quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eça no Indie II

Para ler sobre As Singularidades de uma Rapariga Loira na versão cinematográfica de Manuel de Oliveira :

http://diario.iol.pt/cinema/singularidades-de-uma-rapariga-loura-maniel-de-oliveira-indielisboa/1060572-4059.html

Aumentar a escolaridade obrigatória, diminuir o número de alunos por turma

Poucos dias depois da confirmação do alargamento do ensino obrigatório, o Bloco de Esquerda apresenta a seguinte proposta:
profs de Português e Matemática só com 3 turmas;
turmas só com 22 alunos.

Esta são as principais novidades da proposta de projecto-lei do Bloco que é hoje discutida na Assembleia da República.

Adivinha-se um debate acesso.

José Luandino Vieira - livros na prisão

No âmbito do contrato de leitura, de que já vos falei, sugeri também aos meus alunos que lessem Nosso Musseque. Não lhes disse, mas achei que não o iam escolher. Pu-lo na lista pelos motivos mais evidentes: mais um exemplo da nossa literatura de expressão portuguesa, mas achei que Jorge Amado, com a sua fama; Pepetela, com os seus temas; Erico Veríssimo, com a intensidade psicológica iam conquistar os alunos. E conquistaram, é verdade, mas passado o período de reflexão e “prospecção” que lhes procuro proporcionar antes da escolha do livro, alguns lá disseram, embora ainda sem grande confiança, que iam ler este.


Depois, pareceu-me que gostaram mesmo. Este pequeno romance, escrito na prisão (outra prisão para além daquela de que Luandino nos fala nesta entrevista ao Público), faz um retrato dos musseques, bairros de Luanda, com personagens, adultos e crianças, que conquistaram a simpatia dos jovens leitores.





Esta foto de um musseque não é minha. Pode ser vista neste blogue sobre Luanda. Vale a pena espreitar para conhecer Luanda.






Moral da história: os miúdos gostam de conhecer outros universos. Educar é também isto. Levá-los a viajar por mundos reais e ficcionais que eles não conhecem.


Ana Soares


Feira do Livro 2009

A feira do livro de Lisboa já aí está.

Aqui fica o link:

http://feiradolivrodelisboa.pt/

Maria do Carmo Vieira em livro

Maria do Carmo Vieira é professora de Português, é conhecida entre os seus pares mas também do público que segue mais de perto as questões de Educação pela defesa de um ensino mais exigente. Por isso, não é novidade que no livro A Arte, Mestra da Vida: Reflexões sobre a escola e o gosto pela leitura, publicado recentemente pela editora Quimera, defenda que os mais pequenos, desde que entram na escola, devem ler os textos literários, insurgindo-se contra quem os acha muito difíceis para os mais novos.

Eugénio de Andrade, Caeiro, Pessoa, Guerra Junqueiro, Camões... A autora critica as "orientações institucionais" que continuam a "menorizar os nossos alunos, a atrofiar as suas capacidades e a negar-lhes a cultura a que têm direito, tornando-os vítimas de um ensino que os coloca ignorantes e indefesos perante uma sociedade exigente e desumanizada". Maria do Carmo Vieira defende: "Se cultivarmos nas crianças e desde tenra idade o gosto e o prazer de ouvir cantar e contar histórias, elas tornar-se-ão gradualmente fiéis amantes da leitura."

BW

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A Ronda do Soldadinho

G.A.C. - Ronda do Soldadinho

É preciso situar esta letra de José Mário Branco, aqui cantada pelo Grupo Vozes na Luta (só o nome da banda diz tudo!). Gosto muito mais da versão simplificada de Isabel Silvestre, no álbum A Portuguesa, basicamente porque deixa cair as estrofes onde se incita à luta contra o capitalismo! Não gosto nada do que fizeram com a música no Youtube, mas aqui fica...




A Ronda do Soldadinho resume as principais razões de descontentamento da sociedade portuguesa nas décadas de 1960/1970: a pobreza, a emigração forçada, a guerra colonial. Além do Conta-me como foi (a série da RTP), a letra cantada por Isabel Silvestre tem servido para explicar aos mais novos o porquê do 25 de Abril.

Lembrei-me desta música porque ontem passaram 120 anos do nascimento de António Oliveira Salazar.


