quarta-feira, 31 de março de 2010

Como escolher um livro infantil?

Quando compro um livro, espero sempre que o mesmo encante aquele que o vai receber e ler. Por isso, dou especial atenção a alguns aspectos:

- aspectos paratextuais - capa, ilustrações, título;
- qualidade da escrita (leio sempre um bom pedaço do livro para aferir esta questão) - pode ser uma escrita clássica, mas confesso que prefiro a que nos cativa pela originalidade (com jogos de palavras, muita musicalidade ou um registo poético);
- respectiva história e mensagem (mas também adoro os non sense, em que o que é apaixonante é mesmo a história não ter sentido);
- adequação à faixa etária (às vezes quando me apaixono pelo livro e não resisto em comprá-lo, compro e guardo para a altura certa!).

Exemplos:

capa


















título


















ilustrações















escrita

















criatividade
















poeticidade do texto, história e / ou imagens















história e mensagem




















non sense











Ana Soares


PS - alguns destes livros poderiam estar em mais do que uma das "categorias". Escolhi aquela em que o livro mais se destacou quando o vi / li pela primeira vez.

PS1 - Nem sempre o sucesso acontece. Tal aconteceu, por exemplo, no dia em que comprei um livro para uma sobrinha, não porque gostasse muito da ilustração, história, mas sim porque a personagem principal tinha o seu nome e primos. Achei que se podia identificar. Dessa vez, não tive sorte. Ainda não chegou ao fim da leitura...

PS2 - Quando são eles a escolher, não há teoria que resista. Eles apaixonam-se pelos livros mais estapafurdios. E ainda bem. Na leitura vale tudo (ou quase tudo). Recordo o que Ana Maria Magalhães defende sobre este tema. Releia aqui. Acho que ela tem razão.

Recados que fui apanhando 1

Na escola superior de educacao de UMass, em Amherst, por cima do quadro verde de uma sala de aulas onde estudam os futuros professores, estao os seguintes recados:
1. Learn to do by doing
2. Focus in strengths through instruction
3. Feedback & support
4. Create opportunities for shared decision making
5. Recognize that growth takes time
6. Encourage discovery of personal meaning
7. Provide environments that encourage risk taking
8. Appreciate/value diversity
9. Meet individual needs.
Tamb'em dizia: No food or drinks; mas parece-me que as anteriores sao bem mais importantes para os alunos interiorizarem o que podem fazer enquanto professores.
BW
PS: Sem acentos por aqui...

terça-feira, 30 de março de 2010

Phoebe Prince: a rapidez do sistema

Aconteceu em Janeiro. Phoebe Prince, 15 anos, tornou-se um alvo a abater pelas miudas mais populares da escola, foi vitima de bullying nos corredores da escola, na biblioteca, na rua e atraves da Internet, no Facebook. Acabou por ceder 'a pressao e a irma de 12 anos encontrou-a morta, em casa. Ontem, e depois de muitas criticas aos atrasos na Justica - passaram dois meses - nove adolescentes foram acusados pelo Minist'erio P'ublico de estar envolvidos numa campanha de bullying que durou meses. Alguns podem ser julgados como adultos. Como 'e que est'a o caso de Mirandela?
BW

Infertilidade

O tema da infertilidade tem vindo a ganhar relevância na nossa sociedade. Os dados começam a falar mais alto e não deixam grandes margens para dúvida: cerca de dez por cento dos casais que desejam ter um filho / filha têm dificuldade em engravidar. Leia a notícia com os números aqui.

