"Há muitas famílias que, não sendo consideradas pobres, vivem com grandes dificuldades. Com a subida dos impostos e a perda de apoios, já há quem tenha de cortar até no essencial", diz o DN, pode ler mais aqui. Numa altura em que o ministro Mariano Gago diz que é preciso mais gente com o ensino superior, Cristina não sabe se terá dinheiro para pôr o filho mais velho na universidade. António doente e a cortar na despesa de farmácia, não sabe se terá dinheiro para comprar os manuais escolares da filha que vai para o 10.º ano. E o pai de uma família numerosa, António, com cinco filhos, quatro em colégios privados, ainda ponderou tirar a mais velha do colégio mas a família vai continuar a fazer sacrifícios para dar o melhor aos filhos. É um bom retrato do Portugal de hoje.
BW
quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Liberdade para sonhar e gastar
Tem 12 anos, gosta de ler os jornais gratuitos nos transportes públicos e de comentar o que lê. A notícia é sobre os portugueses viverem no "limbo" e começa por perguntar quanto é o ordenado mínimo, quais são as despesas obrigatórias mensais, a partir daí começa a opinar sobre como devem os portugueses gerir as suas vidas, os seus gastos e repete, volta e meia, que é preciso poupar, que as pessoas não estão habituadas a fazê-lo. E dá um exemplo, "x", um amigo, está doente porque come mal, mas tem um i-pod, comprou o blusão da marca do surf, tem uma mesada de cem euros e pediu um i-phone de prenda de passagem de ano, que tudo isso não faz sentido, se não come e se está doente, diz.
Pois não, respondo-lhe, concordando com tudo, é verdade que as pessoas não podem gastar o que não têm, mas têm direito a sonhar e a tentar concretizar esses sonhos, seja ter um carro melhor, um telemóvel ou viajar. Sim, concorda ele, têm liberdade para sonhar com essas coisas mas depois ficam presas às prestações e não comem, irrita-se.
"Tão inteligente! E consegue fazer a ligação entre a "liberdade" e a "prisão", é filosofia pura!", orgulho-me. Aperto-o, ansiosa por que a sua vida de adulto seja mais simples do que a nossa. Provavelmente a geração deles há-de ser melhor gestora, há-de poupar, investir no que é certo e não no imediato.
BW
Pois não, respondo-lhe, concordando com tudo, é verdade que as pessoas não podem gastar o que não têm, mas têm direito a sonhar e a tentar concretizar esses sonhos, seja ter um carro melhor, um telemóvel ou viajar. Sim, concorda ele, têm liberdade para sonhar com essas coisas mas depois ficam presas às prestações e não comem, irrita-se.
"Tão inteligente! E consegue fazer a ligação entre a "liberdade" e a "prisão", é filosofia pura!", orgulho-me. Aperto-o, ansiosa por que a sua vida de adulto seja mais simples do que a nossa. Provavelmente a geração deles há-de ser melhor gestora, há-de poupar, investir no que é certo e não no imediato.
BW
Preço dos manuais sobe mais do que a inflacção
Diz o DN que o preço dos manuais vai subir mais do que a inflacção. O meu temor é que possam chegar atrasados ao mercado e que não haja livros para o início do ano lectivo. E vai ser uma confusão porque as capas vão dizer uma coisa e os pais vão pagar outra, por causa da mudança de 5 para 6 por cento do IVA.
Entretanto, o Ministério da Educação já confirmou que o acordo ortográfico é mesmo para entrar nos manuais a partir de 2011/2012.
BW
Entretanto, o Ministério da Educação já confirmou que o acordo ortográfico é mesmo para entrar nos manuais a partir de 2011/2012.
BW
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Os jogadores religiosos
Ontem via o jogo do Brasil e lembrei-me desta crónica da Aura Miguel, jornalista especializada em Igreja Católica, da Rádio Renascença. A vaticanista (assim se chamam os jornalistas que acompanham o Papa) exorta os exemplos de Kaka e de Rooney por serem católicos assumidos, por se benzerem e fazerem aqueles gestos que a grande maioria dos jogadores fazem em campo: deitar os olhos ao céu, tocarem na relva e benzerem-se, etc.
