quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Vamos ficar sozinhos?" - II

Ela pergunta outra vez:
- O pai vai morrer?
Com toda a calma ele, o irmão de sete anos, responde:
- Sim, mas nessa altura já tens filhos. Quando uns morrem, nascem outros. As pessoas nunca acabam.
Silêncio e lágrimas a brilhar nos olhos dela.
Ele continua:
- Quando isso acontecer, vou ficar muito triste. Mas ainda falta muito tempo.

Que bom ter um filho mais crescido que explica estas coisas à irmã com toda a calma e segurança. Sem complicar.

Ana Soares

terça-feira, 11 de maio de 2010

A zebra Zezé

As zebras conhecem-se pelas riscas mas a Zezé confunde a família e nunca sabe onde é que ela anda... A savana com os seus tons amarelos são da responsabilidade de Alberto Faria, quanto à história da pequena zebra que vamos descobrir que é estrábica é, parece-me uma espécie de auto-biografia adaptada de Ana Ventura. A autora dedica o livro infantil à mãe: "É graças ao seu afecto e cuidados que não tenho o olho torto", confessa.
É uma história engraçada, daquelas com as quais queremos evidenciar que existem meninos diferentes e que temos que ser mais tolerantes para com a diferença; mas também que pode ajudar alguma criança mais avessa ao uso dos óculos... Pedagógico, qb!
BW

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Primeiras leituras

Procurar livros para miúdos que só sabem ler algumas letras é uma tarefa árdua e por vezes ingrata. Quando o meu filho só sabia algumas letras, fazia-lhe eu as histórias para ele ler e não "encravar" a leitura num "g", por exemplo, que ainda não tinha aprendido. É claro que o resultado depois eram histórias "sem sal" com o Tito a atar o totó da tareca. Felizmente, esta fase durou pouco tempo e, mesmo sem ter estudado os "casos especiais" de leitura, começou a ser possível ler pequenas histórias.

A primeira que ele leu foi uma vitória e alegria para todos! É importante que esta etapa seja consolidada, que eles sintam que conseguem ( e por isso não faz mal ajudar nas palavras mais longas ou difíceis). Por outro lado, devem ser histórias de que eles gostem e que queiram contar aos outros que conseguiram ler.

No caso do meu rapaz, foi um livro editado pela Civilização, Harry e o Balde dos Dinossauros - Oh, não! As palavras mais difíceis do texto são "chávena" e "dinossauro". As restantes, ainda que com alguma ajuda, são de fácil leitura. Cada página tem uma só frase ou, no máximo, duas e pequenas, pelo que é fácil ver as páginas passar e chegar ao fim do livro e dizer: Vitória, vitória, acabou-se a história!
Ana Soares

domingo, 9 de maio de 2010

Pagamento do colégio

Eu não quero que o Estado me pague o colégio dos meus filhos. A opção pelo privado foi uma decisão familiar, por isso, ainda que a Constituição da República Portuguesa fale da gratuitidade do ensino obrigatório (que agora é até ao 12.º ano ou aos 18 anos de idade), eu faço questão de pagar o colégio. Gostava é que o Estado quando faz o acerto do IRS me devolvesse a parte que desconto para ser aplicada na Educação ou então que a entregasse ao colégio onde tenho os meus filhos. São duas sugestões. Entretanto fico sinceramente feliz por se estar a recuperar os velhos liceus e a construir melhores escolas. Sinto que o dinheiro que desconto está a ser bem aplicado.
BW

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Provas de aferição de Matemática - 2010

Entretanto, a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) já se pronunciou. Leia aqui as críticas.

A língua portuguesa e as provas de aferição de Matemática

Estive a ver a prova de aferição de Matemática do 6º ano com colegas desta disciplina. Acharam fácil. Comentaram uma dúvida suscitada pelo enunciado. Tratava-se de um exercício onde os alunos tinham de calcular o número total de alunos de uma turma, considerando que todos tinham respondido a um questionário sobre desporto, alguns praticavam mais do que um desporto, mas três não praticavam nenhum. Não tive dúvidas em que o número total de alunos que respondeu ao questionário incluiu os três que não praticavam desporto. Para eles não foi tão claro. Mais uma vez, foi uma questão de interpretação.

6. O grupo da Teresa fez um inquérito sobre os desportos praticados pelos alunos da turma.

Todos os alunos responderam ao inquérito, incluindo o grupo da Teresa.

Os dados sobre os desportos praticados pelos alunos estão registados na tabela seguinte.

