saudades das férias.
Ana Soares

"Ainda não me disseste o que é a Índia.
A Índia é a Índia.
Diz-mo numa fórmula, numa frase, num slogan.
Pois bem, a Índia é o contrário da Europa."
Alberto Moravia, Uma Ideia da Índia, p. 14

Magalhães a um canto

No dia em que o Governo anuncia mais Magalhães, o Correio da Manhã traz uma notícia sobre o tema para dizer que o computador não é usado na escola, nem em casa, que para os miúdos é como se fosse mais uma consola de jogos. Sim, mas eu também já fui ao interior do país, em reportagem, e vi o computador a ser bem usado na escola e em casa! Há muitas realidades!
A verdade é que se os professores quiserem podem dar algum uso à máquina, em vez de se queixarem de falta de formação e assim. Ninguém lhes dá formação para aprender a usar o comando da nova televisão ou o relógio do forno lá de casa, ou seja, não é preciso formação para tudo. É preciso ter vontade própria e querer aprender, coisas que para os professores deveriam ser inatas!
E os pais idem! Os pais são pais e se quiserem que a criança em vez de jogar faça uma pesquisa ou um trabalho é uma questão de o sugerir e até de se sentarem ao seu lado a ajudar a fazê-lo. Mas para isso é que há menos tempo... Por isso, o melhor é criticar as horas que ela passa a jogar ou pôr o Magalhães (que foi dado ou pago um preço reduzido, logo, tem pouco valor) a um canto.
BW

Cesário na voz de Mário de Carvalho

"Nas nossas ruas, ao anoitecer, há tal soturnidade, há tal melancolia, e no século XXI, Cesário amigo, pouca é a melhoria. As municipalidades poupam nos gastos de iluminação, porque interiorizam que os habitantes já chegam à noite fartos da célebre luz de Lisboa e precisam de descansar os olhos e os sentidos."


Mário de Carvalho, A Arte de Morrer Longe, Lisboa, Caminho, p. 100

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quanto custa educar um filho?

Falámos com famílias diferentes. Ok, são todas numerosas e em quatro, três são de uma classe média/média-alta. Por isso, gostei tanto (e sofri, que ouvir pessoas também tem destas coisas, de nos envolvermos e assim) de conhecer a família Inácio porque Rute, doente e desempregada, quer para os filhos exactamente o que os outros pais da reportagem (um arquitecto, um médico, uma professora, uma funcionária pública, etc...) querem: uma educação de qualidade, um futuro que sabe que passa pela educação que der aos filhos. Tal como os outros (ou mais do que os outros) esta mãe sabe que a educação não é só a escola, é tudo o que dá aos filhos, da alimentação às idas ao museu, da saúde à religião.
Para ler, com paciência porque é muito comprido, aqui.
BW

Os pais dos colégios privados

Por estes dias há quem amaldiçoe os pais dos colégios privados, os que - porque perderam o emprego, fizeram as contas ou porque sim - tomaram a decisão de tirar os filhos dos colégios e escolheram as escolas públicas. O problema é que estes pais escolhem as "melhores", as que estão mais bem colocadas nos rankings feitos com os resultados dos exames nacionais. Os pais do privado são pais elucidados, informados.
Quem fica a perder, os de sempre, o elo mais fraco, os alunos que não pertencem à área de residência da escola onde até ao ano passado estavam porque a escola não estava cheia, os seus lugares podem ter sido ocupados pelos filhos destes pais. É que muitos deles moram precisamente nessas áreas onde estão os antigos liceus, outros movem influências, fazem as falcatruas do costume, dão moradas falsas e há direcções que preferem ter um aluno que vem do colégio A e B a outro que vem de outra pública. O problema é que sabemos que isto acontece mas não há ninguém a dizê-lo em "on".
BW
PS: Já agora, leia.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

diz-me o que lês, dir-te-ei quem és

Tenho de confessar que, na praia, não resisto a olhar à volta a ver o que lêem os meus vizinhos. Na verdade, não é pelos vizinhos, é mesmo pelos livros, esses estranhos objectos com poder de hipnotização. E não é por mal que o faço, mas não resisto a espreitar os títulos dos livros, autor ou o "tipo". Uns invejo, outros nem por isso. E depois, também sem querer, crio imagens das pessoas. Na verdade, não acredito na versão do provérbio português que diz "diz-me o que lês, dir-te-ei quem és", pois também eu, por obrigação ou para conhecer, leio coisas com as quais não me identifico. No entanto, alguns retratos são impossíveis de evitar e começam a desenhar-se na minha cabeça. Por exemplo, que retrato fazer da avô rezingona que se queixa da correria dos meus filhos na praia cuja neta de dez anos (no máximo!) lê Nicolas Sparks deitada na toalha? E que pensar da família - pai, mãe e filha adolescente - que aluga uma barraca na praia e dela não saem os três e cujo pai passa as tardes a ler e sublinhar a bíblia e uma revista de uma seita religiosa? Bom, estes foram os casos que, este ano, mais me permitiram efabular, pois, na realidade, na vizinhança mais próxima e debaixo do mesmo toldo, partilhamos gostos e até livros.
Para o ano, no culminar das férias, faço antes um post a partir de uma nova versão do provérbio que me parece mais justa: diz-me o que gostas de ler e dir-te-ei quem és.
Ana Soares

O nosso Verão é mais azul!