Os jogadores são supersticiosos e não acredito que Aura Miguel não o saiba e confunda aqueles gestos de superstição com o ser "católicos assumidos". Ser católico não é fazer umas benzeduras, umas orações antes e depois do jogo, é mais do que isso. Ser católico não é andar de cabeção e de fato preto a condenar quem não segue a Igreja ou quem segue mas não exactamente com o rigor que essas pessoas pretendem.
Ser católico é ser caridoso para com os outros, é ser livre, é ser universal e se Kaka e Rooney forem assim, então sim, são católicos, eles e todos os outros jogadores que se benzem (ou não) antes do jogo!
BW
PS: Mais do que o catolicismo dos jogadores, preocupa-me o seu futuro, mais concretamente o futuro dos norte-coreanos.
Os jogadores são supersticiosos e não acredito que Aura Miguel não o saiba e confunda aqueles gestos de superstição com o ser "católicos assumidos". Ser católico não é fazer umas benzeduras, umas orações antes e depois do jogo, é mais do que isso. Ser católico não é andar de cabeção e de fato preto a condenar quem não segue a Igreja ou quem segue mas não exactamente com o rigor que essas pessoas pretendem.
Ser católico é ser caridoso para com os outros, é ser livre, é ser universal e se Kaka e Rooney forem assim, então sim, são católicos, eles e todos os outros jogadores que se benzem (ou não) antes do jogo!
BW
PS: Mais do que o catolicismo dos jogadores, preocupa-me o seu futuro, mais concretamente o futuro dos norte-coreanos.
O Ensino do Português - III - A terminologia linguística
Discordo ainda da forma como Maria do Carmo Vieira, no livro O Ensino do Português, desvaloriza a terminologia linguística. A mesma teve um longo e conturbado processo de implementação. Sem dúvida. E isso, a meu ver, é um tema susceptível de críticas. No entanto, a existência de uma terminologia uniformizada e actualizada era um urgência. É ainda claro que há muito para fazer no que diz respeito ao ensino do português: formação inicial e contínua dos docentes; implementação de novos programas de raiz, entenda-se do 1º ciclo em diante e não começando pelo secundário; entrada em vigor da nova nomenclatura de forma serena e ponderada; preparação da entrada em vigor do novo acordo ortográfico. Algumas das áreas que a Maria do Carmo Vieira critica, a meu ver, não são, agora, as mais pertinentes; noutros casos, discordo mesmo da perspectiva. Destaco, agora, alguns dos aspectos apresentados e com os quais concordo. Também defendo o cânone literário escolar, ideia subjacente a algumas das observações e críticas que autora tece. Creio que nos Novos Programas de Língua Portuguesa – que entretanto foram suspensos - a substituição de algumas obras clássicas obrigatórias por obras do plano Nacional de Leitura (PLN) não terá sido a melhor medida. Não por que me oponha ao PNL ou ache que as obras do mesmo não devam entrar na sala de aula, mas por considerar que, ainda assim, algumas obras essenciais deverão ser recomendadas, se não mesmo obrigatórias, em todos os ciclos. Concordo ainda com as críticas que faz à qualidade, ou melhor ausência da mesma, em alguns manuais e textos seleccionados por estes. Espero que a acreditação dos manuais venha a pôr termo a esta situação e que a qualidade dos materiais que são colocados à disposição de professores e alunos melhore. Concluo dizendo que é sempre bom reflectir sobre o Ensino da nossa língua. Maria do Carmo Vieira proporciona isso. Ainda que me pareça que se algumas ideias estão fora do tempo.
Ana Soares
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Acordo ortográfico nas escolas
Atendendo à falta de informações concretas por parte do ministério quanto à entrada do novo acordo ortográfico (prevista para o ano 2011-12), os editores propõem a entrada em vigor do acordo ortográfico nas escolas de forma faseada, começando pelo primeiro ciclo. Leia mais aqui.