BW

Secção da Alegria II - sonhos a custo zero nas bibliotecas

Livrarias
Nestes espaços, que se desejam feitos à sua altura e medida, com a cor e vida das crianças, elas devem poder criar laços. Entre elas e os livros em primeiro lugar, mas entre elas e os outros, pais, irmãos, amigos. A ida à livraria, em lugar da ida a um fun centre, pode ser um momento de intimidade e festa.

Bibliotecas
Também em muitas bibliotecas já se acabou o tormento do silêncio para os mais pequenos. Naquelas que possuem uma secção da alegria, os meninos podem rir de uma história, podem recontá-la aos amigos, podem apropriar-se dela. Têm almofadas, cor e desenhos nas paredes.


As bibliotecas terão a vida que nós lhes dermos ao levar lá os nossos filhos, sobrinhos, alunos, amigos…

Fica o convite.

Procurar a biblioteca do bairro, pode ser uma aventura com um final feliz. Aqui, a custo zero, há muito sonhos à venda.

Fica a sugestão.

Ana Soares

Para a pesquisa de bibliotecas municipais:

http://www.universia.pt/conteudos/bibliotecas/bibliotecas_municipais.jsp

http://catalogolx.cm-lisboa.pt/#focus

Eça no Indie 2009


Aconteceu ontem a antestreia nacional de Singularidades de Uma Rapariga Loura, o mais recente filme de Manoel de Oliveira, no Cinema São Jorge. Prova viva da actualidade dos textos queirosianos que não se esgotam n'Os Maias.


Protagonizado por Ricardo Trêpa e Catarina Wallenstein conta ainda com participações de Diogo Dória, Rogério Samora, Carlos Santos, Luís Miguel Cintra e Leonor Silveira. Destaca-se este evento também pelo facto de ser esta a primeira vez que o IndieLisboa tem a honra de apresentar um filme do realizador português mais reconhecido ao nível internacional: Manoel de Oliveira.


terça-feira, 28 de abril de 2009

Marta Neto - Exposição na Biblioteca Municipal D. Dinis


Os textos de Suzana Ramos e a ilustração de Marta Neto convidam a visitar a Biblioteca Municipal de Odivelas. Daremos ainda conta do programa, noutro dia.




Secção da alegria

Ler é também um dos direitos das crianças. E elas devem poder fazê-lo, com respeito pelos outros, naturalmente, mas com a vivacidade e alegria que lhes é característica. Fernando Alves no programa Sinais da TSF de 27 de Janeiro sugeriu o nome “Secção da Alegria” para o espaço infantil das livrarias. Mas temos de assumir que a alegria não é sempre sinónimo de silêncio.

Sinais
http://tsf.sapo.pt/podcast/files/sin_20090127.mp3


Ana Soares

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Alargamento da escolaridade obrigatória

Escolaridade obrigatória de 12 anos

Quando? Até 2012. Leia aqui .

E como? Planos aqui.

Bimby em livro

São muitos os amigos e conhecidos fãs da máquina de cozinha alemã Thermomix TM31. Para eles aqui fica uma boa notícia! A Bimby na Cozinha Regional Portuguesa é um livro de receitas que sai hoje, com o jornal PÚBLICO, e custa por 11 euros, parte das receitas (económicas) revertem a favor da compra de uma carrinha de nove lugares para o projecto Aldeias SOS. As receitas (culinárias) são do chefe Albano Jerónimo, que revela como é fácil e rápido fazer uma carne de porco à alentejana em apenas 18 minutos.

domingo, 26 de abril de 2009

Novo romance de Pepetela - agenda e sugestões



Pepetela, pseudónimo pelo qual se tornou conhecido Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, tem um novo livro: O Planalto e a Estepe. Segunda-feira, na Pó dos Livros, pelas 18h30min, haverá uma sessão de leitura da referida obra.

O autor Angolano entrou lá em casa, os seus livros, bem entendido, quando na escola começámos a propor aos alunos do 11.º ano obras de autores de expressão portuguesa, no âmbito do contrato de leitura.

Após um período de adaptação (pois os miúdos, apesar dos seus 15/16 anos, às vezes, também são conservadores), lá entraram também na vida dos jovens alunos autores como Mia Couto, Erico Veríssimo, Luandino Vieira, Manuel Rui, Jorge Amado e Pepetela.

Este último tem sido bem amado pelos miúdos.