E para celebrar o último dia de praia, mais uma memória vintage: O Verão Azul!
O nosso Verão sempre foi mais azul do que o de Chanquete, Julia e dos miúdos da série espanhola! Mais azul, mais fresco, com uma vila e praias mais bonitas, com família e amigos, tudo melhor! Para o ano, há mais! Apesar disso, é inevitável assobiar a música do genérico quando nos/os vemos em cima de uma bicicleta!
Por agora vamos aproveitando os fins-de-semana!
BW

ulminar

domingo, 5 de setembro de 2010

Frases ilustradas

Do outro lado do Atlântico, um blogue bem engraçado! (para ler com sotaque de português do Brasil)

sábado, 4 de setembro de 2010

Surf ao contrário

Um post ainda com sabor a mar e férias para os apreciadores dos desportos no mar (e a pensar especialmente num apreciador especial que leva, com muito carinho, a minha jovem a banhos). O Skimming voltou a estar na moda na minha praia. Agora já não são pranchas de madeira, mas sim de fibra (e que têm um aspecto mais alongado). Neste link podemos ver algumas imagens e testemunhos de jovens praticantes desta modalidade assim como ler algumas curiosidades das quais esta me pareceu a mais interessante:
" A título de curiosidade, em alguns locais, como Bahia - Brasil, este desporto é conhecido como frus (surf ao contrário) por conta de inversão: em vez de-se partir da onda para a praia, o skimmer corre da praia para o mar."
Ana Soares

Red Bull Illume

Vale a pena ver!
Parabéns!
BW

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Karate Kid

Alguém se lembra do Ralph Macchio? O poster da Bravo, dentro do roupeiro, ao lado do de Tom Cruise em Top Gun, é um facto indesmentível na minha vida...
Primeiro em Os Marginais - contracenando com Cruise e outros actores que poderiam muito bem estar na porta do roupeiro como Matt Dillon, Emílio Estevez, C. Thomas Howell, Patrick Swayze e Rob Lowe, não necessariamente por esta ordem -, veio a saga de Karate Kid.
Com o mesmo nome surge um remake que se passa na China, com Jackie Chan e Jaden Smith, o filho de Will Smith. Os miúdos da casa irão ver, a mãe não, gosta da memória de Macchio, com a sua voz rouca, a lutar pelo amor de uma miúda que, na altura, podia muito bem ser ela!
Macchio não envelheceu bem, temos pena!
BW

O Livro de José Luís Peixoto

Não é um post original, mas achei que não valia a pena criar outras palavras para falar do novo livro de José Luís Peixoto, O Livro, que dia 24 de Setembro chega às livrarias.

Aqui fica o que está disponível no site da Bertrand:

Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura.

Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.

«O dom de Peixoto para a escrita é algo raro, de beleza rítmica.» The Guardian

«Um escritor que levanta bem alto a literatura do seu país.» Le Figaro

«Peixoto surpreende pela profundidade estilística com que mostra seguir o exemplo maiúsculo do grande José Saramago e pela coragem de criar, hoje, estruturas narrativas solidamente actuais sob os exemplos, também, de Faulkner, Rulfo, Donoso.» L' Unitá

«A prosa encantatória e audaz de Peixoto é consistentemente bela, inacreditavelmente rica e ressonante.» The Independent

«A escrita de Peixoto é, ao mesmo tempo, fresca, ágil e envolvente, contendo toda uma herança literária universal. Estamos perante um escritor maduro. Um admirável escritor português.» Luís Sepúlveda

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Simplificação da Avaliação do Desempenho dos Professores

“A mensagem que trouxemos foi no sentido de, garantindo que a avaliação seja séria, rigorosa e exigente, seja também simplificada, que não se transforme naquilo que venha a ser o mais importante da actividade do professor”, disse aos jornalistas o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, no final de uma reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura.
Subscrevo.
Leia a notícia aqui
Ana Soares

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Quadros dos estabelecimentos de ensino subdimensionados

É desta forma que os sindicatos reagem aos números que resultam do concurso de colocação de professores que ontem foram tornados públicos. Leia a notícia aqui.

Concurso de professores: a confusão cíclica

Ontem foi um dia difícil para milhares de candidatos ao concurso de professores. Dos 50 mil cerca de 18 mil foram colocados, sabe-se lá onde, muitos foram desterrados para longe de casa e terão de resolver as suas vidas pessoais em dois dias, para se apresentar nas escolas atribuídas.
Mas dos cerca de 18 mil, houve 10 mil que foram reconduzidos com horários completos nas escolas onde já o ano passado leccionaram, o que significa que não são "necessidades transitórias" que esses estabelecimentos de ensino têm, mas permanentes. É por essa razão que os sindicatos pedem que sejam abertos concursos para quadros de escola e lembram que, nos últimos quatro anos, cerca de 15 mil professores se aposentaram.
O sistema precisa mesmo de mais professores, profissionais que estejam nos quadros? Este concurso vem dizer-nos que sim. E se a ele somarmos o alargamento da escolaridade obrigatória, então, de facto, a resposta é positiva.
O problema é orçamental. É muito mais barato para o sistema ter pessoas que praticamente pagam para trabalhar do que ter quadros estáveis a progredir na carreira e a engrossar as despesas do ministério.
Deste modo, continua-se a sacrificar a educação porque um professor contratado, por muitos anos de tarimba que tenha, por muito quilómetro que esteja habituado a percorrer, precisa sempre de um tempo para se adaptar à nova escola - as escolas são públicas mas não são todas iguais! -, ao funcionamento, ao saber onde ficam os lugares das coisas, a ganhar confiança, a fazer parte da casa, aos alunos e isso demora, com eventuais prejuízos para os estudantes.
BW