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acordo ortográfico
Cortes na cultura
Não me escandalizam os cortes no cinema português, preocupa-me que 45 pessoas tenham ficado sem trabalho no caso do filme de João Canijo, mas, por outro lado, irrita-me pensar que o Estado financia filmes, sejam de quem for, que ninguém vê; quem vê, vê com um encolher de ombros, como um favor que fez a um amigo, o cineasta, o argumentatista, o montador, o produtor (Portugal é pequenino...).
Filmes que não têm audiências, nem prémios são investimentos falhados e foi uma pena chegar a crise para decidir cortar com esses custos. Se se tivesse tido coragem de o fazer há mais tempo, certamente não se teria que cortar em coisas mais importantes do que o inexistente cinema português.
Já me choca que o Museu de Serralves feche, actualmente, às 17h00 para poupar custos, choca-me que num país com o sol e os dias compridos, os portugueses não aproveitem para, depois do trabalho ir a museu, sentarem-se no jardim, verem uma exposição. Por mim, que estou em Lisboa, o museu de Serralves devia estar aberto a partir da 17h. Como os museus da capital. É uma questão de hábito. Afinal, as aulas nunca terminam antes das 16h e os trabalhos normais prolongam-se até às 18h. Que tal criar umas tardes de família, aos dias de semana, depois das 17h? Certamente que já alguém pensou nisto...
BW
Filmes que não têm audiências, nem prémios são investimentos falhados e foi uma pena chegar a crise para decidir cortar com esses custos. Se se tivesse tido coragem de o fazer há mais tempo, certamente não se teria que cortar em coisas mais importantes do que o inexistente cinema português.
Já me choca que o Museu de Serralves feche, actualmente, às 17h00 para poupar custos, choca-me que num país com o sol e os dias compridos, os portugueses não aproveitem para, depois do trabalho ir a museu, sentarem-se no jardim, verem uma exposição. Por mim, que estou em Lisboa, o museu de Serralves devia estar aberto a partir da 17h. Como os museus da capital. É uma questão de hábito. Afinal, as aulas nunca terminam antes das 16h e os trabalhos normais prolongam-se até às 18h. Que tal criar umas tardes de família, aos dias de semana, depois das 17h? Certamente que já alguém pensou nisto...
BW
D. Januário Torgal Ferreira: uma boa entrevista
Gosto de ouvir D. Januário Torgal Ferreira, o bispo que foi capelão das Forças Armadas e um homem sem papas na língua, sem politiquices, um homem aberto como deveriam ser todos os homens da Igreja e do mundo!
A entrevista do i expressa isso mesmo!
Sobre a Igreja parecer pouco flexível:
"O que eu acho, então, é que há uma soma de pessoas, e digo-o com respeito, que ficaram perfeitamente analfabetas, cheias de complexos, de maldade, de sensualidade, quase castradas. Quem conhece o mundo e o adora, olha-o de forma límpida e feliz. Eu dou graças à vida e aos educadores que tive, por olhar para o mundo de forma descomplexada e desinibida. É como quando me dizem: "Ah... você vai para a praia e para a piscina de calções." E então? Qual é o problema? Sou um cidadão como outro qualquer!""
BW
A entrevista do i expressa isso mesmo!
Sobre a Igreja parecer pouco flexível:
"O que eu acho, então, é que há uma soma de pessoas, e digo-o com respeito, que ficaram perfeitamente analfabetas, cheias de complexos, de maldade, de sensualidade, quase castradas. Quem conhece o mundo e o adora, olha-o de forma límpida e feliz. Eu dou graças à vida e aos educadores que tive, por olhar para o mundo de forma descomplexada e desinibida. É como quando me dizem: "Ah... você vai para a praia e para a piscina de calções." E então? Qual é o problema? Sou um cidadão como outro qualquer!""