Escolhem preferencialmente Jaime Bunda, em várias das suas versões, muitas vezes levados pelo título e capa, entusiasmados com a crítica que se adivinha logo na analogia entre o Jaime Bunda e James Bond.





Escolhem ainda A Montanha da Água Lilás. Este é, na verdade, uma fábula para todas as idades, que vos recomendo. Através da alegoria, o autor propõe uma crítica aos homens que se deixam corromper pelo poder que a posse de recursos humanos pode representar. Numa linguagem simples e poética, Pepetela chega a jovens adolescentes e a adultos, levando-os a reflectir tanto sobre o processo social que leva à diferenciação de classes como sobre a estruturação de uma economia. Com as estranhas personagens deste livro, criaturas muito engraçadas, os jacalupis, Pepetela faz um colorido retrato do mundo e dos homens.



Ana Soares


sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril, sempre!

Quando éramos pequenos, o meu pai amedrontava-nos: “Não se fala de política com ninguém. Na China, os filhos denunciavam os pais, que iam presos.”
O aviso tinha como base a experiência do comunismo, mas também podia ser aplicado ao salazarismo.
Por isso, é importante que os mais novos saibam que o 25 de Abril de 1974 não é mais um feriado, mas é o dia que marca uma nova era. A de podermos expressar as nossas opiniões, discuti-las e partilhá-las. A liberdade é um direito que abre as portas a todos os outros. E os mais pequenos têm que saber isso, para crescer no respeito pela liberdade dos outros.

Não convido a descer a Avenida – embora a participação em actos públicos também seja uma experiência pedagógica -, mas a ler sobre o tema!



Vinte cinco a sete vozes, de Alice Vieira, publicado pela Caminho, é um trabalho de casa de uma estudante sobre o 25 de Abril, com base no testemunho, em discurso directo, de sete pessoas.





O 25 de Abril contado às crianças, de José Jorge Letria (texto) e João Abel Manta (ilustrações), da Terramar, é uma “história pessoal” do autor, mas também a contextualização da revolução. Letria lembra a história de Salazar, a guerra colonial, a emigração, a censura e a alegria da mudança. As ilustrações, pelo seu valor histórico e simbólico, são uma das mais valias deste livro.

BW

Romance do 25 de Abril


João Pedro Mésseder escreveu Romance do 25 de Abril em prosa rimada e versificada. É a história de um menino chamado Portugal "que fora camponês e operário e em soldado se tornara" e que sofreu e lutou para realizar o sonho da liberdade. O texto bonito, embora um pouco maniqueista, pode ser uma primeira abordagem para pais e filhos fazerem à ditadura e ao 25 de Abril. Alex Gozblau ilustra este livro da editora Caminho.


BW

sexta-feira, 24 de abril de 2009

25 de Abril nas escolas.

Não se comemora explicitamente este dia na maioria das escolas, no entanto, ele vai ganhando vida sempre que a propósito da disciplina de História ou Português, por exemplo, se recorda o dia e o que ele representa.
No 11º ano, a obra Felizmente Há Luar!, de Sttau Monteiro, proporciona esta reflexão.
Este ano, na escola, descobrimos o grupo Petrus Castrus e integrei na minha planificação de aulas sobre a referida peça de teatro uma reflexão sobre algumas das músicas desta banda dos anos 60/70.

"falta saber qual é o futuro que vence
falta saber qual é e a quem pertence"

Ouvindo, lendo e interpretando alguns dos seus poemas, vimos como aquela juventude via e sentia o regime que tanto os oprimia, descobrimos os sonhos que tinham e as batalhas que travaram. Falámos dos sonhos que hoje, 35 anos depois, faltam a alguns.

Deixo como sugestão o CD Mestre, editado pela Valentim de Carvalho
Ana Soares



quinta-feira, 23 de abril de 2009

Escolaridade obrigatória

Mais três anos de escolaridade não é sinónimo de alunos que concluem o 12.º ano, avisa-me o secretário de Estado da Educação Valter Lemos. Isso só acontecerá quando o “sistema educativo for eficiente”, acrescenta. Portanto, um aluno poderá chumbar sistematicamente e completar os 12 anos de escolaridade obrigatória.
E para quando um sistema eficiente e interessante, que cative todos os alunos, que os faça ir até ao fim? Sem a ameaça de perda da qualidade do ensino?
Qualidade e quantidade “não são inconciliáveis”, responde a ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Embora admita que “o objectivo exige muito da sociedade portuguesa, da escola, dos professores e das famílias” porque ter todos os alunos na escola, durante mais anos, trará o problema da diversidade...
Com esta medida, suspeito que o ensino privado de qualidade sai a ganhar. Os alunos que até agora saiam no final do 3.º ciclo para a escola pública, mais precisamente para os antigos liceus, vão pensar duas vezes. Afinal, os bons professores estão a pedir a reforma antecipada e a escola pública passará a acolher todos, incluindo os que não querem lá andar. Não sei se os pais estão dispostos a arriscar.