Jamie Oliver e a Food Revolution

Na cozinha do refeitorio de uma escola em West Virginia, na cidade considerada a populacao mais obesa dos EUA, o cozinheiro britanico Jamie Oliver pergunta o que 'e que vao servir par o pequeno-almoco. "Pizza" respondem as cozinheiras. De seguida, a camara acompanha-o at'e ao refeitorio, nos pratos dos meninos louros, brancos e de olhos azuis ha pedacos de pizza e ketchup. Ainda nao sao oito da manha. "Eles sao o futuro da America", diz Oliver, arrepiado. Em casa de uma mae obesa, Jamie Oliver vai juntando em cima da mesa da cozinha tudo o que aquela familia costuma comer ao pequeno-almoco. Pizzas, hamburgueres, panquecas, molhos, cremes para barrar... "Sabe que est'a a tirar anos de vida aos seus filhos?", pergunta. A mae olha apreensiva. H'a tres geracoes que os americanos deixaram de saber cozinhar, diz Oliver em entrevista a Larry King, na CNN.
O cozinheiro ingles espera fazer milagres com o seu programa Food Revolution. So podemos desejar-lhe muita sorte! Nao 'e nada facil comer saudavel por estas bandas... Hoje de manha pedi um pao s'o com fiambre e a empregada do cafe sentiu-se compelida a acrescentar um bocado de oleo em cima para torrar o pao... Depois, quando passou pela colega nao resistiu a murmurar entre dentes:"They're so strange..." Pudera! Nao pedi pickles, nem tomate, nem mostarda, nem cebola, so fiambre.
BW
PS: Nao tenho acentos...

segunda-feira, 29 de março de 2010

A recessao e a crise

Nos EUA o financiamento das escolas est'a descentralizado e mais dependente a n'ivel local do que a nacional. O Governo federal financia em cerca de dez por cento e o resto 'e dinheiro do estado, do distrito e local. Por isso, as empresas locais e as associacoes de pais sao tao importantes para as escolas, porque angariam fundos para completar o orcamento ou fazer outras coisas que nao estavam previstas no mesmo.
A recessao economica tambem se tem feito sentir nas escolas que estao a dispensar os professores (lay-off), a fazer turmas maiores (35 alunos ou mais, na expectativa que o absentismo as torne mais pequenas porque nunca estarao 35 miudos na sala de aula), a cortar em areas consideradas dispensaveis (artes e afins) ou mesmo a pensar em ter apenas quatro, em vez de cinco, dias semanais de aulas...
Este problema ja se faz sentir ha algum tempo mas o Governo federal tem injectado dinheiro no sistema para adiar a dispensa dos professores. Em breve serao conhecidos os estados que vao conquistar um dinheiro extra para poder manter o sistema educativo e melhora-lo, 'e essa a contrapartida de concorrer a este financiamento. Ou seja, o objectivo nao 'e s'o injectar dinheiro para que tudo continue na mesma, mas melhorar a educacao porque a administracao Obama tem consciencia que a educacao 'e fundamental para sair da crise. O programa chama-se Race to the Top.
BW
PS: Desculpem a ortografia...

Perguntas sobre sexualidade

As crianças do primeiro ciclo vivem com serenidade a sexualidade. "Recordemos que são crianças que de 6,7 ou 8 anos, que normalmente nos perguntam sobre a sexualidade como poderiam fazê-lo sobre a sua colecção de cromos; as nossas respostas serão claras, mas simples, adaptadas à sua capacidade de compreensão; não daremos maior importância do que a que eles pedem de nós; nem nos estenderemos em explicações que não podem assimilar."




María Jesús Álava Reyes, O Não também ajuda a crescer, Lisboa, Esfera dos Livros

domingo, 28 de março de 2010

Pode vir 'a escola? Gostavamos de bater no seu filho...

Em alguns condados ainda h'a escolas onde 'e permitido bater nos alunos. Para isso, os pais tem que ser chamados!
Tolerancia zero 'a violencia pode passar por accoes de sensibilizacao junto dos alunos e por medidas punitivas fortes. No Wake County, o condado onde nos encontramos, na Carolina do Norte, um aluno 'e expulso da escola se for apanhado com uma arma ou drogas, ou se bater num professor. Um ano em casa em que pode continuar a estudar, se quiser, atraves da Internet ou do home shooling (educacao domestica). "It's his mum problem", resume um responsavel administrativo do condado.
BW

sábado, 27 de março de 2010

Quer ver a 3D?

Vá ao teatro.

A programar em 3D desde 1846.