BW
O Ensino do Português - II - os clássicos
É claro que é preciso preservar os clássicos, e a escola deve dar-lhes o destaque me merecem – por inúmeros motivos (património, memória e o facto de serem fontes preciosas para o desenvolvimento de competências linguísticas). No entanto, a escola tem de dar espaço às novas formas da palavra se afirmar no mundo. A escolarização não está reservada às elites, e ainda bem. Por isso, a sua função (que deve ser exercida com rigor, sem dúvida) não pode resumir-se a ensinar literatura, tocar piano e falar francês. Há outras coisas, talvez menos interessantes, menos artísticas, é verdade, que devem ter espaço na aula de português. Mas recordo: um espaço. É óbvio que não defendo mais do que isso. E é isso o que os novos programas de português propõem. Ainda que discorde da organização do programa do 10º ano, este é um facto nos programas actualmente em vigor no secundário. E Maria do Carmo Vieira continua a lutar como se não o fosse. Exemplo claro do que acabo de afirmar é o programa do 12º ano que no domínio do Funcionamento da Língua não apresenta conteúdos novos. Prevê-se uma consolidação dos conteúdos de anos anteriores. Por outro lado, este é um ano em que os textos literários predominam: Fernando Pessoa ortónimo, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Camões, Sttau Monteiro, José Saramago.
No projecto de doutoramento que desenvolvi, analisei questionários de alunos do antigo e do novo programa. Em ambos os casos foi flagrante a forma positiva como os grandes nomes da nossa literatura são bem-amados pelos alunos. Mas foi também claro o modo como os alunos destacaram a importância de outros tipos de texto na sala de aula, referindo-se claramente ao texto argumentativo e aos textos do domínio do transaccional, reforçando a forma como os mesmos contribuem para uma melhor preparação para o mundo real.
Ana Soares
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ensino do português
domingo, 27 de junho de 2010
Ensaio: O Ensino do Português
A Fundação Francisco Manuel dos Santos, à qual já aqui nos referimos, editou um primeiro livro – colecção Ensaios da Fundação. A sua autora é a professora Maria do Carmo Vieira e intitula-se O Ensino do Português. Não posso deixar de comentar o livro, nomeadamente algumas das observações da colega, cujo trabalho e dedicação à causa da Língua Portuguesa admiro. Todavia, a visão que a mesma tem defendido em múltiplas circunstâncias e que esta obra reúne afigura-se-me como desconcertante.Maria do Carmo Vieira faz a apologia do texto literário e do ensino pela arte. Na teoria, estou de acordo. Na prática, quanto ao ensino da literatura, estou de acordo. Discordo é da forma talvez extremista como se apresenta contra a introdução de outros textos no espaço da sala de aula de língua materna. Recordo que os programas são para todos! E este todos inclui os alunos que não sabem ler rótulos ou a programação da TV! Podemos achar mal esta no programa de Português, mas o mal do país, a iliteracia, não é apenas a falta de conhecimento da literatura.
Por outro lado, não me parece que a escola, de uma maneira geral, seja a mesma e a aula de Português, em particular, possa decorrer como antigamente. As Tic, os quadros electrónicos, os computadores, as tecnologias entraram na vida dos pais, professores, escolas, alunos e estão a mudar o mundo. A escola tem, necessariamente, de se adaptar.
Ana Soares
Ps - as primeiras páginas do livro estão disponíveis aqui. Bastas clicar em saber mais sobre o ensaio.
sábado, 26 de junho de 2010
Cadernos sobre Saramago
São muitas as publicações que este fim-de-semana trazem um "caderno especial" dedicado a Saramago. Comprei o Público para juntar ao número dedicado à entrega do Nobel e um dia os mostrar aos meus filhos e lhes falar deste homem e escritor. Com a qualidade habitual, este caderno conta ainda com a patrticipação de grandes nomes da literatura e da biografia de Saramago (Baptista-Bastos, Carlos Reis, Dario Fo, David Leavitt, Fernando Meirelles, Gonçalo M. Tavares, Harold Bloom, Abel Manta, José Tolentino Mendonça, Mia Couto,Violante Saramago Matos, Zeferino Coelho, entre outros).