(...)

6.4. Muitos alunos da turma praticam apenas um desporto, mas há 4 alunos que praticam dois desportos e 3 alunos que não praticam nenhum

Calcula o número de alunos da turma de Teresa.



Ana Soares


Prova de aferição de Matemática

Terminaram hoje as provas de aferição. Ficamos à espera que os resultados de Língua Portuguesa e de Matemática cheguem às escolas e que o Ministério da Educação revele como é que os alunos do 4.º e 6.º anos estão a comportar-se nas duas disciplinas!
BW

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Estamos todos mortos?

Os atentados à liberdade de imprensa têm-se seguido uns atrás dos outros e Portugal lá vai caindo no ranking sobre a liberdade de imprensa. Ricardo Rodrigues, deputado do PS, rouba, furta ou guarda sem autorização dos proprietários dois gravadores de dois jornalistas e o presidente da bancada do PS acha compreensível.
Tudo isto é normal ou estamos todos mortos? Já nada interessa, já não há regras, nem moral, nem ética, nem nada quando o povo elege arguidos em processos ou quando os casos de corrupção se sucedem uns atrás dos outros e não acontece nada.
BW

Provas de aferição de Língua Portuguesa

Corroboro as observações feitas pela Associação de Professores de Português.
Os temas centrais de qualquer comentário às provas de aferição têm sido sempre, ano após ano, o grau de dificuldade e adequação dos exercícios; a utilidade; o tratamento dos dados obtidos.
2010 não foi excepção!

Não resisto a transcrever da prova do 6º ano (que corresponde a meninos de +/-12 anos) um exercício que, não duvido, espantará muitos dos nossos leitores. Aqui vai.

11. Ordena alfabeticamente as seguintes palavras, numerando-as.
monstro
marinho
mareante
mar
majestoso
maresia
magnífico
marítimo
marca

Atenção, nem todas as perguntas da prova são deste calibre. Felizmente!


Ana Soares

Utilidade das provas de aferição

- Para que serve a prova de aferição?
Momento de silêncio. Apetece dizer "para nada". Em vez disso dou a resposta da praxe: "Para o Ministério da Educação perceber se os professores estão todos a trabalhar bem o Português e a Matemática". Já dei esta resposta o ano passado e há dois anos, voltei a dá-la ontem. Hoje é dia da prova de Português e sexta-feira a de Matemática.
- Mas não conta para nota, pois não?
- Não.
- Então como é que o ministério percebe se os meus professores estão a trabalhar bem?
- Porque vai ver as vossas provas e depois avalia.
- E faz um ranking?
- Não.
- Então, porque é que temos trabalhado tanto para as provas de aferição?
Pois... A Associação de Professores de Português também faz a mesma pergunta. Mas há quem lhes dê utilidade.
BW

Iniciação à leitura - primeiras leituras e banda desenhada

A professora do meu filho convidou os seus alunos a escolher um livro de banda desenhada para levarem para a sala, terem debaixo da secretária e irem lendo no intervalo das actividades. Excelente ideia. Na altura em que o fez, a turma ainda não tinha aprendido muitas letras e ele resolveu levar um clássico da bd: um grande Astérix e Obélix. Certamente que manipulou o livro, observou as imagens, os balões, terá compreendido melhor o que é uma banda desenhada. Mas não sei se terá lido muito. Reconheço que as alternativas que tínhamos em casa eram todas do género ou, então, sem palavras, como a colecção da Owly, de que já vos falei, e que não me pareceu ser adequada ao objectivo.

Foi, então, mais tarde, na feira do livro da escola, que acabei por comprar aquela que me parece ser a banda desenhada ideal para a fase da iniciação à leitura e escrita. O meu rapaz e o interesse que este colocou nos livros da colecção comprovaram esta minha ideia. De Hergé, também um clássico da bd, Quim e Filipe é uma colecção fabulosa. Cada volume apresenta micro histórias de duas páginas, pelo que a tarefa da leitura não se afigura muito cansativa para os jovens leitores e, por outro lado, torna o acto da leitura gratificante, pois rapidamente se conclui uma história e se tem o prazer desse feito. São divertidas aventuras dos dois rapazes, com bastante sentido de humor.

Na minha perspectiva, uma excelente iniciação à leitura de banda desenhada.