Não consegui colocar aqui a campanha que hoje, Dia Mundial do Teatro, celebra e promove o teatro de uma maneira geral e o D. Maria em particular, por isso, aqui fica o convite para ver a campanha publicitária no site do Teatro Nacional D. Maria II.
Ana Soares

sexta-feira, 26 de março de 2010

Regras para ser um bom director de escola

Os directores sao uma realidade nova para n'os, mas nao para os norte-americanos, onde o sistema educativo 'e completamente descentralizado e, por isso, o director 'e aquele que tem o poder mais directo sobre a escola. Nick Cabot 'e professor na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, foi docente do secund'ario durante anos e lembra um dos seus directores como o modelo de um bom director, o homem que lhe ensinou as cinco regras para se ser um bom director:
1. Lembrar-se das suas origens - tamb'em ele foi professor, um director deve ser sempre um professor, ressalva
2. Dar voz a quem 'e acusado - sejam professores, alunos ou outro pessoal
3. Confiar nos professores
4. Confiar naquilo que os professores ensinam
5. Estar sempre vis'ivel na escola - nao passar o tempo no gabinete, mas andar de um lado para o outro, conhecer a escola, os professores, os alunos, as necessidades que existem.
Parecem-me cinco boas regras lembrando que os directores querem duas coisas dos seus professores, que:
1. Saibam gerir uma sala de aula
2. Consigam que os seus alunos obtenham resultados
Tamb'em me parece bem!
BW
PS: Desculpem a falta de acentos

Escolas iman ou magnet school

Os autocarros amarelos com as palavras "school bus" entram, em fila, uns atras dos outros, 'a porta da East Garner Magnet Middle School os alunos do 6. ao 8. ano (o equivalente ao nosso 3. ciclo) esperam para entrar. Muitos nao vivem perto da escola e 'e assim mesmo porque o objectivo 'e reunir numa mesma escola alunos de varios estratos sociais e de diferentes bairros. O conceito nao existe em Portugal. O que estas escolas chamadas "magnet" querem provar 'e que os bons exemplos, as boas condutas, os bons comportamentos, os bons desempenhos se atraem, como os imans. Ou seja, se eu tenho maus resultados mas estou com colegas com bom comportamento e bom desempenho consigo l'a chegar. Por isso, 'a porta da escola estao rapazes e raparigas de todas as cores, sabendo que metade est'a no limiar da pobreza e, no entanto, caminhar nos corredores, observar os alunos na sala de aula (portas abertas, pouco barulho, os professores a trabalharem com um ou dois, enquanto o resto da turma est'a a desenvolver um trabalho ou a ver um filme em espanhol, como na aula de castelhano) 'e pensar que se est'a num col'egio privado, daqueles internacionais, com filhos de diplomatas, e nao numa escola publica norte-americana.
BW
PS: Desculpem a falta de acentos

quinta-feira, 25 de março de 2010

'E preciso acreditar!

Tem mais de 60 anos, 'e directora da escola superior de educacao da Universidade de Georgetown, em Washington DC. Sentada numa sala de brancos conta algumas historias:
1. Era professora numa escola de um bairro negro, na sala de aula disse aos alunos que estava ali para os ensinar e eles para aprender. Uma aluna, com ar desafiador, disse-lhe que nao era bem assim, que os outros professores ja lhes tinham dito que eles eram do guetto e que nao iam aprender nada, por isso... Ela voltou a afirmar: Eu estou aqui para vos ensinar e voces para aprender. Anos depois, voltou a encontrar essa aluna, era enfermeira e agradeceu-lhe por nao ter desistido dela, por a ter incentivado a aprender.
2. Ela fazia parte do grupo dos dez melhores alunos daquele ano. Todos receberam uma bolsa para seguir para a universidade. Todos, menos ela, negra e pobre. O argumento era simples e era esse mesmo, era negra e pobre, portanto, nao chegaria longe. Os seus professores juntaram-se e financiaram o seu curso. Hoje 'e a directora da escola superior de educacao da Universidade de Georgetown. "Eles acreditaram em mim".
Por isso, para ela, muito do segredo do sucesso dos professores est'a no acreditar que 'e poss'ivel fazer alguma coisa com os alunos que se tem 'a frente, que nao se pode continuar a atirar as culpas para todo o lado - o bairro 'e mau, a familia 'e pessima, a pobreza 'e horrivel e ciclica... - nao! Para esta mulher 'e possivel mudar. "Yes, we can!", disse com um sorriso nos labios.
BW
PS:Desculpem a falta de acentos.

Sindicatos muito `a frente!