Inclui ainda um poema inédito em Portugal. Quando o li, fiquei a pen sar como a sua maravilhosa poesia foi sempre abafada pela sua narrativa de histórias e personagens inesquecíveis. Eu, que há nove anos durmo com dois versos seus num quadro sobre a cabeceira da cama, fiquei de novo rendida à beleza da sua palavra feita poema:
Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos?
O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo.
Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.
In Poesía Completa, Alfaguara, pág. 636-637
Poema escrito por José Saramago para assinalar a data do seu encontro com Pilar del Río
Acabei por comprar também o DN também por causa de uma entrevista a alunos, jovens leitores de Saramago. Luzia Cordeiro, aluna do 12º ano, foi convidada pelo DN a participar neste trabalho, juntamente com outros colegas que a mesma sugeriu, na sequência do que escreveu no blogue do Público dedicado aos exames nacionais no dia da morte de Saramago (texto que foi ainda publicado na edição em papel do Público e que pode ler aqui). A boa ideia do Público, deu assim origem a uma boa ideia do DN, embora as honras não tenham sido feitas de forma muito clara
Ana Soares
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Cerejas, cerejas, cerejas
Adoro cerejas! A autarquia do Fundão tem por tradição distribuir cerejas pelo meu local de trabalho e também pelo local de trabalho do meu esposo (!).Também a minha mãe faz questão de distribuir cerejas pelas casas dos filhos!
Como agradeço à Cova da Beira ter o seu micro-clima especial que faz crescer um fruto tão maravilhoso como são as cerejas! Como são maravilhosas acabadas de colher e lavadas em água gelada!
Hoje há feira de cerejas em Campo de Ourique!
BW
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Faixa para pais e filhos - Tallin
Ana Soares
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
O que é que se passa na escola de Fitares? 2
Afinal o abaixo-assinado de apoio à direcção foi destruído.
BW
BW
Diz que Deus é brasileiro...
Deve ser mesmo! Porque com tantas oportunidades de fazer golo e Portugal não conseguir...
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"A escola pública pode fazer a diferença"
Na próxima quinta-feira, a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues lança o livro A escola pública pode fazer a diferença, que será editado pela Almedina.Este será certamente um best-seller, lançado numa altura tão especial como a que se vive actualmente. Há mesmo quem diga que o momento do lançamento não é inocente.
O livro é sobre as políticas que Maria de Lurdes Rodrigues lançou durante o seu mandato. Lá pelos corredores do ministério corre que foram muitos os documentos pedidos pela ex-ministra para coligir a obra.
Ao todo são abordadas 24 medidas, para as quais é apresentado um diagnóstico, o modo como foram postas em prática e os seus resultados. Diz a Lusa que o livro está dividido em três partes: equidade e diminuição das desigualdades, qualidade e eficiência e modernização.
Já se sabe, há temas que serão incontornáveis como as actividades extra-curriculares e o inglês no 1.º ciclo, a modernização do parque escolar e as novas tecnologias, as novas oportunidades, o alargamento dos cursos profissionais e tecnológicos. Será que a avaliação e o ECD também estarão entre os capítulos deste livro?
Depois de tão contestada, também já há quem suspire pela ex-governante... É sempre assim!
BW
O que é que se passa na escola de Fitares?
A escola de Fitares tornou-se notícia quando se soube que um professor de Música não aguentou a pressão provocada pelos alunos e se atirou da ponte sobre o Tejo. A escola permaneceu nas notícias porque outro professor terá sido agredido, depois veio outro que terá sido acusado de assédio por uma aluna e foi suspenso. Esta semana, a escola voltou a ser notícia porque terão sido roubados computadores e documentos da escola, na mesma noite que a escola cedeu o espaço para um casamento...
No entanto, a direcção da escola não fala! A Direcção-Regional também não, o Ministério da Educação ainda menos e sabe-se lá o que é que se passa realmente na escola de Fitares...