Ana Soares

terça-feira, 4 de maio de 2010

Quando o Papa vier os católicos estarão a trabalhar

O Governo decretou uma série de tolerâncias de ponto para os funcionários públicos por causa da vinda do Papa. No dia 13 de Maio será para todo o país, laico mas a piscar o olho aos milhões que dizem "eu cá tenho a minha fé" e que só a praticam quando vão a Fátima, porque no resto do ano as celebrações eucaristicas e o envolvimento nas comunidades são só para os "ratos de sacristia" e os "papa missas". Sim porque "Deus fez o fim-de-semana para descansar e não tenho paciência para ouvir o padre".
Portanto, na próxima semana os pais que não são funcionários públicos vão ter uma dificuldade acrescida: onde deixar os filhos que frequentam as escolas públicas? Sim, porque as escolas privadas, muitas de influência católica, e as IPSS, idem, estarão abertas! Portanto, quando o Papa vier, os católicos estarão a trabalhar!
BW

"N" de estacionar

Num semáforo, conversa do nosso rapaz que vê letras em tudo:

- Olha, aquele senhor do carro está a fazer um N.

- Hã?!?

- Sim! A estacionar, aquele senhor fez para a frente, para trás, para a frente!

Ana Soares

segunda-feira, 3 de maio de 2010

É um inquérito feito a consumidores europeus pela Cetelem, uma empresa de crédito e por isso vale o que vale. Sobretudo porque quem o apresenta não diz quantos consumidores foram inquiridos, em que altura, etc, enfim, todas aquelas coisas que devem tornar uma sondagem relativamente fiável.
O que me chamou a atenção NÃO FOI que os consumidores estejam disponíveis para ver os produtos expostos de uma maneira menos bonita nas prateleiras, como de resto acontece nos supermercados mais baratos.
O que me chocou é que estão dispostos a ver as empregadas das caixas a ser substituidas por máquinas. Aqui os portugueses estão acima da média europeia (54 contra 49 por cento). Sim, o produto fica mais barato mas provavelmente a taxa de desemprego também aumenta. Hei! Mas eu não estou nada preocupada porque eu não sou caixa de supermercado, nem o meu marido, nem ninguém na minha família e poupo uns euros, pensa o chico-esperto que responde a estes inquéritos!
A falta de solidariedade choca-me e por isso nunca uso as caixas automáticas do hipermercado. É certo que não têm fila mas gosto de acreditar que aqueles dez minutos que estou à espera, estou a contribuir para a manutenção do emprego daquela funcionária, que pode ter filhos e que também gostará de chegar ao fim do mês com dinheiro para ir ao supermercado.
BW
PS: E alguém tem que arrumar os produtos. Por isso também prefiro ir a um sítio com produtos bem expostos e o chão limpo. Manias!

domingo, 2 de maio de 2010

Vamos ficar sozinhos?

Na parte de trás do carro, uma conversa filosófica entre ele de sete anos e ela de três.

Diz ela, quero casar com o pai.
Responde ele, não podes.
Porquê?
É adulto.
Então, caso contigo.
Não podes, eu vou escolher uma rapariga quando for crescido. Tu tens de escolher um rapaz.
Não pode ser o pai?
Não. Quando fores grande ele é velhinho e depois morre.

Silêncio.

Ela pergunta, eles vão morrer?
Sim, responde ele.
Porquê?
Com naturalidade e calma, diz: Porque ficam velhinhos e depois o mundo ficava com muita gente.
E nós ficamos sozinhos?, pergunta ela.
Não, depois tens a tua família.

Nós, na parte da frente do carro, de lágrima no canto do olho.

Ana Soares

Parabéns, mães!

"Mãe é quem anda sempre a semear flores por onde passa."

E. Roda, G.Luís, O quê que quem, Ed. eterogémeas

sábado, 1 de maio de 2010

o mundo nas mãos de uma criança


"nas tuas mãos começa a liberdade"

Manuel Alegre

Primeiro de Maio

É a história de Portugal depois do 25 de Abril de 1974, daqueles primeiros meses. A perspectiva é a de José Mário Branco mas não deixa de ser uma canção lindíssima que exprime a esperança num país melhor. "É um sonho lindo para viver quando toda a gente assim quiser".
Hoje é Dia do Trabalhador e a alameda onde cresci vai encher-se de festa, de cheiro a romaria, de discursos e de música!
Tenho saudades das ceifeiras alentejanas, vestidas a rigor, a manifestar-se avenida acima. Já não há ceifeiras e em breve deixará de haver trabalhadores e até colaboradores. As empresas estão a deslocalizar-se para os países onde não há direitos dos trabalhadores para cumprir.
BW