Sao sindicalistas, defendem os direitos dos professores, discutem-nos com o poder politico e... sao a favor da avaliacao! Sao eles proprios avaliadores, criadores de sistemas de avaliacao dos seus pares, de professores por outros professores, gastam dinheiro com a avaliacao mas consideram-na fundamental. Foi dificil aplicar um sistema ou varios sistemas de avaliacao? Sim, respondem, os professores nao gostam de ser avaliados, de ter as suas aulas observadas, mas a avaliacao e fundamental para garantir um bom sistema educativo, respondem.
Os sindicalistas norte-americanos de carreira sao bem diferentes dos portugueses. Estes dao aulas, continuam nas escolas, ao lado dos seus colegas, porque 'e preciso estar no terreno, defendem. Sao professores do basico, secundario, universitarios, com os p'es na terra, sao pessoas praticas que defendem uma profissao com qualidade e por isso criaram sistemas de avaliacao.
BW
PS: nao tenho acentos neste computador, desculpem.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Aventura no Pulo do Lobo


Foi hoje o lançamento do novo livro da colecção Uma Aventura - Uma Aventura no Pulo do Lobo. Na livraria Barata da Av. de Roma, em Lisboa e, naturalmente, com a presença das autoras, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e um grande grupo de crianças às quais desvendaram alguns dos mistérios do livro, explicaram algumas opções e mostraram fotos da visita que fizeram a este local que podem ser vistas aqui.

Este tempo foi ainda oportunidade para uma pequena conversa entre as autoras e os leitores que, contrariamente às minhas expectativas, foi pouco concorrido pela comunicação social. Veja a notícia no Público que destaca também alguns pormenores curiosos. Os presentes perguntaram quais os livros preferidos das autoras. Ana Maria Magalhães referiu Uma Aventura no Natal, pelo facto da acção deste volume se passar na quinta dos seus avós. Por seu lado, Isabel Alçada escolheu Uma Aventura No Bosque dado que o espaço desta narrativa é aquele onde ela sempre passou as suas férias de Verão, ou seja, Sintra.

Alguns curiosos perguntaram ainda como é que as autoras escolheram o nome das personagens principais da colecção. As autoras, recordando o contexto onde se conheceram, a escola, disseram ter-se inspirado nos seus alunos e em nomes que fossem tipicamente portugueses. Alguns alunos questionaram as autoras sobre o tempo que demoram a escrever uma aventura. Disseram que esta tarefa lhes toma cerca de dois meses e meio.

Por último, foram sorteadas algumas das crianças presentes para lhes ser dedicada a próxima aventura.

Ana Soares

Depressa ou devagar?


Um livro infantil para os adultos e pais.
Para não nos esquecemos do mundo em que os nossos filhos e crianças vivem.

Não para nos angustiarmos, nem culpabilizarmos.

Para nos rirmos do ridículo de oscilarmos entre o "depressa, despacha-te" e o "devagar, não corras".

Para ler e rir em família.
Para os pais pensarem.




Mais uma excelente proposta da Planeta Tangerina: Depressa, devagar de Isabel Minhós e Bernardo Carvalho.
Como é hábito da Planeta Tangerina, no seu sítio, temos disponíveis guias/sugestões para "usar" os seus livros.

Dizem os autores: «As pistas e propostas de trabalho que se seguem são apenas isso mesmo: propostas e pistas, pontos de partida, sugestões, pontapés de saída... Não são “lições” nem “fichas de trabalho”, não procuram respostas “certas” ou “erradas”, não são “obrigatórias”, nem se deseja que sejam levadas “à letra”. Gostávamos apenas que ajudassem pais, educadores, bibliotecários, professores... grandes e pequenos leitores, a melhor descobrirem os livros editados pelo Planeta Tangerina

Espreite aqui o que diz respeito a este livro.
Para conhecer o blog, clique aqui.
Ana Soares

terça-feira, 23 de março de 2010

Eles também caem em tentações!