Entretanto, a escola criou um abaixo-assinado (a que tive acesso por portas travessas) onde defende o silenciamento da comunicação social, onde acusa o Diário de Notícias de uma cabala contra a escola. Reza assim:
"1.Estranhamos que o Diário de Notícias colabore com esta campanha difamatória, veiculando informações falsas. Que outros o façam, já poderíamos esperá-lo. Mas o Diário de Notícias é uma instituição bicentenária de referência no panorama informativo nacional.
2.Que serviço público é este, em que se dá tempo de antena, a qualquer um que, sem responsabilidade, pois que anonimamente, acusa, difama, conspurca, destrói?
3. Não estará na altura de se repensar a liberdade de imprensa, exigindo que esteja associada à responsabilidade (responsabilidade de quem informa e que, para isso, é deontologicamente obrigado a ouvir diferentes fontes e a confirmar as informações que veicula)? Quando não se tem possibilidade de confirmar a informação através de outras fontes, não seria mais correcto não a divulgar?
4.A comunicação social, salvo raras e prestigiadas excepções, tem-se tornado veículo de divulgação do pior que a sociedade tem, e, por isso, tem contribuído para a crise que todos estamos a viver.
5. Antes de crise económica, esta é uma crise de valores e de cidadania. O que está em causa é o nosso modo de vida, a democracia e a sociedade ocidental.
6.A comunicação social tem um papel fundamental no aperfeiçoamento das instituições democráticas. Não se pode demitir das suas responsabilidades.
7. Nós, os cidadãos-educadores de uma nova geração de leitores e de pensadores livres, exigimos informação responsável."
Parece que o meu nome está neste documento. Eu não assinei nada, eu desconhecia este texto até ter sido alertada para esta questão. Eu não poderia assinar um texto esquizofrénico onde se põe em causa a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, se defende o papel fundamental da comunicação social. Onde se acusa a comunicação social de ser culpada pela crise, onde a escola age como uma virgem ofendida.
E pergunto: Passaram-se ou não os casos que têm sido notícia? Porque é que a direcção nunca sentiu necessidade de repor a verdade? De justificar as suas acções? Desafio a senhora directora a dar uma entrevista ao PÚBLICO ou até ao Diário de Notícias (sempre acho o PÚBLICO um jornal de mais referência do que o DN, que tem como director o ex-director do Correio da Manhã, mas isso sou eu a puxar a brasa à minha sardinha...), onde ponha os pontos nos is, onde diga claramente: afinal o que é que se passa na escola de Fitares?
BW
No entanto, a direcção da escola não fala! A Direcção-Regional também não, o Ministério da Educação ainda menos e sabe-se lá o que é que se passa realmente na escola de Fitares...
Entretanto, a escola criou um abaixo-assinado (a que tive acesso por portas travessas) onde defende o silenciamento da comunicação social, onde acusa o Diário de Notícias de uma cabala contra a escola. Reza assim:
"1.Estranhamos que o Diário de Notícias colabore com esta campanha difamatória, veiculando informações falsas. Que outros o façam, já poderíamos esperá-lo. Mas o Diário de Notícias é uma instituição bicentenária de referência no panorama informativo nacional.
2.Que serviço público é este, em que se dá tempo de antena, a qualquer um que, sem responsabilidade, pois que anonimamente, acusa, difama, conspurca, destrói?
3. Não estará na altura de se repensar a liberdade de imprensa, exigindo que esteja associada à responsabilidade (responsabilidade de quem informa e que, para isso, é deontologicamente obrigado a ouvir diferentes fontes e a confirmar as informações que veicula)? Quando não se tem possibilidade de confirmar a informação através de outras fontes, não seria mais correcto não a divulgar?
4.A comunicação social, salvo raras e prestigiadas excepções, tem-se tornado veículo de divulgação do pior que a sociedade tem, e, por isso, tem contribuído para a crise que todos estamos a viver.