BW

Alargamento da Escolaridade Obrigatória e do Plano Nacional de Leitura


Dia Mundial do Livro cheio de novidades na educação.

Alargamento do Ensino Obrigatório

Destacamos a aprovação pelo Conselho de Ministros da proposta para alargamento da escolaridade obrigatória de nove para doze anos (para todos os alunos que a partir do próximo ano frequentem o ensino) e a universalidade da educação pré-escolar para as crianças a partir dos cinco anos de idade.

Esta última é muito bem vinda, uma medida urgente para bem das famílias, economia, taxa de natalidade, enfim...

Quanto à primeira, é claro que é discutível, não o alargamento em si, mas o que ele pode representar.
Se tivessemos a certeza que todos teriam a oportunidade de serem jaguares é claro que a questão ganharia consenso! Implicitamente, a Srª Ministra comparou a "produção" de alunos e carros, quando, respondendo a algumas críticas, referiu que qualidade não é inimiga da qualidade, palavras que ouvi há que ouvi há pouco e que vos sugiro que oiçam também.

Leia mais aqui e oiça aqui.

Plano nacional de Leitura no pré-escolar


Hoje, na sessão de abertura da Conferência Nacional de Educação de Infância, a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, anunciou que o Plano Nacional de Leitura vai ser alargado ao pré-escolar já no próximo ano lectivo.

Leia mais aqui.

Dia Mundial do Livro - Saramago e J. Luís Peixoto

Os posts de Saramago.

José Saramago lança hoje um livro, denominado Caderno, onde surgem compilados os textos que publicou no seu blogue entre Setembro de 2008 e Março de 2009. Na esteira dos Cadernos de Lanzarote, encontramos nesta obra a espontaneidade das reflexões de Saramago. Apesar dos posts estarem disponíveis on-line (ver link na nossa lista de sugestões), nada se compara a lê-los em papel. Estes posts compilados são, sem dúvida, uma excelente prenda para o Dia Mundial do Livro. A não perder!


O quarto romance.

José Luís Peixoto verá reeditado o seu primeiro romance, Morreste-me, em Junho e , no Outono, prevê-se a publicação de um novo romance.
Aguardaremos ansiosos por este novo título, até lá sugerimo-vos Cal. Este é uma excelente escolha, principalmente para os que não conhecem ainda a sua obra, pois este volume reúne vários contos, alguns poemas e textos dramáticos, pelo que é uma boa introdução ao universo deste jovem, mas já amplamente reconhecido, escritor.

Ana Soares

Dia Mundial do Livro - crianças

Os que, como eu, andam pelas livrarias e bibliotecas à procura de livros para crianças já terão concerteza verificado que nem sempre é fácil encontrar livros escritos em verso com qualidade e capazes de prender o interesse dos miúdos. Por este motivo, a minha sugestão neste dia Mundial do Livro é exactamente um livro infantil escrito em verso: A Fada Palavrinha e o Gigante das Bibliotecas.
Reúne este livro, a meu ver e dos mais pequenos cá de casa, várias virtudes: tem gigantes, um rei maluco (quer fazer uma biblioteca, imaginem lá!), traças perigosas (que querem comer os livros), um morcego guardião da biblioteca e uma fada que devora livros num sentido mágico, como só as fadas conseguem fazer! Juntamos a isto umas ilustrações bem divertidas e um texto com a qualidade com que Luísa Ducla Soares habitualmente nos surpreende e temos como resultado final um livro de sucesso. Vale a pena procurar nas bibliotecas e livrarias.

Feliz Dia do Livro para os mais pequenos!

Ana Soares

Luísa Ducla Soares, A Fada Palavrinha e o Gigante das Bibliotecas, Livros Horizonte