Já não se chama No Child Left Behind, o programa educativo federal que tem como objectivo que os alunos saibam ler, escrever e contar. Agora chama-se Elementary and Secondary Education Act, como já se chamava em 1965, quando os EUA começaram a ter esta preocupação, e é o novo ponto da agenda de Obama. Os objectivos são os mesmos e a discussão começa agora. Em cima da mesa estão questões tão polémicas quanto velhas como: castigar ou premiar as escolas com base nos resultados dos alunos; fechar escolas e reabri-las com outras equipas. Os sindicatos dos professores contestam e argumentam que os problemas não se resolvem com despedimentos, assim como a avaliação dos professores não deve ser feita com base na avaliação dos alunos. Quem é que ainda não ouviu estes argumentos ponha o dedo no ar!

BW

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cansem-nos!

Não li e ainda ando à procura mas ouvi dizer (!) que há escolas, não me parece que fosse em Portugal, que cansam os alunos antes deles entrarem na sala de aula, ou seja, têm animadores de recreio cuja função é obrigar os miúdos a correr de um lado para o outro, jogam, etc. Quando entram estão extenuados e por isso portam-se bem! Não têm força para mais! Não sei é quais são os resultados escolares depois disso!
Também há escolas onde em cima de uma mesa enorme espalham peças de um puzzle e os estudantes, quem quiser, quando está por ali a passar, pode ajudar a construir o puzzle, como quem aprende a construir a escola, a ter espírito de equipa e de pertença.
Entretanto, os professores podem ir fazendo formação para aprender a lidar com o bullying...
BW

Cambalhotas ao som de Chopin



Colecção Grandes Compositores: a nova colecção do jornal Expresso dedicada aos mais novos.



Seis livros, cada um destinado a um compositor. Para além da história - simples e adequada aos mais pequenos, guiada por duas simpáticas personagens, a Mi e o - cada volume inclui jogos, passatempos e a oferta de um CD com excertos das principais músicas.

Comprámos o número 1, dedicado a Chopin. Confesso que os miúdos estavam mais interessados noutras brincadeiras, mas lá se sentaram ao meu lado para ver do que se tratava... Pus o CD. Lemos a história. O rapaz lá foi lendo algumas das palavras (aquelas que têm as letras que ele já aprendeu). Depois, foi a vez de experimentar as actividades que o livro propõe. E lá desenhámos o Chopin e respectivo piano (ver imagens), demos cambalhotas, batemos com os calcanhares... No fim, fizemos o questionário. Enfim, aqui a nota não foi vinte. Entre a Polónia e Paris, resolveram dizer que Chopin nasceu na Polofrança, mas não faz mal. Acertaram nas principais: que ele tinha uns dedos compridos e que, desde pequeno, tocava piano muito bem. Mas o melhor de tudo foi mesmo vê-los aos pulos ao som do Chopin. Para a semana, com Beethoven, vamos tentar repetir.

Ana Soares

São iguais em qualquer parte do mundo

Mais de oito horas de avião deram para ver três filmes, dariam para ler um livro que não trouxe devido ao seu peso, dariam para escrever centenas de "posts" mais inspirados do que este, escrito às três da manhã de Lisboa, depois de um dia que começou às seis, mas aqui vai:
O filme com a Sandra Bullock, The Blind Side, é baseado numa história real e é bom, óptimo para ver em família num domingo à tarde! Bom para os professores ganharem outra sensibilidade para os alunos que são diferentes e a dar-lhes oportunidades.
Agora outra coisa que não tem nada a ver: duas adolescentes norte-americanas, viajaram até à Irlanda, onde passaram o St. Patricks Day, foram à procura das suas origens. Sentadas no avião, em filas diferentes, trocam SMS furiosamente. O capitão avisa: srs. passageiros, bá, blá, blá, desligar os telemóveis e outros aparelhos electrónicos. A hospedeira passa, o comissário também e pede para que desliguem o telemóvel. Fica parado, à espera de ver o dedo na tecla vermelha, obediente a jovem desliga. Assim que o comissário vira costas, o avião já a encaminhar-se na pista para descolar, o polegar volta a ganhar ritmo entre as teclas. A hospedeira passa para verificar se os cintos estão apertados e o telemóvel ligado desaparece na manga da sweat da miúda. Não estão a ver isto a acontecer numa sala de aula? Eu estou.
BW

domingo, 21 de março de 2010

A celebrar a poesia e a chegada da Primavera

um dia quando a ternura for a única regra da manhã

um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto in A criança em ruínas