5. Antes de crise económica, esta é uma crise de valores e de cidadania. O que está em causa é o nosso modo de vida, a democracia e a sociedade ocidental.
6.A comunicação social tem um papel fundamental no aperfeiçoamento das instituições democráticas. Não se pode demitir das suas responsabilidades.
7. Nós, os cidadãos-educadores de uma nova geração de leitores e de pensadores livres, exigimos informação responsável."
Parece que o meu nome está neste documento. Eu não assinei nada, eu desconhecia este texto até ter sido alertada para esta questão. Eu não poderia assinar um texto esquizofrénico onde se põe em causa a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, se defende o papel fundamental da comunicação social. Onde se acusa a comunicação social de ser culpada pela crise, onde a escola age como uma virgem ofendida.
E pergunto: Passaram-se ou não os casos que têm sido notícia? Porque é que a direcção nunca sentiu necessidade de repor a verdade? De justificar as suas acções? Desafio a senhora directora a dar uma entrevista ao PÚBLICO ou até ao Diário de Notícias (sempre acho o PÚBLICO um jornal de mais referência do que o DN, que tem como director o ex-director do Correio da Manhã, mas isso sou eu a puxar a brasa à minha sardinha...), onde ponha os pontos nos is, onde diga claramente: afinal o que é que se passa na escola de Fitares?
BW
Agrupamentos à força!
É um triste fim de ano lectivo. Pelo menos, confuso e irritante para os professores das escolas públicas. De repente, têm todos de agrupar, de escolher novas direcções provisórias, de se juntar. Ficava caro ter tantos directores e tantas direcções? Uma pena o Ministério da Educação ter descoberto isso tão tarde. Mas, por outro lado, uma pena as direcções terem-se formado, traçado planos e projectos para agora deitar tudo para o lixo, para começar de novo e com que motivação?
Resultarão os mega-agrupamentos? Ou as escolas ficarão ainda mais isoladas? Como gerir os egos dos ex-directores e futuros directores? E a mão de ferro de alguns?
É caso para dizer como costuma referir a Fenprof: é o "ataque à escola pública"!
Mas que não se fique a pensar que a escola privada também não é atacada, há uma crise, lembram-se? Há pais a tirar os filhos das privadas e, provavelmente, a dormir pouco de noite quando lêem as notícias, quando vêem que a escola pública vai de mal a pior porque não basta ter escolas bonitinhas, com quadros interactivos e corredores imaculados, é preciso um corpo docente estável e motivado, duas coisas que os professores do ensino público não sabem o que é, há muito tempo...
BW
Resultarão os mega-agrupamentos? Ou as escolas ficarão ainda mais isoladas? Como gerir os egos dos ex-directores e futuros directores? E a mão de ferro de alguns?
É caso para dizer como costuma referir a Fenprof: é o "ataque à escola pública"!
Mas que não se fique a pensar que a escola privada também não é atacada, há uma crise, lembram-se? Há pais a tirar os filhos das privadas e, provavelmente, a dormir pouco de noite quando lêem as notícias, quando vêem que a escola pública vai de mal a pior porque não basta ter escolas bonitinhas, com quadros interactivos e corredores imaculados, é preciso um corpo docente estável e motivado, duas coisas que os professores do ensino público não sabem o que é, há muito tempo...
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
A República explicada às crianças
Espectáculos para os mais novos na Cordoaria Nacional, em LisboaEntrada livre
A Cordoaria Nacional, onde está patente a exposição Viva a República!, vai ser palco de diversos espectáculos dedicados aos mais novos, a partir de dia 29 de Junho e até dia 15 de Setembro.
“Debaixo da Mesa”, “Cou Cou”, “1..2..3..Cores” são peças para bebés e crianças até aos três anos; e “A Bicicleta da República” é para mais velhinhos.
Para conhecer a agenda e saber mais sobre cada um destes eventos vá aqui.
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Exames do dia
Hoje foi a vez da Economia A e da Geometria Descritiva A. Os critérios já estão disponíveis aqui.
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